"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 4 de outubro de 2014

Hong Kong: Manifestantes não recuam perante ultimato das autoridades

A luta pela democracia e pela justiça social protagonizada pelo movimento estudantil e pelo Occupy Central, que tem mobilizado milhares de pessoas, parece não dar tréguas ao chefe do governo de Hong Kong, acusado de ser cúmplice das agressões contra os manifestantes. Às ameaças de uma forte intervenção policial, a população responde com novas concentrações. O governo de Pequim incentiva à repressão violenta dos protestos.

Esquerda.net

Foto de Calvin YC, flickr.










O chefe do governo local, Leung Chun-ying, anunciou que o território tem de voltar à normalidade até segunda-feira, deixando antever ações contra os manifestantes caso estes não dispersem até ao fim de domingo.
"O governo e a polícia têm a responsabilidade e a determinação para tomar todas as ações necessárias para restaurar a ordem social”, frisou Leung num comunicado transmitido pela televisão.
A ideia de que o executivo de Hong Kong se prepara para agir foi reforçada pela intervenção do antigo deputado do Partido Democrático de Hong Kong Law Chi-Kwong, que, dirigindo-se ao movimento Occupy Central e às associações de estudantes, afirmou que os manifestantes estavam “numa situação muito perigosa” que devia ser resolvida “com brevidade”.
Esta noite, dezenas de milhares encheram as ruas do Admiralty, onde se encontra a sede do governo, mostrando não estar dispostos a recuar perante as ameaças.
Governo e autoridades são cúmplices das agressões
O vice-presidente da comissão de segurança do Conselho Legislativo de Hong Kong acusou o governo de trabalhar com grupos criminosos para acabar com os protestos pró-democracia. James To, do partido Democrático, referiu que o executivo “tem utilizado forças organizadas e orquestradas, inclusive elementos das tríades, para tentar dispersar os manifestantes”.
Os líderes estudantis cancelaram, entretanto, as negociações com o governo local, argumentando que as autoridades estão a permitir a violência de que estão a ser alvo.
Segundo avança o South China Morning Post, a Federação de Estudantes exige agora do governo de Hong Kong explicações sobre a onda de violência que teve lugar na sexta feira em Mong Kok, e uma investigação à atuação da polícia, para que possam ser retomadas as negociações.
"Não tivemos outra opção senão romper o diálogo, depois que o governo e a polícia permitiram atos violentos por elementos de associações criminosas contra manifestantes pacíficos do movimento 'Occupy'", declarou a Federação.
Os estudantes recusaram-se ainda a falar com o chefe do governo local, Leung Chun-ying, cuja demissão exigem há vários dias.
Durante os conflitos, que causaram mais de cinquenta feridos, a polícia deteve dezanove pessoas ligadas aos atos de violência contra os manifestantes.
Testemunhas citadas pela agência de notícias AFP referiram ter presenciado situações de assédio e agressões sexuais em diversos locais da cidade.
A Amnistia Internacional acusou a polícia de Hong Kong de "falhar no seu dever" de proteger os manifestantes da violência.
Pequim aplaude atuação das autoridades
As agressões contra os manifestantes surgiram após a publicação de um editorial do jornal oficial do partido comunista no poder, o Diário do Povo, no qual é elogiada a atuação da polícia de Hong Kong face aos “protestos ilegais”.
"Uma sociedade democrática deve respeitar as opiniões da minoria, mas isso não significa que as minorias têm o direito de recorrer a meios ilegais", lê-se no artigo, onde é ainda frisado que qualquer ideia de importar “uma revolução colorida” para a China continental a partir de Hong Kong é “pura fantasia”.
O editorial enaltece ainda a atuação das autoridades: “Face aos manifestantes que ignoram as ordens da polícia, que se precipitam para transgredir os cordões de segurança, e que querem atingir os polícias com os seus guarda-chuvas (...) a polícia não tem outra alternativa senão usar o gás lacrimogéneo”.

Voto barato num presta

Agora há pouco vi um sujeito conversando com uma mulher e dizia para a mesma: "Você está no RN (Rio Grande do Norte) e não no PB (Paraíba), você está no RN e não no PB; agora desça para Jardim do Seridó (Cidade o RN, quanto menor maior a compra de votos descarada em virtude da pouca fiscalização) lá tem caba que botou 2 mil conto no bolso".

Não é segredo para quem tenha possibilidades de refletir um pouco acerca do Brasil; se não faz isso, empregar os parentes e amigos na Administração e comprar votos, é um fraco; há vários usos possíveis para essa constatação; é claro que se pudéssemos fazer uma comparação histórica deduziríamos a intensidade nisso e por exemplo 30 anos atrás.

Agora, hoje choca muito mais, reforça nossa outra constatação repetida ao extremo de que necessitamos de um revolução educacional; o país padece de depravação cultural criada pela precariedade da educação e perde desenvolvimento humano e social por este motivo; isso todos sabemos.

O voto amanhã aqui no RN, apesar de esperar para verificar alguma surpresa e não poder negar "avanços", mas ele ainda será podre, na base do espetáculo imundo nas ruas e na cruel compra de votos dos que somente visualizam o benefício particular imediato e efêmero na maioria dos casos, muitas vezes até com o que era direito seu.

Alain Touraine é o sociólogo que escreve sobre uma concepção de direitos a ser colocada na pauta dos novos movimentos sociais, para ele as divergências neste século tenderão a ser postas acima do social, por exemplo globalização x ecologia, mas os direitos voltam como pautas universais de resistência.

No nosso caso os direitos devem ser colocados na pauta máxima dos novos grupos de luta contra as oligarquias anacrônicas; nossa concepção apolítica de favores e relações pessoais é o que emperra o debates de interesse público; a nossa formação social é "utilitarista", uma forma de utilitarismo que atua contra a cidade.

Noam Chomsky: Só o fim do apoio americano fará Israel mudar de Curso

A brutalização da Palestina por Israel através de exercícios como "cortar a grama" vão persistir sem uma mudança na política dos EUA.

Por Noam Chomsky em In These Times



Uma criança palestina em Gaza fica no topo de entulho depois da Operação Chumbo Fundido de Israel em 2009 (andlun1 / Flickr)


Em 26 de agosto, Israel e a Autoridade Palestiniana, aceitaram um acordo de cessar-fogo após um ataque israelense de 50 dias em Gaza, que deixou 2.100 palestinos mortos e vastas paisagens de destruição para trás.
O acordo prevê o fim da ação militar de Israel e do Hamas, bem como um abrandamento do cerco israelense que estrangulou Gaza por muitos anos.
Esta é, no entanto, apenas o mais recente de uma série de acordos de cessar-fogo alcançados após cada uma das escalações periódicas de Israel de seu ataque incessante em Gaza.
Desde novembro de 2005, os termos desses contratos têm permanecido essencialmente a mesma. O padrão regular é Israel desconsiderar qualquer acordo que esteja em vigor, enquanto o Hamas observa -como Israel admitiu - até que um forte aumento da violência israelense provoca uma resposta do Hamas, seguida por brutalidade ainda mais feroz.
Estes escalações são chamadas de "cortar a grama" no jargão israelense. A mais recente foi mais bem descrita como " a remoção da camada superficial do solo" por um oficial militar sênior dos EUA, citado em Al Jazeera America.
A primeira desta série foi o Acordo de Circulação e Acesso entre Israel e a Autoridade Palestina em novembro de 2005.
Apelou a uma travessia entre Gaza e Egito em Rafah para a exportação de bens e ao trânsito de pessoas; cruzamentos entre Israel e Gaza de bens e pessoas; a redução dos obstáculos à livre circulação dentro da Cisjordânia; ônibus e caminhões comboios entre a Cisjordânia e Gaza; a construção de um porto em Gaza; e a reabertura do aeroporto de Gaza que o bombardeio israelense havia demolido.
Este acordo foi alcançado pouco depois de Israel retirar seus colonos e as forças militares de Gaza. O motivo do desligamento foi explicado por Dov Weisglass, um confidente do então primeiro-ministro Ariel Sharon, que era responsável pela negociação e implementação.
"A importância do plano de desligamento é o congelamento do processo de paz", Weisglass disse ao Haaretz . "E quando você congelar esse processo, você impede o estabelecimento de um Estado palestino, e você evita uma discussão sobre os refugiados, as fronteiras e Jerusalém. Efetivamente, todo esse pacote chamado Estado palestino, com tudo o que isso implica, foi removido por tempo indeterminado a partir de nossa agenda. E tudo isso com autoridade e permissão. Tudo com uma [EUA] bênção presidencial e a ratificação de ambas as casas do Congresso."
"A falta de compromisso é realmente formaldeído", acrescentou Weisglass. "Ele fornece a quantidade de formaldeído que é necessário para que não haja um processo político com os palestinos."
Este padrão tem sido continuado até o presente: através da Operação Chumbo Fundido em 2008-2009 para a Pilar de Defesa em 2012 para proteção de Borda deste verão, o exercício mais extremo em cortar a grama - até agora.
Por mais de 20 anos, Israel tem o compromisso de separar Gaza da Cisjordânia, em violação dos acordos de Oslo que assinou, em 1993, que declaram Gaza e a Cisjordânia para ser uma unidade territorial inseparáveis.
Uma olhada no mapa explica a razão. Separado de Gaza, a esquerda não há nenhum enclave na Cisjordânia eque palestinos tenham acesso ao mundo exterior. Eles são contidos por duas potências hostis, Israel e Jordânia, ambos próximos aliados dos EUA e ao contrário das ilusões, os EUA estão muito longe de ser um neutro "mediador honesto".
Além disso, Israel tem vindo a tomar sistematicamente sobre o Vale do Jordão, expulsando palestinos, estabelecendo assentamentos, perfuração de poços e de outra forma garantindo que a região cerca de um terço da Cisjordânia, com grande parte de sua terra arável-acabará por ser integrada em Israel juntamente com as outras regiões sendo retomadas.
Os restantes cantões palestinos serão completamente presos. Unificação com Gaza iria interferir com estes planos, que remontam aos primórdios da ocupação e tiveram o apoio constante dos principais blocos políticos israelenses.
Israel pode sentir que a sua aquisição do território palestino na Cisjordânia foi tão longe que há pouco a temer de alguma forma limitada de autonomia para os enclaves que permanecem para os palestinos.
Há também alguma verdade à observação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu: "Muitos elementos da região entendem hoje que, na luta em que estão ameaçados, Israel não é um inimigo, mas um parceiro" Presumivelmente, ele estava se referindo a Arábia Saudita e os Emirados do Golfo.
O correspondente diplomático de Israel Akiva Eldar acrescenta, porém, que "todos aqueles" muitos elementos na região também compreendem que não há nenhum movimento diplomático corajoso e abrangente sobre o horizonte, sem um acordo sobre o estabelecimento de um Estado palestino com base nas fronteiras de 1967 e uma solução justa, acordada para o problema dos refugiados ".
Isso não está na agenda de Israel, ele aponta, e é, de facto, em conflito direto com o programa eleitoral de 1999, da coligação Likud governante, nunca anulada, que "rejeita categoricamente o estabelecimento de um Estado árabe palestino a oeste do Rio Jordão."
Alguns comentaristas israelenses experientes, nomeadamente o colunista Danny Rubinstein, acredita que Israel está prestes a reverter o curso e relaxar seu domínio sobre Gaza.
Vamos ver.
O registro destes últimos anos sugere o contrário e os primeiros sinais não são auspiciosas. Como a Operação Borda de proteção terminou, Israel anunciou a maior apropriação de terras da Cisjordânia em 30 anos, quase 1.000 hectares.
É comumente alegado por todos os lados que, se a solução de dois Estados é morta como resultado da aquisição de terras palestinas por Israel, então o resultado será um estado a oeste do Jordão.
Alguns palestinos acolhem este resultado, antecipando que eles podem se engajar em uma luta pela igualdade de direitos modelados sobre a luta anti-apartheid na África do Sul. Muitos comentaristas israelenses alertam que o "problema demográfico" resultante de mais árabe do que nascimentos judeus e diminuir a imigração judaica vai minar sua esperança de um "Estado judeu democrático".
Mas essas crenças generalizadas são duvidosas.
A alternativa realista para um acordo de dois Estados é que Israel vai continuar a levar adiante os planos que vem implementando há anos: assumir tudo o que é de valor a ele, na Cisjordânia, evitando concentrações populacionais palestinas e remoção de palestinos das áreas que é absorvente. Isso deve evitar o "problema demográfico". Temido
As áreas que estão sendo assumidas incluem uma Grande Jerusalém vastamente expandida, a área dentro do muro de separação ilegal, corredores que cortam as regiões para o leste e, provavelmente, o Vale do Jordão.
Gaza provavelmente vai permanecer sob o cerco de sempre, separada da Cisjordânia. E as colinas sírias as de Golã, por Jerusalém, anexadas em violação de ordens do Conselho de Segurança - se silenciosamente se tornou parte da Grande Israel. Nesse meio tempo, palestinos da Cisjordânia serão contidos em cantões inviáveis, com instalações especiais para elites em estilo neocolonial padrão.
Durante um século, a colonização sionista da Palestina procedeu principalmente no princípio pragmática do estabelecimento tranquilo de fatos no terreno, que o mundo estava para vir, finalmente, a aceitar. Tem sido uma política altamente bem sucedida. Há todas as razões para esperar que persistirá enquanto os Estados Unidos fornecerem o apoio militar, econômico, diplomático e ideológico necessário.
Para aqueles preocupados com os direitos dos palestinos brutalizados, não pode haver prioridade maior do que trabalhar para mudar as políticas, não um sonho vão, por qualquer meio.

Noam Chomsky é professor do instituto e professor de Lingüística, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e autor de dezenas de livros sobre a política externa dos EUA. Ele escreve uma coluna mensal para The New York Times News Service / Syndicate.

O "Contrato social" gerido nos presídios brasileiros

Com os novos ataques a ônibus em Santa Catarina se confirma a existência da confiança por parte de gagues dentro dos presídios com uma capacidade poderosa de atormentar a "paz pública" no país. Justamente Santa Catarina um dos estados mais ricos do Brasil sendo o alvo específico desses ataques que se repetem comprova-se que há uma espécie de "contrato", se não há a flexibilidade de atuação desses grupos eles suspendem a paz.

Seria uma espécie de "desobediência civil" acordada e sem intenção de mudar nada, ao contrário, para demonstrar que não se deve procurar mudar, para demonstrar um poderio conseguido pela organização gerida dentro dos presídios e estendidas para as ruas. No início prevaleciam apenas no eixo Rio-São Paulo e hoje são copiadas praticamente em todos os Estados.

O rir da lei é a melhor forma de fortalecer essa desobediência e o Estado não tem capacidade de fazer cumprir suas leis para esses "setores".

Chegam  financiar inclusive candidatos em favelas do Rio de Janeiro

Os presídios brasileiro têm essa característica de fortalecer o crime organizado, sustentado por uma hierarquia constituindo uma organização já com dimensão nacional; se diz, inclusive, que os ataques atuais em Santa Catarina são coordenados de Mossoró no Rio Grande do Norte, dentro de seu presídio de "segurança máxima"; e com a não separação de presos por periculosidade acaba colocando os egressos ao sistema prisional a esta estrutura psicanaliticamente agradável para uma oferta de poder.

Recentemente se levantou até mesmo que o PCC de São Paulo tem a capacidade de "controlar" as taxa de homicídios no estado de São Paulo. Quando Marco Willians Camacho, o Marcola, apontado como chefe de uma facção criminosa comandada de dentro dos presídios de São Paulo, disse em uma ligação telefônica gravada pela polícia que ele é o responsável pela queda de homicídios no estado.

Suécia reconhece Estado Palestino

O recém eleito primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, afirmou esta sexta feira que a medida vai ajudar a resolver o conflito isarelo-palestino. A Suécia é o primeiro membro da União Europeia a reconhecer a soberania da Palestina.

Esquerda.net


“O conflito entre Israel e a Palestina só pode resolver-se com uma solução negociada por dois Estados, de acordo com as leis internacionais”, declarou Löfven no seu primeiro discurso oficial.

"Uma solução com dois Estados supõe um reconhecimento mútuo e a vontade de coexistir pacificamente. Por isso, a Suécia vai reconhecer o Estado da Palestina", acrescentou o primeiro ministro sueco.

O anúncio surge num momento crucial, já que os palestinos estão a reunir esforços no sentido de garantir que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprove uma resolução para pôr fim à ocupação israelita antes de novembro de 2016.

Esta semana, a União Europeia reprovou o anúncio, por parte de Israel, da criação de novos colonatos em Jerusalém Oriental. “Condenamos esta decisão”, que “põe em causa o compromisso de Israel com uma solução pacífica e negociada do conflito”, avançou o Serviço de Ação Externa da União Europeia em comunicado.

Reagindo ao anúncio do governo sueco, a porta voz do departamento de Estado norte americano Jennifer Psaki advertiu que qualquer “reconhecimento internacional de um Estado Palestino” seria “prematuro”.

Suécia é o primeiro país da UE a reconhecer Estado Palestino

Dentro da UE, alguns países, entre os quais Hungria, Polônia, Eslováquia, Malta ou Chipre, já tinham reconhecido o Estado Palestino, contudo, fizeram-no antes de aderirem à União.

Em novembro de 2011, a Islândia também reconheceu a soberania da Palestina, tornando-se no primeiro país da Europa Ocidental a tomar essa decisão.

Um ano mais tarde, a Assembleia-Geral das Nações Unidas atribuiu à Palestina o estatuto de Estado observador não-membro, com 138 votos a favor e 9 contra.

Decrescimento das atividades antrópicas

“Somos a primeira geração a sentir o impacto da mudança climática e a última geração que pode fazer alguma coisa para evitar um desastre ecológico global” (Alves, 18/07/2014)

 Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
decrescimento

O crescimento econômico e populacional exponencial é um fenômeno recente na história. Durante milênios, a humanidade conviveu com baixas taxas de crescimento demo-econômico. Porém, após a Revolução Industrial e Energética (utilização de combustíveis fósseis), ocorrida no final do século XVIII, o ser humano expandiu as atividades antrópicas por todos os cantos do Planeta, com grande impacto negativo na sustentabilidade dos ecossistemas. O Antropoceno – época da dominação humana – representa um novo período da história da Terra em que o homo sapiens se tornou a causa da escalada global da mudança ambiental e do aquecimento global. Tudo isto foi potenciado pelo processo de acumulação de capital e o sistema consumista.
Segundo Thomas Piketty, em seu livro Capital no século XXI, entre o ano 1 e o ano de 1700, tanto o crescimento da economia quanto o da população mundial foi de mero 0,1% ao ano, resultando em estagnação da renda per capita mundial. Entre 1700 e 1820, houve aceleração do crescimento populacional (0,4% aa) e econômico (0,5% aa), mas o crescimento da renda per capita mundial permaneceu muito baixo (0,1% aa). Todavia, após a Revolução Industrial e Energética, houve grande crescimento da população e um incremento ainda maior do produto econômico. O crescimento da renda per capita foi de 0,9% ao ano entre 1820 e 1913 e de 1,6% ao ano entre 1913 e 2012. Nos chamados “Trinta anos gloriosos”, entre 1950 e 1980, o crescimento da renda per capital global atingiu seu valor máximo de 2,5% ao ano. Assim, o capitalismo antropocêntrico, para o bem ou para o mal, foi o sistema de produção histórico que mais gerou riqueza material em todos os tempos, embora à custa do empobrecimento da natureza e de uma grande desigualdade relativa de renda (ALVES, 2014).
O egocentrismo pode estar cavando a sua própria cova, pois o desequilíbrio entre as atividades humanas e o meio ambiente só aumenta como demonstram os dados da Global Footprint Network. A pegada ecológica serve para avaliar o impacto que o ser humano exerce sobre a biosfera. A biocapacidade avalia o montante de terra e água, biologicamente produtivo, para prover bens e serviços do ecossistema à demanda humana por consumo, sendo equivalente à capacidade regenerativa da natureza. Até meados da década de 1970 a humanidade ainda vivia dentro dos limites renováveis do Planeta. Mas, a partir daí, a pegada ecológica da população mundial foi crescendo continuamente na medida em que crescia o número de habitantes e a renda per capita, diminuindo a biocapacidade per capita.
Em 1961, a pegada ecológica per capita era de 2,4 hectares globais (gha) e a população mundial era de 3,1 bilhões de habitantes, sendo a biocapacidade per capita de 3,7 gha. Desta forma, a humanidade estava utilizando 63% da capacidade regenerativa da Terra, havendo sustentabilidade ambiental. Em 1975, a pegada ecológica e a biocapacidade per capita passaram, respectivamente, para 2,8 gha e 2,9 gha e a população mundial chegou a 4,1 bilhões de habitantes. A humanidade estava usando 97% da capacidade de regeneração, ainda cabendo dentro de um Planeta. A partir desta data as atividades antrópicas ultrapassaram os limites biológicos da Terra. Em 2008, a pegada ecológica per capita mundial ficou em 2,7 gha e a biocapacidade em 1,8 gha, sendo que a população global chegou a 6,75 bilhões de habitantes. Portanto a humanidade estava usando 1,5 planetas, ou seja, um planeta e meio em 2008. Nota-se que a pegada ecológica per capita não cresceu nas últimas 3 décadas, mas sim o número de habitantes do globo, o que provocou a redução da biocapacidade per capita.
No corrente ano, demorou menos de oito meses para a humanidade usar todos os recursos naturais do planeta disponíveis. Em 19 de agosto de 2014 o Planeta Azul entrou no vermelho: é o dia de Sobrecarga da Terra (em inglês, Earth Overshoot Day). A partir do dia 20/08 o mundo entrou em deficit ecológico. O cálculo é feito anualmente pela Global Footprint Network, parceira global da Rede WWF. Desde 2000, a data surge cada vez mais cedo: de 1º de outubro em 2000 a 19 de agosto em 2014. Para chegar a essa data, a GFN faz o rastreamento do que a humanidade demanda em termos de recursos naturais (tal como alimentos, matérias primas e absorção de gás carbônico) – ou seja, a Pegada Ecológica – e compara com a capacidade de reposição desses recursos pela natureza e de absorção de resíduos – biocapacidade (WWF, 2014).
As projeções do relatório Planeta Vivo, da WWF e da Global Footprint Network, indicam que a humanidade utilizará dois Planetas em 2030 (ano em que poderá haver 8,3 bilhões de habitantes) e provavelmente 3 Planetas em 2050 (ano em que poderá haver mais de 9,6 bilhões de habitantes na Terra). Todavia, a ideologia desenvolvimentista e a mistificação do crescimento econômico só agravam a situação. Em vez de um PIB ascendente rumo ao infinito, o que a Terra precisa é de uma mobilização para reverter a pegada ecológica, interromper o aquecimento global, melhorar a biocapacidade, proteger a biodiversidade e evitar a depleção ambiental. O crescimento e a concentração exagerada estão criando deseconomias de escala e a antiga sinergia está se transformando em entropia.
A metodologia das Fronteira Planetárias (ROCKSTRÖM et al, 2009) identifica nove dimensões centrais para a manutenção de condições de vida decentes para as sociedades humanas e o meio ambiente: mudança climática; perda de biodiversidade; uso global de água doce; acidificação dos oceanos; mudança no uso da terra; depleção da camada de ozônio estratosférico; ciclo do nitrogênio e fósforo; concentração de aerossóis atmosféricos e poluição química. Os limites já foram ultrapassados em 3 dimensões e estão se agravando nas demais.
Na emissão de gases de efeito estufa (GEE) o limite sustentável de concentração de CO2 na atmosfera é de 350 partes por milhão (ppm), mas já ultrapassamos 400 ppm (ver 350.org). Portanto, as atividades antrópicas já ultrapassaram o limiar da sustentabilidade. O aquecimento global e as mudanças climáticas vão provocar prejuízos crescentes nos próximos anos e décadas. Os últimos dados mostram que a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera ficou durante todo o mês de abril de 2014 acima das 400 partes por milhão (ppm), algo que não acontecia há pelo menos 800 mil anos. A constatação foi anunciada pelo Instituto Scripps de Oceanografia, da Universidade de San Diego, que monitora a estação de Mauna Loa, no Havaí. Segundo as medições, a concentração média de CO2 em abril foi de 401,33 ppm. E a curva continua sua trajetória ascendente.

co2 - Mauna Loa, no Havaí

Desta forma, o sonho do progresso civilizatório dos cornucopianos e desenvolvimentistas pode se transformar em colapso e no pesadelo do fim da civilização dos combustíveis fósseis e do consumo ostentatório, que têm provocado o caos climático. A crise atual atinge os regimes capitalista e socialista, ou seja, o modelo de sociedade urbana-industrial, independentemente de quem são os proprietários dos meios de produção. Poderá, portanto, ser o fim do desenvolvimento econômico, em suas formas liberal ou estatal.
Assim, ganha relevância estudos como o de Herman Daly que mostram que o crescimento econômico já ultrapassou o seu ponto de mutação, tornando-se um “crescimento deseconômico” que é “um crescimento que começou a custar mais do que vale – um crescimento (seja em volume de produção ou PIB) para o qual os custos adicionais (incluindo os custos ambientais e sociais) são maiores do que os benefícios adicionais em termos de produção”. Daly propõe que um decrescimento das atividades antrópicas (população e consumo) até um nível sustentável, para então se estabelecer o Estado Estacionário.
O IPCC também mostrou em seu último relatório que o aquecimento global está superando as marcas dos últimos 12 mil anos e deve ter consequências negativas sobre a saúde futura do Planeta. Portanto, é urgente se debater a insustentabilidade do modelo de produção e consumo hegemônico e traçar caminhos para fazer a transição para um modelo de estado estacionário ou decrescimento, rumo a uma economia de baixo carbono e de baixo impacto antrópico sobre a natureza. A Agência Espacial norte-americana (NASA) divulgou recentemente que as temperaturas globais nos meses de maio, junho e agosto de 2014 ficaram cerca de 0,75º C acima da média de temperatura do século XX, para os respectivos meses, podendo fazer de 2014 o ano mais quente desde quando começaram as medições, em 1880.
A entropia, ou degradação de energia, já havia sido descrita pelo economista romeno Nicholas Georgescu-Roegen, que nos anos de 1970, mostrou que a economia não pode ignorar a 2ª Lei da Termodinâmica (“a quantidade de trabalho útil que se pode obter a partir da energia do universo está constantemente diminuindo”). Uma mesma fonte de energia não pode ser queimada duas vezes, muito menos ad infinitum. Antes do crescimento da civilização do Homo Sapiens, ocorria a retenção da energia mais rapidamente do que a sua dissipação. Atualmente, a sinergia está sendo substituída pela entropia. Georgescu-Roegen mostrou que, em algum momento, a escala da economia teria que ser reduzida, tanto em termos de capital, quanto de força de trabalho.
Portanto, precisamos superar o fetiche do crescimento e do desenvolvimento sustentável. Não se trata de produzir mais com menos. Porém, produzir menos com menos. Ou seja, como mostrou Georgescu-Roegen, diante da possibilidade do declínio da civilização e de uma possível catástrofe econômica e ambiental, a alternativa passa pelo decrescimento das atividades antrópicas, quanto mais cedo melhor.
Referências:
ALVES , J. E. D. População, desenvolvimento e sustentabilidade: perspectivas para a CIPD pós-2014. R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, v. 31, n.1, p. 219-230, jan./jun. 2014

ALVES, JED. Sustentabilidade, Aquecimento Global e o Decrescimento Demo-Econômico, Revista Espinhaço, Diamantina. UFVJM, Revista Espinhaço, v. 3, n. 1, 2014.
ALVES, JED. As perspectivas para o século XXI são de menor crescimento e de maior desigualdade, IHU, São Leopoldo, 24 de setembro de 2014
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Publicado no Portal EcoDebate, 03/10/2014

Caprinocultura transforma vida de moradores do sertão nordestino

Projeto que distribui cabras para agricultores da região de Sobral (CE) já atendeu 700 famílias e atuou no acompanhamento nutricional de mais de mil crianças

O Projeto “Cabra nossa de cada dia” já atendeu mais de 700 famílias por meio da distribuição de 4,5 mil cabras para agricultores da região de Sobral (CE), município que fica a cerca de 230 quilômetros de Fortaleza. O projeto surgiu em 1993 com o objetivo de combater a pobreza, a miséria e a mortalidade infantil na região.

A criação de cabras foi escolhida como solução porque é um animal dócil, de fácil manejo e que se adapta bem às condições climáticas no sertão nordestino, como explica Jorge Luís de Paula, atual responsável pelo projeto. Com o tempo, a iniciativa incorporou outras ações como agricultura familiar e piscicultura, além do desenvolvimento do cooperativismo, com a finalidade de estimular as comunidades para o empreendedorismo em busca da inclusão social.

Em 2013, o “Cabra nossa de cada dia” recebeu o certificado de Tecnologia Social (TS) pela Fundação Banco do Brasil. Além da distribuição dos caprinos, o projeto realizou acompanhamento nutricional e de saúde preventina para mais de mil crianças de até 10 anos, o que, de acordo com Jorge de Paula, contribuiu para acabar com a mortalidade infantil na cidade.

O casal de trabalhadores rurais Antônio Alves Cavalcante e Maria de Jesus, moradores do Sítio São Francisco, distrito de Jordão, no município de Sobral, participam do projeto desde o início. Hoje, são os responsáveis pelo cadastramento das famílias. Maria conta que a doação das cabras além de ajudar na alimentação, também une as comunidades, porque trabalha com o sistema de repasse. “A família carente recebe do projeto a cabra prenha ou parida e se compromete a assumir os cuidados pela criação do animal. Num período de dois a três anos, compromete-se a devolver para o projeto duas cabritas filhotes para que outras famílias sejam beneficiadas”, explica.

Após mais de 20 anos de existência, o projeto se tornou referência, influenciando outros semelhantes no Piauí, Maranhão, Sergipe, Bahia e Paraná, com estímulo de consumo de leite de cabra nas comunidades.


Fonte: Fundação Banco do Brasil

Agassiz Almeida: Abelardo da Hora, valente nas artes e nas lides do mundo.

Resultado de imagem para abelardo da hora
Partiu num dia cinzento, em Recife, o companheiro Abelardo da Hora. Egresso de uma geração que carregava sonhos e indignações, e com a qual aprendi a olhar o mundo nas suas contradições e desafios. Investiu-se da têmpera de um forte, mesmo nos momentos mais aterradores a que fomos arrastados pelas garras da Ditadura Militar de 64.
Abril de 1964, 2ª Cia de Guardas do Exército, em Recife. Foi ali que o terror pelas botas de Justino Alves, Bandeira, Ibiapina e Vilok escancararam as portas daquela masmorra e lançaram Abelardo da Hora, Paulo Cavalcanti, Francisco Julião, Miguel Arraes, Agassiz Almeida, Clodomir Moraes e tantos outros companheiros nas infâmias da condição humana.
O viandante de sonhos que ora tomba no chão da história nos marcou com grandeza moral: Não fraquejemos, vencidos são os covardes golpistas. Respondi: Companheiro, por nós falará a história no amanhã dos tempos.
No rastro da partida daquele valente o que ele deixa ao mundo? Visualizou a arte para além do efêmero na dimensão de um Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci e Portinari; nos embates políticos fez-se um intimorato. Tragado pela fúria da tirania militar, ele desconhecia o medo e nos dizia nas horas dantescas: Nós contemplamos horizontes e os verdugos as suas botas.
Olhava as elites do país como verdadeiros felinos, sempre à espreita de desferir botes no povo brasileiro. Quando a ditadura militar calou a sua voz, fugiu com a sua arte para o infinito do tempo, e nela plasmou no bronze o grito arrebatador de camponeses com braços estendidos para o alto a bradar: Basta de tiranias, queremos trabalhar.
Da indignação rebentada daquele bronze, do martirológio dos setenta imolados do Araguaia, do corpo pendurado de Herzog num fabricado suicídio, a ditadura acovardou-se.
Das mãos geniais do imortal pernambucano alteia-se este sentimento: somos movidos pela fé das nossas convicções.
Olhemos as suas esculturas, que retratam profundas inquietações contra agressivas injustiças sociais. Por um momento, elas nos transportam às telas de Rembrandt, sombrias e interrogantes. Em inúmeras decisões e lutas políticas estivemos ombro a ombro. Por ocasião das homenagens que o Ministério Público de Pernambuco prestava a vultos históricos, o escultor de olhar imenso soltou este petardo: Vou esculpir em bronze torturadores vomitando mortos desaparecidos. (Google)
Naquela sinistra prisão da 2ª Cia de Guardas onde nos lançaram, terríveis pesadelos nos assaltavam desvairando-nos: Oh, nossas vidas nas mãos de deformados morais.
Abraçou o marxismo como a melhor forma de analisar o mundo e retratar a espoliação dos povos. Aquele obelisco, em mármore, “Os retirantes”, no Parque Dona Lindu, em Recife, parece falar a linguagem de todos os desencontrados da vida. Um torturador da ditadura na sua obsessão de odiar aterrorizou-se imaginando uma apologia à revolta dos camponeses.
Que geração aquela impulsionada por tantos sentimentos juvenis. Idealistas, depois fomos mais além; tornamo-nos revolucionários por novos mundos! Quanto de juventude inteligente a ditadura devorou! Oh! Juventude, quanto de ideais tu ofereceste no altar dos teus sonhos!
Que imbatível lidador das artes e das lutas políticas!  Abelardo da Hora carregou a flama dos grandes indignados.
Na noite sinistra dos deformados torturadores, cães-humanos, a nossa geração desatou a sua inconformação na pena, nas artes e na ação revolucionária; um deles, o genial escultor circum-navegou a vida das formas esculturais às lides políticas com a desenvoltura de um valente, e a certa altura dos tempos, embalaram-no os cânticos do poema, “Canção inacabada”, de Pablo Neruda.
Que fiquem estas palavras ao companheiro Abelardo da Hora: Da eternidade para a vida fale a tua história, construída com a têmpera dos intimoratos e a sensibilidade dos poetas.


Obs.: Agassiz Almeida é escritor, ativista dos direitos humanos, deputado federal constituinte, autor das obras, 500 anos do povo brasileiro, A república das elites, A ditadura dos generais; e recentemente lançou o livro, “O fenômeno humano”. É considerado pela critica como um dos grandes ensaístas do país. (Dados colhidos na Wikipédia).                 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

ONU diz que lixo plástico causa danos de US$ 13 bilhões aos oceanos

Cientistas e representantes de governos fizeram o alerta na 16ª Reunião Global da Convenção Regional dos Mares realizada em Atenas; grupo debateu também Plano de Ação para combater o problema.
Ecossistemas marinhos ameaçados. Foto: Pnuma
























Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.
Cientistas e representantes de governos afirmaram que o lixo plástico despejado nos oceanos e mares pode causar danos de US$ 13 bilhões, o equivalente a mais de R$ 32 bilhões, à vida marinha.
O alerta foi feito, nesta segunda-feira, ao final da 16ª Reunião Global da Convenção Regional dos Mares e dos Planos de Ação, realizada em Atenas, na Grécia.
Desafio
Os participantes disseram que o acúmulo contínuo de lixo nos oceanos representa um tremendo desafio e uma ameaça crescente aos ecossistemas marinhos do planeta e com possíveis consequências socioeconômicas.
A coordenadora do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, Jacqueline Alder, elogiou a criação de um "mapa visionário" que busca criar um caminho para a boa governança dos mares.
O plano para as próximas décadas tem como foco áreas de extração de bens naturais, impactos causados pela mudança climática, acidificação dos oceanos e poluição.
O encontro em Atenas gerou um acordo amplo entre os especialistas em relação aos pequenos pedaços de plástico, com menos de 1 milímetro, mas que causam grandes impactos físicos e biológicos nos ecossistemas.

Richard Sennett: Uma parte trabalha quase até a morte, embora a outra esteja parada


sennett 540x304 Richard Sennett: Una parte trabaja casi hasta la muerte, mientras la otra está en el paro


ZEIT ONLINE: Sr. Sennett, quál é sua visão para o futuro?

Richard Sennett: mais socialismo, mais participação, mais empresas de pequeno porte, e um enfraquecimento do capital financeiro sobre o trabalho produtivo. Precisamos de modelos alternativos de gestão que dependem de um desenvolvimento mais contínuo de pessoas. O problema que enfrentamos no capitalismo moderno, é a manipulação do tempo.

LÍNEA ZEIT: Que quer dizer?

Sennett: 
As pessoas são dominadas por estruturas temporárias que reduzem sua capacidade para sentir a satisfação no trabalho. Quando se tem emprego e se trabalha bem, se está satisfeito. Para conseguir isso, as pessoas devem ter a oportunidade de trabalhar fazendo as mesmas ou muito semelhantes tarefas ao longo de um período de dois a três anos. Flexibilidade postula que a gestão de pessoal nos últimos anos é a realização diametralmente oposta: as pessoas estão constantemente sendo empurradas de uma tarefa para outra, mantendo-os constantemente no treinamento e insegurança. O sentimento de satisfação que vem depois de uma tarefa concluída com êxito, destruído.

ZEIT ONLINE: Você diz que, no futuro, haverá muito pouco trabalho para muitas pessoas na Europa. Na Alemanha, toda a conversa é sobre a escassez de trabalhadores qualificados.

Sennett: Eu não estou muito preocupado com o que vai acontecer na Alemanha. Estou muito mais preocupado com o que vai acontecer em Espanha, Itália, Grécia e Reino Unido. Eu acho que a Europa precisa parar o desemprego  menos cíclico, pois é uma escassez estrutural de mão de obra. Em princípio, há um monte de trabalho - mas é distribuído de forma injusta. Alguns trabalhadores trabalham até morrerem e outros, como muitos jovens em Espanha estão desempregados.

ZEIT ONLINE: Por quê isso?

Sennett: Nos anos oitenta e noventa, se exportava um grande número de trabalhadores relativamente pouco qualificados dos países em desenvolvimento. Estes países desenvolveram ainda mais o trabalho e o fizeram que seja mais difícil. Foi uma idéia fantasiosa de que vamos manter bons empregos e ser capaz de exportar todo o mal. Portanto, o mercado de trabalho não funciona.

ZEIT ONLINE: Como têm que trabalhar?

Sennett: O trabalho existente na Europa teria de ser redistribuído, que cada cidadão possa se envolver em atividades de trabalho e de tempo parcial paga.

LÍNEA ZEIT: ¿Por qué?

Sennett: Por um lado, existe na Europa um futuro previsível, só mais candidatos a emprego do que trabalho. Em segundo lugar, é uma ilusão que mais horas de trabalho para uma sociedade altamente produtiva são necessárias. Na minha opinião esta é a tentativa de estabelecer uma nova forma de capitalismo. A ideologia que prevalece hoje, sugere que pessoas que só os esforços extraordinários manter vivo este sistema. É o máximo necessário e isso serve como um padrão para disciplinar os trabalhadores. Na Universidade no Reino Unido, esperam que os seus funcionários a trabalhar dez a doze horas por dia. Fazendo todos os tipos de tarefas que têm de ser preciso. Sob estas condições, a produtividade sofrerá. As pessoas não querem ir para o trabalho e está de acordo com os resultados de seu trabalho. Os trabalhadores que tenham em conta a norma máxima, não são elasticidade permanente. Alternativamente, ou lealdade ou confiabilidade.

ZEIT ONLINE: Que pode uma redistribuição do trabalho fazer na prática?

Sennett: Na minha opinião, a introdução de uma renda básica para viver seria uma abordagem promissora. Uma é a de determinar o trabalho existente e, em seguida, distribuí-los entre duas ou três pessoas. Estes podem ser pagos como trabalhadores a tempo parcial. O Estado então dá também uma renda básica para compensar a diferença.


Artigo publicado no diario Zeit.
 blog Ssociólogos