"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 24 de setembro de 2011

Frente parlamentar pede ao STF que reconheça constitucionalidade da Ficha Limpa


Projeto da Ficha Limpa recebeu 1,3 milhão de assinaturas
Assinaturas de apoio ao projeto da Ficha Limpa.
Os integrantes da Frente Parlamentar Mista de Combate à Corrupção do Congresso pediram na última quarta-feira (21) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluzo, celeridade no julgamento de ações sobre a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/10). 


Os deputados Chico Alencar (Psol-RJ), Delegado Protógenes (PCdoB-SP), Francisco Praciano (PT-AM) e Paulo Rubens Santiago (PDT-PE) pediram ao ministro que a lei tenha validade plena nas eleições de 2012.



A Lei da Ficha Limpa é fruto de um projeto de lei de iniciativa popular e reuniu mais de 1,3 milhão de assinaturas de cidadãos favoráveis à moralização do processo eleitoral. A validade da lei não foi reconhecida para as eleições de 2010. Além disso, alguns dispositivos têm a constitucionalidade questionada. A maioria dos integrantes da frente considera, assim como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Procuradoria-Geral da República, que a lei é constitucional.



As ações ajuizadas pela OAB nacional e pelo PPS pedem que o tribunal declare a constitucionalidade da lei. A outra ação, proposta pela Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL), pede ao STF para declarar inconstitucional um dispositivo da norma que torna inelegíveis as pessoas excluídas do exercício de profissão em razão de infração ético-profissional. 



No encontro, os parlamentares informaram ao presidente do Supremo que vão sugerir a criação de um Pacto de Combate á Corrupção, que seria firmado entre os três poderes (Legislativo, Judiciário e Executivo). A proposta da frente, que detalha esse pacto, será protocolada na Câmara na próxima semana.

Agência Câmara de Notícias

Papa afirma que nazismo e comunismo foram como "chuva ácida" para a fé cristã

                      

Mantega pede no FMI resposta firme para evitar nova recessão

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou hoje na reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC, na sigla em inglês), que se reuniu em Washington que a "Turbulência excepcional nos mercados financeiros e confiança debilitada podem levar a uma nova recessão, especialmente nos Estados Unidos e na zona do euro",Mantega cobrou uma "resposta firme" das autoridades econômicas para evitar que o mundo mergulhe em uma nova recessão.


"A não ser que haja uma resposta firme das autoridades, o melhor cenário para esses países parece ser estagnação prolongada, com alto desemprego", disse Mantega ao IMFC, que é o órgão que tem o papel de assessorar o Conselho de Diretores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e recomendar a adoção de políticas.
Repetindo um alerta feito ao longo da semana, na qual participou de encontros de ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do G20 (grupo das principais economias avançadas e emergentes, entre elas o Brasil) na capital americana, Mantega disse que caso haja uma nova recessão, todos os países serão afetados, "em menor ou maior grau".
O ministro observa na nota que a situação atual é semelhante à de 2008, que marcou o auge da crise econômica mundial.
"A gravidade dos eventos recentes está nos levando a um daqueles pontos em que a cooperação é absolutamente indispensável", diz o texto apresentado pelo ministro, em nome do Brasil, e de mais oito países em desenvolvimento (Colômbia, República Dominicana, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, Suriname e Trinidad e Tobago).
Segundo Mantega, os países avançados não podem mais lidar sozinhos com riscos à estabilidade global, em um momento em que as economias emergentes e em desenvolvimento são responsáveis pela maior fatia do crescimento econômico.
"Uma porção considerável dos recursos que o FMI tem emprestado nos últimos anos vem de reservas internacionais fornecidas por China, Brasil, Índia, Rússia e outros mercados emergentes", diz Mantega, sem citar o quinto integrante do Brics, a África do Sul, última a se unir ao bloco.
Em referência aos Estados Unidos, cujo governo recentemente apresentou uma proposta para geração de empregos, ainda dependente de aprovação do Congresso, Mantega diz que a medida é bem-vinda.
Informações da Agência Brasil

Série B 2011 - 25ª rodada


1  X  2Vila Nova20/09/2011 
20:30
Americana1  X  2Guarani20/09/2011 
20:30
2  X  0Náutico23/09/2011 
20:30
0  X  1Salgueiro-PE23/09/2011 
20:30
Boa Esporte2  X  0Criciúma23/09/2011 
20:30
Sport4  X  024/09/2011 
16:20
Ponte Preta2  X 1 24/09/2011 
16:20
Bragantino1  X  124/09/2011 
16:20
São Caetano2  X 2 24/09/2011 
16:20
ASA1  X 1 24/09/2011 
16:20

Novo Código Florestal atende a indústrias e libera 'deserto verde'


O sociólogo Marcelo Calazans considera que as plantações de eucalipto trazem consigo uma “injustiça ambiental embutida”. Coordenador no Espírito Santo da FASE, uma organização governamental que luta por direitos sociais e ambientais, ele aponta que os prejuízos provocados pela monocultura de árvores são lineares: “seca a água, expulsa o campesinato, não gera emprego”.
Na última semana, a FASE se somou a uma rede de entidades em todo o planeta para o Dia Internacional de Luta contra os Monocultivos de Árvores, que neste ano coincidiu com o Dia da Árvore. O Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais enviou uma carta à FAO, a agência das Nações Unidas para o direito à alimentação, protestando contra a definição de floresta da entidade. Para a FAO, bosque são as terras com extensão superior a meio hectare dotada de árvores com altura superior a cinco metros. “É uma definição puramente matemática. Como se em uma floresta só existissem árvores”, critica Calazans.
Em entrevista à Rede Brasil Atual, ele aponta que as duas cadeias produtivas que dependem do plantio de eucalipto, as siderúrgicas e as empresas de papel e celulose, são grandes interessadas nas mudanças a serem realizadas no Código Florestal. “Este Código não serve mais como língua para o diálogo das grandes corporações. Ele se tornou um problema porque denuncia o passivo e coloca obstáculos para uma expansão desenfreada.”
Confira a seguir os principais trechos da conversa.
RBA - No Brasil se tem uma questão complexa em torno dos eucaliptos. Como está o quadro atual?
Já existe uma literatura bastante razoável, seja acadêmica, seja de pesquisadores independentes. Se formou um corpo crítico mostrando que onde há monocultura em larga escala de eucalipto de rápido crescimento os córregos secam, não tem geração de trabalho e de emprego, não geram uma economia local. Foge a caça, a pesca desaparece. Graves problemas sociais, ambientais e econômicos. Muitos direitos têm sido violados pela monocultura do eucalipto. Seja no Brasil, seja no Chile, e hoje se expande para Uruguai e Argentina. 
No Brasil essa monocultura está associada a grandes projetos industriais. Siderúrgicos, como é o caso de Minas Gerais, uma enorme demandante de eucalipto. E a segunda grande cadeia produtiva é de pasta e papel, mais associada à Bahia, ao Espírito Santo, a São Paulo e ao Rio Grande do Sul. E tem novas fronteiras em Mato Grosso do Sul, Maranhão e Pará.
Esses plantios vêm desde os anos 1960 em larga escala para abastecer esses parques industriais. Já temos cinquenta anos que esses plantios se instalaram nas primeiras regiões. Temos tempo e um histórico passado que permite uma avaliação dos impactos dessa cadeia produtiva sobre o meio ambiente de determinados territórios e sobre a sociedade civil.
RBA – Quais exemplos lhe chamam atenção?
Um caso claro é no norte do Espírito Santo, nas comunidades quilombolas de Sapê do Norte. Antes dos anos 1960 eram 12 mil a 15 mil famílias vivendo na Mata Atlântica e de agricultura. Depois da chegada do eucalipto, de cada cem famílias, 90 migraram. Hoje temos mil famílias, mais de 130 córregos desaparecidos. Um caso emblemático é o da Lagoa de Murici, que fica em uma comunidade de Conceição da Barra. É uma lagoa que foi totalmente coberta por plantios de eucalipto. Essa lagoa desapareceu. No ano passado, a comunidade decidiu retomar essa lagoa.
A empresa esteve de maneira criminosa em uma área de preservação permanente. Plantou não apenas na mata ciliar, mas dentro da lagoa. Pelo atual Código Florestal, é uma empresa criminosa. Por isso mesmo interessa a essas empresas desmontar o Código, para que não se cobre esta dívida ambiental e social.
A comunidade decidiu retirar os eucaliptos de cima da lagoa, o que é um processo dos mais difíceis. Não é como a cultura da soja ou da cana. A monocultura do eucalipto deixa um estrago mesmo depois de sacado esse eucalipto. Porque rebrotam três, quatro novos troncos. Uma área abandonada de eucalipto vira uma área de dificílimo manejo. Os impactos da monocultura do eucalipto são lineares. Seca a água, expulsa o campesinato, não gera emprego. 
RBA - Como tem sido a resposta do Judiciário às ações contra o eucalipto?
Existe um processo muito conturbado. No Executivo, no Legislativo, no Judiciário. É muito confuso esse debate porque, na verdade, toda a indústria da madeira não aparece explicitamente como monocultura química em larga escala. Aparecem como plantadores de florestas. Usam o termo para nomear a monocultura de rápido crescimento, que depende de muito herbicida, fungicida. Imagina o sistema agrícola de uma espécie e rápido crescimento. É claramente insustentável. 
Todas as políticas públicas do Executivo e os debates no Legislativo, em geral, promovem este setor. Crédito do BNDES, isenção do ICMS. Todas as ações políticas são no sentido de garantir a expansão da monocultura. No Judiciário, as ações que tentam regular esta expansão não passam. Ou, se passam, duram pouco tempo. Algumas prefeituras, especialmente na Bahia, tentaram regular a ocupação do eucalipto, mas o Judiciário nega alegando que é uma discriminação econômica. O Estado, por um lado, criminaliza os movimentos de resistência, e por outro cria as políticas que permitem a expansão. Não temos muito o que esperar do Estado. 
RBA - Vocês chamam atenção para a definição da FAO sobre florestas.
É uma definição que acabou guiando todas as demais definições. Essa definição da FAO é a informação para as políticas nacionais de florestas. É uma definição puramente matemática. Conceitua florestas como um coletivo de árvores. Como se em uma floresta só existissem árvores. Qualquer um sabe que em uma floresta tem animais, povos tradicionais, tem insetos, fungos. Uma floresta tem relações que vão para muito além de um coletivo de árvores. Mas é essa definição que norteira as questões ambientais. O Protocolo de Kyoto permite que plantios de eucalipto em larga escala sejam considerados mecanismos de desenvolvimento limpo. 
É um setor que sob o nome floresta consegue interferir nas relações de poder e consegue ditar qual será o rumo da política chamada florestal. Para a cidadão, quando se usa a palavra floresta, está indicando um lugar de diversidade, de várias espécies de árvores, de cipós e sub-bosques, e vegetais, povos tradicionais. Existe uma óbvia injustiça ambiental embutida.
RBA - Que efeitos a mudança no Código Florestal terá no monocultivo de árvores?
Está muito claro para a sociedade quem tem interesse em desconstruir o Código Florestal. São as grandes empresas do agronegócio e os ruralistas ligados a elas. Soja, cana, gado e eucalipto. São os interessados. Por que querem desconstruir? Porque o Código fala de uma concepção de floresta que para estes setores causa dois grandes obstáculos.
Um dos problemas é que querem apagar o passivo e a dívida ambiental dos últimos 50 anos. Estão plantando de maneira totalmente errada. Áreas que não poderiam ter sido plantadas. Matas ciliares, nascentes, topos de morros. Estiveram criminosos durante muito tempo e querem uma anistia da dívida. Existe também um interesse prospectivo. Eles querem expandir as áreas. Essa expansão significa diminuir ao máximo as áreas que o Código Florestal protege. O Código Florestal entende a floresta ainda no sentido de bem comum. Cada propriedade, privada, tem este sentido. 
Então, este Código não serve mais como língua para o diálogo das grandes corporações. Ele se tornou um problema porque denuncia o passivo e coloca obstáculos para uma expansão desenfreada. 

OAB prepara mudanças no Exame de Ordem



A OAB nacional instaurou uma comissão para implementar mudanças no Exame de Ordem, como, por exemplo, a inclusão de questões sobre ciências políticas e direitos humanos. A ideia é que a primeira prova de 2012 já seja renovada. 

Já está prevista a inclusão de conteúdos do chamado eixo de fundamentos do Direito, que inclui também as disciplinas de filosofia e sociologia geral e jurídica, psicologia, antropologia, economia e ética geral e profissional. 

De acordo com o presidente do Conselho Federal da OAB, Ophir Cavalcante Júnior, a medida é uma resposta a críticas feitas à prova. "Os coordenadores de cursos em todo o Brasil são unânimes em criticar o exame por não ser voltado a advogados que tenham uma visão crítica e que saibam situar a Advocacia dentro de uma análise mais global", afirmou. 

Os seis membros da comissão formarão um banco de perguntas que servirá para orientar as alterações. "O exame está em permanente construção na busca por equilíbrio, e essas disciplinas são essenciais para formar advogados mais completos", disse Cavalcante. 

O professor do Departamento de Educação da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) João Virgílio Tagliavini, um dos membros da comissão, pretende trabalhar por mudanças no próprio modelo do exame. Ele foi o primeiro a avaliar o que deve ser mudado. "Em média, 85% das questões são respondidas com memorização da lei. Esse tipo de teste hoje já é inútil", disse. "Queremos uma avaliação que verifique mais a capacidade de pensamento, compreensão e espírito crítico." 

O presidente Ophir Cavalcante nega a prevalência de questões de memorização, mas concorda que o atual modelo é mais voltado para questões técnicas da profissão.


 Fonte : Espaço Vital

Descoberta pode invalidar Teoria da Relatividade

Grid de Largada GP de Cingapura 2011

   Pos.          Piloto           eqp.
  1. Sebastian Vettel - RBR
  2. Mark Webber - RBR
  3. Jenson Button - McLaren
  4. Lewis Hamilton - McLaren
  5. Fernando Alonso - Ferrari
  6. Felipe Massa - Ferrari
  7. Nico Rosberg - Mercedes
  8. Michael Schumacher - Mercedes
  9. Adrian Sutil - Force India
  10. Paul di Resta - Force India
  11. Sergio Perez - Sauber
  12. Rubens Barrichello -Williams
  13. Pastor Maldonado - Williams
  14. Sebastien Buemi -Toro Rosso
  15. Bruno Senna - Renault
  16. Jaime Alguersuari - Toro Rosso
  17. Kamui Kobayashi - Sauber
  18. Vitaly Petrov - Renault
  19. Heikki Kovalainen - Lotus
  20. Jarno Trulli -Lotus
  21. Timo Glock - Virgin
  22. Jerome DAmbrosio - Virgin
  23. Daniel Ricciardo - HRT
  24. Vitantonio Liuzzi - HRT

Bombas da guerra do Vietnã ainda matam camponeses


Por Bobby Caina Calvan, do Center for Public Integrity, Tradução Agência Pública

A laosiana Liangkham Laphommavong tem um dos empregos  mais perigosos do mundo. Até o seu filho de 9 anos sabe disso, e protestou quando, no início de mais uma jornada, ele saiu para juntar-se ao grupo de 17 mulheres que rotineiramente colocam suas vidas em risco.
Em todo Laos, país que fica ao oeste do Vietnã, elas caminham por bucólicas plantações de arroz, florestas e montanhas – uma paisagem que esconde o perigo do seu trabalho. Laphommavong é uma caça-bombas, perscrutando terrenos rurais, centímetro por centímetro, em busca de bombas não explodidas.
Há cerca de 80 milhões de bombas que não explodiram ainda em todo Laos—são os resquícios letais de uma guerra secreta contra os comunistas levada a cabo pelos Estados Unidos há quatro décadas.
Pesquisando um campo suspeito, Laphommavong estava armada apenas de sua coragem e um detector de bombas portátil.

O seu rosto estava tenso enquanto ela olhada fixamente para o chão.  Com botas negras, caminhava deliberadamente em um campo de arroz não-cultivado; o detector soava repetidamente ao ser aproximado de pedaços de terra estéril e tufos de mato.
Ao longo de um ano em que ela trabalha como caça-bombas, o seu detector encontrou diversos objetos suspeitos. Quando o alarme soa mais rapidamente, também o seu coração acelera, avisando que é hora de ajoelhar para, com uma pequena espátula, cavar cuidadosamente e averiguar o que está debaixo da terra.
“Eu tenho medo todo o tempo,” diz a mãe solteira de 32 anos. “Temos que tomar cuidado a cada passo que damos. Sempre temos em mente que pode haver uma bomba”.
O Laos é o país com mais bombas não-explodidas por habitante do mundo. Durante a guerra do Vietnã, os EUA atiraram 270 milhões de explosivos no Laos em mais de 500 mil ofensivas militares.
Oficiais americanos dizem que mais bombas foram atiradas no Laos do que no Japão e na Alemanha juntos durante a Segunda Guerra Mundial. Muitas dessas bombas eram “cluster”, arquitetadas para ampliar o estrago ao liberar outras pequenas bombas quando atingemo solo.
Cerca de um terço destas pequenas bombas ainda não explodiu.
Na semana passada, delegados de dezenas de países se reuniram em Beirute, no Líbano, para pressionar outras nações, incluindo os Estados Unidos, a assinar um acordo internacional que visa banir o estoque mundial de bombas “cluster”.
Mais de 100 países já assinaram o acordo, firmado em 2008, mas alguns dos maiores produtores de tais armamentos — incluindo os EUA, a China e a Rússia – se negaram a assinar. N.T O Brasil também não assinou o acordo – há bombas cluster de fabricação brasileira enterradas em países como o Peru e a Colômbia.
300 atingidos por ano – metade dos mortos são crianças

 A cada ano, 300 laosianos morrem ou são feridos por causa das bombas americanas. Os explosivos continuam sendo uma ameaça a camponeses que se arriscam ao arar os campos.

Oficiais do governo se referem às bombas não explodidas como UXOs.Mas por todo o país nos vilarejos e escolas, crianças a chamam

 simplesmente de “bombinhas”.

Bombas não explodidas aguardam sob folhas de árvores, pedras de rios, matos ou misturadas às pastagens. Estão espalhadas ao longo de estradas, em rios, próximas de escolas e dentro de vilarejos.
Cerca de metade das mortes por UXOs são de crianças que confundem as carapaças escuras, do tamanho de uma bola de beisebol, com brinquedos.
Em maio, três crianças entre 9 e 11 anos morreram ao encontrar uma bomba enquanto buscavam bambus na província de Savannakhet, uma área gravemente afetada durante a guerra pela sua proximidade com o Vietnã e a trilha Ho Chi Minh – que servia como canal logístico entre Laos, Camboja e Vietnã do Sul.
Sete anos atrás, em outra área severamente bombardeada, um UXO matou quatro crianças que estavam voltando da escola. Entre as vítimas estava o irmão de Pheng Souvanthone, então com 11 anos.
Hoje Souvanthone lidera o grupo de mulheres da ONG britânica MAG—Mines Advisory Group—uma de dezenas de organizações  estrangeiras que tentam ajudar o governo do Laos a se livrar dos UXOs.
Durante uma pausa na operação no campo de arroz, Souvanthone falou sobre o acidente que matou o seu irmão. Foi há muito tempo, mas ela diz que ainda hoje, enquanto busca bombas, seu coração se enche de memórias do pequeno.
Enquanto a equipe trabalhava, os camponeses seguiam com suas tarefas diárias. Uma mulher mal notou a presença dos caça-bombas, vestidos de verde e com seus chapéus largos. Um rapaz jovem entrou sem querer no campo de arroz e enquanto voltava da floresta onde foi buscar vegetais.

“Bombinhas” explodem inesperadamente

As crianças aprendem sobre as “bombinhas” bem cedo, algumas delas através de tragédias que afetam colegas de classe. Nas escolas elas aprendem a reconhecer as bombas e ter cautela sobre onde pisam e onde brincam. Se  encontrarem uma “bombinha”, são advertidas a manter distância.
Em outro vilarejo, Ladoune relembra as suas experiências com UXOs. Ele sabia que havia muitas bombas perto da sua comunidade. E sorri ao lembrar de sua infância, explorando as florestas e campos próximos. Uma vez ele encontrou uma “bombinha” e se afastou, como havia aprendido na escola.
Mas a mesma lição não o protegeu quando já era adulto. No ano passado, uma bomba explodiu na sua cara enquanto ele fazia uma

 fogueira no seu quintal. Como poderia saber que uma UXO estava enterrada bem no quintal da sua casa?

Ele perdeu um olho e um dedo.
Ladoune tem pouco mais vinte anos. Sua visão está quase totalmente prejudicada e seu futuro é incerto. Ele se pergunta como vai poder cuidar da sua esposa e dos dois filhos pequenos.
Quando sofreu o acidente, o rapaz recebeu promessas de auxílio do governo e de organizações internacionais, mas nenhuma ajuda se materializou. Ele ainda espera um prometido olho de vidro.
“Em quem devo por a culpa? E para que?”, ele pergunta.
Durante anos, autoridades americanas negaram que seus aviões tivessem cruzado o espaço aéreo do Laos durante a guerra do Vietnam.
“Nunca houve uma declaração clara reconhecendo a guerra, imagine uma admissão sobre a extensão dos bombardeios”, comenta Channapha Khamvongsa, diretora da ONG Legacies of War, sediada em Washington. “E a extensão do bombardeio foi tão grande”, diz ela.
Hoje, no entanto, no Departamento de Estado tem outra posição official: “Por cerca de uma década, o Laos foi duramente bombardeado enquanto os EUA tentavam interditar a trilha Ho Chi Minh, que cruzava o leste do país. Bombas não explodidas, em especial do tipo ‘cluster’, continuam sendo um grande problema”, avisa, no seu site.
Em 1996, a Força Aérea americana publicou documentos sobre os bombardeios contra o Laos entre 1964 e 1973, permitindo ao governo laosiano e a ONGs a refinar a busca por bombas não explodidas.
Pressões para que mais seja feito
Desde 1994, equipes de busca encontraram cerca de um milhão de bombas, depois de vasculharem menos de 90 milhas quadradas em um país do tamanho do estado de Minnesota. Cerca de três quartos do Laos ainda podem ter UXOs.
O governo do Laos evita criticar os Estados Unidos publicamente, deixando à comunidade internacional pressionar Washington.
Em uma carta ao Deparamento Estado, seis ex-embaixadores e delegados americanos no Laos se uniram ao Legacies of War para pedir ao Congresso que envie US$100 milhões nos próximos 10 anos para o programa de erradicação de bombas. Eles tentaram sem sucesso fazer com que a secretária de Estado Hillary Clinton visitasse o Laos e tratasse do tema durante sua recente visita ao sul da Ásia.
Mas apesar de pressões internacionais, representantes do governo americano também não foram em novembro último à capital do Laos, Vientiane, onde delegados de dezenas de países assinaram o acordo contra bombas cluster.
Pouco antes da reunião histórica em Vientiane, o governo dos EUA emitiu um comunicado dizendo que estava “comprometido a reduzir o impacto de resquícios explosivos da guerra sobre civis de todo o mundo”.
O governo dos EUA afirmou que desde 1993 gastou mais de US$51 milhões na remoção de UXOs e minas terrestres no Laos, sendo US$16 milhões nos últimos três anos. Também notou que o Departamento de Defesa treinou e equipou os caça-bombas.
Os Estados Unidos contribuíram com metade da ajuda financeira internacional para a tarefa, mas estão sob pressão para gastar mais.
Durante anos, o Laos insistiu que conseguiria lidar com UXOs sozinho, negando ajuda internacional. Mais recentemente, as autoridades admitiram que precisam sim de ajuda.
Pontinhos mortais em um mapa
No escritório de UXO do governo do Laos na província Xieng Khouang, um enorme mapa está tingido de vermelho, e cada pontinho significa um bombardeio aéreo sofrido. Em alguns lugares a tinta parece sangrar por causa da enorme concentração de pontinhos.
Um desses locais é a província  Xieng Khouang, no nordeste do país.
Ali está o sítio arqueológico “Planície de Jarros”, considerado Patrimônio Cultural da Humanidade, que ainda traz cicatrizes dos ataques aéreos americanos. Muitas das suas construções antigas de pedras foram gravemente atingidas.
As equipes de busca conseguiram limpar grande parte das bombas não explodidas, mas os turistas ainda são alertados a permanecer apenas nos locais designados como “livres de bombas”.
Em Phonsavan, maior cidade da província, carcaças de bombas americanas são grandes atrações na avenida de maior movimento. Uma fileira de mísseis, alguns deles com mais de seis pés de altura, formam uma espécie de cerca em frente às casas.
Há na cidade um centro de informações sobre UXOs, onde turistas e veteranos militares americanos aprendem sobre a mortalidade causada pelos bombardeios.
Mas Kinghpet Phimmavong, coordenador das operações caça-bombas do governo na provincial de Xieng Khouang, só conseguiu rir quando perguntado sobre quanto tempo levaria até que o país se livrasse de vez dessas bombas não explodidas.
“Depende de nós obtermos mais fundos para pagar mais pessoas para procurer as bombas” ele diz. “Assim tudo será mais rápido”.