"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Etnias indígenas perseguidas por pistoleiros no MS


O Advogado que defende a causa dos povos Guarani, Kaiowá, Terena, Ofaié e Kadiwéu, perseguidos pelo agronegócio no Mato Grasso do Sul  foi atacado e ameaçado de morte por pistoleiros. Segundo nota publicada na página mantida por membros do Conselho da Aty Guasu existem sete etnias indígenas ameaçadas de genocídio no Mato Grosso do Sul.




Carta aos meus companheiros de luta.

"Fui literalmente perseguido por pistoleiros, mas não foi dessa vez! Não irei recuar, Não tombarei enquanto não ver todas as terras indígenas demarcadas"

Desde que me propôs a lutar pelos direitos de meu povo tenho acompanhado as constantes violências que as comunidades indígenas sofrem em Mato Grosso do Sul. Tenho acompanhado a situação do Povo Guarani, Kaiowá, Terena, Ofaié e Kadiwéu.

No último sábado puder sentir na pele a guerra instalada em Mato Grosso do Sul contra os índios de Mato Grosso do Sul.

Na qualidade de advogado da comunidade, desloquei-me até a área de conflito dos Kadiwéu, juntamente com o historiador Saulo Cassimiro, três lideranças Terena e uma liderança Kadiwéu. Na saída da área retomada, fomos literalmente perseguidos por homens armados (pistoleiros) que estavam em 6 caminhonetes. Na carroceria homens com armas de cano longo. 

Como eu estava na direção, imediatamente manobrei o carro, no sentido de retornar para área onde estava o acampamento da comunidade Kadiwéu. Foram momentos assustadores vivenciado por mim e meus companheiros. Os pistoleiros só não nos alcançaram por conta das inúmeras porteiras das fazendas.

Esta é a realidade das comunidades indígenas, que ficam a mercê de pistoleiros contratados por fazendeiros. Em locais de difícil acesso e sem comunicação alguma. Quando isso aconteceu era por volta das 18:25 hs, conseguimos sair por uma estrada pela mata guiado pelos nossos patrícios Kadiwéu. Só fomos chegar no local onde pega celular as 4:00 hs da manhã.

Os fazendeiros por meio de suas milícias armadas impedem a passagem das pessoas nas estradas que cortam suas fazendas, colocando cadeados e pistoleiros. Transgridem o direito de passagem. 
Instauram uma verdadeira terra sem lei!!

Situação como esta me impulsiona a cada vez mais lutar pelos direitos de meu Povo. 
Juntamente com nossas lideranças e o movimento indígena, NÃO IREI RECUAR!!

Luiz Henrique Eloy Amado
Terena da Aldeia Ipegue
Advogado

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