"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 6 de setembro de 2014

Afinal, de quem é a cidade?

Manhã de sábado e os anúncios para carreatas ou passeatas sonorizam o cotidiano das cidades país afora, o fazem com um tom explosivo, como se o fato de ter esse tipo de evento fosse redimir todas as cidades ou se houvesse uma competição para ver quem faz a porcaria mas bem feita (significa mais ridícula).

Que tipo de voto sai dessas procissões inundadas de imundície não precisa nem classificar, as eleições brasileiras são resolvidas na base do espetáculo, o espetáculo aberrante da negação; gostava-se muito de contratar artistas para confundir voto com atração musical, a justiça proibiu, agora contratam um anunciador-palhaço para fazer um carnaval tipo rodeio.

Mudou a legislação sem mudar  os costumes, e nem as escolas..., ou você se torna um seguidor sem futuro, veste uma camisa, balança bandeira ou então passa a ver tudo aquilo como algo insuportável, se desistir faz mal, vai ter que fazer de conta que aquila não exista, se visualiza nova maneira de se disputar eleições aí são inúmeras as possibilidades. A primeira e retaliar, não participa, ridiculariza, e exponha porque aquilo ocorre; depois mobilizam um número grande de cidadãos e buscam modificar as leis eleitorais do país.

Quando mais indivíduos se tornem cidadãos, os que vivem e constroem uma cidade, menos importante, no sentido de não monopolizar a política, se tornam as campanhas; o espetáculo maldito é uma farsa, um aproveitamento de uma situação de vazio político nas cidades: não tem política façamos um espetáculo para enrolar.

A cidade brasileira tem esse problema, operar ao contrário, deixar que apareça alguém em dado período e que se possa levar alguma esmola ou inventar contos do assinador de emendas; a cidade só é das pessoas porque elas a ocupam, tem suas residências ali, mas não é delas no sentido de que quem mora constrói a cidade.

Os bancos privados aproveitam-se escandalosamente do monopólio do crédito ao setor público

É interdito ao BCE e aos bancos centrais que fazem parte do euro-sistema concederem crédito às administrações públicas. Os governos da Zona Euro podem contornar parcialmente esta proibição, pedindo empréstimos aos bancos públicos (nos países em que estes ainda existam) mas até hoje sempre recusaram pôr em prática essa possibilidade.

Por Eric Toussaint

Ora os bancos privados financiam-se principalmente, desde 2008, recorrendo a entidades dependentes do poder público (o BCE e os bancos centrais dos países do euro-sistema), a taxas de juro extremamente vantajosas. Desde junho de 2014, pedem empréstimos ao BCE a uma taxa de 0,15% (quando a taxa de inflação foi em 2013 da ordem dos 0,8 % na Zona Euro, isto significa que os bancos pagam uma taxa de juro inferior à inflação, ou seja, uma taxa real de juro negativa). A 4 de setembro 2014 o BCE voltou a baixar a taxa, que é agora de 0,05 %. A seguir, esses mesmos bancos emprestam dinheiro aos países europeus da Periferia (Espanha, Itália, Portugal, Grécia, Irlanda, Chipre e aos países de Leste membros da Zona Euro), exigindo taxas de juro nitidamente mais altas, para não dizer exorbitantes (entre 3 e 7 %, no caso das taxas aplicadas em junho de 2014). Emprestam à França, à Bélgica e à Holanda a taxas ligeiramente inferiores a 2% e à Alemanha a 1,6% (taxas praticadas em junho de 2014). Em setembro-2014 os bancos emprestaram a Portugal com uma taxa de juro ligeiramente superior a 3%, quando já estavam a ter crédito do BCE a 0,05%! Belo negócio para os bancos!
O Banco Central Europeu
Criado em 1998 com base no modelo do Bundesbank alemão e instalado em Frankfurt, na Alemanha, o Banco Central Europeu (BCE) é a instituição responsável pela aplicação da política monetária nos países que adotaram o euro como moeda comum i. Os bancos centrais nacionais dos países da Zona Euro transferiram para o BCE as suas competências em matéria monetária. Previsto no Tratado de Maastricht de 1992, o BCE tem como missões fundamentais, em virtude do artigo 105º, parágrafo 2º, do tratado que instituiu a Comunidade Europeia:
- definir e pôr em prática a política monetária da Zona Euro;
- conduzir as operações de câmbio;
- guardar e gerir as reservas oficiais de câmbios dos países da Zona Euro;
- promover o bom funcionamento dos sistemas de pagamento.

O seu objetivo principal, bem como o dos bancos centrais nacionais dos países da Zona Euro, é o de «manter a estabilidade dos preços» ii, apontando para uma inflação anual de 2 %.
Proclamado como independente, o BCE é dirigido por banqueiros segundo uma pura lógica de banqueiro. Se os povos europeus exigissem democraticamente outras escolhas monetárias, o BCE poderia recusar e prosseguir os seus dogmas ao serviço dos indivíduos mais ricos e das grandes empresas. Ora esta independência não é mais do que uma hábil encenação para fazer crer que não é possível questionar as escolhas feitas pelo BCE. Na realidade, o BCE é completamente permeável às exigências das instituições financeiras no seu conjunto, bem como às dos dirigentes europeus, que organizam a submissão dos povos graças às políticas neoliberais. Embora as políticas respeitantes ao mercado de trabalho não façam parte das competências do BCE, ele intervém sistematicamente neste domínio em favor do aumento da precarização dos trabalhadores e em favor dos interesses particulares dos patrões.
Recordemos que o BCE não compra diretamente aos Estados os títulos da dívida pública, que eles emitem para se financiarem iii. Os governos que criaram o BCE pretendiam reservar ao setor privado o monopólio do crédito em relação aos poderes públicos. Desde 2010 que o BCE compra títulos da dívida pública no mercado secundário: não os compra diretamente aos Estados, mas sim aos bancos, que os adquiriram no mercado primário e que não têm como se desembaraçar deles. Este é outro método utilizado pelo BCE para financiar os bancos. Se o BCE comprasse títulos públicos no mercado primário, forneceria diretamente os Estados de meios financeiros.
Convém também notar que o BCE apenas compra no mercado secundário os títulos de dívida pública de países que se submetem às brutais políticas de austeridade.
Os estatutos do BCE, assim como o Tratado de Lisboa, proíbem-no, assim como aos bancos centrais da União Europeia, de emprestar diretamente aos Estados. O BCE empresta, portanto, aos bancos privados, que, por seu turno, emprestam aos Estados a uma taxa mais elevada. O artigo 101º do Tratado de Maastricht, inteiramente confirmado no Tratado de Lisboa, no seu artigo 123º, acrescenta: «É proibido ao BCE e aos bancos centrais dos Estados-membros […] conceder empréstimos a descoberto ou qualquer outro tipo de crédito às instituições ou organismos da Comunidade, às administrações centrais, às autoridades regionais, ou a outras autoridades públicas». Esta é uma das razões pelas quais é necessário anular este tratado e refundar democraticamente a UE.
Artigo da série “Os Estados ao serviço dos bancos sob o pretexto 'Too big to fail'” (parte 3) publicado em http://cadtm.org/Os-bancos-privados-aproveitam-se


  Eric Toussaint
  Politólogo. Presidente do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo

Área de florestas intactas diminuiu 8% em 13 anos e 25% dessa área fica na região amazônica

Mais de 104 milhões de hectares de florestas intactas foram perdidos nos últimos treze anos e 25% dessa área fica na região amazônica, que engloba Brasil e países vizinhos. No Brasil, 15 milhões de hectares foram degradados nesse período, afirma um estudo do Greenpeace, em parceira com a Universidade de Maryland e da ONG Transparent World, divulgado nesta quinta-feira (04/09).
A pesquisa analisou imagens de satélite do programa Landsat, da Nasa e do Serviço Geológico dos Estados Unidos, feitas entre 2000 e 2013. A comparação dos dados mostra que houve uma diminuição de 8,1% na área de florestas intactas, ou seja, regiões de ao menos 500 quilômetros quadrados que não sofreram alterações causadas pelo homem.
“É incrível o ritmo de destruição de nossos recursos naturais. Precisamos urgentemente de mais áreas protegidas, onde o homem não possa destruir”, afirmou Jannes Stoppel, especialista em florestas do Greenpeace.
A área destruída equivalente a três vezes o tamanho da Alemanha. Os biomas mais atingidos foram as florestas boreais e tropicais, justamente as que concentram 95% das áreas intactas. A maior parte da degradação, ou seja, 47%, foi registrada na taiga, no Canadá, Rússia e Alasca.
Estradas trazem destruição
A construção de estradas – tantos as legais quanto as ilegais – que atravessam essas regiões é a principal responsável por essa destruição. Queimadas também foram outro fator que contribui significativamente para a redução.
“Assim que surge a estrada, surge também o fogo e aumenta a ação do homem na região. Esses aspectos são fundamentais para a redução de florestas intactas”, reforçou Stoppel em entrevista à DW Brasil.
As florestas cobrem cerca de um quarto do planeta, mas apenas 0,08% da superfície terrestre é coberta por regiões intactas, que abrangem também lagos, mata nativa, pastagem, pântanos e rochas. No Brasil restavam, em 2013, cerca de 233 milhões de hectares de florestas intactas, afirma o relatório.
Essas áreas são fundamentais para a conservação da biodiversidade, além de diminuir os impactos das mudanças climáticas. Segundo Stoppel, já foi observado um aumento no risco de queimadas devido às alterações no clima.
“Nossa avaliação mostra de forma surpreendentemente clara o crescimento da pressão sobre as florestas. Nós precisamos reaprender a valorizar as florestas intactas. Elas são o lar de inúmeras espécies de animais e plantas, elas regulam o clima, limpam o ar e a água e são a base de vida para muitas populações”, disse Stoppel.
Para combater essa perda, a organização pede que governos nacionais protejam mais esses locais, por meio da criação de reservas de proteção. Além disso, o Greenpeace também sugere que consumidores contribuam para preservar essas regiões, reduzindo o uso de papel e de produtos oriundos de madeira.
Matéria de Clarissa Neher, da Deutsche Welle, DW.DE,

Projeções da população mundial e regiões na hipótese de fecundidade constante

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

população mundial e projeções 2005-2100

A Divisão de População da ONU atualiza periodicamente 4 projeções para os países, as regiões e o mundo. Além da projeção média, existem as projeções alta e baixa que levam em consideração as perspectivas de queda da fecundidade e aumento da esperança de vida. Para os países e regiões também se considera as projeções sobre migração. Ainda são apresentadas as projeções para o caso das taxas de fecundidade permanecerem constantes.
Na última revisão (de 2012 publicada em 2013) as estimativas da ONU para a população mundial em 2100 foram: projeção média: 10,9 bilhões de habitantes; projeção baixa: 6,8 bilhões de habitantes; e projeção alta: 16,6 bilhões de habitantes.
Contudo, a ONU também divulga a projeção caso as taxas de fecundidade permaneçam constantes no nível do quinquênio 2005-2010. Neste caso, a população mundial chegaria a 28,6 bilhões de habitantes em 2100, pois a taxa de fecundidade total estava em torno de 2,53 filhos por mulher.
Para os países desenvolvidos (More developed regions) que tinham uma população de 1,241 bilhão de habitantes em 2010, haveria uma pequena queda para 1,153 bilhão em 2100. Os países menos desenvolvidos (Less developed regions) que tinham uma população de 4,836 bilhões de habitantes em 2010, haveria um aumento para 13,904 bilhões de habitantes. Para os países muito menos desenvolvidos (Least developed countries), que tinham uma população de 839 milhões de habitantes em 2010, haveria um aumento para 13,590 bilhões de habitantes (16 vezes maior).
Projeção feita por demógrafos do International Institute for Applied Systems Analysis (IIASA) mostra que se a taxa de fecundidade permanecer constante em torno de 2,5 filhos por mulher a população mundial chegaria a 71 bilhões de habitantes em 2300. Provavelmente, o mundo nunca irá chegar ao um volume tão grande de população, pois a pressão sobre os recursos naturais e a falta de bases econômicas forçaria uma queda das taxas de fecundidade ou o aumento das taxas de mortalidade.
A hipótese de fecundidade constante é apenas um exercício didático para mostrar qual seria a dinâmica demográfica caso o número médio de filhos ficasse inalterado. Historicamente as taxas de fecundidade do mundo caíram de 5 filhos por mulheres em 1950 para 2,5 filhos por mulher atualmente. A perspectiva é que continuem caindo, mas ninguém tem certeza qual será o ritmo de diminuição. As pesquisas sobre o tamanho ideal do número de filhos que os casais desejam é de 2 (dois), geralmente um menino e uma menina.
Mas existem mais de 200 milhões de mulheres sem acesso aos métodos contraceptivos no mundo, especialmente em países pobres. Além disto existem diversas forças políticas que são contra a queda da fecundidade, como o fundamentalismo de mercado, o fundamentalismo religioso, o conservadorismo moral e as forças pronatalistas que se amparam em um discurso anti-neomalthusiano.
Desta forma, o que os dados mostram é que se a taxa de fecundidade ficar em torno de 2,5 filhos por mulher, como atualmente, a população chegaria a 71 bilhões de habitantes em 2300. Se a taxa de fecundidade ficar em torno de 2,0 filhos por mulher a população mundial se estabilizaria em torno de 9 bilhões de habitantes em 2300. Mas se a taxa de fecundidade cair para 1,5 filhos por mulher a população mundial entraria em ritmo acelerado de decrescimento e chegaria a 720 milhões de habitantes em 2300.
O fato é que as taxas de fecundidade devem continuar a cair nas próximas décadas, embora ninguém saiba dizer se haverá estabilização e em qual nível. Nos atuais padrões de produção e consumo, a humanidade já ultrapassou as fronteiras planetárias e o mundo vive uma situação de déficit ecológico. Manter um ritmo acelerado de crescimento populacional só serviria para incentivar o ritmo continuo de crescimento econômico, o que dificultaria muito o avanço da qualidade de vida e a preservação dos ecossistemas e da biodiversidade.
Referência:
STUART BASTEN, WOLFGANG LUTZ, SERGEI SCHERBOV. Very long range global population scenarios to 2300 and the implications of sustained low fertility. Demographic Research, V. 28, Art 39, 2013, p. 1145-1166

ALVES, JED. Explosão, implosão ou divisão demográfica? EcoDebate, RJ, 25/09/2013
ALVES, JED. Novas projeções da população mundial até 2100. EcoDebate, RJ, 12/07/2013
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Crentes sem religião, a tendência que mais cresce no mundo

Artigo do estudioso uruguaio Miguel Pastorino, membro da Rede Iberoamericana de Estudo das Seitas (RIES), sobre a metamorfose atual do panorama religioso a nível mundial.
A tendência religiosa que mais cresce no mundo
Os sociólogos da religião, desde os anos 90 advertem que a tendência religiosa que mais cresce no mundo, especialmente no Ocidente, e em particular nos países de antiga tradição cristã, são "crentes sem afiliação religiosa" ou "crentes sem religião". Eles são muitas vezes classificados pelas pesquisas como "não-crentes" por não serem identificados com nenhuma religião, e, portanto, cai em um importante erro conceitual, porque não aderir a qualquer instituição religiosa, não significa que não se tenha crença religiosa.
Creyentes sin religión la tendencia que más crece en el mundo Creyentes sin religión, la tendencia que más crece en el mundo
Metamorfose da religião
A crise da modernidade, das instituições, das igrejas históricas, e especialmente as mais burocratizadas e amalgamadas com os esquemas modernos, leva a acreditar que a experiência religiosa estava desaparecendo. No entanto, só foi mudando de lugar. O que desaparece é uma maneira de viver e praticar sua fé. 

Em uma cultura dominada pela lógica instrumental e consumista, tem crescido o que os sociólogos franceses chamam "religiosidade à carta", onde cada um compõe e reconfigura seu próprio cardápio religioso, tomando de cada tradição o que melhor vem a sua necessidade e ressignificando símbolos e conteúdos no próprio ponto de vista. 


O declínio da prática religiosa tradicional não significa um declínio da religião, mas uma mudança de espaço religioso e suas manifestações, pelo qual ele passa de uma fé social e culturalmente herdada para uma fé assumida como uma jornada pessoal de descoberta e experiência pessoal. Testemunhando uma metamorfose da religião, que não só muda as crenças e práticas, mas a mesma visão de mundo e, portanto, a mesma imagem da divindade.
Um canasto espiritual
Muitos crentes não só escolher as peças de seu credo que melhor se adequam a sua sensibilidade - sem aceitar toda a tradição ou a orientação de seus líderes, mas  levam tudo aquilo que conhecem o melhor que são concorda com seus interesses indivíduais. Em uma situação de "mercado religioso" o crente sem religião está se situa em atitude de comprador ou consumidor: escolher como se tivesse diante de uma variedade de produtos para consumir e colocar na cesta e segundo a sua preferência, necessidade e gosto. Cumpre, assim, uma justaposição de crenças, um múltiplo pertencente a diferentes crenças e práticas religiosas, onde o sincretismo não é uma palavra ruim, mas um sinal de abertura de espírito e liberdade. 

A suposição é de que todas as tradições religiosas são igualmente valiosas e verdadeiras, de modo que o ideal não é seguir um caminho religioso prescrito, mas mais conveniente para levar cada caminho de auto-realização e itens pessoais. 


De acordo com os resultados da Religião 2010 do Centro de Pesquisa e Projeto de Vida Pública, "crentes sem religião"  na Europa são 18% na Ásia, 21% e na América Latina 8%. No mundo os cristãos são 31,4%, os muçulmanos 23,2%, e os crentes sem religião totalizaram 16,4%.
A primazia da experiência e as vivências espirituais
A religiosidade  pós-moderna privilegia a experiência em vez de doutrina, de itinerários pessoais ante as grandes tradições, as vivências espirituais ante os conteúdos doutrinários. E o crente hoje é um buscador, um peregrino que quer decidir como, quando e em quem acreditar. 

O peso do testemunho emocional, a experiência e a interioridade em movimentos neopetencostais e nas espiritualidades neoesotéricas da Nova Era, mostram os novos rumos da religião e apresentam um grande desafio para as religiões tradicionais e igrejas históricas. 


Rechaça-se a experiência  regulada sobretudo por rituais e atos válidos por si mesmos - ex opere operato- . A interioridade é o lugar onde o sagrado é encontrado e atualizado. Sem experiência íntima, pessoal e emocional não há experiência do sagrado. Daí a tendência a procurar na psicologia um mediador qualificado para aprofundar e até mesmo terapias corporais e emocionais. Busca-se um mundo de unidade interior, de certeza e de mistério decifrado. A emoção abraça seus dois pólos: o forte externalização e concentração interna. 


A religiosidade atual tornou-se uma religião sem Deus, mas se manifesta emocionalmente poderoso e tem uma ampla distribuição, inclusive editorialmente, como visto na proliferação enorme de livros de auto-ajuda e corte gnóstico esotérico. 


É evidente que o momento atual é caracterizado por uma extensa psicologização, não só da ideia do divino e da religião, mas de todos os sistemas sociais e dos relacionamentos. A "emoção"ocupa um lugar não só importante, mas excepcional na vida de muitos dos nossos contemporâneos, os quais dedicam muita energia para uma busca desesperada - em alguns casos enfermiça - de novidades e experiências poderosas, resultando no que foi chamado "sociedade da vivência."
Somente vale a religião que se experimenta
Na cultura dos sentimentos só vale o que é vivido internamente, emocionalmente. Se não há uma abordagem emocional, afetiva à religião esta é considerada inútil. Diante da ênfase nas convicções, aqui prima-se a afetividade sentida. Sem um toque emocional, sensível, do sagrado, ele não existe ou não é dado com credibilidade. 

O indivíduo atual quer expressar seus sentimentos. Não está interessado em especular sobre Deus ou o entendimento doutrinário quanto a partilha de experiências. É mais atento à experiência que se sente, como sente e imagina, de que na forma pensa  ou justifica racionalmente. 


Já não se pode assumir que quem é apresentado com uma certa compreensão da realidade - seja cristã ou socialista ou liberal - necessariamente tem um tipo de estrutura mental e existencial da vida, de acordo com o que eles dizem acreditar. Cada vez mais assistimos à visão de personalidades decompostas, fragmentadas, incoerentes: por um lado está a sua crença, seu comportamento moral, por outro, as outras experiências espirituais, etc 


Na situação atual, em que o homem de hoje está fragmentado, desesperadamente procura a integração e a harmonia interior, uma experiência de salvação "aqui e agora", e que quase sempre não pretende ir além do que está vivendo dentro da própria experiência subjetiva de paz e satisfação. 


A experiência de salvação é um momento a mais na vida das pessoas, e não aspira a ser um elemento estruturante da existência, nem promete uma salvação mais ampla, nem para a pessoa particular, muito menos para a sociedade. A ideia de Deus passa por grandes mudanças, transforma-se em uma força cósmica, impessoal, vaga e difusa, como "um conjunto de vibrações energéticas", que são a essência de toda a realidade.
Técnicas e mais técnicas “espirituais”
Neste contexto sociocultural, se produz uma grande proliferação de todo tipo de métodos de autoajuda vinculados ao esoterismo, o parapsicológico e às religiões orientais. Emerge assim uma religiosidade de tipo mágica, onde o divino é na realidade um meio para alcançar o bem-estar, não uma pessoa coma que entramos em relação. O importante é alcançar o conhecimento (gnosis) para viver este tipo de experiencias salvíficas que se colocam na pura imanência, é dizer, do lado de cá.
Artículo de Miguel Pastorino en Libertad Digital

Chomsky: O Fim da História?

A curta, estranha era da civilização humana parece estar chegando ao fim. 
Por Noam Chomsky

Não é agradável contemplar os pensamentos que devem estar passar pela mente da coruja de Minerva[i] quando, ao cair do crepúsculo, se entrega à tarefa de interpretar a era da civilização humana que pode agora estar a aproximar-se de um inglório fim.
 A era iniciou-se há quase 10.000 anos no Crescente Fértil, estendendo-se desde as terras do Tigre e do Eufrates, através da Fenícia na costa oriental do Mediterrâneo, até ao vale do Nilo e daí para a Grécia e mais além. O que está a acontecer nesta região fornece lições dolorosas sobre as profundezas a que a espécie pode descer.
 A terra do Tigre e do Eufrates tem sido palco para horrores indizíveis nos últimos anos. A agressão W. George Bush-Tony Blair de 2003, que muitos iraquianos comparam às invasões mongóis do século 13, foi mais outro golpe letal. Destruiu muito do que sobreviveu às sanções da ONU ao Iraque dirigidas por Bill Clinton, condenadas como "genocidas" pelos ilustres diplomatas Denis Halliday e Hans von Sponeck, que as administraram antes de se demitirem em protesto. Os relatórios devastadores de Halliday e von Sponeck receberam o tratamento usual dado a factos indesejados.
 Uma terrível consequência da invasão dos EUA-Inglaterra é retratada num "guia visual para a crise no Iraque e na Síria” do New York Times: a mudança radical de Bagdade, de bairros mistos em 2003 para enclaves sectários de hoje, aprisionada num ódio amargo. Os conflitos inflamados pela invasão espalharam-se mais além e estão agora a rasgar toda a região em pedaços.
 Grande parte da área do Tigre-Eufrates está nas mãos do EIIL[ii] e do seu autoproclamado Estado Islâmico, uma caricatura sombria da forma extremista do Islão radical que tem sede na Arábia Saudita. Patrick Cockburn, um correspondente do Médio-Oriente para o The Independent e um dos analistas mais bem informado do ISIS, descreve-o como "uma organização muito horrível, fascista em muitas formas, muito sectária, mata alguém que não acredita no seu tipo rigoroso e particular de Islão".
 Cockburn também aponta para a contradição na reação ocidental ao surgimento do EIIL: os esforços para conter o seu avanço no Iraque juntamente com outros para minar o adversário principal do grupo na Síria, o regime brutal de Bashar Assad. Enquanto isso, a maior barreira para a disseminação da praga do EIIL no Líbano é o Hezbollah, um inimigo odiado dos EUA e do seu aliado israelita. E para complicar a situação ainda mais, os Estados Unidos e o Irão agora compartilham uma justificada preocupação com a ascensão do Estado Islâmico, como fazem outros nesta região altamente conflitiva.
 O Egito tem mergulhado em alguns dos seus dias mais sombrios sob uma ditadura militar que continua a receber apoio dos EUA. O destino do Egito não estava escrito nas estrelas. Durante séculos, caminhos alternativos foram bastante viáveis e, não raramente, uma pesada mão imperial barrou o caminho.
 Depois dos horrores renovados destas poucas semanas últimas, não deveria ser necessário comentar o que emana de Jerusalém, na história remota considerada um centro moral.
 Há oitenta anos Martin Heidegger exaltava a Alemanha nazi por fornecer a melhor esperança de salvar a civilização gloriosa dos Gregos dos bárbaros do Oriente e do Ocidente. Hoje, os banqueiros alemães esmagam a Grécia sob um regime económico projetado para lhes manter a riqueza e poder.
 O fim provável da era da civilização é prenunciado num novo projeto de relatório do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), monitor em regra conservador do que está a acontecer com o mundo físico.
 O relatório conclui que as crescentes emissões de gases com efeito de estufa são risco de "impactos graves, penetrantes e irreversíveis para pessoas e ecossistemas" nas próximas décadas. O mundo está a aproximar-se da temperatura em que a perda da vasta cobertura de gelo sobre a Gronelândia será imparável. A par do gelo Antártico em fusão, isso pode elevar os níveis do mar e inundar as principais cidades, bem como planícies costeiras.
 A era da civilização coincide de perto com a época geológica do Holoceno que começou há mais de 11.000 anos. A época anterior do Pleistoceno durou 2,5 milhões de anos. Os cientistas sugerem agora que uma nova época começou há cerca de 250 anos, o Antropoceno, período em que a atividade humana tem tido um impacto dramático sobre o mundo físico. A velocidade da mudança das épocas geológicas é difícil de ignorar. O Egito tem mergulhado em alguns dos seus dias mais sombrios sob uma ditadura militar que continua a receber o apoio dos EUA. O destino do Egito não estava escrito nas estrelas. Durante séculos, caminhos alternativos têm sido bastante viáveis, e não raro, uma mão pesada imperial tem barrado o caminho.
 Um índice do impacto humano é a extinção de espécies, a qual se estima agora estima estar à mesma velocidade de há 65 milhões anos, quando um asteroide atingiu a terra. A causa presumível para o final da era dos dinossauros, que abriu o caminho para que pequenos mamíferos proliferassem e, por fim, seres humanos modernos. Hoje os seres humanos é que são o asteroide, condenando boa parte da vida à extinção.
 O relatório do IPCC reafirma que a "maioria" das reservas conhecidas de combustível devem ser deixadas no solo para evitar riscos intoleráveis para as gerações futuras. Enquanto isso, as principais corporações energéticas não fazem qualquer segredo do seu objetivo de explorar essas reservas e descobrir novas.
 Um dia antes do seu resumo das conclusões do IPCC, o New York Times informou que enormes stocks de cereais do Médio Oriente estão a apodrecer para que os produtos do boom do petróleo do Dakota do Norte possam ser enviados por via ferroviária para a Ásia e a Europa.
 Uma das mais temidas consequências do aquecimento global antropogénico é o degelo das regiões de permafrost[iii]. Um estudo na revista Science adverte que "mesmo temperaturas ligeiramente mais quentes [menos do que as previstas nos próximos anos] poderiam começar a fundir o permafrost, que, por sua vez, corre o risco de desencadear a libertação de vastas quantidades de gases de efeito estufa aprisionadas no gelo," com possíveis "consequências fatais" para o clima global.
 Arundhati Roy sugere que a "metáfora mais apropriada para a loucura dos nossos tempos" é o glaciar de Siachen, onde soldados indianos e paquistaneses se mataram uns aos outros no campo de batalha mais alto do mundo. Agora o glaciar derrete-se revelando "milhares de obuses vazios, barris de combustível vazios, picaretas de gelo, botas velhas, tendas e todo o tipo de resíduos que milhares de humanos guerreando-se geram" num conflito sem sentido. E à medida que os glaciares fundem, a Índia e o Paquistão enfrentam um desastre indescritível.
 Triste espécie. Pobre coruja.


 Noam Chomsky é professor do instituto  de Lingüística (Emérito), no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e autor de dezenas de livros sobre a política externa dos EUA. Ele escreve uma coluna mensal para The New York Times News Service / Syndicate.

Impactos visíveis dos resíduos sólidos

Artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] Em relação aos gases provenientes da disposição do lixo, o metano é o componente mais problemático devido a sua elevada concentração (em torno de 300.000 vezes maior que a encontrada na atmosfera) exigindo técnicas sanitárias e ambientais apropriadas de controle. A concentração de metano superior a 5% é explosiva. O metano é o segundo elemento causador do efeito-estufa na atmosfera.
O uso de incineração produz fuligem e gases. Esta fumaça provoca muitos problemas alérgicos na população, principalmente entre as crianças. Em termos ambientais a queima do lixo destrói todas as propriedades coloidais e outras que são benéficas ao condicionamento dos resíduos nos solos. A queima de plásticos e isopor emite gases que poluem a atmosfera causando doenças e contribuindo para o efeito estufa. A falta de coleta pública leva as populações também a enterrarem o lixo.
O lixo é também o ambiente perfeito para a proliferação de doenças. Quando disposto no solo sem nenhum tratamento, o lixo atrai dois grandes grupos de seres vivos: os macro-vetores e os micro-vetores. Fazem parte do grupo dos macro-vetores as moscas, baratas, ratos, porcos, cachorros, urubus. O grupo dos micro-vetores como as bactérias, os fungos e vírus são considerados de grande importância epidemiológica por serem patogênicos isto é, causadores de doenças e nocivos ao homem.
Estes vetores são causadores de uma série de moléstias como diarreias infecciosas, amebíase, febre tifóide, malária, febre amarela, cólera, tifo, leptospirose, males respiratórios, infecções e alergias, encontrando no lixo um dos grandes responsáveis pela sua disseminação.
A leishmaniose, considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma das doenças infecciosas mais perigosas, vê a sua transmissão favorecida pelo acúmulo de lixo nos terrenos baldios e lixões que são locais extremamente favoráveis à reprodução e desenvolvimento do mosquito transmissor.
Outra enfermidade bastante conhecida dos brasileiros é a dengue. Transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti, a doença pode levar à morte. As larvas reproduzem-se principalmente em pneus velhos, vasos de plantas, garrafas e outros locais onde a água da chuva fica acumulada. O sistema de coleta de lixo deve ser visto como uma medida preventiva, pois impede o acúmulo desses tipos de materiais próximos a população.
Uma das principais conclusões assumidas a nível internacional é a recomendação de se investir em uma mudança de mentalidade e valores, sensibilizando as populações para a necessidade de se utilizar novos pontos de vista e novas posturas diante dos dilemas referentes à degradação ambiental.
Resolver o problema dos resíduos sólidos pode significar muito menor demanda por serviços de saúde. A OMS estima que para cada dólar investido no saneamento básico, do qual a gestão de resíduos sólidos é um dos principais itens, mas não o único, podem ser economizados 4 dólares na gestão dos serviços de saúde.
A proposta de trabalho em gestão de resíduos sólidos de qualquer natureza em geral, envolve as seguintes fases de desenvolvimento (NAIME, 2005):
1) Elaboração de diagnóstico detalhado de pontos de geração de resíduos na organização; neste momento é bom definir os critérios de segregação. Somente devem ser segregados resíduos cujo VOLUME, PREÇO e TECNOLOGIA DE RECICLAGEM OU REUTILIZAÇÃO, justifiquem plenamente esta medida. Não adianta mandar separar algum resíduo de geração pequena, ou de preço não compensador, ou que ainda não disponha de tecnologia para reutilização ou reciclagem. Neste caso programas caem em descrédito junto aos colaboradores e não há sensibilização, treinamento ou repressão capazes de alterar esta realidade.
2) Elaboração de estudo descritivo individual de cada resíduo gerado, descrevendo composição, quantidades geradas, possibilidades de reutilização ou reciclagem tecnológicas e viabilidade econômica;
3) Definição dos materiais que devem sofrer coleta seletiva por setor e dos materiais que não são viáveis em quantidade, tecnologia ou preço para serem submetidos a este processo e devem ser remetidos a aterros sanitários industriais ou não;
4) Definição das formas de armazenamento setoriais e do transporte e acondicionamento internos e armazenamento temporário em local inacessível a colaboradores inabilitados e protegido de intempéries;
5) Elaboração de Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs) por setor da organização;
6) Montagem de estrutura capaz de administrar e emitir Manifestos de Transportes de Resíduos (MTRs) e/ou notas fiscais de venda ou doação conforme o caso e realização de beneficiamento sobre resíduos que serão remetidos para reutilização, reciclagem ou destinação final;
7) Elaboração de pesquisa sobre o nível de conhecimento e percepção ambiental dos colaboradores da fábrica para planejamento de programa de treinamento permanente para gestão de resíduos sólidos;
O gerenciamento integrado dos resíduos sólidos deve objetivar a máxima redução na produção, o máximo de reaproveitamento e reciclagem para produzir inserção social, geração de emprego e renda e economia de matérias primas naturais, água e energia, com a disposição final mais adequada possível para otimizar a preservação ambiental, dentro de um contexto de universalidade e qualidade dos serviços.
Isto implica no envolvimento formal de todos os atores sociais envolvidos: associações de bairro, cooperativas de catadores, empresas, poder público, concessionários e demais partes interessadas.
A gestão integrada dos resíduos sólidos passa por uma concertação social que implica num alto índice de governança, atitude que supera governos legalmente constituídos, transcende a mandatos e supera restrições.
Materiais recicláveis como papel, metal, plásticos e vidros tem que ser reciclados e reaproveitados. Para isto é obrigatória a implantação de programas de coleta seletiva. Esta é a dimensão que gera economia de matérias-primas, água e energia e gera inclusão social, com produção de ocupação e renda a segmentos mais necessitados. Tudo isto deve ser projetado objetivando obter sustentabilidade nas dimensões econômica, social e ambiental.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Brasil: homicídio é principal causa de mortes entre meninos de 10 a 19 anos

Dados são do Unicef; agência compilou a maior pesquisa sobre o tema na história da entidade; cerca de 10% das meninas no mundo já sofreram algum tipo de violência sexual.
Relatório destaca dados sobre violência a crianças. Foto: Unicef
Por Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.
O homicídio é a principal causa de morte entre meninos com idades entre 10 e 19 anos no Brasil.
O dado foi divulgado nesta quinta-feira em Nova York, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.
Compilação
Segundo o Fundo, o documento é a maior compilação de dados da história sobre violência a crianças. Ele menciona abusos físicos, sexuais e mentais.
O relatório do Unicef usa dados de 190 países e documenta a violência onde "crianças deveriam estar seguras", como suas comunidades, escolas e casas. O estudo detalha os efeitos duradouros dos abusos. A pesquisa revela ainda que crianças expostas à violência têm maior probabilidade, de quando adultas, se tornarem desempregadas, viverem na pobreza e serem violentas com os outros.
Os autores destacam que nem todas as pessoas estão dispostas a falar sobre a violência que sofreram.
Mortes
Um quinto das vítimas de homicídios em todo mundo é de crianças e adolescentes com menos de 20 anos. Ao todo, foram cerca de 95 mil mortes em 2012.
A Nigéria tem o maior número de homicídios de crianças no mundo, com 13 mil.
O documento também aborda questões como intimidações, bullying, e punições físicas.
Violência Sexual
Segundo o relatório, cerca de 120 milhões de meninas com menos de 20 anos em todo o mundo já sofreram algum tipo de violência sexual. Isto representaria cerca de uma em cada 10 meninas.
Ele afirma ainda que quase metade das adolescentes entre 15 e 19 anos acreditam que "um marido tem direito de bater na esposa em determinadas circunstâncias".
Dados de 30 países apontam que cerca de 70% das meninas com idades entre 15 e 19 que foram vítimas de abuso físico ou sexual nunca buscaram ajuda. Muitas disseram que não achavam que era abuso, ou não viam a questão como problema.
Estratégias
O Unicef aponta seis estratégias para permitir às sociedades, de famílias a governos, que previnam e reduzam a violência contra crianças. Elas incluem dar apoio aos pais, fortalecer os sistemas e serviços judiciais, criminais e sociais. O documento menciona também a conscientização sobre a violência e seus custos humano e socioeconômico, com o objetivo de mudar atitudes e normas.
A agência lançou a iniciativa #ENDViolence no ano passado para instar ação coletiva para combater a violência contra criança.
Com o lema, "tornar o invisível, visível", a iniciativa destaca o fato de que a violência está em todos os lugares. No entanto, muitas vezes acontece às escondidas ou é tolerada por conta de normas culturais e sociais.

O que há de novo em Thomas Piketty?

É indisfarçável o incômodo dos economistas liberais com o Capital no Século XXI. Atribuem à obra um fundamentalismo ideológico, esgravatam para desmentir a realidade dos dados, convidam-no a estudar as experiências soviéticas. 

Por Gonçalo Pessa

Thomas Piketty. Foto de Sue Gardner
Piketty esceveu um livro incontornável. Foto de Sue Gardner
Molesta-os perceber a centralidade da obra na análise das desigualdades, abespinham-se contra um perigoso bolchevique que se atreve a denunciar a estrutura social que os sustenta e a desmitificar a tese da meritocracia que a justifica. Importa, por isso, perceber o que há de novo em Thomas Piketty e o que de fato incomoda tanta gente.
O registro e estudo das desigualdades foi feito, até aqui, fundamentalmente com base em inquéritos docimiciliários que procuram aferir rendimentos e riquezas dos agregados familiares. É com base nestes inquéritos que organizações internacionais como o Banco Mundial criam as suas bases de dados, apesar dos resultados serem claramente enviesados e condescendentes com a acumulação de grandes fortunas. Não admira que o mesmo aparato social que justifica as desigualdades extremas utilize dados segundo os quais ninguém é realmente rico para mapear as hierarquias sociais de rendimento e riqueza. A metodologia avançada por Thomas Piketty, Emanuel Saez, Athony Atkinson e uma vasta equipe de investigadores, não é nova, mas a capacidade que têm tido nos último 15 anos de agregar registros de impostos e criar o World Top Income Database, principal base de dados do livro, e a maior sobre desequilíbrios sociais, permitiu traçar a evolução da distribuição de riqueza e rendimento ao longo dos último dois séculos, pela qual Piketty nos guia na obra.
A revolução Thatcher-Reagan dos anos 80 deu à luz a conhecida vaga de liberalização dos mercados de bens e serviços e de desregulamentação dos mercados financeiros e de fluxos de capitais, de privatização da economia, transferindo capitais públicos para mãos privadas.
Auxiliado ainda pelos clássicos de Honoré Balzac e Jane Austen, é-nos descrita uma sociedade oitocentista profundamente desigual. A estrutura das hierarquias de rendimento e riqueza era tal que não havia homem ou mulher rica que vivesse do rendimento da força do seu trabalho. Como escreve Piketty, o que era verdadeiramente importante era o tamanho da fortuna de uma pessoa, fosse ela alcançada por herança ou casamento. O rendimento do trabalho e estudo não traziam nunca o mesmo nível de conforto de uma riqueza herdada e do seu rendimento. Esta era uma sociedade onde o patrimônio transmitido por herança representava 90% do capital existente, e que se concentrava nas mãos dos 10% mais ricos. Os restantes 90% nada possuíam.
Apenas os grandes choques do século XX, a bancarrota da grande depressão, a destruição das duas grandes guerras, e as subsequentes políticas publicas e sociais de recuperação do desastre, o controle das rendas, as nacionalizações, a inflação que mirrou as dívidas públicas europeias e os rentistas que delas viviam tiveram a capacidade de limpar o passado. Fizeram nascer aquilo a que Piketty chama de classe média patrimonial, que reclamava agora um terço da riqueza nacional, e comprimiram significativamente as desigualdades, criando-se a ilusão de uma estrutural transformação do capitalismo.
No entanto, o contra-ataque do capital privado não se fez esperar. A revolução Thatcher-Reagan dos anos 80 deu à luz a conhecida vaga de liberalização dos mercados de bens e serviços e de desregulamentação dos mercados financeiros e de fluxos de capitais, de privatização da economia, transferindo capitais públicos para mãos privadas. A somar a esta trajetória neoliberal, a tendência de descida do crescimento econômico, fazendo com que a economia cresça mais lentamente do que o capital se reproduz, criou as condições para a reascensão do capital privado, que nos anos 70 nos países ricos se situava nos dois a três anos de rendimento nacional anual, e hoje se situa entre os 4 e os 7 anos de rendimento anual, evolução demonstrativa da recuperação de importância do capital privado. Este fenômeno, em que o capital privado atingiu os valores verificados há um século atrás, é por Piketty entendida como o estabelecimento de um novo capitalismo patrimonial.
Este reascensão do capital privado foi acompanhada por um aumento brutal das desigualdades. Em todos os países ricos as desigualdades aumentaram, e o percentual da população mais rico viu o seu poder de compra explodir, enquanto que o poder de compra médio estagnou. Entre 1980 e os dias de hoje, os 1% mais ricos dos países da Europa continental apropriaram-se adicionalmente de entre 2% a 4% do rendimento anual. Por exemplo, em Itália nos anos 80 os 1% mais ricos reclamavam 6% do rendimento nacional anual, em 2010 esta fatia ascendia aos 10%. Nos países Anglo-Saxônicos ricos esta explosão do salários altos foi entre quatro a cinco vezes superior. Nos Estados Unidos os 1% mais ricos em 1980 detinham 8% do rendimento nacional anual, um valor já na altura exorbitante, hoje essa fatia corresponde a 18%, o que significa que de entre os 300 milhões de americanos, 3 milhões têm um rendimento anual 18 vezes superior ao rendimento médio, o que dá 870 mil dólares de rendimento. A conclusão é clara, a evolução das desigualdades é política e é consequência da relação de forças, da luta de classes, e, como diria o terceiro homem mais rico do mundo segundo a Forbes, Warren Buffet, a classe dos ricos está a ganhar.
Este reascensão do capital privado foi acompanhada por um aumento brutal das desigualdades. Em todos os países ricos as desigualdades aumentaram, e o percentil da população mais rico viu o seu poder de compra explodir, enquanto que o poder de compra médio estagnou. 
Piketty atribui um papel central à relação da taxa de retorno do capital com a taxa de crescimento econômico como mecanismo de efetivação das políticas da desigualdade. Só países num processo que o autor designa de aproximação e alcance do países mais desenvolvidos, processo pelo qual passaram os países europeus no pós-Segunda Grande Guerra, e pelo qual passam agora os países emergentes, conseguem ter taxas de crescimento econômico (g) superiores à taxa de retorno do capital (r). A este quase permanente desequilíbrio, g<r, Piketty define-o de Contradição Central do Capitalismo. Esta é uma poderosa força de divergência de rendimentos, porque aqueles cuja principal fonte de rendimento é afeto ao crescimento da economia, particularmente a força de trabalho, veem o seu rendimento crescer a uma velocidade inferior aos rentistas, garantindo que a riqueza acumulada no passado cresce mais rapidamente que o produto de uma economia e os seus salários.
Piketty diz-nos entender como essencial uma atualização apropriada do programa social-democrata e fiscal-liberal do século passado, assente em duas instituições fundamentais, o estado social e a taxação progressiva do rendimento. Protegida pela ressalva da inaplicabilidade prática e rápida, a sua proposta central é a da criação de um imposto mundial e progressivo sobre o capital, uma útil utopia que deve servir como ponto de referência a partir da qual propostas alternativas podem ser avaliadas.
Piketty esceveu um livro fortemente documentado que permite reposicionar o debate político e econômico sobre as desigualdades e fez-nos perceber como a nossa realidade não é muito distinta da das obras de Balzac e Austen. É um livro incontornável.

Meios de comunicação, de guardiães da liberdade a guardiães do poder

Em 1988, Noam Chomsky e Edward S. Herman publicaram Os Guardiães da Liberdade, um ensaio no qual desenvolvem um "modelo de propaganda", no qual os meios de comunicação, longe de "ser em independentes e contribuir para a descoberta da verdade" têm como única e exclusiva finalidade o reflexo da da "percepção do mundo que desejam os grupos de poder." A análise de Chomsky e Herman foca exclusivamente no modelo de mídia norte-americana e desde que nasceu 26 anos se passaram, mas nada disso impede que as suas conclusões permaneçam em grande parte vigentes e que o seu estudo pode ser aplicado a qualquer ecossistema de mídia.
frase cuando se descubrio que la informacion era un negocio la verdad dejo de ser importante ryszard kapu ci ski Medios de comunicación, de guardianes de la libertad a guardianes del poder
Em uma entrevista a princípios de 2013 ao Observatório Crític dels Mitjans Mèdia- Cat[1] com o motivo para a publicação do Anuari dels silencis mediàtics 2012, Noam Chomsky mantinha uma das teses centrais dos "Guardiões da Liberdade": os grandes meios não deixam de ser imensas corporações. Como o resto dos negócios, buscam vender um produto (leitores, telespectadores) para clientes (escusado será dizer, empresas através destes anúncios) e dizia que "seria muito ingênuo duvidas dos proprietários e dos investidores da mídia não influir em seu próprio meio, com ânsia de alcançar o benefício econômico prefeito."

Deixando de lado o jornalismo e o necessário compromisso deste com a Cidadania para abraçar o poder, os Meios de Comunicação (imprensa, rádio, televisão ou Internet), estão perdendo pelo caminho seu maior patrimônio. Quando se descobriu  que a informação era um negócio, a verdade deixou de ser importante. Uma prova disso é um estudo produzido em março de 2013 pelo Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS) espanhol que situava o jornalismo como a profissão  pior avaliada juntamente com a de Juiz. Um indício de que o rumo não é correto. Mas há mais.

A aparente perda de credibilidade coincide no tempo com a difícil situação econômica enfrentada pelos grupos de mídia e está ligada ao capitalismo em crise, o que empurra a mídia a uma dependência significativa das instituições financeiras. A situação é tal que não há atualmente nenhum grupo de mídia no Estado espanhol que não sentem em seus conselhos representantes dos bancos.  A crise da imprensa e do fracasso de jornais em Espanha (Debate, 2013), trabalho de recomendável leitura vale a pena para entender o estado dos meios de comunicação no país, argumenta que "o quarto poder já não deve lidar mais com a pressão do setor financeiro: é diretamente o setor financeiro", e acrescenta: "a simbiose entre o poder financeiro e a mídia é tão perfeita que às vezes acontece mesmo na direção oposta:. donos da mídia em posições de liderança no setor bancário "
medios Medios de comunicación, de guardianes de la libertad a guardianes del poder
Gervasio Sánchez, jornalista com ampla experiência na cobertura de conflitos armados, não tem dúvida de que a crise que afeta o jornalismo está intimamente ligada ao flertar com poder e se mostra especialmente crítica na convivência dos meios com a banca: "Os jornalistas e os meios têm deixado de fora a essência do jornalismo em favor de interesses comerciais. Já não assistir o poder de nos tornar seus melhores amigos em troca do bolo publicitário. Temos deixado de vigiar o poder para nos fazermos seus melhores amigos. Temos calado ante o que passava com os bancos e com as casas de arrocho, que através da publicidade fechavam bocas. Os meios de comunicação são empresas cada vez mais poderosas. Muitas são operadas por bancos e pertencem a grupos de mídia muitas vezes respondem a interesses vergonhosos. Eles são meios de manter relações com o poder político e econômico ultrajante. Tudo isso dificulta muito o trabalho do jornalista", lamenta, em entrevista em abril 2013 ao Diagonal. 

A perda de credibilidade que padece tanto a profissão de jornalista  coincide com um momento em que, como afirma Jesus Sanz e Oscar Mateos [2], "o mundo que temos sob os nossos pés, nas últimas décadas parece estar desmoronando em alta velocidade. "Neste momento crucial, em que o jornalismo é mais necessário do que nunca, ele deixou de ser um guardião da liberdade para se tornar guardião do poder. 

É possível reverter essa situação? Há espaço para desenvolver um responsável emocionante jornalismo crítico, honesto, que sirva ao exercício da cidadania e seja o flagelo do poder? Qual é a responsabilidade dos jornalistas em permitir que se haja chegado a este ponto? E que papel deve ter o público?
Os meios de comunicação diante de uma dupla crise
A tese defendida por Chomsky e Herman em Os guardiões da liberdade descreve uma mídia cuja "finalidade social" não é outra senão "inculcar e defender a ordem da agenda econômica, social e política de grupos privilegiados que dominam o estado, a sociedade e o país. "Ignacio Ramonet investiga este ponto de vista dos meios de comunicação como mecanismos de reprodução do poder: "a comunicação, tal como concebida pela grande mídia impressa, rádio, televisão e internet, sua principal função é convencer toda a população de sua adesão à idéias das classes dominantes", afirma no prólogo de Desinformação. Como a mídia escondeo mundo de Pascual Serrano. 

Esta dependência histórica do poder, especialmente do financeiro, acentuada com a eclosão da crise nos subprimes nos EUA e o choque global que afeta o capitalismo. Poucas descrições dos efeitos da crise nos meios de comunicação são tão clarividente como a realizada por Pere Rusinol "o boom foi construído sobre uma bolha alimentada por superlativos alavancados por executivos com salários obscenos. E a punção subseqüente e inevitável deixou um rastro de corpos e mudanças fundamentais na estrutura de propriedade e de poder econômico". 

Alcançando consequências do pós-punção dá boa conta de dados coletados pelo Relatório Anual de 2013 do jornalístico Profissão Press Association de Madrid. Entre meados de 2008 e final de 2013 11.151 empregos foram perdidos no Estado espanhol e fecharam 284 órgãos de imprensa. Dada a fraca situação econômica dos meios de comunicação, cujas receitas de publicidade caíram quase pela metade entre 2008 e 2012, as instituições financeiras assumiram o controle de grande parte dos grupo de comunicação (através de fundos de investimento ou participação diretamente no patrimônio), com tudo o que isso significa para a perda de independência da informação e, consequentemente, a credibilidade do jornalismo. Como pode um meio assolado de dívidas e de cujo apoio vem de uma instituição financeira informar sobre a estafa  das preferências, as centenas de execuções de hipotecas, a ajuda do governo aos bancos ou compensações suculentas para os gestores? Como o jornalismo pode executar uma das tarefas que pressupõem, por sua natureza, o controle do poder, se o poder que se liga-lo financeiramente? 

A estes dados devem ser adicionados a constante ameaça de expedientes de regulação de empregos que paira sobre ambos os meios de comunicação públicos e privados, a instabilidade ou perda de direitos sociais e laborais dos trabalhadores e membros da grande mídia, resultando em um óbvia perda de qualidade. "A revisão dos assuntos que dominam a agenda nos últimos anos permite-nos verificar que as questões discutidas nunca são contextualizadas, não se apresentam os antecedentes que permitem compreendê-los a fundo  e ainda menos comparações para avaliá-los na perspectiva apresentada", lamenta Pascual Serrano. 

O jornalismo de consumo rápido, de manchetes fluindo no resumo ou resumo de um programa de rádio, produzido no golpe de tweet, carente de reflexão e intimamente ligado ao poder ajuda a minar a credibilidade dos meios de comunicação, os agentes-chave da socialização historicamente responsáveis ​​de contribuir para a formação da opinião pública. Para isto é preciso acrescentar um abandono claro do dever do jornalismo a abandonar a sua principal missão de educar e informar o público a se concentrar exclusivamente em entreter. O exemplo mais óbvio disso é o jornalista de TV que em seu livro Xosé Rúas Quero ser presidente (Alvarellos Editora, 2008), mas, ironicamente, descreve de forma clara e direta: "A televisão está programada para atender o cidadão que chega em casa cansado para jantar, sentado no sofá e olhando apenas para uma goma de mascar. "Mariano Cebrian, em Informações sobre Televisão. Medidas, conteúdo, expressão e Programação (Síntese, 2003), reforça as palavras de Rúas explicando como a televisão trata as informações "priorizando o espetacular e o divertido e o que é impressionante, ao extraordinário e o incomum acima do conteúdo para proporcionar uma melhor compreensão da realidade."
Apoio cidadão para as alternativas
"No momento de maior necessidade de um comunicação ao serviço dos cidadãos, temos uma maior dependência em termos de os mesmos poderes que nos levaram à situação atual", Javier Diaz lamenta em um artigo recente publicado na Revista Pueblos [3]. Apesar de o drama da situação enfrentada pelos meios de comunicação, não há razão para otimismo e esperança. Jose Bejarano, membro do grupo está buscando jornalistas, destacou em declarações à catalão semanal The Forward (número 320, junho de 2013) que a razão pela qual o público tinha virado as costas para o jornalismo era ninguém menos do que a indústria tinha dado aos interesses externos da empresa. A solução, então, é porque o jornalismo recolocar o foco sobre as histórias e abaixo e no controle do que aqueles que governam. "Você pode imaginar que parar jornalismo Crick provocou tanto olhar para cima, você aposta em profundidade os bairros pobres das cidades para contar uma realidade que agora define nosso país, e para esquecer os escritórios de laços, o compadrio com o poder? "Olga Rodriguez maravilhas" ... E então, o que tinha feito nos jornalistas? ", publicado em novembro de 2013 em eldiario.es. 

Se nada de positivo pode ser tirada da crise vivida pela mídia tradicional é que tanto ERE como o fechamento de muitos deles têm sido o germe de novos projetos de jornalismo (rádio, jornal ou televisão) cujo nascimento dá um toque de luz no meio da escuridão. Os dados fornecidos pelo Relatório do jornalístico Profissão de 2013, a Associação de Imprensa de Madrid falam de cerca de 300 notícias e futuros projetos criados desde 2008, embora o relatório reconhece que poderia ser muito mais. 

Os motores que impulsionam novas mídias não são grandes conglomerados de mídia, fundos de investimento e instituições financeiras e publicidade deixa de ser a sua principal fonte de renda. Agora no comando do barco são os próprios jornalistas e da cooperação econômica de leitores, ouvintes e telespectadores. Seja como uma cooperativa, fundação, associação ou através de impostos modalidades clássicas (eldiario.es, Mongoliao Infolibre Magazine, por exemplo, são sociedades limitadas), representam o que Juan Luis Sánchez [4], participante de vários desses projetos , definido como um "jornalismo de depuração crítica" cuja vontade deve ser para recuperar perdido profissão aliança de cidadãos que, nas palavras de Xavier Giro, na introdução dos dels Anuari Silencis midiáticos 2012 ", precisa saber para ato". 

Junho Fernández, membro da Revista pikara, um projeto que liga a perspectiva feminista com o bom jornalismo, concorda com Sanchez ao definir o momento que estamos vivendo", está-se desenvolvendo uma cultura jornalística emocionante que questiona algumas das dinâmicas de meios de comunicação tradicionais (...), que promove uma cultura mais colaborativa em que as fórmulas do fluxo de investimento, tais como suporte compartilhamento de conteúdo, intercambiar banners, tuitearnos, etc Sabemos que juntar forças terão mais opções para consolidar este novo modelo (...) Acredito sinceramente que estamos transformando a forma como fazemos jornalismo, e que este processo está a transformar e também fortaleceu como jornalistas. Eu não parece de mau gosto"[5]. 

Em apoio a este cenário das comunicações emergente que está em paralelo com a queda das paredes da mídia antiga deve ser uma resposta ativa dos cidadãos que nos faz participantes da construção da mídia. "Não há alternativa a não ser deixar contente com o papel de receptor pública e do consumidor está colocando em nós a partir das superestruturas de mídia", disse Carmen Mayugo [6]. Só com o apoio e jornalismo cidadão será possível construir projetos de comunicação emancipatórias que desafiam o modelo estabelecido e abrir suas páginas e as ondas e até agora foram silenciadas. 

Cidadania e movimentos políticos e sociais devem contribuir para a construção de um jornalismo feito por baixo, poder vigilante (o oposto e similar), rigorosa e precisa, uma ferramenta para uma comunidade que compartilhou maneiras de pensar e ver e interpretar o mundo. Jesus Maze, diretor editorial Infolibre, apela para o apoio público para a construção de um ecossistema de novas mídias que desafia um modelo existente que está em estado crítico em quando ", se você não quer contar com as grandes empresas, os grandes bancos ou poderes políticos, só podemos contar com um pacto entre jornalistas e leitores em conteúdo e até mesmo na propriedade da mídia ", observou em um artigo no qual analisou a saída de Pedro J. Ramírez abordar Mundial [7 ]. 

Passes jornalísticos enfrentará trabalho com honestidade, ética, rigor e integridade, com o desejo didático para alcançar empoderamento dos cidadãos; e quebrar os silêncios estabelecidos. Jesus Rodriguez, jornalista delSetmanari direta, oferecido em um artigo publicado no jornal Diagonal 211, uma definição do que é preciso para ser um jornalista que corresponde ao que a profissão tem de recuperar a credibilidade. A chave é "ser curioso, enfiar o nariz onde não pertence; respeitosamente, mas querendo saber, com crítica e auto-crítica. Desenvolver as medidas necessárias para pôr luz nos quartos escuros dos leitores poderosas e show sem pedantismo ferramentas muito; mas sem sacrificar a qualidade em artes de comunicação. Dando voz a quem quer denunciar a injustiça e trabalhando para propor e construir alternativas."

É, em suma, deixar a indiferença e abraçar o compromisso de manter a liberdade, não o poder.
Notas:
  1. Ver: www.media.cat.
  2. Mateos, Oscar; y Sanz, Jesús (2013): Cambio de época, ¿cambio de rumbo? Aportaciones y propuestas desde los movimientos sociales, Cristianisme i Justícia, Barcelona, octubre de 2013.
  3. Díaz Muriana, Javier (2014): “La comunicación como eje de transformación social, desde la experiencia del Foro
    Andaluz de Comunicación”, en Pueblos – Revista de Información y Debate, nº 60, primer trimestre de 2014.
  4. Sánchez, Juan Luis (2014): “Periodismo: no vale con existir”, Diagonal. Ver en www.diagonalperiodico.net, 27/01/2014.
  5. Fernández, June (2014): “Nuevos medios y formas”, Diagonal. Ver en www.diagonalperiodico.net, 29/01/2014.
  6. Mayugo, Carmen (2005): “La audiovisibilidad, territorio ciudadano para ejercer el derecho a la comunicación”, en
    Martínez, M. (ed.): O Terceiro Sector e o Audivisual, Compostela, Foro da Cidadanía e da Comunicación.
  7. Maraña, Jesús (2014); “Diez apuntes (y una postdata) sobre el cese de Pedro J.”, Infolibre. Ver en www.infolibre.es.