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terça-feira, 29 de maio de 2012

Presidente do STF diz que Lula deve ser ouvido sobre encontro com Gilmar Mendes, Ex-presidente nega denúncia, Ministro Gilmar confirma.

O Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Ayres Brito, disse nesta Segunda-feira (28) que o ex-presidente Lula deve ser ouvido sobre o encontro entre ele e o Ministro Gilmar Mendes, em que o ex-presidente teria cogitado para o Ministro do STF sobre a possibilidade de adiar o julgamento do processo do mensalão, suposto esquema de compra de apoio político no Congresso descoberto em 2005, início do governo Lula.

“Foi um diálogo protagonizado por três agentes, três pessoas. Dois desses agentes já falaram [referindo-se a Mendes e ao ex-ministro da Justiça Nelson Jobim]. Falta o terceiro. Aguardemos a fala do terceiro”, disse, após participar de evento na capital paulista. “Dois já se pronunciaram, já explicitaram sua interpretação dos fatos. Ouçamos o terceiro”, acrescentou Ayres Brito.


Segundo reportagem da revista Veja, Lula – em encontro com Gilmar Mendes, que contou com a participação também do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim – teria pedido a Mendes que ajudasse a adiar o julgamento do processo do mensalão em troca de ser “blindado” na CPI do Cachoeira.
O ministro não respondeu diretamente se a revelação da conversa faria com que o tribunal colocasse em pauta, mais rapidamente, o julgamento do mensalão. Britto disse apenas que “chegou a hora de julgar [o processo do mensalão]” e que o processo está maduro para entrar em pauta.
“Na minha opinião, o que a sociedade quer, o que a imprensa pede é compreensível. É o julgamento do processo. Sem predisposição seja para condenar, seja para absolver. O processo está maduro para ser julgado. Chegou a hora de julgar”, ressaltou.
O presidente do STF disse ainda que o revisor do processo do mensalão, ministro Ricardo Lewandowski, não sinalizou, até o momento, se deixaria o processo para a pauta de julgamento ainda no primeiro semestre.
“Junto com o relator, eu já me encontro em fase de logística, de elaboração de cronograma, eu estou na dependência do ministro revisor”, disse. “Estou preparado para ultimar a logística, a formatação do julgamento e, tão logo o revisor, que é o ministro Lewandowski, disponibilize o processo para a pauta de julgamento, darei início, farei a publicação devida no Diário da Justiça e darei, junto com os outros ministros, início ao julgamento”.
Gilmar Mendes confirmou, em entrevista concedida à Rede Globo, que conversou com o ex-presidente Lula "Claro que houve a conversa sobre o mensalão e o ministro [Nelson] Jobim sabe disso", disse. Segundo reportagem deste final de semana da revista "Veja", o encontro ocorreu no dia 26 de abril no escritório do ex-ministro do STF Nelson Jobim. Na ocasião, segundo a revista, Lula teria feito pressão sobre Mendes, lhe oferecendo "blindagem" na CPI que investiga as relações políticas do bicheiro Carlinhos Cachoeira, em troca do adiamento do julgamento do mensalão.
Na entrevista, Mendes também confirmou que Lula teria lhe dito que o governo tinha "domínio" sobre a CPI. O assunto do mensalão, disse, começou quando falavam sobre futuras reposições de vagas do STF e sobre a PEC da Bengala, proposta que estende a idade de aposentadoria dos ministros.
"O presidente disse da importância do julgamento do mensalão de que, se possível, não se julgasse esse ano, que não haveria objetividade. Eu objetei então que não me parecia possível adiar esse julgamento, dada a repercussão, dada a possibilidade de dois colegas não mais participassem, colegas que participaram do recebimento da denúncia", afirmou, em referência aos ministros Cesar Peluzo e Ayres Britto, que devem se aposentar neste ano.
Em nota Lula desmentiu a versão publicada pela revista Veja desta semana sobre uma conversa sua com o ministro do STF Gilmar Mendes e o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim. Meu sentimento é de indignação”, disse o ex-presidente, referindo-se à denúncia, feita por Gilmar Mendes e reproduzida pela publicação, de que teria pressionado o ministro para atrasar o julgamento sobre o caso Mensalão, previsto para o final do semestre.

Informações: Agência Brasil, Globo News e G1.

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