"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 13 de julho de 2013

Resistir à barbárie interior

Para evitar a barbárie o mundo precisa, como diz Morin, compreender a incompreensão e a grande ferramenta para isso é a busca da Democracia Planetária.

O mundo hoje tem uma relativa opinião pública internacional, as ditaduras já não encontram tanto respaldo em fazer execuções, mas o poder econômico dificulta essa tarefa, há uma certa repulsa contra maior ditadura em política internacional, os Estados Unidos, acerca das possibilidades de prisão e até de execução de Edward Snowden.

Qualquer absolutismo no poder é torturador e assassino, "liberdade é sempre a liberdade de quem pensa diferente" diz Rosa Luxemburgo, a democracia reprima a agressividade.

Boaventura Santos: “Desculpe, Presidente Evo”

Por Boaventura de Sousa Santos - de Lisboa
Esperei uma semana que o governo do meu país lhe pedisse formalmente desculpas pelo ato de pirataria aérea e de terrorismo de Estado que cometeu, juntamente com a Espanha, a França e a Itália, ao não autorizar a escala técnica do seu avião no regresso à Bolívia depois de uma reunião em Moscou, ofendendo a dignidade e a soberania do seu país e pondo em risco a sua própria vida. Não esperava que o fizesse, pois conheço e sofro o colapso diário da legalidade nacional e internacional em curso no meu país e nos países vizinhos, a mediocridade moral e política das elites que nos governam, e o refúgio precário da dignidade e da esperança nas consciências, nas ruas e nas praças, depois de há muito terem sido expulsas das instituições. Não pediu desculpa. Peço eu, cidadão comum, envergonhado por pertencer a um país e a um continente que são capazes de cometer esta afronta e de o fazer de modo impune, já que nenhuma instância internacional se atreve a enfrentar os autores e os mandantes deste crime internacional.
O meu pedido de desculpas não tem qualquer valor diplomático mas tem um valor talvez ainda superior, na medida em que, longe de ser um ato individual, é a expressão de um sentimento coletivo, muito mais vasto do que pode imaginar, por parte de cidadãos indignados que todos os dias juntam mais razões para não se sentirem representados pelos seus representantes. O crime cometido contra si foi mais uma dessas razões. Alegramo-nos com seu regresso em segurança a casa e vibramos com a calorosa acolhida que lhe deu o seu povo ao aterrar em El Alto. Creia, senhor Presidente, que, a muitos quilômetros de distância, muitos de nós estávamos lá, embebidos no ar mágico dos Andes.
O senhor Presidente sabe melhor do que qualquer de nós que se tratou de mais um ato de arrogância colonial no seguimento de uma longa e dolorosa história de opressão, violência e supremacia racial. Para a Europa, um Presidente índio é sempre mais índio do que Presidente e, por isso, é de esperar que transporte droga ou terroristas no seu avião presidencial. Uma suspeita de um branco contra um índio é mil vezes mais credível que a suspeita de um índio contra um branco. Lembra-se bem que os europeus, na pessoa do Papa Paulo III, só reconheceram que a gente do seu povo tinha alma humana em 1537 (bula Sublimis Deus), e conseguiram ser tão ignominiosos nos termos em que recusaram esse reconhecimento durante décadas como nos termos em que finalmente o aceitaram. Foram precisos 469 anos para que, na sua pessoa, fosse eleito presidente um indígena num país de maioria indígena.
Evo
Evo unificou a Bolívia com o respeito aos ritos e tradições dos índios locais
Mas sei que também está atento às diferenças nas continuidades. A humilhação de que foi vítima foi um ato de arrogância colonial ou de subserviência colonial? Lembremos um outro “incidente” recente entre governantes europeus e latino-americanos. Em 10 de novembro de 2007, durante a XVII Cúpula Iberoamericana, realizada no Chile, o Rei de Espanha, desagradado pelo que ouvia do saudoso Presidente Hugo Chávez, dirigiu-se-lhe intempestivamente e mandou-o calar. A frase “Por qué no te callas” ficará na história das relações internacionais como um símbolo cruelmente revelador das contas por saldar entre as potências ex-colonizadoras e as suas ex-colônias. De facto, não se imagina um chefe de Estado europeu a dirigir-se nesses termos publicamente a um seu congênere europeu, quaisquer que fossem as razões.
O senhor Presidente foi vítima de uma agressão ainda mais humilhante, mas não lhe escapará o fato de que, no seu caso, a Europa não agiu espontaneamente. Fê-lo a mando dos EUA e, ao fazê-lo, submeteu-se à ilegalidade internacional imposta pelo imperialismo norte-americano, tal como, anos antes, o fizera ao autorizar o sobrevoo do seu espaço aéreo para voos clandestinos da CIA, transportando suspeitos a caminho de Guantánamo, em clara violação do direito internacional. Sinais dos tempos, senhor Presidente: a arrogância colonial europeia já não pode ser exercida sem subserviência colonial. Este continente está a ficar demasiado pequeno para poder ser grande sem ser aos ombros de outrem. Nada disto absolve as elites europeias. Apenas aprofunda a distância entre elas e tantos europeus, como eu, que veem na Bolí­via um país amigo e respeitam a dignidade do seu povo e a legitimidade das suas autoridades democráticas.
Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

ONU pede proteção a Edward Snowden e todos que denunciam violações de direitos humanos

A chefe da ONU para direitos humanos, Navi Pillay, afirmou nesta sexta-feira (12) que a situação de Edward Snowden e alegadas violações em grande escala do direito à privacidade por programas de vigilância levantam uma série de importantes questões internacionais de direitos humanos.
“O caso de Snowden mostra a necessidade de proteger as pessoas que revelam informações sobre questões que têm implicações para os direitos humanos, bem como a importância de garantir o respeito ao direito à privacidade”, disse Pillay. “As pessoas precisam ter certeza de que suas comunicações privadas não estão sendo examinadas indevidamente pelo Estado.”
Ex-prestador de serviço da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), Snowden ficou conhecido por entregar documentos secretos à imprensa.Ele teve o passaporte americano cancelado e, segundo a imprensa, está desde 23 de junho está em área de trânsito do aeroporto de Moscou, Rússia, de onde solicitou asilo a vários países.
A ‘Declaração sobre o Direito e a Responsabilidade dos Indivíduos, Grupos ou Órgãos da Sociedade de Promover e Proteger os Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais Universalmente Reconhecidos’ contém disposições importantes para a defesa dos direitos humanos. Todos que revelam informações que indicam a prática de violações de direitos humanos têm direito à proteção.
“Sem prejulgar a validade de qualquer pedido de asilo feito por Snowden, apelo a todos os Estados para respeitarem o direito garantido internacionalmente da busca de asilo, em conformidade com o artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Artigo 1 da Convenção das Nações Unidas Relativa ao Estatuto dos Refugiados, e para garantir que qualquer determinação esteja em acordo com as suas obrigações legais internacionais”, disse Pillay.
Como afirmado pelo ex-relator especial da ONU sobre a promoção e proteção dos direitos humanos e liberdades fundamentais no combate ao terrorismo Martin Scheinin, a “informação factual confiável sobre graves violações de direitos humanos por parte de uma agência de inteligência é mais provável que venha de dentro da própria agência. Nesses casos, o interesse público na divulgação prevalece. Tais denunciantes devem, em primeiro lugar, ser protegidos de represálias legais e ação disciplinar quando divulgarem informações não autorizadas”.
“Enquanto as preocupações com a segurança nacional e a atividade criminosa puderem justificar o uso excepcional e estritamente orientado de programas de vigilância, o monitoramento sem medidas adequadas para proteger o direito à privacidade na verdade arrisca ter um impacto negativo sobre o gozo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais”, disse Pillay.
“Tanto o artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e o artigo 17 do Pacto Internacional sobre o Estado dos Direitos Civis e Políticos afirmam que ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, familiar, em domicílio ou entre correspondências, e que todos têm o direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques”, lembrou Pillay.

ONU Brasil

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Malala celebra 16 anos na ONU e faz um apelo à educação igualitária

Jovem paquistanesa diz que "um livro, uma caneta e um professor são as armas mais poderosas"; ela afirma que após o ataque do Talebã, morreu nela o medo e nasceu a coragem.
Malala Yousafzai discursa no Conselho de Tutela. Foto: ONU/Rick Bajornas
Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.
Usando um xale cor-de-rosa, que já foi da ex-premiê paquistanesa Benazir Buttho, assassinada em 2007, Malala Yousafzai fez seu primeiro discurso público nesta sexta-feira, dia em que completa 16 anos.
Na sede da ONU, a jovem estudante afirmou que o Dia de Malala não é o seu dia, mas é o dia de toda mulher, menino e menina que levantaram suas vozes pelos seus direitos."
Ataque
Jovens de 80 países, reunidos no Conselho de Tutela, acompanharam o discurso da paquistanesa, atacada pelo grupo Talebã no ano passado.
Malala levou um tiro na cabeça enquanto retornava da escola e correu o risco de perder a vida. Ao relembrar o ataque, a jovem falou que o Talebã falhou ao achar que ela seria silenciada.
Segundo Malala, a única coisa que mudou em sua vida após o atentado foi que "a fraqueza, o medo e a falta de esperança morreram", enquanto nasceram "a força, o poder e a coragem".
Educação para Todos
A estudante garantiu ser a mesma, porque seus sonhos e ambições continuam iguais. Malala destacou que estava discursando a favor da garantia da educação para todas as crianças.
Malala disse querer "educação para os filhos e filhas do Talebã e de todos os terroristas e extremistas". E afirmou que nem consegue odiar o talebã que atirou contra ela, porque sua alma a ensina a estar em paz e amar a todos.
Livros e Professores 
Para a adolescente, os extremistas temem os livros, temem o poder da educação e temem o poder da voz das mulheres.
Malala Yousafzai fez um apelo aos líderes mundiais, para que mudem suas estratégias e protejam os direitos das mulheres e das crianças.
A paquistanesa destacou que "livros, canetas e professores são as armas mais poderosas que existem".
Ao terminar seu discurso, Malala foi ovacionada e homenageada pelo seu aniversário.

A "Luta" que no RN perdeu o sentido sem nunca ter tido sentido

"Meus heróis morreram de overdose", diz a letra da música Ideologia de Cazuza e Heróis lutam, só que não faltam heróis que apenas dizem lutar, a luta, ou a promessa dela faz parte da política do domínio oligárquico do Rio Grande do Norte, já ouvi tantas vezes os dizeres "vou lutar pelo povo" nos discursos demagógicos das campanhas estúpidas proporcionadas pelo nosso sistema eleitoral clientelista e corrupto que lutar perdeu o sentido e é apenas mais uma palavra padrão de todo o jogo.

O "lutar" aqui é de cima para baixo, quem deve lutar por si nesse momento é o próprio povo, não esperar que alguém lute por ele, política e povo estão segregados aqui no Brasil.

Slogan de Garibaldi Alves na Década de 1960


Da imagem acima podemos concluir que essa 'luta' e esses heróis mais do que nunca perderam a validade.

Snowden pediu asilo à Rússia

O ex-colaborador da CIA Edward Snowden pediu asilo político à Rússia para poder ter liberdade de circulação.

Foi este o resultado do encontro entre Snowden, advogados e defensores russos dos direitos humanos realizado no aeroporto Sheremetyevo e que pode ser considerado como uma surpresa esperada. O agente em fuga agradeceu a todos os países que lhe ofereceram abrigo mas decidiu escolher a Rússia.

Snowden já decidiu: ele está farto de viver no aeroporto
Foto: EPA
Ainda antes do início do encontro, os ativistas e advogados presentes já faziam suposições que o resultado seria precisamente este, o que acabou por acontecer.

O chefe do serviço de imprensa do presidente, Dmitry Peskov, declarou que o Kremlin, por enquanto, não possui confirmação destas informações mas que as condições para um tal passo continuam as mesmas: pôr fim à atividade voltada contra os interesses dos EUA e contra as relações russo-americanas. Esta posição havia sido recentemente formulada por Vladimir Putin. Hoje, em 12 de Julho, Edward Snowden confirmou estar pronto a satisfazer as condições impostas.

Serguei Naryshkin, presidente da Câmara Baixa do Parlamento russo, foi uma das primeiras personalidades russas altamente colocadas a comentar a situação. Segundo ele, a Rússia deve conceder asilo político ou asilo temporário a Edward Snowden porque existe a ameaça de ele ser condenado à morte nos EUA.

O presidente do Comité da Duma de Estado para Assuntos Internacionais, Alexei Pushkov, sublinhou que, se Snowden pedir oficialmente asilo político à Rússia, tal pedido será analisado.

O cientista político Serguei Mikheev comenta a situação, a pedido da Voz da Rússia:

"Julgo que ele simplesmente tem medo. Depois do incidente com o avião do presidente da Bolívia, ele pode não conseguir chegar à América Latina. É por isso que ele pede asilo temporário na Rússia. Pelos vistos, ele não pede a cidadania mas precisa de um estatuto de refugiado e de asilo temporário. Ele simplesmente está cansado de viver na zona de trânsito do aeroporto Sheremetyevo".

Logo após o encontro, Olga Kostina, membro da Câmara Social russa, anunciou que os ativistas de direitos humanos tencionam elaborar uma declaração em apoio do pedido de asilo de Snowden, declaração a ser enviada ao presidente Vladimir Putin. Os advogados, por seu lado, prometeram prestar ajuda ao ex-colaborador dos serviços secretos americanos. Segundo o advogado Igor Korotchenko, Snowden deve escrever pessoalmente um pedido às autoridades russas, devendo a questão ser resolvida de forma relativamente rápida.

O dirigente da filial russa da Anistia International, Serguei Nikitin, não vê razões para a perseguição e entrega do ex-colaborador da CIA aos EUA, não tendo este sido julgado. Mais do que isso, segundo ele, Snowden não pode ser extraditado porque pode ser sujeito a tortura e, para além disso, não existe nenhum pedido de extradição. No presente momento, ele está protegido pelo Artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, como pessoa que pediu asilo político.

O conhecido advogado Yanis Yuksha considera que o encontro com os ativistas de direitos humanos sublinhou o caráter social da sua atividade, que ele próprio já muitas vezes sublinhou. A ajuda por parte da Rússia ou de outro país civilizado é, para ele, muitíssimo necessária:

"O asilo político temporário é uma possível medida para que Snowden possa decidir no que toca à perseguição por parte do Estado americano. Não vejo nada de especial que este pedido tenha sido feito até serem esclarecidas algumas circunstâncias, até serem recolhidos certos documentos. Houver ou não uma decisão positiva da parte da Rússia, isso depende de muitos fatores. No geral, penso que qualquer país que se considera democrático e, em geral, a comunidade mundial, deverão prestar apoio a Snowden".

Algumas das pessoas que participaram do encontro encararam-no sem grandes emoções, de um ponto de vista essencialmente prático.

Assim, o provedor dos Direitos Humanos, Vladimir Lukin, declarou que Snowden tem esperança em obter proteção mas que será melhor que o estatuto de refugiado lhe seja concedido não pela Rússia mas sim por alguma organização internacional. De acordo com o provedor, existem também os interesses nacionais. Lukin tem receio de que as relações russo-americanas piorem caso a Rússia se decida a conceder-lhe asilo.
De qualquer forma, a maioria dos políticos e defensores dos direitos humanos já se mostrou favorável ao pedido do cidadão norte-americano.

Fonte: Ilia Kharlamov - Voz da Rússia

Chomsky: Bibliotecas públicas são mais úteis do que a internet

Em entrevista à Rede Britânica BBC o linguista Noam Chomsky afirma que o telégrafo e as bibliotecas públicas tiveram  um impacto muito maior na comunicação e acesso à informação do que a  internet.
Noam Chomsky (foto de archivo)
Foto: BBC
Chomsky que faz críticas ao poderia norte americano, classificando inclusive os Estados Unidos como o maior estado terrorista do Mundo, acredita que as divulgações do ex-analista Edward Snowden  sobre espionagem nos Estados Unidos são a prova de que os governos podem fazer parcerias com grandes empresas para utilizar a rede contra os cidadãos. Hoje artigo publicado pelo The Guardian mostra como a Microsoft trabalhou com a NSA para permitir que os programas de vigilância contornassem as proteções instaladas pela própria empresa nos seus serviços de mail, de “cloud”, e nas ligações de som e vídeo feitas através do Skype (Confira mais aqui)

Confira:
Internet x Telégrafo

"Internet é uma mudança, mas  houve mudanças maiores, quando você olhar para o último século e meio."

"A transição entre a comunicação que permitiu a navegação à vela e a permitida pelo telégrafo foi muito maior do que a gerada pelas diferenças entre correio tradicional e internet".

"Há 150 anos se mandava uma carta para a Inglaterra e a resposta poderia demorar cerca de dois meses, ele iria viajar de barco, e talvez nem mesmo chegar ao seu destino."

"Com a comunicação telegráfica tornou-se quase que instantaneamente, e agora 
 a internet é apenas um pouco mais rápido."

Internet vs bibliotecas

"Um século atrás, quando as bibliotecas públicas foram instalados na maioria das cidades americanas, a disponibilidade de informações e aumenta da riqueza cultural foi muito maior que a geração internet".

"Agora você não tem que atravessar a rua para ir à biblioteca, você pode acessar informações em sua própria sala de estar, mas a informação já estava lá, do outro lado da rua".

"A diferença entre a Internet e uma biblioteca é menor do que a diferença entre a ausência de uma biblioteca e uma biblioteca... Na biblioteca  pelo menos podes confiar em que  o material terá algum valor, porque ele passou por algum processo de avaliação".

"A Internet é uma soma de pensamentos aleatórios e é difícil distinguir entre o que alguém pensou ao atravessar a rua e o que outra estudou em profundidade."

Mais Unidos ou mais separados:

"Caminhar falando  no telefone é uma maneira de manter-se em contato com os outros, mas é um passo em frente ou um passo para trás?"


"Eu acho que é, provavelmente, um passo para trás, porque ela está separando as pessoas, construindo relacionamentos superficiais."

"Em vez de falar com as pessoas cara a cara, para conhecê-los por meio da interação, há uma espécie de caráter informal dessa cultura no desenvolvimento."

"Eu sei que os adolescentes  pensam que têm centenas de amigos, quando na realidade eles são muito isolados."

"Quando eles escrevem no Facebook, que tem um teste amanhã, alguém vai responder" Eu espero que você se dê bem "e concebem isto como a amizade."

"Eu não vi nenhum estudo, mas acho que a nova tecnologia está isolando as pessoas a um grau significativo, separando umas das outras".

Com a mente mais ou menos aberta?

"A Internet oferece acesso instantâneo a todos os tipos de idéias, opiniões, perspectivas, informações. Isso está ampliando nossas perspectivas ou tornando-as mais estreitas?"

"Eu acho que as duas coisas. Para alguns, tem se expandido. Se você sabe o que você está procurando e tem um senso razoável de como proceder, a Internet pode expandir suas perspectivas."

"Mas se você se aproxima de internet tão desinformado, o efeito pode ser o oposto."

"A maioria das pessoas usam internet para entretenimento, diversão. Mas a minoria que a utiliza para adquirir informações, pode-se ver  que a essas pessoas  localizam rapidamente seus sites favoritos e visita-os, porque eles reforçam suas próprias idéias."

"Então você se tornar viciado a esses sites que dizem o que você está pensando e nenhum outro ponto de vista."

"Isso  tem um efeito de autofortalecimento, o site torna-se mais extremista, e você se torna mais extremista e mais você se separa dos outros".

sem segredos

"Apenas para fins comerciais, Google, Amazon e o resto estão coletando enormes quantidades de informações de pessoas, informações que eu acho que não deveriam ter."

"Eles rastream seus hábitos, suas compras, seu comportamento, o que fazes e estão tentando controlar, indo em certas direções."

"E eu acho que eles estão fazendo em níveis que excedem o que o governo faz. Assim, o governo está pedindo ajuda."

"Os mais jovens, muitas vezes não veem nenhum problema nisso. Eles vivem em uma sociedade e uma cultura exibicionistas, onde você coloca tudo no Facebook, onde você quer que todos saibam tudo sobre você. Assim, o governo também vai saber tudo sobre você ".

Uma tecnologia neutra?

"Quando os meios para fazer algo estão disponíveis e de fácil acesso, são tentadoras e as pessoas, especialmente os mais jovens, tendem a utilizá-los."

"A Internet é uma tecnologia que está disponível, há muita pressão para usá-la, todo mundo quer dizer 'eu isso, eu aquilo." Há um componente de auto-avaliação ".

"Mas há toneladas de publicidade ... Internet  comercializa a si  mesma como um meio para nos comunicar e nos conectarmos, e até um certo nível, isso é verdade: posso contactar verdadeiros amigos em diferentes partes do mundo, na Índia, no Oriente Médio, no Chile, em qualquer lugar ".

"E eu posso interagir com eles de uma maneira que seria muito difícil por mail".

"Mas, por outro lado, a Internet também tem o efeito oposto. Como qualquer tecnologia:. É basicamente neutro, você pode usá-lo em formas construtivas  ou prejudiciais. As formas construtivas são reais, mas muito poucas.".


Pautas trabalhistas e atos “Fora Globo” marcam Dia Nacional de Lutas

As Centrais Sindicais e os movimentos sociais foram às ruas na última quinta-feira (11) em manifestações do Dia Nacional de Lutas. As nove centrais sindicais, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e movimentos de juventude realizaram ações nas 26 capitais, no Distrito Federal e em diversas cidades do interior.
No ato em São Paulo, cerca de 10 mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista. As pautas defendidas vão desde a redução da jornada de trabalho sem diminuir salários, até a reforma agrária.
O coordenador nacional do MST, Gilmar Mauro, defendeu na manifestação que os trabalhadores saem às ruas para exigir seus direitos e não vão recuar nas conquistas.
“As ruas, nos últimos dias, mostraram a todos os governos que não se pode desmobilizar a classe trabalhadora. (...) Daqui em diante, nenhum passo atrás nas conquistas da classe trabalhadora.”
Em Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Vitória (ES) o impacto dos protestos foi maior com a paralisação dos trabalhadores do transporte público. Ao todo, 48 estradas foram bloqueadas em 18 estados. As Centrais Sindicais planejam novos protestos no mês de agosto.
Além das pautas trabalhistas, os movimentos sociais também realizaram atos contra a Rede Globo. O conglomerado empresarial se tornou o símbolo do monopólio da mídia no país e foi alvo dos protestos que pediam a democratização dos meios de comunicação.
Em São Paulo, um ato ocorreu pela noite em frente à TV Globo, com aproximadamente 1 mil pessoas. Durante a transmissão do jornal SP TV os manifestantes emitiram uma luz verde na janela da emissora que iluminou o rosto do apresentador Carlos Tramontina. O jornalista teve que anunciar ao vivo o protesto contra a empresa.
De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.

Greve Geral

A Quinta-feira (11) foi um dia de intensas manifestações dos trabalhadores, o Dia Nacional de Lutas convocado por Oito Centras Sindicais teve uma diversificada pauta de reinvindicações.

Entre as principais reivindicações está a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário, reajuste para aposentados, transporte público de qualidade, fim do fator previdenciário, fim do Projeto de Lei 4330 que amplia a terceirização, reforma agrária, mais investimentos em saúde, educação e segurança, além do fim dos leilões de petróleo.

Protesto em Natal
A entrada dos Trabalhadores fortalece as Jornadas Populares de Lutas que não podem cessar nesse momento propício a profundas reformas na inventada e desequilibrada sociedade brasileira.

Snowden: Microsoft colabora ativamente com a NSA e o FBI

Novo artigo publicado pelo The Guardian mostra como a Microsoft trabalhou com a NSA para permitir que os programas de vigilância contornassem as proteções instaladas pela própria empresa nos seus serviços de mail, de “cloud”, e nas ligações de som e vídeo feitas através do Skype. Ironicamente, o marketing da empresa de Bill Gates afirma que “A sua privacidade é a nossa prioridade”.
Documento interno da NSA elogia a colaboração dos técnicos da Microsoft com o FBI para permitir melhor acesso aos dados privados dos seus clientes
Um novo artigo publicado na noite desta quinta-feira no site do jornal britânico The Guardian e assinado por Glenn Greenwald, o jornalista e jurista que tornou públicas pela primeira vez as revelações de Edward Snowden, e também por Ewen MacAskill, Laura Poitras, Spencer Ackerman e Dominic Rushe traz novas revelações que mostram que os técnicos da Microsoft trabalharam estreitamente com a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos, bem como com o Federal Bureau of Investigation (FBI) para facultar o acesso de programas de vigilância em massa, como o PRISM, aos seus serviços de e-mail, como o recém-lançado portal Outlook.com (que inclui o popular Hotmail) ou ao serviço de “cloud” (armazenamento de ficheiros em servidores na Internet) SkyDrive.
A sua privacidade é a nossa prioridade”
Ironicamente, a última campanha de marketing da Microsoft usava o slogan “A sua privacidade é a nossa prioridade”. Mas os documentos a que o Guardian teve acesso mostram que os técnicos da empresa de Bill Gates trabalharam em equipa com os da NSA para permitir que a agência tivesse acesso às conversas trocadas em sistemas de chatno portal Outlook.com, contornando os sistemas de criptografia que os protegem. Isto é: a Microsoft criou e entregou aos espiões da NSA uma forma de contornar os seus próprios sistemas de segurança. Os espiões da agência já tinham acesso aos mails da Microsoft antes da sua encriptação.
O artigo revela ainda que desde que, em julho do ano passado, a Microsoft comprou o Skype, um serviço de telecomunicações de voz e vídeo através da Internet, a NSA obteve uma nova capacidade que lhe permitiu triplicar a captura de vídeos através do sistema. As estimativas mostram que o Skype tem algo como 663 milhões de utilizadores à escala planetária.
Um documento da NSA citado pelo Guardian afirma que a monitorização dos vídeos do Skype triplicou desde julho de 2012, e elogia o trabalho de equipa entre os técnicos da empresa, da NSA e do FBI.
A política de privacidade do Skype afirma que a empresa está “comprometida a respeitar a sua privacidade e a confidencialidade dos seus dados pessoais, dados de tráfego e conteúdo das comunicações”.
Trabalho do FBI durante muitos meses junto com a Microsoft”
A cooperação da Microsoft's estendeu-se ao serviço ode armazenamento em “cloud” SkyDrive. Durante muitos meses, diz um documento citado pelo artigo, técnicos da empresa e do FBI cooperaram para que o programa de vigilância PRISM tivesse acesso a todo o conteúdo armazenado no SkyDrive sem ter de fazer um pedido especial. “Esta nova capacidade resulta numa recolha com uma resposta muito mais completa e instantânea”, sublinha uma newsletter interna da NSA, que acrescenta: “Este sucesso é o resultado do trabalho do FBI durante muitos meses junto com a Microsoft para ter esta solução de recolha de dados a funcionar”.
Ouvida pelo jornal britânico, a Microsoft disse que fornece dados de clientes apenas em resposta a pedidos específicos do governo”.
Mas sabe-se que um tribunal secreto de vigilância permite que as comunicações na net sejam recolhidas pelos programas de vigilância sem um mandato judicial individual se o agente da NSA tiver 51% de convicção que o alvo não é um cidadão dos EUA e não está em solo norte-americano Se o alvo for cidadão dos EUA é teoricamente necessário um mandato, mas a NSA pode coletar dados sem mandato se o cidadão for estrangeiro e localizado no exterior. Isto é, se for você, leitor.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Maioria dos americanos não considera Edward Snowden traidor

De acordo com dados de uma sondagem divulgada hoje pela Universidade de Quinnipiac, a maioria dos norte-americanos não considera o ex-agente da CIA Edward Snowden um traidor por ter revelado ao mundo o mega-esquema de espionagem do governo norte-americano contra cidadãos, empresas e governos de todo o mundo.

Assim, 55% dos entrevistados acreditam que Snowden era apenas um informante, enquanto 33% o consideram um traidor. Além disso, cerca de 45% dos entrevistados acreditam que as medidas tomadas pelos Estados Unidos para combater o terrorismo restringem as liberdades civis. Ao mesmo tempo, 51% apoiam o programa secreto das agências de inteligência norte-americana para intercetar comunicações telefônicas.

Altos funcionários dos EUA já condenaram Snowden sem julgamento, rotulando-o culpado e traidor, levantando sérias dúvidas sobre se ele vai receber um julgamento justo. Da mesma forma, as autoridades norte-americanas propõem acusar Snowden sob a Lei de Espionagem, o que o deixaria sem condições de se defender pelo ato de vazar informações, de acordo com as leis norte-americanas.

"Parece que ele está sendo acusado pelo governo dos EUA principalmente por revelar as ações ilegais norte-americanas e de outros governos, que violam os direitos humanos. Ninguém deveria ser acusado, sob qualquer lei, de divulgar estas informações, pois elas estão protegidas sob os direitos de informação e  liberdade de expressão", esclareceu Bochenek.

Além das acusações contra Snowden, as autoridades dos EUA revogaram seu passaporte, o que interfere em seus direitos de liberdade de movimento e de procurar asilo em outro lugar. "Snowden é um denunciante. Ele revelou questões de enorme interesse público nos EUA e ao redor do mundo. E, no entanto, em vez de tratar ou mesmo assumir essas ações, o governo dos EUA está mais interessado em perseguir Edward Snowden", defendeu Michael Bochenek, afirmando que uma transferência forçada para os EUA o colocaria sob risco de violações de direitos humanos e, por isso, precisa ser contestada.

Fonte: Voz da Rússia - Com Anistia Internacional

CRÍTICA: Para Bobbio os Estados Unidos, considerada a mais sólida das Democracias, em sua Política internacional age de forma totalitária, provando a tese de José Saramago de que "as democracias ocidentais são fachadas do poder econômico", e o mundo precisa democratizar-se, uma sociedade mundo, mas no modelo econômico liberal isso se torna inviável, a maioria dos casos de espionagem estavam relacionados a assuntos econômicos. Esse modelo não permite a democracia mundial entre nações, a ONU não funciona como uma confederação, é dominada pelo poder econômico.

Autocriticar-se

O perigo em ser um seguidor estar em não se autocriticar. A igreja católica que prega a inviolabilidade da vida eliminou muitos nas fogueiras da inquisição; Trotski fora assassinado por um seguidor soviético que o considerava como perigo para aquele regime.

A emancipação comporta uma autoanálise liberta do superego afastada do egocentrismo. A agressividade naturalmente pertence ao Homo Sapiens, pode aparecer nos mais humanistas. se for um seguidor e não saiba se autocriticar. A hierarquia ´particularmente perigosa nesse sentido, por isso da urgência em desmilitarizar a Polícia Militar no Brasil. Como a Alemanha conseguiu se reorganizar depois do Nazismo? Quantos seguidores de Hitler não devem ter vivido longos anos sem perseguir judeus? Quando colocado dentro de uma estrutura hierárquica a barbárie pode encontrar seu espaço propício.

O Universalismo marxiano e o tema da emancipação pode ser subvertido no seguidorismo. "Liberdade é sempre a liberdade de quem pensa diferente" (Rosa Luxemburgo). Mas como não odiar quem pensa diferente? Sendo diferente sem odiar. Quando dois lados têm uma percepção absoluta de si mesmo a convivência torna-se insuportável, nenhum reconhece o erro próprio, um desqualifica o outro, nas manchetes dos jornais são frequentes os assassinatos depois de discussões de trânsito.

Para o homem se libertar é necessário haver um retrocesso ao individualismo para libertar-se das éticas fechadas, mas, como diz Baumam "o indivíduo é o pior inimigo do cidadão", e a cidadania é fundamental para a Democracia Mundial que deve ser  a grande luta da humanidade no Milênio.


Egito: "Na próxima vez, pode receber um tiro do Exército alguém que amas"

Ativistas egípcios contrários a Morsi condenam a atuação do Exército. A Amnistia Internacional exige uma investigação imparcial sobre a morte de 51 manifestantes pró Morsi e recorda o historial de repressão dos militares egípcios. Uma das 51 vítimas é um jornalista egípcio que filmou como um militar lhe fazia pontaria segundos antes da sua morte. A Human Rights Watch pede que parem “as ações arbitrárias” contra a Irmandade Muçulmana. Artigo de Olga Rodríguez, publicado em eldiario.es
Imagem extraída do vídeo filmado pelo jornalista Ahmed Assem, assassinado na matança da passada segunda-feira, no momento em que um atirador militar lhe aponta a arma.
Chamava-se Ahmed Assem, tinha 26 anos e trabalhava para Al-Horia Wa Al-Adala, diário oficial do partido político da Irmandade Muçulmana. Na madrugada da segunda-feira encontrava-se a fotografar e filmar o protesto que partidários do derrubado presidente Morsi protagonizavam nos arredores da sede da Guarda Republicana, no Cairo.
Segundo o seu chefe, Ahmed foi o único jornalista que gravou a manifestação desde o início.
"No vídeo que filmou podem ver-se dezenas de vítimas. A câmara de Ahmed será uma prova das violações que foram cometidas", disse ao diário “The Daily Telegraph” o editor do jornal em que Ahmed trabalhava.
Na filmagem (este é o link para o vídeo) vê-se como um militar dispara do telhado de um edifício. Fá-lo várias vezes. De repente, gira-se e aponta noutra direção, exatamente à câmara de Ahmed. Segundos mais tarde o jovem jornalista morria de um tiro na frente, segundo várias testemunhas.
Nas últimas horas foram difundidos vários vídeos mais que mostram militares a disparar no protesto pró Morsi no qual morreram 51 manifestantes e mais de 400 ficaram feridos, em frente à sede da Guarda Republicana. Nos confrontos também faleceu um militar. Testemunhas e sobreviventes denunciaram disparos pelas costas e ataques completamente arbitrários por parte das forças de segurança.
O chefe da Guarda Republicana, um veterano da repressão
O chefe da Guarda Republicana, corpo de elite presumivelmente envolvido nesta matança, tem às suas costas um historial de repressão. A Amnistia Internacional denunciou que se trata do mesmo homem que em dezembro de 2011 foi responsável pelos ataques contra manifestantes acampados em frente à sede do Conselho de ministros no Cairo.
Naquela operação militar morreram dezenas de pessoas, centenas ficaram feridas e registaram-se cenas como esta, que deram a volta ao mundo:
Este dado sobre o atual responsável pela Guarda Republicana é mais uma prova da impunidade com que têm atuado durante anos as forças de segurança egípcias, e com a qual continuam a atuar no dia de hoje.
A Amnistia Internacional exigiu uma investigação independente, urgente e séria sobre a morte das 51 vítimas (aqui podem ver-se fotografias) e recordou que “as autoridades egípcias têm um pobre historial na hora de oferecer verdade e justiça em casos de violações dos direitos humanos”.
Além disso, acusou os militares e as autoridades de “branquear” abusos do Exército, e de ocultar conclusões de um relatório sobre matanças de manifestantes.
“A Promotoria tem empregado mais tempo a acusar com processos os críticos do governo do que a perseguir a polícia e o Exército por violações dos direitos humanos”, denunciou a ONG, que acaba de publicar um relatório com o título "Assassinatos ilegais” nos protestos e violência política entre 5 e 8 de julho de 2013".
Ativistas anti Morsi denunciam o Exército
A matança de 51 manifestantes pró Morsi, na qual também ficaram feridas mais de 400 pessoas, gerou indignação e preocupação em diversos setores egípcios.
“Nunca pensei que pudesse ocorrer algo mais desumano que o massacre de Maspero [forças de segurança contra manifestantes cristãos em outubro de 2011, morreram 24 pessoas]. A celebração perante a morte de 51 pessoas demonstra-me que estava equivocada”, lamentou a ativista feminista Mariam Kirollos, publicamente contrária à Irmandade Muçulmana.
Em 2011, sob o comando do Supremo Conselho militar, as forças de segurança mataram e feriram manifestantes, submeteram mulheres a abusos sexuais, registaram-se prisões arbitrárias e torturas, e mais de 12.000 civis foram julgados em tribunais militares. [Neste vídeo relatam-se alguns destes episódios de repressão]
“Quando as autoridades prendem arbitrariamente líderes da Irmandade Muçulmana, encerram canais de televisão, matam manifestantes, põem-nos em risco de confrontação”, advertiu o jornalista Simon Hanna, que também não ocultou a sua alegria perante a queda do presidente Morsi. Na sua conta do Twitter, Hanna denunciou “a violência do Exército contra qualquer manifestante. Apoio o direito a protestar dos defensores de Morsi”.
Outra ativista, também contrária à Irmandade Muçulmana, Salma Said, considera que “os milhões que tomaram as ruas pedindo a saída de Morsi não podem apoiar o Exército matando os seguidores de Morsi”.
“Esta é a polícia de Mubarak. Nunca houve uma purga. Nunca estarei ao seu lado contra ninguém, nem sequer contra a Irmandade Muçulmana”, sublinhou o ativista socialista Hossam El Hamalawy, que tem denunciado a presença de “remanescentes do regime de Mubarak” no chamado campo revolucionário:
“O termo Revolução 30 de junho é uma tentativa sinistra por parte de meios de comunicação públicos e privados para apagar a revolução de janeiro de 2011 e absolver os oficiais da polícia e o Exército”.
Hamalawy, tal como outros ativistas que nestes dias se estão a expressar contra o Exército, celebrou a queda da Irmandade Muçulmana.
A jornalista egípcia Sarah Carr, clara opositora da Irmandade Muçulmana, autora de uma página na qual recolhe, com o objetivo de denunciar, as declarações mais polémicas da Irmandade, escrevia ontem uma reflexão na qual terminava advertindo para os perigos de justificar a violência:
“Na próxima vez, pode receber um tiro do Exército alguém que amas”, rematava Carr.
“A revolução real terá lugar quando o Exército deixe de estar envolvido na política”, assinala Sarah Carr, que escreveu um artigo a defender a inclusão dos grupos islâmicos:
“Têm que ser incluídos, porque não vão para nenhum outro lugar. O maltratado sistema político nascido em janeiro de 2011 foi substituído por algo ainda mais frágil: Um cenário fracionado sem perspetivas de solução, os militares como árbitros e uma Irmandade Muçulmana incendiada que sente que foi enganada. Apertem os cintos".
A crispação é tal que alguns setores da sociedade estão a ver com maus olhos a defesa dos direitos humanos para todos. Perante isso, a ativista Mariam Kirollos comentou: "Defender direitos humanos não me torna pró Morsi, tal como defender os direitos dos animais não me converte numa vaca".
Também a conhecida ativista Gigi Ibrahim, que participou nas manifestações contra Morsi e celebrou a sua queda, condena o papel da cúpula militar:
“O Exército está a jogar um jogo sujo tentando apagar a revolução de 2011 e atribuindo à Irmandade Muçulmana todos os crimes passados. Os Irmãos são culpados, mas não dos crimes do Supremo Conselho militar”, adverte, e arremete contra as leituras simplistas que estão a surgir ao calor da polarização:
“Estar contra o Exército e a cúpula militar não me converte em partidária de Morsi, podemos parar já tanta estupidez?", disse Gigi Ibrahim, que recordou o pacto de bastidores com tensão, isso sim, existente entre a Irmandade e o Supremo Conselho militar até pouco antes do golpe.
Dentro do Egito diversos ativistas e organizações de direitos humanos expressam o seu receio a que as autoridades mantenham a repressão, o que poderia radicalizar os grupos castigados ou marginalizados e alimentar a exclusão.
"Atos arbitrários" contra a Irmandade Muçulmana
Neste sentido expressou-se a secção egípcia da organização Human Rights Watch, que exigiu ao governo militar do Cairo que pare “os seus atos arbitrários” contra a Irmandade Muçulmana e contra meios de comunicação afins. A ONG denunciou o encerramento de meios de comunicação e a detenção de líderes da Irmandade “aparentemente só por serem membros do grupo”.
Além disso, advertiu que as autoridades militares não informaram do paradeiro de Morsi e de outros dez líderes da Irmandade, nem do que são acusados. Também exige a libertação do presidente derrubado e dos seus assessores, “a menos que os promotores tenham provas de que cometeram crimes segundo a lei egípcia”.
“Tanto o general Al Sisi como o presidente interino prometeram um processo político de transição inclusivo, mas estas violações de direitos políticos básicos significarão que a Irmandade Muçulmana e outros ficarão fora da vida política”, adverte HRW.
Artigo de Olga Rodríguez, publicado em eldiario.es Tradução de Carlos Santos para esquerda.net

Notícias do Senado

O Senado voltou atrás e decidiu aprovar algumas mudanças nas regras de suplência Com a aprovação de um substitutivo do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) à Proposta de Emenda à Constituição 11/2003, os senadores reduziram de dois para um o número de suplentes e proibiram a eleição para o cargo de cônjuge ou parente consanguíneo, até segundo grau ou por adoção, do titular do mandato. O texto segue para análise da Câmara dos Deputados.

Na Terça-feira uma proposta semelhante havia sido descartada.

Ontem também o Ministro das Relações Exteriores admite, durante audiência pública no Senado, a possibilidade de o país entrar com representação em organismos internacionais. Será criada uma CPI para investigar o caso.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Sobre a intolerância

Para Hobsbawn o nazismo nasce em reação à Revolução Francesa; desse fato histórico teriam resultado a Democracia Liberal e o Socialismo científico da Karl Marx e Friedrich Engels.

Toda a barbárie nazista se completa no antissemitismo, o judeu fora generalizadamente considerado o culpado do lucro capitalista (Figura dos banqueiros) e responsável pelo socialismo (Marx era filho de um Judeu); o Nazismo fora o fluir extremado da barbárie interior humana por causa da incompreensão, para o Nazismo ser judeu era ser uma dessas duas figuras, é como os "bandidos" de hoje que muito dificilmente deixam essa condição, Hegel dizia que o criminoso transformava-se no próprio crime.

"Liberdade é sempre a liberdade de quem pensa diferente", dizia Rosa Luxemburg, se reduzirmos o outro a suas ideias seremos intolerantes e da intolerância emerge a barbárie, o totalitarismo da União Soviética sobre o pretexto da emancipação humana a transformou em escrava, sob o pretexto de levar democracia os Estados Unidos destroçou o Iraque, sob o pretexto de combater o terrorismo o estimulou, e nós tornamos condenados para sempre quem comete uma falha.

Teria sido possível Hitler ter vivido na Argentina sem sequer ter sido percebido? O escritor argentino Abel Basti em seu livro Hitler em Argentina afirma que Hitler haveria vivido no país latinoamericano. Como teria sido a vida do maior responsável pelo extermínio de 70 milhões de pessoas?

Como pode Israel construir um muro para segregar os palestinos? Como não convivem juntos no mesmo território? Por que ambos não se compreendem, não se auto criticam.

Agora mesmo no Egito vemos a iminência de uma guerra civil principalmente pela tentativa de absolutização do islamismo no país. 

Todo absolutismo, seja ele filosófico ou religioso, é intolerante. Talvez por isso que Karl Marx tenha falado que se o marxismo existisse ele não seria marxismo. A emancipação seria o fim das ideologias absolutas? A capacidade de autocrítica permanente?

Publicado Livro "Da Servidão à Liquidez"

Publicado o livro Da Servidão à Liquidez que destaca a situação política brasileira, o livro nasce por ter convivido de perto na base social do domínio, da falta de manifestação política que proporciona às elites inventarem sistemas de governos que apartam-se do povo.


Colocamos a intensa violência urbana verificada nesse momento contrastando-a com a Guerra entre dois "Brasis" no arraial de Canudos. Como o noticiário policial serve para autorizar a repressão e perpetuar as desigualdades.

Discutimos que educação precisamos, como enfrentar a intolerância e apostando em impossíveis possíveis para o futuro da humanidade.

Saiba mais sobre o livro aqui:
Compre aqui o livro 'Da Servidão à Liquidez' 

O Senado rejeita redução de número de suplentes

O Plenário rejeitou ontem a proposta de emenda à Constituição (PEC 37/2011) que reduzia o número de suplentes de senador e proibia que a vaga fosse destinada a cônjuge ou parente consanguíneo até segundo grau. Com 46 votos a favor, 17 contrários e 1 abstenção, a PEC não alcançou o mínimo para aprovação, 49.

A casa tem suplente com 90 anos de idade e nenhuma função, segue o modelo da obra O Federalista deixando ao Senado a representação dos entes federativos, aqui os estados são representados com esmolas.

O Senado é a oligarquia grande, geralmente dos que já abusaram o cargo de Governo de Estado e não corta privilégios por conta própria, ontem as ruas estavam vazias de protesto.

Conselho Permanente da OEA aprovou a resolução condenando o incidente na Europa, com o avião do presidente da Bolívia

O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) adotou nesta Terça-Feira (09) uma resolução expressando a solidariedade dos Estados Membros com o Presidente da Bolívia, Evo Morales, devido o incidente ocorrido com seu avião oficial, impedido de pousar em Portugal por suspeitas de conduzir o ex-agente da NSA Edward Snowden.

O texto condena a atuação que supostamente violara as normas e princípios básicos do Direito Internacional e "faz um forte apelo aos governos da França, Portugal, Itália e Espanha para que fornecam as explicações necessárias sobre os eventos com o Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Evo Morales, e do correspondente pedido de desculpas." 

Durante a reunião especial, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, disse que  sentiu "indignação e  solidariedade imensa pela agressão da qual fora  vítima  um governante da América Latina e do Caribe. 'Não é qualificado como um incidente  qualquer o que aconteceu no dia 2 de julho. 'É uma grave ofensa a um presidente democrático da região ". 

FMI reviu em baixa as previsões de crescimento das principais economias mundias

Austeridade dita agravamento da recessão na zona euro

“A recessão na zona euro foi mais profunda do que o esperado porque a fraca procura, a confiança deprimida e os balanços frágeis interagiram, tornando ainda mais fortes os efeitos no crescimento e o impacto das condições orçamentais e financeiras muito restritivas”, avança o FMI.

O impacto das políticas de austeridade traduziram-se, segundo o Fundo, no agravamento da recessão na Zona Euro em 2013, que será de 0,6%, contra os 0,4% avançados em abril. Para o próximo ano, é prevista uma retoma de 0,9%, face aos 1% já anunciados.

Os três países que adquirem mais bens e serviços portugueses nos mercados internacionais - Espanha, Alemanha e França -, tendo contribuído para 47% das exportações nacionais em 2012, registam uma revisão em baixa das previsões do PIB.

Em Espanha a situação é particularmente preocupante. Para 2013 é mantida a previsão de uma contração de 1,6%. Já no que respeita a 2014, e ao contrário do que acontecia em abril, quando ainda era anunciado um crescimento de 0,7%, o FMI aponta agora para uma estagnação da economia espanhola. Na Alemanha, o crescimento será de 0,3% em 2013, contra os 0,6% estimados há três meses.

Ainda que não seja avançada qualquer projeção para Portugal, e tendo em conta que o regresso a uma taxa de crescimento em 2014 depende diretamente de um aumento das exportações, os dados agora anunciados pelo FMI deixam antever uma nova revisão das previsões da troika e do governo PSD/CDS-PP para o país.

As projeções oficiais antecipavam um crescimento das exportações de 0,8% em 2013 e de 4,4% em 2014.

Previsões para Brasil, Rússia e China são revistas em baixa


A projeção do FMI para o crescimento da economia mundial também sofreu uma revisão em baixa. É agora apontado um crescimento de 3,1%, 0,2% inferior ao avançado em abril. Para o próximo ano, o Fundo estima que a variação do PIB mundial atinja os 3,8%, contra os 4% já anunciados.

A China, o Brasil e a Rússia veem as suas projeções de crescimento decrescer significativamente. O crescimento passa a ser inferior a 8% na China, tanto em 2013 como em 2014. No Brasil, as previsões foram revistas em baixa em 0,5% e 0,8%, respetivamente, passando a ser de 2,5% este ano e de 3,2% em 2014. Na Rússia, espera-se que o crescimento do PIB seja inferior em 0,9% e 0,5% ao já anunciado, fixando-se em 2,5% em 2013 e em 3,3% no próximo ano.

Segundo adianta o jornal Público, o FMI justifica este decrescimento com o impacto da retirada de políticas monetárias mais expansionistas por parte da Reserva Federal norte americana e com o facto de estas economias já estarem muito próximas do seu potencial.

ESQUERDA.NET

terça-feira, 9 de julho de 2013

Snowden aceita asilo na Venezuela

O ex-agente dos serviços secretos estadunidenses Edward Snowden aceitou em 09 de julho a proposta das autoridades da Venezuela de se mudar para este país e obter asilo político, informou no Twitter Alexei Pushkov, presidente do comitê dos assuntos internacionais da Duma de Estado russa.
Edward Snowden, cia, espionagem, inteligência
Foto: Voz da Rússia

“Como era de esperar, Snowden aceitou a proposta de Nicolás Maduro de conceder-lhe asilo político. Dá impressão que Snowden qualificou essa variante como a mais segura”, escreveu o deputado. Ele não indicou, contudo, as fontes dessa informação e mais tarde eliminou-a do microblogue.

Voz da Rússia

Fazer a reforma política com os pés

"Na Alemanha Oriental, (os) cidadãos decidiram (de forma) desorganizada, espontânea, embora decisivamente facilitada pela decisão da Hungria de abrir suas fronteiras – de votar com seus pés e seus carros con­tra o regime, migrando para a Alemanha Ocidental. Em dois meses, 130 mil alemães orientais tinham feito isso (…), antes da que­da do Muro de Berlim. (…) Foi uma demonstração didática da máxima de Lenin de que a votação com os pés dos cidadãos podia ser mais eficaz do que a votação em eleições" (Hobsbawn).

Mergulhada no descrédito da ineficiência e sem qualquer confiança a “classe política” que usufrui do paraíso dos cargos eletivos não reúne condições de fazer qualquer tipo de reforma que contradigam seus privilégios.
              
O Sistema Eleitoral brasileiro não é mais viável, nunca o fora, mas agora torna-se insuportável, clientelista e corrupto, é totalmente vazio. É assistir a “programas eleitorais” restritos a fazer publicidades com nomes e números; Programas partidários fazendo marketing com obras da Administração Pública, há nisso tudo uma defesa inexorável à posse do poder. Por isso o ódio a “políticos” e a “partidos”, daqueles que nem são políticos e nem partidos, se Políticos e Partidos fosse o povo o povo não sentiria ódio dele mesmo.
            
Esse sistema alimenta e é alimentado por quem o criou, ele é apartado do povo. Que contradição! Partido que tem que ser o povo se põe contra o povo, acabou, não há mais viabilidade.
            
A reforma política brasileira há que ser feita com os pés, com a resistência popular integralizando política e povo, nas ruas; essa tal “classe política” apartada e cheia de super privilégios é a simulação política desprovida de política.
          
“Todos os políticos são ladrões e corruptos”, quem nunca ouviu esta frase? Ela deixa claro que a política encontra-se deslocada do seu sentido, ela estar entregue a esta “classe política”, é ao mesmo tempo uma crítica vulgar e também uma reação natural.
              
Há que se prezar pela fraternidade das ruas, não se pode deixar que as reações contra a “classe política” se torne em moralina e se queira encontrar “heróis”, caçadores de marajás, donos da moral, não é de um líder que precisamos pois líderes querem seguidores e seguidores são tornados em fanáticos, somente a crítica consciente e organizada nas ruas pode fazer as mudanças necessitadas.

“A indignação sem reflexão nem racionalidade conduz à desqualificação do outro. Impregnada de moral, a indignação não passa, com frequência, de uma máscara de cólera imoral” (Morin. P. 56)

              
A política não pode ser de uma “classe política”, tampouco pode “passar”com as eleições, ela precisa da crítica, precisa da sociedade toda.

Referência:
MORIN, Edgar. O Método 6: Ética. 3ªed. Porto Alegre. Sulina: 2007.
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX. Trad. Marcos Santarrita. São Paulo, Companhia das Letras, 1996