"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Quem quer ser bandido?

No livro Os Cangaceiros de José Lins do Rego um filho adolescente do mestre de engenho deseja e acaba indo para o bando do Capitão Aparício, uma adaptação de Lampião feita por Rego; já em Capitães da Areia, o personagem Volta Seca de Jorge Amado vai ao encontro do bando de seu "padinho" Lampião. Entre esses personagens de escritores de grande envergadura a coincidência de idolatrarem  o banditismo social e o sonho de se agregarem ao cangaço.

O tipo de homem "valente" que eles enxergavam e idealizavam era o Capitão, que tinha a "força" suficiente para dobrar qualquer um. O banditismo social tinha seu disfarce de "justiça", uma desculpa com ressentimento.

"Onde há poder há contrapoder", diz o sociólogo espanhol Manuel Castells e, onde há sociedade há crime; no entanto, a sociedade  se existe certamente é por que mais compensa do que incentiva, como diriam os velhos contratualistas.

Quais as causas do crime, já conhecemos inúmeras teses, as condições sociais do sujeito ou seu nascimento atávico, enfim, nenhuma delas chega aos 100%, simplesmente, pelo fato de que não há teoria definitiva.

Hoje, em um Brasil de violência urbana avassaladora, mais de 56 mil homicídios em 2014; quantidade de assaltos impressionante não cabe sequer especular o que faz o bandido, o desespero é quem comanda nossas ações.

O que tem a ver os ambientes periféricos violentíssimos com esse tipo de criminalidade; o que tem a ver nossas leis e o sistema punitivo estatal como um todo? O marginal que conhecemos é um sujeito que fala "feio", perigoso, não poupa ninguém, menores de idade capazes de executar a sangue frio qualquer pessoa que nunca viram na sua frente e jurarem que continuarão a fazer.

O crime tem seu "glamour", seus atrativos, uma busca imaginária de um heroísmo que acompanha a todo nós em qualquer setor da sociedade. Hoje o grande fenômeno global é o Estado Islâmico, que usa a web como ferramenta de propagação de atos violentos para atrair atenção e seguidores.

No meio disso tudo o tráfico, os que procuram o "bagulho", não sei se é droga que faz o flagelo ou o flagelo que faz o sucesso das drogas, são coisas impossíveis de definir.

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