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sábado, 3 de novembro de 2012

Nova onda de demissões, a partir das companhias globais


Desde 1 de setembro, as grandes companhias norte-americanas anunciaram o corte de 62.600 postos de trabalho nas suas operações locais e internacionais, o maior valor para dois meses seguidos desde princípios de 2010. Desde o princípio do ano, as grandes empresas europeias fizeram 47 anúncios de despedimentos que envolvem pelo menos 1.000 trabalhadores cada um. Por Marco Antonio Moreno.
Desde 1 de setembro, as grandes companhias norte-americanas anunciaram o corte de 62.600 postos de trabalho
Uma onda de despedimentos que as empresas norte-americanas anunciaram desde o princípio de setembro ameaça descarrilar uma frágil recuperação da economia dos EUA. Ford e Dow Chemical foram as últimas a juntar-se, num esforço para dar a volta a resultados que mostram uma queda brusca nas vendas.
Desde 1 de setembro, as grandes companhias norte-americanas anunciaram o corte de 62.600 postos de trabalho nas suas operações locais e internacionais, o maior valor para dois meses seguidos desde princípios de 2010, segundo dados compilados pela Bloomberg. Os despedimentos somam 158.100 desde o início de 2012, mais do que os 129.000 no mesmo período de 2011.
Os principais fatores que provocam estes anúncios são a queda na procura dos consumidores e das empresas europeias, como resultado da crise da dívida da zona euro, um frouxo crescimento nos EUA e a incerteza diante do “abismo fiscal”.
Se o Congresso norte-americano não intervier, em janeiro de 2013 entrarão em vigor de forma automática subidas de impostos e cortes de despesas de 607.000 milhões de dólares, o que arrastaria o país de novo para a recessão no primeiro semestre do próximo ano, segundo a comissão de orçamento do Congresso.
Até agora, das 235 empresas do índice da bolsa S&P 500 que divulgaram resultados do terceiro trimestre, 137 reportaram vendas que não alcançaram as previsões dos analistas, segundo dados da Bloomberg.
“Estamos a operar num mundo onde a procura é ainda muito débil”, queixou-se o CEO da Whirlpool, Jeff Fettig. Os analistas antecipam que a queda nas vendas significará que haverá maiores reduções de empregos nos dois próximos trimestres, devido às empresas quererem mostrar aos acionistas que são rápidas a responder.
O aumento dos despedimentos poderá anular o aumento de empregos que houve até agora no mercado laboral dos EUA. O desemprego caiu para 7,8% em setembro, ficando abaixo dos 8% pela primeira vez desde janeiro de 2009. Além disso, o consumo foi o principal motor de crescimento nos segundo e terceiro trimestres.
A indústria que encabeça os despedimentos até agora é a do hardware e dos equipamentos tecnológicos, com 41.200 despedimentos. A Hewlett-Packard (HP) anunciou em setembro que reduzirá 29.000 empregos, o que lhe permitirá gerar poupanças de 3.500 milhões de dólares a partir de 2014. Segue-se a banca, com planos de eliminação de 19.000 postos de trabalho.
Estas medidas são “difíceis, mas necessárias para assegurar que o nosso plano tenha a escala e o alcance corretos para enfrentar o mercado e os desafios competitivos que enfrentamos agora”, disse o diretor executivo da AMD, Rory Read. A AMD é o segundo maior fabricante de processadores para computadores pessoais.
As companhias com operações na Europa revelaram planos de reestruturação para se concentrarem nas áreas mais rentáveis e sair dos países mais afetados pela crise. Kimberly-Clark anunciou que se retirará do negócio das fraldas na Europa ocidental e central, à exceção da Itália, para concentrar-se em regiões de crescimento mais acelerado.
A Ford, a segunda maior fabricante de automóveis dos EUA, encerrará duas fábricas no Reino Unido e uma na Bélgica. Além disso, eliminará 13% da sua força laboral na Europa. No entanto, nos EUA aumentaram mais de 6.500 empregos e 900 contratados.
Empresas europeias
A deterioração económica na Europa está a afetar principalmente as companhias da região. Desde o princípio do ano, as grandes empresas europeias fizeram 47 anúncios de despedimentos que envolvem pelo menos 1.000 trabalhadores cada um, em comparação com 32 em igual período do ano passado, segundo dados da Bloomberg.
O mês de maior atividade foi julho, com 39.800 despedimentos. No total, as grandes empresas europeias despediram 165.700 pessoas, um aumento em relação aos 162.420 do ano anterior.
A Alcatel-Lucent, fabricante francesa de equipamentos telefónicos, cortará 5.500 postos de trabalho a nível mundial, incluindo 1.400 em França. A holandesa Royal Philips Electronics eliminará 2.200 postos de trabalho e a alemã Siemens identificou 8.000 despedimentos potenciais a nível global.
Artigo de Marco Antonio Moreno, publicado em Jaque al NeoliberalismoTradução de Carlos Santos para esquerda.net

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