"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 19 de novembro de 2011

"Pobreza é negra e feminina"

Foi o que disse a Presidenta , Dilma Rousseff, no encerramento da reunião de chefes de Estado e de Governo do Encontro Iberoamericano  em Comemoração do Ano Internacional dos Afrodescendentes.  "Aqui no Brasil a pobreza tem sua face negra, feminina e, muitas vezes, infantil", disse.

Confira o discurso:

Entrevista: Zygmunt Bauman

vídeo em que Zygmunt Bauman fala de expectativas para o século XXI, internet, a necessidade de construção de políticas globais, a construção de uma nova definição de democracia, entre outros temas.


Entrevista exclusiva: Zygmunt Bauman from cpfl cultura on Vimeo.

 cpfl cultura

Carta de Salvador pela Dignidade, Direitos e Desenvolvimento de Pessoas, Cidades e Comunidades de origem Africano


Salvador recebe chefes de Estado para debater combate ao racismo
Os Chefes de Estado do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné, do Uruguai e o Vice-Presidente da Colômbia reuniram-se em Salvador, Bahia, para celebrar o Ano Internacional dos Afrodescendentes.
No final do evento Neste Sábado foi lançada a cartade Salvador pela Dignidade, Direitos e Desenvolvimento de Pessoas, Cidades e Comunidades de origem Africana.
                                    Carta de Salvador:
Homens e mulheres representantes de organizações sociais, reunidos em Salvador Bahia, 16 de novembro de 2011, os participantes no Fórum da Sociedade Civil do AFROXXI reunião, no contexto do Encontro Latino-Americano do Ano Internacional de ascendência Africano, nós reúnem-se para reafirmar os nossos compromissos, desenvolver estratégias e exigir o cumprimento imediato dos compromissos assumidos pelos Estados por mais de 10 anos que são destinadas a garantir uma vida decente e direitos de mais de 180 milhões de pessoas de ascendência Africano que vivem na região .

Convencido e acredito que temos feito a nossa parte, nós fornecemos o que nos toca, apesar das nossas fraquezas e obstáculos, apresentamos a seguinte carta de Salvador, pela dignidade, direitos e desenvolvimento dos indivíduos, comunidades e povos de ascendência Africano, como resultado das discussões que tivemos trocas no Fórum.

§ É particularmente urgente para conseguir atenção imediata à participação dos afro-os desastres ambientais associados às mudanças climáticas. E enfrentar novos perigos na posse de terras e territórios ancestrais, gestão de recursos naturais, exclusão da participação nas decisões, ea exclusão da maioria da população dos benefícios económicos desses setores estratégicos do modelo de desenvolvimento hegemônico e exclusivo inaceitável social-racial desigualdades geradas pelos estados mesmo reconhecido pela Região na Conferência da CEPAL de 2010.

§ Exigimos a adopção urgente de estratégias sustentáveis ​​de desenvolvimento humano para as comunidades e aldeias tradicionais valorizando e respeitando as identidades culturais, costumes e valores do conhecimento

* Acreditamos que é necessário reforçar as disposições relativas à distribuição justa de recursos e poder de nossas sociedades, não apenas como uma forma de reparar o dano causado a milhões de pessoas de ascendência Africano, mas, para avançar na construção da democracia substantiva, participativa e realmente garantir a representante que a todas as pessoas sem discriminação.

§ Reconhecemos o papel central das mulheres negras para promover o desenvolvimento da comunidade, assumindo que a sua incorporação em representação do espaço real de todos os poderes, será uma chave estratégica para garantir a democracia para as pessoas de ascendência Africano das diversas identidades dadas orientação e identidade sexual, geração, deficiência e gênero.

§ consideram o genocídio e etnocídio inaceitável de jovens de ascendência Africano que está crescendo rapidamente, e que há uma forte resposta por parte do Estado para garantir a vida de milhares de jovens.Eles estão pagando com suas vidas as conseqüências do racismo, pobreza e injustiça social e histórica.

* Instamos os Estados Ibero-americanos para promover e proteger os direitos dos jovens através da adopção e ratificação da Convenção Ibero-Americana sobre os Direitos dos jovens como um instrumento para garantir os direitos, a participação política efetiva e de desenvolvimento humano abrangente e inclusivo a diversidade dos jovens de ascendência Africano na região.

* Denunciar as práticas de intolerância religiosa contra religiões com raízes Africano, que é uma maneira de continuar minando a cultura ea ancestralidade de ascendência Africano.

§ Lamentamos que a agenda de inclusão é apenas um sector de agenda afrodescendente, a prioridade segundo ou terceiro e não-estruturais parte de uma visão que inclui a perspectiva de ascendência Africano em todos os Estados 'prioridades.

* Chamamos os Estados a enfrentar o desafio do cumprimento das Metas do Milênio em todas as comunidades negras e estão empenhados em reduzir brechas de desigualdade.

* É essencial continuar a trabalhar na produção de estatísticas fiáveis ​​que demonstram as desigualdades sócio-raciais no qual eles querem agir. E resistência institucional inaceitável e os seus funcionários como para mover decisivamente sobre esta questão, principalmente com a evidência da utilidade dos dados estatísticos e bons sistemas de informação têm feito por alguns países da região, como Brasil e Equador.

* Acreditamos que é inaceitável para a pouca ou nenhuma representação política de ascendência Africano e em todas as estruturas do poder do Estado. Nós nos preocupamos com a falta técnica e gerencial de participação de ascendência Africano em instituições internacionais como a ONU, OEA e da SEGIB mesmo.

* Dada a reedição e re-desenvolvido agendas para garantir a dignidade, justiça, direitos e inclusão, porque exigimos que nossos estados das Américas e do Caribe vai efetivamente implementar os seus compromissos previstos na Declaração e Plano de Ação da III Conferência Mundial contra o Racismo bem como os compromissos de cidadania plena garantida por nossas constituições e convenções internacionais adoptadas.

Nós exigimos que nossos estados cumprir o acordo que você precisa mais ação, mais recursos e uma vontade política real.

* Nós nos comprometemos a continuar trabalhando para garantir os direitos do nosso povo, nossa gente, nossas comunidades através de novos arranjos sociais que assegurem democracias profundidade, comprometidos com a luta contra o racismo, a discriminação e estacas genuínos para assegurar a igualdade racial, que incluem todas as pessoas que por diversos motivos estão sem direitos e sem descanso a sofrer os efeitos da discriminação racial.

PROPOR

* Estabelecimento de uma Década de ascendência Africano, com um programa para realizar ações que, a partir de uma perspectiva global de reparação afrodiaspórica, envolvendo o pleno gozo de desenvolvimento social, econômico, cultural, civil, política, ambiental e dos afro-os, com o estabelecimento de metas específicas para colmatar as lacunas que devem ser alcançados com políticas públicas efetivas com o gênero, orientação sexual, identidade de gênero, geracional níveis e regionais, entre outros.

*. O fato de um Fundo de Desenvolvimento para implementar intervenções transformadoras na natureza territorial, zonas econômicas especiais em grandes áreas de preto maiorias americanos e das Caraíbas e as reparações simbólicas são feitas para as memórias de ascendência Africano e afrodiaspóricas. Os beneficiários são as pessoas de ascendência Africano como titulares de direitos coletivos e individuais para combater a profundidade dos danos causados ​​pelo crime contra a humanidade do comércio de escravos ea instituição da escravidão econômica. Fundo de desenvolvimento deve seguir o padrão de experiências que têm sido bem sucedidas a nível mundial e não substitui a responsabilidade dos Estados, mas sim multiplicar os esforços dos países a partir de uma perspectiva regional.

* Para criar um Centro de Memória Histórica, que nos permite saber de onde viemos, quem somos dentro de nossos Estados, e para onde vamos. Nós entendemos a importância da memória da escravidão em nosso demandas contemporâneas, apesar de reconhecer a tenacidade dos nossos antepassados, como, que sempre olhou para as rotas que levam à dignidade humana e conjunto de múltiplos mecanismos de resistência que deve ser conhecido pela nova gerações. A defesa da nossa memória histórica é um plural das possibilidades de existência continuada como povos e comunidades, como titulares de direitos coletivos e cultural dentro de nossos Estados.

* Para criar um Fórum Global de Descent Africano nas Nações Unidas como mecanismo de coordenação, supervisão, acompanhamento e contínua consulta com as organizações de ascendência Africano.
Ministério da Relações Exteriores.

Governo Federal é o responsável por mais uma chacina de indígenas no Mato Grosso

A comunidade indígena guarani-caiová, que briga na justiça por terra  nos arredores de Amambai e Aral Moreira, cidades de Mato Grosso do Sul (450 km de Campo Grande), na fronteira com o Paraguai foram atacados ontem, Sexta-feira (18), e o cacique Nísio Gomes, segundo o filho dele, foi executado com tiros de espingarda calibre 12.

Ataque ao Acampamento Indígena Guayviri. Imagens feitas pelo MPF/MS
Filho do Cacique com marcas de tiros
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O Conselho Indiginista Misssionário (cimi) divulgou uma nota em que acusa o Governo Federal de ser o responsável pela Chacina;


Nota Pública

Governo Federal é o responsável por mais uma chacina de indígenas no Mato Grosso do Sul

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) vem a público responsabilizar a presidenta da República, Dilma Rousseff, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o presidente da Funai, Márcio Meira e o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli pela chacina praticada contra a comunidade Kaiowá Guarani do acampamento Tekoha Guaiviry, na manhã desta sexta-feira (18).

A comunidade foi atacada por pistoleiros fortemente armados. Segundo informações apuradas junto a indígenas que sobreviveram ao ataque, os pistoleiros executaram o cacique Nisio Gomes e levaram seu corpo. Os relatos ainda dão conta de indígenas feridos por balas de borracha e de três jovens baleados: dois estão desaparecidos e outro se encontra hospitalizado.

O governo da presidenta Dilma, perverso e aliado aos latifundiários criminosos de Mato Grosso do Sul, insiste em caminhar para o massacre e se encontra banhado em sangue indígena, camponês e quilombola. Tais acontecimentos colocam em dúvida a capacidade do Ministério da Justiça em coibir as violências, bem como de sua isenção quanto aos fatos, uma vez que as violências naquele Estado são sistemáticas e o ministro da Justiça não cumpre com suas responsabilidades em demarcar e proteger as terras indígenas.

Por outro lado, a Polícia Federal – submetida ao Ministério da Justiça - tampouco investiga os assassinatos dos indígenas. A impunidade recarrega periodicamente as armas de grosso calibre e joga sobre as ações dos pistoleiros e seus mandantes o manto de um Estado cada vez mais esfacelado, ausente, inoperante e inútil aos mais necessitados. A Polícia Federal precisa, conforme é de sua incumbência, investigar exaustivamente o crime, proteger a comunidade e apresentar os criminosos.

Já Dilma Rousseff precisa responder por mais esse ataque. Basta! É hora de alguém ser responsabilizado por esta barbárie e completo ataque aos direitos constitucionais e humanos no Mato Grosso do Sul. O Poder Executivo tem sido omisso, negligente e subserviente. Com isso, promove e legitima as práticas de violências. O ministro da Justiça recebe latifundiários, mas não cobra Márcio Meira, presidente da Funai, sobre o andamento do processo de identificação e demarcação das terras indígenas que desde 2008 caminha de forma lenta – enquanto a morte chega cada vez mais rápida aos acampamentos indígenas.   

Por fim, ressalta-se que as comunidades acampadas no Mato Grosso do Sul estão unidas contra mais este massacre, numa demonstração de profundo compromisso e firme decisão de chegar aos territórios tradicionais. Indígenas de todo o Estado se dirigiram ao acampamento tão logo souberam do covarde ataque. Na última quarta-feira, inclusive, estiveram lá para prestar solidariedade aos Kaiowá Guarani que retomaram um pequeno pedaço de terra mesmo sob risco de ataque – o que aconteceu, mas sem maiores repercussões.

O Cimi, mais do que nunca, acredita que a força, beleza e espiritualidade desses povos os manterão firmes e resistentes na luta, apesar de invisíveis aos olhos de um governo que escolheu como aliados os assassinos dos índios brasileiros.

Brasília, 18 de novembro de 2011.

Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

Brasil deve testar tratamento inédito com células-tronco em 2012


Pesquisadores brasileiros devem testar em seres humanos um tratamento inédito com células-tronco. Portadores de distrofia muscular de Duchenne vão receber, pela primeira vez no país, células-tronco retiradas de outra pessoa. Até hoje, o Brasil só tratava com células-tronco do próprio paciente.
Segundo a pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Mayana Zatz, os primeiros testes com pacientes devem ocorrer no final de 2012. Os voluntários para a pesquisa serão jovens com a doença que atinge crianças do sexo masculino e causa a degeneração dos músculos. “Alguns meninos perdem a capacidade de andar muito cedo”, disse.
Mayana Zatz é diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e do Instituto Nacional de Células-Tronco. É também uma das maiores autoridades em pesquisas sobre o assunto no país. A pesquisadora foi entrevistada do programa 3 a 1, na sede da TV Brasil, na última quinta-feira (17), .
Ela disse, durante o programa, que o Brasil tem centros de pesquisa desenvolvendo estudos de ponta sobre células-tronco. No caso do tratamento dos pacientes com distrofia de muscular de Duchenne, serão usadas células-tronco extraídas da gordura.
Segundo Mayana Zatz explicou que células-tronco de doadores saudáveis serão tratadas e implantadas nos músculos dos pacientes doentes. As células, por suas características biológicas, se transformarão em tecido muscular e regenerar músculos comprometidos pela doença. “As células retiradas em uma lipoaspiração poderão gerar músculo”, declarou.
A pesquisadora declarou que esse procedimento já foi testado em ratos e cães. Segundo ela, os animais foram observados por até três anos e não apresentaram nenhum efeito colateral. “Até agora, tivemos resultados muito interessantes”, disse. “Nada de tumores”, completou.
A possibilidade do desenvolvimento de tumores em pacientes que passam por tratamento com células-tronco é justamente a maior preocupação dos pesquisadores. Na Alemanha, uma criança que passou por esse tipo de tratamento teve esse efeito colateral.
Por causa do risco, Mayana Zatz disse que é preciso ter muita cautela antes de qualquer teste em humanos. Ela acredita, porém, que a técnica desenvolvida no Brasil está pronta para entrar nessa fase. Para que isso aconteça, o projeto de pesquisa sobre o tratamento para distrofia muscular terá de passar pela avaliação de um comitê de ética de pesquisadores. Para a pesquisadora, a aprovação pode demorar um tempo, porém dará mais segurança para o prosseguimento da pesquisa.
Agência Brasil

Senadores estudarão políticas de combate a drogas desenvolvidas na Europa


As estratégias adotadas por países como Inglaterra, Holanda, Suécia e Portugal para o combate ao crack e outras drogas serão analisadas em audiência pública na próxima quinta-feira (24). O senador Wellington Dias (PT-PI) e três deputados federais falarão do que viram na visita que o grupo fez a esses países a fim de conhecer as políticas públicas de redução do consumo de drogas.
Durante a reunião da Subcomissão Temporária de Políticas Sociais sobre Dependentes Químicos de Álcool, Crack e Outras Drogas (Casdep), marcada para as 9 horas na sala 9 da Ala Alexandre Costa, os senadores devem debater os programas que conheceram na Europa.
Os três deputados convidados a falar são Iracema Portella (PP/PI), Givaldo Carimbão (PSB/AL) e Rosane Ferreira (PV/PR). Eles participam da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que estuda e propõe políticas públicas e de Projetos de Lei destinados a combater e prevenir os efeitos do crack e de outras drogas ilícitas (Cedroga).
Agência Senado

Caso Lupi: Ong’s de Adair possuem contratos entre si

A crise no ministério do trabalho parece interminável. O empresário Adair Antonio de Freitas Meira, envolvido no turbilhão de denúncias relacionadas ao ministro do Trabalho Carlos Lupi (PDT) por, supostamente, fornecer avião para deslocamentos do titular da Pasta, está vinculado a, pelo menos, três Ong’s que possuem contratos entre si.


Segundo dados obtidos pelo Contas Abertas, Adair é Diretor Secretário Geral da Fundação Pró-Cerrado (FPC), com sede em Goiânia, Conselheiro Presidente da Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi), localizada em Brasília, e membro da Fundação Universitária do Cerrado (Funcer), sediada em Anápolis (GO).

Outro ponto em comum entre as entidades é Antonio Fernandes Junior, Diretor- Executivo da Funcer e que também faz parte do conselho fiscal da Pró-Cerrado.

Além de compartilhar integrantes, as Ong’s também dividem convênios com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A Pró-Cerrado tem o maior número de contratos com o órgão. Foram sete convênios firmados após a carona até o Maranhão dada à Lupi. O maior parceiro da Fundação é a Renapsi. Dos R$ 8,1 milhões repassados para a Fundação, R$ 4,4 milhões foram utilizados em contratos com a Rede, ou seja, 54% da verba total.

Os serviços prestados foram dos mais variados. No convênio 726071/2009, por exemplo, cujo objetivo era qualificar quase três mil pessoas no DF em serviços de venda, atendimento e manutenção, entre outros, a Renapsi foi responsável pelo fornecimento dos lanches, manutenção do equipamento utilizado no curso, transporte dos alunos e a composição da equipe de professores. Para isso, recebeu R$ 1,5 milhão, ou quase 70% dos recursos disponíveis para o convênio. Outros R$ 181 mil foram gastos para a elaboração e confecção de kit para os estudantes. A escolhida para o trabalho foi a Funcer.

Os préstimos da Funcer também são requeridos pela Renapsi. No convênio 743312/2009 com o MTE, a entidade foi contratada para elaborar o material de divulgação do projeto, planejar todas as atividades, recrutar a equipe, criar e desenvolver as apostilas, realizar a inscrição dos alunos, executar o curso, avaliar o processo de aprendizagem, montar e desenvolver o banco de empregos, estabelecer parcerias com empresas do segmento, monitorar e avaliar o curso, emitir o certificado de conclusão, elaborar o relatório de finalização do projeto e concluir até a prestação de contas.

Para tanto, a Funcer recebeu pouco mais de R$ 940 mil, equivalente a 40% dos R$ 2,4 milhões já repassados para a Rede, que ainda o montante de R$ 1 milhão, referente à última parcela do convênio. O valor global do contrato é de R$ 3,3 milhões.

Lucas Marchesini
Do Contas Abertas

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

ONU diz que Comissão da Verdade no Brasil ajudará a ‘sarar feridas’


Em comunicado, alta comissária de Direitos Humanos, Navi Pillay, elogiou aprovação da lei, que vai permitir a apuração de crimes durante a ditadura militar do país.
Navi Pillay
As Nações Unidas elogiaram a aprovação da lei que cria a Comissão da Verdade no Brasil. Sancionada nesta sexta-feira, pela presidente Dilma Rousseff, a legislação permitirá a apuração de crimes cometidos durante a ditadura militar do país, que durou de 1964 a 1985.
Além disso, com base na Lei de Acesso à Informação, qualquer cidadão poderá requerer informações, consideradas antes sigilosas ou de segurança nacional.
Primeiro Passo
Em comunicado, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, disse que a Comissão da Verdade “é essencial e um primeiro passo para sarar as feridas do país e esclarecer erros passados.”
Para Pillay, a lei demonstra ainda “o compromisso do Brasil em lidar com os direitos humanos em casa, e também no resto do mundo.”
O vice-ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Ramaís de Castro Silveira, disse à Rádio ONU, de Brasília, que a Comissão da Verdade irá apurar os crimes, mas qualquer punição é uma tarefa do Judiciário.
“A Comissão portanto não é um orgão do Poder Judiciário. E no Brasil democrático e, no mundo civilizado democrático, nós temos no Poder Judiciário a possibilidade de punição. Então, qualquer debate sobre uma possível punição, ou não, a partir destes fatos, que foram e vão ser dados ao conhecimento por parte da comissão, é uma tarefa do Ministério Público e do Poder Judiciário”, afirmou.
No comunicado, emitido pelas Nações Unidas, a alta comissária da ONU, Navi Pillay, lembrou que a própria presidente Dilma Rousseff foi vítima da ditadura.
Pillay pediu ao Brasil que tome medidas adicionais para facilitar o julgamento dos autores de violações dos direitos humanos no país.
A alta comissária afirmou que uma das medidas deveria incluir a revogação da Lei da Anistia de 1979 que impede a investigação, acabando assim com a imunidade para sérias violações dos direitos humanos.
A Comissão da Verdade terá sete membros, com um mandato de dois anos para investigar as violações entre elas assassinatos, tortura, desaparecimentos forçados e outros crimes.
Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Juventude afrodescendente é vítima de discriminações na A. Latina

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) apresentou hoje (18) em Salvador (Bahia) um Relatório intitulado Juventude afrodescendente na América Latina: realidades diversas e direitos (des)cumpridos”, que revela as desvantagens vividas pelos jovens afrodescendentes da América Latina e do Caribe.


Estima-se que na América Latina, segundo a informação disponível nos nove países pesquisados, vivam ao redor de 24 milhões de jovens afrodescendentes, de um total de 81 milhões de pessoas de ascendência africana. Com mais de 22 milhões, o Brasil é o país que reúne a maior quantidade de jovens afrodescendentes, tanto em termos relativos como absolutos. Vêm a seguir Colômbia, Equador e Panamá, que juntos registram cerca de 1,4 milhão de jovens afrodescendentes.
“Um dos desafios em matéria de políticas para afrodescendentes – como sublinhado pelo relatório – é a falta de informação estatística desagregada, sistemática e confiável sobre este grupo de população”, disse Marcela Suazo, Diretora para a América Latina e o Caribe do UNFPA. “A disponibilidade desses dados permitiria evidenciar as iniquidades enfrentadas por este grupo populacional e, portanto, contribuir para a formulação de políticas afirmativas para os Afrodescendentes”.
A desigualdade que caracteriza a América Latina – a região de maior desigualdade do mundo – se reflete também na juventude afrodescendente, que sofre uma tripla exclusão: étnica/racial (por ser afrodescendente), de classe (por ser pobre) e geracional (por ser jovem). Além disso, as mulheres afrodescendentes sofrem processos de exclusão e discriminação de gênero.
O relatório, fruto de um esforço conjunto do Fundo de População das Nações Unidas e da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL/CELADE), é o primeiro a apresentar um panorama regional das dinâmicas populacionais das e dos jovens afrodescendentes, tanto em termos demográficos como de distribuição territorial, além de proporcionar informações sobre sua situação em matéria de acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, educação e emprego, áreas chave para sua inserção social e sua participação plena nos processos de desenvolvimento de seus países.
O estudo evidencia as brechas significativas existentes nos países entre os jovens afrodescendentes e os demais jovens. Os dados sugerem a existência de diferenças na implementação dos direitos de saúde reprodutiva entre as jovens afrodescendentes, já que a maternidade em idade precoce é tanto ou mais elevada entre elas que para as demais jovens. Além disso, a maternidade precoce está sistematicamente associada à menores níveis de educação, ainda mais evidentes neste grupo populacional. As porcentagens de jovens que não estudam nem trabalham na região são muito altas e, na maioria dos países, as e os jovens afrodescendentes se encontram entre os mais excluídos destes sistemas.
A situação dos afrodescendentes na região tem cobrado maior visibilidade nos últimos anos graças por um lado ao aumento das organizações e articulações afrodescendentes que defendem seus direitos em nível regional e nacional, e por outro à criação de instituições governamentais encarregadas dos assuntos concernentes aos povos afrodescendentes em mais de uma dezena de países. Contudo, isso não tem sido suficiente. O estudo propõe o investimento e o fortalecimento das políticas afirmativas para a juventude afrodescendente em um marco de direitos, como caminho para superar as iniquidades, a discriminação e a exclusão.
O relatório está disponível no site do UNFPA Brasil, em espanhol: acesse aqui.
Informações: UNIC RIO

Para o Sen. Cristovam Buarque falta de investimento em educação básica prejudica universidades e IDH


O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) comentou em Plenário, nesta sexta-feira (18), o fato de o Brasil ser a sétima maior economia do mundo e, ao mesmo tempo, ocupar o 84º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
A essa situação o senador relacionou também as notas insuficientes que as universidades brasileiras receberam no Índice Geral de Cursos (IGC), divulgado nesta quinta-feira (17) pelo Ministério da Educação (MEC), e a tomada da Favela da Rocinha pela polícia do Rio de Janeiro. Para Cristovam, todos esses fatos estão vinculados à falta de investimentos na educação básica.
- O IDH foi uma conquista imensa do pensamento socioeconômico no mundo, o primeiro passo no sentido de dizer que o Produto Interno Bruto não é suficiente para dizer se um país está bem ou mal. É preciso saber como está a saúde, como está a educação, como está a mortalidade infantil, disse Cristovam.
Na avaliação do senador, a melhora no resultado das universidades não depende de maior número de doutores nessas instituições, mas de haver estudantes da educação básica mais bem preparados. Se for considerado apenas o nível da educação brasileira, o Brasil ocuparia o 115º lugar no IDH, disse o senador.
Cristovam informou que o Brasil tem renda per capita - média de quanto ganha cada cidadão - anual de 10 mil dólares e os brasileiros ficam na escola, em média, o mesmo número de anos que os estudantes de Gana, país que tem renda per capita anual de 2.500 dólares. Para ele, melhorar educação ajudará melhorar o IDH e a reduzir a violência.

Agência Senado