"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Brasil ocupa o sexto lugar em homicídios de adolescentes entre 192 países

Estudo mostra que taxa de homicídios de jovens entre os 12 e os 18 anos de idade, no Brasil, já é de 3,32 mortes para cada mil habitantes nessa faixa etária. No Nordeste do país, a taxa chega a 5,97 para cada mil adolescentes. O Brasil é o segundo país em número absoluto de homicídios, depois da Nigéria, e o sexto na taxa de homicídios de jovens.

Brasília - Estudo mostra que taxa de homicídios de jovens entre os 12 e os 18 anos de idade, no Brasil, já é de 3,32 mortes para cada mil habitantes nessa faixa etária. No Nordeste do país, a taxa chega a 5,97 para cada mil adolescentes. O Brasil é o segundo país em número absoluto de homicídios, depois da Nigéria, e o sexto na taxa de homicídios de jovens.

Cerca de três em cada mil adolescentes que tinham 12 anos em 2012 correm o risco de serem assassinados antes de completar 19 anos. Os dados foram divulgados quarta-feira (28) pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Laboratório de Favelas e o Laboratório de Análises de Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

As informações se referem a cidades com pelo menos 100 mil habitantes e apontam para mais de 42 mil homicídios de adolescentes de 12 anos a 18 anos entre 2013 e 2019. A pesquisa analisou dados de 2012 para compor o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), que estimou 3,32 mortes para cada mil habitantes nessa faixa etária. O indicador cresceu 17% em relação a 2011 e foi o maior registrado desde 2005.

Entre 2005 e 2007, a taxa caiu de 2,75 para 2,56, voltando a subir no ano seguinte. Em 2009, o indicador chegou perto de 3, com 2,98 óbitos para mil adolescentes nessa faixa etária, mas voltou a cair em 2011, para 2,84. Em 2012, pela primeira vez, a taxa superou os 3 pontos.

Ao comparar regiões do país, o índice aponta uma situação quase três vezes pior no Nordeste que no Sudeste – regiões que ocupam as duas pontas da taxa de homicídios. Enquanto o Nordeste tem a maior taxa – de 5,97 para cada mil, o Sudeste tem a menor – 2,25 para cada mil.

De acordo com a pesquisa, 36,5% das mortes de adolescentes são causadas por homicídios, enquanto na população em geral o percentual é 4,8%.

Para mudar essa realidade, a Secretaria de Direitos Humanos anunciou a criação de um Grupo de Trabalho Interministral que vai elaborar um Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Letal de Crianças e Adolescentes. O plano vai se inserir nas propostas do governo federal para assumir a responsabilidade pela segurança pública ao lado dos estados e municípios.

O representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Gary Stahl, disse que o Brasil está diante de um problema complexo e urgente que "exige uma mobilização nacional".

O representante do Unicef disse que o grande número de homicídios não solucionados agrava o problema. Para ele, este fato dificulta a avaliação sobre as políticas públicas adotadas pelo país.  "Fica muito difícil saber se as políticas públicas estão no rumo certo".

Além de ser o segundo país em números absolutos, o Brasil tem a sexta maior taxa de homicídios entre adolescentes: "entre os 192 países do mundo, o Brasil é o segundo ou o sexto. Nem um nem outro é um lugar onde o Brasil quer estar", disse o representante do Unicef.

Gary Stahl afirmou que a violência vitimiza mais alguns grupos do que outros. Para ele, trata-se de uma "violação brutal e sistemática" dos direitos de crianças e adolescentes, especialmente negros que vivem nas periferias das cidades.

Segundo a pesquisa, o Índice de Homicídios de Adolescentes do Brasil atingiu o maior patamar da série histórica em 2012, com a projeção de que, de cada mil adolescentes que tinham 12 anos em 2012, 3,32 vão morrer assassinados antes de completar 19 anos. Com esse IHA, o país perderia 42 mil adolescentes entre 2013 e 2019 vítimas de assassinato. 

Agência Brasil

Tsipras promove uma mudança radical para a Grécia e a Europa

Por Marco Antonio Moreno - El Blog Salmón

Grécia PIB 2000 2014

Uma das ideias centrais que levaram o partido Syriza para ganhar as eleições de domingo na Grécia é que a única maneira de superar a crise é relançar o crescimento econômico, e isso envolve dar aos países mais afetados e endividados uma pausa no pagamento de suas dívidas. Esta é uma proposta que a Alemanha, em particular, deve levar a sério: relançar o crescimento na zona euro só pode ser alcançada com um sacrifício conjunto. O líder do Syriza, Alexis Tsipras, pediu uma "conferência da dívida europeia", uma reunião de cúpula em que os líderes da região compactuem para reduzir as obrigações financeiras da Grécia. Esta é uma ideia que faz sentido. 

Não é realista esperar que a Grécia pague sua dívida enorme na íntegra. A dívida grega é insustentável e impagável, e seu volume sufoca não só a Grécia, mas toda a Europa. Tsipras quer renegociar os 240 bilhões de euros de dívida e que os credores apliquem uma quitação de 30 por cento. Esta ideia é mais realista e tira a pressão do novo governo grego. Mas a Alemanha se opõe à redução da dívida pelo temor de contágio para outros países a seguir o exemplo, e enfatiza a austeridade fiscal severa. Que continua no mesmo caminho dos últimos cinco anos, apesar de seus resultados desastrosos. Aparentemente, a Alemanha tem esquecido as lições da história.

Na Grécia, dois em cada cinco trabalhadores está desempregado e quase metade da população vive na pobreza. Este é um fato que impede os países a melhorar a sua capacidade de pagar suas dívidas. Além disso, o crescimento lento tem corroído as finanças públicas, apesar de cortes de gastos e aumentos de impostos. Planos de austeridade não tiveram o resultado desejado e os países que implementaram esses planos têm afundado em estagnação. Grécia, Itália, Portugal, Espanha e até mesmo a França estão mais perto de uma recaída do que de uma verdadeira recuperação, devido a planos de austeridade.

Mudança radical

Tsipras anunciou uma mudança radical nas políticas econômicos à espera da reunião a se realizar na sexta-feira com o chefe do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem. Entre as medidas, o ministro do Trabalho, Panagiotis Skourletis disse que o salário mínimo no setor privado deve ser aumentado de 586 € para 751 €.
O Comissário para os Assuntos Sociais, o vice-ministro Dimitris Stratoulis anunciou que irá retornar o 13º salário (gratificação) introduzido para os pensionistas cuja pensão é menos de 700 euros. Ao mesmo tempo, os vários milhares de funcionários públicos despedidos devem ser reintegrados. Estas demissões mergulharam a Grécia à incapacidade e incompetência.
Mas o golpe mais forte para as políticas da troika foi a rejeição da privatização na área de Energia, Transportes e Meio Ambiente. A empresa de eletricidade DEI não será privatizada e os estradas de Ferro gregas não será vendidas. Até agora, a troika tem implementado privatização e desmantelamento de estados como a saída da crise.
Tsipras observou que os líderes da UE precisam agora de mostrar que eles estão dispostos a trabalhar com SYRIZA, o governo democraticamente eleito pelos gregos, para manter o euro e a Europa juntos. Se não está interessado em falar com o novo governo será "um sinal definitivo de que esta é uma Europa que não pode incorporar a mudança democrática e não pode incorporar a mudança social."
O que os líderes europeus devem observar agora é que se a Grécia cai e deixa a zona do euro, toda a zona euro vai entrar em colapso. A zona do euro está em perigo, e o euro está em perigo. E este perigo foi acentuado pelas más decisões dos líderes da UE que implementaram políticas abertamente destrutivas.

O Pico dos Combustíveis Fósseis deve acontecer antes do esgotamento das reservas

“We should leave oil before it leaves us”
(Devemos deixar o petróleo antes que ele nos deixe)
Faith Birol (Chief economist of the IEA)
Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
combustíveis fósseis que não devem ser utilizados

[EcoDebate] A humanidade está em uma encruzilhada, pois necessita cada vez mais de energia para tocar sua incessante máquina de produção, transporte e consumo, mas caso utilize todas as reservas de combustíveis fósseis conhecidas e com viabilidade econômica vai emitir mais gases de efeito estufa (GEE) e provocar um aquecimento global acima dos 2º graus em relação ao período pré-industrial, limite considerado minimamente seguro.
Contudo, se não forem executadas ações urgentes para reduzir as emissões, o mundo pode experimentar um catastrófico aumento de 4°C na temperatura até o final do século, aumentando a cada dia a possibilidade de efeitos climáticos extremos, como secas, tufões, inundações, ciclones e outros eventos desastrosos para as pessoas, a economia e o meio ambiente.
Trabalho recente dos pesquisadores Christophe McGlade e Paul Ekins publicado na revista Nature (janeiro de 2015), estima que, para ter pelo menos uma chance de 50% de manter o aquecimento global abaixo de 2° C durante todo o século XXI, as emissões de carbono acumuladas entre 2011 e 2050 deve ser limitada a cerca de 1.100 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO2 Gt). No entanto, o potencial das emissões de gases GEE contidos nas reservas de combustíveis fósseis são cerca de três vezes maiores.
Os resultados dos modelos aplicados no estudo sugerem que um terço das reservas de petróleo globais, a metade das reservas de gás e mais de 80 por cento das reservas atuais de carvão deve permanecer não utilizadas entre 2010-2050, a fim de atingir a meta de 2° C. Isto quer dizer que os esforços dos governos e das empresas para explorar rápida e completamente os combustíveis fósseis são incompatíveis com os compromissos assumidos nas Conferências do Clima. Se os acordos climáticos forem respeitados, tornaria desnecessários os investimentos na descoberta e exploração dos combustíveis fósseis, pois quaisquer novas descobertas não poderia levar a um aumento da produção agregada, a não ser provocando uma catástrofe climática (Monbiot, 2015)
Grandes empresas de combustíveis fósseis podem ter um enorme prejuízo caso avancem as negociações para a Conferência de Paris (COP21), no final de 2015. Se as nações do mundo mantiverem o compromisso de combater a mudança climática, as perspectivas são sombrias especialmente para o carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis. Em 2013, as empresas de combustível fóssil gastaram cerca de US$ 670 bilhões na exploração de novos recursos de petróleo e gás. O paper publicado na Nature questiona por que eles estão fazendo isso, quando há mais no chão do que se pode dar ao luxo de queimar. As areias betuminosas do Canadá, por exemplo, simplesmente não devem se retiradas do chão.
Para evitar a “bolha de carbono” existe um movimento pelo desinvestimento em companhias de combustíveis fósseis. Por exemplo, trezentos professores de Stanford, incluindo prêmios Nobel, estão pedindo que a universidade se livre de todos os investimentos de combustíveis fósseis, em um sinal de que o movimento pelo desinvestimento está ganhando força. Em uma carta ao presidente da Stanford, John Hennessy, os membros do corpo docente pedem a universidade para que reconheça a urgência da mudança climática e abandone os investimentos nas companhias de petróleo, carvão e gás.
Mas as emissões de GGE não se restringem à área de energia. Antes da Revolução Industrial a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera não ultrapassava 280 ppm (partes por milhão), mas atualmente ultrapassaram as 400 ppm. Todavia, o problema vai além da queima de CO2. O óxido nitroso (N2O) e o metano são gases mais potentes. De acordo com o Relatório da Convenção sobre Mudanças Climáticas, o N2O tem cerca de 300 vezes mais potencial para causar o aquecimento global do que o CO2, enquanto que o metano é em torno de 20 vezes mais forte.
A ativista ambientalista indiana, Vandana Shiva (07/01/2015), mostra que as emissões de óxido nitroso e de metano aumentaram dramaticamente devido à agricultura industrial. O óxido nitroso é emitido através do uso de fertilizantes nitrogenados sintéticos e o metano é emitido a partir das atividades pecuárias que produzem leite, carne e ovos. A Conferência da Organização das Nações Unidas de Leipzig sobre os Recursos Fitogenéticos, em 1995, avaliou que 75 por cento da biodiversidade do mundo havia desaparecido na agricultura devido à chamada Revolução Verde e ao advento da agricultura industrial. O desaparecimento de polinizadores e organismos benéficos ao solo é outra dimensão da erosão da biodiversidade devido à agricultura industrial.
Estas são lições que os estudos internacionais mostram e a ciência tem um grau de certeza cada vez maior. Aliás, o ano de 2014 registrou o recorde de temperatura e as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro vão enfrentar grande escassez de água potável em 2015.
Infelizmente, o governo brasileira está caminhando na direção contrária à proposta pelos cientistas e pelos defensores do meio ambiente. Além de ter jogado todas as fichas no pré-sal e aumentado o consumo de combustíveis fósseis, há retrocessos no controle do desmatamento e recuos nas perspectivas da Política Nacional de Mudanças Climáticas. De acordo com Daniela Chiaretti, no jornal Valor Econômico, a presidenta Dilma Rousseff, no discurso de posse, de cunho conservador na área ambiental: “fez menção anódina à participação do Brasil no acordo climático”.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação é chave na política climática brasileira. Por isto Chiaretti diz: “Mas a mais desalentadora mensagem de Dilma no tópico mudança do clima veio com a escolha do ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo. É notório o ceticismo do político do PC do B e ex-ministro dos Esportes ao fato de o aquecimento da temperatura ser agravado pelas emissões de gases-estufa antrópicas, ou seja, provocadas por atividades humanas. Em 2010, em meio aos debates do Código Florestal, Rebelo envolveu-se em polêmica com o sócio-fundador do Instituto Socioambiental, Marcio Santili. O então deputado respondeu às críticas do indigenista na carta que batizou de ‘A Trapaça Ambiental’. Afirmou que a ‘teoria do aquecimento global’ seria uma ‘doutrina de fé incompatível com o conhecimento contemporâneo’ e seguiu dizendo que ‘não há comprovação científica das projeções do aquecimento global, e muito menos de que ele ocorreria por ação do homem e não por causa de fenômenos da natureza’”.
Já Washington Novaes, no Estadão de 09/01/2015, chama atenção para outro retrocesso: “Não espanta que a nova composição do governo federal e de seus mais altos escalões tenha sido fruto não de novos planejamentos para resolver graves questões que o País enfrenta, e sim da necessidade de atender às reivindicações fisiológicas dos partidos que compuseram a aliança vitoriosa. Mas as notícias mais recentes na área ainda são surpreendentes – talvez até para parte dos membros da coligação”.
Depois de repetir as críticas ao ministro Aldo Rebelo, Novaes continua: “Pode-se passar a outro capítulo, aberto pela nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu, para quem ‘latifúndio não existe mais no Brasil’ (Folha de S.Paulo, 5/1). Ela também defende a proposta de emenda constitucional que retira do Executivo poderes para demarcar áreas indígenas e os transfere para o Congresso Nacional. Reconhece até que ‘o Brasil inteiro era deles’ (dos índios) – mas daí a assegurar-lhes certas áreas, pensa a ministra, vai muita distância. Porque ‘os índios saíram da floresta e passaram a descer nas áreas de produção’. Que lhe importam os direitos originários, ou o fato de que ainda existam no País mais de 900 mil desses antigos donos de todo o território, distribuídos por 305 povos, falando 274 línguas – com uma riqueza cultural extraordinária, até vivência de utopias?”
O exemplo brasileiro serve para mostrar como vai ser difícil colocar em prática acordos para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e manter o aquecimento global abaixo dos 2º Celsius. O clima não está bom para os defensores do meio ambiente.
Referências:
MCGLADE, Christophe & EKINS, Paul. The geographical distribution of fossil fuels unused when limiting global warming to 2 °C, Nature 517, 187–190 (08 January 2015) doi:10.1038/nature14016

MONBIOT, George. Why leaving fossil fuels in the ground is good for everyone, The Guardian, 07/01/15

SHIVA, Vandana. A rota para uma mudança climática imprevisível , Eco21, 07/01/2015

CHIARETTI, Daniela. O ministro cético e seu dogma pétreo, Valor Econômico, 06/01/2015

NOVAES, Washington. Cada um só por si; à frente, interrogações, O Estado de S.Paulo, 09/01/2015

February 13 and 14: Divest from fossil fuels http://gofossilfree.org/divestment-day/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Publicado no Portal EcoDebate, 30/01/2015

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

América Latina tem 167 milhões de pessoas vivendo na pobreza

Alerta foi feito pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe em relatório divulgado esta segunda-feira; Cepal afirmou que desse total, 71 milhões estão em estado de extrema pobreza ou indigência.
Extrema pobreza aumentou na América Latina. Foto: Cepal
Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, alertou que a região tinha 167 milhões de pessoas vivendo na pobreza no ano passado, sendo que 71 milhões estavam  em estado de extrema pobreza ou indigência.
Os dados constam do relatório Panorama Social da América Latina 2014, lançado nesta segunda-feira, em Santiago, no Chile.
Índice
O documento mostra que a pobreza atingiu 28% da população da região no ano passado. Os especialistas disseram que o índice está praticamente congelado desde 2012, quando chegou a 28,1%.
A Cepal diz que a extrema pobreza e a indigência aumentaram de 11,3% em 2012 para 11,7% no ano seguinte e 12%, em 2014.
A secretária-executiva do órgão, Alicia Bárcena, disse que "a recuperação da crise financeira internacional não parece ter sido aproveitada suficientemente para o fortalecimento das políticas de proteção social".
O relatório mostra que apesar da falta de progresso de uma forma geral, cinco dos 12 países com informações disponíveis em 2013 registraram reduções da pobreza. Os principais foram Paraguai seguido de El Salvador, Colômbia, Peru e Chile.
Carências
O documento analisou também cinco outros fatores, que são: moradia, serviços básicos, educação, emprego e proteção social e padrão de vida. Um pessoa é considerada pobre se existirem carências em mais de um desses setores.
A Cepal disse que, levando-se em consideração todos esses indicadores, a pobreza caiu, em média para 17 países da região, de 39% para 28% entre 2005 e 2012. As nações que registraram as maiores quedas foram Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e Venezuela.

OMS diz que mundo foi lento para identificar gravidade do surto de ebola

Diretora-geral da agência da ONU afirmou que epidemia no oeste da África é a maior, a mais severa e a mais complexa da história; Margaret Chan declarou que “nunca mais o mundo deve ser pego de surpresa, despreparado”.
Diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan. Foto OMS.
Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.
A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, afirmou este domingo que “o mundo, incluindo a própria OMS, demorou muito para ver o que estava acontecendo em relação ao surto de ebola”.
A declaração foi feita em Genebra durante uma sessão especial do Conselho Executivo da OMS sobre a epidemia.
Surpresa
Segundo Chan, o surto em partes do oeste da África é o maior, mais duradouro, mais severo e mais complexo em quase 40 anos de história da doença.
Chan pediu a comunidade internacional que transforme a crise do ebola em uma oportunidade para criar um forte sistema para defender a segurança global de saúde.
A chefe da OMS deixou claro que “nunca mais o mundo deve ser pego de surpresa, despreparado” para enfrentar emergências de saúde.
Ela afirmou que a tragédia ensinou várias lições sobre como prevenir e evitar situações como esta no futuro.
Programas
Chan citou que os casos estão diminuindo nos três principais países atingidos pela doença, Guiné, Libéria e Serra Leoa. Mas alertou que para se atingir “zero caso” de infecções é preciso manter a guarda.
A diretora da OMS disse que é necessário fortalecer os programas nacionais e internacionais de preparação e resposta de emergência. Além disso, é preciso lidar com a forma como os novos remédios chegam ao mercado e reforçar a maneira como a Organização Mundial da Saúde opera durante emergências.
Em 2010, um relatório preparado por uma comissão especial para avaliar a resposta à pandemia de influenza no ano anterior, alertou que o mundo estava muito mal preparado para combater o problema ou a qualquer outra ameaça global de saúde pública.
A comissão disse, na época, que a OMS respondeu bem a surtos que aconteceram em áreas geográficas específicas e de curta duração. Mas a agência da ONU, segundo os especialistas, não tinha os sistemas e a capacidade de responder a uma emergência de saúde severa e prolongada.


Segundo o último boletim da OMS sobre o surto de ebola, até agora foram registrados quase 22 mil casos da doença em nove países com 8641 mortes.

Syriza vence na Grécia e coloca em cheque a Europa e o euro

Marco Antonio Moreno - El Blog Salmón
 Desempleo España Grecia 1

A massiva eleição grega em favor do movimento Syriza foi um balde de água fria para a troika e, sobretudo, para Angela Merkel, a força motriz por trás dos planos que mergulharam a Europa na sua pior crise. Syriza é a primeira vitória de um movimento de oposição aos planos de austeridade e promove o cancelamento da dívida pública, considerando-a ilegítima . É provável que esta vitória e a cegueira própria da troika levem a negociações um pouco rebeldes e desesperadas que podem levar a uma saída desordenada da Grécia do euro. Antes que isso aconteça, haverá uma longa guerra de acusações de ambos os lados. 

Todo mundo sabe que a Grécia mentiu sobre seus níveis de dívida pública para entrar no clube sonhado do euro, mas muitos se esquecem de que foi o conselho do Goldman Sachs, que ajudou a camuflar os grandes déficits do país helênico. Este fato deixou descoberto os desequilíbrios monetários da União Econômica Europeia , mas nada foi feito a respeito. Além disso, como mostra o gráfico, enquanto a Grécia e a Espanha tinham diferentes situações no início da crise, a austeridade conseguiu aumentar o desemprego para níveis insustentáveis ​​e muito semelhantes, embora a situação fiscal em ambos os países seja muito diferente: A Grécia tinha sido irresponsável, mas a Espanha tinha sido disciplinado aluno do euro que cumpriu rigorosamente os déficits e a situação fiscal. Nada disso ajudou e as políticas da troika pioraram tudo.

Por isso o golpe mais duroda eleição de ontem vai contra a troika e contra Angela Merkel que impôs as políticas mais draconianas e selvagens de economia real, apesar de dar todo o apoio e dinheiro para o sistema financeiro. Isto, como tem sido demonstrado, não tem feito mais do que disparar a desigualdade globalmente confirmando que se governa para as elites financeiras, enquanto o resto do mundo é aquele que deve pagar a conta por seus serviços. Assim, o presidente do movimento SYRIZA, Alexis Tsipras disse sem rodeios: "A troika está acabada"

Embora Tsipras tenha dito que não quer sair da UE e que a Grécia vai permanecer no euro dado que o retorno ao dracma não é tecnicamente viável, por enquanto, nenhuma dessas opções é muito popular na Grécia, porque parte da população cansou-se da tirania do euro. Por sua vez, a UE não vai querer um relaxamento de austeridade na Grécia pelo impacto que isso teria sobre outros países altamente endividados, como a Itália, Espanha e França.

A revolta grega contra os seus senhores financeiros da UE pode causar um cerco econômico prolongado embora Syriza pretenda negociar novos termos para um resgate. A UE espera que a falta de dinheiro pode forçar a Grécia a cumprir com os acordos existentes para obtê-lo e, nestes termos a colisão será inevitável. Após cinco anos de políticas ditadas por Berlim e Bruxelas a Grécia mergulhou em sua pior crise e agora o país Helênico quer ser dono de seu próprio destino, apesar da adversidade. Como disse o professor Aristides Hatzis, da Universidade de Atenas: "É como se o jogo da galinha, com a Grécia e a UE dirigindo em direção ao outro e cada um espera que o outro desvie primeiro para evitar uma colisão."

domingo, 25 de janeiro de 2015

"A Grécia deixa para trás a austeridade", diz Alexis Tsipras

A coligação de esquerda SYRIZA já é tida como vencedora das eleições legislativas grega e liderará o novo governo; no entanto, com quase 80% dos votos apurados, a perspectiva é de que não venha a obter maioria absoluta tendo, dessa  forma, a fazer um governo de coalizão.

Ομιλία του προέδρου του ΣΥΡΙΖΑ Αλέξη Τσίπρα στα Προπύλαια για το εκλογικό αποτέλεσμα
Lefteris Pitarakis

"Vamos reconstruir o país em novas bases - Hoje não há vencedores e perdedores", disse o líder do partido Alexis Tsipras.

"A Grécia deixa para trás a austeridade,  prossegue com otimismo, esperança, com passos estáveis", disse.

"SYRIZA é um sinal de que a Grécia muda ... Amanhã começa o trabalho duro. O veredicto do povo grego derruba inequivocamente o círculo vicioso da austeridade, cancela entendimentos de austeridade e destruição, faz com que a troika seja passado para o nosso quadro europeu comum", disse ele.

Ele acrescentou: "Temos plena consciência de que o povo grego não nos dar um cheque em branco hoje, mas o comando nacional de recuperação da coesão. Vamos reconstruir o país em novas bases. Atualmente não há vencedores e perdedores."

"A nossa vitória é a vitória de todos os povos europeus que lutam contra a austeridade. À luz do interesse público pode garantir que o governo grego vai cooperar e negociar uma solução justa e duradoura", observou ele.

"A Grécia virá com as suas próprias propostas documentadas, com o plano de política fiscal de 4 anos. Com propostas de dívida e da criação de país produtivo. Irá decepcionar toda a desgraça dentro e fora do país. Nem ruptura mútua ou a continuação de lealdade".

"Nossa prioridade será para tratar das principais feridas da crise, a restauração da justiça popular"

"Nosso objetivo é ganhar de volta a esperança, o sorriso, a dignidade perdida de nosso povo", concluiu.

Primeira emissão televisiva há 89 anos

No dia 26 de janeiro de 1926, os membros da Royal Institution assistiram, em Londres, à primeira emissão de televisão da história. Isso foi há 89 anos. 

Por António José André.

A sessão ocorreu no laboratório do inventor, engenheiro e empresário escocês John Logie Baird. Tratava-se de uma pequena imagem animada de 30 linhas verticais (a preto e branco), que permitia distinguir claramente a silhueta de uma personagem transmitida a partir de um emissor na sala vizinha.

A televisão de Baird foi o resultado de uma longa cadeia de inovações. Tudo começou, em 1875, quando o norte-americano G.R.Carey sugeriu o emprego de selênio, material cuja resistência elétrica varia em função da iluminação, para a transmissão de imagens à distância.

O inventor, engenheiro e empresário escocês John Logie Baird.
Alguns anos mais tarde, em 1883, o alemão Paul Nipkow inventou e patenteou um disco giratório capaz de analisar imagens, o "telescópio elétrico". John Logie Baird inspirou-se nesse invento para planejar o seu dispositivo.


A expressão "televisão" apareceu antes da invenção de John Logie Baird, durante a Exposição Universal de Paris, em 1900.

Em 1923, o pesquisador norte-americano de origem russa Vladimir Zworykin inventou uma câmara eletrônica (o iconoscópio), origem da televisão eletrônica. Em 18 de novembro de 1929, quando trabalhava para a Westinghouse, Zworykin apresentou o primeiro receptor de televisão inteiramente eletrônico.

Mais tarde, concorrendo com Baird, o inventor norte-americano Charles Jenkins fez, em junho de 1925, uma demonstração pública de transmissão de imagens animadas de modo similar à base de disco giratório analisador de imagens.

Em julho de 1928, John L. Baird deu os primeiros ensaios da televisão a cores. As primeiras emissões regulares televisionadas, a partir do emissor de Daventry, chegaram mais tarde, em 30 de setembro de 1929, associadas à BBC.

"O perigo real para a Europa é a hipocrisia de Juncker e Merkel". Entrevista com Thomas Piketty

O jornalista Eugenio Occorsio do diário italiano La Repubblica relata as declarações do economista francês: "Com um governo de esquerda pode-se inicializar a partir da Grécia uma revolução democrática: ajudar a rever a austeridade que afoga a União e dedicar menos recursos para pagar a dívida pública e mais para o desenvolvimento "


"Eu não entendo por que as chamadas chancelarias  europeias estão tão aterrorizadas com a provável vitória de SYRIZA na Grécia. Ou melhor, eu entendo, mas é hora de desmontar a sua hipocrisia". Diz Thomas Piketty, que leciona na Ecole d'Economie Paris, "o economista de mais autoridade em 2014", como foi definido pelo Financial Times,  baixa para a arena com toda a sua garra com um editorial publicado ontem pelo jornal Libération . "Na Europa precisamos de uma revolução democrática" tem escrito, e ecoa alto e bom som no telefone do aeroporto de Paris, prestes a embarcar para Nova York, a cidade que lançou o seu "Capital no século XXI", como o livro do ano, graças ao apoio do Prêmio Nobel Paul Krugman

Professor, Tsipras tem aberto caminho, no entanto, defendendo a bandeira da saída do euro...?

Sim, mas agora tem suavizado suas posições. Tem-se revelado, no entanto, como um líder fortemente pró-europeu, uma posição que se estabelecerá, posteriormente, como é provável, ele deve formar um governo de coalizão, já que as pesquisas mostram que terá mais de 28% e, portanto, 138 assentos, 12 a menos do que o necessário para uma maioria. Como você sabe, os aliados mais prováveis ​​são Potami, a esquerda democrática de centro-esquerda recém-formada, e outra força, Dimar, que garantem um outro 8-10%. Desde então, SYRIZA vai afirmar a sua posição na Europa, mas isso não é ruim, muito pelo contrário.

Algo vai acontecer, em suma. Mas temos a certeza de que haverá algo inovador? 

Olha, consideremos a situação de forma realista. A tensão na Europa chegou a um ponto em que, de uma forma ou de outra, estourará durante 2015. E há três alternativas: a nova crise financeira enorme, a afirmação das forças de direita, formando uma coalizão que estão colocando as fundações voltadas para a Frente Nacional em França e que inclui a Lega Nord de vocês e talvez a 5 Stelle, ou um choque político que vem a partir da esquerda: SYRIZA, os espanhóis do Podemos, o Partito Democrático Italiano, o restante dos socialistas, por fim aliados  operativos. Você, que solução você escolheria? Eu, a terceiro. 

A famosa "revolução democrática", em suma. Quais devem ser suas primeiras ações?

Dois pontos. Em primeiro lugar, a revisão global da atual política baseada na austeridade que está a asfixiar qualquer chance de recuperação na Europa, começando com o sul da zona do euro. E esta revisão deve ser fornecida como primeira coisa a renegociação da dívida pública, uma extensão dos prazos e, eventualmente, o perdão de verdade de algumas peças. É possível, eu lhe garanto. Você já se perguntou por que a América está crescendo como a Europa que está fora do euro, como a Grã-Bretanha? Mas por que a Itália deve destinar 6% do seu PIB para pagar juros e apenas 1% para melhorar suas escolas e universidades? Uma política focada exclusivamente sobre a redução da dívida é destrutiva para a zona euro. Segundo ponto: Uma centralização nas instituições europeias de políticas de base para o desenvolvimento comum a partir do fiscal e, talvez, mais reorientar esta última gravando as maiores rendas pessoais e industriais. Nestas questões fundamentais se deve votar por maioria e não por unanimidade, e monitorar o ajuste final. Maior centralidade também se aplica em outras frentes, como o que está começando a fazer com os bancos. Só então se pode padronizar a economia e desbloquear a fragmentação das 18 taxas de juro de política monetária 18, 19 a partir do início de janeiro com a Lituânia, expostos à devastação da especulação. Não percebendo que é míope e, o que é pior, profundamente hipócrita.

As "Hipocrisias europeias", de que falava no início: a que se refere mais especificamente?

Vamos em ordem. O mais hipócrita é Jean-Claude Juncker, o homem que traiu inconscientemente, a Comissão Europeia depois de ter levado durante vinte anos para Luxemburgo uma pilhagem sistemática de benefícios industriais no resto da Europa. Agora tem a intenção de agir duro e se virar, todos com um plano de 300 bilhões, mas apenas financiado a 21, e dentro desses 21 a maioria são fundos europeus já em via de distribuição. Ele fala de "alavancagem", mesmo sem perceber o que ele está falando. Em segundo lugar está a Alemanha, fingindo ter esquecido o maxicondonación de sua dívida após a Segunda Guerra Mundial, que de repente caiu de 200 a 30% do PIB, o que lhe permitiu financiar a reconstrução e os anos de crescimento irresistíveis seguintes. Onde teria chegado se tivesse sido forçada a reduzir a sua dívida fadigosamente 1 ou 2% ao ano, como está sendo forçado a fazer o sul da Europa? O terceiro nesta classificação de hipocrisia vergonhosa corresponde a França, agora se rebela contra a rigidez alemã, mas que foi no ringue para apoiar a Alemanha, quando a política de austeridade prevaleceu e parecia igualmente determinada quando o Pacto Fiscal de 2012 foi condenado as economias mais fracas para pagar suas dívidas até ao último euro, apesar da crise devastadora de 2010-2011. Então, se desmascarar e isolar estas hipocrisias, você pode retomar o desenvolvimento europeu no ano que está prestes a começar. E Syriza dar menos medo.

Thomas Piketty (1971) é diretor de estudos na EHESS (École des Hautes Études en Sciences Sociales) e professor associado da Faculdade de Economia de Paris, bem como autor de celebridade recente e brilhante para seu livro A capital no século XXI ( Fondo de Cultura Economica, 2014).

Sin Permisso

Quem é democrata?

Máximas da democracia:


  • A própria democracia somente é democracia quando eu, meu partido, está no poder.

  • O voto somente é democrático quando dado a mim, meus candidatos, senão os eleitores são burros ou as eleições foram roubadas.


A democracia durante o século XX se tornara um valor tão grandioso que se passou a necessitar a sustentação para qualquer regime que se tratava de uma democracia, e isso, naturalmente, conduziu a uma retórica hipócrita da democracia, sendo que a única forma "sólida" de garantir uma democracia que possuímos é o Estado democrático de direito.

O EDD não encerra em si o conceito de democracia, se o tenta faz uma restrição, mas dentro dele a dialético opera no sentido de cada grupo de interesses interno dar sua interpretação acerca do que entende como democrático.

Mas não se torna a todos democratas no interior de um EDD, aliás, dificilmente um sujeito humano pode vir a ser democrata ininterruptamente, pelo contrário, o EDD tenta através da lei torcer os espíritos mais despóticos. Embora Edgar Morin ressalte um segredo da necessidade de um "despotismo" para a manutenção d democracia, mas é algo que não se doma.

Conspirar contra o EDD é enxergar nele um domínio de  um grupo ao qual não se suporta. O que leva a manutenção de uma democracia é o fato de suportar e absorver as tensões do próprio regime. Não se pode definir por inteiro o que é ser democrata, por isso criou-se o arcabouço jurídico. Segundo Habermas a "regra do jogo" consiste no acordo de aceitar a constituição de uma maioria contrária, desde que quem passa a ser minoria enxergue a possibilidade de vir a constituir uma maioria.