"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

PEC permite concessão de terra indígena a produtor rural


Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 237/13, em análise na Câmara, de autoria  deputado Nelson Padovani (PSC-PR) permite a posse indireta de terras indígenas por produtores rurais. A PEC acrescenta um parágrafo à Constituição para determinar que a pesquisa, o cultivo e a produção agropecuária nas terras tradicionalmente ocupadas pelos índios poderão ocorrer por concessão da União, tendo em vista o interesse nacional.

O texto prevê que os produtores rurais que explorarem esses territórios deverão se comprometer com o aproveitamento racional e adequado do terreno e de seus recursos naturais, sendo proibida a exploração das riquezas do solo, de rios e de lagos existentes. Os concessionários deverão ainda observar as regras relativas às relações de trabalho e também a convivência harmônica e pacífica com os grupos indígenas.

A possibilidade de lucro como agressão aos direitos das minorias e um atentado à nação e aos direitos humanos esse tipo de parlamentar.

Informações: Agência Câmara

Portugueses e espanhóis vão às ruas em apelo aos direitos sociais


Espanha: Manifestações em 50 cidades pelo fim dos despejos

Plataforma de Afectados por la Hipoteca (PAH) convocou estas manifestações para reivindicar o direito à habitação e o fim dos despejos. A Plataforma luta também para que a entrega da casa acabe com a dívida e que as pessoas possam ter habitação social.
Uma das palavras mais gritadas foi: "Rescatad a personas no a los bancos" (“Resgatem as pessoas não os bancos”).
Os despejos tornaram-se um drama cada vez mais pungente no Estado espanhol, com diversas pessoas a suicidarem-se por perderem a sua habitação.
Uma Iniciativa Legislativa Popular (ILP), promovida pela PAH foi apoiada por mais de um milhão e quatrocentas mil pessoas, obrigando ao recuo do PP, que admitiu a suspensão dos despejos, e levando a que a ILP vá ser debatida no parlamento de Espanha, por acordo entre PSOE e PP.
Em Madrid, a manifestação deste sábado encheu a Puerta del Sol. Em Barcelona, a manifestação também contou com a participação de milhares de pessoas.

Portugueses vão às ruas contra cortes nos gastos sociais do estado

Em Portugal o Sábado também foi marcado por protestos. A jornada nacional de luta da Central Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP( decorreu em 24 cidades e juntou muitos milhares de pessoas.
Jornada nacional de luta e ação da CGTP, manifestação de Lisboa - Foto de Paulete Matos
No final da jornada de luta deste sábado, o secretário-geral da CGTP anunciou a participação na manifestação “O povo é quem mais ordena” de 2 de março e a realização de greves, paralisações e ações de luta diárias por todo o país até final de março.
Arménio Carlos acusou o governo de Passos Coelho de “intrujice”, de recorrer à “manipulação” e de estar a preparar um “assalto às funções sociais do Estado”, com o objetivo de transformar num negócio aqueles que são os “direitos elementares de milhões de cidadãos”, como a segurança social, a educação ou a saúde.
“As funções sociais do Estado são uma questão que diz respeito a todos. Cabe aos trabalhadores, aos pensionistas, a todos os democratas, à população em geral, travar esta tentativa de ajuste de contas com Abril”, afirmou Arménio Carlos, que apontou medidas alternativas e exigiu ao governo que corte com a “despesa inútil e parasitária”.
O secretário-geral da CGTP apontou: um corte nos “8.000 mil milhões de juros pagos aos usurários que fazem negócio com a dívida soberana”; um corte “nos milhões desperdiçados nas negociatas das Parcerias Público Privadas”; um corte “nos chorudos benefícios fiscais aos grandes grupos económicos” ou aos “gestores que auferem salários multimilionários”.
Arménio Carlos, em declarações à comunicação social, acusou o governo de "estar obcecado com os números" e de ignorar as pessoas ao querer baixar as pensões de forma definitiva. O líder da CGTP comentava a notícia do semanário Expresso deste sábado que fala da intenção do Governo de cortar de forma definitiva as pensões acima dos 1.350 euros, às quais está a ser aplicado o imposto extraordinário.

Fonte das informações e fotos: Esquerda.net

Assembleia Legislativa do RN retorna às "atividades" - Hora de dizer sim

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte abriu aquilo que deveria ser a Sessão legislativa do ano de 2013, ao contrário dos manipuladores da mídia não tratarei dessa fato com referência às expectativas dos "deputados" da "caso do povo" como gostam de chamar e, sim da inutilidade desse vergonhoso centro que serve de habitat para a corja de oligarcas que ali ocupam as poltronas.

O Presidente dessa liga dos caciques afirmou com muito entusiasmo que “No plenário da Assembleia temos os representantes das regiões castigadas pela seca. Já passam dos 140 municípios em situação de emergência e prejuízos que somam cinco bilhões de reais, segundo o governo. Vamos liderar um movimento em favor do homem do campo, discutindo nas diversas regiões do Estado e, mais importante, vamos instituir um grupo de trabalho para sugerir soluções e acompanhar as ações”, como se fosse possível sair dali, de mentes e mentalidades anacrônicas e direcionadas ao nada soluções para a questão da falta de estrutura para a convivência com a seca. O mais que pode ser projetado são esmolas.

Na mesma oportunidade a "Governadora", Rosalba Ciarline do DEM leu a mensagem anual do executivo, destacando as ações realizadas em 2012 (Nada) e os programas e projetos que pretende desenvolver no terceiro ano do seu mandato (Vai ser exibido no intervalo do Jornal Nacional).

Como sempre leu essa mensagem pondo a desculpa pela ineficiência administrativa em dívidas que já existiam quando ela chegou ao poder e disse que neste ano “Pela primeira vez vamos poder fazer mais do que simplesmente correr atrás do prejuízo cavado e deixado por outros, tentando fechar as contas a cada mês, sem margem orçamentária própria para grandes investimentos”, pelo menos agora acabou essa desculpa, deve realizar algumas obras visíveis, asfaltar algumas rodovias para serem mostradas na publicidade e na TV Tropical de seu líder partidário José Agripino, afinal de contas 2014 é hora de sugar o sangue fresco da manana, parafraseando Zeca Afonso.

Ah, se você estiver sem saber o por quê do título "Hora de dizer sim" e que pela incapacidade política dos "parlamentares na AL-RN, na hora de votar os "projetos" é só algum fazer a "chamada" e todos dizem sim. Aprovado à unanimidade.

Notícias de meteoritos em Cuba e nos EUA

Os habitantes do estado norte-americano da Califórnia observaram a queda de um corpo celeste semelhante ao meteorito que caiu na sexta-feira na região de Chelyabinsk, na Rússia.

Moradores de várias cidades no norte do estado afirmam que viram uma bola de fogo no céu noturno. O DVR de um carro registrou esta sexta-feira à noite, numa estrada perto da cidade de São Francisco, um objeto não-identificado brilhante no céu durante vários segundos, que depois desapareceu.

Em Cuba Também:

De acordo com vários meios de comunicação latino-americanos relataram na quarta-feira, no centro de Cuba era um corpo celeste que explodiu e depois caiu.

O caso foi registrado na tarde da quarta-feira na cidade de Rhodes, na província de Cienfuegos. Segundo testemunhas, antes da explosão estranho no céu viram uma luz brilhante em uma bola de fogo.

"Eu vi uma luz se movendo no céu para se tornar um grande nome, maior que o Sol, e três ou quatro minutos depois, ouvimos uma explosão", disse ele a repórteres como uma testemunha local.


Com Voz da Rússia

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Jagunços incendeiam casas de quilombolas em Codó (Ma)


Em 03.02.2013, o tenente da Polícia Militar do Estado do Maranhão conhecido por Moura e o jagunço conhecido por Raimundo Monteiro (vulgo Raimundo da Chica), empregado do deputado estadual Cesar Pires (DEM-MA), líder do governo Roseana Sarney (PMDB) na Assembleia Legislativa do Maranhão, em ato criminoso, incendiaram duas casas de quilombolas, localizadas na Comunidade de Santa Maria dos Moreiras, por volta das 15 horas, no exato momento em que os quilombolas realizavam reunião na comunidade.
No dia 31.01.2013, o jagunço conhecido por Raimundo Monteiro anunciou que iria incendiar todas as casas de Santa Maria dos Moreiras, a mando do deputado.

Tal ato de selvageria objetiva intimidar, através do terror, as comunidades quilombolas que buscam a libertação territorial, a saber Santa Maria dos Moreiras, Bom Jesus, Tamboril e Jerusalém, que estão em litígio desde 1992 com o deputado Cesar Pires.

Esclarecemos que a liminar judicial que mantinha a comunidade quilombola na posse de seu território tradicional, foi liminarmente suspensa por decisão proferida pelo Desembargador Marcelo Carvalho Silva, , fato este que tem aumentado a violência na localidade.

O Maranhão tem vivenciado uma onda de ataques e violência contra comunidades quilombolas, comunidades tradicionais, assentados e acampados nos dois primeiros meses de 2013.

No começo de janeiro, a capela da Comunidade Vergel, também em Codó, foi incendiada. No dia 31 de janeiro, o quilombola José da Cruz, do Quilombo Salgado, foi torturado pela Polícia Militar do Maranhão. Em fevereiro, o juiz da Comarca de Senador La Rocque mandou despejar 54 famílias de acampados do MST e a juíza da Comarca de Paço do Lumiar ordenou o despejo da comunidade tradicional do Tendal.


A criminalização é uma maneira dura de instituições que foram criadas para proteger a sociedade e seus direitos se tornarem agentes que propõe a “extinção” de organizações populares . Organizações e lideranças populares são essenciais à democracia por serem a manifestação da rebeldia, necessária aos avanços da luta por direitos. Particulares e o Estado agem fora do direito, não em nome da justiça e sim em nome de interesses e privilégios, contra os/as que se erguem em luta por justiça, quando promovem a desmoralização e a criminalização.Por fim, o “ignorar sujeitos” se manifesta no conservadorismo persistente, que até aceita a diversidade social, contanto que não onere privilégios e, em alguns casos, inverte posições, colocando a promoção de determinados grupos historicamente excluídos como se fosse um privilégio. Os exemplos mais cristalinos deste tipo de postura vêm se revelando: 1) no cerceamento do acesso a territórios por indígenas e quilombolas; 2) na proposição da inconstitucionalidade das políticas de quotas para a população negra; 3) na rejeição aos avanços propostos pelo movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros); entre outros. O discurso da igualdade – neste caso, contraditoriamente à desigualdade real e à diversidade efetiva – é invocado como recurso de invisibilização, quando não de inviabilização, desses sujeitos sociais. Por outro lado, o sentido do reconhecimento dos sujeitos está na pauta central da luta por direitos, mesmo que isso não signifique colocá-lo em contradição com a luta por bens (materiais e simbólicos), significa conjugá-las. A presença da diversidade exige muito mais que a visibilidade, ou mesmo a simples afirmação da identidade, dos diversos agentes e grupos sociais. (Plano Nacional de Direitos Humanos 3)

Governo da Venezuela divulga imagens de Chaves

Nos últimos dias tem havido uma forte especulação sobre a saúde do presidente venezuelano Hugo Chaves. Alguns meios de imprensa chegam a dizer que ele estaria em estado grave, inclusive houve um episódio com divulgação de imagens falsas, há uma disputa política entre os que desejam a morte e os apoiadores do  Venezuelano, talvez daí todo o mistério. Hoje o Governo venezuelano divulgou fotos de Chávez, em que ele é visto sorrindo com suas filhas enquanto estava deitado na cama lendo edição de ontem do jornal Granma. As fotografias foram exibidas ao vivo na televisão pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Jorge Arreaza.

Foto: Gobierno venezolano informa sobre salud de Chávez y muestra foto del Presidente

El presidente Hugo Chávez continúa en su proceso de estricto tratamiento de rehabilitación y presenta respiración a través de cánula traqueal, informó hoy el Ministro para la Comunicación, Ernesto Villegas.

El anuncio fue acompañado por la divulgación de las primeras fotos de Chávez, en las que se lo ve sonriente junto a sus hijas mientras lee recostado en su cama  la edición de ayer del periódico Granma. Las fotografías fueron mostradas en directo por televisión por el Ministro de Ciencia y Tecnología, Jorge Arreaza.

Villegas, al leer un comunicado oficial, dijo que a Chávez está consciente y tomando decisiones de gobierno aunque se le dificulta el habla a raíz de la cánula traqueal e informó que persiste una insuficiencia respiratoria que obligó a dicho tratamiento. “La infección respiratoria surgida en el curso del postoperatorio fue controlada, aunque persiste un cierto grado de insuficiencia. Dada esta circunstancia, que está siendo tratada, en la actualidad el comandante presenta respiración a través de cánula traqueal”, dijo el ministro de Comunicación venezolano.

El Gobierno venezolano agradeció a Fidel, Raúl, al pueblo cubano y al equipo médico que lo asiste por todas las atenciones que ha recibido el Presidente Chávez.

Villegas, lendo uma declaração oficial, disse que Chávez faz decisões conscientes e de governo, mas tem dificuldade para falar por causa do tubo traqueal e informou que a insuficiência respiratória persiste e que precisaram de tratamento l. "Infecções respiratórias decorrentes do curso pós-operatório foi controlado, mas existe ainda um certo grau de incapacidade. Dada esta circunstância, ser tratada, atualmente, o comandante está respirando através de cânula traqueal ", disse o ministro venezuelano de Comunicação.

O governo venezuelano agradeceu Fidel, Raul, o povo cubano e da equipe médica para ajudá-lo por toda a atenção que recebeu do presidente Chávez.

Economia verde cria milhões de empregos no Brasil e no mundo, afirma estudo da OIT


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Documento lançado nesta sexta-feira (15) rebate tese de que transição para uma economia mais verde impactará negativamente o nível de emprego. Relatório alerta, no entanto, para riscos da degradação ambiental.
Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançado nesta sexta-feira (15) afirma que, em países com diferentes níveis de desenvolvimento, a transição para uma economia mais verde e sustentável criou milhões de postos de trabalho. Nos Estados Unidos, por exemplo, o emprego em bens e serviços ambientais foi de 3,1 milhões em 2010. No Brasil, 2,9 milhões de postos de trabalho foram registrados em áreas dedicadas à redução dos danos ambientais, no mesmo período.
Os números em diversos países mostram que o argumento de que a transição para uma economia mais verde impactará negativamente o nível de emprego tem sido geralmente exagerado. “De fato, são os países em desenvolvimento que podem se beneficiar da criação de empregos em áreas de tecnologias limpas e energias renováveis”,afirma o estudo, intitulado “O desafio da promoção de empresas sustentáveis na América Latina e no Caribe: Uma análise regional comparativa”.
Países como México e Brasil estão liderando a adoção de medidas para lidar com as questões ambientais, especialmente em estratégias nacionais de crescimento com baixo carbono, indica o documento.
Um estudo do Banco Mundial no Brasil citado pela publicação da OIT afirma que a redução, até 2030, das emissões de carbono em mais de um terço é compatível com o crescimento do PIB e da economia. O estudo afirma que “o País tem grande oportunidade de mitigar e reduzir suas emissões de carbono em setores como agricultura, energia, transporte e gestão de resíduos, sem afetar negativamente o crescimento econômico”.

‘Problemas endêmicos’ inibem desenvolvimento das empresas sustentáveis

A Organização recomendou aos países da região que enfrentem os “problemas endêmicos” que inibem o desenvolvimento das empresas sustentáveis, como os relacionados com a alta informalidade e baixa produtividade, no âmbito dos esforços que são realizados para gerar mais e melhores empregos.
“Sem empresas sustentáveis não haverá trabalho decente e sem trabalho decente não haverá empresa sustentável”, advertiu a Diretora da OIT para a América Latina e o Caribe, Elizabeth Tinoco, ao participar da apresentação do relatório na sede da União Industrial Argentina (UIA). Na apresentação, estiveram presentes Daniel Fuentes de Rioja, vice-presidente da Organização Internacional de Empregadores (OIE), e Brent Wilton, Secretário-geral da OIE.
O relatório afirma que o setor privado gera cerca de 200 milhões de empregos na América Latina e no Caribe, o equivalente a 79% do total de postos de trabalho disponíveis, através de 59 milhões de unidades produtivas, ainda que a grande maioria destas unidades – cerca de 48 milhões – sejam empreendimentos unipessoais.
Existem 11 milhões de negócios ou empresas de diversos tamanhos que contratam trabalhadores na região, das quais 2,5 milhões têm mais de 6 trabalhadores, acrescenta o documento.

Degradação ambiental também é risco para o desenvolvimento econômico

O documento da OIT alerta que a América do Sul foi uma das regiões com a maior perda líquida de florestas entre os anos 2000 e 2010, com 4 milhões de hectares perdidos a cada ano, de acordo com dados compilados pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
“Este fato é extremamente grave, dada a importância das florestas para a conservação dos ecossistemas e da biodiversidade, e também por sua grande contribuição para o PIB de países como Brasil, México, Guiana, Paraguai, Bolívia e Chile. A exploração insustentável, portanto, representa não apenas graves riscos ecológicos, mas também econômicos”, aponta o documento.
O relatório lembra, no entanto, que várias políticas têm sido implementadas para reduzir o impacto ambiental do setor privado. “Alguns países fizeram progressos rumo à criação de incentivos para a produção limpa, gestão sustentável dos recursos naturais e investimentos em energia renovável, embora sejam experiências muitas vezes ainda incipientes.”
O documento aponta no entanto alguns exemplos relevantes sobre os incentivos para a gestão de resíduos sólidos. Na Colômbia, recicladores tradicionais recicladores foram reconhecidos como empreendedores. O documento cita ainda a recente Lei de Saneamento Básico no Brasil, que regula a coleta, tratamento e destino final dos resíduos.
O relatório lembra que o Brasil produz 161 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos e, embora a cobertura de coleta seja de 97%, muitos destes têm um alvo inadequado. “A finalidade da lei é promover a responsabilidade partilhada e criar incentivos econômicos para atividades de reciclagem e resíduos com o destino apropriado.”

Relatório lamenta falta de políticas para pequenas e médias empresas

O relatório da OIT lançado hoje aponta que, embora haja “poucas políticas eficazes de apoio às PME [Pequenas e Médias Empresas]”, há várias iniciativas nesta área. A OIT cita o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Brasil (SEBRAE), que tem desenvolvido várias iniciativas para promover uma maior sustentabilidade ambiental em empresas menores, como a criação da Rede Brasileira de Produção Mais Limpa (PML).
Esta rede – desenvolvida juntamente com o Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL/SENAI) e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) – trabalha por meio núcleos de PML em sete estados ligados a federações de indústrias locais. Sua função é prestar serviços de diagnóstico ambiental, assistência técnica e treinamento em PML para empresas de diversos segmentos e atividades.
O SEBRAE também colaborou na promoção da eficiência energética no Rio de Janeiro, sensibilizando mais de três mil pequenas e médias empresas. Casos de sucesso no âmbito desta iniciativa resultaram em uma economia de energia de mais de 50%, afirma o documento da OIT citando dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Situação das mulheres no mercado de trabalho ainda preocupa

O relatório aponta que a taxa de desemprego média regional para os homens em 2011 foi de 5,9%, em comparação aos 8,3% das mulheres. Apesar de uma tendência positiva apresentada no emprego das mulheres em geral, a participação da força de trabalho das mulheres com pouca educação e que são de famílias de baixa renda segue se caracterizando como “altamente precária”.
Além disso, persiste na região uma diferença salarial significativa entre homens e mulheres, o que é explicado pela concentração de mulheres em empregos de baixa remuneração, mas também por práticas salariais discriminatórias.
A relação entre os salários de homens e mulheres varia entre 72% no Brasil e Peru, e 102% em Honduras. A média simples da taxa de salários de homens e mulheres dos 12 países, a partir dos dados disponíveis, é de 85%.

Proteção social dos trabalhadores ainda deixa a desejar

Argentina, Brasil, Chile, Equador, Uruguai e Venezuela dispõe de seguro-desemprego que operam sob bases contributivas e vinculadas a relações de trabalho formais. Embora nesses sistemas emergentes a duração dos benefícios seja muitas vezes limitada e as quantidades insuficientes, a sua criação foi considerada um avanço para a região.
O principal mecanismo de proteção em caso de demissão injustificada permanece sendo a indenização, apresentando no entanto sérias limitações, tanto em termos de custo para as empresas como para a cobertura social.
A cobertura em saúde também possui um déficit significativo, aponta a OIT. Em termos de leitos por mil habitantes, a região mostra uma lacuna muito grande em relação aos países de alta renda da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (HIC-OCDE). O gasto público em saúde – em termos percentagem do PIB – é substancialmente menor, com diferenças marcantes entre os países da região.

Indicadores de informalidade e falta de investimento preocupam

“Temos que fazer mais pelo desenvolvimento de empresas geradoras de empregos de qualidade, que sejam sustentáveis e viáveis, com acesso a mercados e financiamento, com facilidades para atuar na economia formal, porque esse é um dos principais caminhos para impulsionar o crescimento econômico e avançar no desenvolvimento”, explicou Tinoco.
“Enfrentamos problemas endêmicos que inibem o desenvolvimento deste tipo de empresa”, acrescentou a Diretora da OIT. Ela destacou os problemas de alta informalidade e de baixa produtividade, de persistência da pobreza e desigualdade, bem como a insegurança dos cidadãos como aspectos que devem ser enfrentados por políticas estratégicas.
“Ninguém pode negar que a América Latina passa por um momento auspicioso com crescimento econômico sustentado e queda do desemprego urbano a mínimos históricos de 6,4% em média, e consolidação democrática”, destacou. Ao mesmo tempo, Tinoco afirma que os formuladores de políticas devem estar atentos a numerosos assuntos pendentes.
Segundo ela, apesar da queda do desemprego, a informalidade afeta quase 50% dos ocupados, sendo que 40% não têm nenhum tipo de cobertura de proteção social em saúde ou aposentadorias. Persistem as desigualdades que desfavorecem as mulheres ou os jovens, com taxas de desemprego mais elevadas e menos oportunidades de empregos formais.
Com relação à produtividade, Tinoco alerta que esta “é muito baixa nesta região comparada com a de outros lugares do mundo, apesar dos bons resultados econômicos”. Ela acrescenta que, nas economias latino-americanas, convivem setores que geram alta produtividade e pouco emprego com outros que oferecem numerosos postos de trabalho, mas não conseguem elevar sua produtividade.
“Devemos encontrar a maneira de impulsionar uma articulação produtiva e pôr em prática medidas que permitam aumentar a produtividade, que é essencial para repartir de forma mais eficiente os benefícios do crescimento econômico”, afirmou.
O relatório da OIT destaca que o desenvolvimento de empresas sustentáveis na América Latina também depende de segurança jurídica, da agilização de trâmites, de políticas econômicas estáveis e de sustentabilidade do meio ambiente.
Entre os problemas estruturais detectados pela análise se destacam a necessidade de impulsionar áreas como o desenvolvimento tecnológico, o acesso a serviços financeiros, a inovação, a simplificação da regulamentação, da infraestrutura, da educação e da qualificação.
O estudo diz que iniciar um negócio na América Latina ou no Caribe pode demorar 71 dias em média, diante dos 12 dias em países de alta renda da OCDE. Os procedimentos para pagar impostos podem demorar 497 horas na América Latina e no Caribe, em comparação com as 186 horas nos países da OCDE.
Estes países da OCDE também investem seis vezes mais que a América Latina e o Caribe em pesquisa e registram 51 vezes mais patentes.
A OIT é a única organização tripartite do Sistema das Nações Unidas e cada um de seus 185 Estados-Membros está representado por governos e por organizações de trabalhadores e de empregadores. “O diálogo social bipartite e tripartite é essencial para o progresso das empresas, para os processos de inclusão social e para a obtenção do desenvolvimento econômico sustentável”, acrescentou Tinoco.
A estratégia de promoção de um meio ambiente propício para as empresas sustentáveis foi lançada em nível global em 2007, depois que os interlocutores tripartites da OIT realizaram um debate e aprovaram uma resolução sobre o tema na Conferência Internacional do Trabalho daquele ano em Genebra.
Original desta nota em http://bit.ly/VkKq0r

A história secreta da renúncia de Bento XVI


Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris.

Eduardo Febbro - Carta Maior

Os especialistas em assuntos do Vaticano afirmam que o Papa Bento XVI decidiu renunciar em março passado, depois de regressar de sua viagem ao México e a Cuba. Naquele momento, o papa, que encarna o que o diretor da École Pratique des Hautes Études de Paris (Sorbonne), Philippe Portier, chama “uma continuidade pesada” de seu predecessor, João Paulo II, descobriu em um informe elaborado por um grupo de cardeais os abismos nada espirituais nos quais a igreja havia caído: corrupção, finanças obscuras, guerras fratricidas pelo poder, roubo massivo de documentos secretos, luta entre facções, lavagem de dinheiro. O Vaticano era um ninho de hienas enlouquecidas, um pugilato sem limites nem moral alguma onde a cúria faminta de poder fomentava delações, traições, artimanhas e operações de inteligência para manter suas prerrogativas e privilégios a frente das instituições religiosas.

Muito longe do céu e muito perto dos pecados terrestres, sob o mandato de Bento XVI o Vaticano foi um dos Estados mais obscuros do planeta. Joseph Ratzinger teve o mérito de expor o imenso buraco negro dos padres pedófilos, mas não o de modernizar a igreja ou as práticas vaticanas. Bento XVI foi, como assinala Philippe Portier, um continuador da obra de João Paulo II: “desde 1981 seguiu o reino de seu predecessor acompanhando vários textos importantes que redigiu: a condenação das teologias da libertação dos anos 1984-1986; o Evangelium vitae de 1995 a propósito da doutrina da igreja sobre os temas da vida; o Splendor veritas, um texto fundamental redigido a quatro mãos com Wojtyla”. Esses dois textos citados pelo especialista francês são um compêndio prático da visão reacionária da igreja sobre as questões políticas, sociais e científicas do mundo moderno.

O Monsenhor Georg Gänsweins, fiel secretário pessoal do papa desde 2003, tem em sua página web um lema muito paradoxal: junto ao escudo de um dragão que simboliza a lealdade o lema diz “dar testemunho da verdade”. Mas a verdade, no Vaticano, não é uma moeda corrente. Depois do escândalo provocado pelo vazamento da correspondência secreta do papa e das obscuras finanças do Vaticano, a cúria romana agiu como faria qualquer Estado. Buscou mudar sua imagem com métodos modernos. Para isso contratou o jornalista estadunidense Greg Burke, membro da Opus Dei e ex-integrante da agência Reuters, da revista Time e da cadeia Fox. Burke tinha por missão melhorar a deteriorada imagem da igreja. “Minha ideia é trazer luz”, disse Burke ao assumir o posto. Muito tarde. Não há nada de claro na cúpula da igreja católica.

A divulgação dos documentos secretos do Vaticano orquestrada pelo mordomo do papa, Paolo Gabriele, e muitas outras mãos invisíveis, foi uma operação sabiamente montada cujos detalhes seguem sendo misteriosos: operação contra o poderoso secretário de Estado, Tarcisio Bertone, conspiração para empurrar Bento XVI à renúncia e colocar em seu lugar um italiano na tentativa de frear a luta interna em curso e a avalanche de segredos, os vatileaks fizeram afundar a tarefa de limpeza confiada a Greg Burke. Um inferno de paredes pintadas com anjos não é fácil de redesenhar.

Bento XVI acabou enrolado pelas contradições que ele mesmo suscitou. Estas são tais que, uma vez tornada pública sua renúncia, os tradicionalistas da Fraternidade de São Pio X, fundada pelo Monsenhor Lefebvre, saudaram a figura do Papa. Não é para menos: uma das primeiras missões que Ratzinger empreendeu consistiu em suprimir as sanções canônicas adotadas contra os partidários fascistóides e ultrarreacionários do Mosenhor Levebvre e, por conseguinte, legitimar no seio da igreja essa corrente retrógada que, de Pinochet a Videla, apoiou quase todas as ditaduras de ultradireita do mundo.

Bento XVI não foi o sumo pontífice da luz que seus retratistas se empenham em pintar, mas sim o contrário. Philippe Portier assinala a respeito que o papa “se deixou engolir pela opacidade que se instalou sob seu reinado”. E a primeira delas não é doutrinária, mas sim financeira. O Vaticano é um tenebroso gestor de dinheiro e muitas das querelas que surgiram no último ano têm a ver com as finanças, as contas maquiadas e o dinheiro dissimulado. Esta é a herança financeira deixada por João Paulo II, que, para muitos especialistas, explica a crise atual.

Em setembro de 2009, Ratzinger nomeou o banqueiro Ettore Gotti Tedeschi para o posto de presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano. Próximo à Opus Deis, representante do Banco Santander na Itália desde 1992, Gotti Tedeschi participou da preparação da encíclica social e econômica Caritas in veritate, publicada pelo papa Bento XVI em julho passado. A encíclica exige mais justiça social e propõe regras mais transparentes para o sistema financeiro mundial. Tedeschi teve como objetivo ordenar as turvas águas das finanças do Vaticano. As contas da Santa Sé são um labirinto de corrupção e lavagem de dinheiro cujas origens mais conhecidas remontam ao final dos anos 80, quando a justiça italiana emitiu uma ordem de prisão contra o arcebispo norteamericano Paul Marcinkus, o chamado “banqueiro de Deus”, presidente do IOR e máximo responsável pelos investimentos do Vaticano na época.

João Paulo II usou o argumento da soberania territorial do Vaticano para evitar a prisão e salvá-lo da cadeia. Não é de se estranhar, pois devia muito a ele. Nos anos 70, Marcinkus havia passado dinheiro “não contabilizado” do IOR para as contas do sindicato polonês Solidariedade, algo que Karol Wojtyla não esqueceu jamais. Marcinkus terminou seus dias jogando golfe em Phoenix, em meio a um gigantesco buraco negro de perdas e investimentos mafiosos, além de vários cadáveres. No dia 18 de junho de 1982 apareceu um cadáver enforcado na ponte de Blackfriars, em Londres. O corpo era de Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano. Seu aparente suicídio expôs uma imensa trama de corrupção que incluía, além do Banco Ambrosiano, a loja maçônica Propaganda 2 (mais conhecida como P-2), dirigida por Licio Gelli e o próprio IOR de Marcinkus.

Ettore Gotti Tedeschi recebeu uma missão quase impossível e só permaneceu três anos a frente do IOR. Ele foi demitido de forma fulminante em 2012 por supostas “irregularidades” em sua gestão. Tedeschi saiu do banco poucas horas depois da detenção do mordomo do Papa, justamente no momento em que o Vaticano estava sendo investigado por suposta violação das normas contra a lavagem de dinheiro. Na verdade, a expulsão de Tedeschi constitui outro episódio da guerra entre facções no Vaticano. Quando assumiu seu posto, Tedeschi começou a elaborar um informe secreto onde registrou o que foi descobrindo: contas secretas onde se escondia dinheiro sujo de “políticos, intermediários, construtores e altos funcionários do Estado”. Até Matteo Messina Dernaro, o novo chefe da Cosa Nostra, tinha seu dinheiro depositado no IOR por meio de laranjas.

Aí começou o infortúnio de Tedeschi. Quem conhece bem o Vaticano diz que o banqueiro amigo do papa foi vítima de um complô armado por conselheiros do banco com o respaldo do secretário de Estado, Monsenhor Bertone, um inimigo pessoal de Tedeschi e responsável pela comissão de cardeais que fiscaliza o funcionamento do banco. Sua destituição veio acompanhada pela difusão de um “documento” que o vinculava ao vazamento de documentos roubados do papa.

Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. Nada muito diferente do mundo no qual vivemos: corrupção, capitalismo suicida, proteção de privilegiados, circuitos de poder que se autoalimentam, o Vaticano não é mais do que um reflexo pontual e decadente da própria decadência do sistema.


Tradução: Katarina Peixoto

Meteorito cai na Rússia


O número de afetados com a queda do meteorito na região de Chelyabinsk na Rússia subiu para 514 pessoas, informa o centro de imprensa da direção provincial do Ministério das Situações de Emergência da Rússia.

"Até o presente momento, na região (de Chelyabinsk) foram registrados 514 casos de pessoas afetadas, onze delas foram hospitalizadas, incluindo duas crianças. A maioria dos afetados têm contusões e cortes e, portanto, não precisam de hospitalização. Os afetados receberam os cuidados médicos necessários", diz-se num comunicado difundido pelo centro de imprensa.






EUA pode estar envolvido com queda de meteorito


O líder do partido liberal-democrata russo, Vladimir Zhirinovsky, acredita que não houve nenhuma queda de fragmentos de meteoritos nos Urais, e que na verdade eram os americanos que estavam testando armas.
Na sexta-feira, nos Urais, foi registrada a queda de fragmentos de meteoritos.

“Não são meteoros caindo, mas são os americanos que estão testando novas armas. Kerry (Secretário de Estado dos EUA John Kerry) queria avisar na segunda-feira, procurou Lavrov (Ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov), Lavrov está de viagem. Queria avisar que haveria uma provocação, e que ela pode tocar à Rússia também,” disse a jornalistas Zhirinovsky, conhecido por declarações provocantes

Fonte: Voz da Rússia

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Metade da área cultivada no Brasil será de transgênicos em 2013


Os cultivos geneticamente modificados devem, pela primeira vez, ocupar mais da metade da área plantada no Brasil em 2013. De acordo com a consultoria Céleres, a área plantada com transgênicos deve atingir 37,1 milhões de hectares neste ano, o que representa um aumento de 14% em relação à safra anterior.
A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta para uma área recorde voltada a agricultura no país neste ano. Uma área de quase 70 milhões de hectares será destinada para esse fim. A estimativa é que os transgênicos representarão 54,8% de toda a área cultivada no Brasil em 2013.
O avanço do cultivo de organismos geneticamente modificados é criticado continuamente pelos movimentos do campo que defendem uma produção ecologicamente responsável. Diversos estudos já apontaram a relação entre o consumo desses alimentos e o aumento nos casos de câncer e problemas reprodutivos.
A safra total de milho com utilização de biotecnologia deve totalizar 12,2 milhões de hectares. Há cinco anos, a adoção total de milho transgênico cobria apenas 1,2 milhão de hectares.
De São Paulo, da Radioagência NP, Daniele Silveira.

Caicó precisa saber o que é política

É um engano fantasiar realidades, é até um mecanismo de autodefesa fomentado pela divulgação de ideias distorcidas, é preciso ter a negatividade racional e a crítica suficiente para enxergar os problemas e poder modificá-las. A ação política deve ser movida pela crítica prudente.

Infelizmente a população de Caicó está fantasiando uma situação que não faz bem ao futuro do município. Assusta-se com a escalada da violência e do uso de drogas ao mesmo tempo em que imagina o reino da festa de santana sem participar das discussões necessárias.

A "imprensa" local é cega e inútil desse ponto de vista, vive do noticiário policial com seu drama sensacionalista.

Conviver com "administrações" atrasadas, distribuídas entre parentes, apadrinhados, procurem saber que são os funcionários da Prefeitura. Achar que na hora de votar você tem que ser de um tal verde ou um tal vermelho, ter uma câmara sem visão política, votos conquistados por analfabetos políticos em cida de "trios", como se tudo fosse carnaval.

Fica morta a possibilidade de discussão sociológica das reais necessidades. Não podemos continuar a ouvir "cidades alertas" e sermos eleitores de "Papas Jerimuns", de Lobos, Batatas ou fulanos de Hospital.

A violência que assusta e a notícia que engana

Confrontos entre torcidas organizadas, brigas entre gangue etc, representam uma dispersão de uma violência localizada . Talvez  a exaustão dessas cenas reproduzidas pela TV tragam para os poros da sociedade, onde a educação não chega, um certo poderio relacionado ao uso da agressão.

Certa vez ouvia alguns jovens falando sobre " suas coragens" em esfaquear alguém, ir a determinada festa e "conquistar" uma briga. Esse culto à agressão alia-se à superficialidade de vidas líquidas e dominam o noticiário policial, esse funciona como mecanismo para se obter o consenso.

"A notícia policial, por sua redundância cotidiana, torna aceitável o conjunto dos controles judiciários e policiais que vigiam a sociedade; conta dia a dia uma espécie de batalha interna contra o inimigo sem rosto; nessa guerra, constitui-se o boletim cotidiano , do alarme ou da vitória”  (Michel Foucault)


As pessoas se viciaram nas notícias policiais, isso cria uma distorção na realidade, além de criar um perfil certo da delinquência.


Leia o artigo: A transformação do inimigo em delinquente


De fato a vida líquida moderna está endo direcionada para momentos, temporários e o mais vulgar possível, exatamente pela propagação da imbecilidade, tudo é instantâneo.

É impossível não imaginar crianças que vivem em meio à degradação , linguagem baixa, exposição das cenas de violência, educação desfigurada, são causas que fazem a exclusão e que o noticiário policial não mostra, pede cadeia para todos, mas será que tem como não haver essa embriaguez social nessas situações?

Os familiarizados com as estatísticas policiais se impressionam e falam exaustivamente sobre, mas não me admira esses índices com uma educação sofrível como temos.

OCDE: mundo é um paraíso fiscal para as grandes empresas


Um relatório da OCDE reconhece que as grandes empresas multinacionais pagam valores irrisórios de impostos em comparação com as pequenas e médias empresas e os cidadãos. Além disso, o relatório adverte para o papel desempenhado por países que funcionam como paraísos fiscais.
Capa do relatório da OCDE divulgado esta semana.
"Há falta de soluções globais para garantir que os sistemas fiscais não favoreçam indevidamente as empresas multinacionais, deixando os cidadãos e as pequenas empresas com maiores impostos", sublinha orelatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), elaborado a pedido do Grupo dos 20 para apurar os efeitos da "fiscalidade agressiva" praticada pelas grandes empresas. O documento salienta que algumas grandes multinacionais utilizam estratégias que lhes permitem pagar impostos irrisórios na ordem dos cinco por cento enquanto as pequenas empresas chegam a ser penalizadas em 30 por cento ou mais.
O relatório reconhece ainda que "alguns países de pequena jurisdição" proporcionam impostos baixos e recebem em troca "quantidades desproporcionadamente elevadas de investimento estrangeiro direto" em comparação com os outros países. O secretário geral da OCDE, Ángel Gurría, considera que "embora estas estratégias sejam tecnicamente legais desgastam a estabilidade do sistema fiscal internacional".
"Quando os governos e os cidadãos têm que lutar para chegar ao fim do mês é muito importante que todos os contribuintes – tanto as pessoas físicas como as empresas – paguem uma quantidade justa de impostos e confiem na transparência do sistema fiscal internacional", acrescentou o dirigente da OCDE.
As regras existentes, de acordo com o relatório, "não refletem adequadamente a integração económica atual, o valor da propriedade intelectual ou as novas tecnologias de comunicação". A OCDE considera que "os espaços que permitem às multinacionais eliminar ou reduzir os impostos sobre rendimentos lhes dá uma vantagem competitiva sobre as pequenas e médias empresas", além de afetar negativamente o investimento, o crescimento económico e o emprego.
O documento assinala também que muitas das normas estabelecidas para evitar que as multinacionais sejam sujeitas a dupla tributação "permitem-lhes, muitas vezes, não pagar imposto nenhum".

Venezuela: especialistas de direitos humanos da ONU chamada para a liberação imediata do juiz Afiuni


Cinco especialistas em direitos humanos das Nações Unidas pediram nesta quinta-feira * ao governo da Venezuela a libertação da juíza María Lourdes Afiuni Mora, expressando profunda preocupação com a detenção continuada da juiza e os relatórios alarmantes de violência sexual, agressão e assédio sofrido durante a sua detenção no Instituto de Orientação Feminina.

"A situação da juíza Afiuni representa um caso emblemático de retaliação por cooperar com um órgão de direitos humanos da Organização das Nações Unidas", disse o Relator Especial sobre a situação dos defensores de direitos humanos, Margaret Sekaggya, observando que o Juiz Afiuni foi presa em 10 de dezembro de 2009, para ter concedido liberdade condicional a Eligio Cedeño, cuja detenção foi considerada arbitrária pelo Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias, das Nações Unidas.

"Permitir que a retaliação contra um juiz para a aplicação de um parecer do Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária e manter a sua prisão preventiva por mais de três anos é abrir a porta a abusos muito mais, e tem um efeito generalizado de refrigeração", observou o perito independente El Hadji Malick Sow, que atualmente dirige o órgão da ONU.

Juiz Afiuni está sob custódia por mais de três anos, apesar do fato de que o artigo 230 do novo Código de Processo Penal prevê que um prolongamento da detenção não pode exceder o limite da pena mínima de crimes mais graves; no caso do juiz, uma pena de três anos. O requerimento foi apresentado por seu advogado lançado em dezembro de 2012, foi demitido em 14 de janeiro deste ano.

Por sua parte, o Relator Especial da ONU sobre a Tortura, Juan E. Mendez enfatizou que "o estupro ea violência sexual outra sepultura pelos agentes públicos em contextos de detenção não só constituir tortura ou maus-tratos, são um problema particularmente grave por causa do estigma que envolvem".

"É inaceitável que as autoridades venezuelanas não agiu com a devida diligência na investigação dos atos cometidos contra juiz Afiuni prontamente e de forma imparcial e punir severamente os responsáveis", disse o Relator Especial sobre a violência contra as mulheres, Rashida Manjoo.

Além disso, o Relator Especial sobre a independência de juízes e advogados, Gabriela Knaul, advertiu que "a continuação da detenção do juiz, além de sua demissão, constitui uma séria interferência indevida e contra a independência do poder judicial e mostra a falta de respeito para as autoridades por suas próprias instituições e leis. " Ms. Knaul sublinhou que "a decisão de conceder uma medida proxy para Eligio Cedeño, além de cumprir com as obrigações internacionais, concordou com a lei venezuelana e dentro dos poderes do juiz."

Os cinco especialistas internacionais em defesa dos direitos humanos pediram ao Governo da República Bolivariana da Venezuela para investigar uma violência séria e imparcial denunciado e oferecendo compensação adequada sem demora.

Eles instaram as autoridades a prevenir e abster-se de todos os atos de intimidação ou retaliação contra aqueles que procuram cooperar ou têm colaborado com as Nações Unidas, seus representantes e mecanismos em matéria de direitos humanos.

Projeto social do RN concorre ao Prêmio Anu 2013 como melhor ação social do país


O Núcleo de Desenvolvimento Social (NDS) está concorrendo à etapa nacional do Prêmio Anu 2013 – Prêmio Anu Preto, realizado pela Central Única das Favelas (CUFA). Para que o Rio Grande do Norte esteja entre as três mais expressivas ações de responsabilidade social do país, é preciso que a população vote até o dia 20 de fevereiro desse ano no site www.premioanu.com.br.

Por meio do Projeto “Nova Jerusalém a um passo do futuro”, o NDS já conquistou a etapa estadual – Prêmio Anu Dourado – como melhor ação social desenvolvida em 2012, vencendo outras quatro ações do Rio Grande do Norte. O projeto desenvolve ações educativas, de cidadania, inclusão social e lazer para cerca de 150 crianças e adolescentes, da comunidade Nova Jerusalém, na zona norte de Natal. As ações são desenvolvidas a partir de aulas de reforço escolar e atividades agregadas de recreação, lazer, cultura, meio ambiente, além de serviço de lanches.

O Prêmio Anu é uma celebração que destaca ações que acontecem dentro de comunidades carentes e que beneficiem e favoreçam a melhoria de vida dos moradores desses territórios. O prêmio Anu busca revelar aqueles que, apesar das dificuldades, interferem diretamente no dia a dia de suas comunidades com iniciativas para promoção do bem estar geral na busca de uma real integração social.

A cerimônia de premiação acontece na próxima quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A votação para o Prêmio Anu Preto fica aberta no site até 5 horas antes do início do evento.

Fundada em 2001, o Núcleo de Desenvolvimento Social é uma organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que presta assessoramento a entidades públicas nas áreas de educação e assistência social, bem como inclusão social. E quem quiser participar dos programas e ajudar a comunidade de Nova Jerusalém, o NDS fica na avenida Jaguarari, 1484, Alecrim. O telefone para contato do local é (84) 3613-1754.

Vote aqui

Enviado por André Salustino

Contracidadania - Afastamento e amesquinhamento da vida pública

O Contracidadão é aquele indivíduo que é desprovido de tal forma do espírito público que atenta contra sua própria cidadania, seja na corrupção de gestores  ou na atitude daqueles que desperdiça água neste momento de escassez aqui no Nordeste às gargalhadas, é um corpo apolítico, portanto, não cidadão.

A distância ou a apartação da cidadania pode ser verificada pela ignorância política, pelo conformismo ou pela imbecilidade que sufoca a vida;  no primeiro caso a Obra Vidas Secas de Graciliano Ramos nos mostra uma passagem que sintetiza o distanciamento entro o homem e a cidadania, Fabiano depois de apanhar do Soldado Amarelo ouve o seguinte: “apanhar do governo não é desfeita”. E entendia menos ainda, não se convencia de que o soldado amarelo fosse governo. Fabiano pensava: “Governo, coisa distante e perfeita não podia errar. O soldado amarelo estava ali perto, além da grade, era fraco e ruim, jogava na esteira com os matutos e provocava-os depois. O governo não podia consentir tão grande safadeza”, Governo era coisa distante para Fabiano, o analfabetismo não lhe permitia ser governo, no Coronelismo o Camponês votava por gratidão ao patrão, não criava muitas expectativas políticas acerca do resultado; O conformista é aquele que pode até conhecer, mas não participa, pensa que não pode mudar nada e o imbecil está sendo produto da despolítica, esse rir de mais, destrói até o patrimônio público como se fosse grande feito.

A educação tem a capacidade de formar verdadeiros cidadãos, ativos e engajados politicamente, no entanto, não é qualquer ''educação" que tem essa capacidade.

A maioria dos nossos gestores são contracidadãos, além de aceitarem a troca de favores e o amesquinhamento das administrações. Existe um fato, realizado pelo mesmo Graciliano Ramos quando era Prefeito de Palmeira dos Índios-AL, "Graciliano determinou a limpeza de ruas e logradouros públicos, onde proliferavam animais vadios, lixo acumulado, lama e detritos. Os donos de cães e porcos, acostumados a deixá-los à solta, tomaram um susto quando os animais começaram a ser recolhidos. Mas resistiram, libertando novamente os animais. O prefeito ordenou que todos os bichos encontrados nas ruas fossem mortos, e que se multasse quem reincidisse. Ao saber que Sebastião Ramos não acatara a ordem, mandou o fiscal multá-lo. Magoado, o pai teve de ouvir uma admoestação:

– Prefeito não tem pai. Eu posso pagar sua multa. Mas terei de apreender seus animais toda vez que o senhor os deixar na rua" (Boitempo editorial).

Bem diferente dos quadros de nossas administrações, repletas de parentes, puxa-sacos e companhia.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Zygmunt Bauman - Fronteiras do Pensamento

Portugal: Mais de 920 mil desempregados


O Instituto Nacional de Estatística registou uma nova subida da taxa de desemprego, no quarto trimestre deste ano, atingindo os 16,9% ou 920 mil pessoas, um novo e triste recorde da austeridade imposta pela troika e o governo de Passos Coelho.
O desemprego de muito longo prazo cresceu 33% num ano. Foto de Paulete Matos. Esquerda.net
Em relação ao trimestre anterior, o desemprego aumentou 1,1 pontos percentuais, e 2,9 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O número de desempregados mais que duplica o que existia em 2008, quando explodiu a crise financeira. Nesse ano era de 7,3%, o equivalente a 409,9 mil desempregados.
Segundo o INE, o aumento da população desempregada ocorreu essencialmente nas mulheres, na faixa etária dos 25 aos 44 anos, nas pessoas com nível de escolaridade completo correspondente ao ensino básico, à procura de um novo emprego (com origem no setor da indústria, construção, energia e água) e à procura de emprego há 12 e mais meses.
Passos insiste que desemprego vai melhorar este ano
Ouvido pelos jornalistas, o primeiro-ministro, Passos Coelho, disse que os dados do desemprego permanecem em linha com as previsões do governo, insistindo esperar que o desemprego venha ainda a atingir um pico superior para depois começar a cair ainda este ano. Passos reconheceu que a taxa de desemprego representa a situação mais grave que o governo enfrenta.
Aliás, esse discurso do governo mantém-se desde que em maio do ano passado o primeiro-ministro disse que “o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser uma oportunidade para mudar de vida”.
Dada a onda de indignação que na altura estas declarações provocaram, o governo passou a dizer que “o desemprego é uma das maiores preocupações em Portugal” (Vítor Gaspar em junho do ano passado), mas mantendo as previsões otimistas que nada tinham a ver com a realidade. Ainda nesse mês de junho de 2012, as previsões do ministro das Finanças para a taxa de desemprego no ano de 2013 eram de 16%, taxa já superada largamente, e o ano ainda está no início.
Entrada ou regresso ao mercado de trabalho cada vez mais difícil
Os dados do INE mostram ainda que a entrada ou regresso ao mercado de trabalho é cada vez mais difícil. Assim, das 923,2 mil pessoas que disseram estar à procura de trabalho no quarto trimestre do ano passado, só 211,2 mil chegou à fase de entrevista ou de prestação de algum tipo de prova de emprego (23%).
Por outro lado, menos de metade dos desempregados contactou um centro de emprego (48%). Os portugueses têm optado por outras alternativas, entre elas 754,4 mil (82%) dizem ter contactado uma agência de emprego ou diretamente um empregador; e 730,8 mil (79%) afirmam ter recorrido a pessoas conhecidas ou sindicatos.
O desemprego de muito longo prazo – mais de dois anos – cresceu 33% num ano, estando já 332 mil pessoas nessa situação.

Um país de Carnaval?

Desfaz-se a folia e a vida retorna à normalidade até que o ciclo torne a se repetir, a comunidade lhe aguarda. Comunidades de Carnaval são marcas da liquidez moderna.

"Comunidades de carnaval precisam de um espetáculo que apele a interesses semelhantes em indivíduos diferentes e que os reúna durante um  certo tempo em que outros interesses - que os separam em vez de uni-los - são temporariamente postos de lado, deixados em fogo brando ou inteiramente silenciados" (Bauman)

O noticiário brasileiro passou os dias de carnaval como se a realidade de outrora estivesse suspensa, a notícias que o preenche em "período normal" diminuem de forma graciosa. A Rede Globo, que faz intensa cobertura de eventos carnavalescos, com sua poderosa capacidade de imbecilizar tudo, praticamente, desfaz seus telejornais, isso somente prova que esses telejornais estão ao dispor de interesses privados, não cumprem função jornalística, ou será que as "notícias" de antes deixaram de ocorrer? A TV em muito contribui para a liquefação das vidas, ela estabelece os padrões, dita os comportamentos, com suas entrevistas de "astros" mostram valores de seres que não parecem ser reais. Talvez, e eu espero muito, a internet esteja a quebrar esse domínio.

Não é difícil ver um desses apresentadores falando para que as pessoas esqueçam "os problemas" por que é carnaval, alguns dias que a realidade fica suspensa, carnaval da vida líquida, de uma época líquida; mas ele repete-se com tanta frequência atualmente que é capaz de fazer tudo um carnaval. 

Enormes campeonatos entre escolas de Samba, que de samba não tem nada, tudo em nome do lucro da Globo e de alguns empresários, fazem da competição a prisão de um público que se emociona com um espetáculo sem sentido. Multidões atrás de trio com copos cheios de cerveja na mão, ainda dizem que movimenta a economia, talvez até por culpa do amesquinhamento dos municípios brasileiros, sem recursos e sem administração.

Por que algo tão vulgar torna-se tão imensamente importante? Seria o Brasil um país comunidade de carnaval? O Mundo está se transformando em um grande espetáculo da vida líquida? Quais os desafios para a cidadania no século XXI? Uma onda contestadora começa a nascer?

Entrevista com Bauman sobre a Modernidade líquida

Zygmunt Bauman - "Nós hipotecamos o futuro" (Entrevista à Globo News/ Programa Milênio) por TCVT no Videolog.tv.

A renúncia do Papa tem um significado político


O Vaticano viveu no pontificado de Bento XVI uma crise já antiga de perda de influência social e política, agravada pela perda da credibilidade moral com os escândalos de pedofilia e pela crise financeira. Por Henrique Carneiro.
A última monarquia absolutista europeia, o Vaticano, sofre no gesto de renúncia uma derrota simbólica profunda. Foto de Erprofe
A renúncia do Papa é apresentada como uma decisão pessoal, devido à idade. Evidentemente, é preciso buscar as razões de fundo para um gesto inédito nos anais recentes da Igreja e que enfraquece ainda mais a sua credibilidade.
Os pontificados ficam historicamente identificados com alguns dos factos ou decisões mais importantes que marcaram esses períodos. O Papa Pio XII, contemporâneo do nazismo e aliado de Hitler na sua ascensão ao poder, ficou indelevelmente marcado por essa aliança. Mas no passado, o que resta na memória popular de Papas como Rodrigo Borgia, ou Alexandre VI, senão a reputação de cruel e devasso, que nomeou o próprio filho Cesare Borgia, além de muitos outros parentes, como cardeais? De Júlio III, a nomeação como cardeal-sobrinho do amante de 17 anos, Innocenzo.
De Joseph Ratzinger, o Bento XVI, o elemento mais marcante do seu pontificado, antes da renúncia, parecia que iria ser a denúncia pública da pedofilia no clero. Poderá essa renúncia tirar o foco desse problema e a sua sucessão lançar uma cortina de fumaça que oculte a série de escândalos?
Trago nestes breves comentários, de alguém que não é um vaticanólogo, apenas algumas evidências disponíveis para qualquer leitor de jornais de que essa renúncia não é um raio em céu claro. Que evidências são essas?
Uma crise já antiga de perda de influência
As de que o Vaticano viveu no pontificado de Bento XVI uma crise já antiga de perda de influência social e política, agravada pela perda da credibilidade moral com os escândalos de pedofilia. Mas ao se tratar dessa instituição, não se deve esquecer que ela é, do ponto de vista financeiro, uma das maiores multinacionais do planeta, com investimentos em bancos, corporações, reservas de ouro, etc. (MANHATTAN, 1983 mostrou a dimensão dessa fortuna).
No ano passado, a Igreja Católica viveu outra crise com as revelações de corrupção e negociatas feitas a partir dos documentos revelados pelo mordomo do Papa, no que ficou conhecido como Vatileaks. Dessa vez, a culpa não era do mordomo, que foi preso, processado, condenado e depois perdoado.
O Banco do Vaticano (o “banco mais secreto do mundo” como diz a revista Forbes (JORISH, 2012) é o IOR (Instituto das Obras da Religião), fundado em 1942. Nesse período, o Vaticano vinha de uma colaboração com o regime nazi, por parte de Pio XII, mas, ainda antes disso, de uma colaboração mais estreita com Mussolini, que concedeu ao Vaticano em 1929 a assinatura do Tratado de Latrão com o estado italiano.
Esse tratado, também conhecido como Concordata, foi o que permitiu o reconhecimento do Vaticano como um Estado dentro de outro Estado, incluindo a gestão das próprias finanças e a manutenção da influência política sobre a Itália que ficava com o catolicismo como religião oficial, o ensino confessional nas escolas públicas e outras vantagens ao clero. Só em 1978 houve uma alteração que tornou a Itália uma República laica e o divórcio foi aprovado.
Rompendo o isolamento em que o Vaticano havia ficado desde a vitória da república italiana em 1870, Mussolini concedeu também vultosas indemnizações à Igreja. Parte desse dinheiro foi aplicado em Londres em aquisições imobiliárias que hoje alcançam o valor de cerca de meio milhar de milhões de libras esterlinas, embora o valor real permaneça secreto, apesar das denúncias recentes do jornal Guardian (LEIGH; TANDA; BENHAMOU, 2013).
Os interesses económicos do Vaticano também estão a ser afetados pela crise global, o que levou inclusive que em 2012 ocorresse o maior défice fiscal em muitos anos no Vaticano, de cerca de 19 milhões de dólares (VATICAN, 2013). Nessa crise também incide o custo financeiro com os processos por pedofilia.
Os escândalos de pedofilia: custo moral e económico
Os escândalos de pedofilia, além do custo moral, têm um preço económico com os processos e indemnizações que, só nos EUA, chegaram a três mil milhões de dólares em mais de três mil processos abertos, com 3.700 clérigos denunciados, 525 presos, a maioria dos quais condenados e cumprindo penas.
Desde os anos de 1950 até hoje cerca de seis mil sacerdotes já foram denunciados nos Estados Unidos por abusos sexuais contra crianças, o que equivale a 5,6% do total do clero dos EUA (SCHAFFER, 2012). Figuras de proa da Igreja, como o líder dos Legionários de Cristo, no México, Marcial Maciel, foram denunciados por pedofilia e outros abusos.
Bento XVI protegeu setores diretamente nazis do clero, como o bispo Richard Williamson, negacionista do Holocausto que havia sido excomungado por João Paulo II, e cuja excomunhão foi revogada por Bento XVI em 2009. Apesar disso e de ter atendido aos interesses de setores ultraconservadores da Opus Dei e do Caminho Neocatecumenal, cerrando fileiras com partidos como o PP na Espanha para impor os planos de austeridade e flertando com a extrema-direita europeia, Bento XVI teria desagradado a esses setores ao tentar reconhecer parte dos escândalos de pedofilia para buscar limpar a reputação da Igreja. Isso levou um colunista de El País a avaliar que a renúncia foi resultado da pressão desses setores ultraintegristas (MORA, 2013).
Seja por causa das acusações de corrupção ou de pedofilia, a renúncia acrescenta uma nota ainda mais decadente a um Papa que dedicou o seu pontificado a um apostolado de intolerância e repressão contra homossexuais, mulheres, muçulmanos e movimentos sociais. Num momento de crescimento da extrema direita católica na sua faceta mais fascista, como o caso do terrorista católico norueguês Breivik, o Papado de Ratzinger foi um ponto de apoio para a homofobia, o racismo, o sexismo, a intolerância e a perda de direitos sociais dos trabalhadores.
Mudar para tudo continuar igual”
É provável que se jogue com a carta de Il Gattopardo, de Lampedusa, “mudar para tudo continuar igual”, mas para isso, os recursos da inteligência publicitária da Igreja podem contar com novidades, como o primeiro Papa não europeu da história, o que não deixará de manifestar mais uma vez um dos sintomas maiores da crise global do catolicismo, a sua condição essencialmente branca e ocidental. Um Papa negro ou latino-americano não conseguirá alterar esse facto: a Ásia e a África permanecem imunes à religião imperial que o sistema de estados europeu trouxe em sua colonização global.
A participação do Vaticano nos interesses globais do capitalismo também não deve deixar a Igreja imune à onda de revolta anticapitalista que cresce especialmente nas duas margens do Mediterrâneo.
A recente aprovação pela Câmara Baixa do Parlamento francês da união matrimonial homossexual é só mais um sintoma de que os interesses patriarcais, misóginos e machistas do clero também estão a perder lugar na definição da ordem legal e do quadro dos direitos civis do século XXI.
A última monarquia absolutista europeia, o Vaticano, sofre no gesto de renúncia daquele que foi consagrado como o “vigário de Cristo”, ou seja, o seu substituto, uma derrota simbólica profunda, pois demonstra falta de coragem e obstinação em carregar uma cruz até o final. A convivência de um novo Papa com o ex-Papa também esvazia a mística monárquica individual desse vicariato místico, dividindo em dois o corpo do substituto de Cristo na Terra.
Referências bibliográficas:
JORISCH, Avi. The Vatican Bank: The Most Secret Bank In the World. Forbes, 26 jun. 2012. Disponível em: http://www.forbes.com/sites/realspin/2012/06/26/the-vatican-bank-the-mos...
LEIGH, David; TANDA, Jean François; BENHAMOU, Jessica. How the Vatican built a secret property empire using Mussolini’s millions. The Guardian, Monday 21 January 2013. Disponível em: http://www.guardian.co.uk/world/2013/jan/21/vatican-secret-property-empi...
MANHATTAN, Avro. The Vatican Billions. Chino, CA: Chick Publications Year: 1983.
MORA, Miguel. Los movimientos ultracatólicos ganan la partida. El País, 1º Feb. 2013. Disponível em: http://internacional.elpais.com/internacional/2013/02/11/actualidad/1360...
SCHAFFER, Michael D.. Sex-abuse crisis is a watershed in the Roman Catholic Church’s history in America. Phylly.com, 25 Jun. 2012. Disponível em: http://articles.philly.com/2012-06-25/news/32394491_1_canon-lawyer-catho...
VATICAN posts record-high budget deficit: $19M. CBSNews, 5 Jul. 2012. Disponível em:http://www.cbsnews.com/8301-202_162-57466929/vatican-posts-record-high-budget-deficit-$19m/
Henrique Carneiro é doutor em História Social pela Universidade de São Paulo.
Artigo publicado originalmente no Blog Convergência. Os subtítulos e o lead são da responsabilidade do Esquerda.net