"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 25 de outubro de 2014

Ebola provoca crise alimentar na África ocidental

A epidemia de ebola na África ocidental, que oficialmente já matou mais de 4.500 pessoas, também ameaça desencadear uma crise alimentar nos países onde se concentra, por si só já assolados pela pobreza e pela fome. 

Por Thalif Deen da IPS

Unidade de Tratamento do vírus Ebola Ilha Clinic, em Monróvia na Libéria. Foto: Morgana Wingard/ USAID (22/09/2014)

A crise limitar-se-á, sobretudo, aos três países onde se concentra a ação do vírus, Guiné, Libéria e Serra Leoa, afirmou Shenggen Fan, diretor-geral do Instituto Internacional de Pesquisas sobre Políticas Alimentares (IFPRI), uma organização independente com sede em Washington.
O ebola está a provocar uma crise alimentar por uma série de fatores relacionados entre si, como a morte dos agricultores, a escassez de mão de obra, o aumento dos custos de transporte e dos preços dos alimentos, acrescentou Fan. “Dentro desses países, onde a desnutrição é um problema há muito tempo, a crise alimentar pode persistir durante décadas”, alertou.
Mas, como Guiné, Libéria e Serra Leoa são importadoras de alimentos, é pouco provável que a crise alimentar se propague a outros países, dentro ou fora da região, ressaltou Fan. Os preços mundiais tendem a ter efeitos de transmissão nos preços dos alimentos regionais ou nacionais, mas, para os pequenos mercados, como são esses três países, é pouco provável que esse efeito transcenda as suas próprias fronteiras, sempre e quando a enfermidade em si não for transmitida para outras áreas, afirmou.
Segundo os últimos dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), até agora foram registrados cerca de 9.200 casos de ebola, incluindo 4.262 na Libéria, 3.410 em Serra Leoa e 1.519 na Guiné. O número de mortos é maior na Libéria (2.484), seguido da Serra Leoa (1.200) e da Guiné (862). O porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), Stephane Dujarric, disse à imprensa, no dia 20 de outubro, que a OMS declarou a Nigéria oficialmente livre da transmissão do vírus, depois de 42 dias sem um só caso.
É “um êxito espetacular que demonstra que o ebola pode ser contido”, segundo a OMS. Isso “pode ajudar muitos países em desenvolvimento que estão profundamente preocupados pela possibilidade de um caso importado de ebola e que estão ansiosos para melhorar os seus planos de preparação”, ressaltou Dujarric. O anúncio aconteceu poucos dias depois de o Senegal também ser declarado livre do ebola, acrescentou.
O fundo criado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para combater essa doença mortal agora tem cerca de 8,8 milhões de dólares em depósitos e 5 milhões de dólares prometidos, informou o porta-voz. No total foram prometidos 43,5 milhões de dólares, e Ban continua a pedir aos países que cumpram essas promessas o mais rápido possível. O secretário-geral expressou o seu pesar pela morte pelo ébola de um membro da ONU Mulheres na Serra Leoa. O seu marido está a receber tratamento, afirmou.
“Todas as medidas de proteção do pessoal na Serra Leoa estão a ser tomadas da melhor maneira possível nas circunstâncias atuais”, assegurou Dujarric, como a descontaminação da clínica da ONU no lugar, a eliminação da instalação de isolamento e a localização de possíveis contactos.
Em comunicado divulgado no dia 21, o IFPRI informa que a situação que os três países enfrentam é sombria. As escolas na Serra Leoa fecharam, o que implica o fim de programas de alimentação fundamentais para crianças que dependiam deles. E as restrições ao consumo da carne de animais selvagens, a suposta fonte do ebola, eliminaram uma fonte tradicional de proteínas e nutrientes da dieta local.
“Além disso, nas zonas afetadas está a aumentar vertiginosamente o preço dos alimentos básicos, como arroz e mandioca, na medida em que as culturas são abandonadas e escasseia a mão de obra”, destaca o comunicado. A comida que se exporta dessas zonas tampouco está a chegar a outras regiões.
“Enquanto avaliamos os perigos dessa terrível enfermidade, não devemos esquecer a autêntica ameaça que representa para a segurança alimentar”, afirma o IFPRI. “A comunidade internacional deve unir-se para garantir a existência de redes de segurança que protejam não só as pessoas infetadas com o ebola, mas também aqueles cujo acesso aos alimentos estiver gravemente afetado”, acrescenta.
Essas redes de segurança, que poderiam consistir na transferência de dinheiro vivo ou em alimentos, devem estar acompanhadas de intervenções nutricionais e de saúde, explicou Fan. Por exemplo, um programa de transferência condicional de dinheiro vinculado à saúde pode melhorar o acesso aos alimentos nutritivos, especialmente quando os preços são altos, e também fomentar o uso dos serviços de saúde, acrescentou.
“Isto é importante porque investir na nutrição e na saúde das populações vulneráveis pode reduzir a taxa de mortandade de doenças como o ebola, já que a situação nutricional e a infeção estão intimamente vinculadas”, afirmou Fan. Quando passar a epidemia, a proteção social e as intervenções de apoio à agricultura serão essenciais para aumentar a resistência a futuras crises de subsistência, acrescentou, lembrando que a crise alimentar acrescentará milhares de mortes às provocadas pelo ébola nos três países mais afetados.
Os esforços recentes do Programa Mundial de Alimentos (PMA) para dar assistência alimentar a 1,3 milhões de pessoas nesses três países dão uma ideia da magnitude da crise atual. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) também dá assistência alimentar a cerca de 90 mil famílias rurais para mitigar a crise, pontuou Fan. Para ele, no começo da colheita, a escassez de mão de obra coloca em perigo a segurança alimentar de dezenas de milhares de pessoas nas zonas especialmente afetadas.
Artigo de Thalif Deen Envolverde/IPS

México: pelo aparecimento com vida dos 43 estudantes

Petição internacional afirma que os fatos ocorridos em Iguala, Guerrero a 26 de setembro de 2014 são uma das manifestações mais execráveis na história do México e exige das autoridades o castigo dos culpados, afirmando que nenhum governo pode permitir que sejam realizem atos de barbárie como os acontecidos.

Texto da Petição, que está aberta à subscrição:

A todas as mexicanas e mexicanos

A todas as pessoas que fora de México seguem os acontecimentos violentos recentes

À opinião pública

Aos 43 estudantes de Ayotzinapa desaparecidos, a seus familiares e colegas,

Acadêmicos mexicanos e de diversas nacionalidades, radicados no estrangeiro, unimo-nos às vozes de preocupação pela violência que impera no México. Os factos ocorridos em Iguala, Guerrero a 26 de setembro de 2014 são uma das suas manifestações mais execráveis na história do país. Não há palavras para expressar o horror e a raiva que sentimos pelo assassinato de seis pessoas, entre elas três estudantes da Escola Normal “Raúl Isidro Burgos” de Ayotzinapa (um deles de forma por demais selvagem), e pelo desaparecimento, a mãos do governo e da polícia local, de outros 43 estudantes.

Solidarizamo-nos com as exigências de justiça e compartilhamos a dor das famílias, amigos e colegas dos estudantes de Ayotzinapa. Indigna-nos profundamente que diante da magnitude dos factos, o governo mexicano faça declarações contraditórias e apresente resultados não só nulos como também mesmo mais preocupantes: as irregularidades da investigação aumentam a cada dia sem que se saiba nada respeito da prisão dos culpados ou do paradeiro dos 43 estudantes e, em contrapartida, descobriram-se muitas valas mais, muitos cadáveres mais. De que tamanho são as valas neste país, quantos mais cabem nelas, quantos mais esperam o mesmo destino?

Até agora não se deram a conhecer o nome dos detidos nem as linhas de investigação. São lamentáveis a lentidão e a aparente negligência com que avançam as investigações. As próprias autoridades têm posto obstáculos à participação de um grupo de forenses argentinos especializados na identificação de cadáveres, e os pais dos desaparecidos encarregaram-se praticamente sozinhos da busca. Se o ocorrido é por si terrível, a atitude geral dos órgãos de governo é uma afronta ao sentido de humanidade e à inteligência de quem observa à distância. Indigna-nos a maneira como as autoridades mexicanas têm tratado este grupo de estudantes, um dos mais vulneráveis do país.

A realidade que o México tem mostrado ao mundo é dececionante. O caso de Iguala, somado a muitos outros acontecimentos nos últimos meses, tem deixado claro que não se pode falar já de criminosos comuns mas sim da criminalidade de representantes do governo tanto local como estadual e federal, que por ação ou omissão permitiram que isto ocorresse e agora não parecem fazer o necessário para resolver e restaurar a confiança nesse mesmo governo. Não entendemos que o governador de Guerrero não tenha renunciado ainda, e que as autoridades federais estejam de acordo com esta situação. Todos sabemos que o governador estava a par da situação em Iguala – ele mesmo o declarou e assegurou que também o Exército e a Procuradoria Geral da República tinham conhecimento. Perguntamos-nos então, que outras situações de conluio entre crime e governo, que nenhum estado de direito poderia tolerar, são do conhecimento das autoridades?

Escrevemos porque México e a sua gente merecem bem mais: um verdadeiro estado de direito, justiça. Nenhum governo pode permitir-se realizar nem que sejam realizem atos de barbárie como os acontecidos em Ayotzinapa.

Por isso, exigimos:

1. O aparecimento com vida dos 43 estudantes.

2. O fim das represálias e perseguição aos estudantes da Normal de Ayotzinapa, e aos estudantes em geral.

3. Que o Prefeito de Iguala licenciado, José Luis Abarca, e sua esposa María dos Anjos Pineda Villa sejam imediatamente detidos, processados e castigados dentro do marco da lei.

4. A renúncia do Procurador Geral da República, Jesús Murillo Karam, se se demonstrar que teve conhecimento das ações ilícitas do prefeito Abarca e que foi omisso a respeito.

5. A imediata demição de Ángel Aguirre Rivero, governador de Guerrero, mas também a de Iñaki Blanco Cabrera, Procurador do mesmo estado e de todos os membros do Exército que tenham sabido, encoberto ou participado nestas ações.

6. Uma investigação confiável, real e transparente, com a participação de peritos e observadores internacionais, como a Equipa Argentina de Antropologia Forense.

Não nos cansaremos nem deixaremos de insistir desta e doutras formas. Continuaremos atentos aos acontecimentos e ampliando as redes de informação entre colegas, estudantes e amizades no México e no estrangeiro. Não podemos permitir que se repitam massacres como o do movimento estudantil de 1968 ou a perseguição e aniquilamento de populações camponesas como as de Acteal e Águas Brancas. Ayotzinapa ultrapassou um limite que não deveria ter sido nunca cruzado. Juntamos a nossa indignação e a nossa solidariedade para com os estudantes mexicanos e as suas famílias.

Queríamos que os 43 desaparecidos pudessem ler esta carta algum dia também. Dirigimo-la a eles, mas também a todos aqueles enterrados em valas clandestinas que não param de ser descobertas, a todos os que merecem bem mais que uma carta e que um protesto. Eles merecem todo o esforço deste governo e dos cidadãos dentro e fora do país. Devemos assumir a nossa responsabilidade diante esta situação inaceitável e exigir sem descanso justiça, um verdadeiro estado de direito, uma política ao serviço e proteção da cidadania e total transparência nas ações dos funcionários públicos e representantes da nação. Cada desaparecido e a cada assassinado por criminosos, militares ou polícias representam uma perda incalculável para o nosso país. Ayotzinapa toca-nos muito profundamente a todas e todos os que assinamos esta carta. Por eles e por nós exigimos justiça. Vivos levaram-nos e vivos os queremos!

Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

O decrescimento que vem

"Se as tendências atuais de crescimento da população mundial, industrialização, poluição, produção de alimentos e esgotamento dos recursos continuar, este planeta alcançará os limites de seu crescimento ao longo dos próximos cem anos. O resultado mais provável seria um declínio súbito e incontrolável na população e na capacidade industrial."

Donella Meadows e outros, 1972 

Quase meio século depois da publicação de Os Limites do Crescimento de Donella e Dennis Meadows, especialistas como Íñigo Capellán-Pérez e Margarita Mediavilla continuam a confirmar com novos estudos não só a validade dessa previsão, mas também advertindo que poderia estar mais perto do que nunca para cumpri-la. Previsões vão desde as mais pessimistas, segundo a qual uma queda acentuada nas sociedades industriais começará antes do final desta década, até mesmo os mais otimistas no realista,  que colocam uma queda mais gradual e escalonada a partir de 2030 ~. No entanto, mesmo a descida mais gradual que se possa imaginar não vai ser tão lenta como a escalada. É o que Ugo Bardi e Gail Tverberg respectivamente chamam  de "efeito Seneca" e os "ciclos seculares".

shape of typical secular cycle

No caso de esgotamento dos recursos fósseis, já é um segredo aberto que estamos nos aproximando em alta velocidade do pico da produção da principal fonte de energia e riqueza conhecida que é o petróleo, também chamado peak oil, combustível que sustenta quase toda a infra-estrutura que conhecemos hoje e através do qual se sucederam, progressivamente, outros picos: o pico do gás, urânio, carvão, metal, etc Escusado será dizer que sempre haverá combustível em termos geológicos, mas o que importa é que sua extração é cada vez mais cara em termos econômicos. O ritmo de queda vai depender da reação de um sistema financeiro que já estaria mostrando alguns sinais alarmantes de uma crise futura: a dívida global a níveis recordes, os salários e os preços do petróleo, etc

tverberg estimate of future energy production

De qualquer forma, os autores Antonio Turiel e Gail Tverberg concordam que energias fósseis e nucleares de extração 'barata' em breve vão se tornar escasso e que as energias renováveis ​​não serão suficientes para satisfazer até um quarto da demanda energética atual. Uma redução feita de maneira assemblear pelos habitantes de cada município seria hoje a alternativa mais desejável, embora dificilmente a mais provável. Com os dados em mãos,  não acho que estou colocando um falso dilema, se eu disser ou fazê-lo para o bem, agora na horizontal, ou o que nós temos que fazer do jeito mais difícil, depois e verticalmente.


É possível evitar a queda com nova energia e/ou tecnologias? Certamente que não. No entanto, ainda permanece no imaginário coletivo um mal-entendido sobre o passado que deve ser observado, que argumenta que novas fontes de energia foram substituindo às antigas como estas foram se esgotando e, por essa razão, agora esperemos que o mesmo vai acontecer com os combustíveis fósseis, mas nada está mais longe da realidade. Primeiro porque não é isso que aconteceu, e segundo porque, mesmo se fosse verdade, o fato de que o petróleo e o gás natural têm alongado mais de um século a festa de crescimento iniciado pelo carvão não se segue que existem combustíveis alternativos de energia e rentabilidade semelhante.

Da mesma forma que o aumento do consumo de carne no Paleolítico não substituiu vegetais, mas proporcionou maior valor biológico da proteína para a nossa dieta, petróleo e gás não veio para substituir a indústria do carvão morrendo, mas complementar, aumentando, assim, o metabolismo da energia total reivindicado por algumas sociedades dependentes de crescimento. A prova de que o carvão não tinha atingido o seu auge no século XIX é que a produção tem crescido nas últimas décadas a um ritmo nunca visto. Além disso, o carvão também substituiu a madeira, assim como a  nuclear ou renovável substitui o petróleo. No melhor dos casos eles se complementam por alguns anos até que atinja o seu apogeu e arrastá-o.

Em outras palavras, todos esses recursos vêm operando de forma encoberta e quando combustíveis fósseis atingem e excedem o pico da produção mundial, o que nunca aconteceu antes com qualquer outra fonte, não só não aparecerá nada parecido, para substituir mas sim afetará inevitavelmente outras energias, já que todas, antigas e modernas, têm se beneficiado de seu extraordinário aporte material e energético, assim como aconteceria se as fontes de energia de outros biocombustíveis, como a água (pico de água) ou solo arável (pico do solo) começassem a declinar.

Pela primeira vez na história da humanidade se quer fazer uma transição a partir de fontes renováveis ​​partindo-se de um declínio que iria alimentar essa transição. É um techno-otimismo que ignora a história; típica de talvez o maior viés cognitivo e mito cultural que hoje restringem as mudanças reais que temos de nos adaptar.

Está a política preparada para a redução? Não, e não apenas a política conservadora, mas a progressista. Nem mesmo  socialismo- o real, o teórico e o dos práticos que levam a praticas- defende a diminuição. Aparentemente, as duas principais correntes políticas do Ocidente, o liberalismo e o socialismo de Estado, ainda acreditam no crescimento econômico e expansão territorial como a melhor solução para os nossos problemas, assim como fazem as pragas quando os meios e circunstâncias são favoráveis. Inclusive outros, socialismos denominados acrescentistas, ecopolítica, estacionários ou ecossocialistas, a meio caminho entre o crescimento pelo crescimento e a redução pela redução, continuam, apesar de suas boas intenções inventivos e enquadrados dentro do statu quo, uma vez que, consciente ou inconscientemente reforçam a existência da maioria das estruturas sociais e instituições que apoiaram o socialismo e o liberalismo, eles nos trouxeram aqui, como o Estado, a burocracia, o parlamento, a lei, a propriedade, o mercado, tanto a moeda única privada e, agora, o "social" - o trabalho assalariado, o economicismo, a cidade, as forças armadas e de segurança, a escola, a prisão, o patriarcado, o progresso tecnológico os meios de comunicação de massa, indústria, hyper, a divisão do trabalho em compartimentos estanques, estratificação social, centralismo e hierarquia. Instituições sem as quais teria sido possível ultrapassar os limites biofísicos do planeta e que, portanto, é provável que continue superando-os até  ficarmos sem, nunca melhor dito, gasolina.

Se inclusive o presidente amigo da Pachamama, o indígena Evo Morales, sucumbiu ao canto da sereia não só de gás e petróleo, mas também da energia nuclear, o que podemos esperar aqui na Espanha dos socialistas Pablo Iglesias (pode), Pedro Sanchez (PSOE), Alberto Garzón (IU) e Florent Marcellesi (EQUO), os políticos ainda mais "civilizados" do que suas contrapartes do sul? O mesmo é verdadeiro de José Mujica, autor do importante discurso ambiental na ONU e considerado por muitos como um dos poucos presidentes que são admiráveis​​, embora, de acordo com o website Sustentável Uruguai: para um país sustentável e produtivo, o seu governo optou claramente por crescimento, promovendo a indústria florestal, megamineradora, as plantas de regaseificação, biocombustíveis e no campo de "renovável" (veja a resenha de Amorós), todos sem descurar as boas relações com óleo com declarações dos Recursos Nacionais aquáticos, revelando como este: "Nós não queremos petróleo e crescimento a qualquer custo, mas com o desenvolvimento sustentável, a justiça social ..." e assim por diante.

No entanto, que pode estar pensando em como dividir a propriedade em nosso mundo moderno, ambos apoiantes e opositores do socialismo concordam com o pré-requisito para resolver tal problema. Este pré-requisito é a produção. (...) Produza para vender, ou produza para distribuir o próprio processo de produção não só é contestado por ambos os lados, mas reverenciado, e não é exagero quando se diz que, aos olhos da maioria, tem hoje algo sagrado.


Tal como os políticos e os economistas ocidentais - incluindo os da economia ecológica - apresentam os conceitos de 'crescimento sustentável', 'crescimento seletivo' e 'crescimento zero' é um paradoxo, uma contradição em si. Continuar no caminho do crescimento qualquer que seja sua reformulação burguesa -Crescimento indiscriminado ou seletivo, o PIB verde ou PIB, com base em bens materiais ou bens relacionais, norte e sul ou sul-somente não é desejável e em breve não será mais possível. E o que é pior, maior será a pior tentativa a descida. Felizmente, porém desoídamente, muitas vozes perto do anarquismo eco Há muito que se propõe que a única maneira razoável para a frente não é a criação de mais postos de trabalho em "setores estratégicos" ou ser mais competitivo com o exterior, mas autogestionadamente distribuir o trabalho lá, fazer sem esses comércios considerar insustentável a médio e longo prazo, estou a pensar em grande parte dos sectores secundário e terciário, promover o êxodo urbano, pergunta e, se possível, deixar a maioria das instituições existentes e redistribuir a riqueza, gostemos ou não , é obrigado a diminuir. Em última análise, 99% achavam esquerda vemos na televisão, ler on-line ou ouviu no rádio não vai-e nunca por suas próprias limitações teóricas intrínsecas- à raiz do problema, ou seja, o limites físicos do nosso meio ambiente e estruturas sociais e hábitos mentais que nos precipitam contra eles.

conclusão:

Dizia o sociólogo Peter L. Berger que "as instituições fornecem procedimentos de ação por meio dos quais o comportamento humano é moldado e forçados a marchar através de canais considerados desejáveis pela sociedade. E este truque é feito para que esses canais sejam exibidos ao indivíduo como o a única possível". Embora não haja nenhuma razão para acreditar que desta vez vai ser diferente, a gente se pergunta se algum dia seremos capaz de ressocializar-nos coletivamente, reiniciar o jogo, para obter conscientemente fora dessas faixas que já estavam lá quando nascemos e não escolhemos. O humanista tende a acreditar que é possível, então a fé que "a humanidade" ainda há tempo para tomar consciência, para evitar o pior, como se as espécies e as sociedades têm os mesmos atributos e capacidade de resposta do que os indivíduos. Em contraste, a conversa determinista tende a preferir a mitigação de pequena escala, os freios de mão pequena, uma vez que nenhum comportamento exemplar nunca parou o progresso do mundo. A diminuição virá para o romano ou estrada, e tudo o que está em nossas mãos é decidir de que lado queremos estar.
Para mais informações:

Se você quiser se aprofundar, uma forma divertida e interessante é ver qualquer um desses filmes: O que é um caminho a percorrer: a vida no final do Império (2007), Blind Spot (2008), No Tomorrow (2012), Stop! Rolando Change (2013), Diminuir: o mito da abundância simplicidade voluntária (2014). Se você está procurando uma abordagem rápida para o problema, eu recomendo o 2012 Se em vez disso você está procurando uma abordagem mais holística e não com pressa, tente a 2007, se o que você está mais interessado em soluções, difícil, em qualquer caso em seguida, dar uma olhada em 2013.


Bibliografía:

Imágenes: Gráfico 1 y Gráfico 2
Amorós, Miguel. 2013. “Capital viento: ¿por qué las centrales eólicas?”, Metiendo Ruido, 24 de septiembre [en línea]. 
Bardi, Ugo. 2013. “The punctuated collapse of the Roman Empire”, en su blog Resource Crisis, 15 de julio. 
Berger, Peter L. 1963. Invitation to sociology: a humanistic perspective, Anchor Books, New York, pág. 87. 
Canetti, Elias. 1960. Masa y poder, Alianza Editorial, Madrid, 1983, pág. 187. 
Capellán-Pérez, Íñigo y otros. 2014. “Agotamiento de los combustibles fósiles y escenarios socio-económicos: un enfoque integrado”, Energy, septiembre [PDF en línea]. 
De Castro Carranza, Carlos. 2014. “¿Soluciones tecnológicas? El caso de las renovables y la permacultura”, en el blog Grupo de Energía y Dinámica de Sistemas, Universidad de Valladolid, 12 de octubre. 
Meadows, Donella y otros. 1972. Los límites del crecimiento, Fondo de Cultura Económica, México, págs. 24-25.
Turiel, Antonio. 2014. “Post de resumen: los límites de las renovables”, en su blog The Oil Crash, 28 de agosto. 
Tverberg, Gail. 2014. “Ten reasons intermittent renewables (wind and solar PV) are a problem”, en su blog Our Finite World: exploring how oil limits affect the economy, 21 de enero. 
“Converging energy crises – and how our current situation differs from the past”, Our Finite World: exploring how oil limits affect the economy, 29 de mayo. 
“WSJ gets in wrong on «Why peak oil predictions haven’t come true»”, Our Finite World: exploring how oil limits affect the economy, 6 de octubre. 
Uruguay Sustentable. 2014. “Uruguay invirtió 7000 millones de dólares en energía para el desarrollo”, 25 de junio [en línea]. 
“DINARA solicitó a empresas de exploración petrolera información científica sobre plataforma marina”, 28 de agosto [en línea].

Resultados das eleições de 2014, segundo características de gênero e ‘raça’/cor

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
percentagem de deputadas federais e estaduais, 2014

[EcoDebate] A presença feminina na Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas tem crescido nos últimos 30 anos, especialmente depois do processo de redemocratização da Nova República. Em 1974 havia apenas uma deputada federal (0,3% dos assentos), passando para 45 deputadas (8,8%) em 2010. O número de mulheres eleitas para a Câmara Federal, em 2014, bateu o recorde histórico de 51 deputadas em 513 cadeiras. Isto representa o recorde de 9,9% de assentos femininos na Câmara. Porém, mesmo com todo este “avanço”, o Brasil vai continuar no bloco da lanterninha do ranking da Inter-Parliamentary Union (IPU), passando de 159º lugar na atual legislatura para o 153º lugar na próxima legislatura.
No Senado, em 2010, foram eleitas 7 senadoras para 54 cadeiras em disputa, representando 13% dos assentos. Nas eleições de 2014, foram eleitas 5 senadoras em 27 Unidades da Federação (UF), o que representa 18,5% das vagas. No total, haverá 12 senadoras em 81 cadeiras, o que representa 14,8% de mulheres no Senado.
Em 2010, foram eleitas 2 mulheres governadoras entre as 27 UFs. Em 2014, nenhuma mulher foi eleita para o governo estadual no primeiro turno e, provavelmente, apenas Suely Campos (PP), de Roraima (que substituiu o marido ficha suja, Neudo Campos) ganhará no segundo turno.
Para as Assembleias Legislativas (e Distrital) o número de mulheres eleitas em 2014 caiu para 120 deputadas, número só superior ao atingido no ano de 1998. O número de deputadas estaduais era de 11 (1,2% do total de deputados em 1974) subiu para 133 deputadas (12,8%) em 2002, caiu para 121 deputadas (11,7%) em 2006, subiu novamente para o recorde de 138 deputadas (13%) em 2010 e voltou a cair em 2014 para 120 deputadas, representando 11,3% do total de cadeiras nas Unidades da Federação.
Para a presidência da República a disputa é entre uma mulher e um homem no segundo turno. Mas no primeiro turno, entre 11 candidaturas, as três mulheres candidatas ficaram entre os 4 primeiros colocados, sendo que Dilma Rousseff teve 43,3 milhões de votos (41,6%), Marina Silva teve 22,2 milhões de votos (21,3%) e Luciana Genro teve 1,6 milhão de votos (1,6%). No total, as três mulheres somaram 67 milhões de votos, o que representou 64,5% do total de votos válidos.
A maioria do eleitorado (quase dois terços) votou para uma mulher para a Presidência da República, mas o déficit democrático de gênero continuou dominando o parlamento brasileiro e os governos estaduais. Embora tenha havido um aumento do número de mulheres candidatas, os partidos lançaram candidatas laranjas com poucas chances de vitória (a não ser que sejam ricas). Reportagem de Rosanne D’Agostino, no portal G1, mostra que de um total de 430 candidatas donas de casa que concorreram a cargos nestas eleições, apenas uma foi eleita, ao cargo de deputada federal: Dulce Miranda (PMDB) foi eleita no Tocantins com um patrimônio declarado de R$ 2,26 milhões.
Em relação às características de “raça”/cor, é preciso destacar que, pela primeira vez, o TSE divulgou os dados sobre este quesito. Entre todos os candidatos (de ambos os sexos) em 2014, houve 54,9% de brancos (no censo 2010 do IBGE as pessoas que se autodeclararam brancas foi 47,7%), 35% de pardos (43,1% no censo 2010), 9,3% de pretos (7,6% no censo 2010), 0,46% de amarelos (1,1% no censo 2010), 0,33% de indígenas, (0,43% no censo 2010). Portanto, as “raças”/cores menos representadas nas candidaturas foram: amarela, indígena e parda. Sobrerrepresentados estavam: brancos e pretos.
Os dados preliminares do TSE sobre os números de eleitos pela característica “raça”/cor indicam que, entre os 513 deputados eleitos no dia 05/10, 410 (79,9%) se autodeclararam brancos, 81 deputados (15,79% ) se disseram pardos e 22 (4,29%), pretos. Os negros (pretos + pardos) ficaram com 20% dos assentos da Câmara. Assim, os pardos e pretos estão subrepresentados na representação parlamentar.
Nenhum candidato que se autodeclarou como amarelo ou índio foi eleito para a Câmara dos Deputados para a legislatura 2015-2018.
Existe uma grande desigualdade de “raça”/cor na legislatura eleita em 2014. As pessoas que se autodeclaram amarelos (orientais) possuem os melhores níveis educacionais, mas não conseguiram assentos no Congresso.
Os povos indígenas mais uma vez foram excluídos da Câmara dos Deputados. As mulheres indígenas continuam sendo o grupo social mais discriminado do país e há 500 anos sofrem com as consequências da colonização portuguesa em terra tupiniquins e com a violência real e simbólica de gênero. A população indígena sofreu um genocídio nos primeiros 300 anos da história do Brasil, sendo hoje o grupo populacional em pior condição social e o mais excluído da política e dos espaços de poder.

números de deputados federais eleitos em 5/10/2014

O Brasil continua um país desigual na política quando se considera as características de gênero e “raça”/cor. Evidentemente, a situação é bem melhor do que há 30 anos, antes do processo de redemocratização, mas ainda falta um longo caminho para se atingir a equidade “racial” e de gênero. Uma ampla reforma política poderia mudar o quadro desigual das instituições representativas da República brasileira.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Publicado no Portal EcoDebate

Adeus século XIX

“O iluminismo está morto, o marxismo está morto, o movimento da classe trabalhadora está morto e eu também não me sinto muito bem” (Neil Smith)

Algo é autenticamente dezenovista quando está em si congelado idéias de progresso, novo homem e cientificismo. Muitas delas ou todas por influência geradas no iluminismo; as nações teriam que enriquecerem economicamente pela via industrial,  ciência desvendaria todos os segredos colocando a natureza ao dispor do homem e, se criaria um novo tipo de homem, pelo menos era essa a base das teorias ou doutrinas científico-filosóficas.

Nietzsche negaria a filosofia mas nisso estava intrínseco sua crença no ideal de novo homem, o super-homem para além do bem e do mal; isso acabaria influenciando Adolf Hitler e sua doutrina nazista que atrelou isso ao racismo nascido pela metade daquele com o francês Charles de Gobineau.

Da biologia Darwin inspiraria um darwinismo social ligado à ideia de progresso e que se podia relacionar a todos os demais itens aqui citados: racismo, progresso e síntese final do mais forte; na verdade isso é a ecologia da ação, como trata Edgar Morin, como decorrência da teoria e Darwin que certamente não visava ao darwinismo social.

Marx, também influenciado por Darwin, pelo iluminismo e pelo progresso da modernidade cunhou sua ideia de homem novo da nova sociedade comunista internacional. Tinha certeza da certeza de uma teoria que se tornaria doutrina no século XX. Seria a mais poderosa das idéias o século XIX.

A beleza do racionalismo de XIX legou ao XX catástrofes horrendas, não que seja uma exceção, como cunhara o professor de Harvard morto ano passado, David Landes, “a história da humanidade é a história dos horrores”; mas sua capacidade mortífera-tecnológica tornara-se capaz até do aniquilamento total.


Isso seria um adeus ao racionalismo, ou melhor à razão? Claro que não, isso seria a entrega a pensamentos aberrantes estacionários e estigmatizantes, impedindo-nos, por exemplo, de falar de desigualdade e concentração de renda, como escreve Piketty no seu bombástico livro “O Capital no Século XXI. A mudança é que as teorias do século XX apontavam certeza, o desafio para este século é que sejam apenas a certeza de um começo, conforme Morin.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Africanista Mia Couto

O cientista Político morto ano passado, David Landes, levantara a questão da mudança de perspectiva ocorrida no aniversário de 500 anos do "descobrimento" da América co relação ao quarto-centenário, em 1892. Para ele nem 1992 a perspectiva era de espoliação, tínhamos sido invadidos e saqueados pelos colonizadores europeus. Tenta fazer um imagem da história humana como uma história de horrores, e, portanto, todas as sociedades seriam capazes de cometer brutalidades, não vai julgar o passado mas colocar como prevalecendo o fato de que na história humana quando um povo se senta na condição de mais forte ele simplesmente ataca. Demonstra as barbaridades do europeu colonizador, dos Aztecas, dos árabes, dos africanos escravizando-se entre si.

Então, essa história de horrores caminharia para um fim conciliatório, é este o sonho dos chamados idealistas, kantianos, crentes na paz perpétua entre as nações. Para outros, como Edgar Morin,  vivemos neste século a era planetária, ou seja, o destino de toda a humanidade já é compartilhado de maneira simultânea; o que ocorre na Ásia interfere na América do Sul e assim sucessivamente. E com relação à África neste momento da epidemia de ebola, dita como doença sonegada por não atingir ricas nações até então; a África tem sido um continente só lembrado por tragédias, assim nos acostumamos a vê-la; gosto muito da visão do escritor moçambicano Mia Couto, para mim o maior africanista do nosso tempo, sua posição não é só dependentista, critica essas questões todas de espoliação mas também levante a responsabilidade dos dirigentes africanos, em sua conferência Despir os Sete Sapatos Sujos traz o cao da escola construída na Tanzânia com esforço coletivo para dar melhor destino `s novas gerações que viriam e estas tiveram destino pior do que a que construiu esta escola.

Olha a emenda!

A palavra mais usada nesta eleição é mudança e é mercadoria da 25 de Março, até mesmo pelo fato de que não se pode distribuir "mudanças" pelos correios; a mudança não é una.

Será que essas mudanças virão através de emendas parlamentares, a arma principal de consolidação da carreira dos distribuidores de emendas? Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte todo ano o relator do orçamento é o mesmo, o deputado José Dias do PSD, os demais se preocupam apenas com as emendas, inclusive entusiastas do tal do orçamento impositivo que na verdade é emenda impositiva. 

No Rio Grande do Norte as coisas funcionam assim mesmo, no fim o favor é o que vale, necessidade o jeito luso-tropical de organização comunitária. Mas os candidatos fazem terrorismo com obrinhas, o legislativo nem serve, é figurativo, não conta nem de longe os princípios do partido, o que vale são os "serviços prestados", ou seja, as emendas.

E aí para vender emenda numa carreira longa de mandatos você tem que ser um adulador, o que for a primeira vista se engaje na defesa. 


Chomsky celebra o distanciamento de nações em relação às ações de Israel

"Cada gota de petróleo que é extraída do solo é outra explosão no caixão da espécie humana", afirmou Chomsky em palestra na ONU. 

Por Andrea Germanos, do Common Dreams

Noam Chomsky disse, na última terça-feira (14), que as recentes votações europeias para o reconhecimento do Estado Palestino mostra o desejo das populações de se distanciarem das ações criminosas de Israel. O notável linguista, autor e crítico do império norte-americano acrescentou que a extração contínua de combustíveis fósseis está a destruir um futuro que permitiria uma existência humana decente.

Chosmky concedeu os comentários à imprensa na sede da ONU, durante uma palestra sobre a questão palestiniana. Para os palestinianos, “a única opção moral é resistir à ocupação,” disse ele, e para a liderança palestiniana, “o foco primário” deveria ser “referir-se ao povo norte-americano.” Essa diretriz é necessária, afirmou, para o público norte-americano continuar com esperança de mudar a política do império sobre Israel.

“Creio que não haverá nenhum progresso significativo até que a pressão da população norte-americana induza o governo a tomar medidas diferentes. Todo o movimento nacionalista de terceiro mundo - vietnamita, nicaraguense, timorense, qualquer que tenha sido - entendeu a força da solidariedade e do apoio da população americana até ao ponto em que ela pode modificar políticas”, disse ele.

A adicionar pressão à necessidade de mudança estão os pronunciamentos da Suécia do mês passado - primeiro país da União Europeia a oficialmente reconhecer o estado da Palestina - e a votação simbólica dos legisladores ingleses, reconhecendo a Palestina.

Mesmo a votação no Reino Unido tendo sido simbólica, “a política britânica é sim afetada,” disse ele. “É outro indicador do modo que as populações na Europa e nos EUA querem distanciar-se das ações que Israel está a tomar, as quais são explicitamente criminosas - não há duvidas sobre isso. Eles querem distanciar-se dessas ações, tanto da criminalidade quanto da brutalidade,” afirmou Chomsky.

As ações da Suécia e do Reino Unido são “um apontamento do rumo que as coisas irão tomar,” reconheceu sublinhando que há mais de 130 países que reconhecem a Palestina.

Ainda haverá resistência da Angloesfera - Reino Unido, Canadá, EUA, Austrália. De maneira retórica, Chomsky perguntou se “essas sociedades já aceitaram o facto de que exterminaram a população indígena”.

Essas nações, entretanto, “não podem divorciar-se do mundo,” assegurou Chomsky.

O facto de que os EUA estão de novo a tornar-se num grande exportador de petróleo não irá impulsionar uma mudança na política externa. Isso, de acordo com Noam, é um desastre para o mundo.

“Estamos realmente a brincar com o fogo. Cada gota de petróleo que é extraída do solo é outra explosão no caixão da espécie humana. Estamos a chegar muito perto de destruir as condições decentes da existência humana. A não ser que a maior parte deste petróleo permaneça no solo, onde deve ficar, o futuro dos nossos netos não é muito brilhante. Isso é constantemente negligenciado quando se lê sobre a euforia do fracking.” O preço da gasolina está diminuído, notou Chomsky. "É uma catástrofe, não motivo de euforia".

Artigo de Andrea Germanos publicado em Common Dreams

Porque a crise nos Estados Unidos está pior, em 19 dados

A crise financeira que começou no ano 2008, com a falência do Lehman Brothers e a queda do setor hipotecário dos Estados Unidos, lançou a economia mundial em recessão e os seus efeitos continuam a sentir-se até hoje. O blogue financeiro Zero Hedge expôs 19 dados que mostram que a economia norte-americana continua "doente":

1. Com o ajustamento da inflação o rendimento médio de uma família norte-americana é agora 8% por cento menor do que no ano 2007.

2. O número de empregados que trabalham a meio tempo aumentou 54%. Ao contrário, os trabalhadores a tempo completo são menos um milhão que antes da crise.

3. Trabalhar a meio tempo não é uma opção escolhida pelos cidadãos. Mais de 7 milhões de norte-americanos que trabalham assim desejavam encontrar um emprego a tempo completo.

4. Na maioria dos postos de trabalho criados durante a recuperação paga-se 23% menos que antes da crise.

5. O número de desempregados que já não têm esperança de encontrar um novo trabalho duplicou em comparação com os dados de dezembro de 2007.

6. No início da crise só 17% dos desempregados não foram capazes de encontrar trabalho num prazo de 6 meses. Agora este número é superior a 34%.

7. Devido à carência de postos do trabalho, quase metade dos licenciados dependem economicamente dos seus pais, dois anos depois de terminarem os estudos.

8. No estado da Califórnia um quarto da população é pobre, de acordo com os cálculos do Departamento do Censo dos EUA.

9. As condições de vida de uma "casa típica americana" são agora 36% piores do que eram há uma década, segundo o “The New York Times”.

10. Aumenta a desigualdade. Assim, em 2007 uma família "média" da lista Top-5 era 16% mais rica que as demais. Agora é 24%.

11. O número de pequenos negócios está no mínimo histórico.

12. 31% de todos os empréstimos para comprar um automóvel nos EUA são os créditos 'subprime' (de alto risco). Em 2007 o sector hipotecário que causou a crise tinha a mesma situação.

13. O preço do custo do petróleo de xisto betuminoso é de 85 dólares por barril. O preço do petróleo no mercado, que já caiu 30%, poderá acabar com o boom deste tipo de petróleo nos EUA.

14. Em paridade do poder de compra, a China já ultrapassou os EUA como maior economia do mundo.

15. 49 milhões de norte-americanos não têm segurança alimentar.

16. Os quatro maiores bancos dos EUA representam uma quantidade desproporcionada do risco derivado do sistema financeiro.

17. Os gerentes da Reserva Federal têm um salário médio de 246.500 dólares anuais.

18. Em 2014, a dívida pública norte-americana aumentou em um bilião (um milhão de milhões) de dólares.

19. Nas suas férias o presidente Obama e a sua família gastaram 40 milhões de dólares.

Fonte e dados: Zero Hedge

Publicado por Marco Antonio Moreno em Jaque al Neoliberalismo

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Piketty: Universidades são um instrumento muito poderoso para reduzir a desigualdade

"Os ricos ficarão sempre cada vez mais rapidamente mais ricos, pois dispõem de um estoque de rendimentos de capital que traz significativamente mais rendimentos do que o trabalho". "Para a maioria da população, em contrapartida, os rendimentos dos salários não são mais suficientes para que criem reservas."
A entrevista é de Christian Pricelius, publicada por Deutsche Welle, 22-10-2014.
Com tais teses, o francês Thomas Piketty vem gerando furor internacional. Ele é professor de economia da Paris School of Economics e da École des Hautes Études en Science Sociales (EHESS), e vive na capital francesa, com a esposa e três filhas. Tendo lecionado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), entre outros, há 20 anos ele se ocupa dos temas renda, capital e justiça social.
Seu best-seller Le capital au 21e siècle (O capital no século 21), publicado em 2013, está sendo lançado este mês na Alemanha.
Eis a entrevista.
Seu livro é um sucesso de público. Quantas cópias foram vendidas, até agora?
Em inglês e francês, juntos, 800 mil. Em inglês, foram 600 mil.
O senhor acredita que vai conseguir influenciar algo com seu livro?
Minha intenção era convencer o leitor de que os temas renda e prosperidade são importantes demais para serem simplesmente relegados aos estatísticos e economistas. Meu objetivo foi fornecer fundamentos históricos aos leitores, para que possam fazer seus próprios julgamentos. Porém se trata de ciências sociais, no sentido mais amplo, que não são uma ciência exata. Por isso, também não espero que todos os leitores concordem comigo.
Como o sistema econômico deve ser melhorado, para que os assalariados voltem a ter maiores rendimentos com seu trabalho?
Há diferentes soluções. A longo prazo, investindo na educação. Universidades são um instrumento muito poderoso para reduzir a desigualdade. Um dos principais problemas da Europa é que investimos mais dinheiro na redução das nossas dívidas públicas do que na formação universitária. Isso não é bom presságio para o futuro. Deveríamos investir mais nas universidades.
Que outras soluções existem, para que o valor do trabalho cresça?
A tributação progressiva dos altos salários e rendimentos de capital também é importante. Precisamos, portanto, de um sistema tributário que tribute menos aqueles que só vivem de seus salários e entram na vida sem capital nem prosperidade.
Com isso, chegamos à sua declaração central, de que hoje em dia muitos assalariados só conseguem sobreviver com os seus salários. Por que é assim?
No início da geração dos baby boomers [os nascidos no pós-guerra, entre 1946 e 1968], também era possível reservar poupanças, a partir do salário. Pois, com as altas taxas de crescimento econômico, era possível partir do zero e depois, trabalhando, chegar a uma relativa prosperidade e acumular reservas.
No entanto, para as atuais gerações, se você quiser poupar numa cidade grande, então precisa ter um salário muito bom. No entanto, quando se tem uma taxa de crescimento de apenas 1,5%, isso significa que os rendimentos com capital ainda são de 4% a 5% – ou mais, nos investimentos de risco, cerca de 7%, no caso das ações. Com isso, asdesigualdades iniciais são reforçadas.
Com que consequências?
Esse estado de coisas reduz a mobilidade social numa sociedade. E, no entanto, a chance de subir à classe rica é uma boa coisa para a eficiência da economia e para o empreendedorismo. A esse respeito, Warren Buffet disse certa vez: ninguém quer que, dos Jogos Olímpicos de 2030, só participem os filhos das equipes de 2000.
O senhor colheu dados dos principais países industrializados e emergentes. São, em maioria, estatísticas de órgãos fiscais. Mas na Alemanha, a riqueza sequer é registrada nas estatísticas.
Precisamos de mais transparência sobre rendimentos e riqueza. E o resultado de uma tributação progressiva do capital e rendas também seria podermos exigir informações confiáveis sobre os grupos de renda.
O senhor defende que haja impostos internacionais. Mas como isso funcionaria? Afinal, os países da União Europeia competem entre si por investidores e capital, com os menores impostos possíveis.
O senhor está certo com esta suposição. Se cada país mantiver seu próprio sistema fiscal, vai ser muito difícil. O resultado é que, já agora, as multinacionais pagam relativamente menos impostos do que empresas pequenas e médias. A AlemanhaFrança e Itália competem para atrair investidores. Isso permite que os grandes conglomerados joguem com os diferentes sistemas fiscais, conseguindo, no final, pagar impostos relativamente mais baixos. Isso não é ruim somente para o tratamento igualitário, mas também para o crescimento e a eficiência da economia.
Então, o que sugere?
A solução é muito simples: precisamos de uma política fiscal comunitária. Não é possível, com uma moeda única, como o euro, que mantenhamos simultaneamente 18 sistemas fiscais diferentes, que competem uns com os outros, com 18 diferentes dívidas públicas e 18 diferentes taxas de juros dos títulos estatais. Precisamos, portanto, uma união fiscal e política muito mais coesa na Europa, começando com um pequeno grupo de países e depois, com vários.
De onde o senhor tira o otimismo de que isso venha a funcionar?
Durante a coleta de informações sobre depósitos de capital dos bancos, conseguimos obter essas informações, mas isso leva tempo e exige uma disposição para se implementar sanções. Não podemos pedir educadamente que os paraísos fiscais deixem, finalmente, de ser paraísos fiscais. Na Europa, fomos extremamente ingênuos em nossa abordagem. A Suíça agora fornece automaticamente informações bancárias sobre seus clientes. E isso apenas porque os Estados Unidos impuseram sanções contra os bancos suíços.
Quais são as consequências para a classe média do acúmulo de capital nas mãos dos mais ricos?
Precisamos de uma classe média forte, para o crescimento e para o funcionamento da democracia. Europa ainda é estruturada de forma mais igualitária do que um século atrás, e mais igualitária ainda do que os Estados Unidos. Mas nos EUA, a concentração de renda e riqueza é tão forte que muitos acreditam que isso poderia comprometer a democracia. Grupos individuais poderiam dominar a política. Nos EUA, há dinheiro privado ilimitado na política. Esse é um problema real.
Como o senhor avalia a situação econômica na Europa e nos EUA?
Em Paris e na zona do euro, a economia está estagnada, as taxas de crescimento tendem a zero, assim como a inflação. O desemprego está aumentando. O que acho particularmente triste é que nossa dívida pública inicial não era mais dramática do que nos EUA, no Reino Unido ou no Japão. Mas aqui permitimos com que a grande crise da dívida desembocasse numa crise de confiança, esse é o nosso principal problema.
Como esses problemas se manifestam para as pessoas na rua?
Em alguns países europeus, um quarto da geração jovem está desempregado. E mesmo quando as pessoas têm uma renda, é extremamente difícil formar capital. O grande perigo na Europa é que cada vez mais gente tem a impressão de que a globalização não está funcionando para elas ou de que os ganhos dos donos do capital são desproporcionalmente grandes. Acho isso perigoso, pois favorece aos movimentos extremistas.
Os adeptos de uma ordem econômica liberal dizem que no momento dinheiro suficiente está sendo impresso e distribuído de forma justa, e que os altos lucros do capital não são simplesmente tomados dos trabalhadores.
Mas a questão é: será que é bom para a eficiência do sistema econômico os executivos ganharem 10 milhões de dólares? Eu estudei os dados de cuidadosamente e não encontrei nenhuma prova de que isso faça sentido. Afinal de contas, são os custos com que o resto da economia arca, e que incidem sobre os salários baixos e médios.

Olhares sobre a Amazônia: Dossiê Acre

"Nada menos que 400.000 almas migraram assim no decorrer do chamado ciclo da borracha. Na região do rio Juruá, no extremo oeste do país, na fronteira com o Peru e os Estados do Acre e do Amazonas, no Brasil, os trabalhadores nordestinos se depararam com as tribos ameríndias, habitantes naturais dessas regiões, e o resultado se deu em violentos combates para se apossar dessas terras onde a seringueira é espontânea."
“Aqueles que vendem sol a prestações, os coqueiros, os palácios, a areia branca, nunca virão por aqui [...]. Aqui não tem nada!”
Quando Bernard Lavilliers falava assim do Brasil, há mais de 30 anos, ele falava da região central do Nordeste chamada Sertão. Mas o olhar sobre a Amazônia que lhes proponho aqui, tampouco está à venda pelos mercadores de sol...

Por Lucas Matheron*
Mas primeiramente, o que o Sertão tem a ver com a Amazônia?
Pois é nessa região semiárida perpetuamente castigada por longos períodos de seca – mal que os políticos nunca deram jeito de solucionar duravelmente – que se encontra mão de obra barata para as mais diversas finalidades. As grandes construções dos últimos cinquenta anos no Rio, Iguaçu, São Paulo ou Brasília, notadamente, deslocaram milhares de Nordestinos, mas essa reserva de mão de obra já tem sido utilizada no século XIX para o desenvolvimento da produção de látex e foi aos milhares que esses trabalhadores foram mandados colonizar a Amazônia, tal um eldorado para essas pessoas carentes de tudo.
Nada menos que 400.000 almas migraram assim no decorrer do chamado ciclo da borracha. Na região do rio Juruá, no extremo oeste do país, na fronteira com o Peru e os Estados do Acre e do Amazonas, no Brasil, os trabalhadores nordestinos se depararam com as tribos ameríndias, habitantes naturais dessas regiões, e o resultado se deu em violentos combates para se apossar dessas terras onde a seringueira é espontânea.
Esse desvio histórico nos traz à fonte do atual conflito cujas raízes se encontram, portanto, no século XIX. E é nessa região da Amazônia Ocidental que reencontramos Lindomar Padilha, coordenador do CIMI, já apresentado no meu artigo anterior [1] quando o escritório dele havia sido arrombado e saqueado.
Numa entrevista no Rádio Mundo Real – RMR [2], da rede internacional dos Amigos da Terra, Lindomar expõe alguns dos conflitos existentes na região de que cuida e aos quais ele toma parte para apoiar as comunidades indígenas. Ele denuncia, notadamente, que nesta segunda-feira 13 de outubro, um grupo de pistoleiros (milícias contratadas por fazendeiros) foram intimidar os índios de uma tribo Jaminawa, entrando na sua aldeia e atirando para cima, tribo essa que está em conflito para a demarcação das suas terras, das quais 7 grandes fazendeiros se recusam a sair, apesar da decisão da Justiça. Na mesma região do alto-Juruá, outro grupo Jaminawa, subgrupo Kayapuca, está em conflito com madeireiros que retiram madeira ilegalmente da reserva para levá-la para locais onde estes têm autorizações. Num outro local, grupos de não índios invadiram áreas da reserva e se recusam a se retirar. Constatam-se também cortes ilegais de madeira que está sendo levada para o Peru vizinho, bem como caça ilegal. Numa outra zona ainda, um grupo de índios até então isolados fez contatos recentemente para tentar escapar às pressões dos madeireiros e dos narcotraficantes.
Enfim, são muitos os conflitos existentes e, portanto, as origens possíveis das ameaças e das agressões sofridas pelo CIMI Amazônia Ocidental, agressão narrada no meu artigo anterior e que se reproduziu na madrugada desse domingo 12 de outubro, ou seja, três semanas depois da primeira, desta vez com bastante mais danos, tal como documentos queimados e equipamentos danificados. Lindomar salienta nessa entrevista que ele já foi vítima de ameaças de morte por telefone, tal como a coordenadora da Comissão Pastoral da Terra – CPT, outra organização ligada à CNBB [3], mais especificamente voltada para as comunidades camponesas.
Torna-se mais grave ainda nessas regiões em que a “lei” é frequentemente na mão dos poderosos que intimidam, e mesmo calam, as mídias locais, como o denunciou recentemente esse jornal regional online (Folha do Juruá) do qual reproduzo aqui alguns trechos: “Mas isso [a liberdade de imprensa] não é visto pelo os ditadores do Acre. Leandro Altheman [o jornalista suspendido por ter criticado o orçamento da renovação de uma praça da cidade] não é o primeiro a passar por esse tipo de arrogância dos poderosos da politica e comunicação do Acre. [...]os gestores não aceitam profissionais que falem a verdade.”
Como o salienta o Lindomar, que visitou a aldeia Jaminawa no fim de setembro [5] e conta os fatos, “As autoridades tem o nome e o endereço dos principais fazendeiros responsáveis pela contratação de capangas e, consequentemente responsáveis pelas ameaças, tentativas de assassinato e intimidações. A região de Sena Madureira, Estado do Acre [...] não pode se firmar como terra sem lei.”
É o porquê, entre outros motivos e na medida do possível, nós repassamos essas informações em redes nacionais e internacionais.
Dia 17 de outubro, uma manifestação de solidariedade é prevista na capital do Estado, Rio Branco, atendendo o chamado de várias organizações locais entre as quais da Universidade Federal do Acre, tanto pelos seus docentes que seus estudantes, o CIMI e a CPT, no intuito de pedir uma ação enérgica das autoridades a fim de preservar a integridade física e material daqueles que dedicam seu trabalho aos mais desfavorecidos, geralmente para preencher o vácuo deixado pelo poder público, e das próprias comunidades. Essa manifestação será coberta pelo rádio do MEC (Ministério da Educação e Cultura) do Rio de Janeiro, com uma entrevista especial do Lindomar Padilha no programa “Planeta Lilás” [6].
Pode parecer irrisório, com vista os conflitos armados que surgem em todo lugar do planeta, mas aí também mulheres e homens são ameaçados, agredidos ou mortos [7] e já é tempo, creio, de ultrapassar a midiatização da guerra para tentar favorecer, simplesmente, o bem-estar do homem, na escala do mundo. Com exceção das fofocas, a grande imprensa está ausente. Portanto, é do nosso dever de cidadãos, nacionais ou planetários, de nos levantarmos contra o arbitrário, onde quer que esteja e qualquer seja a forma que se expressa.
Notas
[1] Aquí
[2] Aquí
[3] La CPT travaille auprès des communautés paysannes, notamment « les femmes et les hommes qui luttent pour leur liberté et leur dignité sur une terre libre de la domination de la propriété capitaliste » comme le signale son site Internet [aqui]
[4] Aquí
[5] Aquí
[6]Le programme quotidien (du lundi au vendredi) « Planeta Lilás » est un espace de débats sur les questions de genre et de développement durable qui a vu le jour après la réunion des femmes de plusieurs réseaux ayant participé du Sommet des Peuples lors de la Conférence de Rio+20 en 2012 à Rio de Janeiro. [Aquí]
[7] Aquí
* Lucas Matheron, é ecologista, francês de origem, radicado no Brasil há 30 anos, tradutor independente nos idiomas francês e português. Membro da Aliança RECOS (Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras) desde 1999, da qual é coordenador de comunicação para os países francófonos. www.lucas-traduction.trd.br
Publicado originalmente em francês em Agora Vox

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Últimos 12 meses tiveram efeitos arrasadores para os direitos humanos

Declaração é do novo alto comissário da ONU para o tema, Zeid Al Hussein; ele fez um balanço dos esforços nessa área entre 2013-2014 durante reunião em Nova York.
Zeid Al Hussein. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré
Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.
A carnificina na Síria, a nova onda de barbaridades no Iraque, o conflito na Ucrânia e o banho de sangue que poderia ter sido evitado no Sudão do Sul, além da crise do ebola, foram destacados pelo novo alto comissário de direitos humanos das Nações Unidas, Zeid Al Hussein.
Nesta quarta-feira, ele fez um balanço sobre o trabalho da área entre 2013-2014. Para Zeid, as crises e conflitos tiveram efeitos arrasadores para a situação dos direitos humanos no mundo.
Corrupção
O alto comissário afirmou que o direito ao desenvolvimento de todos os cidadãos está sendo ameaçado por políticas de austeridade que colocam, de forma desproporcional, o fardo sobre os ombros do mais pobres e marginalizados. Zeid também destacou o papel destruidor da corrupção e de falhas em priorizar os serviços públicos a quem precisa.
Ao lembrar a perda de vidas por naufrágios com migrantes, o alto comissário disse que esse grupo continua sofrendo. E em alguns países, as mulheres têm sido atacadas de forma violenta, enquanto outros Estados não conseguem manter os princípios da igualdade de gênero.
Zeid Al Hussein voltou a defender o trabalho de relatores e especialistas de direitos humanos lembrando que embora eles sejam independentes do Escritório de Direitos Humanos, fazem um trabalho que chamou de "heroico" na área.
Exclusão
Ao comentar os protestos de rua que ocorreram nos últimos 12 meses em vários países, o alto comissário da ONU disse que o motivo, na maioria dos casos, são o aumento da desigualdade e a exclusão político-social e econômica de grupos à margem da sociedade.
Policiais reagem a protestos de rua. Foto: Jeffrey Alan Miller
Para ele, os direitos humanos têm de estar no centro de todo o trabalho das Nações Unidas, como já foi reafirmado pelo próprio secretário-geral da organização. Zeid disse que ao analisar as crises com as quais a ONU se confronta, frequentemente se observa um misto complexo de violações de direitos políticos, econômicos, civis e outros.
Ao comentar o trabalho do Escritório da ONU de Direitos Humanos, ele destacou a dedicação dos funcionários da casa, que têm presença em 68 representações no terreno.
Três Pilares
Ele citou a missão enviada ao Mali, à Ucrânia como também a áreas remotas da República Centro-Africana.
Ao destacar o que chamou de um orçamento inadequado para a área de direitos humanos, o novo alto comissário lembrou que violações e abusos de direitos humanos geram crises e conflitos explosivos, e que o custo de banhos de sangue para economias e ajuda humanitária são enormes.
Zeid Al Hussein afirmou que os direitos humanos são um dos três pilares das Nações Unidas, ao lado de paz e segurança e do desenvolvimento. Mas segundo ele, o pilar dos direitos humanos recebe 87% menos que as missões de paz e 84% a menos que o desenvolvimento.