"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 16 de março de 2013

JN esquece do jornalismo e presta enorme serviço à igreja católica


Lino Bocchini comenta a cobertura do Jornal Nacional sobre a escolha do novo papa 
Por Lino Bocchini, no Desculpe a Nossa Falha  
Don Odilo fala em deus e Patrícia responde emocionada: “Que assim seja” (Foto: Reprodução)
A exemplo de quarta-feira, 13, quando foi eleito o novo papa, o Jornal Nacional de ontem também foi quase todo dedicado ao assunto. Com a íntegra em mãos, planejava contar quantas vezes, em 33 minutos de noticiário, determinadas palavras apareceriam. Desisti após o primeiro bloco, quando já se somavam 23 “papas”, sete “Jesus Cristo”, seis “missa” e uma pilha de “cardeais”, “igreja”, “basílica”, “deus”, “cúria”, “senhor” etc. Montei então o roteiro de frases abaixo, todas ditas pelos apresentadores William Bonner (nos estúdios da Globo no Rio) e Patrícia Poeta (no Vaticano) e pelos repórteres da Globo que fizeram a cobertura por lá, na Argentina e em Jerusalém. Lembro que todo material abaixo vinha acompanhado da entonação certa, trilha “emocionante”, edição cuidadosa, sorrisos etc. As frases estão colocadas em ordem de aparição:
“O primeiro dia do novo papa, a primeira missa”
“Como o papa se tornou conhecido pela simplicidade”
“Um papa matutino”
“Começou impondo um estilo novo ao papado e recusou o carro oficial”
“´Também sou um peregrino´, disse”
“Comportou-se como um padre, quase um pai de família. Nem usou o trono para a homília”
“Tem a simplicidade evangélica de João 23 e o sorriso paterno de João Paulo I”
“O papa Francisco começa a conquistar um certo fascínio que já existia entre os cardeais”
“O colégio, num grande e inteligente gesto, em poucas horas mudou o rosto da igreja”
Uchôa se questiona: “De onde vem essa inspiração, esse sentimento de humildade?” (Foto: Reprodução)
Aí entra ao vivo Don Odilo Scherer, que respondeu a 4 perguntas rápidas. Terminou a última, sobre a “torcida brasileira” a seu favor, dizendo que “os cardeais deveriam escolher aquele que deus indicasse”. Ao que Patrícia Poeta emenda, emocionada: “Que assim seja”.
Vem então uma reportagem sobre beatificação de João Paulo 2: “O papa peregrino, João Paulo 2º, pregou com gestos a humildade … tinha sorriso sereno e cativante … enorme carisma de se comunciar com as multidões… apenas 6 anos depois de sua morte, a igreja concluiu a beatificação, último passo, antes de torná-lo santo … O clamor começou logo após sua morte, em abril de 2005. Depois, veio a descoberta do primeiro milagre. A cura de uma freira francesa, que sofria de mal de parkinson”. [O milagre entrou dessa forma, como uma notícia banal, sem a palavra “suposto” ou “segundo a igreja”]. E termina assim a matéria de João Paulo 2º: “A imagem de um dos papas mais adorados da história recente é o reflexo também do que a igreja busca com a escolha de agora: a força de um líder carismático e amado”.
Continuam as frases do JN:
“O moderado e humilde Jorge Bergoglio”
“Antes mesmo de se tornar papa, Jorge Bergoglio já era conhecido por cultuvar hábitos simples”
“Nos primeiros gestos, nas primeiras palavras, já um jeito próximo, natural. ´Irmãos, irmãs, boa noite’. Ali estava não mais o Jorge, mas o Francisco”
“O nome já era um recado, mas era necessário mais. E para esse papa, o mais era o menos. Despojado, sem joias, apenas a batina branca”
“Repare no crucifixo, é de aço, nem mesmo é de prata”
[Deixou que] vários cardeais se apertassem no elevador com ele”
“O papa preferiu ir de ônibus com os cardeais, deixando o carro especial do pontífice seguir vazio”
“De onde vem essa inspiração, esse sentimento de humildade? Até agora, o próprio papa não falou nada sobre isso”
“Francisco parece já ter definido como prioridade do seu papado a solidariedade para os que mais precisam”
“Ontem ao se despedir do publico, dizendo ´boa noite, bom repouso´, parecia um pai que vela pelos filhos. Sua santidade. Santa simplicidade”
Começa um bloco sobre a vida de Jorge Bergoglio na Argentina. O JN lembrou rapidamente das críticas mais fortes que pesam sobre o novo papa, seu suposto apoio à ditadura no país vizinho:“Durante a década de 1970, na ditadura argentina, Bergoglio era a principal autoridade eclesiástica do país. Um jornalista o acusou num livro de ter dado informações que levaram à prisão de 2 padres jesuítas, que supostamente teriam ligações com grupos de esquerda. Em sua defesa, Bergoglio disse que há um documento que prova o contrário, ele pediu a renovação dos vistos de permanência no país de um deles. Já um biógrafio do papa diz que ele agiu secretamente para ajudar a retirar perseguidos politicos da Argentina”. Esse pedaço “crítico” do noticiário, que durou pouco mais de um minuto, termina assim: “Papa Francisco tem posição semelhante a de Bento XVI: é contra o uso de preservativos”. Voltam as frases:
“Na terra santa, as pessoas rezaram e se disseram contentes com a escolha de um papa humilde, de nome Francisco”
“Por todo oriente médio foi assim: atenções voltadas para o homem de fala suave e olhar sereno”
“Procuramos muito e achamos uma lembrancinha, tá aqui Bonner, to mostrando pra vocês” (Foto: Reprodução)
“Já que estamos falando de carisma, o que chamou a atenção hoje aqui nas ruas do Vaticano foi o número de fieis tirando fotos, entrando nas lojas e perguntando se tinha um santinho, um terço, uma lambrança do novo papa. Isso horas depois dele ter sido eleito. E quem procurou muito, acabou encontrando. Eu achei, nós procuramos bastante e achamos, tá aqui: “Habemus Papam Franciscum [e mostra um santinho com a cara do argentino]. Tá aqui Bonner, tô mostrando pra vocês”
No bloco final, a ameaça de um pouco de jornalismo: “Apesar de tanto segredo, a imprensa daqui começa a publicar alguns detalhes do conclave que elegeu o novo papa. De acordo com o que um respeitado vaticanista declarou a um jornal italiano, a primeira votação apresentou o italiano Ângelo Scola, o canadense Mark Ouellet e Jorge Bergoglio com mais votos”. Patrícia Poeta, contudo, desconversa: “Mas isso não importa mais”. E volta ao normal:
“Em mais uma demonstração do bom humor que estamos começando a conhecer, o papa brindou com os cadeais que o escolheram” 
Por fim, recebe os cumprimentos do parceiro de mesa e editor do JN, William Bonner, que encerra assim o jornal:
“Missão cumprida, Patrícia. Para você e para toda nossa equipe que fizeram esse trabalho belíssimo aí no Vaticano, parabéns”.
“Missão cumprida, Patrícia. Parabéns”  (Foto: Reprodução)

Por que os oligarcas do RN querem a UFSER

Será realizada na segunda-feira (18) uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte sobre a Criação da Universidade Federal do Seridó. Convocada pelo demagogo-oligarca Nélter Queiroz que sobrevive na "política" exatamente por causa da precariedade da educação no Rio Grande do Norte, o município que curral eleitoral do oligarca, Jucurutu, vive em uma degradação social sem precedentes, a semiformação insere as pessoas no joguinho assistencialista do Deputado. Poderia haver a pergunta: Por quê um deputado que sobrevive da ignorância popular se interessaria pela criação de uma Universidade? A resposta está exatamente na demagogia, o senso comum passou a falar em educação como necessidade primária, e aí é hora dos demagogos agirem, só que oferecendo uma educação semiformativa.

Nélter concedeu entrevista ao portal da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, onde fala sobre a necessidade de criação da UFSER.


- Qual a necessidade de criar a Universidade do Seridó?
A proposta da Universidade Federal do Seridó é para alavancar a Educação do nosso Seridó e do Estado. O estado da Paraíba, vizinho ao nosso, conta com várias instituições de ensino superior federal. Então, porque também não podemos?

veja que aqui ele tenta colocar uma disputa na cabeça das pessoas, se a Paraíba tem nós temos que ter.

O pior de tudo é que eles sempre na expectativa de terem uma "obra" para oferecer nas praças se apossaram da criação da Universidade Federal do Seridó com apoio da Diocese de Caicó, como sempre subserviente aos oligarcas. Excluindo a comunidade acadêmico do Hoje Centro de ensino Superior do Seridó, vinculado à UFRN.

O projeto de criação da UFSER é datado de 2007 e de autoria então Senadora Rosalba Ciarline (DEM-RN) - (aqui) e que fora considerado inconstitucional pela Comissão de Educação e Cultura, onde a relatora era a Deputada Fátima Bezerra, hoje uma das que estão à frente da criação da nova Universidade.

Milhares exigem a demissão do governo em Lisboa


Manifestação convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública enche totalmente a avenida da Liberdade entre o Marquês e os Restauradores. Arménio Carlos denuncia o governo está a preparar um monumental despedimento coletivo mascarado de rescisões amigáveis
Portugal foi posto numa situação semelhante à que se vive na Grécia, disse Arménio Carlos. Foto de Mário Cruz, EPA
Milhares de funcionários públicos de todo o país manifestaram-se do Marquês de Pombal ao Terreiro do Paço para exigir o fim da austeridade e a demissão do governo, num protesto convocado pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública.
A coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, disse que os números hoje divulgados sobre o aumento do desemprego e sobre o fracasso das metas do défice são a prova de que o governo não está a defender os interesses dos trabalhadores portugueses.
Arménio Carlos também manifestou à Lusa a sua preocupação com o aumento do desemprego e disse que Portugal foi posto numa situação semelhante à que se vive na Grécia.
Monumental despedimento coletivo
Para o secretário-geral da CGTP, o governo está a preparar um monumental despedimento coletivo a que chama de rescisões amigáveis. "Na prática, o que se traduz é no despedimento de um número significativo de trabalhadores em todos os serviços e, simultaneamente, acentuar uma pressão, como nunca antes vista, em termos da redução de direitos e remunerações dos trabalhadores", disse.
Para o sindicalista, "está provado que não temos trabalhadores a mais na Administração Pública, estando, quando muito, mal distribuídos", disse.
Por volta das 16h, os manifestante enchiam completamente a avenida da Liberdade entre os Restauradores e o Marquês de Pombal, que estava ainda cheio de gente.
Os manifestantes fizeram grande parte do percurso ao som da "Grândola Vila Morena", que intercalavam com palavras de ordem contra o governo.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Brasil retem posição em Índice de Desenvolvimento Humano da ONU

País ocupa o 85º lugar na lista no ranking mundial das 187 nações pesquisadas; relatório inclui dados sobre saúde, educação e de expectativa de vida e de renda.
Campo de arroz na China Foto: ONU/John Isaac
Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.
O relatório que mede o Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, mostrou que o Brasil ficou em 85º lugar entre as 187 nações pesquisadas, no ano passado.
O país está no grupo de desenvolvimento elevado com um índice de 0,730. O relatório citou o Brasil 137 vezes e elogiou as políticas de distribuição de renda, investimento em educação e pelos avanços econômicos.
Saúde
Segundo o documento, todos esses fatores reunidos ajudaram a reduzir os níveis de desigualdade social no país.  Em relação à saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, mostrou que a expectativa de vida do brasileiro subiu de 73,5 anos, em 2011 para 73,8 no ano passado.
A renda per capita pulou de R$ 20,172 para R$ 20,304, durante o mesmo período.
No quesito educação, o Brasil estagnou. O país continua com os mesmos 7,2 anos de escolaridade desde 2010. Já na agricultura, foram registrados avanços.
Em entrevista à Rádio ONU, o economista-chefe para África do Pnud, Pedro Conceição, falou sobre o setor.
"A região do cerrado, que durante muito tempo foi considerada uma região com muito pouco potencial para a agricultura, é uma das regiões mais produtivas do mundo e tem firmado o Brasil como uma potência global. Isto deveu-se a um investimento, no país, no desenvolvimento de tecnologia, de inovação e de técnicas agrícolas que permitiram transformar esta região, que se pensava ter muito pouco potencial agrícola, numa das regiões mais competitivas globalmente na agricultura".
Progresso
O Índice de Desenvolvimento Humano 2012 detectou a "Ascensão do Sul", como classificou o avanço dos países do Hemisfério Sul.
Segundo o Pnud, esse progresso começa a mudar o equilíbrio da balança do poder mundial. Ele foi conquistado com a redução da pobreza, a expansão da classe média e do desenvolvimento na África, na Ásia e na América Latina.
PIB
Segundo o IDH, pela primeira vez, a produção conjunta de três nações emergentes: Brasil, China e Índia, é quase a mesma do PIB somado de alguns países industrializados, como Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Alemanha e Itália.
O relatório prevê que até 2020, a produção dos emergentes vai superar a dos países mais industrializados.
Comparação
Apesar do avanço, o Brasil ficou atrás de alguns vizinhos, como Argentina, Venezuela e Cuba. Mas está à frente de importantes parceiros do Brics, China, Índia e África do Sul.
O país que tem o melhor Índice de Desenvolvimento Humano é a Noruega, seguida da Austrália e dos Estados Unidos. No final da lista, com o pior índice estão empatados Níger e a República Democrática do Congo, ambos na África.
Alerta
A ONU alerta que se as desigualdades, de gênero, de renda ou de educação, permanecerem será muito difícil continuar com os avanços nas questões do desenvolvimento humano. A organização deixa claro que o problema é o mesmo em relação à degradação do meio ambiente.
Outro ponto de delicado é o envelhecimento da população. Os países em desenvolvimento terão muitas dificuldades para cuidar e prestar assistência aos idosos se continuarem pobres.
O relatório conclui dizendo que os países devem investir em questões sociais, como a igualdade de gêneros, participação dos cidadãos na sociedade, ecologia e movimentos demográficos.

Imazon: Desmatamento na Amazônia aumentou 91% no último semestre


De acordo com o Instituto de Pesquisas Imazon, no período de agosto de 2012 a fevereiro de 2013, o corte total de árvores atingiu cerca de 1,3 mil quilômetros quadrados, o que mostra um aumento de 91% em relação ao período anterior -de agosto de 2011 a fevereiro de 2012. O Ministério do Meio Ambiente, por meio da assessoria de imprensa, informou que não se manifesta sobre os números do instituto.
Apresentação de Graziele Bezerra, da Radioagência Nacional / EBC

Relator da ONU para Liberdade de Expressão critica concentração de mídia no Brasil


O relator da Organização das Nações Unidas para a Liberdade de Opinião e Expressão, o guatelmateco Frank William La Rue, fez críticas à concentração de imprensa no Brasil e na América Latina, e afirmou que pretende fazer uma visita oficial ao país em breve. A declaração aconteceu durante o Seminário Internacional Infância e Comunicação, realizado nos dias 6, 7 e 8 de março em Brasília. O evento reuniu alguns dos principais especialistas em infância, educação e comunicação do país, e contou com a presença do ministro da Justiça José Eduardo Cardoso e da ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos Maria do Rosário.
Por Daniel Santini - Repórter Brasil
Seminario3
Marta Mauras, vice-presidente do Comitê da ONU sobre Direitos da Criança; María Dolores Souza, diretora do Conselho Nacional de Televisão do Chile; Frank William La Rue, relator das Nações Unidas para a Liberdade de Opinião e Expressão; Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça; e Mauro Porto, oficial de Programas para Direitos e Acesso à Mídia da Fundação Ford. Fotos: Daniel Santini
 “A concentração de mídias traz concentração de poder político e isso atenta não só contra o direito à diversidade, mas também contra a democracia”, destacou Frank William La Rue.
“Na América Latina, temos uma visão excessivamente comercial [da comunicação] e isso faz mal para a sociedade. Em outros lugares, a comunicação é prioritariamente pública com diversidade etno-social”, afirmou. “A mídia comercial é legítima, sem problemas, mas não deve prevalecer de forma absoluta. O direito à comunicação deve ser de todos”.
Os debates no encontro giraram em torno de responsabilidade social e comunicação. Na abertura o ministro José Eduardo Cardoso falou da importância do equilibrio entre liberdade de expressão e outros direitos, como os da criança e do adolescente, e levantou a questão que se repetiria em diferentes mesas nos três dias de discussões: até onde o Estado deve ir na regulação das comunicações?
A ministra Maria do Rosário também falou sobre concentração na mídia e criticou a maneira como o sistema esta estruturado no Brasil. Ela destacou que “comunicação em monopólio não é democracia” e questionou: “a quem interessará poder absoluto do mercado?”.
Seminario
Alexandre Schun, coordenador de Relações Comunitárias da Petrobrás; Mauro Porto, oficial de Programas para Direitos e Acesso à Mídia da Fundação Ford, Frank William La Rue, relator das Nações Unidas para Liberdade de Opinião e Expressão; José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça; Maria do Rosário, ministra da Justiça. Aurélio Virgílio Veiga Rios, procurador da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, Maria Izabel da Silva, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; Gary Stahl, representante do Unicef no Brasil; e Wanderlino Nogueira, membro do Comitê dos Direitos da Criança da ONU.
Especialistas em direitos da criança e do adolescente também manifestaram preocupação, criticando desde programas que favorecem a erotização precoce até propagandas voltadas para o público infantil. “Na comunicação, o que prevalece no Brasil é o direito empresarial em detrimento ao direito da criança e do adolescente”, disse Wanderlino Nogueira, do Comitê dos Direitos da Criança da ONU.
Regulação
Citando crimes midiáticos como incitação a genocídios e pedofilia, Frank La Rue, o relator da ONU, defendeu conselhos reguladores compostos por diferentes setores da sociedade. “Me dói dizer isso, minha função é defender a amplitude [da liberdade de imprensa], mas há casos extremos em que se deve intervir. São necessários órgãos reguladores independentes”, afirmou. “A desinformação pode provocar uma epidemia se a liberdade de expressão for mal utilizada. É claro que são excessões, mas é preciso intervir”.

Seminario8
Evento reuniu educadores, comunicadores, juristas e militantes de defesa dos direitos da criança e do adolescente do Brasil e do exterior
Ele destacou que tal regulação deve ser prévia e não posterior, e composta de limitações de conteúdo (como a proibição de incitação a crimes de ódio ou de intolerância religiosa, por exemplo) e de restrições diretas (como o impedimento da exibição de conteúdo classificado como inadequado em horários em que crianças assistem à programação).
Ele também se disse surpreso com o fato de a classificação indicativa de programas de TV por parte do governo federal ser contestada por representantes de grandes grupos de mídia e ter virado uma briga jurídica que foi parar no Supremo Tribunal Federal. “Este é um assunto já resolvido no mundo todo, é algo que já não se questiona no exterior”.

Contexto
Em contraposição ao posicionamento do relator da ONU sobre a necessidade de maior regulação, o secretário nacional de Justiça, Paula Abrão, defendeu o modelo brasileiro, destacando como uma qualidade o fato de que o Estado não intervem em nada no conteúdo exibido e que o sistema de classificação indicativa apenas restringe horários de exibição. Ele lembrou que o processo de redemocratização é recente e que é preciso considerar este contexto. “A discussão no âmbito das restrições é difícil em razão do trauma da censura”, disse.

Sobre casos extremos, ele defende que são possíveis intervenções mesmo no modelo atual. “Modulações podem ser feitas por meio de ações complementares. O Ministério Público Federal também tem seu papel”, lembrou.
Seminario6
Divina Frau-Meigs, assessora do Conselho da Europa e da Unesco e professora da Universidade da Sorbonne Nouvelle, da França, e o jornbalista Mike McCluster, ex-CEO da Rádio Austrália
Jornalistas presentes nos debates expressaram diferentes pontos de vista sobre como conciliar liberdade de expressão com os demais direitos humanos. “Você não pode entrar em um evento pelado. Na mídia é o mesmo. Temos que considerar regras sociais e agir com responsabilidade”, defente o jornalista australiano Mike McCluster, que já foi CEO da Rádio Austrália.
Eugenio Bucci, colunista da revista Época, lembrou que “qualquer regulação para modular e dirigir é inaceitável”. Já Ricardo Corredor, jornalista colombiano diretor-executivo da Fundação Nuevo Periodismo, lembra que o momento é de “forte transformação da indústria” em que existe forte demanda por mais transparência e por diálogo com a sociedade. “Meios de comunicação que transparência dos poderes públicos devem ser transparentes”, ressaltou.
A concentração e nova configuração da mídia em nível mundial também foi debatida. Divina Frau-Meigs, assessora do Conselho da Europa e da Unesco e professora da Universidade da Sorbonne Nouvelle, da França, apresentou o conceito de Hollyweb, em que seis das maiores companhias de mídia (GE, Disney, Time Warner, News Corp, Viacom e CBS) se aproximam das seis gigantes da internet (Apple, Microsoft, Cisco, Google, Yahoo e Facebook).
No Brasil, além da crescente participação de empresas de telefonia no setor de comunicação, também foram debatidas a ligação de políticos com canais de TV e rádios, muitos deles beneficiados com concessões públicas.  Dados sobre a concentração de mídia, que preocupa o relator da ONU, foram reunidos no relatório “O país dos 30 Berlusconis” (clique para ler versão em PDF), lançado recentemente pela organização Repórteres Sem Fronteira. O estudo foi citado no evento pot Luiz Gustavo Pacete, representante da organização.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O que importa é derrubar as oligarquias

A Diocese de Caicó criou um "Movimento" visando chamar a atenção dos governantes sobre a trágica situação enfrentada pelos municípios do Interior do Rio Grande do Norte, em especial da Região Seridó, denominado "O Campo Grita: Temos sede, Queremos água, bem ao modo da igreja católica. Consiste em enviar cartas e mensagens para o Governo do RN e para o Governo Federal. O que é alguma coisa, mas não é apenas a água que vai mudar a situação do Interior do RN, muito menos a igreja católica.

O Rio Grande do Norte vive em meio a uma intensa fragilidade política, o que possibilita a tomada do poder e o domínio por velhas oligarquias, todas vivendo exatamente da ignorância do povo, e a demagogia. Uma campanha como essa pode ter efeitos paliativos, o que importa de verdade é por abaixo as oligarquias, é tornar insignificante personalidades pertencentes às oligarquias Costa,  Rego,  Rosado, Queiroz, Alves, Maia etc e todos os seus apoiadores, dotar a população de consciência política. O voto é conquistado com troca de favores, venda de emendas parlamentares, assistencialismo, enfim, "feitos" que mostram "desvelo" daquele agente, mas que na verdade são tentativas de manterem-se perpetuamente no poder.

Recentemente um Bando composto entre outros por José Agripino, Rosalba Ciarline, João Maia, Vivaldo Costa, Roberto Germano, alguns vereadores inúteis de Caicó (todos são), Felipe Maia etc, veio vender uma emenda que servia para aquisição de ônibus para o transporte escolar, é assim que eles compram votos indiretamente, com as emendas como se fosse um esforço hercúleo, e o povo foi aplaudir esses oligarcas, essa é a nossa doença, aquela era a hora de expulsar os oligarcas, no dia em que esses parasitas receberem seu devido tratamento será a hora em que RN estará livre


Divulgado relatório do PNUD sobre IDH


O relatório do PNUD foi apresentado na Cidade do México e intitula-se “A Ascensão do Sul: Progresso Humano num Mundo Diversificado”, uma ascensão que "não tem precedentes, nem em ritmo, nem em dimensão". O relatório sublinha os "rápidos avanços em alguns dos países de maior dimensão, nomeadamente o Brasil, China, Índia, Indonésia, México, África do Sul e Turquia" e prevê que em apenas um século (de 1950 a 2050) o Produto Interno Bruto do Brasil, China e India passarão de 10% do PIB mundial para 40%, "superando de longe as previsões para o produto combinado do atual G-7".
Quanto à evolução do Índice de Desenvolvimento Humano, que não tem apenas em conta o produto e o rendimento, mas também a esperança de vida e a escolaridade da população, as Nações Unidas estão otimistas ao verificarem que "o ritmo de progresso do IDH foi mais rápido nos países que se situam nas categorias baixa e média do desenvolvimento humano. Trata-se de uma boa notícia", afirma o relatório, embora assinale que "não será desejável, nem sustentável, que os progressos no IDH sejam acompanhados pelo aumento das desigualdades de rendimento, padrões insustentáveis de consumo, despesas militares elevadas e uma fraca coesão social". 
"Como foi possível a tantos países do Sul mudar as suas perspetivas em matéria de desenvolvimento humano?", questiona a dada altura o relatório da ONU, apontando três fatores para explicar essa evolução: "um Estado pró-ativo no domínio do desenvolvimento; a exploração de mercados mundiais e uma aposta numa política social inovadora". No entender do relatório, estes fatores põem em causa as "abordagens preconcebidas e prescritivas: por um lado, põem de lado uma série de procedimentos coletivistas e geridos a nível central e, por outro, afastam-se da liberalização desenfreada adotada pelo Consenso de Washington".
esquerda.net

Países em desenvolvimento perdem US$ 8,4 trilhões por causa da corrupção


Alta comissária dos Direitos Humanos afirmou que dinheiro daria para alimentar 80 vezes os famintos no mundo inteiro; Navi Pillay disse que quase 870 milhões de pessoas dormem com fome todas as noites.
Corrupção atinge os mais pobres
Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*
A Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou que os países em desenvolvimento perdem todos os anos US$ 8,44 trilhões, o equivalente a R$ 16,8 trilhões, por causa da corrupção.
Segundo Pillay, esse valor é 10 vezes maior do que toda a ajuda externa recebida por essas nações. Os dados correspondem aos atos registrados entre 2000 e 2009.
A alta comissária disse ainda que o dinheiro desviado anualmente através da corrupção é suficiente para alimentar 80 vezes as pessoas que passam fome no mundo.
Fome
No pronunciamento, feito num Painel de Alto Nível sobre a Corrupção, a representante declarou ainda que cerca de 870 milhões de pessoas dormem diariamente com fome. A maioria é composta por crianças, cujos direitos à alimentação e à vida são negados devido a essa prática.
Pillay identificou o suborno e o roubo como fatores que provocam o aumento dos custos totais de projetos de fornecimento de água potável e saneamento em até 40% a nível global.
Educação
De acordo com a alta comissária, o dinheiro desviado dos cofres públicos poderia ser investido para atender às necessidades de desenvolvimento, tirar as pessoas da pobreza e proporcionar educação às crianças.
Navi Pillay disse que não há dúvidas de que a corrupção é um enorme obstáculo para se concretizar todos os direitos humanos, entre eles, o desenvolvimento humano e os direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais.
Ela enfatizou que a corrupção atinge primeiro e com maior força as pessoas mais pobres.
Cargos Públicos
Pillay afirmou que a corrupção viola os princípios fundamentais dos direitos humanos de transparência, da prestação de contas, da não discriminação e da participação significativa em todos os aspectos da vida comunitária.
O fenômeno é visto como um problema global e não restrito a países, regiões, sociedades ou tradições. Além de cargos públicos, Pillay apontou a presença da corrupção em áreas incluindo as empresas e até mesmo nos esportes.
Austeridade
Para períodos de austeridade, devido às crises econômica e financeira, Pillay apelou para a gestão transparente e responsável de fundos públicos. Ela também pediu que não haja expectativas de absorção das medidas de austeridade pelos pobres e marginalizados.
Pillay terminou o pronunciamento recomendando que seja dada uma resposta multifacetada à corrupção devido ao impacto sobre o desenvolvimento e os direitos humanos.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Justiça argentina condena à prisão perpétua último presidente da ditadura militar


A Justiça da Argentina condenou à prisão perpétua o ex-ditador Reynaldo Bignone e outros quatro ex-militares por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura do país (1976-1983). Foram julgados os crimes ocorridos no centro clandestino de Campo de Maio, envolvendo 23 vítimas, entre elas sete mulheres grávidas. A sentença foi emitida pelo Tribunal Federal de San Martín na última terça-feira (12).

Nas instalações do Campo de Maio, área militar localizada na Grande Buenos Aires, funcionava um dos maiores centros clandestinos de detenção do regime. Também uma maternidade ilegal para onde foram muitas mulheres sequestradas na época, hoje desaparecidas, que tiveram seus filhos raptados e levados para adoção.

O general Bignone já havia recebido outras três condenações. A última foi em 15 anos de prisão pela repressão no hospital Posadas de Haedo, ocupado militarmente com tanques e helicópteros em 1976.

Bignone, atualmente com 84 anos, foi o último presidente da ditadura militar argentina, que em sete anos deixou ao menos 30 mil civis mortos ou desaparecidos, segundo estimativas.

De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.

*Com informações do Opera Mundi.

Orçamento da União para 2013

Com 3 meses de atraso o Congresso Nacional aprovou o Orçamento da União para 2013. As despesas previstas são de R$ 2,28 trilhões, dos quais R$ 110,61 bilhões se destinam aos investimentos das estatais e R$ 610 bilhões ao refinanciamento da dívida pública. Também está incluído nesses cálculos o salário mínimo de R$ 678. A matéria irá à sanção.

Prevista para dezembro, a votação da proposta orçamentária (PLN 24/12) foi adiada devido à polêmica em torno da Lei dos Royalties do petróleo e a divisão dos recursos entre todos os estados e municípios do país, e não apenas entre os produtores. Após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o Plenário derrubou o veto na semana passada.


Imazon: Desmatamento e Degradação Florestal do Bioma Amazônia de 2000 a 2010


desmatamento
Souza Jr., C., Siqueira, J., Ribeiro, J., & Sales, M. 2013. Desmatamento e Degradação Florestal do Bioma Amazônia (2000 – 2010) (p. 2). Belém: Imazon.
O mapa de Desmatamento e Degradação Florestal do Bioma Amazônia foi produzido pelo Imazon para contribuir com o monitoramento da região. A metodologia aplicada gera simultaneamente o mapeamento do desmatamento e da degradação florestal [causada pela atividade madeireira e queimadas florestais] utilizando imagens do satélite Landsat. Os métodos existentes detectam e mapeam individualmente esses processos o que pode levar a sobreposição de resultados e aumento de incertezas nas estimativas de taxas anuais de desmatamento. Isso acontece porque a degradação florestal, nos casos mais intensos, pode ser confundida com desmatamento nas imagens Landsat. O desmatamento é um processo de conversão da floresta para outros usos da terra, como pastagens, áreas de cultivos agrícolas, mineração, ou mesmo, para fins de urbanização. Para isso, é necessário a remoção completa da cobertura florestal original, enquanto que a degradação florestal remove parcial e temporariamente essa cobertura. Por exemplo, na exploração madeireira ocorre a remoção de algumas árvores (3 a 5) por hectare e a abertura de estradas e pátios de estocagem de madeira; os incêndios florestais abrem clareiras com a queima de árvores, mantendo outras menos impactadas. Esses processos levam à redução dos estoques de carbono florestal orginais e da biodiversidade.
A metodologia apresentada neste estudo permite mapear o desmatamento e a degradação florestal simultaneamente diminuindo possíveis zonas de “confusão” no mapeamento desses dois tipos de processos. Outra contribuição importante é a capacidade de mapear desmatamentos de até um hectare.
Utilizamos imagens Landsat adquiridas no período de 2000 a 2010, cobrindo anualmente a maior parte do Bioma Amazônia, para produzir os primeiros resultados desse novo sistema de monitoramento do Imazon. Os dados [das imagens de satélites] são normalizados, no espaço e no tempo, e analizados de forma quantitativa, o que permite estabelecer regras de classificação automáticas genéricas e consistentes. Aplicamos também regras computacionais para detectar possíveis inconsistências de classificação ao longo do tempo e corrigir esses problemas. Por último, os mapas gerados com a classificação automática são inspecionados e editados por analistas para corrigir eventuais erros. Esses resultados do mapeamento são utilizados, posteriormente, para estimar a taxa anual de desmatamento e de degradação através de métodos matemáticos, para a data de referência de 1 de agosto [utilizada oficialmente pelo governo brasileiro para esse propósito].

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Juncker teme “guerra na Europa” e anuncia apoio a Merkel


Juncker teme guerra na Europa e anuncia apoio a Merkel

Na primeira entrevista que deu depois de ter deixado a presidência do Eurogrupo, o luxemburguês Jean-Claude Juncker advertiu que a questão “da guerra e da paz” está em aberto na Europa e anunciou, entretanto, que irá apoiar a senhora Merkel.

Em declarações ao semanário alemão Der Spiegel, Juncker afirmou que a intensificação dos conflitos na Europa lhe faz lembrar o cenário que se vivia há cem anos, imediatamente antes da Primeira Guerra Mundial. “Está redondamente enganado quem pensa que a questão da guerra e da paz já não se coloca”, disse.

As alusões do chefe do governo luxemburguês aos “paralelismos com 2013″ baseiam-se nas recentes situações eleitorais vividas em Itália e na Grécia, onde disse ter detectado “ressentimentos que julgávamos terem desaparecido para sempre”, embora sem especificar.

Sem manifestar, durante toda a entrevista, preocupação com a subida dos nacionalismos e da extrema direita desde o Báltico à Eslovênia  Juncker focou o problema dos conflitos na forma, segundo ele “muito anti-alemã e muito antieuropeia” como “decorreram as campanhas eleitorais na Itália e na Grécia”. Reconheceu, por outro lado, que a maneira como políticos alemães tratam a Grécia deixa “feridas profundas na sociedade grega”.

Jean-Claude Juncker anunciou que apoiará pessoalmente a chanceler Angela Merkel nas eleições gerais de setembro na Alemanha, à qual diz “estar muito ligado”. Considerou também que a saída da crise apenas será possível como “maior união” entre os países europeus.

Fonte: BE Internacional

terça-feira, 12 de março de 2013

Bancada ruralista quer flexibilizar leis trabalhistas e de trabalho escravo


Parlamentares da bancada ruralista querem flexibilizar leis sobre trabalho agrícola e semelhante ao escravo. Uma das medidas é incluir no relatório final da CPI do Trabalho Escravo, iniciada na Câmara em 2012, uma revisão do conceito de jornada exaustiva e trabalho degradante. Os ruralistas consideram a atual caracterização muito rígida e pretendem torná-la mais branda no texto da Proposta de Emenda à Constituição 438, a PEC do Trabalho Escravo.

Para o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), o fato das autuações por descumprimento de leis levarem em perda da propriedade não é correto. Segundo ele, não pagar algum “item que devia pagar” ao trabalhador “tem muita diferença” do que seria trabalho escravo. Nesses itens não pagos poderiam estar salários, horas extras e benefícios.

Outra proposta da bancada ruralista é a revisão da legislação trabalhista específica para o campo. De acordo com o deputado Moreira Mendes (PSD-RO), é preciso “mais flexibilidade em alguns pontos”. Ele destaca que as oito horas mais duas extras de jornada de trabalho diária não seriam suficientes em períodos de safra. Para ele, os trabalhadores rurais terem jornadas de mais de dez horas, sendo remunerados por isso, deveria ser algo permitido por lei.

A bancada ruralista pretende discutir o tema no Congresso e em audiências públicas para produzir um texto de projeto de lei.

De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.

*Com informações da Rede Brasil Atual.

As estrelas do fracasso

No ano em que se estima um custo de R$ 8,8 bilhões o Congresso Nacional torna-se cada vez mais debilitado, frequentes questões têm sido decididas pelo Supremo Tribunal Federal. 3.000 vetos presidenciais sem análise, são fatos que demonstram a insuficiência política nacional.

A cada eleição 'famosos" disputam cargos, mas por quê fazem isso? Certamente, não para fazer política. Nos último dias vi na internet 2 "cantores" de Bandas de "forró" anunciarem suas pré-candidaturas para 2014, nos resta pensar os motivos que levam pessoas tão destituídas da menor capacidade política a pensarem em ser candidatos, cantar em ma banda de "forró" é sinal claro de que não sabe sequer o significado de mínimas questões sociais.

Mas a resposta é que política não existe nos parlamentos brasileiros, o Congresso Nacional é hoje um balcão de negócios para oportunistas.


segunda-feira, 11 de março de 2013

Polícia reprime “indignados” gregos


Repressão surpreendeu os manifestantes que diziam seguir o exemplo de Portugal e fizeram um protesto contra a pobreza, o desemprego e os suicídios. Um vídeo registou a brutalidade dos polícias.
Polícia atacou sem ser provocada.
Milhares de pessoas manifestaram-se este domingo diante do Parlamento grego, seguindo uma convocatória que se espalhou pelas redes sociais e que apelava a seguir o exemplo de Portugal. O lema principal da manifestação foi “Pobreza, desemprego, suicídios. Basta!”
Os manifestantes começaram a concentrar-se a partir das 18 horas, numa manifestação colorida que levou balões, muitos cartazes feitos à mão, faixas.
Às 19 horas, porém, a polícia carregou inesperadamente sobre os manifestantes, sem avisar, a pretexto de impedir que o trânsito fosse cortado.
Um vídeo feito durante a repressão mostra quando os polícias tentavam algemar um manifestante que procurava evitá-lo e pediu auxílio. Outros manifestantes gritam-lhe que diga o nome, e o polícia tenta evitar que o faça, pondo-lhe a mão na boca e procurando evitar que se veja a sua cara. Ele consegue gritar o nome várias vezes.
Diante dos protestos dos manifestantes, outro polícia tenta afastá-los com o escudo e evitar as filmagens.
O protesto, com idas e vindas, só terminou às 21 horas.
Esquerda.net

Noam Chomsky: Quem é o dono do mundo?


Uma vez que ultrapassamos o marco dos estados nacionais, podemos ver que há uma mudança do poder mundial, mas a direção dessa mudança é da força de trabalho para os donos do mundo: o capital transnacional, as instituições financeiras mundiais, diz o pensador norte-americano Noam Chomsky, entrevistado por David Barsamian, do Alternative Radio.
Noam Chomsky: deveríamos assumir certa reserva ao falar sobre o declínio dos Estados Unidos. Foto de Andrew Rusk
David Barsamian – O novo imperialismo dos Estados Unidos parece ser substancialmente diferente da variedade mais antiga, uma vez que os Estados Unidos são uma potência económica em declínio e, portanto, estão vendo minguar seu poder e influência política.
Noam Chomsky – Eu penso que deveríamos assumir certa reserva ao falar sobre o declínio dos Estados Unidos. Foi na Segunda Guerra Mundial que os Estados Unidos realmente se converteram numa potência mundial. O país já era a maior economia do mundo muito tempo antes da guerra, mas era uma potência regional de certa forma. Controlava o Hemisfério Ocidental e tinha feito algumas incursões no Pacífico. Mas os britânicos eram a potência mundial.
A Segunda Guerra Mundial mudou essa situação. Os Estados Unidos converteram-se na potência mundial dominante. O país tinha a metade da riqueza do mundo. As outras sociedades industriais estavam debilitadas ou destruídas, enquanto os EUA estavam numa posição de incrível segurança. Controlavam o hemisfério, tanto do lado do Atlântico como do Pacífico, com uma enorme força militar.
Esse poder sofreu um declínio, sem dúvida. Europa e Japão recuperaram-se e ocorreu um processo de descolonização. Por volta de 1970, os EUA acumulavam cerca de 25% da riqueza do mundo; aproximadamente como era esse quadro, digamos, nos anos 20. Continuava a ser a potência mundial avassaladora, mas não como havia sido em 1950. Desde 1970, essa condição está bastante estável, ainda que tenham ocorrido mudanças, obviamente.
Na última década, pela primeira vez em 500 anos, desde as conquistas espanhola e portuguesa, a América Latina começou a enfrentar alguns dos seus problemas. Iniciou um processo de integração. Os países estavam muito separados uns dos outros. Cada um tinha uma relação própria na direção do Ocidente, primeiro Europa e depois Estados Unidos. Essa integração é importante. Significa que não é tão fácil dominar os países um a um. As nações latino-americanas podem unificar-se para se defender contra uma força exterior.
O outro acontecimento, que é mais importante e muito mais difícil, é que os países da América Latina estão a começar individualmente a enfrentar os seus enormes problemas internos. Com os seus recursos, a América Latina deve ser um continente rico, particularmente a América do Sul.
A América Latina tem uma enorme quantidade de riqueza, mas está muito concentrada nas mãos de uma pequena elite, de perfil europeizado e branca na sua maioria, existindo ao lado de uma enorme pobreza e miséria. Há algumas tentativas de começar a fazer frente a esse quadro, o que é importante – outra forma de integração – e a América Latina está, de algum modo, a afastar-se do controlo dos EUA.
Fala-se muito da mudança de poder mundial: a Índia e a China vão converter-se nas novas grandes potências, as potências mais ricas?
De novo aqui, devemos guardar reserva. Por exemplo, muitos observadores comentam sobre a dívida dos EUA e o facto de que, grande parte dela, está nas mãos da China. Há alguns anos o Japão detinha a maior parte da dívida dos EUA, mas foi superado pela China. Além disso, todo o marco para a discussão sobre o declínio dos Estados Unidos é enganoso. Ele leva-nos a falar sobre um mundo de estados concebidos como entidades unificadas e coerentes.
Na teoria das relações internacionais, há o que se chama de escola “realista”, que diz que vivemos num mundo de estados anárquico e que os estados procuram o seu “interesse nacional”. Isso é, em grande parte, uma mitologia. Há alguns interesses comuns, como a sobrevivência. Mas, na maioria das vezes, as pessoas têm interesses muito diferentes no interior de uma nação. Os interesses do diretor executivo da General Eletric e do funcionário que limpa o chão da sua empresa não são os mesmos.
Parte do sistema doutrinário nos Estados Unidos é formado pela pretensão de que todos somos uma família feliz, que não há divisões de classes, e que todos estamos a trabalhar juntos em harmonia. Mas isso é radicalmente falso.
No século XVIII, Adam Smith disse que as pessoas que dominam a sociedade fazem as políticas: os “mercadores e manufatureiros”. O poder hoje está nas mãos das instituições financeiras e das multinacionais. Estas instituições têm um interesse especial no desenvolvimento chinês. De modo que, digamos, o diretor executivo da Walmart, da Dell ou da Hewlett-Packard, sente-se perfeitamente contente de ter uma mão de obra muito barata na China a trabalhar sob condições horríveis e com poucas restrições ambientais. Enquanto na China houver o que se chama de crescimento económico tudo está bem.
Na verdade, há um pouco de mito neste tema do crescimento económico do país. A China é, em grande medida, uma linha de montagem. É um exportador importante, ainda que o défice comercial dos Estados Unidos com a China tenha aumentado, o défice comercial com Japão, Taiwan e Coreia diminuiu. O motivo é o desenvolvimento de um sistema de produção regional.
Os países mais avançados da região – Japão, Singapura, Coreia do Sul e Taiwan – enviam tecnologia avançada, partes e componentes para a China, que usa a sua força de trabalho barata para montar produtos e enviá-los para fora do país. E as corporações norte-americanas fazem a mesma coisa. Enviam partes e componentes para a China, onde são montadas e exportadas. É isso o que se chama de “exportações chinesas”, mas são exportações regionais em muitos casos e, noutros, é realmente um caso no qual os Estados Unidos estão a exportar para si mesmos.
Uma vez que ultrapassamos o marco dos estados nacionais como entidades unificadas sem divisões internas, podemos ver que há uma mudança do poder mundial, mas a direção dessa mudança é da força de trabalho mundial para os donos do mundo: o capital transnacional, as instituições financeiras mundiais.
Noam Chomsky é professor emérito de linguística e filosofia no Instituto Tecnológico de Massachusetts, em Cambridge (EUA). O seu último livro é "Power Systems: Conversations on Global Democratic Uprisings and the New Challenges to U.S. Empire. Conversations with David Barsamian".
Fonte: Futuro MX, via Rebelión
Publicado na Carta Maior. Tradução: Katarina Peixoto

Rosalba intensifica publicidade - Balcão oligárquico precisa de demagogia

Intensificou-se nas últimas semanas os apelos publicitários do governo do Rio Grande do Norte, em clara tentativa de mais uma vez levar o povo na conversa e na propaganda enganosa. Intensificou-se também as visitas da (des)governadora Rosalba Ciarline à canteiros de obras na cidades do interior.

O que sempre venceram as eleições no Rio Grande do Norte foi a demagogia e Rosalba investe pesado nessa especialidade das oligarquias potiguares, são propagandas de reforço na "segurança", novas viaturas, pintura de escolas tudo dentro da tradicional demagogia dos favores diretos.

Como aproximam-se as eleições de 2014 agora é a hora de apelar e o bando começa a se movimentar para mais uma vez "chupar o sangue fresco da manada. Os meios de comunicação ligados ao "senador" José Agripino exibem com frequência "entrevistas" com a governadora e, além disso a liga oligárquica José Agripino, Rosalba, Garibaldi Alves, Henrique Alves e o resto do bando vão agir mais intensamente tentando manipular a, infelizmente, frágil e anêmica politicamente opinião pública.

2014 não pode caber mais Maia, Alves, Rosado, Costa Queiroz, Rego e todo o resto dos anacrônicos oligarcas, tem que ser a hora de haver uma orientação para a política de verdade, esse balcão de negócios oligárquico emperra o desenvolvimento social do Rio Grande do Norte. Dar vergonha em ver Henrique Alves presidindo a Câmara Federal, Garibaldi sendo Ministro, Três senadores inúteis, 8 deputados federais ridículos, uma assembleia legislativa medíocre. Chega!