"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 24 de agosto de 2013

Síria: Um milhão de crianças refugiadas

A UNICEF e o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados adiantaram esta sexta feira que metade do total dos refugiados sírios são crianças. O gabinete chefiado por António Guterres aponta que cerca de 7000 crianças foram mortas durante o conflito.
Foto EPA/JAMAL NASRALLAH.
As crianças “foram arrancadas das suas casas e expostas a horrores", assinalou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), acrescentando que “a revolta física, o medo, o stress e o trauma vividos por tantas crianças são apenas parte da crise humanitária”.
Ambas as agências destacaram, em comunicado, “outras ameaças para as crianças refugiadas, como o trabalho infantil, o casamento precoce e o risco de exploração sexual e tráfico”. “Mais de 3.500 crianças que estão na Jordânia, no Líbano e no Iraque atravessaram a fronteira síria não acompanhadas ou separadas das suas famílias”, adiantaram.
"Um milhão de crianças refugiadas - um marco vergonhoso na crise síria", pode ler-se na declaração, na qual é apontado que mais de 740 mil crianças sírias refugiadas têm menos de 11 anos. Turquia, Líbano, Iraque, Jordânia, Norte de África ou até mesmo Europa são alguns dos seus destinos.
"Esta milionésima criança refugiada não é apenas mais um número”, referiu o director executivo da UNICEF,   Anthony Lake. "Trata-se de uma criança com nome e com rosto, que foi arrancada da sua casa, talvez até de uma família, enfrentando horrores difíceis de imaginar", frisou.  
O alto comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, lembrou, por sua vez, que “os jovens da Síria estão a perder as casas, os familiares e o futuro” e que “mesmo depois de atravessarem uma fronteira em busca de segurança, continuam traumatizados, deprimidos e a precisarem de uma razão para ter esperança”.
As duas organizações alertaram ainda que cerca de 7000 crianças foram mortas durante o conflito e mais dois milhões de jovens menores de idade continuam no país, expostos a constantes ataques e a serem frequentemente recrutados como combatentes.
"É uma vergonha para todos nós porque ainda que estejamos a trabalhar para minorar o sofrimento daqueles que são afetados por esta crise, a comunidade  internacional falhou nas suas responsabilidades. Devíamos parar e perguntarmo-nos  como podemos, em plena consciência, continuar a falhar para com as crianças  da Síria", salientou Anthony Lake.
O Plano Regional de Resposta aos Refugiados Sírios, “que precisa de 2259 milhões de euros para responder às necessidades dos refugiados até dezembro deste ano”, está, segundo a UNICEF, “financiado em apenas 38%”.

Grécia : A troika transforma a recessão em depressão. Salvamento ou afogamento?

A paisagem da Grécia é catastrófica e alarmante para o resto da Europa. Os credores transformaram a recessão numa depressão e a Troika (UE - FMI - BCE) ensombra cada vez mais a situação. Artigo de Jérome Duval, publicado no CADTM.
Seis anos de recessão, a queda dramática do PIB de 231 mil milhões, em 2009, para 193 mil milhões de euros, em 2012, uma taxa de desemprego de 27% (passa de 7,5% para 26,9% entre o segundo trimestre de 2008 e abril de 2013), de 57% para os cidadãos com menos de 25 anos, e uma explosão de suicídios... a paisagem da Grécia é catastrófica e alarmante para o resto da Europa. Como na Argentina, em 2001, as crianças desaparecem dos bancos da escola por falta de alimentação. Há um aumento dos casos de HIV, numa altura em que os gastos com a saúde caíram mais de 20% em dois anos (passaram de 7,1% do PIB, em 2010, para 5,8%, em 2012). Entretanto, o partido nazi Aurora Dourada, com representação parlamentar, aproveita a decadência social para espalhar o ódio. Os credores transformaram a recessão numa depressão e a Troika (UE - FMI - BCE) ensombra cada vez mais a situação.
A nova solução do FMI para salvar o seu plano
Todo o trabalho da troika é feito com base numa taxa de dívida pública de 124% do PIB, em 2020. Acreditando que tudo se desenrolará de acordo com esse objetivo irrealista, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aplica-se a retificar o tiro para manter a linha de mira. Deverá a população grega aceitar um horizonte macroeconómico, que não tem minimamente em consideração o seu bem estar?
Esquecido o entusiasmo em relação à redução do défice externo, o último relatório do FMI sobre a Grécia, divulgado no final de julho de 2013, confirma que a população grega vive estrangulada pelo peso duma dívida pública, que não pára de aumentar. A redução conseguida em 2012, situando a dívida "apenas" nos 156,9% do PIB, contra os 170,3% do ano anterior, é totalmente anulada por uma taxa que ronda, em 2013, os 176% do PIB[i].
Embora reconhecendo, por meias palavras, a sua derrota clamorosa na Grécia, a instituição de Washington reafirma ter a solução... Com base em previsões de crescimento, que estão constantemente a ser revistas em baixa, o cenário "otimista" baseia-se numa recuperação imaginária das exportações, do investimento e do consumo, com o objetivo de atingir a famosa meta da dívida de 124% do PIB, em 2020, antes de chegar aos 110%, em 2022, a verdadeira obsessão do FMI. No entanto, essa taxa da dívida pública será, apenas, ligeiramente inferior à taxa alcançada, onze anos antes, em 2009, quando se situava nos 129,7% do PIB. Tudo previsões com base em suposições, portanto!
É do conhecimento público que as políticas económicas, implementadas, há três anos, pela troika, têm falhado de forma escandalosa, sufocando cada vez mais a população. O FMI deverá, no entanto, encontrar novas fontes de financiamento, para além daquelas já previstas no seu plano de austeridade (receitas de privatizações, redução de despesas através de cortes nos gastos sociais, etc.), para que o país possa pagar aos credores. De facto, o FMI estima que as finanças públicas da Grécia vão precisar, em 2014 e 2015, de mais cerca de 11 mil milhões de euros para satisfazer as suas necessidades de financiamento. Mais precisamente de 4,4 mil milhões de euros, no final de 2014, e de 6,5 mil milhões, em 2015. O Estado é obrigado a pagar aos credores que concederam linhas de crédito astronómicas, quaisquer que sejam os resultados.
Mas há mais: de acordo com o FMI, será necessária uma nova redução parcial da dívida pública grega, dentro de dois anos, para que a dívida possa baixar, como planeado pela instituição, até aos 124% do PIB, em 2020. Essa redução seria da ordem dos 4% do PIB, ou seja, cerca de sete mil milhões de euros, a cargo dos parceiros europeus. Claro e como de costume, fazendo com que as medidas propostas garantam o sucesso do dito "resgate". Para além da troika e do governo grego, quem é que ainda acredita na sua eficácia?
Golpe de teatro e chamada à ordem
Em 29 de julho de 2013, o comité executivo do FMI reúne-se para aprovar o pagamento de uma nova tranche de 1,72 mil milhões de euros (2,27 mil milhões de dólares) à Grécia. Uma das condições do empréstimo é a implementação de um plano de redução do setor público, que permite o despedimento de 4.200 funcionários públicos[ii]. Episódio inesperado, o brasileiro, Paulo Nogueira Batista, que representa 11 países, na sua maior parte, da América Central e do Sul[iii], abstém-se. "Os recentes desenvolvimentos na Grécia confirmam os nossos piores receios. (...) A implementação [do programa de reformas] foi decepcionante em quase todas as áreas. As estimativas de crescimento e sustentabilidade da dívida foram demasiado otimistas, disse.
Apesar de o voto de 11 países em desenvolvimento da América Central e do Sul não alterar a correlação de forças em relação aos Estados Unidos, que mantêm o seu poder de veto desde a criação da instituição – os países em causa possuem apenas 2,61% do poder de veto, contra os 16,75% dos Estados Unidos - o caso abanou a habitual sonolência que caracteriza as reuniões. O ministro brasileiro das Finanças, Guido Mantega, deu garantias à diretora do FMI, Christine Lagarde, em relação ao sucedido: a situação não voltará a acontecer, o Brasil apoia o FMI, o representante brasileiro não foi mandatado para se abster[iv].
O ministro interpelou “de imediato” o seu representante no sentido de justificar o sucedido... Em vez de ter adotado uma atitude de submissão, incidente diplomático à parte, o Brasil, se o governo quisesse, poderia ter enfrentado o FMI, na medida em que não lhe deve nada. De notar que a abstenção interessada de ​​Paulo Nogueira Batista refere o receio de a Grécia não reembolsar o empréstimo concedido pelo FMI e não um desejo de justiça e de ajuda desinteressada à Grécia.
Um salvamento… até ao afogamento?
Convém compreender que a troika, com o seu "resgate" à Grécia, quer, na realidade, impor uma cura liberal radical, endividando cada vez mais o Estado com o objetivo de silenciar definitivamente os poderes públicos. Assim, esta nova tranche do FMI faz parte de um plano mais alargado de endividamento da Grécia em relação a troika. De facto, a Grécia recebeu, a 31 de julho, uma tranche de 4 mil milhões de euros, concedida pelas autoridades europeias: 2,5 mil milhões de euros concedidos pela zona euro através do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e um empréstimo de 1,5 mil milhões, que vence em 2048, concedido pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), chamado a prazo a substituir o FEEF, gerado pelos bancos centrais dos países europeus, com o objetivo de restituir a Atenas os juros da dívida grega. Por outras palavras, uma parte dos juros que a Grécia pagou aos países da UE, no âmbito do memorando de 2010, ser-lhe-á restituída sob a forma de empréstimo. A Europa liberal será cínica ao ponto de cobrar juros sobre os juros pagos pela Grécia? Estes empréstimos são odiosos, porque, para além de violarem os direitos humanos, são remunerados a taxas muito elevadas (cerca de 5%). Quando a Alemanha e a França se financiam, a 10 anos, a 2%, enriquecem ao emprestarem a 5% à Grécia.
Na sequência do encerramento da televisão pública grega[v] descobre-se, entre as condições dos empréstimos, uma nova lei sobre a função pública, adotada a 18 de julho, poucas horas antes da visita a Atenas do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble - visita que transformou o centro de Atenas numa “terra de ninguém” vigiada pela polícia. Essa lei prevê o despedimento em massa de funcionários, violando abertamente a Constituição grega, e sacrifica milhares de funcionários que terão de trabalhar durante oito meses com salário reduzido, antes de aceitarem uma nova proposta salarial, sob pena de irem para a rua. Ao todo, 4.200 pessoas foram afetadas: policiais municipais, professores, auxiliares... Uma lei sobre a reforma do código tributário, adotada de urgência, a 25 de julho de 2013, complementa a lei aprovada em 18 de julho. Uma magra compensação foi, entretanto, conseguida pelo governo junto da troika : a redução temporária de 10 pontos na taxa do IVA sobre a restauração, 13% contra 23% há mais de um ano.
Além disso, entre outras medidas, a Troika pretende privatizar os serviços públicos de transporte de longa distância, as empresas de gestão de água e saneamento em Atenas (EYDAP) e Salónica (EYATH), a companhia do gás (DEPA), a maior empresa de refinação e distribuição de petróleo (ELPE, Hellenic Petroleum SA), a lotaria nacional, a organização grega de previsões de futebol (OPAP)...
Depois dos sucessivos fracassos na resolução da crise asiática (Tailândia, Indonésia e Coreia do Sul), em 1997, e noutros locais, o FMI continua a sua cruzada contra a soberania dos povos na Europa, onde a Grécia é o seu laboratório experimental. As últimas declarações do FMI, no sentido de reduzir as políticas de austeridade, não valem nada e, sob o pretexto de reduzir a dívida, a instituição de Washington está pronta para o pior, sob o olhar ávido do partido nazi grego. Para iniciar uma viragem em defesa do povo grego, é preciso anular a dívida da Grécia em relação à troika, porque é odiosa[vi]. É preciso anular também as outras dívidas ilegítimas e revogar todas as medidas antissociais impostas desde 2010. A troika, que mergulha a Grécia numa crise humanitária assassina, deve sair de cena o mais depressa possível.

Tradução: Maria da Liberdade

Xenofobia: Manifestações anti-ciganos na Rep. Tcheca

Na República Tcheca manifestações racistas ocorrem neste sábado em pelo menos 5 cidades do país. Grupos nacionalistas protestam contra a comunidade dos ciganos no país.

O Partido Justiça Social dos Trabalhadores, de extrema-direita, tem convocado muitas dessas manifestações. A polícia tcheca recorreu ao uso de gás lacrimogêneo contra as nacionalistas que se enfureceram na cidade de Ostrava, durante uma manifestação anti-cigana.

Durante o protesto, que havia sido sancionado, os manifestantes tentaram invadir um bairro cigano.

Com voz da Rússia


A pós-modernidade, segundo Bauman

Trecho do livro "Modernità e ambivalenza" [Modernidade e ambivalência] (Ed. Bollati Boringhieri), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman ,a ser publicado nos próximos dias na Itália. O texto foi publicado no jornal La Repubblica, 12-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

* * *

A queda das "grandes narrações" (como Lyotard as define) – a dissolução da fé nos tribunais de apelação supraindustriais e supracomunitários – foi vista com temor por muitos observadores, como um convite a uma situação do tipo "tudo vai bem", à permissividade universal e portanto, no fim, à renúncia a toda ordem moral e social.

Lembrando-nos da máxima de Dostoiévski, "Se Deus não existe, tudo é permitido", e da identificação durkheimiana do comportamento associal com o enfraquecimento do consenso coletivo, chegamos a acreditar que, a menos que uma autoridade imponente e indiscutível – sagrada ou secular, política ou filosófica – esteja acima de todo indivíduo, o futuro nos reservará provavelmente anarquia e carnificina universal.

Essa crença sustentou eficazmente a moderna determinação de instaurar uma ordem artificial: um projeto que suspeitava de toda espontaneidade até que se provasse sua inocência; um projeto que colocava de lado tudo o que não estava explicitamente prescrito e identificava a ambivalência com o caos, com o "fim da civilização" assim como a conhecemos e podemos imaginá-la.

Talvez, o medo surja da consciência reprimida de que o projeto estava condenado desde o princípio. Talvez, havia sido cultivado deliberadamente desde o momento em que desenvolvia o útil papel de baluarte emotivo contra o dissenso. Talvez, era só um efeito colateral, um repensamento intelectual nascido da prática sócio-política da cruzada cultural e da assimilação forçada.

De um modo ou de outro, a modernidade decidida a demolir toda diferença não autorizada e todos os modelos de vida rebeldes só podia conceber o horror ao desvio e transformar o desvio em sinônimo de diversidade. Como comentaram Adorno e Horkheimer, a cicatriz intelectual e emotiva permanente deixada pelo projeto filosófico e pela prática política da modernidade foi o medo do vazio. E o vazio era a ausência de um padrão vinculante, inequívoco e aplicável em nível universal.

Do popular medo do vazio, da ansiedade nascida da ausência de instruções claras que não deixam nada à dilacerante necessidade da escolha, fomos informados pelos relatos preocupados dos intelectuais, intérpretes designados ou autodesignados da experiência social. Os narradores, porém, nunca ficaram ausentes da sua narração, e é uma tarefa desesperada a de tentar separar a sua presença das suas histórias. É possível que, em geral, houvesse uma vida fora da filosofia, e que essa vida não compartilhasse a preocupação dos narradores e que passasse bem, mesmo sem ser disciplinada por padrões de verdade, bondade e beleza provados racionalmente e aprovados filosoficamente.

É possível até que grande parte dessa vida fosse vivível, ordenada e moral justamente porque não era retocada, manipulada e corrompida pelos agentes autoproclamados da "necessidade universal". Mas não há dúvida de que uma forma particular de vida não pode passar bem sem o sustento de padrões universalmente vinculantes e apoditicamente válidos: trata-se da forma de vida dos próprios narradores (mais precisamente, a forma de vida que contém as histórias narradas por grande parte da história moderna).

Foi principalmente aquela forma de vida que perdeu o seu fundamento, uma vez que os poderes sociais abandonaram as suas ambições ecumênicas, e que se sentiu ameaçada mais do que qualquer outra pela dissolução das expectativas universalistas. Enquanto os poderes modernos se agarraram resolutamente à intenção de construir uma ordem mais eficaz, guiada pela razão e, portanto, definitivamente universal, os intelectuais não tiveram grandes dificuldades para articular a sua reivindicação de um papel crucial no processo: a universalidade era o seu domínio e o seu campo de especialização.

Enquanto os poderes modernos insistiram na eliminação da ambivalência como medida do melhoramento social, os intelectuais puderam considerar o seu trabalho – a promoção de uma racionalidade universalmente válida – como veículo principal e talvez arrastante do progresso.

Enquanto os poderes modernos continuaram denegrindo, colocando de lado e expulsando o Outro, o diferente, o ambivalente, os intelectuais puderam contar com um massivo apoio à sua autoridade de julgar e de distinguir o verdadeiro do falso, o conhecimento da mera opinião. Assim como o protagonista adolescente do Orfeu de Jean Cocteau, convicto de que o sol não surgia sem a serenata da sua cítara, os intelectuais se convenceram que a moral, a vida civil e a ordem social dependiam da sua solução do problema da universalidade: da sua capacidade de fornecer a prova decisiva e definitiva do fato de que o "dever" humano é inequívoco e que a sua inequivocabilidade tem fundamentos indestrutíveis e totalmente confiáveis.

Essa convicção se traduziu em duas crenças complementares: que não haveria nada de bom no mundo, a menos que fosse provada a sua necessidade; e que provar essa necessidade, se e quando fosse possível, teria um efeito sobre o mundo semelhante ao atribuído aos atos legislativos de um governante: substituiria o caos pela ordem e tornaria transparente o que era opaco.

O efeito mais espetacular e duradouro da última batalha da verdade absoluta não foi tanto a sua inconclusão, derivante como diriam alguns dos erros de projeto, mas a sua total irrelevância ao destino mundo de verdade e bondade. Esse destino foi decidido muito longe das escrivaninhas dos filósofos, lá embaixo no mundo da vida cotidiano onde se enfureciam as lutas pela liberdade política e onde se empurravam para frente e para trás os limites da ambição estatal de legislar sobre a ordem social, de definir, segregar, organizar, constranger e reprimir.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

NSA paga milhões à Microsoft, Yahoo, Google e Facebook por espionagem

Documentos divulgados por Edward Snowden, citados pelo Guardian, provam que a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA pagou às gigantes empresas de Internet para que estas continuassem a cooperar com o programa de vigilância massiva PRISM.
Foto de Scott Beale, flickr.
O material ultra secreto fornecido ao Guardian pelo antigo analista informático da NSA revela que foram gastos “milhões de dólares” do erário público em reembolsos a empresas como a Microsoft, Yahoo, Google e Facebook pelas atualizações que estas tiveram de adotar por forma a respeitar os requisitos exigidos pelo Tribunal FISA (Foreign Intelligence Surveillance Act).
Em outubro de 2011, este tribunal verificou a inconstitucionalidade de algumas atividades da NSA - tendo ficado provado que a agência violou a privacidade de milhares de pessoas sem qualquer relação com o terrorismo - e determinou que a NSA teria de alterar a forma como reunia a informação eletrónica.
Ainda que a decisão não dissesse respeito diretamente ao programa PRISM, “os documentos fornecidos ao Guardian pelo informador Edward Snowden descrevem os problemas que a decisão trouxe à agência e os esforços necessários para assegurar que as operações prosseguiam em conformidade”, adianta o diário.
Segundo o Guardian, na sequência do acórdão do FISA, as “certificações” que garantiam o enquadramento legal das operações de vigilância, e que deveriam ter um caráter anual, passaram a ser renovadas com caráter temporário, até que a agência sanasse as irregularidades detectadas.
“Os problemas do ano passado resultaram em múltiplas extensões das datas de expiração das certificações cuja implementação custa milhões de dólares aos fornecedores do PRISM. Esses custos foram cobertos pelas Operações de Fontes Especiais”, refere um dos documentos citados pelo Guardian, datado do final de 2012.
Segundo explicou Edward Snowden ao jornal britânico, as Operações de Fontes Especiais são a “jóia da coroa” da NSA, já que coordenam todos os programas de espionagem, como o PRISM, que se baseiam nas "alianças corporativas" com empresas de telecomunicações e fornecedores de internet, que facultam o acesso aos dados de comunicações.
“Primeira evidência de uma relação financeira entre as empresas de tecnologia e a NSA”
A revelação de que dinheiro dos contribuintes foi usado para cobrir os custos das gigantes empresas de internet para que estas continuassem a cooperar com o programa de vigilância massiva PRISM “levanta novas questões sobre a relação entre Silicon Valley e a NSA”, avança o diário, lembrando que “desde que a existência do programa foi revelada pela primeira vez pelo Guardian e pelo Washington Post, as empresas têm negado repetidamente qualquer conhecimento do mesmo e insistiram que apenas entregam os dados dos utilizadores em resposta a solicitações legais específicas das autoridades”.
Previamente à publicação do artigo, o Guardian contatou as empresas para obter algumas informações sobre o seu papel nos programas de vigilância e o financiamento da NSA. Um porta voz da Yahoo reconheceu que as “leis federais exigem que o governo dos EUA reembolse os fornecedores em todos os custos incorridos para responder a todos os procedimentos legais obrigatórios impostos pelo Governo”. “Solicitámos estes reembolsos de acordo com a lei”, adiantou, não confirmando, porém, a sua participação nos programas.
O Facebook, por sua vez, respondeu que "nunca recebeu qualquer compensação relativa ao pedido de informações por parte do governo”. A Microsoft e Google optaram por não se pronunciar sobre as questões colocadas pelo Guardian.
A “reviravolta” do presidente dos Estados Unidos
Entre 2005 e 2008, ano em que foi eleito, Barack Obama, à época senador do Illinois, apresentou várias propostas para controlar e limitar as operações de vigilância promovidas pela NSA.
Após ser eleito, Obama esqueceu os seus compromissos. Logo em 2008, apoiou ativamente o projecto de lei que autorizava o programa PRISM. Em 2011, assinou a renovação do Patriotic Act, que veio, na prática, suprimir as liberdades civis. Em junho do presente ano, o Guardian revelou que o governo norte americano pediu e obteve, através de uma ordem judicial secreta, os dados de milhões de assinantes da operadora de telemóveis Verizon.
Desde que rebentou o escândalo causado pelas revelações de Snowden, Obama já prometeu alterar alguns capítulos do Patriotic Act consagrados à NSA e anunciou a criação de um grupo de “peritos externos”, encarregue de auditar as modalidades de vigilância.
Certo é, contudo, que a independência desse grupo é totalmente questionável. James Clapper, que preside à Direcção Nacional de Informações, responsável pela coordenação da NSA, e que está directamente sob a supervisão presidencial, assume a tarefa de formar o grupo. Michael Morell, ex chefe interino da CIA, também faz parte do painel, segundo avança a ABC News.

Zygmunt Bauman: A solidariedade pode melhorar o mundo.

Conferência dedicada à solidariedade que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman irá proferir no evento Diálogos sobre o homem, em Pistoia, na Itália.

O artigo foi publicado no jornal La Repubblica, 21-05-2012. 

Eis o texto.

Pelo que eu saiba, foi um economista, o professor Guy Standing, que cunhou (e acertou em cheio!) o termo precariat. Ele o fez para substituir ao mesmo tempo os termos proletariado e classe média, que já haviam atingido amplamente a data de validade e haviam se tornado "termos zumbis", como certamente teriam sido definidos por Ulrich Beck.

Como sugere o blogueiro que se esconde atrás do pseudônimo Ageing Baby Boomer (isto é, um filho do baby boom com muitos anos de idade), "é o mercado que define as nossas escolhas e nos isola, impedindo que qualquer um ponha em discussão o modo em que essas escolhas são definidas. Quem faz a escolha errada será punido. Mas o que torna o mercado tão cruel é o fato de que ele não se dá conta minimamente de que certas pessoas estão muito melhor equipadas do que outras a escolher bem, porque possuem o capital social, o saber ou os recursos financeiros".

O que "unifica" o precariado, o que mantém unido esse conjunto extremamente diversificado, tornando-o uma categoria coesa, é a sua condição de máxima fragmentação, pulverização, atomização. Todo os precários sofrem, independentemente da sua proveniência ou pertencimento, e cada um sofre sozinho. Mas todos esses sofrimentos suportados individualmente mostram uma surpreendente semelhança entre si. Reduzem-se a uma única coisa: a pura e simples incerteza existencial, uma assustadora mistura de ignorância e de impotência que é fonte inexaurível de humilhação.

Contudo, esses sofrimentos não se somam, ao contrário, se dividem e separam aqueles que os sofrem, negando-lhes o conforto de um destino comum, e fazem parecer risíveis os apelos à solidariedade.

Essa condição, muito visível embora se tente dissimulá-la com todos os meios, testemunha que as autoridades – que têm o poder de conceder ou negar direitos – recusaram-lhes os direitos reconhecidos a outros seres humanos, "normais" e, portanto, respeitáveis. Desse modo, ela testemunha, indiretamente, a humilhação e o desprezo de si que são uma consequência inevitável do aval, por parte da sociedade, da indignidade e da ignomínia que atinge algumas pessoas.

A política emergente – a desejada alternativa a mecanismos políticos já desacreditados – tende a ser horizontal e lateral, ao invés de vertical e hierárquico. Para mim, ela lembra um enxame: como enxames de insetos, alianças e reagrupamentos são criações efêmeras, fáceis de unir, mas difíceis de manter unidas pelo tempo necessário para "se institucionalizarem", isto é, para construírem estruturas duráveis. Elas podem se virar sem quartéis generais, burocracia, líderes, supervisores ou chefes. Unificam-se e se dispersam quase espontaneamente e com a mesma facilidade. Cada momento da sua vida é intensamente apaixonado, mas notoriamente as paixões intensas desaparecem rapidamente. Não se pode erigir uma sociedade alternativa sobre a paixão unicamente: a ilusão da sua viabilidade consome grande parte das energias que se exigiria para construí-la.

Se as revoluções não são produtos da desigualdade social, os campos minados sim. Os campos minados são áreas disseminadas de explosivos espalhados ao acaso: pode-se ter a certeza de que, uma vez ou outra, algum deles irá explodir, mas qual e quando não se pode determinar com algum grau de certeza. Como as revoluções sociais são eventos com um propósito e com um objetivo, é possível fazer algo para localizá-las e frustrá-las a tempo, enquanto isso não vale para as explosões dos campos minados.

Quando o campo minado foi predisposto por soldados de um exército, pode-se enviar outros soldados, pertencentes a um outro exército, para extrair as minas e desarmá-las: "O soldado antibombas erra uma só vez". Mas esse remédio, embora insidioso, não está disponível no caso dos campos minados predispostos pela desigualdade social: quem deve semear as minas e depois extraí-las é o mesmo exército, que não pode deixar de adicionar novos dispositivos aos velhos, nem evitar colocar o pé em cima mais e mais vezes. Semear minas e cair vítimas das suas explosões são uma mesma coisa.

Todas as variedades de desigualdade social brotam da divisão entre ricos e pobres, como Miguel de Cervantes Saavedra já observava há meio milênio. No entanto, em épocas diversas, possuir ou não possuir objetos diversos são, respectivamente, a condição mais apaixonadamente desejada e a mais apaixonadamente sofrida.

Dois séculos atrás, na Europa, ainda há poucas décadas em alguns lugares distantes da Europa, e ainda hoje em alguns campos de batalha de guerras tribais ou parques de diversões das ditaduras, o objetivo principal que opunha em conflito ricos e pobres era pão ou o arroz. Graças a Deus, à ciência, à tecnologia e a certos expedientes políticos razoáveis, não é mais assim.

Mas isso não significa que a velha divisão esteja morta e sepultada: ao contrário... Hoje em dia, os objetos do desejo cuja ausência é mais agudamente sentida são muitos e variados, e o seu número aumenta dia após dia, assim como as tentações para obtê-los.

E assim crescem a ira, a humilhação, o rancor e o ressentimento suscitados por não tê-los. E com eles o desejo de destruir o que você não pode ter. Saquear as lojas e dar-lhes chamas são gestos que podem derivar do mesmo impulso e gratificar o mesmo desejo.

Hoje, os europeus são 333 milhões, mas dentro de 40 anos, na atual taxa média de natalidade (já em queda em todo o continente), cairão para 242 milhões. Para preencher a lacuna serão necessários ao menos 30 milhões de novos desembarques, senão a nossa economia europeia sofrerá um colapso, e com ela o padrão de vida que prezamos tanto. Mas como podemos integrar comunidades diferentes?

Em um pequeno mas interessante estudo, Richard Sennett sugere que "uma colaboração informal e sem limites prefixados é a melhor maneira de fazer a experiência da diferença". Nessa frase, cada palavra é decisiva. "Informalidade" significa que não há regras de comunicação pré-estabelecidas: tem-se a confiança de que se autodesenvolvam na medida em que aumenta o alcance, a profundidade e a significância da comunicação: "Os contatos entre pessoas dotadas de competências ou de interesses diferentes são ricos quando são desordenados, e fracos são regulamentados".

"Sem limites prefixados" significa, além disso, que o resultado deveria seguir uma comunicação presumivelmente prolongada, ao invés de ser pré-estabelecido de modo unilateral: "Deseja-se descobrir a outra pessoa sem saber onde isso o levará. Em outros termos, deseja-se evitar a férrea norma da utilidade que estabelece um propósito – um produto, um objetivo político – fixado antecipadamente".

E, por fim, "colaboração": "Supõe-se que as várias partes ganhem todas com a troca, e não que uma só ganhe às custas das outras". Eu acrescentaria: é preciso aceitar que, nesse jogo particular, tanto ganhar quanto perder só são concebíveis juntos. Ou todos ganhamos ou todos perdemos. Tertium non datur.

Sennett resume a sua sugestão como segue: "Os escritórios e as ruas se tornam desumanos quando dominam a rigidez, a utilidade e a competição. Tornam-se humanos quando promovem interações informais, sem limites prefixados, colaborativas".

Eu penso que todos nós, que somos chamados e desejamos ensinar, poderíamos e deveríamos aprender a nossa estratégia com esse triplo preceito, lacônico mas abrangente, expresso por Richard Sennett. Aprender nós mesmos a pô-la em ato, mas também – e isto é o mais importante – transmiti-la àqueles que são chamados e desejam aprender conosco.

Governo do RN teria pedido lista de grevistas para realizar cortes

O Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte  divulgou uma nota nesta sexta (23) onde relata que a Secretaria de Saúde do estado teria enviado aos diretores de hospitais e unidades de saúde para que produzissem listas com os nomes dos servidores que estão em greve, o sindicato afirma que a intenção do governo seria usada para o corte dos plantões eventuais e do adicional de produtividade. Os servidores da saúde do RN estão em Greve desde 1º de Agosto.

Confira a nota:

No dia 19/08, a secretaria de Saúde, através de memorando, solicitou a todas as direções de hospitais e unidades que produzissem listas com os nomes dos servidores que têm aderido à greve. Estas listas possivelmente seriam usadas para medidas como o corte dos plantões eventuais e do adicional de produtividade. Ou até o corte de ponto, como chegou a ser anunciado pela Sesap à imprensa, mas que não foi comunicado oficialmente.

Diante dessa solicitação, a resposta das chefias do Hospital Walfredo Gurgel foi negativa. Em documento enviado à Sesap no dia 20, as chefias classificam a medida como assédio moral contra os servidores em greve. "Tal ato fere a Constituição Brasileira e se caracteriza como assédio moral coletivo, repudiado por nossa atitude ética e de bom senso", diz o documento.

Na quarta-feira, a Sesap convocou uma reunião no hospital, com as chefias, para tentar convencê-los a entregar os nomes, sem sucesso. "Os coordenadores mantiveram-se firmes e não vão entregar os nomes", conta Manoel Egídio, vice-coordenador do Sindsaúde-RN e enfermeiro do hospital. "Foi uma decisão importante e corajosa, e é um exemplo que já começa a repercutir nos outros hospitais", conta Egídio.

No documento enviado, as chefias do Walfredo ainda afirmam que, durante a greve, "em nenhum momento os procedimentos da urgência e emergência foram negligenciados". O documento do Walfredo e as recentes decisões judiciais negando a ilegalidade nas greves dos professores do Rio Grande do Norte e de Natal motivaram os servidores da saúde. "Nossa greve é justa e legal. Não vamos aceitar intimidação e terrorismo", afirma Egídio.

VEJA O OFÍCIO DO WALFREDO GURGEL

Memo. 093/2013

Assunto: Solicitação de relação nominal de servidores

Em resposta ao memorando Nº012/2013-DG de 19 de 08 de 2013, cientes do conteúdo do mesmo e em concordância com todas as chefias desta Unidade Hospitalar, optamos por não enviar a relação dos servidores em greve por entendermos que tal ato fere a Constituição Brasileira e se caracteriza como assédio moral coletivo, repudiado por nossa atitude ética e de bom senso. 
Esclarecemos que: 
1 - Em nenhum momento os procedimentos da urgência e emergência foram negligenciados; 
2 - Os prejuízos foram atenuados pela eleição de prioridades e procedimentos a ser cumpridos por cada categoria, de modo que não houvesse perdas para aqueles que precisavam de mais cuidados. 
3 - Não houve a falta efetiva do funcionários, uma vez que se revezaram no trabalho e na greve, cumprindo com as atividades pactuadas na instituição e na programação do comando de greve. 
Diante do exposto, reafirmamos a posição supracitada e seguem abaixo nossas assinaturas.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Castells: "Todos os nossos movimentos sociais do nosso século surgirão na Internet"

Obcecado com as várias manifestações do poder e como ele usou as ferramentas de comunicação, ao longo da história, o sociólogo Manuel Castells enfatiza o nível horizontal de penetração da Internet e a criação de novos movimentos sociais e expressões rebeldes. O Teórico espanhol visitou a Argentina na semana passada para receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de St. Martin (UNSAM) e apresentou a sua análise em uma conferência sobre "A teoria do poder na sociedade em rede", onde falou sobre as formas exercício do poder, no que ele chama de a era da "autocomunicação de massas", e contou algumas dessas idéias para a imprensa.


Castells disse que "uma das formas centrais do poder tem sido a construção de sentido na mente humana através do controle da informação. Na medida em que há uma transformação da informação e comunicação, há uma transformação em que se exerce o poder e o contra poder, também." Nesse sentido, o sociólogo sugere que "estamos mais envolvidos do que nunca no mundo da comunicação e que os conteúdos, os sinais, as imagens que povoam este universo são absolutamente cruciais nas formas de poder que vivemos. Por exemplo, a política  hoje é midiática. O que  não é midiático não é política .  Ao mesmo tempo tem-se desenvolvido uma forma de comunicação que eu chamo de autocomunicação de massas, baseada na internet e redes móveis. Ao mesmo tempo o universo da comunicação torna mais importante a capacidade do poder existente - econômico, militar, político - de penetrar nas mentes das pessoas, todos nós recebemos uma capacidade de criar imagens, informações em redes horizontais, que escapam  do controle do poder e projetam  imagens , idéias, possibilidades alternativas ", disse ele.

Para Castells os movimentos sociais surgidos  na rede "são as formas mais eficazes de contrpoder que existiu, porque escapam ao  controle da informação, não podem ser detectados antes de explodir e estão em constante evolução. O poder de Comunicação é cada vez mais importante, tanto no exercício do poder de controle sobre as pessoas e na capacidade das pessoas para fugir desse controle e propor seus próprios projetos transformados em imagens ".

O Teórico espanhol propôs uma maneira reveladora para entender a suposta dicotomia entre o virtual e o real. "A realidade é tudo", define. "Hoje, quando você está nas redes sociais, é você. O mais real que há em nossas vidas é o que vivemos na internet . E vivemos  sempre em um plano híbrido  entre os planos da realidade, do contato direto e do contato virtual." O mesmo se aplica à criação de novos movimentos sociais, de acordo com Castells. "Sempre começa na Internet, no espaço público da Internet, e está sempre ligado a um espaço público urbano que ocupam e, finalmente, desenvolvem um espaço institucional. São três tipos de espaços, porém, construídos através de uma autonomia que representa ocupar o espaço na Internet. O que normalmente acontece é que, quando um movimento não autorizado representa um desafio à ordem estabelecida ocupa um espaço físico público é relativamente fácil para a polícia  dispersar, mas nunca podem no ciberespaço, onde segue existindo, se reorganiza e toma novas iniciativas que vão expressando em outras formas, tanto no espaço físico como no virtual ".

Sobre o possível monitoramento das ações públicas na rede, Castells argumenta que não há um "controle" real, embora exista um estado de "vigilância" permanente. "Na internet todos nós podemos dizer o que queremos, quando queremos e como queremos. A questão é o que acontece em seguida. A Internet não é controlada, mas está vigiada. Isto significa que o mensageiro pode ser identificado, localizado e suprimido. Segundo os  casos, uma multa, prisão ou execução. Mas a mensagem não, então a mensagem é transmitida e é eterna. O Mensageiro cai, mas a mensagem não. O problema é para os mensageiros. O que também prova as experiências dos últimos anos é que a intimidação não detém os movimentos sociais, políticos. O fato de que podem ser monitorados e, portanto,  reprimidos não impede que os movimentos sociais , assim como as pessoas q dispostas a assumir riscos em um estado de raiva ou pressão, do mesmo modo, a expressão na Internet é uma chamada que tem riscos, mas, se a mensagem tiver um teor de que muitas pessoas são sensíveis, expande-se rapidamente. "

Uma das características mais marcantes da Internet é o que  chama de "viralidade". Isto é, a possibilidade de que uma mensagem seja reproduzida através da replicação em massa dos utilizadores. "Não há comunicação na história com mais viralidade do que a Internet. Não  se pode controlar,  se espalha rapidamente e tudo depende de quanto ressoa ou não nas mentes de milhões de pessoas", diz Castells.

"Sabemos que  todos os movimentos sociais do nosso século surgirão pela Internet" diz Castells, mas acrescentou:.. "Não é a Internet que faz  os movimentos. É a sociedade que está usando o espaço da Internet para desenvolver esses movimentos. Sabemos que os movimentos de nosso tempo nascem na internet, de forma autônoma, de forma espontânea, e não precisam de líderes, porque eles têm a capacidade de coordenação, organização e discussão própria. Haverá mais ou menos movimentos, depende das tensões, humilhações e opressões que haja em cada sociedade e da capacidade dos políticos para integrar ou não essas tensões ". 

Publicado originalmente em: Tiempo Argentino
Tradução Luiz Rodrigues

Cidade dos EUA irá prender mendigos que não saírem do centro

Os mendigos que vivem no centro da cidade de Columbia, no Estado da Carolina do Sul, serão obrigados a saírem do local. Do contrário, irão para a cadeia. Na semana passada, a prefeitura aprovou por unanimidade a lei “Resposta Emergencial aos Sem-Teto”, que vai “remover” do centro da cidade pessoas que não têm moradia fixa.

A medida, que já está em vigor, tem diretrizes claras: policiais responsáveis pela patrulha terão a missão de expulsar da região central pessoas que estejam "vagando". Os oficiais foram instruídos a fazer cumprir rigorosamente a lei de "qualidade de vida", incluindo a “proibição de vadiagem, urinar no espaço público, e outras violações”.

Além disso, será criado em Columbia um “disque mendigo” – linha telefônica para que a população avise os policiais da presença de sem-teto nas ruas do centro.

A prefeitura se defende das críticas dizendo que já foram criados abrigos - nas periferias - para os sem-teto que moram no centro. No entanto, a imprensa de Columbia noticiou, no dia 21, que o número de vagas dos albergues é pelo menos seis vezes menor que o necessário para atender a demanda.

Representantes de organizações de direitos humanos irão apresentar uma representação legal na justiça contra a medida, alegando que a lei fere os direito básico de tratamento igualitário entre as pessoas.

De São Paulo, da Radioagência NP, com texto do Opera Mundi, Jorge Américo.

Marcha nacional pede o fim do genocídio dos negros no Brasil

Pobre, jovem e negro. Esse é o perfil comum das vítimas de homicídio no Brasil. Com o objetivo de cobrar políticas públicas para essa população específica, acontece nesta quinta-feira (22) em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, a Marcha Nacional contra o Genocídio do Povo Negro.

Para Katiara Alves de Oliveira, integrante do coletivo Kilombagem, e uma das organizadoras da marcha, o perfil das vítimas de assassinato é reflexo da desigualdade racial no país.

“Toda sociedade precisa entender que o racismo no Brasil, apesar de toda a sutileza, há espaços e política que ele não é sutil, ele é escancarado. Em relação à segurança pública, a polícia, e suas várias instituições deixam bem nítidas o alvo. É Pobre, preto e favelado.”

Para Katiara, isso ocorre porque o histórico da escravidão ainda está na mentalidade de muitas instituições no país. Segundo ela, o racismo também está expresso na falta de acesso às políticas públicas.

“As mulheres negras morrem seis vezes mais de morte materna que mulheres brancas. E aí tem outras questões de políticas universais, como educação. Tudo quanto é política universal, o acesso do negro é menor ou ele é qualitativamente inferior.”

Puxada pela Campanha “Reaja ou será morto, reaja ou será morta”, a Marcha tem como reivindicações o fim do genocídio da população negra e periférica; a desmilitarização da polícia; o fim do encarceramento em massa; e o combate à redução da maioridade penal.

De 2002 a 2010, o país registrou 418.414 vítimas de violência letal. 65,1% delas (272.422 pessoas) eram negras, segundo o “Mapa da Violência”, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

De São Paulo, da Radioagência NP, Leonardo Ferreira.

As correntes que prendem o CERES

O movimento na busca da superação não pode parar jamais, inclusive deve refletir sobre os próprios erros, a sociedade é uma dialética permanente, construamos nós mesmos as diferenças que queremos. Apartados do movimento nos deixamos relegados a imposições e "cuidados" do além, essa é a situação do Centro de Ensino Superior do Seridó, Centro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, um estado marcado pelo mal do oligarquismo, caracterizado exatamente pela falta de movimento. 

O que falta ao CERES e à região são justamente movimentos sociais bem constituídos e atuantes, no âmbito estudantil a "representação" que existe restringe-se a realização de eleições mortas para um Diretório Acadêmico ou para o Diretório Central dos Estudantes; o primeiro não há como representar nada devido a falta de sustentabilidade política, o segundo dominado pelo peleguismo estudantil.

Será preciso muito mais do que lamentações, se quisermos fazer a diferença do ponto de vista estudantil e político para o interior do Estado é preciso movimento que se autoalimente nas ruas.

Governo britânico tenta destruir material de Snowden

O editor do jornal britânico The Guardian, Alan Rusbridger, disse em uma entrevista a um canal de televisão local que o Governo britânico está envolvido na decisão de exigir a destruição dos materiais de ex-colaborador da CIA, Edward Snowden.


Em uma entrevista ao bbcnews, Rusbridger revelou que um "funcionário do governo" que agia em nome do primeiro-ministro britânico foi quem mandou eliminar r qualquer evidência de arquivos de espionagem por parte dos Estados Unidos.

O governo britânico ameaçou o diário The Guardian com uma ação judicial e pressionou-o a destruir ou entregar às autoridades discos rígidos com as informações fornecidas por Edward Snowden, de acordo com um editorial publicado segunda-feira por Rusbridger.

Ele acrescentou que as investigações do The Guardian vão continuar, apesar dos atos supostamente atribuídas ao governo britânico e vai continuar  espalhando revelações de Snowden.

O par de jornalista do Guardian, Glenn Greenwald, foi preso em Londres, onde ele foi inquirido e foram retido seu equipamento eletrônico e audiovisual. Greenwald foi o primeiro a publicar os documentos vazados por Edward Snowden, processar o Ministério do Interior para a sua prisão.

Em 18 de agosto, David Miranda, parceiro de Greenwald  foi detido por nove horas no aeroporto de Heathrow ao retornar do Rio de Janeiro. Miranda foi liberado, mas as autoridades confiscaram seus equipamentos eletrônicos, incluindo telefones celulares, laptop, máquina fotográfica, cartões de memória, DVDs, entre outras coisas e disse que vai processar o governo britânico.

O governo britânico negou envolvimento no incidente, mas reconheceu que ele estava ciente da operação que foi requisitada contra Miranda.

O Colunista do jornal britânico The Guardian, Glenn Greenwald, asseguro a retenção de Miranda não vai que vai assustá-lo, porque "eu vou ser mais agressivo (em termos de publicação de documentos secretos) e não menos, nos meus relatórios."

Snowden está na Rússia, depois de ter sido concedido asilo no último dia 01 de agosto. Snowden, disse em meados de julho, quando solicitado pelo oficial de asilo, que não iria prejudicar os interesses dos Estados Unidos, uma condição exigida pelo presidente russo, Vladimir Putin. Uma vez concedido o asilo, o ex-Agência de Segurança funcionários (NSA) agradeceu a nação euro-asiática, salvaguardando a sua integridade.

Edward Snowden admitiu em uma entrevista  ser responsável por aquilo que poderia ser a filtração mais importante de documentos secretos do governo na história dos EUA.

The Guardian

Ocuppy Rosalba

Bom mesmo é ver a rua da casa da "governadora" do Rio Grande do Norte ocupada em protesto contra o oligarquismo maldito que mutila o RN, o comum era pedir alguma esmola quando se visita oligarcas, agora inverte-se tudo.


Desde ontem (21) manifestantes continuam acampados em frente à casa oficial de Rosalba Ciarline (DEM), eles dizem que só deixarão o local com a abertura de diálogo por parte da governadora.

"As ameaças de corte de ponto e pedido de ilegalidade da greve são um assédio moral para forçar servidores a não aderirem ao movimento. Queremos bom senso da governadora", afirma a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN (Sindsaúde), Simone Dutra.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Bradley Manning condenado a 35 anos de prisão

O responsável pela maior fuga de informação de sempre nos EUA, que ajudou a expor crimes de guerra e de várias ditaduras no mundo, passando os documentos à Wikileaks, acabou condenado a 35 anos. Os responsáveis dos crimes que ele denunciou nem sequer foram julgados.

Esquerda.net 

Bradley Manning foi condenado a 35 anos de prisão e deve agora recorrer da decisão.
Bradley Manning foi o soldado que passou ao Wikileaks os ficheiros com os telegramas das embaixadas dos EUA e outras informações sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão. Foi por causa dele que o mundo assistiu ao vídeo dos soldados norte-americanos a alvejarem jornalistas e civis iraquianos a partir de um helicóptero, ou que a juventude tunisina tomou conhecimento das provas da cleptocracia que governava o país. Os EUA quiseram fazer dele um exemplo e mantiveram-no mais de três anos preso em condições degradantes e sujeito a um tratamento que foi repetidamente condenado pelas organizações de defesa dos Direitos Humanos. Desde a sua prisão, várias personalidades e organizações têm proposto Bradley Manning para receber o Prémio Nobel da Paz. 

Na primeira sentença lida há semanas, os juízes descartaram a acusação mais grave que pendia sobre ele, a de "ajuda ao inimigo" que daria prisão perpétua. A sentença final foi conhecida esta quarta-feira e condena-o a 35 anos de prisão, aos quais será descontado o tempo que já esteve preso. Manning poderá pedir a liberdade condicional em 2021 e caso a cumprisse por inteiro sairia da prisão aos 56 anos. Trata-se em todo o caso da pena mais pesada alguma vez decidida na justiça dos EUA para casos de fuga de informação. 

"Estou muito desapontada porque ninguém foi responsabilizado pelos crimes expostos nos documentos que trouxeram Manning a tribunal - exceto ele. Isto mostra-nos claramente que os nossos sistemas judiciais não funcionam como deviam para proteger as pessoas", afirmou a deputada islandesa Birgitta Jónsdóttir, que faz parte da campanha internacional pela libertação de Bradley Manning.

A reação da Associação de Defesa dos Direitos Civis (ACLU) foi também no sentido de assinalar o "erro grave" da justiça norte-americana ao condenar o soldado "com muito maior dureza do que outros que torturaram prisioneiros e mataram civis". Já a Amnistia Internacional apelou a Barack Obama para comutar a pena. "Devia ser mostrada clemência para Bradley Manning, como reconhecimento dos seus motivos para ter agido assim, do tratamento que ele sofreu quando foi preso e das falhas no processo durante o julgamento", defendeu Widney Brown, concluindo que "o presidente não deve esperar pelo recurso desta sentença para a comutar. Ele pode e deve fazê-lo desde já". 

Assad acusado de matar centenas em ataques químico

As forças do Presidente Bashar al-Assad são acusadas de terem lançado nesta quarta-feira ataques químicos em várias zonas próximas de Damasco. Segundo a oposição, mais de 650 pessoas terão morrido, enquanto centenas de outras foram hospitalizadas.

Fonte: O Público


Fontes citadas pela Reuters avançam que foram lançados rockets com agentes químicos em Ain Tarma, Zamalka e Jobar na região de Ghouta. Ainda não foi confirmado que tipo de agente químico terá sido usado, mas elementos das equipas médicas que estão a assistir as vítimas afirmam à agência que estas apresentam sintomas típicos de quem esteve exposto a um gás como o sarin, um agente neurotóxico que bloqueia a transmissão de impulsos nervosos e causa a morte por paragem cárdio-respiratória.

Bayan Baker, enfermeira num serviço de urgência em Douma, indicou que, com base na recolha de dados entre os centros médicos, foi confirmada a morte de 213 pessoas nesta quarta-feira. “Muitas das vítimas são mulheres e crianças. Chegam com as pupilas dilatadas, membros frios e espuma nas bocas”, indica a enfermeira.

Fotografias divulgadas pela Reuters  mostram dezenas de corpos alinhados numa morgue improvisada nas instalações de um hospital. Entre as vítimas estão pelo menos 16 crianças, incluindo bebés.

"Mais de 650 pessoas mortas em ataques com armas químicas na Síria", escreve a Coligação Nacional, o principal grupo da oposição ao regime de Bashar al-Assad na sua conta oficial no Twitter. Pouco depois, outro grupo de opositores avançou com um balanço de 494 mortos, vítimas do gás e dos bombardeamentos, a partir dos relatos de vários centros médicos.

Segundo o grupo de monitorização Damascus Media Office, 150 corpos foram contados em Hammouriya, 100 em Kfar Batna, 67 em Saqba, 61 em Duma, 76 em Muadamiya e 40 em Irbib. "O ataque começou por volta das 3h. Um grande número de civis teve contacto com os gases. Os números de vítimas aumentam rapidamente, à medida que eles sufocam até à morte, sem que esteja disponível o material médico necessário para os salvar", diz o grupo num comunicado.

Damasco desmente informações que descreve como "infundadas". Esta não é a primeira vez que as tropas de Assad são acusadas de recorrer a agentes tóxicos sobre a população, uma situação que sempre negaram.

Ontem, 20/08, a Terra já esgotou ‘cota anual’ de recursos naturais

Ontem, 20/08, a Terra já esgotou 'cota anual' de recursos naturais

Esgotamento dos recursos renováveis do planeta chega mais cedo a cada ano, segundo estimativa de ONG. Brasil ainda está entre os poucos países que consomem menos do que repõem.
Um estudo divulgado pela ONG Global Footprint Network mostrou que, se a humanidade consumisse apenas o que a natureza tem capacidade de regenerar no planeta no intervalo de um ano, já teria esgotado, nesta terça-feira (20/08), a mais de quatro meses de 2014, os recursos disponíveis.
A data limite, chamada pela organização anualmente de Dia da Sobrecarga, chega este ano dois dias mais cedo do que em 2012. Segundo Roland Gramling, representante da ONG WWF na Alemanha, se a situação continuar assim, em 2050, os seres humanos vão precisar do equivalente a três planetas Terra para suportar um consumo tão alto.
“O consumo normal de recursos naturais por pessoa é de 1,8 hectares por ano. Mas hoje em dia, uma pessoa costuma utilizar 4,8 hectares na Alemanha, por exemplo. Um americano chega a utilizar 7 hectares por ano. Países desenvolvidos são os que mais gastam”, diz Gramling à DW Brasil.
A Global Footprint Network começou a calcular o Dia da Sobrecarga há uma década, mas centraliza suas primeiras análises a partir de 1961. Ela usa o conceito de “pegada ecológica”, uma medição objetiva do impacto do consumo humano sobre os recursos naturais.
Especialistas afirmam que, em 2050, os seres humanos vão precisar do equivalente a três planetas terra para suportar um consumo tão alto.
O Brasil está entre os países credores, ou seja, que consomem menos do que repõem. Com ele estão ainda Canadá, Indonésia, Madagascar, Suécia e Austrália. O restante consumiu e ainda passou dos limites.
Entre os fatores que contribuem para que o Brasil fique entre os países que exploram menos a natureza estão a grande área florestal brasileira, concentrada especialmente na Amazônia, e a densidade demográfica do país, que é uma das menores do mundo.
“A matriz energética do Brasil, comparada com outros países, é bem maior, o que protege o planeta de uma certa forma”, afirma Michael Becker, superintendente de Conservação do WWF-Brasil.
Energia renovável como saída
Para a WWF, que faz o cálculo da pegada ecológica no Brasil, a saída mais rápida seria investir em energias renováveis, não só em países desenvolvidos. Uma redução significativa no consumo de carne por pessoa também ajudaria.
“Nós ainda temos floresta e água, mas nós estamos devendo muito à natureza. Nós pegamos emprestado todo o ano, mas não conseguimos pagar de volta”, diz Gramling.
Segundo coordenador da WWF Brasil, qualidade do consumo dos produtos no Brasil precisa melhorar
O cálculo da pegada ecológica está sendo feito de maneira segmentada no Brasil. O primeiro estado a ser analisado foi Mato Grosso do Sul, em 2010. Um ano mais tarde foi a vez de São Paulo passar pela checagem.
“O cálculo traz informações importantes que ajudam no planejamento da gestão ambiental das cidades com o direcionamento das políticas públicas, com a meta de reduzir esses impactos”, afirma Becker.
Segundo ele, o consumo consciente de alguns produtos poderia reduzir os impactos no meio ambiente.
“Modificar os padrões de alimentação ajudaria muito na questão da redução da pegada ecológica no país. Mas a cultura e os costumes de um país também devem ser levados em consideração. O que deve melhorar é a qualidade do consumo destes produtos”, opina.
Becker diz que a próxima meta da WWF no Brasil é fazer uma análise dos estados brasileiros e comparar os dados uns com os outros, como mecanismo que controle a redução do consumo dos recursos naturais no país. A estimativa é de que a comparação comece a ser feita a partir de julho de 2014.
Matéria de Maryan D’Ávila Bartels, da Agência Deutsche Welle, DW, publicada peloEcoDebate

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Na América Latina, 40% das agricultoras não são remuneradas

Em média, 56% das trabalhadoras rurais com mais de 15 anos são registradas na região como população inativa. Segundo órgão das Nações unidas, em alguns países a porcentagem pode chegar a até 70%


Porém, segundo as pesquisas de uso do tempo, a maioria dessas mulheres “inativas” produzem alimentos para o consumo de suas famílias.

Um número expressivo de mulheres que trabalham na agricultura familiar não possui nenhum tipo de rendimento próprio. É o que assinala a segunda Nota de Política sobre as Mulheres Rurais da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Segundo o documento, na América Latina e Caribe cerca de 40% das mulheres rurais maiores de 15 anos não são remuneradas. Em alguns países, a porcentagem pode chegar a até 70%.

Nesse sentido, a entidade alerta para o desamparo e invisibilidade dessas mulheres. Em média, 56% das trabalhadoras rurais com mais de 15 anos de idade são registradas na região como população inativa.

Porém, segundo as pesquisas de uso do tempo, a maioria dessas mulheres “inativas” produzem alimentos para o consumo de suas famílias. No México, por exemplo, 50% estão nessa condição. Já no Equador, este número chega a 60%.

O órgão também destaca o fato de as mulheres sem remuneração terem uma jornada de trabalho maior que as trabalhadoras remuneradas. Além disso, 82% das mulheres agrícolas não remuneradas têm como principal fonte de sobrevivência a atividade agrícola.

 Brasil de Fato

Governo britânico exigiu ao Guardian entrega ou destruição de material de Snowden

O diretor do Guardian denunciou, num artigo publicado esta segunda feira, a pressão exercida, por parte do governo britânico, contra o jornal, no sentido de o diário entregar ou destruir o material disponibilizado por Edward Snowden.
Sede do Guardian em Londres. Foto de clattermonger, flickr.

“Há pouco mais de dois meses fui contactado por um alto responsável do Governo, que afirmou representar a opinião do primeiro ministro. Seguiram-se duas reuniões durante as quais ele exigiu a devolução ou destruição de todo o material” facultado pelo ex-consultor da CIA, avançou Alan Rusbridger.
Caso não seguisse essas instruções, o jornal seria alvo de uma ação judicial, esclareceu.
Um mês mais tarde, o discurso endureceu. “Já se divertiu. Agora queremos as coisas de volta”, avançou o responsável governamental durante uma conversa telefónica mantida com o responsável do diário, e reproduzida por este.
“E assim aconteceu um dos momentos mais bizarros na longa história do Guardian, com dois especialistas em segurança dos serviços de comunicação do governo a supervisionar a destruição dos discos rígidos na cave do Guardian, para garantirem que nada ficava entre os pedaços de metal que pudesse vir a ter qualquer interesse para agentes chineses”, escreveu Rusbridger, lembrando ainda que um dos funcionários governamentais disse, após este episódio, e em tons de brincadeira, que já podiam “cancelar os helicópteros pretos".
O diretor do jornal garantiu que o trabalho de investigação, e a divulgação do conteúdo dos documentos entregues por Snowden, vai continuar , apenas não será feito a partir de Londres. “A apreensão do computador de Miranda, telemóveis, discos rígidos e câmara também não terá qualquer efeito no trabalho de Greenwald”, avançou ainda.
No artigo, o diretor do Guardian condenou a detenção de David Miranda e alertou para o facto de que "pode não levar muito tempo até que se torne impossível para os jornalistas terem fontes confidenciais".
Detenção de Miranda foi “legal e processualmente” correta
Num comunicado revelado esta terça feira pelo serviço de comunicação da polícia metropolitana (MPS) londrina, é apontado que a detenção de Miranda foi “legal e processualmente” correta e que a interpelação do brasileiro foi “necessária e proporcionada”.
O presidente do comité de Assuntos Internos do parlamento britânico, Keith Vaz, já veio, entretanto, anunciar a abertura de um inquérito parlamentar para apurar as razões que estão na base da detenção de David Miranda.
A Casa Branca confirmou esta segunda feira, por sua vez, que foi avisada, com antecedência, pelas autoridades britânicas, da detenção de David Miranda, recusando-se, no entanto, a esclarecer se os Estados Unidos iriam ter acesso ao material confiscado ao companheiro do jornalista que segue o caso Snowden.
O brasileiro David Miranda vai processar o governo britânico e exigir a restituição de todo o material que lhe foi confiscado. A sua representante legal também já enviou uma notificação às autoridades britânicas no sentido de as mesmas se absterem de “inspeccionar, copiar, divulgar, transferir, distribuir ou interferir de qualquer forma com os dados pertencentes ao seu cliente, enquanto a sua queixa não for avaliada pelo tribunal”.


Artigo de Alan Rusbridger que denuncia a pressão por parte do governo britânico está disponivel em http://www.theguardian.com/commentisfree/2013/aug/19/david-miranda-sched...

Desmatamento na Amazônia quase dobra em um ano

IMAZON aponta um aumento de 92% na devastação nos últimos 12 meses; as emissões de gases do efeito estufa cresceram 60%, chegando a 100 milhões de toneladas

Fonte: IMAZON/Agência Brasil

Entre agosto de 2012 a julho de 2013 a Amazônia perdeu 2.007 quilômetros quadrados (km2) de floresta de acordo com o mais recente Boletim do Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON). Isso significa que houve uma alta de 92% entre a destruição cometida nos últimos 12 meses com relação ao período anterior (agosto de 2011 a julho de 2012), que registrou 1.047km2.

Apenas em julho, foram 152km2 de desmatamento, um aumento de 9% se comparado a julho de 2012.  
A devastação ocorreu principalmente nos estados do Pará (38%), Amazonas (28%), Mato Grosso (24%) e Rondônia (9%).

Já as florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 93km2 em julho de 2013. Em relação a julho de 2012, quando a degradação florestal somou 27,5km2, houve um aumento de 237%.
A degradação florestal acumulada no período (agosto de 2012 a julho de 2013) atingiu 1.555 quilômetros quadrados. Em relação ao período anterior (agosto de 2011 a julho de 2012), quando a degradação somou 2.002 quilômetros quadrados, houve redução de 22%.

Em julho de 2013, o desmatamento detectado pelo SAD comprometeu três milhões de toneladas de CO² equivalente.  No acumulado do período (agosto de 2012 a julho de 2013) as emissões de CO² equivalentes comprometidas com o desmatamento totalizaram 100 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 60% em relação ao período anterior (agosto de 2011 a julho de 2012).

No último dia 15, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que não há aumento do desmatamento na Amazônia, mas sim um crescimento da prática da fragmentação, que ocorre quando se corta árvores seletivamente, sugerindo uma mudança na dinâmica do crime ambiental. “O sistema de inteligência do ministério já detectou essa prática e estamos combatendo com novas estratégias de fiscalização”, disse a ministra.

Segundo a ministra, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)  vai tornar disponível em breve em seu site as áreas embargadas (proibidas ao plantio para recuperação da área degradada). “Tem gente plantando em área embargada e apostando na impunidade. A regularização prevista no Código Florestal é para quem desmatou até 2008. Após 2008, tem multa. É inaceitável que as pessoas ainda busquem o caminho da ilegalidade.”.

O Contorno Rodoviário em Caicó e a compra de votos com emendas.

Um contorno Rodoviário construído em Caicó é um dos típicos exemplos de emenda parlamentar ao Orçamento sendo usada como moeda eleitoral no jogo de troca de favores. Agora o Congresso e a Assembleia Legislativa do RN querem a impositividade na liberação das emendas, uma maneira fácil de comprar um eleitorado.

A emenda para a Construção do Contorno Rodoviário em Caicó é fruto de  emenda parlamentar de autoria do Deputado Federal João Maia(PR) que apoiou o atual prefeito da cidade, Roberto Germano (PMDB), nas eleições municipais de 2012, veja que a troca de favores voltará no momento em que buscando a reeleição em 2014 João Maia fizer uma inauguração bem divulgada com a presença de todos os aliados.

As emendas é fruto de um republicanismo ao contrário, o povo não decide, é manipulado apenas como recurso eleitoral. Claro que inauguração se dará quando estiver bem perto das eleições para que fique quentinha na cabeça... Se mostrarão preocupados pelo "progresso" do Município, do RN; a obra será fruto de uma "luta", na verdade mero prestígio com aliados. Seria um grande dia para romper com isso, mas a miséria política nos toma por quase completo ainda.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A prisão de David Miranda e a "Política do Medo"

David Miranda, companheiro do jornalista do The Guardian Gleen Greenwald, um dos principais responsáveis por expor as denúncias de Snowdem sobre os programas de espionagem norte-americanos, ficou nove horas detido no aeroporto de Heatrow, em Londres.

Com base na lei antiterrorismo, as autoridades britânicas interceptaram o cidadão brasileiro durante uma escala antes de embarcar para o Rio de Janeiro.

A Anistia Internacional classificouo ato como uma "injustificada tática de vingança" contra Glenn Greenwald, com base numa lei vaga e que "pode ser abusiva por razões mesquinhas e vingativas".

"Ao mirar em Miranda e Greenwald, o governo envia uma mensagem para outros jornalistas que mantêm sua independência e cobrem de forma crítica as autoridades: eles também podem ser alvo", afirmou, em nota divulgada nesta noite, a diretora sênior de Legislação e Política da entidade, Widney Brown.

O sociólogo Bauman há muito alerta-nos para que apoiados na política do medo os governos tendem a restringir direitos democráticos, assim tem sido em Nova York com o pare e reviste e com esse caso, o terrorismo é o medo fundamental para uma época super vigiada onde a insegurança para ser cada vez maior. Com base na lei antiterrorista, uma desculpa autoritária para retaliar quem usa da liberdade de expressão não de fachada.

Segundo o diário britânico The Guardian, Miranda teve todos os seus equipamentos eletrónicos confiscados, entre eles o telemóvel, a câmara fotográfica, as pens USB, DVD e consolas de jogos.

“Este é um profundo ataque à liberdade de imprensa e ao processo de recolha de notícias", afirmou Greenwald ao Guardian. "Deter o meu companheiro por nove horas, negando-lhe o acesso a um advogado, apreender boa parte das suas coisas, pretende claramente mandar uma mensagem de intimidação para aqueles que, como nós, estão a fazer reportagens sobre a espionagem da NSA e da GCHQ. "As ações do Reino Unido representam uma grande ameaça para os jornalistas em qualquer parte do mundo”.

Com Esquerda.net e Voz da Rússia

Israel apoiou o golpe militar no Egito

Israel apoiou o golpe militar de julho passado, no Egito, informa The New York Times. Segundo a edição, o comandante do exército egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, mantém laços estreitos com Israel.

Segundo afirmam fontes americanas, Israel teria prometido em segredo ao general al-Sissi que o governo dos EUA não romperia relações com o Egito nem reduziria ajuda militar ao mesmo.

Informa-se que Israel pressiona os EUA, procurando que a ajuda militar, no valor de quase $1,5 bilhões, continue. Israel receia que, se a ajuda estadunidense fôr cancelada, o Egito não teria motivos para preservar o tratado de paz com Israel.

A revolta popular poderia terminar com um governo que afetasse as políticas dos EUA, e a estratégia de usar o exército do país para servir de garantia é antiga, Chile Brasil, Nicarágua, Honduras, etc, já passaram por isso.

Com Voz da Rússia