"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 24 de março de 2012

Pastores recorrem até ao inferno para vencer guerra por fiéis no mercado da fé


Pastores recorrem até ao inferno para vencer guerra por fiéis no mercado da fé. Igreja Universal, de Macedo, perde fiéis e receita para a Mundial, de Valdemiro

Leonardo Coutinho
Edir Macedo para fiel supostamente possuída pelo demônio:  “É você que tem tirado os pastores da Universal?”
Fiel:  “Eu me sinto bem no meu trono (na Igreja Mundial). Eu curo todo mundo.”
Edir Macedo:  “Quer dizer, demônio, que  você faz a festa lá no Valdemiro?”
Edir Macedo para fiel supostamente possuída pelo demônio: “É você que tem tirado os pastores da Universal?”
Fiel: “Eu me sinto bem no meu trono (na Igreja Mundial). Eu curo todo mundo.”
Edir Macedo: “Quer dizer, demônio, que  você faz a festa lá no Valdemiro?”
Os hoje arqui-inimigos Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, e Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, convocaram o demônio para ajudá-los na batalha que travam pela alma e generosidade dos fiéis. Recentemente, em seu programa de TV, Macedo “interrogou” o diabo, que, supostamente encarnado em uma devota, “confessou” ter se instalado na igreja rival e ser o responsável pelas propaladas curas operadas por Valdemiro. As entrevistas com o demônio para difamar a concorrência passaram a ser recorrentes na programação da Rede Record. O chefe da Mundial, por sua vez, rebateu as acusações com outras de igual fineza: em seu programa no Canal 21, ele afirmou que o “câncer” de Macedo é obra do demônio. Na tréplica, Macedo levou sua médica à TV para atestar que não sofre da doença e ainda exibiu no programa Domingo Espetacular, da Rede Record, uma reportagem sobre a compra, por Valdemiro, de três fazendas avaliadas em 50 milhões de reais.
O acirramento da guerra dos pastores se dá num momento em que a Universal, de Macedo, perde fiéis e receita aos borbotões para a Mundial, de Valdemiro. Estima-se que, em catorze anos, o segundo tenha conquistado mais de 20% de seguidores do primeiro. Durante muito tempo, Valdemiro foi membro da cúpula da Universal. Preterido por Macedo na indicação para um posto de maior visibilidade na organização, ele rompeu com o chefe e fundou a sua própria igreja. Habilidoso, deu um passo atrás e resgatou o modelo primitivo que deu origem ao fenômeno da Universal: a luta contra Lúcifer e a promessa de curas e milagres de toda ordem — pilares que Macedo mais tarde substituiu pela “teologia da prosperidade”. Ao adotar essa estratégia, Valdemiro passou a atender um nicho de fiéis que Macedo havia negligenciado com o amadurecimento do seu negócio, o público de menor poder aquisitivo e alta credulidade. Seus seguidores passam horas de pé em filas para poder tocar o seu corpo ou recolher um pouco de seu suor em toalhas ou pedaços de pano que são distribuídos na igreja. Valdemiro fomenta a crença de que sua transpiração tem o condão de realizar milagres.
Com os cofres recheados, Valdemiro passou a assediar os membros da Universal. Oferecendo salários e comissões mais altos que os pagos por Edir Macedo, ele atraiu prepostos do rival na Argentina, Inglaterra e em países africanos. Para profissionalizar seus negócios, canibalizou executivos da Record e do Banco Renner, controlado pela Igreja Universal. A riqueza que Valdemiro Santiago ostenta Macedo contabiliza como prejuízo. O estrangulamento de suas contas pela concorrência chegou a afetar as operações da Record e a atrasar salários na TV, como ocorreu no ano passado. O quadro de deterioração das finanças de Macedo se tornou ainda mais calamitoso com a penhora pela Justiça da sede da emissora no Rio de Janeiro para garantia do pagamento de dívidas da Universal do Reino de Deus. 
A má fase não terminou aí. Em setembro, o Ministério Público denunciou Edir Macedo pelos crimes de estelionato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Os procuradores o acusam de lavar no exterior o dízimo recebido pelos fiéis para depois despejá-lo nas contas da Record. Ao lançar suspeitas sobre a forma como Valdemiro adquiriu suas fazendas, Macedo quer mostrar que o ex-discípulo também dá suas trombadas com a lei. Valdemiro já esteve enroscado em outras diabruras. Em 2003, o chefão da Mundial foi condenado a pagar cestas básicas por porte ilegal de armas. Ele foi flagrado em uma blitz com uma escopeta, duas carabinas e munição. Em 2010, três de seus pastores foram presos em Mato Grosso do Sul transportando sete fuzis M-15. Em depoimento à polícia, o motorista afirmou que o destino das armas era a cidade de Niterói, no Rio de Janeiro.
A crise desencadeada pela Mundial do Poder de Deus obrigou Macedo a redesenhar a administração de seu negócio. Uma das providências foi baixar as exigências para a abertura de novos templos. Antes, para abrir uma franquia, o pastor tinha de comprovar um potencial de arrecadação mínimo de 150 000 reais mensais, a ser atingido em seis meses. Agora, esse piso caiu para 50 000 reais. A comissão a que cada pastor tinha direito sobre o total arrecadado além da meta era originalmente de 10%. Macedo agora a dobrou. O que ele não abre mão é da eficiência. Os pastores que não cumprem as metas dentro do prazo contratado são transferidos ou perdem o comando da franquia. Essa mudança, que aponta para uma capilarização da Universal, faz parte da estratégia de Macedo de substituir o modelo de construção de megatemplos pela pulverização de igrejas menores no país, de manutenção mais barata e mais próximas da casa dos fiéis. Com isso, ele espera baixar os seus custos de operação e evitar que outras ovelhas se desgarrem. Pastores e assessores próximos dos dois líderes afirmam que estes são apenas os primeiros movimentos de uma guerra sem previsão de fim.
“Tô falando para a igreja da fogueirinha, da Record, que fica me perseguindo falando um monte de abobrinha. Tô falando daqueles doentes desenganados que o demônio está comendo o pâncreas e o fígado deles e não tomam juízo.”Valdemiro Santiago, referindo-se a Edir Macedo, que levou sua médica à TV para afirmar que ele não tem câncer
 “Tô falando para a igreja da fogueirinha, da Record, que fica me perseguindo falando um monte de abobrinha. Tô falando daqueles doentes desenganados que o demônio está comendo o pâncreas e o fígado deles e não tomam juízo.”
Valdemiro Santiago, referindo-se a Edir Macedo, que levou sua médica à TV para afirmar que ele não tem câncer
Fonte:Veja

"O Brasil não sente vergonha de ter uma educação ruim"

"O Brasil não sente vergonha de ter uma Educação ruim". Afirmou o Senador Cristovam Buarque em entrevista à Revista Free São Paulo, Cristovam defende uma revolução na educação brasileira, basta de arremedos e gambiarras!

Não tem jeito, o Brasil é um país incompetente quando se trata de educação e, daí advém todas as suas mazelas sociais. Crescimento da violência, nossas escolas não sabem ensinar ética, os pais não sabem criar seus filhos e o ciclo se propaga. País sem cultura, pois é não sabemos nem o que é isso, ouvimos "Aviões do Forró", principalmente a juventude consumidora de álcool.

Nossas Universidades servem apenas para que se garanta o título de bacharel, mestre ou doutor e consiga um emprego, nada mais. É uma condição insustentável entregar o país à modernidade com mentes despreparadas para enfrentar os novos desafios da tecnologia, precisamos de criatividade convertida em transformações econômico-sociais, é com educação que reteremos à crescente violência e falta de desenvolvimento intelectual da atual geração, corremos o risco de perdemos outra geração completa, a anterior vivia no atraso da religião católica, esta estar sendo criada sem educação que lhes proporcione consciência.


O Brasil tem apenas uma Universidade entre as 100 melhores do Mundo, o que mostra o descaso, o país é a 6ª maior economia do mundo, será nosso crescimento uma  farsa? Correremos o risco de mergulharmos em uma profunda crise de estagnação social. Nossas escolas são sucateadas, tecnicamente e pedagogicamente, não se estimula  e, nem poderia se fazer, a plena conscientização do jovem sobre a importância da educação na sua vida.




Nas escolas, atualmente, não são incomuns ações de violência e desrespeito sob todas as formas: agressões, uso de drogas, ameaças, discriminações, desrespeito aos professores e aos alunos, é uma escola apanas para "Cumprir tabela", ou seja, apenas pra dizer que existe. A violência entre jovens no Brasil é um problema gravíssimo que tende a se agravar já que estes não têm sus mentes preparadas para receberam o grande conteúdo de situação patológicas e cenas de violência difundidas na sociedade pelos meios de comunicação.


Números da tragédia
3,8 milhões de crianças com idade entre 4 e 14 anos e 2 milhões de
jovens com idade entre 15 e 17 anos estão fora da escola.
• 1,3 milhão de crianças entre 10 e 17 anos trabalham em vez de estudar, e
mais de 4,8 milhões são obrigadas a trabalhar e estudar ao mesmo tempo.
• O Brasil tem entre 15 e 20 milhões de analfabetos com mais de 18 anos.
• 33 milhões de brasileiros são incapazes de ler ou escrever, apesar de
terem sido formalmente alfabetizados.
• Quase um terço (28%) dos alunos brasileiros não conseguem completar
a 4a série do Ensino Fundamental na idade adequada (11 anos).
• Menos da metade (42%) dos brasileiros consegue completar a 8a série
do Ensino Fundamental na idade adequada (15 anos).
• 73% dos brasileiros atualmente com 18 anos ou mais – mais de
100 milhões de pessoas – não chegaram a cursar ou concluir o Ensino
Médio. Destes, apenas metade recebeu uma Educação Básica de qualidade
razoável.
• Apenas 65% dos jovens com mais de 18 anos estão concluindo o
Ensino Médio.
• 52% dos alunos da 4a série não dominam as habilidades elementares de
Matemática. Em Português, a situação é ainda pior: 59% dos alunos estão
na 4a série sem terem adquirido as competências e habilidades necessárias.
20
• 48% dos professores sofrem da síndrome da desistência: não vêem
mais o aluno como um ser em evolução.
• Entre 31 países investigados, o Brasil ficou em último lugar na média
de desempenho de Matemática.
• A média salarial dos professores do Ensino Básico é de R$ 530, sendo
que 80% ganham em média R$ 360.


A conseqüência dessa tragédia é palpável: o Brasil não tem futuro. Um povo só tem futuro se tratar cada criança como um tesouro a ser formado. A educação é a mina onde esse tesouro é gerado. A educação é o meio para formar esse tesouro, até transformá-lo em um cidadão capaz de:
a) entender o mundo,
b) deslumbrar-se com suas belezas,
c) indignar-se com suas injustiças e ineficiências,
d) agir para fazê-lo melhor, mais justo, mais belo,
e) ter um ofício que lhe assegure um emprego e os instrumentos para
transformar a realidade.


Interessante é o relato feito pelo escritor paquistanês, Tariq Ali, sobre o modelo econômico insuficiente do Brasil nos últimos anos.


"O Brasil pode pensar que é imune à crise mas não acredito nisso. O modelo que Fernando Henrique adotou para este país foi mantido intocado. Lula disse para a burguesia, não vou fazer nada que a afete, mas vou repartir um pouco da riqueza com os pobres, que é o Bolsa Família. E isso explica amplamente a popularidade do PT, o primeiro a fazer alguma coisa pelos mais pobres, ainda que pouco. Pouco em relação ao peso do país, mas não foi pouco para os pobres. Foi uma operação inteligente e funcionou. Mas isso não significa que o Brasil poderá permanecer apenas desfrutando o período dourado. Parte da cúpula petista foi corrompida pelo poder financeiro e então, logo após a vitória de Dilma, em lugar de manter a mesma fórmula, o país deveria aprofundar suas políticas sociais e encontrar maneiras de manter sua força econômica. A educação pública no Brasil, está em péssimas condições e é um exemplo de que, a menos que mudanças estruturais sejam realizadas, esse sistema não poderá continuar"

Os demais países do mundo crescem apostando, investindo em educação, nós crescemos concentrando a renda nas mãos de poucos e com 0% de criatividade, claro sem educação - trocamos voto por dentadura.


CONTÉM TRECHOS DE: A REVOLUÇÃO NA EDUCAÇÃO
Escola igual para todos.
Cristovam Buarque

Chico Anysio

Chico Anysio nasceu no dia 12 de abril de 1931, em Maranguape, no interior do Ceará. Mudou-se com a mãe e três irmãos para o Rio de Janeiro quando tinha oito anos.



Apresentou-se pela primeira vez em um programa de calouros, “Papel Carbono”, na Rádio Nacional, aos 16 anos e faturou o primeiro lugar. Chico utilizou o prêmio em dinheiro para comprar uma bicicleta para o seu irmão mais novo, Zelito.






Na TV Rio estreou em 1957 o "Noite de Gala". Em 1959, estreou o programa Só tem tantã, lançado por Joaquim Silvério de Castro Barbosa, mais tarde chamado de Chico Anysio Show. Além de escrever e interpretar seus próprios textos no rádio, televisão e cinema, sempre com humor fino e inteligente, Chico se aventurou com relativo destaque pelo jornalismo esportivo, teatro, literatura e pintura, além de ter composto e gravado algumas canções: Hino ao Músico, (Nanci Wanderley, Chico Anysio e Chocolate), foi prefixo do seu programa Chico Anysio Show, nas TV Excelsior, TV Rio e TV Globo e nos espetáculos teatrais, como o do Ginástico Português, no Rio em 1974, acompanhado sempre do violonista brasileiro Manuel da Conceição - O mão de vaca; Rancho da Praça XI, Chico Anysio e João Roberto Kelly, gravado pela cantora Dalva de Oliveira . A música fez grande sucesso no carnaval do IV Centenário do Rio de Janeiro, isto é, fevereiro de 1965; Vários sucessos com seu parceiro Arnaud Rodrigues, gravados em discos e usados no quadro de Chico City Baiano e os Novos Caetanos  


 

Desde 1968, encontra-se ligado a Rede Globo, onde conseguiu o status de estrela num "cast" que contava com os artistas mais famosos do Brasil; e graças também a relação de mútua admiração e respeito que estabeleceu com o executivo Boni. Após a saída de Boni da Globo nos anos 90, Chico perdeu paulatinamente espaço na programação, situação agravada em 1996 por um acidente em que fraturou a mandíbula. 

Em 2005, fez uma participação no Sítio do Picapau Amarelo, onde interpretava o Doutor Saraiva e, recentemente, participou da novela Sinhá Moça, na Rede Globo. 

É pai dos atores Lug de Paula, do casamento com a atriz Nanci Wanderley, Nizo Neto e Ricardo, da união como Rose Rondelli, André Lucas, que é filho adotivo, Cícero, da união com ex-frenética Regina Chaves e Bruno Mazzeo, do casamento com a atriz Alcione Mazzeo. Também teve mais dois filhos com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, Rodrigo e Vitória. É irmão da também atriz Lupe Gigliotti com quem já contracenou em vários trabalhos na TV, do cinesta Zelito Viana e do industrial, compositor e ex produtor de rádio Elano de Paula. Também é tio do ator Marcos Palmeira. 



Enquanto que atualmente humor se confunde com banalização do sexo, Chico Anysio será para sempre um exemplo.


"No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado."


Grid de largada do GP da Malásia

1º Lewis Hamilton
2º Jenson Button
3º Michael Schumacher
4º Mark Webber
5º Sebastian Vettel
6º Romain Grosjean
7º Nico Rosberg
8º Fernando Alonso
9º Sergio Perez
10º Kimi Räikkönen
11º Pastor Maldonado
12º Felipe Massa
13º Bruno Senna
14º Paul di Resta
15º Daniel Ricciardo
16º Nico Hulkenberg
17º Kamui Kobayashi
18º Jean-Éric Vergne
19º Vitaly Petrov
20º Timo Glock
21º Charles Pic
22º Pedro de la Rosa
23º Narain Karthikeyan
24º Heikki Kovalainen

Um bilhão devem morrer por causa do fumo até o final do século


Um bilhão de pessoas devem morrer por uso e exposição ao fumo até o final deste século. O número é equivalente a uma morte a cada seis segundos. A previsão consta de relatório da Fundação Mundial do Pulmão e da Sociedade Americana do Câncer divulgado hoje (21).

Na última década, as mortes pelo uso de tabaco triplicaram, chegando a 50 milhões. Somente em 2011, 6 milhões de pessoas morreram, sendo 80% delas em países pobres e em desenvolvimento. De acordo com a fundação, o cigarro e outros derivados de tabaco são responsáveis por 15% das mortes de homens em todo o mundo e 7% entre as mulheres.

As projeções se baseiam no fato de que estudos indicam que o organismo de quem fuma continuadamente fica mais propenso a desenvolver doenças como câncer, ataques cardíacos, diabetes, doenças respiratórias crônicas, dentre outras.

A China é o país onde há mais vítimas do fumo. A cada ano, 1,2 milhão de pessoas morrem em decorrência do uso do tabaco. Esse número deve saltar para 3,5 milhões até 2030, segundo as entidades, que elaboram um atlas com dados sobre os efeitos do tabaco desde 2002.

Conforme o relatório, a indústria do tabaco tem trabalhado em todas as partes do mundo para postergar ou abolir a adoção de medidas contra o hábito de fumar, como propagandas de advertência, leis de restrição ao consumo e introduzindo no mercado produtos ditos de baixo teor. Nos últimos dez anos, 43 trilhões de cigarros foram consumidos e a produção cresceu 16,5% no mesmo período.

No último dia 13, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a fabricação e venda de cigarros com sabor no país, entre eles, os mentolados e de cravo. Os produtos sairão das prateleiras dentro de dois anos. Para a agência reguladora e entidades de combate ao tabagismo, os cigarros com sabor são usados pela indústria para atrair jovens e adolescentes. Os fabricantes rebatem a crítica e alegam que a proibição vai aumentar o comércio ilegal desses produtos no Brasil.

Carolina Pimentel
Fonte: Agência Brasil

Ajuda da União para estados e municípios pagarem lei do piso não funciona na prática


Prevista em lei, complementação só pode ser acessada em nove estados; FNDE não informou quantos municípios solicitaram os recursos 


O principal argumento de estados e municípios que não cumprem a lei do piso salarial para os professores é financeiro: os entes não teriam, segundo alegam, condições orçamentárias de arcar com o aumento de salário e outras exigências da legislação.

A lei prevê, nesses casos, que a União socorra os entes com recursos extras, utilizando para esse fim até 10% do que já aplica no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). Esse valor chega a cerca de 1 bilhão de reais. 
Até hoje, cinco anos depois da aprovação da Lei do Fundeb e três anos depois da sanção da lei do piso, nenhum estado ou município recebeu esse recurso extra para atingir o valor mínimo do salário dos professores – de R$ 1.451 em 2012, para uma jornada de 40 horas (com 1/3 dela destinado a atividades extraclasse). 

Isso porque não conseguem provar a necessidade de complementação, ou não cumprem as exigências do MEC para o repasse (veja lista de critérios abaixo). O Observatório entrou em contato com a assessoria de imprensa do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) para saber quantos municípios ou estados solicitaram os recursos em 2011 e 2012, mas, até o fechamento desta edição, não obteve resposta. Em 2010, 40 municípios fizeram a solicitação, no ano anterior, foram 29. 

Uma Comissão Técnica foi designada pela Portaria do MEC no. 213 (de 2 de março de 2011) para avaliar os pedidos, com representantes do FNDE, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (Consed). Porém, nenhuma reunião dessa Comissão foi convocada até agora. 

Em posicionamento público em defesa da Lei do Piso, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação destaca a necessidade de regularizar o funcionamento dessa Comissão, que até o momento, não passa de uma “carta de intenções”: “as gritantes desigualdades regionais brasileiras e o injusto sistema arrecadatório vigente no país torna imprescindível uma participação decisiva do Governo Federal no financiamento da educação básica. Inclusive, isso deve ocorrer em respeito às disposições do artigo 211 da Constituição Federal, que trata do Regime de Colaboração e estabelece que cabe à União assistir técnica e financeiramente estados e municípios”, diz a nota (leia na íntegra aqui).

Critérios 

A Portaria 213 também estabeleceu uma série de critérios para os entes acessarem esses recursos. São eles: 1) aplicar 25% das receitas na manutenção e no desenvolvimento do ensino (previsão constitucional); 2) preencher o Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope); 3) cumprir o regime de gestão plena dos recursos vinculados para manutenção e desenvolvimento do ensino (quer dizer, a Secretaria da Educação deve ter controle sobre os recursos em conta própria, exigência da LDB que ainda não acontece em muitos municípios); 4) dispor de plano de carreira para o magistério, com lei específica (exigência da lei do piso) e 5) apresentar planilha de custos detalhada, demonstrando a necessidade e a incapacidade para o cumprimento do valor do piso. 

Além desses critérios, a complementação só pode ser requerida por estados e municípios que já sejam beneficiários da complementação da União ao Fundeb. Neste ano, fazem parte desse grupo Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco e Piauí.

Pesquisadores consultados pelo Observatório consideram os critérios justos – afinal, todos são exigências já previstas pela legislação – e criticam os problemas de gestão que afetam os municípios. Alguns, por exemplo, não conseguem provar que investem o percentual (25%) exigido na Constituição em educação. No entanto, os especialistas veem com bons olhos estender a ajuda para além dos entes beneficiários da complementação da União ao Fundeb. 

Esses nove estados possuem, juntos, 1.756 municípios. Ou seja, os outros quase quatro mil municípios (3.809), e os 18 estados restantes, não podem sequer pedir a complementação, mesmo que cumpram os critérios acima.  

Segundo Luiz Araújo, professor, mestre em políticas públicas em educação pela UnB e doutorando na USP, esse auxílio previsto é escasso e não conseguiria sequer ajudar esses nove estados, caso todos solicitassem. 

“A forma da redação do artigo 7° da Lei n° 11.494 de 2007 é muito restritiva e prejudica o esforço nacional para garantir que ocorra a valorização dos profissionais do magistério por meio do pagamento de um piso nacional”, escreveu Luiz em seu blog

Para todos poderem acessar a complementação

Existe um projeto de lei do Senado (PLS) que propõe estender a complementação da União a todos os estados e municípios que precisem de recurso extra para pagar o piso. É o PLS nº 215/2011, de autoria da senadora Marinor Brito (PSOL-PA). 

Luiz Araújo explica que esse projeto não tem previsão para ser votado, e acredita que não seja do interesse do Estado: “Se o governo resolvesse se mexer seria mais rápido.

A União não quer mexer nisso porque quanto mais ela mexe mais demanda tem. Quando ela começar a liberar recursos, vão pressionar para liberar ainda mais”.

O que a senadora propõe é retirar da lei do Fundeb a necessidade de que a complementação da União seja destinada apenas aos estados e municípios que não atinjam o valor mínimo (aluno/ano). Porém, João Monlevade acredita que mudar a lei do Fundeb não é suficiente pra alterar a regra, que está na Constituição - no artigo 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Para isso, acredita, seria necessária uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).


Mais de 30 indígenas são atacados por doença desconhecida em Feijó no Acre

“É uma situação de penúria e total abandono. A população indígena acreana está sendo dizimada por doenças oportunistas e pelo abandono."

Silvânia Pinheiro, da Agência ContilNet
Feijó - Depois das sucessivas mortes de crianças indígenas nas aldeias do município de Santa Rosa do Purus por rotavírus, a tribo Huni Kui, do rio Envira, em Feijó, está sendo afetada por uma grave enfermidade que já atingiu 34 índios, na comunidade Boca do Grota.

Oito índios deram entrada no Hospital Geral de Feijó na noite desta quarta-feira, 22, com sintomas de diarréia e febre alta, alguns em estado gravíssimo, com risco de ir à óbito.

A vítima do vírus desconhecido chegou a noite no hospital junto com o presidente da Federação do Povo Huni Kui do Acre (Fephac), Ninawá Huni Kui/Fotos: Wania Pinheiro
A vítima do vírus desconhecido chegou a noite no hospital junto com o presidente da Federação do Povo Huni Kui do Acre (Fephac), Ninawá Huni Kui/Fotos: Wania Pinheiro
O presidente da Federação do Povo Huni Kui do Acre (Fephac), Ninawá Huni Kui, esteve na aldeia com os doentes, e telefonou para Feijó apelando por ajuda para resgatar os indígenas em estado mais grave.

Uma equipe de sete médicos do Instituto Evandro Chagas também esteve nas aldeias, além de médicos da Secretaria Municipal de Feijó, que foram enviados pelo prefeito Dindim Pinheiro ao local para atender o pedido de resgate das vítimas.

As informações dos indígenas são de que no local não existe sequer soro fisiológico ou qualquer paliativo contra febre.

“É uma situação de penúria e total abandono. A população indígena acreana está sendo dizimada por doenças oportunistas e pelo abandono “, disse Ninawá.

O indígena em situação mais crítica está internado no Hospital Geral de Feijó
O indígena em situação mais crítica está internado no Hospital Geral de Feijó
O chefe do Distrito Especial de Saúde Indígena (DSEI), do Juruá, José Francisco Armando está ausente de Feijó, e o chefe do Pólo de Atendimento, Mário Kaxinawá está em Rio Branco.

A Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) também não levou representantes às aldeias e foi necessário acionar a chefe de Assistência a Saúde Indígena em Brasília, Ivânia Marques, que disse não entender o porquê da falta de apoio do órgão aos indígenas.

Desesperados, líderes do Movimento Indígena Unificicado (MIU) telefonaram para secretária estadual de Saúde, Suely Melo, que solicitou uma ação enérgica para transportar os índios, o auxílio de médicos e técnicos do Instituto Evandro Chagas e atendimento imediato aos pacientes.

O representante da Fundação Nacional do Índio (Funai) no município, Carlos Brandão, disse que a situação da saúde indígena é grave na região e que muitas mortes ocorreram e podem continuar acontecendo caso não sejam tomadas providências imediatas sobre o caso.

Marcos Mota, médico do Instituto Evandro Chagas
Marcos Mota, médico do Instituto Evandro Chagas
“Situação é grave”, dizem médicos que atenderam indígenas
O médico do Instituto Evandro Chagas, Marcos Mota, disse a reportagem da Agência ContilNet que a situação dos indígenas afetados é grave, mas que somente será confirmada a doença após a realização de exames médicos, sendo necessário ainda realizar uma pesquisa na região para detectar a causa do problema.

O médico de plantão no hospital de Feijó na noite desta quarta-feira, Rosvaldo de Aguiar, o Dr. Baba, admitiu que a saúde indígena no município é crítica e enfatizou que as doenças que atingem os índios são muitas, incluindo pneumonias, desnutrição crônica, rotavírus, gripes virais, entre outras.

Baba questiona a falta de assistência a saúde e diz que a maioria dos responsáveis pelos povos indígenas não têm compromisso com seus povos e não há o mínimo de atendimento nas comunidades, que chegam a ficarem distantes dois dias de barco da cidade.

Informações do enfermeiro Cícero Frankalino, que trabalha há vários anos na saúde pública estadual, dão conta de que o mesmo problema ocorreu no ano de 2005 atingindo dezenas de índios da região.

Suely Melo presta apoio, mas Pólo e DSEI negligenciam vítimas
Negligenciados pelos chefes do DSEI, Sesai e pelo Pólo do Juruá, responsáveis pela saúde indígena no Estado, as lideranças da Fephac telefonaram para secretária estadual de Saúde, Suely Melo, pedindo ajuda para salvar a vida dos índios afetados por febre alta e diarréia nas aldeias.


Do aeroporto de Brasília, Suely solicitou o envio de um médico para atender os pacientes e mobilizou a equipe do hospital de Feijó para amenizar os sintomas das vítimas.


“Nós tivemos muitas perdas, mas as vidas que estamos conseguindo poupar tem o apoio da secretária de Saúde, Suely Melo. Acontece que a causa desse problema é muito mais complexa e grave do que a sociedade imagina”, disse Ninawá Huni Kui.

Oito índios foram levados para o hospital com sintomas de febre, diarréia e vômito
Oito índios foram levados para o hospital com sintomas de febre, diarréia e vômito