"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Sobre "livros da verdade"

Livros só produzem resultados quando após lido um vem outros e outros; o encontro ou a adoção de um "livro da verdade" é um caminho curto para o fechamento ideológico. Da mesma forma, a reprodução de significados de um "livro pai" constitui atalhos  para a cegueira intelectual.

O mundo jamis coube ou caberá em uma teoria (doutrina), a mente do intelectual por mais brilhante que seja não alcança toda a complexidade do mundo, e sempre que uma teoria é construída ela é feita sobre uma "verdade parcial", aquilo que lhe serve de inspiração e produz as justificativas, jamis sobre a verdade em forma absoluta e inflexível.

Edgar Morin diferencia a teoria da doutrina, diferente da primeira a última resiste a superações por outras teorias; no entanto, não se trata de uma "luta pela sobrevivência das teorias" e sim da luta pela complexidade, o que significa o ensinamento de que as teorias se completam.

A complexidade é um convite para a democracia intelectual; o ensinamento de que quando uma teoria produz um grande domínio sobre o mundo humano, sentindo-se a última das descobertas, ela abre portas para a prática de atos cegos justificados  por essa verdade.

O "livro da verdade" é o próprio sustentáculo da doutrina fechada, imperial, pretendente e sonhando com um dia em que haverá o domínio total. Sempre se põe a culpa do mundo sobre os que pensam diferente, empecilho para o reino da pureza total.

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