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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O que é o Nordeste?

A imagem ainda mais predominante do estereótipo "nordeste" é  região semi-árida, as questões relacionadas à estiagem, a falta d`água, enfim, uma sociedade aos pés de Canudos; Gilberto Freyre dividia a região em duas, o nordeste agrário e o pastoril, o agrário era o nordeste dos canaviais; em seu ensaio Nordeste traça as características sociais, antropológicas e geográficas da parte agrária, levantando, inclusive, os problemas ambientais provocados pelo desmatamento e contaminação dos rios pelas usinas.

O nordeste pastoril, o semi-árido, foi marcadamente caracterizado por grandes escritores, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz e até José Lins do Rego quando deu uma descidinha ao sertão com o romance Cangaceiros.

Aqui a seca sempre fora a causa considerada dos flagelos e daí partira uma série de estudos a afirmarem que o problema não era o clima e sim o modo de organização da sociedade rural do semi-árido e consequentemente as práticas paternalistas e assistencialistas do coronéis da região, políticas que nunca privilegiavam a convivência adequada e sim o socorro na hora da catástrofe. É o que levanta o engenheiro agrônomo da Fundação Joaquim Nabuco, João Suassuna, em artigo intitulado "Vontade Política é a Verdadeira Seca do Nordeste", caracteriza todos os meios necessários para se conseguir uma convivência tranquila com as condições climáticas da região.

Outro autor, Evaldo Cabral de Mello, agora membro da Academia Brasileira de Letras, escreveu uma obra (O Norte Agrário e o Império) onde procura demonstrar com dados empíricos a forma pela qual a região era desprestigiada em investimentos do governo imperial.

Bom, com relação aos investimentos no Nordeste no período da República, principalmente nos "socorros" estes eram "atravessados" pelos coronéis que "investiam" nas aberrantes "emergências' (Frentes de trabalho inúteis) e destinavam cestas básicas à população envolvida, portanto, se fazia um uso paliativo dos recursos, sem transparência, por isso que se falava em Indústria da Seca (se esperava a seca para por a mão em verbas). 

Canudos é sempre emblemático, Ariano Suassuna dizia que quem quer entender o Brasil precisa entender Canudos; ali se descobria um Brasil, um Brasil que Machado de Assis chamava de Brasil real, isso em fins do século XIX; na sequência se passa pelo auge do Cangaço, revoltas (Princesa, Padre Cícero) e abertura de estradas, aparecimento de colégios públicos e construção dos açudes, portanto, um "desenvolvimento" recentíssimo.

A partir da década de 1970 começa a passagem da vida rural para a expansão das cidades no semi-árido, hoje a grande maioria da população no polígono das secas (1.348 cidades) é urbana, vivendo em médios e pequenos municípios (Abastecidos por grandes barragens), completamente integrados à vida urbana moderna, mas com enormes desafios de desenvolvimento político, social e econômico.

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