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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Por Marco Antono Mireno em El Blog Salmón


Produção de petróleo nos Estados Unidos não para de crescer.
Produção de petróleo nos Estados Unidos não para de crescer.

Os preços do petróleo caíram 40 por cento desde junho ao uníssono do junk bonds no setor da energia nos Estados Unidos, que apostou excessivamente  no auge do custoso fracking. Desde que o petróleo alcançou em julho de 2008 os US$ 145 o barril, a indústria de fracking estadounidense disparou e a produção de petróleo cresceu de 4 milhões de barris por dia (mbd) para 9 mbd, competindo na produção com a Arábia Saudita e a Rússia (10 e 9 mbd, respectivamente). Isso foi feito por meio da especulação financeira agora será coberto com confisco de fundos de pensão.

Como dissemos em julho do ano passado a manipulação dos preços do petróleo levou o ouro negro a um nível artificialmente elevado e ali apontamos que devia estacionar em torno de US$ 80-60 por barril. O preço do petróleo foi claramente manipulado por interesses financeiros que visam promover a indústria do fracking. O excesso de oferta da indústria do petróleo está agora a ser liquidada em 80 centavos de dólar as alavancadas posições dessas empresas, instalando novamente o epicentro da crise no sistema financeiro por suas facilidades de especular sobre os preços. Desta vez, porém, graças a Jean Claude Juncker, será o dinheiro do contribuinte que salvará estas empresas.

A Bolha do fracking


Embora se tenda a pensar que a queda nos preços é sinônimo de que os custos de produção estão caindo e o temido "pico do petróleo" está se afastando, a verdade é que muitos recursos básicos estão em declínio de preços, ao mesmo tempo pela queda na demanda global. As Commodities deslizam em uma pirueta agravando os problemas deflacionários que darão um novo impulso a esta crise em seu sétimo ano de desenvolvimento.

Os preços do petróleo foram manipulados largamente para dar comprimento e permitir o auge do fracking até que a bolha estourou. Enquanto o custo de extração de petróleo "normal" é de US$ 30 o barril, o custo de um barril de petróleo obtido via fraturamento hidráulico é 60 dólares. O estouro da bolha do fracking confirma a falácia de que o fraturamento hidráulico é uma fonte de energia por 100 anos, como afirmado pelo presidente Obama em 2012. Um artigo publicado na semana passada na revista Nature questionou o otimismo excessivo deste indústria.


O otimismo do fracking e a ilusão de um preço do petróleo a US$ 110 por barril, mobilizou enormes recursos financeiros para a produção de petróleo que eventualmente saturaram o mercado. O fracking fez mais do que criar uma nova bolha especulativa que acabou caindo em função da demanda fraca. O colapso dos preços do petróleo levou o seu valor para o nível mais baixo em cinco anos e que pode arrastar uma queda para US$ 50 o barril ou até US$ 40 o barril, forçando o fechamento de extração via fracking que opera com custos de 60 dólares.

Queda dos preços do petróleo é impulsionada pelo aumento de produção via "fracking" e pela redução do consumo
Queda dos preços do petróleo é impulsionada pelo aumento de produção via "fracking" e pela redução do consumo

O novo risco para o sistema financeiro

Os alavancados empréstimos plantados no período da euforia do fracking agora causam novos temores nos mercados financeiros para a dívida não remunerada que podem afetar todo o comércio internacional. Os baixos preços agora obtidos para cada barril de petróleo tornam difícil a empresas petrolíferas pagar juros da dívida financeira do período de boom. E, como os fluxos de caixa tenham sido reduzidos, esta situação também põe em apuros a banca, que começa a sofrer um estrangulamento financeiro e será forçada a elevar os juros sobre esses empréstimos pelo incremento do risco, acelerando o padrão da dívida. Assim, a enorme quantidade de dívida que as empresas petrolíferas adquiriram para aventurar-se na tecnologia cara do fracking, tornou-se assim o novo risco no sistema financeiro como um todo.

Sem embargo, o que está em jogo agora não é só o sistema financeiro fraudulento, mas a poupança e fundos de pensões de milhões de contribuintes em todo o mundo. Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos. Agora, se quer forçar a que sejam os depositantes e o dinheiro de fundos de pensão os usados para cobrir as perdas do sistema financeiro, como foi feito no Chipre. Como observamos no momento, o de Chipre foi o laboratório para testar o confisco de depósitos dos aforradores e dos fundos de pensões.

Esta nova regra foi aprovada na Cúpula do G20, realizada na Austrália em novembro passado e pode ser implementada a qualquer momento. Por isso, não se deve descartar que a queda violenta dos preços do petróleo seja uma estratégia destinada a apropriar-se quanto antes desses recursos. Se o preço foi manipulado com astúcia e precisão para cima, também pode ser manipulado para baixo para fazer uso o quanto antes da nova prestação de Angela Merkel e Jean Claude Junker. As contas bancárias e os fundos de pensões estão em risco de serem confiscadas pelo novo abalo no sistema financeiro causado desta vez pela ganância excessiva de companhias petrolíferas.

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