"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 30 de agosto de 2014

STÉPHANE HESSEL: MINHA INDIGNAÇÃO A RESPEITO DA PALESTINA

Trecho do Manifesto Indignai-vos publicado por Hessel em 2009

Resultado de imagem para STÉPHANE HESSELHoje, minha principal indignação diz respeito à Palestina, à Faixa de Gaza, à Cisjordânia. A fonte da minha indignação é o clamor à diáspora lançado por israelenses inflamados: vocês, nossos primogênitos, venham ver aonde nossos dirigentes levaram nosso país, esquecendo os valores humanos fundamentais do judaísmo. Eu lá estive em 2002, e cinco outras vezes, até 2009. Todos devem imperiosamente ler o relatório sobre Gaza de Richard Goldstone, de setembro de 2009, no qual esse juiz sul-africano, judeu, que até se diz sionista, acusa o Exército israelense de ter cometido “atos comparáveis a crimes de guerra e, em certas circunstâncias, a crimes contra a humanidade” no decorrer da operação “Chumbo Fundido”, que durou três semanas. Em 2009, eu e minha esposa retornamos a Gaza - onde só pudemos entrar graças aos nossos passaportes diplomáticos - com o objetivo de estudar ao vivo o que esse relatório dizia. As pessoas que nos acompanhavam não foram autorizadas a entrar na Faixa de Gaza. Nem na Cisjordânia. Nós também visitamos os campos de refugiados palestinos instalados desde 1948 pela agência das Nações Unidas, a UNRWA, nos quais mais de 3 milhões de palestinos; escorraçados de suas terras por Israel, esperam um retorno cada vez mais problemático. Quanto a Gaza, é uma prisão a céu aberto para 1 milhão e meio de palestinos. Uma prisão em que eles se organizam para sobreviver. Mais ainda do que as destruições materiais, como a do hospital do Crescente Vermelho pela operação “Chumbo Fundido”, é o comportamento dos habitantes de Gaza, seu patriotismo, seu amor pelo mar e pelas praias, sua constante preocupação pelo bem-estar de suas crianças, inúmeras e risonhas, que assombra nossa memória. Ficamos impressionados com a forma engenhosa de afrontarem todas as penúrias que lhes são impostas. Nós os vimos fabricando tijolos, por falta de cimento, para reconstruir milhares de casas destruídas pelos tanques israelenses. Eles nos confirmaram que na malfadada operação “Chumbo Fundido” houve 1.400 mortes de mulheres, crianças e idosos, também no interior do campo palestino - contra somente 50 feridos do lado israelense. Concordo com as conclusões do juiz sul-africano: que judeus possam perpetrar, eles mesmos, crimes de guerra, é insuportável. Infelizmente, a história nos dá poucos exemplos de povos que tiraram lições de sua própria história.

Eu sei. O Hamas, que venceu as últimas eleições legislativas (2005), não conseguiu evitar que mísseis fossem disparados contra cidades israelenses, em resposta à situação de isolamento na qual se encontram os habitantes de Gaza. Evidentemente, acredito que o terrorismo é inaceitável, mas há que se reconhecer que, quando estamos sob ocupação, diante de meios militares infinitamente superiores aos nossos, a reação popular não pode ser somente não violenta.

Terá adiantado alguma coisa o Hamas disparar mísseis contra a cidade de Sderot? A resposta é “não”. Não ajudou a sua causa, mas esse gesto pode ser explicado pela exasperação dos habitantes de Gaza. No conceito de exasperação, devemos entender a violência como uma lamentável conclusão de situações inaceitáveis para quem as sofrem. Por isso, podemos dizer que o terrorismo é um tipo de exasperação. E que esta exasperação é um termo negativo. Não se deveria ex-asperar, mas sim es-perar. A exasperação é uma negação da esperança. É compreensível, eu diria que é quase natural, mas nem por isso aceitável. Porque ela não permite obter os resultados que eventualmente podem ser produzidos pela esperança.

Não houve vitória de Israel

Não foi uma famosa vitória de Israel e isso é o que os palestinos de Gaza estão a celebrar. Muitos, nos meios internacionais de comunicação, mostraram a sua desaprovação com o fogo de artifício em Gaza na noite da terça-feira. Mais de 2.100 mortos, 1.700 dos quais civis, e 100 mil feridos, o que têm para comemorar? O fim de uma matança? A paz? 

Por Robert Fisk.

Celebração do cessar-fogo em gaza
Bom, de fato, Hamas, o horrível, sem escrúpulos e terrorista Hamas que nós (isto é o Ocidente, Tony Blair, Israel, Estados Unidos e todos os homens e mulheres honrados) não queremos nem sequer mencionar que saiu vitorioso.
Israel disse que o Hamas tem que ser desarmado. Não foi desarmado. Israel disse que devia ser esmagado, destruído e erradicado, e não foi nem esmagado nem destruído nem erradicado. Os túneis serão arrasados, proclamou Israel, mas não foi assim. Todos os mísseis serão confiscados, mas não foram. Morreram 65 soldados israelitas e para quê? Do subsolo, literalmente, trepou na terça-feira a liderança política do Hamas (e da Jihad Islâmica) cujos irmãos participaram nas conversas de paz no Cairo, muito contra a vontade de Israel, Estados Unidos e Egito.
Em Israel, significativamente, não houve celebrações. O governo de ultra-direita de Benjamin Netanyahu uma vez mais enfatizou as suas exigências em caso de vitória e terminou com outro cessar-fogo tão débil quanto a frágil trégua que se seguiu às guerras em Gaza de 2009 e 2012.
No estrito sentido físico, Israel ganhou; todas essas vidas destruídas, os edifícios arrasados e as infraestrutura rebentadas não sugerem que os palestinianos “prevaleceram” (para usar um termo do Bushismo). Mas estrategicamente os palestinianos ganharam. Continuam em Gaza, o Hamas ainda está no território de Gaza e o governo de coligação entre a Autoridade Nacional Palestiniana e o Hamas ainda parece ser uma realidade.
Disse-se muitas vezes que os fundadores do Estado de Israel enfrentavam um problema: uma terra chamada Palestina. Eles lidaram com este problema de maneira fria, impiedosa e eficiente. Agora o problema é: os palestinos. A sua terra bem pôde ter sido apropriada por Israel, os territórios que lhes sobraram estão a encher-se de colonatos israelitas, mas esses miseráveis palestinos simplesmente não se vão embora. E matá-los em grande número –especialmente frente às câmaras de televisão – está a tornar-se excessivo, mesmo para aqueles que ainda tremem de medo quando alguém sussurra a calúnia “anti-semitismo”.
Os porta-vozes israelitas chegaram mesmo a comparar as suas ações com os sangrentos bombardeamentos da aviação britânica durante a Segunda Guerra Mundial, o que é uma ação de propaganda que é duvidoso que seja bem sucedida em pleno século XXI.
Mas o mundo poderá fazer reflexões infelizes sobre outras coisas. Os porta-vozes do Hamas, por exemplo, com as suas vociferantes declarações sobre a destruição de Israel e do sionismo; exageros que são tão absurdos como as desculpas de Israel. A maior vitória que o mundo já viu! Sim, claro! O Hezbollah afugentou todo o exército israelita do Líbano após uma guerra de guerrilhas de 18 anos, com muito mais baixas para ambos lados do que as que o Hamas pode imaginar.
E como esquecemos rapidamente os esquadrões assassinos do Hamas que executaram na semana passada pelo menos 21 espiões, dos quais duas mulheres, a sangue frio em plena rua contra as paredes de Gaza. Notei que estas pessoas não apareceram no saldo total de mortos palestinos e pergunto-me porquê. Será que não são considerados humanos?
Numa semana em que o EIIL ostentou as suas execuções, o Hamas demonstrou que o seu velho instinto assassino continua intacto. Que esperávamos depois de três dos seus três principais líderes militares terem sido liquidados pelos israelitas? É interessante que nem um palestino protestou contra essas execuções sem tribunal nem júri, assim como ninguém protestou pela violação dos direitos humanos de 17 espiões palestinos que foram executados em Gaza na guerra de 2008 e 2009 (que pelo visto foi esquecido). Outros seis espiões esquecidos foram executados em 2012.
E depois temos as vítimas militares. Destas umas 500 eram combatentes do Hamas, em 2008-2009 talvez tenham morrido 200. Mas nessa guerra anterior só seis israelitas morreram. Na mais recente ofensiva israelita este número foi multiplicado por 10. Por outras palavras, o Hamas, e suponho que a Jihad Islâmica, aprenderam a lutar. O Hezbollah, o exército guerrilheiro mais eficiente de todo o Médio Oriente certamente notou isso. Além disso, os rockets de Gaza estenderam-se por milhares de quilômetros quadrados de Israel, apesar da sua “Cúpula de Ferro”. Antes ameaçavam apenas quem vivia em Sderot; agora foram cancelados voos no aeroporto de Ben Gurion.
Falta mencionar que Mahmoud Abbas se está a arrastar perante os egípcios e os norte-americanos, agradecido pela trégua. Mas no novo governo palestino de unidade, o Hamas será quem diz a Abbas quantas concessões está autorizado a fazer.
Quanto ao presidente egípcio, o marechal Al Sisi, longe de isolar a Irmandade Muçulmana e pôr de lado o Hamas para fazer o seu acordo de paz feito no Cairo, viu-se obrigado a reconhecer o grupo político palestino como um participante árabe primordial na negociação da trégua.
Uma coisa estranha, no entanto. Agora, o Egito bombardeia os islamitas na Líbia enquanto os Estados Unidos se preparam para bombardear os islamitas da Síria, depois de acabarem de bombardear os islamitas no Iraque. Mas em Gaza os islamitas acabam de ganhar. Isto certamente não pode durar.
Artigo de Robert Fisk, publicado em “The Independent”, traduzido para “La Jornada” por Gabriela Fonseca e por Carlos Santos para esquerda.net

Não existe "nova política"

Inflacionado no Brasil está o emprego da palavra "nova política", da candidata à presidência da república Marina Silva a tantos outros país afora, nova política é a maneira de se demonstrar que se tem uma outra via. Mas existe mesmo nova política?

Antes de mais nada é preciso que se diga de imediato que não existe nem nunca existirá uma "nova política", política  é uma só e ponto. O que querem dizer quando se referem a isso é uma nova forma de ocupar o poder no Estado moderno. No Brasil é comum relacionar política em absoluto com campanhas eleitorais, política é o que nós fazemos a cada minuto em contato com a cidade. E é claro que a forma pela qual se vence eleições no Brasil, os personalismos, os clientelismos e toda a imundície abre espaço para uma nova forma de abordagem eleitoral, é até necessária, a isso se pode ter como "nova política".

Política é o conceito grego antigo: as pessoas vivem em uma cidade e são ao mesmo tempo crias e criadores deste espaço. O que é política para Hannah Arendt, é um atuar, justamente pelo fato de não poder jamias ser algo que se tenha, passível de ser detido pelas mãos. Quando eu vou à praça buscar que se preservem os rios que cortam meu município estou fazendo política.

Por que a cidade brasileira é tão violenta? Porque a cidade é morta. No catolicismo cultural não há um atuar clássico de transformação da polis, há muito mais uma manutenção ou resgate de tradições. Nós somos antipolíticos, nós odiamos a polis, jogamos lixo em toda parte, sujamos nossos rios, esculhambamos nossas praças e entregamos o controle da polis a quem paga mais.

A polis americana é muito mais moralística e privada, o que não quer dizer que naquele país não haja política no sentido grego, assim como até mesmo no catolicismo cultural há naquela sociedade não é diferente, nós somos ocidentais e a busca pela liberdade é uma característica fundamental.

Nova política meramente eleitoral, que aliás nem nisso inova: continuam carros de som contaminando as cidades, papéis nas ruas, é mero palavreado dos festivais eleitorais brasileiros. O que se tem que entender é que os cidadãos precisam legislar nas suas casas, nas suas cidades. As cidades brasileiras são amadas num sentido propagandístico, mas nunca no sentido político.

Apesar das taxas 0% do BCE, as empresas do sul da Europa pagam juros recordes

A taxa de juro para o sistema financeiro encontra-se à volta dos zero por cento, mas para as pequenas e médias empresas do sul da Europa localiza-se em torno dos 5 por cento, e longe dos 2 por cento que pagam as empresas alemãs. 

Por Marco Antonio Moreno.

Gráficos retirados do relatório do FMI "Euro area policies", de julho de 2014
O custo para as empresas do sul é hoje mais caro que antes da crise. Isto confirma que as baixas taxas de juro só têm servido para aumentar a riqueza da oligarquia financeira. O gráfico foi tomado de um relatório do FMI que dá conta do nulo contributo das políticas do BCE para resolver os problemas cruciais da crise europeia como o emprego e o crescimento. As baixas taxas de juro só beneficiaram os grandes bancos que podem pedir dinheiro emprestado ao custo mais baixo da história, enquanto as empresas que dão vida à economia real pagam juros recorde.
Para as empresas do sul da Europa o custo real do crédito aumentou consideravelmente. As taxas de juro atingiram os níveis anteriores à crise financeira o que constitui uma enorme anomalia se do que se trata é de melhorar a atividade económica, mais ainda quando esta não voltou aos níveis prévios à crise. Além disso, em Espanha, Portugal e Itália, o custo do crédito subiu muito mais rapidamente do que na zona euro no seu conjunto. As políticas do BCE não são equitativas e há uma evidente discriminação quando se trata de “emprestar dinheiro” na Europa.
A contração do crédito para as pequenas e médias empresas nos países do sul pode ter sérias consequências e deitar por terra os planos de recuperação. Em Espanha, Portugal e Itália 80 por cento dos postos de trabalho e 70 por cento do valor agregado é contribuído pelas pequenas e médias empresas. Se a troika não foi capaz de impulsionar mecanismos de apoio para as empresas que são chave na criação de emprego e crescimento, fica claro quais foram as prioridades das suas políticas: salvar a banca e os mais ricos.
A política das baixas taxas de juro não tem ajudado à criação de emprego como ilustra este gráfico extraído do relatório do FMI. O desemprego juvenil continua em níveis historicamente altos, apesar do custo do dinheiro para os governos também ter diminuído. As taxas de juro dos títulos da dívida soberana a dez anos encontram-se em 2,45 por cento para a Itália, 2,22 por cento para a Espanha e 3,03 por cento para Portugal. Mas as empresas destes países pagam o duplo, e em comparação com as empresas da Alemanha, pagam o triplo.
O BCE encontra-se na grande encruzilhada de encontrar mecanismos para facilitar o crédito às pequenas e médias empresas do sul, a taxas comparáveis às dos países do norte. Poderá Mario Draghi cumprir esta tarefa com a aplicação de políticas para dar força à procura agregada?
Artigo de Marco Antonio Moreno, publicado em El Blog Salmón. Tradução de Carlos Santos para esquerda.net

Documentos secretos revelam o 'Google' da NSA

A Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA forneceu durante anos milhares de milhões de registos de telecomunicações sobre cidadãos americanos e estrangeiros a dezenas de governos — foi o que relatou o site Intercept na passada segunda-feira. 

Por Nadia Prupis

A NSA compartilha com outras agências 850 mil milhões de registos de e-mails, chamadas de telemóvel e outros dados através de uma super ferramenta de pesquisa
A NSA compartilha com outras agências 850 bilhões de registros de e-mails, chamadas de telefones celulares e outros dados através de uma super ferramenta de pesquisa.
A Agência de Segurança Nacional (NSA) forneceu durante anos bilhões de registros de telecomunicações sobre cidadãos americanos e estrangeiros a dezenas de governos — foi o que relatou o site Intercept na passada segunda-feira.
Documentos ligados à divulgação de dados de Edward Snowden do ano passado, mostram que a NSA compartilhou e continua a compartilhar mais de 850 bilhões de registros de e-mails, chamadas de telefones celulares, localizações, chats de internet, e outros dados enviados e recebidos por pessoas do mundo todo, tudo isso utilizando uma ferramenta de pesquisa chamada ICREACH, criada especificamente para a empresa e que funciona nos moldes do Google.
De acordo com uma nota da CIA sobre o programa, que os colegas da agência “saudaram entusiasticamente,” mais de mil analistas de 23 agências de diferentes governos tiveram acesso às informações da NSA, todas elas coligidas sem nenhum tipo de mandato judicial. Estes registros eram regularmente compartilhados com o FBI, com a divisão anti-drogas, com a CIA, com a Agência de Investigação e Defesa (DIA, na sigla em inglês), entre outras instituições.
“A equipa da ICREACH entregou o primeiro pacote de informações privadas junto da Comunidade de Investigação dos EUA,” era o que uma nota ultra-secreta de 2007 dizia. “Esta equipe começou há mais de dois anos atrás forçado pela Comunidade de Investigação, que tem uma necessidade crescente de informações de comunicações relacionadas com os seus alvos.”
A IREACH parece ser uma entidade separada da base de dados da NSA, que coletava os registros telefônicos dos clientes da Verizon sob a seção 215 do Patriot Act, relatou o Intercept. Além disso, as ferramentas de busca “permitem o acesso a uma vasta quantidade de dados que podem ser extraídos por analistas da comunidade de investigação com fins de ‘investigação estrangeira’ — um termo vago ainda mais amplo do que Contraterrorismo”.
Jeffey Anchukaitis, porta-voz do Diretório de Investigação Nacional, defendeu a espionagem do governo, declarando que a partilha de informações se tornou “um pilar da comunidade de investigação após o 11 se setembro.”
Intercept relatou que a IREACH foi construída sob a direção do antigo diretor da NSA, o general Keith Alexander, e foi criada para “garantir volumes sem precedentes de dados de comunicação para serem compartilhados e analisados,” e oferecer uma “fonte vasta e rica de informação” a outras agências.
A ICREACH desenvolveu-se a partir do projeto CRISSCROSS, uma iniciativa secreta da CIA e da DEA criada no começo dos anos 1990 para identificar suspeitos de tráfico de drogas na América Latina. Mas em 1999, o acesso ao Projeto CRISSCROSS expandiu-se para incluir a NSA, o DIA e o FBI, que também contribuíram para a base de dados. Um sistema suplementar chamado PROTON foi instalado para dar suporte a novas informações assim que os analistas começaram a juntar mais e mais dados espiados, incluindo códigos que poderiam identificar telemóveis individuais, passaportes e registos de vôos, pedidos de visto e informações de relatórios da CIA. Em julho de 2006, a NSA estimou que tinha armazenado 149 mil milhões de gravações no PROTON.
Mas a ICREACH pode armazenar ainda mais gravações do que se estima hoje. O Interceptescreve:
Enquanto a NSA estimava inicialmente 850 mil milhões de registos disponíveis na IREACH, os documentos indicam que este número pode ter sido ultrapassado, e que o número de acessos ao sistema pode ter subido desde 2010 para mais de 1000 analistas. O documento secreto “Black Budget,” de 2013, também obtido por Snowden, mostra que a NSA buscou mais financiamento recentemente para aprimorar a IREACH, no intuito de “prover aos analistas acesso a uma quantidade maior de dados.”
Artigo de Nadia Prupis, publicado em CommonDreams

IBGE estima que o Brasil tenha 202,7 milhões de habitantes. Vejam os dados e tabelas

O IBGE divulfou ontem, 28 de agosto de 2014, as estimativas das populações residentes nos 5.570 municípios brasileiros com data de referência em 1º de julho de 2014. Estima-se que o Brasil tenha 202,7 milhões de habitantes e uma taxa de crescimento de 0,86% de 2013 para 2014. O município de São Paulo continua sendo o mais populoso, com 11,9 milhões de habitantes, seguido por Rio de Janeiro (6,5 milhões), Salvador (2,9 milhões), Brasília (2,9 milhões) e Fortaleza (2,6 milhões). Os 25 municípios mais populosos somam 51,0 milhões de habitantes, representando 25,2% da população total do Brasil.
As estimativas populacionais são fundamentais para o cálculo de indicadores econômicos e sociodemográficos nos períodos intercensitários e são, também, um dos parâmetros utilizados pelo Tribunal de Contas da União na distribuição do Fundo de Participação de Estados e Municípios. Esta divulgação anual obedece à lei complementar nº 59, de 22 de dezembro de 1988, e ao artigo 102 da lei nº 8.443, de 16 de julho de 1992.
A tabela com a população estimada para cada município foi publicada no Diário Oficial da União (D.O.U.) de hoje, 28 de agosto de 2014. Os resultados das Estimativas de População 2014 também podem ser acessados na páginawww.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/estimativa2014. Uma análise completa das estimativas populacionais pode ser consultada no linkhttp://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/pdf/analise_estimativas_2014.pdf.
OS 25 MUNICÍPIOS MAIS POPULOSOS
ORDEM
UF
MUNICÍPIO
POPULAÇÃO 2014
SP
São Paulo
11.895.893
RJ
Rio de Janeiro
6.453.682
BA
Salvador
2.902.927
DF
Brasília
2.852.372
CE
Fortaleza
2.571.896
MG
Belo Horizonte
2.491.109
AM
Manaus
2.020.301
PR
Curitiba
1.864.416
PE
Recife
1.608.488
10º
RS
Porto Alegre
1.472.482
11º
PA
Belém
1.432.844
12º
GO
Goiânia
1.412.364
13º
SP
Guarulhos
1.312.197
14º
SP
Campinas
1.154.617
15º
MA
São Luís
1.064.197
16º
RJ
São Gonçalo
1.031.903
17º
AL
Maceió
1.005.319
18º
RJ
Duque de Caxias
878.402
19º
RN
Natal
862.044
20º
MS
Campo Grande
843.120
21º
PI
Teresina
840.600
22º
SP
São Bernardo do Campo
811.489
23º
RJ
Nova Iguaçu
806.177
24º
PB
João Pessoa
780.738
25º
SP
Santo André
707.613
TOTAL 25 MAIORES
51.077.190
TOTAL BRASIL
202.768.562
% TOTAL BRASIL
25,2%
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas – DPE, Coordenação de População e Indicadores Sociais – Copis.
Quando se excluem as capitais, os municípios mais populosos são Guarulhos (1,3 milhão), Campinas (1,2 milhão), São Gonçalo (1,0 milhão), Duque de Caxias (878,4 mil), São Bernardo do Campo (811,5 mil), Nova Iguaçu (806,2 mil), Santo André (707,6 mil), Osasco (693,3 mil) e São José dos Campos (681,0 mil). Os 25 municípios mais populosos com exceção das capitais somam 17,0 milhões de habitantes, representando 8,4% do total da população do Brasil em 2014.
OS 25 MUNICÍPIOS MAIS POPULOSOS EXCETO CAPITAIS
ORDEM
UF
MUNICÍPIO
POPULAÇÃO 2014
SP
Guarulhos
1.312.197
SP
Campinas
1.154.617
RJ
São Gonçalo
1.031.903
RJ
Duque de Caxias
878.402
SP
São Bernardo do Campo
811.489
RJ
Nova Iguaçu
806.177
SP
Santo André
707.613
SP
Osasco
693.271
SP
São José dos Campos
681.036
10º
PE
Jaboatão dos Guararapes
680.943
11º
SP
Ribeirão Preto
658.059
12º
MG
Uberlândia
654.681
13º
MG
Contagem
643.476
14º
SP
Sorocaba
637.187
15º
BA
Feira de Santana
612.000
16º
SC
Joinville
554.601
17º
MG
Juiz de Fora
550.710
18º
PR
Londrina
543.003
19º
GO
Aparecida de Goiânia
511.323
20º
PA
Ananindeua
499.776
21º
RJ
Niterói
495.470
22º
RJ
Campos dos Goytacazes
480.648
23º
RJ
Belford Roxo
479.386
24º
ES
Serra
476.428
25º
RS
Caxias do Sul
470.223
TOTAL 25 MAIORES
17.024.619
TOTAL BRASIL
202.768.562
% TOTAL BRASIL
8,4%
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas – DPE, Coordenação de População e Indicadores Sociais – Copis.
Serra da Saudade, no estado das Minas Gerais, é o município brasileiro de menor população, estimada em 822 habitantes em 2014, seguido de Borá, em São Paulo, com 835 habitantes. Atualmente, esses dois municípios são os únicos no país com menos de mil habitantes em 01/07/2014. A população dos 25 municípios menos populosos soma 32.946 habitantes, representando aproximadamente 0,02% da população total do Brasil.
OS 25 MUNICÍPIOS MENOS POPULOSOS
ORDEM
UF
MUNICÍPIO
POPULAÇÃO 2014
MG
Serra da Saudade
822
SP
Borá
835
MT
Araguainha
1.000
TO
Oliveira de Fátima
1.091
GO
Anhanguera
1.093
SP
Nova Castilho
1.206
MG
Cedro do Abaeté
1.222
PI
Miguel Leão
1.239
SP
Uru
1.240
10º
RS
André da Rocha
1.286
11º
SC
Santiago do Sul
1.389
12º
TO
Chapada de Areia
1.391
13º
GO
Lagoa Santa
1.406
14º
MG
Grupiara
1.415
15º
PR
Jardim Olinda
1.416
16º
RS
Engenho Velho
1.428
17º
GO
Cachoeira de Goiás
1.430
18º
RS
União da Serra
1.434
19º
SC
Lajeado Grande
1.479
20º
MT
Serra Nova Dourada
1.492
21º
PR
Nova Aliança do Ivaí
1.509
22º
MG
Doresópolis
1.512
23º
SP
Santa Salete
1.517
24º
TO
São Félix do Tocantins
1.532
25º
RS
Montauri
1.562
TOTAL 25 MAIORES
32.946
TOTAL BRASIL
202.768.562
% TOTAL BRASIL
0,02%
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas – DPE, Coordenação de População e Indicadores Sociais – Copis.
Entre as regiões metropolitanas, a RM de São Paulo continua sendo a mais populosa, com 20,9 milhões de habitantes, seguido da RM do Rio de Janeiro (11,9 milhões de habitantes), da RM de Belo Horizonte (5,8 milhões de habitantes), da RM de Porto Alegre (4,2 milhões de habitantes) e da Região Integrada de Desenvolvimento (RIDE) do Distrito Federal e Entorno (4,1 milhões de habitantes). As 25 regiões metropolitanas mais populosas somam 87,0 milhões de habitantes, representando 42,9% da população total.
POPULAÇÃO DAS REGIÕES METROPOLITANAS
ORDEM
REGIÃO
METROPOLITANA
POPULAÇÃO
2014
% POPULAÇÃO TOTAL
RM SÃO PAULO
20.935.204
10,32%
RM RIO DE JANEIRO
11.973.505
5,91%
RM BELO HORIZONTE
5.767.414
2,84%
RM PORTO ALEGRE
4.161.237
2,05%
RIDE DF E ENTORNO
4.118.154
2,03%
RM SALVADOR
3.919.864
1,93%
RM RECIFE
3.887.261
1,92%
RM FORTALEZA
3.818.380
1,88%
RM CURITIBA
3.414.115
1,68%
10º
RM CAMPINAS
3.043.217
1,50%
11º
RM MANAUS
2.478.088
1,22%
12º
RM GOIÂNIA
2.296.678
1,13%
13º
RM BELÉM
2.129.515
1,05%
14º
RM GRANDE VITÓRIA
1.884.096
0,93%
15º
RM BAIXADA SANTISTA
1.781.620
0,88%
16º
RM NATAL
1.462.045
0,72%
17º
RM GRANDE SÃO LUÍS
1.403.111
0,69%
18º
RM MACEIÓ
1.246.421
0,61%
19º
RM JOÃO PESSOA
1.195.904
0,59%
20º
RM NO/NE CATARINENSE
1.191.558
0,59%
21º
RIDE TERESINA
1.180.930
0,58%
22º
RM FLORIANÓPOLIS
1.111.702
0,55%
23º
RM ARACAJU
912.647
0,45%
24º
RM VALE DO RIO CUIABÁ
871.729
0,43%
25º
RM LONDRINA
818.300
0,40%
TOTAL 25 MAIORES RM
87.002.695
42,91%
TOTAL BRASIL
202.768.562
100,00%
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas – DPE, Coordenação de População e Indicadores Sociais – Copis.
Onde: RM = Região Metropolitana e RIDE = Região Integrada de Desenvolvimento
No ranking dos estados, os três mais populosos localizam-se na região Sudeste, enquanto os três estados menos populosos localizam-se na região Norte. O estado de São Paulo é o mais populoso, com 44,0 milhões de habitantes e 21,7% da população total do país, seguido de Minas Gerais, com 20,7 milhões de habitantes (10,2% da população total), e Rio de Janeiro, com 16,5 milhões de habitantes (8,1% da população total). O estado de Roraima é o menos populoso, com 496,9 mil habitantes (0,2% da população total), seguido do Amapá, com 750,9 mil habitantes (0,4% da população total), e Acre com 790,1 mil habitantes (0,4% da população total).
Municípios de médio porte são os que mais crescem no Brasil
As maiores taxas geométricas de crescimento da população verificadas entre 2013 e 2014 estão nos municípios de “médio porte”, que possuem entre 100 mil e 500 mil habitantes em 2014 (1,12%). Esses municípios, em geral, são importantes centros regionais em seus estados, ou integram as principais regiões metropolitanas do país, configurando-se como áreas de atratividade migratória.
O crescimento nos municípios com mais de 500 mil habitantes (0,84%), por outro lado, é menos acentuado, sendo menor que a média nacional (0,86%). Essa tendência é influenciada, sobretudo, pelo ritmo lento de crescimento de algumas das principais capitais e núcleos metropolitanos, como, por exemplo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Recife e São Paulo. Atualmente, as taxas de crescimento dessas capitais se encontram abaixo da média nacional.
Os pequenos municípios brasileiros, em média, apresentam as menores taxas de crescimento populacional entre os anos de 2013 e 2014. O baixo crescimento, ou até decréscimo em muitos casos, pode ser explicado pelo componente migratório, influenciado por seu baixo dinamismo econômico. Para os municípios com população de até 100 mil habitantes, a taxa de crescimento estimada foi de 0,72%.
O município com maior taxa de crescimento entre 2013 e 2014 foi Nova Redenção (BA) com 10,87%, que passou de 8.527 para 9.453 habitantes. O de menor crescimento foi Satuba (AL) com taxa de -15,87%, passando de 15.737 para 13.241 pessoas. Já em relação às capitais, a que mais cresceu foi Palmas (2,91%), de 257.903 para 265.409, e a que menos cresceu foi Porto Alegre (0,32%), de 1.467.823 para 1.472.482 habitantes.
Metodologia usada pelo IBGE
Em 2013, o IBGE divulgou a projeção da população para as unidades da federação do país, por sexo e idade, pelo método das componentes demográficas, o que representou um aprimoramento metodológico. Dessa forma, as estimativas da população residente para os municípios brasileiros, com data de referência em 1º de julho de 2014, foram elaboradas a partir dessa projeção para cada estado, incorporando os resultados dos parâmetros demográficos calculados com base nos resultados do Censo Demográfico 2010 e nas informações mais recentes dos registros de nascimentos e óbitos.
Fonte: IBGE