"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 18 de maio de 2013

O mal do serviço público como favor

Faz parte das estratégias de domínio e manipulação feitas pelas oligarquias que dominam o poder governamental no Rio Grande do Norte fazer do serviço público um favor. Um estado acívico que materializa toda uma histórica fragilidade política usada para restringir o domínio a uma restrita elite. E isso é pior do que um estado burguês funcionando conforme seus princípios, imagine se adentrarmos em uma análise de cunho sócio-político.

Já repeti por diversas vezes que o voto tem sido no Brasil não um instrumento democrático, mas sim de domínio absurdo, e isso não é uma simples característica comum a nosso como a nenhum outro povo, como afirmam pensamentos fascistoides,  é sim marca de uma situação histórica que economicamente faz com que seres humanos tenham sua humanidade emancipada negada em nome de interesses outros.

“Talvez fosse melhor mudar os costumes do mundo e tornar nosso habitat mais hospitaleiro à dignidade humana, de modo que amadurecer não exigisse o comprometimento da humanidade de uma criança” (Zigmunt Bauman)

A realidade não muda de direção atoa, o conformismo é colocado nas pessoas para que a situação que lhes é favorável permaneça imutável. por sorte a história nunca deixou de registrar os sujeitos da mudança, os que ousam lutar buscando uma realidade mais proveitosa ao gênero humano, muito me agrada essas últimas manifestações grandiosas de estudantes na cidade de Natal. Essa luta particularmente no Rio Grande do Norte, como em todo o Brasil, Monumento de injustiça social como afirmara Hobsbawn, deve evoluir e carregar as marcas da liberdade política e do humanismo.

O serviço público sendo passado como favor e o "favor" sendo recebido como gesto de "bondade"  é uma situação de domínio que precisa ser arrancada do seio de nossa sociedade, as pessoas não podem ficar presas dessa maneira em uma mentalidade de escravo. Há  hospital sendo usado como moeda de compra de votos.

A Câmara de vereadores são casas de trapaceiros em termos de "costumes" que fazem desse cargo uma inutilidade pública, o favor determina esse voto.

Fascistas gregos gritam "Heil Hitler" no Parlamento


Deputado do partido neonazi Aurora Dourada insulta o líder do Syriza, Alexis Tsipras, e é expulso do plenário durante o debate da lei que agrava as penas para crimes racistas.
Deputados neonazis no Parlamento grego. Foto do Left.gr
Um deputado do partido neonazi grego Aurora Dourada foi expulso do plenário por insultar o líder do Syriza, Alexis Tsipras, ao mesmo tempo que outro parlamentar do mesmo partido gritou várias vezes "Heil Hitler".
O incidente ocorreu durante o debate sobre o projeto de lei que prevê o endurecimento das penas para crimes racistas. O deputado Panayiotis Iliópulos dirigiu insultos como "cabras" e "vendidos" a outros parlamentares, e particularmente a Tsipras.
O presidente do parlamento decidiu então expulsar Iliópulos do hemiciclo, o que provocou o protesto da bancada do Aurora Dourada, cujos 18 deputados abandonam em grupo a sala. No meio da gritaria, ouviu-se três vezes a exclamação "Heil Hitler", que algumas testemunhas atribuíram ao líder parlamentar, Christos Papas.
A nova lei prevê penas de 3 meses a 6 anos de prisão, multas de até 20 mil euros e a privação dos direitos políticos até um máximo de três anos para aqueles que publicamente, seja de maneira verbal ou através dos meios de comunicação ou da Internet, promovam o ódio ou os ataques contra grupos identificados pela sua raça, cor, religião ou orientação sexual.
O projeto também pune a negação de crimes contra a humanidade e genocídios, bem como a propaganda e o uso de símbolos nazis e fascistas, e considera agravante a utilização do Parlamento para difundir este tipo de discursos.
Em caso de as ofensas serem cometidas pelo líder, o porta-voz ou o representante de um partido político, a multa ascenderá até 300 mil euros e poderá privar a organização de receber fundos públicos, o que poderia ser aplicado a este incidente, caso a lei já estivesse em vigor.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Relatório Figueiredo. “Exame de consciência de como o Brasil tratou e trata os povos indígenas". Entrevista especial com Spensy Pimentel


“Como criar a possibilidade de ouvir constantemente os povos indígenas num espaço como o Congresso? Se dependermos exclusivamente de uma disputa de votos em eleição direta, vai ficar difícil”, afirma o antropólogo. 

Confira a entrevista Publicada no Portal IHU online

Foto: www.pragmatismopolitico.com.br
“A ida da ministra Gleisi Hoffman ao Congresso, na semana passada, anunciando a revisão da forma como são demarcadas as terras indígenas, assinala um agravamento da crise”, dizSpensy Pimentel à IHU On-Line, em entrevista concedida por e-mail. Para o antropólogo, transferir a responsabilidade do processo de demarcação das terras indígenas no Mato Grosso do Sul para a Embrapa não é uma solução. “Num momento como este, o que precisa ficar claro é que a Funai precisa ser, além de respaldada e apoiada, fortalecida. O que não pode ocorrer é que ela seja esvaziada. Não se trata de retirar poderes da Funai, trata-se de dar a ela condições de cumprir o papel que deveria cumprir e de colocar outros órgãos para ajudá-la”, assinala. E dispara: “Ainda que a Funai tivesse o orçamento e os recursos humanos para fazer o que tem que ser feito, ela precisaria de um respaldo político que está além do seu alcance. É preciso que a Presidência da República e o Ministério da Justiça assumam sua responsabilidade”. 

Na avaliação de Pimentel, apesar de o Estado brasileiro, através da Comissão Nacional da Verdade, ter dado início a uma revisão da historiografia indígena, “no seu afã de promover o desenvolvimento, ainda há muita dificuldade de dialogar com os povos indígenas quando se trata de levar projetos a regiões onde eles estão presentes. É preciso olhar o passado para tentar fazer diferente. Não é possível que se construam usinas no Xingu ou no Tapajós como se construiu Itaipu, sem o menor respeito aos povos indígenas”. 

Na entrevista a seguir, Spensy Pimentel também comenta os desdobramentos do Relatório Figueiredo, elaborado entre 1967 e 1968, que documenta casos de tortura e trabalho escravo entre os indígenas brasileiros durante a ditadura militar. “Documentos como o Relatório Figueiredo podem ser importantes para que o país se repense, para que nós façamos um exame de consciência em relação à forma como o Brasil tratou e ainda trata os povos indígenas”, aponta.

Spensy Pimentel é doutor e mestre em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo – USP, onde graduou-se em Jornalismo. 

Confira a entrevista. 
 
IHU On-Line  O que é o Relatório Figueiredo e quais as principais denúncias feitas nele?

Foto: www.estradasecaminhos.blogspot.com.br
Spensy Pimentel – Em síntese, poderíamos dizer que é um relatório feito entre 1967 e 1968 por um funcionário do Ministério do Interior, após encomenda do ministro à época a fim de apurar repetidas denúncias que eram feitas na imprensa e no meio político acerca de problemas no Serviço de Proteção ao Índio – SPI. A tal ponto esse conjunto de denúncias repercutiu que o SPI foi dissolvido, e em seu lugar se criou a Fundação Nacional do Índio – Funai.

Mas dizer isso é dizer muito pouco, na verdade. Creio que ainda estamos entendendo o que é o Relatório Figueiredo e quais são suas consequências. É preciso avançar numa compreensão mais ampla do que foi todo esse processo de investigação e denúncia dos abusos do antigo SPI ao longo dos anos 1960. Como tem refletido o pesquisador Marcelo Zelic, do Tortura Nunca Mais, que tem sido o divulgador dessa cópia do documento que foi encontrada, a coisa toda começou com uma CPI, ainda no governo Jango, mas depois o golpe de 1964 atrapalhou o andamento da discussão pública a respeito do que estava havendo. É hora de retomar essa conversa, encontrar as pessoas que participaram dela e que ainda estão vivas, para entender melhor tudo isso.

IHU On-Line  O que o Relatório Figueiredo aponta, especificamente, em relação ao Serviço de Proteção aos Índios SPI? 

Spensy Pimentel – É preciso observar que, independentemente de “fulanizar” a discussão, de pensar o relatório como um conjunto de acusações nominais, com finalidade administrativa, temos um relato de alguém que visitou mais de 130 postos indígenas na época, ao longo de uma viagem que percorreu diversas regiões do país. Isso é suficientemente representativo, me parece, para percebermos traços recorrentes, que definem, como um todo, um modo de agir do Estado brasileiro na época em relação aos povos indígenas. 

Os funcionários não agiam como agiam por inclinação pessoal, simplesmente. Não se trata de problemas localizados, isolados. O que aconteceu naquela época foi que o país se olhou no espelho, percebeu o que tinha sido o resultado nefasto de um projeto que tinha começado com um tom humanista, com a figura do Marechal Rondon, e que tinha saído completamente do rumo. 

E mais: as pessoas, talvez, tenham tido a oportunidade de perceber que o próprio impulso “humanista” que tinha fundado o SPI era um equívoco, porque, muitas vezes, estava ligado a um projeto de transformar o índio, de civilizá-lo, de “melhorá-lo” (o que queria dizer: torná-lo igual a nós), em vez de ser um projeto de chegar até esses outros que são os povos indígenas para conhecê-los e, por meio desse contato, nós mesmos nos alterarmos.  

Além disso, claro, há nesse documento evidências importantes sobre vários casos de esbulho e de violência que poderão ajudar a entender melhor o tamanho da dívida que o país tem com vários povos indígenas.

IHU On-Line  Estudiosos da questão declararam que o Relatório Figueiredo pode servir para corrigir injustiças históricas. Em que sentido isso tende a acontecer e como, a partir dele, será rediscutida a historiografia em relação aos indígenas?

Spensy Pimentel – Em primeiro lugar, o relatório é uma oportunidade para rediscutir a historiografia do regime militar como um todo. Fica claro que a repressão no campo, na floresta, longe das cidades, foi a “outra face da moeda” da ditadura. Nas grandes cidades, os opositores eram calados. Mas, o que muitos desses opositores – muitas vezes, jornalistas, pesquisadores etc. – revelariam caso tivessem oportunidade? Justamente o tipo de barbárie que se vê no relatório: abusos que eram praticados em nome da civilização, do desenvolvimento, do progresso, tudo o que estava no cerne da ideologia aplicada pelos militares.

Há, evidentemente, diversos casos em que poderá ajudar não só esse documento, mas vários outros que certamente hão de vir à luz com os debates propiciados pela Comissão Nacional da Verdade. Por enquanto, é hora de estudar os relatos e procurar os grupos indígenas citados para entender melhor as denúncias, que, durante muito tempo, foram abafadas.

Por exemplo, como já tem vindo à tona, há as terras kadiweu, no Pantanal, que haviam sido concedidas por Dom Pedro II como recompensa pelo apoio dos indígenas na Guerra do Paraguai – boa parte delas foi tomada com a conivência de funcionários corruptos, e o documento talvez possa ajudar a provar isso na Justiça. 

Guarani 

Há questões como a dos Guarani que estão no litoral do Sudeste: o documento mostra muitas denúncias sobre torturas, humilhações e trabalho forçado nos postos indígenas do Paraná e da região Sul, de modo geral. Com esse tipo de informação, poderemos entender melhor qual foi o sentido de muitos desses indígenas se deslocarem para as matas da Serra do Mar: eles estavam fugindo de uma situação de opressão. 

Temos até muitos casos de Guarani que tiveram de fugir do país, cruzar a fronteira para o Paraguai, ou a Argentina, a fim de escapar da perseguição que era movida por fazendeiros e por agentes públicos. Absurdamente, hoje, quando eles, ou seus filhos, retornam ao país para cobrar seus direitos, são acusados de serem estrangeiros.

No fim das contas, documentos como o Relatório Figueiredo podem ser importantes para que o país se repense, para que nós façamos um exame de consciência em relação à forma como o Brasil tratou e ainda trata os povos indígenas.

Nós já tivemos, nos últimos 25 anos, uma pequena revolução na forma de tratar a questão negra. A tese da “democracia racial”, de uma “escravidão cordial” é cada vez mais uma peça de museu. Os negros vêm conquistando cada vez mais espaços na sociedade brasileira. 

Falta ainda, contudo, penso eu, que o país pare para repensar a questão indígena. Por exemplo, ainda é muito comum que as pessoas aprendam que a escravidão indígena não foi algo significativo na nossa história. Os povos indígenas foram, sim, vítimas do trabalho forçado – e, por sinal, em muitas regiões, têm sua força de trabalho explorada de forma terrível até hoje. Vide, por exemplo, as várias operações de fiscalização que flagraram indígenas trabalhando em condições análogas à escravidão em usinas de açúcar e álcool em Mato Grosso do Sul. Não é por acaso que no período colonial os indígenas foram chamados de “negros da terra” (em oposição aos negros que vinham da África). 

Os povos indígenas não são um resquício do passado, eles são parte do nosso presente, e é junto com eles que o país poderá construir o seu futuro, que será tão mais brilhante quanto mais nós tenhamos capacidade de incluí-los, enquanto povos, nessa discussão sobre o futuro. Porque, ao prever um espaço para eles no futuro do país, estamos alargando nossa perspectiva de mundo, estamos criando um mundo onde podem caber muitos mundos, para usar uma imagem proposta pelo movimento indígena mexicano.

IHU On-Line  Qual a repercussão nacional e internacional da descoberta do Relatório Figueiredo? As informações são de que ele está quase intacto depois de 45 anos. 

Spensy Pimentel – Por enquanto, como eu dizia, os estudiosos ainda estão acessando o documento para conferir melhor o que há de novidade. De qualquer modo, a descoberta do relatório, evidentemente, atrai atenção da imprensa, dos pesquisadores mais jovens, e isso pode ser positivo para que tenhamos um fôlego novo no estudo dessa temática. (São milhares de páginas, fazendo-se preciso muita dedicação.) 

Isso é fundamental porque é preciso que não se perca a indignação com o que está retratado aí. Sobretudo, que não se perca a indignação em função de picuinhas, de questões menores. Não se pode descredenciar o documento por causa de uma acusação de corrupção que não possa ser provada, quando ele traz dezenas de acusações de tortura, violência sexual, escravidão que podem ser comprovadas facilmente pelo testemunho, a memória de centenas de indígenas espalhados país afora.

IHU On-Line  Quais são os elementos para uma teoria política kaiowá e guarani e em que ela consiste?

Spensy Pimentel – Esse é o tema de minha tese de doutorado. A ideia foi investigar como os Kaiowa e Guaranipensam e agem em relação àquilo que nós costumamos chamar de “política”. Eu busquei entender o sentido da ação das lideranças, dos xamãs – essa parte do estudo pode ser conferida no vídeo “Mbaraka – A Palavra que age” –, sobretudo no movimento Aty Guasu (grande reunião), que surge em torno da organização de grandes assembleias, desde os anos 1980. 

Embora não tenham merecido muita atenção por aqui nas últimas décadas, as assembleias indígenas como as Aty Guasu são, desde os primeiros contatos com os europeus, uma fonte de imensa aprendizagem política. Para que se tenha ideia, as assembleias da Liga Iroquesa, no século XVIII, foram uma grande fonte de inspiração para o debate em torno da Constituição dos Estados Unidos. 

Um olhar mais atento ao movimento indígena pode revigorar nossa reflexão e nossas práticas políticas – é o que tem acontecido no México desde os anos 1990, a partir do levante zapatista. As assembleias indígenas guardam importantes lições sobre democracia e autonomia. Os xamãs também nos convidam a olhar o meio ambiente de outra forma, questionando essa tendência ocidental de tratar terra, plantas e animais como “recursos naturais” – como algo de que se extrai proveito econômico meramente. Uma atenção à relação dos indígenas com suas lideranças também pode ser importante para que nos questionemos sobre a forma passiva, alienada, como nos comportamos, muitas vezes, em relação a nossos governantes.

IHU On-Line  Enquanto a Comissão Nacional da Verdade investiga os crimes cometidos contra indígenas no país, os parlamentares brasileiros sugerem várias Propostas de Emenda à Constituição, a exemplo da PEC 215, e o governo federal assume uma postura de garantir o desenvolvimento nacional desconsiderando a ocupação dos territórios indígenas. Como vê essa postura do Estado brasileiro em relação à questão indígena?

Spensy Pimentel – O momento é, evidentemente, gravíssimo, como muitos já têm dito. É um momento de crise profunda. Eu poderia fazer muitas críticas, mas isso não vai ajudar a resolver os problemas. 

Estamos num momento novo, em que o Brasil não é mais aquele país pobre, subdesenvolvido, a quem os Estados Unidos ou a Europa podiam mandar “ajoelhar no milho” por conta de algum problema interno nosso.

Temos de passar, aqui mesmo, no Brasil, por um processo de discussão mais séria a respeito da relação do país com os povos indígenas. As coisas ainda são muito mal resolvidas. 

O Estado brasileiro, no seu afã de promover o desenvolvimento, ainda tem muita dificuldade de dialogar com os povos indígenas quando se trata de levar projetos a regiões onde eles estão presentes. É preciso olhar o passado para tentar fazer diferente. Não é possível que se construam usinas no Xingu ou no Tapajós como se construiu Itaipu, sem o menor respeito aos povos indígenas. 

Também há muitos esqueletos no armário, quando se trata da questão fundiária. Injustiças horríveis foram cometidas ao longo do século XX, isso precisa ser reconhecido. Em lugares como o Mato Grosso do Sul -MS, a fronteira agrícola avançou literalmente atropelando povos como os Guarani-Kaiowá.

Não é só o poder público que precisa ser cobrado, há o empresariado também. Nosso agronegócio é um destaque mundial hoje, e não é possível que as empresas do setor – frequentemente, multinacionais enormes – sejam tão insensíveis à necessidade de resolver a questão fundiária em lugares como MS. O clima de insegurança não é bom para ninguém, mas não adianta os ruralistas ficarem tratando os indígenas como idiotas, como se eles fossem manipulados por antropólogos e indigenistas “alinhados com interesses estrangeiros” (quando falam isso, me sinto como na época da Guerra Fria, sendo acusado de “agente comunista”).

Diálogo

A democracia é um processo em permanente construção. As pessoas precisam aprender a conversar. O sinal mais evidente de que precisamos aprimorar nossa forma de diálogo com os povos indígenas veio daquela cena da ocupação do plenário do Congresso por centenas de lideranças, algumas semanas atrás. Nós vamos nos assustar e correr, como aqueles deputados fizeram, num primeiro momento?

É preciso incluir esse tipo de desafio quando se discute, por exemplo, uma reforma política para o país. Como criar a possibilidade de ouvir constantemente os povos indígenas num espaço como o Congresso? Se dependermos exclusivamente de uma disputa de votos, em eleição direta, vai ficar difícil. Até hoje, só um indígena, o xavante Mario Juruna, conseguiu ser eleito deputado, nos anos 1980 – e foi para um só mandato, e ainda por cima, pelo Rio de Janeiro, graças à proximidade dele com o Darcy Ribeiro, não pelo Mato Grosso, estado natal dele.

IHU On-Line  Além de reconhecer as injustiças históricas, quais medidas deveriam se esperar do Estado brasileiro?

Spensy Pimentel – O mais urgente seria encarar as situações críticas, em termos fundiários, como a de Mato Grosso do Sul, criando mesas de negociações, incluindo fazendeiros e indígenas. Estamos todos lidando com situações que não foram construídas no tempo de um governo; elas são resultado de décadas de erros, omissões e violências.

Além disso, em relação aos empreendimentos que afetam terras indígenas – na Amazônia, sobretudo –, é urgente que se estabeleça diálogo quanto ao que está previsto na Convenção 169 da OIT, que exige consultas prévias às populações afetadas por projetos como as usinas hidrelétricas. Não há um acordo sobre como devem ser realizadas essas consultas, e isso dificulta muito a situação. Não adianta fazer de conta que a convenção não existe – ela foi ratificada pelo Congresso brasileiro em 2002 e, depois, promulgada por decreto presidencial em 2004! 

Também, é preciso mais seriedade na fiscalização das condicionantes que as empresas assumem nesses projetos. A falta de compromisso em relação a essa questão está desmoralizando o processo e gerando posturas cada vez mais radicais, porque desesperadas, diante da falta de diálogo, da indiferença.

IHU On-Line – Como avalia os últimos acontecimentos em torno da questão indígena no país, especialmente a possibilidade de a Embrapa ser responsável por demarcar as terras indígenas no MS, e a tentativa de esvaziar a Funai?

Spensy Pimentel – A ida da ministra Gleisi Hoffman ao Congresso, na semana passada, anunciando a revisão da forma como são demarcadas as terras indígenas, assinala um agravamento da crise que eu apontava numa das respostas acima. 

No momento, estamos todos ansiosos para conhecer as propostas que o governo fará. Creio que muitos de nós – sobretudo os que, como eu, têm visto de perto situações graves como a de MS – reconhecerão que o governo precisa, mesmo, agir, porque deixar toda a responsabilidade pela mediação dos conflitos com a Funai é algo temerário.

Agora, num momento como este, o que precisa ficar claro é que a Funai precisa ser, além de respaldada e apoiada, fortalecida. O que não pode ocorrer é que ela seja esvaziada. Não se trata de retirar poderes da Funai; trata-se, isto sim, de dar a ela condições de cumprir o papel que deveria cumprir e de colocar outros órgãos para ajudá-la. Em alguns casos, seria até necessário organizar um mutirão de diversos órgãos do governo federal. Por exemplo, o casoguarani-kaiowá é extremamente complexo, uma verdadeira crise humanitária, envolve assassinatos, suicídios, mortes por desnutrição infantil (fome), todas as mazelas imagináveis.

Funai jamais será capaz de cuidar disso sozinha. Embora o movimento indígena por lá sempre enfatize que a demarcação de terras é condição sine qua non para enfrentar a crise, isso precisa ficar claro. Ainda que a Funai tivesse o orçamento e os recursos humanos para fazer o que tem que ser feito, ela precisaria de um respaldo político que está além do seu alcance. É preciso que a Presidência da República e o Ministério da Justiça assumam sua responsabilidade. 

Sei que os marqueteiros que hoje guiam os passos de nossos governantes jamais os aconselhariam a enfrentar esse tipo de situação. Sejamos claros: usando o jargão, é algo que “não dá voto”, um tema espinhoso, com grandes chances de abalar imagens de incautos. Falar bobagem quando se está tratando de povos indígenas é muito fácil.

Realpolitik

Num país como o Brasil, o bom trato com a questão indígena ajuda a definir o grau de nobreza de um governo. Porque os indígenas, aqui, não são expressivos, em termos eleitorais, mas eles são um componente da mais alta relevância no que se refere a nossa história e nossa identidade como brasileiros. 

É preciso que exijamos do governo algo além de uma atitude pragmática, de uma realpolitik que ignora um passado de altos ideais de toda a militância de esquerda deste país. Chico Mendes, por exemplo, foi um petista de primeira hora! O que ele diria sobre o que se passa hoje com a Amazônia, com os povos indígenas?

Oxalá o Relatório Figueiredo ajude as pessoas que têm um passado de luta contra a ditadura a perceber que elas e os indígenas estiveram juntos, do mesmo lado, naquele período, e que, hoje, seus representantes neste governo estão se aliando, muitas vezes, com os antigos inimigos.

IHU On-Line  A partir das suas pesquisas, quais são as dificuldades para entender os povos indígenas? 

Spensy Pimentel – A dificuldade principal vem do fato de que quem inventou o “índio” fomos nós, não foram eles. Quem chegou aqui e, por sinal, de forma equivocada, chamou as pessoas de “índios”, em alusão à Índia, foram os europeus. Nós é que temos na cabeça uma espécie de índio imaginário que atrapalha muito nossas conversas, porque, o tempo todo, pensamos que eles devam ser aquilo que aprendemos desde pequenos: que devam andar nus, morar “na oca”, fazer a “dança da chuva”, falar “tupi-guarani”, ter “pajé e cacique” etc. O mais absurdo é que, se eles não correspondem a essa nossa ideia de índio, parecem ser “menos índios” aos nossos olhos. É preciso fazer uma espécie de faxina mental para retirar essas ideias, esses fantasmas, e começar a construir novas imagens a partir de um diálogo real com os povos indígenas.

Estamos falando de 305 grupos indígenas, com 274 línguas diferentes, vivendo em 688 terras indígenas, espalhados por lugares tão distintos como a Serra do Mar, o Alto Rio Negro, o Pantanal, a Caatinga e em cidades grandes e pequenas, de todas as regiões do país. Já está mais que na hora de o brasileiro deixar de lado algumas ideias simplórias sobre os povos indígenas.

O caminho para isso passa, sobretudo, pela escola. Os professores têm de ser convocados a essa tarefa. Já temos o instrumento legal, a lei 11.645, de 2008, que institui a obrigatoriedade do ensino sobre a história e as culturas indígenas. Agora, a população tem que cobrar nos estados e municípios a aplicação da lei.

Genocida argentino Jorge Videla morreu na prisão


Aos 87 anos, o ditador responsável pelo terror na Argentina entre 1976 e 1981 morreu na sua cela, sem nunca mostrar arrependimento pelos crimes contra a Humanidade de que foi condenado. As famílias dos mais de 30 mil desaparecidos continuam a reclamar justiça, verdade e memória.
Videla em 1978. Foto wikimedia commons

O ditador Jorge Videla foi julgado e condenado a prisão perpétua, quatro anos após o derrube da ditadura, pela prática de homicídios, tortura e sequestros. Mas em 1990 foi amnistiado pelo então presidente Carlos Ménem. 
Oito anos depois voltou a prestar contas à justiça por causa do esquema de raptos de recém-nascidos e crianças por altas figuras da ditadura e acabou por conseguir a prisão domiciliar. Um tratamento excepcional que não durou muito tempo, regressando à prisão em 2008 para passar os últimos anos de vida. Foi novamente condenado em 2010 e o último julgamento em 2012 valeu-lhe nova condenação a 50 anos de prisão.
Jorge Videla nunca expressou arrependimento nem pediu desculpa pelo genocídio praticado na sua ditadura sangrenta e até chegou a exigir uma indenização ao Estado argentino por danos morais. A extensão dos crimes da ditadura argentina nunca chegará a ser determinada com exatidão, mas as ONG e associações de familiares das vítimas, como as Mães e as Avós da Praça de Maio, calculam em redor de trinta mil pessoas cujo paradeiro é desconhecido desde a segunda metade da década de 1970. A ditadura de Videla ficou ainda marcada pelo cunho neoliberal das suas políticas, na linha do ditador chileno Augusto Pinochet, e contava igualmente com a proteção política de Washington.
"O Estado não deve festejar a sua morte, mas a justiça que foi feita"
Em reação à morte de Videla, o responsável governamental argentino dos Direitos afirmou que "o Estado não deve festejar a morte de alguém" e preferiu destacar que "tenha havido justiça" para o ditador ainda em vida nos últimos dez anos. Martín Fresneda sublinhou ainda que Jorge Rafael Videla foi "um dos responsáveis pelos principais horrores que o povo argentino já viveu" e que este é mais um dia "para refletir que esses tempos se vão acabando" no país.
"A justiça pôde julgar o principal responsável do genocídio neste país antes da sua morte, e é isso que festejo: a justiça", concluiu Fresneda. 

Revolta do Busão: mostre o que é democracia

Devido aos protestos contra o aumento nas passagens de ônibus em Natal a manipuladora mídia conservadora do RN tem trazido uma série de argumentos no sentido de criminalizar e colocar a sociedade contra a atitude brilhante dos estudantes. Sempre tentando encontrar um estado de perfeição democrática exaltam valores que estariam sendo feridos pelos "vândalos".

Hoje um "jornalista" chegou a dizer que o manifesto já era uma bagunça porque estava atrapalhando a vida do cidadão trabalhador, e que a democracia garante ao cidadão direitos mas impõe deveres, ora de onde ele foi buscar essa democracia, isso em um estado onde a mídia pertence a oligarquias, as informações são manipuladas, o voto é doente e a cidadania sequer existe.

A atitude dos estudantes é grandiosa e deve ser apenas um estímulo para que atos políticos, com P maiúsculo, se espalhem pelo estado inteiro e que venham a por liberdade em cima do jugo do oligarquismo.

Democracia jamais será algo dado, algo vindo de um livrinho a cada semana remendado, e repito no Rio Grande do Norte a situação sempre fora absurdamente autocrática, o mandonismo de oligarcas e a servidão popular faziam e ainda fazem da política um jogo de cartas marcadas.

Pedir cadeia para todo mundo, buscar princípios onde não existem isso não pode ser levado em consideração, se estamos em uma situação de domínio não há por que não se rebelar e ir para às ruas. Só acho que esse movimento precisava investir mais na denúncia contra o oligarquismo, mas aqueles que o fazem são os donos da liberdade potiguar.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Com um ano em vigor, Lei de Acesso à Informação ainda é pouco aplicada


 Com um ano em vigor, completado nesta quinta-feira (16), a Lei de Acesso à Informação ainda está longe de ser aplicada em todo o país. Dados divulgados pela Controladoria-Geral da União (CGU) demonstram que, até o início do ano, a norma estava regulamentada em apenas 12 estados.
De acordo com o levantamento feito pela CGU, dos 253 municípios com população superior a 100 mil habitantes, a lei está em funcionamento somente em 8% deles.
Na análise por capitais, o balanço também aponta a dificuldade de implementação da regulamentação. Em 37% delas a norma não está sendo cumprida, como em Rio Branco (AC), Brasília (DF), Vitória (ES), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP.
Em entrevista concedida ao programa Bom Dia Ministro na última quarta-feira (15), o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, falou sobre o primeiro ano de implementação da lei. Hage destacou o processo de abertura das gestões públicas a partir da regulamentação.
“No primeiro dia de vigência da lei, o Banco Central foi além do que a lei manda e abriu os votos das reuniões do Copom, onde se discute a mudança na taxa de juros. Aquilo era um tabu, era uma chamada caixa preta, entretanto, foi aberto como consequência desse clima de abertura, de transparência, que a lei trouxe.”
Com a abrangência nacional, a Lei de Acesso à Informação obriga órgãos públicos a prestarem informações sobre suas atividades a qualquer cidadão que fizer uma solicitação. Os órgãos devem disponibilizar em suas páginas na internet seção específica para a divulgação dos dados.
Desde que a lei entrou em vigor até o início deste mais, o governo federal recebeu mais de 87 mil solicitações de informação.
De São Paulo, da Radioagência NP, Daniele Silveira.

Estudantes em Natal fazem ato histórico contra a dominação oligárquica no RN

Os programas policiais da cidade de Natal dedicaram seus horários imbecis para sensacionalizar e dramatizar o protesto promovido pelos estudantes da capital potiguar em ato histórico em uma terra, que como afirmamos cotidianamente, é sufocada pelo domínio de oligarquias como as que controlam a Prefeitura de Natal e o Governo do Estado. Manter o povo sob seu domínio, sem exercitar uma política efetivamente cidadã, apenas lhes rendendo voto manipulado é parte da estratégia desses grupos parasitas.

Numa terra onde a política deve ser o depósito do voto em algum oligarca a atitude de ir para as ruas causa desespero, ensinar a população que não deve ela procurar um oligarca para ser seu líder e sim, ela deve ser sua própria força política, por isso da truculência por parte da polícia.

Atitudes que precisam se espalhar por todo o estado, no interior o domínio é tão infeliz que as pessoas dizem ser do Verde do Vermelho, a disputa antiga entre grupinhos que abusam do poder, administrações lotadas de funcionários vendidos durante a campanha, apadrinhados, situações que precisam ser derrubadas pelo povo com a política sua.


Polícia reprime protesto contra aumento da passagem de ônibus em Natal


PM usou balas de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral para dispersar manifestação pacífica de estudantes e trabalhadores. Movimento luta contra aumento na tarifa do ônibus de R$ 2,20 para R$ 2,40. Vereadora Amanda Gurgel (PSTU) tentou impedir a violência
Manifestantes fecharam uma das principais avenidas da cidade
O protesto do movimento “Revolta do Busão”, que luta contra o aumento na tarifa de ônibus em Natal (RN), foi violentamente reprimido pela Polícia Militar na noite desta quarta-feira, 15. A PM usou balas de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral para dispersar uma manifestação pacífica de estudantes e trabalhadores. Várias pessoas ficaram feridas.

Cerca de 3 mil manifestantes participaram do ato público, que fechou uma das marginais da BR 101 e ocupou a Av. Salgado Filho, uma das principais vias de Natal. O protesto foi organizado pelas redes sociais para impedir o aumento no valor da passagem de ônibus de R$ 2,20 para R$ 2,40, autorizado pela prefeitura no último sábado, dia 11.

Repressão
A violência policial teve início nas imediações do Shopping Portugal Center, logo após uma longa caminhada da manifestação. Segundo relatos de pessoas que estavam presentes no momento, a repressão começou quando policiais passaram a agredir uma professora durante a passeata. A vereadora Amanda Gurgel (PSTU) e o vereador Marcos Antônio (PSOL), que acompanhavam o ato, entraram na frente dos PMs para impedir a agressão e tentar acalmar os ânimos.

Manifestante ferido
No entanto, minutos depois, a polícia iniciou uma violência generalizada para dispersar o protesto. A estudante do curso de História da UFRN e militante da Assembleia Nacional de Estudantes - Livre (ANEL), Géssica Régis, foi atingida por spray de pimenta. Ela passou mal e chegou a desmaiar. Outros estudantes foram feridos por balas de borracha disparadas pela polícia. “Já estamos bem. Fomos atacados pela repressão do prefeito Carlos Eduardo, eu e vários companheiros. Mas não vamos desistir. Nossa organização e força serão ainda maiores”, disse Géssica.

Para a vereadora Amanda Gurgel (PSTU), a repressão ao protesto revela realmente de que lado está o prefeito Carlos Eduardo (PDT) e mostra sua completa submissão aos interesses do Sindicato dos Empresários do Transporte Urbano, o Seturn. “A responsabilidade por essa violência policial é do prefeito Carlos Eduardo e também da governadora Rosalba Ciarlini, que permitiram a repressão policial para beneficiar os lucros dos empresários do transporte. Isso é um absurdo”, criticou Amanda.

Horas antes do protesto, o Seturn havia conseguido uma liminar na justiça que proibia os estudantes de fecharem a BR 101 e garantia um grande efetivo policial para impedir a manifestação.

“Esse aumento é um roubo!”
Desde que foi anunciado o aumento na passagem de ônibus, o PSTU e o mandato da vereadora Amanda Gurgel tem se movimentado para impedir o reajuste. Nesta quarta-feira, na Câmara de Natal, a vereadora apresentou um requerimento pedindo à prefeitura a suspensão do aumento na tarifa. Amanda expôs diversas razões para isso, a exemplo da redução da frota, da extinção de linhas e do péssimo serviço prestado. O pedido da vereadora não pode ser votado por falta de quórum no Plenário. A sessão foi suspensa e a votação do requerimento será retomada nesta quinta-feira.

A vereadora Amanda Gurgel também destaca que o transporte público em Natal é um verdadeiro caos, com ônibus lotados, passageiros esperando horas nas paradas e uma frota antiga e desconfortável. Com o aumento para R$ 2,40, que passa a valer a partir do próximo sábado, a tarifa do ônibus na cidade será a segunda mais alta entre as nove capitais do Nordeste. “Esse reajuste vai aumentar ainda mais os lucros dos empresários do transporte, que já têm sido beneficiados com o fim de várias linhas, como a 03 e a 28, alterações de trajetos e motoristas em dupla função. Esse aumento é um roubo, e com a permissão da prefeitura”, denuncia.

Amanda lembra ainda que os empresários do transporte nunca mostraram as planilhas de lucros das empresas, preferem sempre exibir os custos e exigir isenções fiscais e reajustes nas tarifas. “O Seturn só apresenta planilha de custos, nunca mostra a de lucros. Essa permanece um segredo. Lamentam o tempo todo. Até parece que ônibus dá prejuízo pra eles. Esse aumento na passagem é um presente do prefeito Carlos Eduardo para os empresários”, afirma a professora.

Municipalização
Para o PSTU, a passagem de ônibus poderia ser muito mais barata e capaz de garantir um serviço de qualidade para a população. Mas, para isso, o transporte público precisa ser de fato um direito, e não uma fonte de lucro para um grupo de empresários. “Defendemos a municipalização de todo o sistema de transporte de Natal, sem visar o lucro, e sim o bem estar da população”, propõe a vereadora Amanda.

O PSTU defende ainda o retorno de todas as linhas e trajetos retirados, passe-livre para estudantes e desempregados e o fim da dupla-função dos motoristas, com o retorno imediato dos cobradores. “É possível barrar o aumento com a mobilização dos trabalhadores e estudantes. Aconteceu aqui no passado e recentemente em Porto Alegre. Nosso mandato vai propor ações parlamentares e jurídicas para revertê-lo. Mas a vitória só virá com o movimento nas ruas”, conclui Amanda.

Revolta em Natal - Não só o aumento da passagem tem que derrubar as oligarquias

Assim como no ano passado, o protesto foi orquestrado pelas redes sociais. Desta vez, houve participação mais efetiva de entidades estudantis
Foto: Tribuna do Norte

Em Natal os estudantes voltam a fazer as mais grandiosas demonstrações políticas da História de Um Estado massacrado por oligarquias parasitas, onde o povo é todo ele transformado em escravos de uma pequena elite, a política é amordaçada, os direitos sociais ficam dependentes de uma sebosa troca de favores e onde a capacidade de ser cidadão é retirada do povo. Ir para às ruas e protestar, fazer nascer a política no seio dessa terra manipulada e dominada é um gesto que marca sempre nossa história


Ficará por conta do noticiário policial de logo mais transformar a violência por parte da repressão estatal em "vandalismo". Em seu perfil a vereadora Amanda Gurgel (PSTU) no Facebook relata que a manifestação pacífica foi reprimida com disparos de balas de borracha, bombas de efeito moral e spray de pimenta.  Há registros de feridos. A violência começou quando uma professora foi agredida por policiais. A vereadora Amanda Gurgel e o vereador Marcos Antonio tentaram impedir e acalmar os ânimos. Mas minutos depois a polícia deu início à repressão generalizada. Um Roubo R$2,40 por um transporte sem qualidades.

O motivo do protesto foi o anúncio do aumento da tarifa de ônibus que, a partir do próximo sábado, passará de R$ 2,20 para R$ 2,40. O que não deve ser a causa dos protestos, o Rio Grande do Norte vive dominado pelas oligarquias que ocupam o poder onde ele se encontre e é isso que precisa ser derrubado


Unicef aponta descompasso entre ensino e realidade de adolescentes no Brasil


A coordenadora do Programa de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Maria de Salete Silva, avalia que há, no país, um descompasso entre o que é ensinado nas escolas e a realidade dos adolescentes. Para ela, isso explica o elevado índice de evasão escolar entre jovens.
“Por que você mata aula?”, perguntou a coordenadora a um adolescente que não queria frequentar a escola. O jovem respondeu: “Eu não mato aula, a escola que me mata”. “Que menino de 16 anos vai querer estudar em uma turma com menino de 12? O que temos que fazer é garantir que ele percorra esse fluxo aprendendo”, defendeu Salete.
De acordo com ela, há uma “desvinculação da escola com o projeto de vida do estudante”. “Não se trata propriamente de desinteresse, mas a vida coloca questões que não estão envolvidas com a escola”. Segundo Salete, para enfrentar esse desafio, as instituições de ensino devem trabalhar para a “construção da história de vida” e não apenas mandar estudantes para a universidade ou o mercado de trabalho.
Divulgada no 14º Fórum de Dirigentes Municipais de Educação da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a publicação Fora da Escola Não Pode! – O Desafio da Exclusão Escolar indica que, entre os adolescentes que abandonam os estudos, a fase mais crítica ocorre a partir dos 15 anos de idade.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011, com 6 anos, 95,4% das crianças brasileiras frequentavam a escola. Com 12 anos, a proporção de meninos e meninas que concluíram os anos iniciais do ensino fundamental no Brasil era 76,2%. A porcentagem diminui com o aumento da idade: 62,7% dos adolescentes com 16 anos concluíram o ensino fundamental. Entre os jovens de 19 anos, apenas 48,7% terminaram o ensino médio.
O Censo 2010 mostra que o percentual de jovens de 18 a 24 anos que não concluíram o ensino médio e que não estudavam chegava a 36,5%. Mais da metade (52,9%) abandonaram os estudos sem completar o ensino fundamental.
Outra questão levantada no estudo é a formação dos professores. Na educação infantil, 43,1% dos docentes não têm curso superior. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o percentual é 31,8% e, nos anos finais, 15,8%. No ensino médio, o índice cai para 5,9%. “A qualificação dos professores é uma grande barreira para garantir a oferta de uma educação de qualidade aos estudantes brasileiros”, diz a publicação.
Entre grupos específicos, o estudo aponta que as crianças e os adolescentes mais atingidos pela exclusão escolar são aqueles que moram em áreas rurais, os negros, os índios, os pobres, os que estão sob risco de violência e exploração e os com deficiência. Isso indica, de acordo com a publicação, que “as desigualdades ainda existentes na sociedade brasileira impactam diretamente o sistema educacional do país”.
“É preciso desafiar os dirigentes a trabalharem junto com as políticas públicas, tem muitas que podem ajudar. Tem que formar professor e escola”, diz Salete.
O 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da Undime vai até sexta-feira (17), na Costa do Sauípe (BA). O encontro é o primeiro depois das eleições municipais de 2012. Ao todo foram feitas mais de mil inscrições de secretários de Educação, técnicos e educadores de todo o país.
*A repórter viajou a convite da Undime
Edição: Juliana Andrade e Talita Cavalcante
Matéria de Mariana Tokarnia*, da Agência Brasil/EBC

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Os protótipos das Telenovelas - Indústria Cultural


PIPIPIPI... Mais um "jargão" de um personagem das sempre manipuladoras novelas da Rede Globo demonstrando o impacto da indústria cultural sobre os indivíduos dos tempos líquidos modernos, a cada nova novela da Rede Globo um novo protótipo comportamental.

Grandes foram as lições da chamada Escola de Frankfurt, principalmente na figura de Theodor Adorno, tratando acerca da dominação das massas por meio de uma Indústria atuando no sentido de impedir a emancipação, e fazendo uma verdeira dominação

"O culto dos astros do cinema tem como complemento da celebridade o mecanismo social que nivela tudo o que chama a atenção. Os astros são apenas os moldes para uma indústria de confecção de dimensões mundiais e para a tesoura da justiça legal e econômica, com a qual se eliminam as últimas pontas dos fios de linha" (Adorno- Dialética do Esclarecimento)


As novelas trazem o próprio convívio familiar e comportamental de pessoas que são também "astros" e que influem diretamente sobre o comportamento do grande público. Claro além de padronizar pelos comportamentos são intercaladas por "sessões" de anúncios publicitários.

"A produção da indústria cultural é direcionada para o retorno de lucros tendo como base padrões de imagem cultural pré – estabelecida e capazes de conquistar o interesse das massas sem trabalhar o caráter crítico do expectador. Para se manter e conquistar público , a produção cultural não objetiva somente a expressão artística , quando esta planejada sob pretensões profissionais" (Fernando Rebouças).

Se a crítica emancipadora e emancipada fosse predominante as novelas se tornariam insuportáveis, mas, pelo contrário, nos tempos líquidos modernos (conceito do sociólogo Zigmunt Bauman) as pessoas já devem crescer como integrantes de um mundo tomado pela publicidade.

"A Indústria Cultural age oferecendo produtos que promovem uma satisfação compensatória e efêmera, que agrada aos indivíduos, ela impõe-se sobre estes, submetendo-os a seu monopólio e tornando-os acríticos (já que seus produtos são adquiridos consensualmente)", (João Francisco P. Cabral).

Os risos que trazem a TV denunciam a falta de emancipação nas pessoas. O problema que prejudica a luta pela emancipação em nossos tempos tem sido a dominação do espírito crítico pela sociedade do dinheiro como lembrara Stephen Hessel.

Mundo está à beira de uma pandemia dupla

Ao que tudo indica, o mundo está perante uma nova ameaça. É provável que possa eclodir uma pandemia dupla, provocada por novas variedades de vírus.

Por: Voz da Rússia
O novo coronavírus foi detetado na Jordânia, Inglaterra, Alemanha e França. Na Arábia Saudita, onde foi registrado o primeiro surto da doença, decorreu uma conferência especial, cujos participantes não dissimularam a sua preocupação: há cada vez mais dados que testemunham a hipótese de que o novo coronavírus possa ser transmitido de pessoa para pessoa.

Haled Margalani, conselheiro do ministro da Saúde da Arábia Saudita, disse à Voz da Rússia:

“Este coronavírus, responsável pela morte de 15 pessoas na Arábia Saudita, é diferente de todos os vírus conhecidos. Não existem vacinas ou medicamentos eficazes para combatê-lo. Por outro lado, a nossa medicina é incapaz por enquanto de diagnosticá-lo. Isso é o mais terrível, porque não conhecemos os sintomas que devem ser comunicados à população”.

Todos os pacientes que recorrem aos serviços médicos têm febre alta e uma tosse muito forte. O exame médico sempre revela uma insuficiência respiratória dos dois pulmões ao mesmo tempo. Passado um tempo, os doentes precisam de terapia intensiva e de oxigênio artificial.

O doutor Gregory Hartl, porta-voz da Organização Mundial de Saúde, aponta:

“O enigma principal é por quem e como se transmite a infeção. Não conseguimos esclarecê-lo em oito meses de pesquisas. E enquanto não descobrirmos isso, será impossível intervir no processo de transmissão do vírus de pessoa para pessoa. O vírus é muito perigoso, porque a taxa de mortalidade supera os 60 por cento”.

O virologista Yuri Guendon destaca a principal, em sua opinião, causa de alarme:

“Os antigos vírus também se transmitiam de pessoa para pessoa. Mas eles provocavam doenças de média gravidade e de baixa mortalidade. Este vírus, porém, causa doenças muito sérias que podem ser letais”.

Outro perigo aproxima-se da China. Trata-se novamente da chamada gripe aviária, provocada contudo por uma nova estirpe, denominada H7N9. Este vírus não se transmite por enquanto de pessoa para pessoa, mas isso, como se diz, é uma questão de tempo.

Deste modo, o mundo está ameaçado por uma pandemia dupla: o coronavírus oriental e a gripe aviária chinesa. Alguns peritos consideram que coincidência não é casual. Alexander Duguin, filósofo e politólogo, disse à Voz da Rússia:

“Tradicionalmente, a exterminação de pessoas sempre foi uma forma de obter lucros para aqueles que desencadeiam e financiam guerras. Por isso, não há nada de surpreendente que algum vírus tivesse sido desenvolvido artificialmente”

Entretanto, alguns cientistas sustentam que as causas de novas doenças mortais têm um caráter natural. A natureza, como se sabe, sempre tende a um equilíbrio. E se uma espécie animal (neste caso, a espécie humana) começa a predominar excessivamente no planeta, a natureza faz os possíveis por reduzir o seu número.

AL-RN: Brincando de ser Assembleia Legislativa

Onde jamais poderia haver representação predomina  o pior do que as distorções de classe prevalentes em um sistema representativo burguês, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte o que manda são as esmolas em forma de "projetos" criados a partir de clamores sensíveis já vindos de uma mentalidade mutilada da emancipação racional.

Assuntos recorrentes são combate à violência, combate ao tráfico e uso de drogas, educação, saúde etc., coisas que fazem popularidade por serem realmente fundamentais, mas imprecisas nesse caso, já que os membros da Assembleia Legislativa, seus pais, apadrinhadores e apadrinhados são os grandes responsáveis pela destruição da cidadania no Rio Grande do Norte. A AL-RN é podre e inútil, ocupada por oligarcas já muito anacrônicos não tem condições sequer de haver qualquer tipo de debate, como são muito antigos e presos ao sistema de troca de favores predomina o compadrismo.

Apelos ao governo ocorrem a toda hora, hoje a deputada Márcia Maia (PSB) fez um apelo ao governo do Estado para que invista na prevenção à violência e na repressão da criminalidade para melhorar a situação do sistema socioeducativo. São demandas que surgem no espaço público e precisam ser atendidas por aqueles que sempre prestaram favores em uma realidade muito doente politicamente. Ora, eliminar a fragilidade política que faz com quê tais "deputados" sejam eleitos é o mais urgente e necessário para reduzir violência e uso de drogas (Crack, Maconha, Religião etc.)

Economia europeia em queda: Nove países em recessão, Portugal cai 3,9%


A economia da zona euro está em queda há seis trimestres consecutivos. Nove dos 17 países estão em recessão: Espanha, França, Itália, Finlândia, Holanda, Portugal, Chipre, Grécia e Eslovénia. A economia portuguesa cai 3,9% no primeiro trimestre em relação a igual período de 2012 e está em queda há nove trimestres consecutivos. A política de austeridade imposta pela troika e pelo governo Merkel está a afundar a Europa.
A economia da zona euro está em queda há seis trimestres consecutivos. Nove dos 17 países estão em recessão. A economia portuguesa cai 3,9% e está em queda há nove trimestres consecutivos. A política de austeridade imposta pela troika e pelo governo Merkel está a afundar a Europa.

Nesta quarta-feira, foram divulgados pelo Eurostat os dados relativos ao primeiro trimestre de 2013 do PIB (Produto Interno Bruto) da zona euro.
O PIB da zona euro caiu 0,2% no primeiro de 2013 em relação ao trimestre anterior e 1% em relação ao ano anterior.
A zona euro está em recessão há seis trimestres consecutivos, a mais longa recessão da zona desde que começaram a ser registRados os dados em 1995, salienta aReuters.
O PIB da França caiu 0,2% no primeiro trimestre de 2013, em relação ao trimestre anterior, estando em queda há dois trimestres consecutivos e portanto em recessão técnica. Em relação ao ano anterior o PIB de França caiu 0,4%, uma queda superior aos 0,3% que registava no final de 2012 em comparação com o final de 2011.
Por sua vez a Alemanha conseguiu evitar a entrada em recessão, uma vez que cresceu no primeiro trimestre 0,1%, mas trata-se de uma subida abaixo das previsões dos analistas que esperavam uma subida de 0,3%.
Na zona euro há 9 países em 17 que estão em recessão: Espanha, França, Itália, Finlândia, Holanda, Portugal, Chipre, Grécia e Eslovénia (país cujo PIB está em queda, embora ainda não tenham sido publicados os dados do primeiro trimestre).
Carsten Brzeski, economista sénior do ING em Bruxelas, declarou à Reuters: “A desgraça continua. Quase todos os principais países, exceto a Alemanha, estão em recessão, e até agora nada ajudou a parar essa espiral de queda."
A Itália, a terceira maior economia da zona do euro, regista o sétimo trimestre consecutivo de queda, o mais longo desde que começaram a ser registRados dados em 1970.
A economia portuguesa cai pelo nono trimestre consecutivo e a descida acentua-se mesmo. No primeiro trimestre de 2013, recuou 0,3% em relação ao último trimestre de 2012 e 3,9% face ao primeiro trimestre de 2012. Estes dados são ainda piores do que os que a Comissão Europeia previa.
Os dados divulgados pelo INE apontam que a economia portuguesa teve neste trimestre a maior queda desde o primeiro trimestre de 2009, quando teve uma descida homóloga de 4,1%.