"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Carta aberta de Boaventura de Sousa Santos às autoridades brasileiras

"Apoio aos povos indígenas e repúdio à PEC 215/2000

Senhora Presidente Dilma Rousseff,
Senhoras Deputadas e Senhores Deputados,
Senhores Ministros,

Estatísticas oficiais estimam uma população de cerca de 900 mil indígenas no Brasil. São, ao todo, 305 povos que se comunicam em 274 distintas línguas. Esta incomensurável diversidade sociocultural de saberes e de práticas está em risco, com a aprovação da PEC 215/2000. A magnitude do que está em causa não pode ser subestimada. É um novo genocídio depois do que foi levado a cabo pelos colonialistas. E por essa razão estou consciente de medir bem as palavras quando afirmo que podemos estar perante um verdadeiro atentado contra a humanidade. Explico-me.

Autoridades brasileiras estão diante de uma decisão que pode abalar definitivamente a garantia dos direitos dos povos indígenas no país. Parlamentares da chamada bancada ruralista, que representa os grandes proprietários de terra no Congresso Nacional, tentam se valer do uso intensivo de forças policiais, de diversos “atalhos” quanto ao regimento e das mais variadas manobras políticas para tentar aprovar a todo e qualquer custo, no apagar das luzes desta legislatura ainda em andamento, parecer favorável à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000, que retira do Poder Executivo e transfere para o próprio Legislativo a prerrogativa das demarcações de Terras Indígenas (TIs).

A PEC 215/2000 é um golpe frontal e impiedoso às vidas dos povos indígenas, pois tende a destituir as comunidades, na prática, da posse permanente de seus respectivos territórios (tradicionalmente ocupados) e do usufruto exclusivo das riquezas dos solos, dos rios e dos lagos nela existentes (devidamente previstos no art. 231 da Constituição de 1988). Caso venham a depender de uma obrigatória anuência por parte de membros do Parlamento, processos referentes a terras indígenas estarão definitivamente fadados à reprovação.

Assinado pelo deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), o parecer favorável à aprovação da PEC 215 na Comissão Especial vai ainda mais longe: abre a possibilidade para intervenções e modificações retroativas até mesmo em árduas e complexas demarcações já concluídas, além de estender também seu escopo para as regularizações de territórios quilombolas e de Unidades de Conservação (UCs). Não por acaso, indígenas de distintas regiões do país têm se mobilizado em atos públicos e protestos permanentes contra a proposta que os ruralistas teimam em tramitar de modo acelerado (para que não tenha que ser reavaliada ano que vem) na Câmara dos Deputados.

Tamanha é a arbitrariedade em torno da PEC 215/2000 que representantes e lideranças indígenas têm sido ostensivamente impedidas até de acompanhar as sucessivas sessões “públicas” nas quais a matéria está sendo analisada. Policiais chegaram a conter indígenas e apoiadores da causa dentro de uma sala da Comissão de Direitos Humanos, impedindo a saída do grupo. Aparatos foram acionados para obstruir a circulação e o ingresso de representantes dos povos nas dependências do Congresso; houve ações de dispersão de manifestantes (com disparo de spray de gás de pimenta) e até mesmo prisões foram efetuadas próximas ao Ministério da Justiça, onde se buscava agendar uma reunião para tratar do assunto.

Como se não bastasse, os próprios integrantes da Comissão Especial da PEC 215/2000 estão sob suspeita de participação em esquema ilegal de invasão de terras indígenas e de aproveitamento de parecer jurídico “patrocinado” por fazendeiros do Mato Grosso. A Justiça Federal do Mato Grosso enviou processo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a corte máxima investigue os possíveis envolvimentos no caso tanto do relator Osmar Serraglio como do deputado Nílson Leitão (PSDB-MT), que vem a ser vice-presidente da comissão com parte substantiva de políticos com campanha financiada por empresas do agronegócio.

Tudo leva a crer que os ruralistas devem insistir na tentativa de aprovar a PEC 215/2000 até a próxima semana, quando se encerram as atividades legislativas. É fundamental, portanto, que o conjunto de autoridades e de entidades competentes que não pactuem com o cerceamento definitivo dos direitos indígenas atuem de forma concreta e efetiva para que o intento seja repelido em definitivo. Sinalizações de desacordo com a proposta, como a que subscreveu o Palácio do Planalto, são relevantes, mas é preciso mais empenho de agentes e coletivos políticos com compromisso social para sepultar os perigosos impulsos anti-indígenas. Além da própria Constituição Federal, instrumentos relevantes como a Convenção 169 da OIT e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas estão sendo solenemente ignoradas pelo ímpeto capitalista e colonial contido na referida matéria.

Em junho passado, uma comitiva de sete lideranças de diferentes etnias e regiões, a maior de sempre em Portugal, tendo à frente a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), esteve presente na Universidade de Coimbra para participar do Colóquio Internacional “Território, Interculturalidade e Bem-Viver: as lutas dos povos indígenas no Brasil”, organizado pelo Centro de Estudos Sociais no âmbito do Projeto ALICE (www.alice.ces.uc.pt), sob minha coordenação. Naquela ocasião, firmou-se um compromisso (Carta de Coimbra) de estreitamento de laços em torno de ações concretas em defesa dos direitos dos povos aos seus territórios ancestrais. É para honrar este compromisso que me dirijo-vos. E faço-o na convicção de que, os sacrificados povos indígenas, ao defenderem os seus territorios do avanço desenfreado do agronegócio e da exploração insustentável dos recursos naturais, estão a defender o futuro dos meus filhos e netos, o futuro dos vossos filhos e netos.

Boaventura de Sousa Santos
Coimbra, 17 Dezembro 2014

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Nada a esperar de Robinson Faria, melhor não.

Foram diplomados aqui no Rio Grande do Norte os eleitos no pleito de Outubro; diplomação sem novidades, a não ser o assalto ao vice-governador eleito (Fábio Dantas) na porta do apartamento do governador (Robinson Faria) um dia antes do ato simbólico; as eleições, como sempre, fora uma mundiça e o Estado precisa enfrentar questões seríssimas; não há expectativas a serem nutridas.

Ainda em 2013 Robinson Faria assumia a presidência do PSD no RN para sair à mídia, apareceu defendendo uma cópia do Ronda no Quarteirão cearense e, mesmo sendo o vice-governador da desastrosa Rosalba Ciarline ou apesar disso não gerava confiança eleitoral. Podia muito bem estar na chapa de Henrique Alves, como trocaram farpas em uma debate na TV durante a campanha, mas saiu com o PT, muito atrás nas pesquisas; revertera o quadro, tendo muito em conta a debilidade de Henrique, venceu com promessas de fazer uma Administração "inovadora".

Henrique Alves disputou reunindo em sua coligação todos os oligarcas do RN, reuniu uma massa de prefeitos à procura de benesses, na política suja da troca de favores e perdeu. Campanha na zuada, no pagamento dos carregadores de bandeiras pelas ruas que menos empolgou pessoas na história, mas ainda levou.

A situação do estado é catastrófica: educação pública com indicadores na lama; segurança pública sucateada no meio da ascensão da violência, o RN é um dos estados onde as taxas de homicídio mais cresce no país, explosões de caixas eletrônicos são quase diárias; assaltos viram "rotina";  a produção econômica se baseia essencialmente no comércio urbano e os danos ambientais são inúmeros e por motivos de desleixo.

Em 2011 Rosalba assumiu prometendo fazer uma gestão de alto nível e logo no primeiro ano mostrou-se o fracasso que seria, inúmeras greves levaram a uma piada na internet chamando o estado de Rio Greve do Norte; a educação não conseguiu suprir a demanda de professores e escolas foram fechadas quando precisavam ser abertas; professores cedidos para outros órgãos mostra o fiasco administrativo na base do apadrinhamento. Rosalba fez uma série de empréstimos e a infra-estrutura do estado não progrediu em nada.

Será que Robinson teria braço para reverter os empregos de apadrinhamento, os comissionados e os cedidos e realinhar uma estrutura administrativa decente? Melhor não acreditar para não cair na ilusão; o que deve acontecer são obras com verbas federais tendo como "agente" a senadora petista Fátima Bezerra. Robinson deve efetivar um Ronda no Quarteirão, que no Ceará coincidiu com o aumento nas taxas de homicídio, inclusive, tendo escândalo de morte de inocente; mas as polícias são precárias, sem estrutura e as convocações são dificultadas, apesar de sempre prometidas, pelo inchaço ineficaz da administração.

O legislativo estadual é depravado e mumificado no tempo; são forças que atuam sempre puxando para si, não querem, nem precisam modernizar o estado. Veremos em breve como o PMDB se posicionará com relação ao governo, em 2011 iniciou fazendo oposição e logo m seguida foi ser governo por cargos.

Desde a emenda da reeleição só Rosalba não conseguiu o feito no RN, sequer foi candidata, e são reeleiçõ podres; o estado é muito acanhado, uma gestão praticada em todos os setores de maneira ineficiente e precária; sendo importante, cada vez mais exigir mudanças profundas e estruturantes e não só vibrar om inaugurações de qualquer obra. Vamos ver como será o ano de 2015.

Yoani Sanchez - Golias abre a carteira

Yoani Sánchez: uma nova era para Cuba e os Estados Unidos

Havana, Cuba. Credit Desmond Boylan / Associated Press

HAVANA - Em uma das minhas primeiras lembranças, eu estou em uma escola ante uma fogueira. As crianças estão gritando e pulando em torno dela, enquanto o professor alimenta as chamas, onde um ridículo Tio Sam fantoche está queimando. Esta imagem me veio à mente na quarta-feira, enquanto ouvia os discursos de Raúl Castro e Barack Obama sobre o restabelecimento das relações entre Cuba e os Estados Unidos.

Gerações de cubanos têm crescido sob a barragem de propaganda oficial contra os Estados Unidos. Como as palavras dirigidas contra nosso vizinho ao norte se tornou mais agressiva, a nossa curiosidade só cresceu. Esmagado pela precariedade material, desiludido porque as chamadas reformas de Raúl não conseguiram preencher suas carteiras ou seus pratos, os cubanos agora sonham com a pausa material que pode chegar do outro lado do estreito da Flórida. Sem uma luta, David, sorrindo, caminha em direção a Golias, que está prestes a abrir sua bolsa de moedas. O mito de que o inimigo é longo; a difícil realidade de convivência começou.

Sara é uma professora que eu sei em uma escola primária na Praça do Município Revolução. Sem a ajuda enviada por sua filha a cada mês ela não poderia sobreviver. "Agora tudo será mais fácil, especialmente porque nós vamos ser capazes de usar cartões de crédito e débito americanos aqui e minha filha está pensando em mandar-me um que eu possa obter um pouco de ajuda sempre que eu precisar dele", disse ela.

Sara decorou sua sala de aula com um cartaz que inclui imagens dos "Cinco," espiões a quem a propaganda oficial considera heróis. (Os norte-americanos libertados os últimos três deles como parte de uma troca por um cubano que tinha trabalhado como agente de inteligência americana). "Eles estão de volta, por isso vamos ter de mudar o quadro de avisos," ela disse com emoção e alívio .

Bonifacio Crespo ajuda a um irmão com contabilização de seu restaurante privado em Havana. Eles já têm um novo plano de negócios. "Nós temos os contatos para iniciar a importação de matérias-primas, especiarias e muitos produtos para o menu, tudo o que precisamos é  expandir o envio de pacotes a partir de lá", disse ele, com o dedo apontando para um ponto cardeal que ele acreditava ser o norte.

José Daniel Ferrer, um dissidente, disse que Havana tinha perdido o seu "álibi" para a repressão política e controle econômico, e a revista independente Convivência (Coexistência) congratulou-se com a notícia, mas outros dissidentes temem que o governo ainda tenha de especificar o que vai fazer.

A tensão entre os dois governos durou tanto tempo que agora algumas pessoas não sabem o que fazer com os seus slogans, seus punhos levantados contra o imperialismo e sua tendência doente para justificar tudo, de secas a repressão, por motivos de estar tão perto "do país mais poderoso do mundo." A pior situação são os membros mais recalcitrantes do Partido Comunista, quem morreria antes de mascar um chiclete, beber uma Coca-Cola ou colocar o pé na Disney World. O primeiro secretário da organização apenas traiu. Ele fez um pacto com o adversário, por trás das cenas de mais de 18 longos meses.

Na quinta-feira, o jornal do partido, Granma, era lento para chegar às bancas. Às vezes é tardio, quando Fidel Castro publica um de seus artigos delirantes sobre a imensidão da galáxia ou a memória de Hugo Chávez. Nos longos minutos de espera, muitos especularam que Granma chegaria com uma reflexão a partir do comandante, mas não havia nada. Não há provas de que iria deixar-nos saber se ele é a favor ou contra o passo arriscado apenas levado por seu irmão. Muitos leram este silêncio como um sinal de seu delicado estado de saúde, mas não dizendo nada, ele confirmou a sua morte política, o que é ainda mais revelador e simbólico do que sua morte física será.

A primeira é a libertação imediata dos presos políticos - há mais de 100, estima Elizardo Sánchez da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional. Em segundo lugar está a ratificação dos pactos das Nações Unidas de direitos humanos. O terceiro é o desmantelamento do aparato de repressão: assaltos vergonhosos nos chamados contra-revolucionários, detenções arbitrárias, demonização e intimidação daqueles que pensam de forma diferente e vigilância policial de ativistas.

Finalmente, o governo cubano deve aceitar a existência de estruturas cívicas que têm o direito de expressar opiniões, decidir, questionar e escolher - vozes que não foram representadas nas negociações em curso entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos. O roteiro elaborado por seus superiores tem sido escondida de nós.

Uma oportunidade foi oferecida, apesar das críticas válidas de muitos que questionam se o Tio Sam admitiu demais, enquanto o seu homólogo era muito avarento para oferecer gestos políticos significativos. A sociedade civil deve aproveitá-la, elevar a sua voz, testar os novos limites de repressão e censura.

Todo mundo está passando por essa mudança em sua própria maneira: Sara, sonhando com seu cartão de débito novo; Bonifacio, que especula sobre os pratos que ele vai ser capaz de incluir em seu menu com novos ingredientes importados; José Daniel Ferrer, que espera aumentar o ativismo na parte oriental do país. Para todos, uma nova era começou. Não podemos confirmar que vai ser melhor, mas pelo menos vai ser diferente.

Yoani Sánchez, blogueira, é a diretora do 14ymedio , uma tomada de notícias digitais independente em Cuba. 

A teoria e a doutrina

Os religiosos agora precisam dar provas incessantemente para os ateus ou traduzir o que a ciência diz para os termos da crença. A religião teve que, inevitavelmente, se contorcer à ciência; a punição a Galileu era mero desespero; então, ela aceita, introduz nos seus dogmas. Albert Einstein dizia que não tem por que haver disputa entre ciência e religião, para ele na medida em que a ciência avança a religiosidade se torna mais "limpa", ou seja, desprovida de superstições.

Para Spinoza as escrituras nunca passavam de senso comum de dada época em que foram escritas e que não deviam ser usadas para passar-nos verdade absoluta, o desprendimento ocidental da tirania da doutrina; Spinoza foi excomungado pela sinagoga de Amsterdã, mas não foi à fogueira. E hoje já excomungar, evidentemente, não serve mais; a religião é que tem que aceitar os termos da ciência para não ser excomungada.

A musa dos cientistas de nossa época, Lisa Randall, tem uma forma de expor suas teses dando ensejo à uma abertura constante, não acredita em saber eterno, apenas em modelos testáveis e que devem todos vir a ser ultrapassados. Atua na distinção entre teoria e doutrina feita pelo filósofo francês Edgar Morin, a primeira aceita ser refutada, enquanto que a segunda procura engolir tudo para não ser expurgada do posto da verdade.

Na briga entre ateus e crentes a ciência prova a não existência de deus enquanto, para o ateu, e o milagre prova a sua existência, mas como nenhum lado consegue abafar o outro eles precisam usar as demonstrações. Mas uma coisa é certa, todos temos que aceitar a ciências, mesmo os que dizem não acreditarem na ciência usam meios de comunicação propiciados por ela, evidentemente, quem diz isso o faz com relação à retórica e não às descobertas.

A forma de manifestação religiosa que vai se tornando cada vez mais comum é a livre de pertencimento a entidades religiosas, o sujeito professa sua crença a si mesmo. O Papa católico precisa envolver-se em assuntos políticos por toda a parte de forma retórica, pois, seu poder temporal vai se esgotando e; as seitas evangélicas, essas, precisam adentrar na política para barrarem questões que consideram contra as escrituras por eles interpretadas para tudo.

O petróleo, o rublo e o fantasma da deflação

Todas as agências internacionais de energia acham que os preços do petróleo e do gás permanecerão nestes novos mínimos durante vários anos. O colapso do preço do petróleo pôs a nu a debilidade da economia russa. 

Por Michael Roberts

Putin ofereceu uma amnistia completa aos oligarcas que têm estado a tirar o seu dinheiro da Rússia
Os preços do crude caíram em poucos meses para os mínimos dos últimos cinco anos. E a razão é clara: trata-se da oferta e da procura! Pelo lado da oferta, o desenvolvimento mais significativo foi o grande crescimento da produção de petróleo e de gás de xisto na América do Norte, principalmente nos EUA.
As reservas de petróleo e gás encontram-se no interior de camadas de xisto e podem ser libertadas por um processo hidráulico de injeção de água sob pressão chamado fracking. Através da utilização de centenas de equipes de perfuração em rápida sucessão, a rocha de xisto pode produzir importantes fornecimentos de petróleo e gás natural comprimidos - e este processo no Dakota do Norte, no Texas e noutras áreas dos Estados Unidos deu a volta por completo à produção de petróleo nos EUA. A produção de petróleo nos Estados Unidos tinha-se baseado até agora nas reservas conhecidas de petróleo profundo no Texas, na Luisiana e no Golfo de México. A produção norte-americana estava em decadência desde meados da década de 1970 com 4 milhões de barris por dia (mbd) e em redução. Mas graças ao fracking, a produção anual disparou de novo até aos 9 mbd, recuperando os picos anteriores. O fracking de gás e petróleo comprimidos está a estender-se a todo o mundo e os países com grandes reservas de xisto querem explorá-lo na Polônia, na China, na Europa e até no Reino Unido.
O outro lado da equação de preços é a procura. A procura mundial de energia, em particular o petróleo, reduziu-se. Principalmente porque o crescimento econômico mundial desacelerou desde o fim da Grande Recessão. A China tomou a iniciativa travando o crescimento, juntamente com as outras grandes economias emergentes, como o Brasil e a Índia; e as principais economias capitalistas avançadas continuam a funcionar em 'marcha lenta'. As indústrias estão a aumentar o uso de combustíveis fósseis a um ritmo mais lento do que o esperado, enquanto a procura de transporte está em queda (os norte-americanos conduzem menos). A poupança de energia intensificou-se e a intensidade energética (energia por unidade de produto) está a cair em todo o lado. Todas as agências internacionais de energia acham que os preços do petróleo e do gás permanecerão nestes novos mínimos durante vários anos.
Os maiores perdedores são os países que dependem das exportações de energia: Arábia Saudita, o resto dos estados petrolíferos árabes, a super-rica Noruega, a super-pobre Venezuela, México e, sobretudo, Rússia. Os sauditas lançaram uma contraofensiva. Com mais de cinco vezes as reservas de xisto norte-americano, estão a atacar os produtores de xisto mediante o aumento da produção, com o fim de reduzir o preço até ao ponto em que os produtores de xisto comecem a perder dinheiro (os seus custos de produção são muito mais altos que os sauditas: de 50 dólares a 25 dólares por barril). Mas até agora não funcionou e a produção de xisto continua a aumentar. Mas a política da Arábia Saudita está a destruir as receitas de outros produtores da OPEP como Venezuela e Rússia.
Putin poderia ter feito face ao 'Ocidente' em relação à Ucrânia e negar-se a ceder, mas o Ocidente vai ganhando a batalha econômica e o preço do petróleo tem sido a sua arma principal. O colapso do preço do petróleo pôs a nu a debilidade da economia russa.
Colapso do preço do petróleo põe a nu debilidade da economia russa
Há apenas um ano, as reservas de dólares da Rússia graças às suas exportações de energia eram de mais de 515 bilhões de dólares. Agora, como as rendas do petróleo se dissiparam e as sanções impostas pelo Ocidente à Rússia, por causa da Ucrânia, foram aplicadas, o superavit comercial da Rússia diminuiu e a fuga de capitais, dos oligarcas e de outros para fora da Rússia, disparou até aos 120 bilhões de dólares por ano. Como resultado, as reservas de divisas caíram abaixo dos 400 bilhões de dólares e o rublo afundou-se em relação ao dólar 40% neste ano, provocando um forte aumento da inflação e a escassez de bens importados.
400 bilhões de dólares são ainda muitas reservas e o Banco Central da Rússia (BCR) tentou sustentar o rublo vendendo os seus dólares e comprando moeda russa nos mercados cambiais. Mas não funcionou. De modo que o BCR simplesmente deixou cair o rublo para poupar dólares. E o rublo afundou-se ainda mais. Agora começou novamente a comprar rublos com as suas reservas para deter a queda, de novo sem sucesso.

A política do BCR é intervencionista. E isto preocupa Putin, que começou a criticar as suas próprias nomeações no BCR. O problema é que grande parte dessas reservas não se podem utilizar para sustentar a moeda porque devem manter-se fundos suficientes para cobrir os pagamentos das importações essenciais (o FMI recomenda um mínimo de três meses do valor das importações). Se as reservas caem abaixo desse nível, o rublo entrará em crise, já que os credores estrangeiros (principalmente os bancos europeus) retirarão o seu dinheiro. A queda do rublo implica também que todas as empresas russas com grandes dívidas e empréstimos em dólares, em particular os bancos russos, terão que assumir enormes faturas em dólares que não podem pagar.















Segundo o Banco Central da Rússia, o país tem que pagar 30 bilhões de dólares de dívida este mês e mais 138 bilhões nos próximos 18 meses. Só 2% dessa dívida é do governo, enquanto as empresas não financeiras representam mais de 60%, o resto pertence principalmente a dívida bancária, incluindo o maior banco da Rússia - o banco estatal Sberbank.

De modo que estão a pedir (e a obter dinheiro) do governo para serem resgatados. A gigantesca petrolífera estatal Rosneft, por exemplo, pediu 44 bilhões de dólares, o que equivale a mais de metade do saldo restante do chamado Fundo de Bem-estar, que se destina a apoiar o sistema de pensões. VTB Bank e Gazprombank já conseguiram mais de 7 bilhões de dólares do Fundo de Bem-estar e estão a pedir bilhões mais. Se as reservas de divisas e os fundos forem utilizados para resgatar os bancos, não terão outro remédio senão abandonar os projetos planejados de infraestruturas e as pensões estarão ameaçadas. E a margem do limite de três meses de importações estreitar-se-á. Ao ritmo atual de diminuição das reservas de divisas, esse teto poderá ser atingido no verão de 2015.
Putin propõe anistia total para capital que regresse à Rússia
O discurso anual de Putin no Parlamento russo na semana passada mostrou até que ponto está preocupado. Inclusive ofereceu uma anistia completa aos oligarcas que têm estado a tirar o seu dinheiro da Rússia, em grandes quantidades, nos últimos meses. “Proponho uma anistia total para o capital que regresse à Rússia”, disse Putin. “Sublinho, anistia total.” “Significa”, continuou,“que se uma pessoa legaliza os seus ativos e propriedades na Rússia, receberá garantias jurídicas firmes de que não vai ser convocado pelas instituições, incluindo pelas agências encarregadas de aplicar a lei, que não o vão 'pôr num aperto' nem lhe vão perguntar pela origem do seu capital e como o adquiriu, que não vai ser processado ou enfrentar responsabilidade administrativa alguma, nem será questionado pela agência tributária ou pela polícia”.
Na Rússia, dois dos principais grupos de pessoas que têm grandes quantidades de capital no estrangeiro são os grupos criminosos organizados e os chamados oligarcas. Ao sublinhar que não haverá perseguição, Putin pareceu deixar explicitamente aberta a porta ao dinheiro obtido ilegalmente. “Dirige-se a gente que saqueou as empresas”, afirma a professora Louise Shelley, fundadora e diretora do Centro sobre terrorismo, delinquência transnacional e corrupção da Universidade George Mason em Fairfax, Virginia. “Há milhares de casos de pessoas que utilizaram mecanismos criminosos e documentos falsos para adquirir ativos. Está a dirigir-se ao crime organizado que se apoderou de empresas”. E acrescenta: “Nenhuma das grandes fortunas russas é dinheiro totalmente limpo”.
Supondo que o preço do petróleo estabiliza em torno de 60 dólares por barril no próximo ano, Putin pode evitar uma crise da dívida no próximo verão, se for capaz de pressionar as grandes empresas russas a comprar rublos com as suas receitas das exportações em dólares (uma forma de controle de capital) e resgatar os bancos com reservas do governo. Putin está a fazer precisamente isso. Mas isso não quer dizer salvar a economia interna. As sanções, juntamente com o colapso dos preços do petróleo, empurraram a economia russa para a recessão. O governo admite que a economia se contrairá 1% no próximo ano, o investimento cairá 3,5% e o rendimento médio das famílias reduzir-se-á cerca de 3% num ano. De fato, pela primeira vez em 15 anos, o nível de vida do russo médio cairá em 2015. Foi imposto o congelamento dos salários, desindexados da inflação, mas esta cresce quase 10% por ano.
Putin pode ser muito popular por causa da sua política externa em relação à Ucrânia e ao seu confronto com o Ocidente, mas a sua popularidade cai por causa da sua política interna. Aproxima-se a austeridade à russa. A despesa pública aumentou em média 10% por ano na última década, mas agora será travada. Cortar despesas militares e de polícia é politicamente impossível porque Putin precisa do apoio do aparelho de segurança em caso de mal-estar social. Isto significa que o governo terá que atacar os investimentos, os lucros e os salários. Na semana passada, Putin anunciou um corte de 5% em termos reais de 2015 até 2017, mediante a redução da “despesa ineficaz”, à exceção da defesa e da segurança. Putin costumava prometer aos russos que o seu país superaria a Alemanha como a quinta economia maior do mundo em 2020. Em maio de 2012, assinou um decreto prometendo aumentar os salários reais em 50% até 2018. Essas promessas agora já não valem.
Putin continua a confiar na sua política em relação à Ucrânia para a sua popularidade, mas a economia da Ucrânia está ainda pior. As reservas do banco central da Ucrânia caíram abaixo da barreira dos 10 bilhões de dólares pela primeira vez desde 2005 depois de pagar o gás à companhia russa Gazprom. O FMI provavelmente desembolsará outros 2.7 bilhões de dólares para salvar o governo de Kiev. Mas é evidente que a Ucrânia precisa de outros 20 bilhões de dólares nos próximos dois anos para financiar a guerra no Leste e para o serviço da dívida. Uma missão do FMI chega amanhã para planificar um plano de austeridade massivo para o povo da Ucrânia em troca desse financiamento.
O fantasma da deflação mundial
Mas provavelmente o aspecto mais importante da queda do preço do petróleo é o fantasma da deflação mundial. A inflação mundial tem sido muito baixa desde a Grande Recessão, outro indicador da Longa Depressão em que se afundou a economia mundial. A inflação que tem havido deve-se à forte subida dos preços da energia. Os aumentos de preços não energéticos têm sido mínimos. Agora, com a forte queda da energia e de outras matérias primas (metais, alimentos, etc.), a deflação é um espectro que paira pelo mundo.


A Oxford Economics calcula que se os preços do petróleo caírem para 40 dólares por barril, 41 dos 45 países assinalados sofreriam deflação.

Há quem diga que é uma boa notícia. Essa é a linha de alguns economistas neoclássicos e da escola austríaca. A queda dos preços, sobretudo de energia e alimentos, aumentaria o poder aquisitivo dos consumidores e ajudaria a impulsionar a procura e o crescimento econômico.
Mas para a rentabilidade do capital é uma má notícia. A inflação dos preços de produção das empresas é outra tendência que contrabalança temporariamente a queda da rentabilidade. Se desaparecer, então a pressão para a baixa na rentabilidade de qualquer novo investimento em tecnologia será maior à medida que a queda de preços apertar as margens de lucro. Nesse sentido, a deflação não é uma boa notícia para o setor capitalista, sobretudo se tem pesadas dívidas (as pequenas empresas, em particular). Assim a crise que se está a formar para as empresas russas pode arrastar outros países. Poderá ser outro fator que empurra para uma nova recessão global, desta vez baseada no setor produtivo não financeiro do capitalismo.
Artigo de Michael Roberts* publicado no blogue The Next Recession, traduzido para espanhol por Gustavo Buster para snpermiso.info e para português por Carlos Santos para esquerda.net


* Michael Roberts é um economista marxista britânico, que trabalhou 30 anos na City de Londres como analista econômico.

Rumo à Cuba pós-embargo

Milhares de norte-americanos visitarão a ilha, inclusive para tratamentos de saúde. País está pronto? Como a população se prepara? 

Artigo de Leonardo Padura.

Por enquanto, o embargo/bloqueio continua em pé, embora não se detenham os preparativos nem se percam as esperanças de ver o fim de algo que, para os cubanos comuns, tem sido um de seus pesadelos mais dilatados no tempo

Uma enorme marina, capaz de abrigar umas mil embarcações de recreio, foi construída no extremo da península de Hicacos, de onde domina a praia de Varadero e, graças a ela, o polo turístico mais importante de Cuba, pela quantidade de hotéis e de quartos que possui.
A uns 200 quilômetros a leste do balneário, na baía de Mariel, foi inaugurado um porto para supercargueiros e manuseamento de grandes contentores, em em volta do qual se criou uma “Zona Especial de Desenvolvimento”, na qual espera-se que funcione uma zona franca que abrigará inclusive diversas indústrias.
Enquanto isso, um pouco mais ao norte, na redação do influente The New York Times, quase com uma frequência semanal, foram saindo editoriais – não artigos, mas editoriais – nos quais, de forma direta ou indireta, convincente ou contraditória, o grande tema é a necessidade de que se termine ou se flexibilize o embargo decretado pelos Estados Unidos a Cuba, inclusive convertido em lei desde a década de 1990. A reivindicação ao presidente Barack Obama, para que faça algo a respeito do velho instrumento de pressão criado para acabar com o projeto socialista cubano, tem um argumento fundamental: mais de 50 anos de bloqueio não lograram o objetivo de acabar com o sistema cubano e os norte-americanos deveriam ter o direito de visitar Cuba livremente.
Desde que assumiu a presidência, há seis anos, Obama anulou toda uma série de restrições que impediam relações pessoais e até econômicas mais fluidas entre as famílias cubanas localizadas num e noutro lado do Estreito da Flórida, e incrementou-se o número de vistos concedidos aos moradores da ilha. Mas, ao mesmo tempo, durante o seu governo certos instrumentos do embargo (alguns de caráter extraterritorial norte-americano) tornaram-se ainda mais ativos, especialmente no campo das finanças e dos bancos, com multas aplicadas e ameaças, inclusive aos comerciantes chineses, que estão entre os mais próximos a Cuba e entre os mais interessados em explorar as possibilidade que a ilha possa oferecer: agora e amanhã.
No mundo da opinião sobre as relações Cuba-EUA, todos têm suposições a respeito do que está ocorrendo e do que possa ocorrer. Mas as opiniões e especulações não mudam a realidade, muito embora na realidade já se advirtam sinais de que se espera que algo ocorra no processo de descongelamento dos laços comerciais e financeiros entre os dois países, inclusive entre os diplomatas. E, do lado cubano, aí está o porto de Mariel e a sua Zona Especial de Desenvolvimento, mas, sobretudo, os ancoradouros ainda vazios da grande marina construída em Varadero, para receber quem?
Mesmo que o destino final do embargo pareça decretado – não é nada casual esta rajada de editoriais de The New York Times –, o seu desmonte não será fácil para o presidente norte-americano: a decisão final não é só sua, por se tratar de uma lei do país. Mas, dentro desse marco legal, se são suas determinadas prerrogativas que poderiam retirar alguns dos tijolos do muro, e por isso quase todos os analistas concordam que o primeiro passo poderia ser, precisamente, a retirada da proibição de viajar a Cuba que pesa sobre os cidadãos dos Estados Unidos – além de outras muito agressivas como a inclusão de Cuba na lista dos países promotores do terrorismo.
A partir do momento que essa decisão seja adotada por Obama, o fluxo de norte-americanos que viajem a Cuba por desejo, curiosidade e até doença deverá contar-se em milhões. Além de toda a carga histórica, cultural e política que moveria essa avalanche, está o fato certo de que Cuba é, sem dúvida, o país mais seguro da América Latina para qualquer visitante e este é um valor turístico dos mais apreciados.
E Cuba está realmente preparada para um movimento assim? Nas últimas duas décadas o desenvolvimento das instalações turísticas cubanas foi exponencial quanto à quantidade de quartos e opções. Mas, ao mesmo tempo, a qualidade da oferta turística da ilha ainda está muito distante da que oferecem outros países da região e do que costumam exigir os norte-americanos (entre outras razões pelos 10-15% que como gorjeta adicionam ao pagamento dos serviços que recebem). E o problema não está no fator humano, pois o empregado de turismo cubano é, possivelmente, um dos mais instruídos do mundo, já que muitos profissionais emigraram para este setor atraídos pelos ganhos individuais que se mostram, sem dúvida, maiores que os oferecidos pelos salários oficiais cubanos. O cerne da questão parece estar na qualidade do material: alimentos, bebidas, comodidades (ar condicionado, elevadores, etc.) que muitas vezes estão muito abaixo dos padrões admissíveis.
Mas, como um exército silencioso, também o setor privado cubano, especialmente o relacionado com a gastronomia e a hospedagem, parece preparar-se para a possível avalanche. Por isso, nos lugares privilegiados de cidades como Havana crescem e se multiplicam restaurantes que, claramente, não estão projetados para os consumidores cubanos – em primeiro lugar em virtude de seus preços e, a olhos vistos, pelos investimentos que seus proprietários neles realizaram. Ao mesmo tempo preparam-se e abrem-se albergues ou apartamentos para aluguer. Esperam realizar a sua grande colheita com uma multiplicação do número de visitantes a Cuba, que poderia ser provocada pela retirada das restrições norte-americanas às viagens de seus cidadãos.
Todos estes preparativos, todos estes editoriais, todas as reivindicações históricas do governo cubano e até da comunidade internacional terão afinal uma recompensa? O ar que se respira parece dizer que sim. O silêncio presidencial norte-americano – um governo que enfrenta outros muitos e bem complexos desafios – alimenta a dúvida. Por enquanto, o embargo/bloqueio continua em pé, embora não se detenham os preparativos nem se percam as esperanças de ver o fim de algo que, para os cubanos comuns, tem sido um de seus pesadelos mais dilatados no tempo.
Artigo de Leonardo Padura, traduzido por Maurício Ayer e publicado em Outras Palavras

PNAD 2013: 52 milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar

O número de domicílios em situação de insegurança alimentar no Brasil continua caindo, mas ainda existem cerca de 52 milhões de brasileiros sem acesso diário à comida de qualidade e na quantidade satisfatória. Segundo o suplemento de Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2013, divulgado ontem (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 65,3 milhões de domicílios registrados, 22,6% estavam em situação de insegurança alimentar. Esse percentual era 29,5% em 2009 e 34,8% em 2004, anos anteriores da pesquisa.
Dos 14,7 milhões de domicílios com algum tipo de insegurança (22,6%), em 9,6 milhões (14,8%) moravam 34,5 milhões de pessoas (17,1%) da população residente em domicílios particulares em situação de segurança alimentar leve. Nesses lares havia a preocupação quanto ao acesso aos alimentos no futuro. Os domicílios com moradores vivendo em situação de insegurança alimentar moderada representavam 4,6% do total. Ao todo 10,3 milhões de pessoas nessa situação ou 5,1% conviviam com limitação de acesso quantitativo aos alimentos. A prevalência de domicílios com pessoas em situação de insegurança alimentar grave era 3,2%. Em números absolutos, 7,2 milhões de pessoas ou 3,6% dos moradores de domicílios particulares reportaram alguma experiência de fome no período investigado. Em 2009, esse percentual era 5% e em 2004, 6,9%.
Para o IBGE, os domicílios com insegurança alimentar leve são aqueles em que foi detectada alguma preocupação com a quantidade e qualidade dos alimentos disponíveis. Naqueles com insegurança alimentar moderada, os moradores conviveram com a restrição de alimento em termos quantitativos. Já nos domicílios com insegurança alimentar grave, os membros da família passaram por privação de alimentos, cujo grau mais extremo é a fome.
O estudo mostra também que a prevalência dos três níveis de insegurança alimentar caíram entre 2009 e 2013. O número de famílias em situação de segurança alimentar aumentou cerca de oito pontos percentuais em quatro anos ao alcançar 77,4% dos domicílios em 2013. Aproximadamente 150 milhões de pessoas tinham acesso regular e permanente a alimentos de qualidade em quantidade suficiente, segundo o estudo.
De acordo com a pesquisa, a área rural concentrava o maior número de domicílios com indivíduos em situação de insegurança alimentar: 35,3% (13,9% moderada ou grave). Na área urbana, esse percentual era 20,5% (6,8% moderada ou grave). Em 2009, o índice foi 43,7% e 29,3%, respectivamente. Nos domicílios particulares urbanos em situação de insegurança alimentar moderada ou grave viviam 7,4% da população urbana, enquanto nos domicílios rurais moravam 15,8% da população.
Em relação às regiões do território nacional, o Norte e o Nordeste tinham o maior número de domicílios com pessoas em situação de insegurança alimentar (36,1% e 38,1%, respectivamente) no ano passado. Nas demais regiões esse percentual não chegou a 20%. O Sudeste apresentou o menor índice, 14,5%. Norte e Nordeste também concentravam os maiores percentuais de domicílios com pessoas em situação de insegurança alimentar grave (6,7% e 5,6%). No Sul e Sudeste, a prevalência ficou em 1,9% e 2,3%. Por outro lado, entre 2004 e 2013, o incremento mais expressivo do percentual de domicílios com pessoas comendo bem foi identificado no Nordeste (15,5 pontos percentual), com aumento de 46,4% para 61,9%.
O Espírito Santo foi o estado com o maior índice de segurança alimentar (89,65%), seguido de Santa Catarina (88,9%) e São Paulo (88,4%). As unidades da Federação com as menores prevalências foram: Maranhão (39,1%) e Piauí (39,1%), onde menos da metade dos domicílios particulares tinha alimentação assegurada, apesar do aumento de 3,6 e 3,3 pontos percentuais. No Nordeste, todos os estados apresentaram taxas inferiores à média nacional (77,4%). Na Região Norte, apenas Rondônia registrou prevalência de segurança alimentar acima da média nacional, 78,4%.
Por Flávia Villela, da Agência Brasil

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

17 de Dezembro de 2014, um dia depois.

Ontem, 17 de Dezembro de 2014, tivemos uma série de notícias a respeito de conflitos, políticos ou armados, que poderiam vir a sofrem grandes avanços a partir da cheia de notícias quarta-feira. Na manhã, aqui no Brasil, tivemos as notícias referentes à questão Palestina, primeiro a União Europeia desclassificou o Hamas como grupo terrorista e, em seguida o Parlamento europeu votou o reconhecimento da Palestina como Estado. Na tarde soubemos da reativação das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos. Ainda tivemos o anúncio do cessar-fogo unilateral por parte das FARCs.
Há muita comemoração e entusiasmo a respeito de notícias ou acontecimento deste tipo, por que são questões muito importantes diretamente para milhões de pessoas e causam uma repercussão muito grande. Por exemplo, para o presidente uruguaio José Pepe Mujica o reatamento das relações entre Cuba e os Estados Unidos é um fato histórico comparável à queda do Muro de Berlim; já para a blogueira cubana Yoani Sanchez vê isso como uma forma de fortalecer o regime cubano que para ela deve ser substituído.
Os acontecimentos de ontem são históricos e farão  história reiniciar-se em vários pontos a partir deles; mas os acontecimentos se emanciparão e deles surgirão as oportunidades para que ocorram fatos que não passam pelas comemorações. Será que veremos rapidamente um Estado Palestino ou o fim dos conflitos na região? O que acontecerá ao regime cubano?
E o Mundo? Ainda ontem tivemos o anúncio da pena de morte no Paquistão depois que o Talibã cometeu um atentado onde foram ceifadas as vidas de mais de 130 estudantes em uma escola. Violência gerou violência. Hoje o Estado Islâmico revelou seu código penal onde proíbe mulheres de frequentarem escolas, uma violência monstruosa.
A economia global enfrenta uma turbulência que pode vir a tornar-se um tsunami e casar prejuízos para as populações em todas as regiões.
Uma mistura de notícias e acontecimentos que vão movendo a história sabe-se lá para que desfecho, se é que há desfecho, ou vivemos em um eterno reinício a partir de inícios.

Putin: Ocidente é um império e quer ter-nos como vassalos

Rússia, economia, política, crise, finanças, Vladimir Putin, imprensa, EUA, Ocidente
Foto: RIA Novosti/Mihail Klimentiev

Em coletiva de imprensa iniciada às 7:00 pelo horário de Brasília (12 hora de Moscou) o presidente Russo Vladimir Putin falou por mais de três horas a respeito dos principais assuntos que envolvem a Rússia no omento, principalmente economia e relações internacionais.

A queda no preço do petróleo tem provocado uma grave crise na economia do país que viu a desvalorização de sua moeda e teve que elevar a taxa de juros em 6,5% de uma única vez, passando de 10,5 para 17%; o país ainda pôs à venda suas reservas de dólares como forma de conter a desvalorização  do rublo. Putin ressaltou que o país sairá da crise e colocou o prazo de dois anos como data máxima.

Vladimir Putin fez severas críticas ao Ocidente dizendo que o Ocidente se vê como um império e que fazer de todo o resto seus vassalos: “O sistema de defesa antimíssil junto das nossas fronteiras não será um muro? Ninguém parou. É nisso que consiste o maior problema das relações internacionais do dia de hoje – os nossos parceiros não pararam, acharam que eles são vencedores, que eles são agora um império e que tudo o resto são vassalos nos quais se deve exercer mais pressão”, disse Putin.

“É nisso que consiste o problema – não pararam de construir muros apesar de todas as nossas tentativas e gestos de trabalhar em conjunto sem quaisquer linhas divisórias na Europa e no mundo em geral”, acrescentou o presidente.

A crise na Ucrânia levou o país a sofrer sanções aplicadas por Estados Unidos e União europeia que estão provocando a crise econômica do país; a Rússia busca fortalecer laços econômicos com outras nações e regiões, inclusive a América do Sul. Putin falou d necessidade de fortalecer relações, por exemplo com o Irã, inclusive no tema energia atômica. A Rússia tem fortalecido suas vendas de armamento sofisticado, ampliado seu exército; esquenta a Guerra Fria no momento em um símbolo, a relação EUA-Cuba, parece esfriar.

Hoje a União europeia aprovou novas sanções contra a Crimeia anexada à Rússia devido aos problemas na Ucrância; a anexação foi feita apôs plebiscito realizado na península.

Violentos protestos continuam no Haiti e população exige saída do atual presidente do poder

telesur

Milhares de manifestantes têm protestado violentamente nas últimas semanas nas ruas de Porto Príncipe, capital do Haiti, exigindo a renúncia do presidente do país, Michele Martelly, e do primeiro ministro, Laurent Salvador Lamothe. Desde 2010, o país não promove eleições locais e municipais, que deveriam ter acontecido em 2011. Com o objetivo de superar a crise política no país, o primeiro ministro se demitiu neste domingo, 14 de dezembro, juntamente com outros membros do gabinete. A população segue protestando. 

A renúncia de Lamothe foi aceita pelo presidente Martelly, que, em comunicado à nação, disse: "eu reconheço sua decisão e o felicito por sua coragem”. O primeiro ministro, que assumiu o cargo em 2012 e estava cotado como principal candidato para assumir a Presidência nas próximas eleições, declarou: "deixo o cargo de primeiro ministro com a sensação de trabalho cumprido”. 

telesur
Primeiro ministro Laurent Lamothe

Apesar da renúncia de Lamothe, os protestos no país continuam. As manifestações estão sendo organizadas pelo partido de oposição Familia Lavalas, liderado pelo ex-presidente haitiano Jean Bertrand Aristide, que também responde a processo judicial por suspeita de corrupção, quando então presidente do país. 

A polícia haitiana, auxiliada pelas forças da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (Minustah), tem combatido os protestos com gás lacrimogêneo e tiros para cima. Os manifestantes revidam com lançamento de pedras, garrafas de vidro, pedaços de metal, ateando fogo em pneus e montando barricadas em vários pontos da cidade. Os embates já deixaram um homem de 30 anos morto com um tiro. A população acusa a polícia pela morte do rapaz e as tropas da ONU de reprimirem o povo haitiano. Os manifestantes reforçam o pedido de retirada das tropas do país. 

Veja um vídeo das manifestações

Há mais de três anos sem convocar eleições, Martelly é acusado pela oposição de querer instaurar uma ditadura no Haiti. Os mandatos de um terço dos senadores já expiraram em maio de 2012 e, em janeiro de 2015, um segundo terço dos senadores e deputados ficarão sem cargos. Já o mandato presidencial se encerra em 2016. Se as eleições não forem realizadas antes de 12 de janeiro de 2015, o Parlamento será fechado e Martelly terá de governar por decreto. 

Em junho deste ano, o presidente havia assinado um decreto convocando eleições para 26 de outubro, na qual seriam eleitos 20 senadores e 112 deputados, mas que foram, oficialmente, adiadas por dificuldades de organização.

informador.com.mx

Cristina Fontenele

Especial para Adital

Ensaio sociológico sobre a evolução da educação ocidental

O século XVI marca o nascimento da escola pública europeia com as primeiras propostas que conhecemos hoje como didática. A revolução industrial foi acompanhada por muitos processos do novo capitalismo e do neoliberalismo em todos os campos, políticos, sociais, econômicos e educacionais.
Ensayo sociológico sobre la evolución en la educación occidental homo
Nasce assim a escola acompanhada com o ideal pansófico (ensinar tudo a todos) da utopia de Comenio, acompanhada por uma forte impressão religiosa, com a universalização da educação. 
Universalização, que terminou sendo a homogeneização de sujeitos ao conhecimento. 
Já Pink Floyd famosa criticou essa massificação genialmente em seu "Another Brick in the Wall. A música fala sobre as regras rígidas que estavam nas escolas durante a década de 1950 (10) 
Estudos longos e uma grande quantidade de material sobre o tema do ensino pode se referir a tantos livros e documentos, que foram escritos como a sociedade evoluiu. Longe de homogeneizado, é cada vez mais plural, heterogêneo, hiper-conectado. 
Não é propósito deste artigo resumir quantas teorias educacionais têm sido inventadas até hoje, desde o ponto de vista de a humanidade não poder resolver o paradigma da "Educação" e hoje existem milhões de sites, fóruns de discussão, publicações, etc. Que intentar dar a luz ou pedir ajuda, a professores desorientados frente a um novo sujeito de aprendizagem, com o qual não encontra um caminho que conduza ao "aprendiz" do conhecimento.
Análise evolutiva desde o conceito genealógico
Quando dizemos que as sociedades são dinâmicas e não estáticas, dialéticas e em evolução, vemos este desenvolvimento de vários aspectos. Um deles é o aspecto familiar, ou seja, tomar o produzido em um aspecto por pessoas de um período de tempo, neste caso, como foi a educação em um espaço de tempo histórico.
Geração Perdida (1883-1899) 
Período compreendido entre o fim da Primeira Guerra Mundial até a Grande Depressão. Perde pela guerra, a economia deprimida e excessos dessa época. 

Esses fatores não levaram a uma área de desenvolvimento da educação em termos de ensino, que resultaram importantes para as gerações futuras.
Baby boom (1940-1953)
Pós segunda guerra mundial, denominada assim por um boom na taxa de natalidade dessa época.
Nela se dá um melhor acesso a estudos superiores.
Geração X (1970-1981)
Há quem generalize e pense que esta geração é a que tem vivivo tudo, desde a TV preto e branco para os TFT mais nítidos.

Esta geração se viu afetada pelo bombardeio do consumismo dos anos 1980 e início dos anos 1990, a manipulação do sistema político, o advento da Internet, mudanças históricas, como a queda do Muro de Berlim, o fim da guerra fria, início da AIDS entre os muitos eventos que criaram o perfil X. 


Não há expectativas, vivendo em um apático constante, pensam em suas vidas, mas também não aparecem ante de um futuro pouco acolhedor. Eles sabem de antemão que não podem mudar a situação: ou estudam para terminar um como oficinistas, ou acabam em empregos medíocres executivos cujos postos diretivos, mais bem pagos e mais responsáveis ​​estão saturados pela geração anterior, muito maior.
Generación Y (1982-1994) Migrantes digitales 
Millennials (também conhecido como Gen-Y) é a geração nascida logo após a Geração X, de 1980 a meados de 1990. Esta geração é composta por cerca de 50 milhões de pessoas. 

"Generation Why" (Geração por quê) por analogia fonética e tentando expressar um caráter crítico comum a maior parte da geração. 


"Millenials"  por viver o seu desenvolvimento mais intenso junto com a chegada do terceiro milênio.


Geração Y refere-se a pessoas nascidas entre 1982 e 1994. Durante esse tempo, a economia, a tecnologia, saúde, os avanços, e até mesmo as condições econômicas em todo o mundo foram crescendo rapidamente. Cada família estava prosperando e houve um boom em todos os tipos de empresas. As crianças que nasceram durante estes tempos, financeiramente seguras, vivendo confortavelmente. Há televisão, secretárias eletrônicas, muitos modelos de carros disponíveis, boas férias e até mesmo escolas particulares 

Estes jovens foram alimentados por seus pais e lhes disseram que eles poderiam conseguir o que queriam. Como resultado, essa geração tinha ganhado uma reputação de ter um senso de direito e ética de trabalho pobres. Eles também são conhecidos por serem esclarecidos em tecnologia, trabalho social, otimistas e bons em fazer muitas tarefas simultaneamente. Para aprender a trabalhar com a geração Y, você deve se concentrar em ser um mentor, evitando o confronto, proporcionando um trabalho estruturado, social, e fornecer um feedback que faz com que a geração Y se sinta como se valorizam os colegas de trabalho. 


Nesta geração os telefone móveis, SMS, computadores ou entretenimento portátil tornou-se acessível e disponível para os membros da mesma quando têm em média entre 15 e 20 anos.
Geração Z (1995-2004)  NATIVOS DIGITAIS
Praticamente eles adquiriram uso dessas tecnologias a partir de uma idade precoce, daí vem o termo "nativos digitais", sujeitos aos quais a tecnologia não capta a sua atenção como as gerações anteriores. 

Sujeitos de característica "multitarefa", já que foram desde pequenas bombardeados com muita informação que naturalmente aprenderam a filtrar para poder selecionar o que eles consideram importante. 

Indivíduos egoístas, ao tempo adulto altamente exigente. 

Sujeitos egoístas, por ouro lado altamente demandantes de adultos. Foram os primeiros inconscientes dos "ambientes de aprendizagem pessoais". 


A geração Z,  é formada pelos verdadeiros nativos digitais, este ano comemora os difíceis anos da adolescência. 65 anos completa o primeiro computador, e ainda há resistência à mudança, o que estamos vendo hoje são permanentes "mudanças de paradigma" na educação, economia, negócios, empresas, política. Isso é uma mudança permanente nas regras. Aqueles que antecipam as mudanças são inovadores. É um momento de grande potencial para aqueles que não estão vinculados a paradigmas, tradições e costumes. Excitante para aqueles que amam as nuances e os tempos de aprendizagem ao longo da vida.
Evolução desde o conceito de  antropomorfismo
Ver: (4)
Homo sapiens
Alude à característica biológica mais característico: sapiens significa "sábio" ou "capaz de conhecer", e refere-se à consideração do ser humano como um "animal racional", ao contrário de todas as outras espécies. É justamente a capacidade dos seres humanos para realizar operações conceituais e simbólicas complexas, que incluem, por exemplo, o uso de sistemas sofisticados de linguagem, raciocínio abstrato e capacidades de introspecção e especulação uma de suas características mais notáveis ​​sendo. 

Produto de alfabetização, "o homem falando ao homem de Gutenberg" se dá o trânsito da  palavra escrita para todos. 


A linguagem como ideia comunicação. A este respeito, considero que a linguagem evolucionada do chat da juventude de hoje é apenas uma "evolução", mas ainda transmite uma ideia. Por exemplo TKM para eu te amo, entre outras expressões. 


Isso é, se a palavra (ou a substituição do termo) não transmite uma ideia, aí sim, estamos perdidos na mais antiga de nossa evolução.
Homo Videns
Produz-se m salto tecnológico disruptivo desde o advento da televisão, em que predomina à palavra, que passa a somente apoiar a imagem. 

O telespectador se torna um animal vidente, mais do que simbólico, parecido com habilidades de ancestrais. (6) 


Pessoalmente, eu entendo que é a partir desse ponto, onde uma infeliz degradação da condição humana, acompanhado por extrapolações profunda dos valores que foram cunhadas durante séculos por seu antecessor o H. Sapiens. 


O homem se torna "Light" (8), com uma atrofia cultural.
Homo Interneticus
O homo Interneticus com pressa é um surfista compulsivo que já não tem a coragem ou a capacidade de ler livros que ultrapassam 140 caracteres ...! 

Nosso cérebro se faz constantemente aprendendo; desenvolvimento de novas formas de pensar, perdendo velhas se não praticar.
As tecnologias e ferramentas digitais mudam nosso modo de pensar e de atuar.
As mudanças trazidas por estas ferramentas em nosso pensamento são rápidas e muitas vezes irreversíveis. 

Internet é a tecnologia de mudança de nossos cérebros e a mais poderosa depois do livro.
Homo Homógrafo
Embora este termo não acredite que tenha sido inventado hoje, o proponho como o sucessor do Homo Interneticus.
homoreal evolution
É o Homem realizado graças às redes sociais, onde encontra seus objetivos e satisfação pessoal (Felicidade)
É o homem que deixou as praças públicas faz muito tempo, as conversas de café, o debate público, o confronto de idéias face a face, para dar lugar à virtualidade das relações humanas.

É o lado positivo desta análise, o conhecimento se expandiu através de redes sociais, grupos de afinidade, PLE-PLN-PDE-SLE-COIN, (9), que aumentam o conhecimento humano para além das intenções e ações de poderes instituídos, para regular a rede.


A liberdade humana pode ser exercida. A liberdade conceito restringido desde os primórdios da humanidade por alguns valores, religiões (religar, religação) ou poderes políticos e sociais, leis, usos e costumes, etc.
"O medo da liberdade" (Erich Fromm) fica em estado ancestral. Hoje os seres humanos não estão mais se comportando como descrito por Fromm ("o ser humano moderno é caracterizado pela passividade e se identifica com os valores de mercado, porque o homem transformou-se em uma mercadoria e sente a sua a vida como um capital a ser investido lucrativamente. o homem tornou-se um consumidor eterno, e o mundo para ele é nada mais do que um objeto para saciar seu apetite")
big brother 210x300
Embora a rede esteja vigiada pelo “Grande irmão” (Personagem de Orwell)

O escritor e futurista Alvin Toffler introduziu em 1980 o termo "Terceira Onda", no qual ele argumenta que todos os campos da ação humana devem se reinventar e que temos de nos acostumarmos que alguns trabalhos mudem tão rápido que que aquele que não se encaixa permanece obsoleto (13). Embora Tofller levante esta tese há 30 anos, a sua ideologia permanece viva para ver como as novas profissões estão a tomar o centro do palco e oferecer novas oportunidades para juventude.El rede "Homo homográficos" pegue o que você precisa para o seu desenvolvimento intelectual, embora atuando em privado, em seu micro-mundo da automação residencial casa longe de insegurança e de poluição, onde, além de sua família, também será o aprendiz como indicado por Arnold J. Toynbee ("a grande aventura da humanidade") em "terceira onda "
"A classe virtual aparece como uma "terceira onda" da utilização das tecnologias de informação; um passo além mesmo até onde nos levou o Continuum de Tapscott no E2. Caracteriza-se pela presença maciça de computadores no ambiente social (daí o E4 ser a adaptação externa) e é baseado em uma visão construtivista da aprendizagem. Sustenta que o "ensino à distância no ciberespaço" será a forma de levar a educação na sociedade da informação. Portanto, a realidade virtual gerada por computador (CGVR) é a base da tecnologia da educação na E4. Tiffin e Rajasingham têm imaginado com mais ou menos detalhes o que significaria o processo de aprendizagem em termos de classe virtual. Em qualquer caso, a conexão com os CGVR-óculos, uma unidade de exposição ligado à cabeça ou um data - permitiria o "aprendiz autônomo" sob medida acessar diretamente o conhecimento contido na grande mídia (por meio de obras de vários leitores descarregadores e conteúdo multimídia) e também gerar modelos de fenômenos dinâmicos (como problemas da vida real) abordados a partir de todos os ângulos possíveis. Em suma, o ato CVGR como um "amplificador de fantasia" permitiria que o aluno explorare como quiser, quando for apropriado, cobrindo o "material" os rumos e ritmo determinado por ele. Além disso, CVGR seria necessário para permitir o acesso do aluno apenas a tempo de dois serviços essenciais: professores e professores virtuais "
  
É impressionante as várias citações no final de "aprendiz" em textos de ficção científica como na saga de Star Wars: The Force Unleashed (3) O aprendiz de feiticeiro (1996), com Fletcher Prapt, Anaya, etc. Entre outros romances futuristas onde aparece a figura do aprendiz.
Homo antropomórfico: 
Também não encontre esse termo em uso, mas sem dúvida que é preciso para descrever o sucessor do H. homográfico.

Se nós projetarmos ainda mais as conclusões, podemos imaginar o Homo antropomórfico como "Asimo" (ASIMO (acrônimo para "Passo Avançado em Mobilidade Inovadora") é um robô humanoide criado em 2000 pela empresa Honda em homenagem ao seu criador literário, Isaac Asimov.

Então, a Internet inteligente inteligente teria aderido à quântica, 16 vezes mais rápido do que a conhecido hoje. (12)

Os resultados dos primeiros passos da 2ª e 3ª Internet, permitiu a introdução de automação residencial e máquinas inteligentes na vida cotidiana. Deixaram os frutos para que a Web 4.0 e a Web Quântica levem adiante as novas comunicações, não apenas entre os indivíduos, mas entre sujeitos e máquinas.

Chegará, então, um tempo, de reconsiderar as "leis da robótica"?

A biotecnologia, a bioinformática e os principais avanços científicos e tecnológicos nos esmagam hoje, mas vislumbramos, que já pode ser possível, o que só a ficção científica  podia "ver".
"Trabalhas com pessoas que vivem totalmente à mercê da resistência. Ajudam o diabo sendo seu advogado nas reuniões. Seguem o livro de regras, mesmo as partes que você não sabia. Eles estão satisfeitos com o que sempre trabalharam e temem o que pode vir no futuro." Seth Godin
go back


Isaac Asimov  Um visionário demostrando que a ficção científica é “Ciência”.
O visionário Isaac Asimov imaginou vom seu "Multivac" que todos desfrutariam do poder de aprender, mas ao contrário da escola universal da revolução industrial, com a aprendizagem forçada, com as máquinas se logra uma relação de um a um  e o consumidor dessas informações.

Em seu trabalho, faz alguns comentários que parecem mais do que saudosas previsões, pareceram predicações sobre a educação e o modelo 1a1.

Relação que não  desumaniza, mas sim que com sua própria virtude pode atender à diversidade das reivindicações de conhecimento, que atualmente estão focadas em que o indivíduo quer ou precisa saber. (5)

Multivac é o nome de um computador fictício que aparece em muitas das histórias ou contos de Isaac Asimov, entre 1955 e 1975. De acordo com sua autobiografia, In Memory Yet Green, Asimov escolheu o nome de Multivac como referência a UNIVAC, o primeiro computador mainframe fabricada nos EUA. Embora, inicialmente, Asimov tenha pensado que o nome significa "Vários tubos de vácuo" em uma de suas últimas histórias, "A última pergunta", diz o sufixo -ac vêm de "computador analógico (computador analógico) ".

Ao contrário de inteligências artificiais representada na sua série sobre Robots, a interface  Multivac é mecanizada e impessoal, exceto na história "Todos os problemas do mundo" -, que consistem em consoles de comandos complexos que apenas alguns seres humanos podem lidar.

Mas o autor já com as famosas leis da robótica esboça a ideia da internet 4.0 e da inteligência artificial
Ensayo sociológico sobre la evolución en la educación occidental 1024x844
Diapositiva de : Dolors Capde
Conclusões:
É possível, com o auxílio destes dados. Hipoteticamente sugerir que a evolução da educação na sociedade humana, será auto-didata, permanente, em ambientes de aprendizagem, pessoal guiada por um assistente robótico regulado por um estado supremo. Leis SOPA, SINDE, etc., Primeiros e não únicos, certamente, intentos oficiais para regular o fluxo de informações.

O conceito de "Big Brother" (Personagem de Orwell) (2), será aplicável nas ações humanas.

Este estado supremo (respondendo a pressões corporativas) pode ser hoje, "A Casa Branca" o país dominante, O Pentágono, a CIA ou outra organização governamental, será o "líder, gestor e regulador" do que a Rede publique. (1)
No entanto, esta evolução (como não é nada mais do que isso) não será um obstáculo para o desenvolvimento humano, condicionado por mais que isso, tem como paradigma, mais liberdade do que nunca.

Essa "liberdade", um conceito que como "justiça" são eternamente redefinidos, bem como re-exercidos de forma diferente (11) Então, o homem vai ter que entender "liberdade" na era digital (2 ... 3 ... 4 ... 5 ... 0 ponto), para que o que buscamos, produzir e publicar não afet4 interesses econômicos existentes.

"Sua liberdade" porque a única liberdade possível é a que cada ser se reserva em particular. Agora, a liberdade não é um bem, mas um valor, um verbo, uma ação. E como qualquer valor tende a ser extrapolads e transformado, neste caso, o egoísmo ou individualismo, em vez de liberdade.
A utopia socialista que perdura (mal) em algumas sociedades ou comunidades estão em utopias (em tempo útil). Mas agora é o momento em que os registros de "propriedade intelectual" gerenciam grandes rendas econômicas.

Assim estaria ao meu entender o chamado  "paradigma da educação".

A ficção científica baseou-se em várias ocasiões a humanidade dividida em duas, uma protegida de todos os perigos com sua pirâmide das necessidades resolvidas, e outra em um mundo devastado, pobre e cheio de insatisfações de todos os tipos.

Eu entendo a sociedade de hoje "protegida" como a que teve alcance ao conhecimento, mas ... também, pode acessá-lo!

Como um amigo disse: "Terás que comprar a vaca e pagar pelo leite que ordenhas" (9)
 La dualidad capacidad económica y capacidad de aprender serán la formula del éxito
De acordo com a evolução do homem a partir do ponto vista exposto, pode-se concluir que a humanidade está evoluindo (não poderia não fazê-lo), mas o ensino, a educação, não soube ler este desenvolvimento e  acompanhar os processos.

Projetado para a revolução industrial, a escola cumpriu rigorosamente com um fim por um longo tempo, mas hoje é no local de trabalho, onde estão os principais problemas de ajustamento sujeitos às estruturas de trabalho da sociedade moderna. Ao contrário do que foi conseguido para o fordismo (H. Ford), hoje poucas empresas podem capitalizar o potencial do sujeito atual, mas não todo o mercado pode ser empresas como o Google, que amam seus empregados tirando grandes benefícios. Algumas empresas alcançaram se, captar a mensagem e capitalizar isto, algumas empresas de mídia, agências de telefone, seguros, publicidade, etc. (7)

Mas a grande maioria das empresas, para não mencionar as profissões, estão em crise de capital humano. O sujeito atual tem outros códigos e outras tempos que se encaixam mais para as características estudadas na Geração X ou Y, altamente exigentes por outro lado.

Mais do que nunca, o professor tem de abandonar o paradigma das TIC, entendendo que já está trabalhando com "nativos digitais" que não poderiam se seduzir com ferramentas da Web, que eles dominam ou podem dominar, se os apresentam ou as encontram eles próprios.

Deverá-se, então, "conduzir" o aluno às TAC (acesso a tecnologias do conhecimento).

São os ambientes pessoais de aprendizagem  que se tornam valiosos agora, PLE-PLN-PDE-LES-COIN, (9), para que os alunos não só estejam em sala de aula como já entendemos hoje, mas também convivam com formação contínua, com a incorporação constante de conhecimento que, logicamente, com o conhecimento ampliado, foi aprimorado para que seja incorporação diária de conhecimento em todas as áreas, para além de qualquer limitação legal.

Nem todo conhecimento será censurado, seria impossível, de modo que significa ter nenhum registro de propriedade ou usar o CC criador, Creative Commons.

"As licenças Creative Commons ou CC são inspiradas pela Licença GPL (Licença Pública Geral) da Free Software Foundation GPL, compartilhando muito de sua filosofia. A principal ideia por trás dela é permitir que um modelo legal auxiliado por ferramentas informáticas facilite a distribuição e utilização de conteúdos. Há um número de licenças Creative Commons, cada uma com diferentes configurações, que permite que autores decidam a maneira em que seu trabalho circule na Internet, dando liberdade de citar, reproduzir, criar trabalhos derivados e oferecê-lo publicamente, sob certas restrições diferentes. "(Wikipedia)

Há pessoas de grande gênio que sabem que se um caminho é cortado, você pode pegar um atalho, ou saltar o obstáculo, ou melhor, subir (baixar) e visto de outra perspectiva, o que hoje conhecemos como censura, restrições, limitações e termos antônimo de "liberdade vnha à mente."

Sempre os seres humanos, e não apenas no Ocidente, souberam e saberão como trabalhar em seu benefício.

Interesses corporativos e econômicos, não são para a maioria. O que é suposto ser inferido, que o conhecimento é, foi e será, um patrimônio mundial.

A comunicação tem explorado o excedente cognitivo dos cidadãos e consumidores. A explosão da inteligência coletiva está transformando, a educação, a comunicação audiovisual, tornando os cidadãos prosumers.
 “Hoje  a chave é viver conectado ou morrer invisível.”


Publicado por: Sergio Bosio  outubro 22, 2014 - Sscociólogos