"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 14 de março de 2015

Os motivos do Sarney

Quando se despediu do Senado em 2014 depois de não concorrer à mais uma reeleição, José Sarney, fez um discurso do tipo eu fiz mas não recomendo, onde, alegou uma mea culpa para dizer que ex-presidente não deve continuar exercendo cargos, criticou a votação proporcional no legislativo e, vejam só, condenou o financiamento privado de campanha.

Luiz Rodrigues - Editor

Estou me referindo a esse fato agora, meses depois, confesso que no momento não me surpreendi, pelo fato de te visto uma matéria do Jornal do Senado deste fim de semana onde se diz que projeto de iniciativa de Sarney que põe termo ao financiamento privado de campanhas vai à pauta do Senado nesta semana.

Sarney considerado por muitos o último dos capitães hereditários do Brasil, certamente não deve ter economizado em suas campanhas ao longo da duradoura vida política. Representando para muitos a personificação da política coronelística, pela sua presença repetida na presença do Senado e pela herança legada aos filhos e o domínio total do Maranhão, Sarney quis ser defensor de uma reconfiguração política do país.

Em artigo publicado logo a publicação por Sarney de um artigo na Folha de S. Paulo, logo após o segundo turno e repetido logo depois na despedida na tribuna do Senado, o observador da imprensa, Alberto Dines, escrevera artigo, publicado em vários jornais onde lembrara a trajetória política do maranhense, José de Ribamar que mudara para Sarney; Dines queria saber que bicho havia mordido Sarney.

Alguns dirão certamente que é o simples fato de haver deixado os mandatos, o que fiz não façam os demais; o fato é que não temos a sorte de ler os pensamentos do metido a estadista que sempre representara a má política brasileira.

Por que a essa altura apresentar a proposta de campanhas apenas com financiamento públicodepois de construir um império?

Reforma Política, Corrupção e o Sistema da Dívida no Brasil

Por Maria Lucia Fattorelli [1]

Os desvios de recursos por atos de corrupção na Petrobrás, apurados pela denominada operação Lava-Jato da Polícia Federal, têm sido o foco da grande mídia nos últimos meses, provocando enorme indignação por parte da população. De fato, tem razão de indignar-se a sociedade que arca com pesada carga tributária e não recebe o devido retorno em serviços públicos, tendo direitos sociais minados a cada ano, enfrentando enormes sacrifícios para sobreviver com salários apertados e demandas familiares não atendidas.
O risco que deve ser evitado nesse contexto é o raciocínio automático de que todas as mazelas do país decorrem da corrupção encastelada nas esferas de poder, revelada parcialmente por sucessivos escândalos que continuamente ocupam o espaço dos noticiários. Grande clamor social exige o fim desse quadro inaceitável. Entretanto, sem uma reforma política, acompanhada de mudanças estruturais no modelo econômico, dificilmente a mudança virá.
Um dos princípios mais relevantes da reforma política que representa os anseios sociais é o fim do financiamento privado de campanhas político-eleitorais. Não é mais possível ficarmos reféns de empresas e bancos que financiam campanhas de candidatos - tanto do Executivo como do Legislativo - mas depois cobram a conta. Em muitos casos tais financiamentos estão atrelados a processos de superfaturamento de obras, concessão de benesses tributárias, privilégios financeiros garantidos principalmente pela manutenção de juros altos, e, logicamente, corrupção.

A sociedade vem se mobilizando pela reforma política há alguns anos. Organizou o Movimento contra a Corrupção Eleitoral (MCCE), aprovou a Lei da Ficha Limpa no Congresso Nacional, e em 2013 organizou a Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas. A meta atual é alcançar 1,5 milhão de assinaturas pela aprovação do Projeto de Lei de iniciativa popular N٥ 6.316/2013, o que dependerá de ampla participação popular [2]. A Auditoria Cidadã da Dívida apoia todas essas iniciativas.
É evidente que todo e qualquer ato de corrupção deve ser devidamente apurado, e punidos os responsáveis. No entanto, tais escândalos não podem servir de cortina de fumaça para encobrir a verdadeira corrupção institucionalizada no equivocado modelo econômico implantado no país, que está permitindo, por exemplo:
• escandalosa destinação de recursos para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública, que nunca foi objeto de auditoria como prevê a Constituição Federal, e sobre a qual recaem diversos indícios de ilegalidades e ilegitimidades, além de indícios de fraudes levantados por CPI realizada na Câmara de Deputados [3];
• dispensa de bilhões de reais em tributos que deixam de ser arrecadados em virtude de dispositivos que beneficiam justamente os que teriam mais condição de contribuir para o financiamento do Estado: os muito ricos, e principalmente as grandes empresas, bancos, e seus sócios.
Para ilustrar, cabe mencionar alguns números:
As despesas com o serviço da dívida federal (juros mais amortizações, inclusive o refinanciamento), consumiram, somente no ano de 2014, a quantia de R$ 978 bilhões, correspondente a 45,11% do Orçamento Geral da União [4], enquanto para a saúde foram destinados apenas 3,98%, para a educação 3,73% e para assistência social 3,08%.

É evidente o privilégio à dívida pública, detida principalmente por grandes bancos, em detrimento do cumprimento dos direitos sociais básicos estabelecidos constitucionalmente. Cabe ressaltar que o Brasil pratica as taxas de juros mais elevadas do mundo!
Por sua vez, apenas as benesses tributárias mais gritantes, referentes à ausência de regulamentação do Imposto sobre grandes fortunas; à esdrúxula “dedução de juros sobre capital próprio” que só beneficia grandes empresas e bancos; a isenção de Imposto de Renda sobre a distribuição de lucros e dividendos e a isenção de ICMS sobre produtos primários e semielaborados destinados à exportação (Lei Kandir), representam uma perda de arrecadação estimada em R$121,3 bilhões por ano! [5]

Além dessas, ainda poderiam ser mencionadas a redução de 30% para 15% da alíquota de CSLL para o setor financeiro; a isenção de Imposto de Renda sobre os ganhos dos estrangeiros na dívida interna [6], equívocos na aplicação do ITR7, e muitas outras brechas que invariavelmente privilegiam os mais ricos e contribuem para acirrar cada vez mais a concentração de renda e aprofundar o fosso social que torna o Brasil o país mais injusto do mundo [8]. Daí a necessidade de avançar a proposta de uma reforma tributária justa no país.
O privilégio na destinação de recursos para o Sistema da Dívida e as benesses tributárias bilionárias fazem parte da estrutura do sistema capitalista concentrador de renda e riqueza. Esse sistema não tem escrúpulo para explorar a classe trabalhadora, nem limites para esgotar o meio ambiente, colocando em risco a própria vida no planeta. Dessa forma, a corrupção é inerente ao próprio modelo capitalista.
Em sua fase atual, o capitalismo está caracterizado pelo aprofundamento da finceirização, aliada ao imenso poder do setor financeiro privado e sua excessiva liberdade: pode criar grandes volumes de papéis sem lastro, operar nas sombras, fora de qualquer regulamentação, à margem de escrituração contábil, protegido pelo sigilo bancário e com amplo acesso a paraísos fiscais, onde desaparecem lucros e registros. Tal situação tem servido para garantir a opacidade de vultosas operações financeiras, permitindo que fiquem encobertos crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, armas e pessoas, contrabando, entre outras.
O Sistema da Dívida tem sido um dos espaços de operação desse modelo corrupto. As investigações realizadas têm comprovado que há muito tempo o endividamento público deixou de ser um mecanismo de financiamento do Estado e passou a ser um veículo de subtração de elevados volumes de recursos orçamentários, e subtração de patrimônio pela imposição contínua de privatização de áreas estratégicas como petróleo, portos, aeroportos, estradas, energia, saúde, educação, comunicações, entre outros.

Por isso defendemos a realização de completa auditoria dessas dívidas, com participação cidadã, a fim de deter esse “Sistema da Dívida” e modificar a inaceitável realidade de injustiças sociais vigente em nosso país.


AUDITORIA JÁ!

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[1] Coordenadora Nacional da Auditoria Cidadã da Dívidawww.auditoriacidada.org.br ehttps://www.facebook.com/auditoriacidada.pagina

[2] Saiba mais sobre a Campanha da Coalizão: 

[5] Estimativa de perda de arrecadação tributária anual devido a privilégios fiscais:
- Imposto sobre grandes fortunas:

Se a riqueza acumulada acima de R$ 50 milhões passasse a ser tributada com uma alíquota de 5% (incidente apenas sobre a parcela de riqueza que excede estes R$ 50 milhões) se poderia arrecadar R$ 90 bilhões ao ano.
- “Dedução de juros sobre capital próprio” e “Isenção de Imposto de Renda sobre a distribuição de lucros e dividendos”:
Benesses criadas pela Lei 9.249/1995. As duas produzem perda anual de R$ 11,3 bilhões, segundo Sindifisco Nacional.
- Isenção de ICMS sobre produtos primaries e semi-elaborados destinados à exportação (Lei Kandir):
Isenção concedida pela Lei Complementar 87/1996, representa perda anual de cerca de R$ 20 bilhões, segundo o CONFAZ

[6] Medida Provisória 281 (convertida na Lei 11.312/2006)
[7] Atualmente, o ITR arrecada apenas cerca de R$ 800 milhões anuais, o que é um valor muito baixo, equivalente, por exemplo, à arrecadação de IPTU de um bairro de São Paulo.

Memórias: Albert Einstein

No dia 14 de março de 1879, nasceu Albert Einstein: pacifista e cientista mundialmente conhecido. Além das suas contribuições revolucionárias para o avanço da ciência, foi um cidadão do mundo com um empenho cívico exemplar. A sua vida merece ser recordada. 

Por António José André.

Na última etapa da sua vida, Einstein contribuiu para um novo e forte impulso do movimento pacifista e anti-imperialista, no plano internacional, com repercussões duradouras. Photograph by Oren Jack Turner, Princeton, N.J. Modified with Photoshop by PM_Poon and later by Dantadd.
Na última etapa da sua vida, Einstein contribuiu para um novo e forte impulso do movimento pacifista e anti-imperialista, no plano internacional, com repercussões duradouras. Photograph by Oren Jack Turner, Princeton, N.J. Modified with Photoshop by PM_Poon and later by Dantadd.

Einstein nasceu, no dia 14 de março de 1879, em Ulm (Alemanha), numa família alemã, burguesa e liberal, de ascendência judia. Frequentou a escola, em Munique. Em 1895, mudou-se sozinho para a Suíça. Em 1896, ingressou no Instituto Politécnico de Zurique (Suíça), onde se licenciou, em 1900.

Em 1901, renunciou à cidadania alemã, a fim de evitar o serviço militar, naturalizando-se suíço. Em 1902, começou a trabalhar no Departamento Nacional de Patentes, em Berna. Naquela época, dedicava-se ao estudo da física teórica, obtendo o doutoramento, em 1905, ao publicar 3 teses que antecipavam as suas descobertas mais importantes.

Einstein foi docente em Berna (1909), na Universidade de Zurique (1910), na universidade de Praga (1911) e no Instituto Politécnico de Zurique. Em 1914, foi nomeado professor da Universidade de Berlim e da Academia das Ciências Prussiana. Instalou-se, em Berlim, e readquiriu a nacionalidade alemã.

Três meses depois, deflagrou a Primeira Guerra Mundial. Einstein opôs-se desde o início à guerra e negou assinar um manifesto de 93 catedráticos a favor do conflito. Poucos dias depois, redigiu um anti-manifesto com o médico Georg Nikolai (também pacifista), mas só conseguiram 4 subscritores.

O pacifismo de Eisntein e a sua origem judaica tornaram-no impopular entre os nacionalistas alemães, hostilidade agravada pelos seus êxitos científicos e pelo seu reconhecimento internacional, sobretudo após a confirmação observacional da Teoria da Relatividade geral, em 1919.

O ativismo político de Einstein cresceu após o fim da Primeira Guerra Mundial, advogando o pacifismo, a não-violência e a cooperação internacional. Nesse sentido utilizou todas as plataformas, os fóruns e redes de contatos científicos, colaborando com a Liga das Nações.

A década de 20 foi de intensa atividade cívica e científica, pontuada por numerosos convites e viagens ao estrangeiro. Em 1922, foi-lhe atribuído o Prêmio Nobel de Física pela interpretação do efeito fotoelétrico. Mas, encontrando-se de viagem ao Japão, não participou da cerimônia da entrega do prêmio.

Em 1932, Einstein gravou um disco intitulado "Mein Glaubensbekenntnis" (A Minha Confissão de Fé). Em janeiro de 1933, Hitler chegou ao poder na Alemanha. Einstein, judeu e socialista, encontrava-se ameaçado. Foi avisado por amigos e aconselhado a emigrar. Passou 6 meses na Bélgica e partiu para os EUA, em outubro de 1933.

Em 1940, Eistein renunciou de novo à cidadania alemã, naturalizando-se como cidadão norte-americano e foi acompanhando a evolução dos acontecimentos na Alemanha e no mundo, assumindo funções na Universidade de Princeton (EUA).

Quando os EUA lançaram 2 bombas atômicas contra o Japão, no final da Segunda Guerra, Einstein ficou chocado. Na última etapa da sua vida, contribuiu para um novo e forte impulso do movimento pacifista e anti-imperialista, no plano internacional, com repercussões duradouras.

Em fevereiro de 1955, elaborou um Manifesto com Bertrand Russel - mais tarde subscrito por Max Born, Percy W. Bridgman, Leopold Infeld, Frederic Joliot-Curie, Herman J. Muller, Linus Pauling, Cecil F. Powell, Joseph Rotblat e Hideki Yukawa - que apelava à renúncia da força entre os dois blocos político-militares emergentes da Segunda Guerra Mundial.

Estes esforços contribuíram para o posterior surgimento de vários movimentos pacifistas e anti-nucleares, bem como muito para os sucessos diplomáticos que conduziram aos vários Tratados anti-nucleares.

Eisntein faleceu, no dia 18 de abril de 1955, em Princeton (EUA). No testamento, doou o seu espólio científico à Universidade Hebraica de Jerusalém. Além disso, insistiu para que nunca fosse erigido um monumento em sua memória. As suas cinzas foram dispersas em local desconhecido.

ISIS: Gerentes da selvageria

A brutalidade sectária de ISIS permitiu ao presidente sírio, Bashar al-Assad  jogar desonestamente de vítima: o incendiário que aparece como um bombeiro.

POR MUHAMMAD IDREES AHMAD - In These Times


Dois desenvolvimentos paralelos têm contribuído para o aumento do Estado Islâmico (EI): a invasão do Iraque pelos EUA e a conseqüente marginalização de sua minoria sunita, e o abandono da insurreição popular na Síria por parte da comunidade internacional.
Antes da invasão, o militante jordaniano Abu al Zarqawi Mus'ab era uma figura marginal. A guerra deu-lhe um ponto de apoio: Ele entrou no vácuo de segurança e lançou a Al Qaeda no Iraque (AQI). O projeto de Zarqawi foi auxiliado pela mesquinhez das autoridades de ocupação. A dissolução do exército nacional iraquiano e o expurgo de membros do partido Baath da burocracia estatail do vice-rei Paul Bremer criara um grande grupo de sunitas descontentes. Com pouco a perder, muitos deles colocam suas armas e treinamento militar a serviço da insurgência. A alienação foi completa quando, em sua tentativa de dividir o levante nacionalista, os EUA implantando esquadrões da morte sectários e implantado forças xiitas e forças  ao reduto sunita rebelde de Fallujah.
Depois que o novo governo iraquiano lançou um ataque na cidade sunita de Tal Afar em setembro de 2005, Zarqawi declarou guerra à população xiita do Iraque, e a AQI tornou-se um lar para os sunitas temerosos de dominação xiíta. Mas a maioria dos sunitas do Iraque permaneceram cautelosos sobre seus motivos: o âmbito das ambições da AQI -estabelecer um califado sunita no Iraque - transcendendo as fronteiras do Iraque e, com suas legiões de combatentes estrangeiros, manteve-se uma presença estranha pan-islâmica.
Ciente de que o acolhimento pode não durar, Zarqawi decidiu dar a sua operação de um verniz iraquiano. Em janeiro de 2006, ele formou o Conselho Shura Mujahideen (MSC), que reúne seis grupos locais, principalmente salafistas (puritanos sunitas) com um iraquiano como seu chefe nominal. Três meses mais tarde, Zarqawi foi morto em um ataque aéreo dos EUA e o MSC dobrou logo em seguida. Ele foi substituído em Outubro de 2006 pelo Estado Islâmico do Iraque (ISI).
Mas os sunitas se ressentiam de intrusos como Zarqawi voltando sua marginalização política em uma desculpa para a luta sectária. Eles queriam uma participação no futuro do Iraque, e não a insegurança interminável que o ISI garantia. Nem se importam com provocações do ISI bombardeando santuários xiitas, o massacre de civis que se transformaram em alvos involuntários de retribuição Xiita. (Liderança central inclusive da al-Qaeda estava desconfiada de sua marca estar associada a uma agenda estritamente sectária.) Uma rebelião de tribos sunitas iraquianas, com incentivo e apoio dos EUA, finalmente levou o ISI fora das cidades e vilas do Iraque, e em abril de 2010, seus dois líderes foram mortos em um ataque pelo Comando de Operações Especiais Comum dos EUA  (JSOC).
Foi a revolta na Síria, que começou em março de 2011, e a resposta brutal de Bashar al Assad que reviveu as fortunas do ISI. Tudo começou como um movimento pacífico, não-sectário e popular pelos direitos democráticos e dignidade. Mas sob ataque implacável do regime, alguns opositores do regime foram forçados a pegar em armas. Os jihadistas não entram na briga até um ano mais tarde, no entanto, mesmo assim, eles permaneceram uma força marginal: Em agosto de 2012, a CIA poderia contar não mais do que 200 em fileiras da oposição. Nacionalistas buscam a derrubada do regime dominando a insurgência. Mas carentes de apoio internacional, a rebelião da corrente principal secou.
Agosto 2013 revelou-se um ponto de viragem. O regime de Assad havia chamado de blefe da América e lançou um ataque com gás sarin em bairros de Eastern Ghouta, deliberadamente cruzando a "linha vermelha" que o presidente Barack Obama havia prometido desencadear uma intervenção. Obama não conseguiu igualar as palavras duras com a ação, e o regime encorajou a escalada da guerra. Rebeldes mainstrain alinhados com o Ocidente foram desacreditados. A estrela de 'jihadistas aumentou.  
Sob o novo líder Abu Bakr al Baghdadi, o ISI havia expandido suas operações para a Síria. Em abril de 2013, ele rebatizou-se oficialmente de Estado Islâmico do Iraque e do Levante (al-Shaam) - ISIS. A sua coerência operacional foi reforçada pelos muitos ex-soldados iraquianos em suas fileiras; seus números foram aumentados por jihadistas libertados de prisões de Assad em 2011. Muitos desses homens tinham no passado, sido infiltrados no Iraque pelo regime de Assad para manter os EUA em cheque. Mas, como a ocupação fora ferida por baixo, os jihadistas se viram privados de seu regresso.
Cuidando em evitar o confronto direto com o regime em que poderia, o ISIS expandiu sua presença, principalmente, aproveitando territórios de grupos rebeldes sírios. Ele usou esses territórios para impor seu domínio medieval e continuar sua guerra de atrito contra a rebelião anti-Assad. O ISIS assassinou seus líderes e assediou seus combatentes; também intimidou e desapareceu ativistas da sociedade civil.
Com a presença do ISIS crescendo e cada vez mais intolerável, a resistência síria revidou.Começando no Dia de Ano Novo de 2014, os grupos rebeldes, incluindo o Exército Livre da Síria (FSA), a Frente Islâmica (IF), Ahrar al-Sham (AS) e até mesmo o funcionário da filial da Al-Qaeda Jabhat al-Nusra (JAN) unidos para expulsar o ISIS de Idlib, Deir Ezzor, grande parte de Aleppo e arredores de Damasco.
Mas em 2013, a dinâmica no Iraque havia mudado. Após a retirada dos Estados Unidos, os restantes controles de regra sectária do primeiro-ministro iraquiano Nouri al-Maliki tinha sido derrubada. Inspirado pela Primavera Árabe, a população sunita desafeta e vulnerável protestou. Mas, como Assad, Maliki respondeu com repressão e bombas; suas forças agiram como ocupantes.
A raiva sunita cresceu. No verão de 2014, o ISIS e o ex-general iraquiano Izzat Ibrahim al-Duri eo Exército Naqshbandi  finalmente montaram a onda de ressentimentos de para um avanço relâmpago através do norte do Iraque. Pego de surpresa, o exército iraquiano numericamente superior se desintegrou. Ele abandonou suas armas Americanas -fornecidos para a ponta de lança do ISIS. Mosul caiu, sunitas comemoraram. E, com o seu poder de fogo reforçado, o ISIS voltou para a Síria em triunfo.
Afirmando suas aspirações mais amplas, o ISIS abandonou a referência geográfica de seu nome. O Estado Islâmico (IS), como é chamado agora, declarou um "califado" global e, através de uma série de atrocidades horríveis, cevando com sucesso os EUA para intervir militarmente. Suas vítimas eram jornalistas e trabalhadores humanitários, todos os simpatizantes do povo sírio. Sua sede de sangue ainda fez a Al Qaeda recuar. A Al Qaeda sempre teve uma relação difícil com o seu desdobramento Zarqawiite. Mas a antipatia mútua finalmente se tornou pública quando o chefe da Al-Qaeda, Ayman al Zawahiri ordenou ao ISIS se desfezer, e Baghdadi recusou. Em fevereiro de 2014, a Al Qaeda repudiou oficialmente o ISIS. 
Estes desenvolvimentos são narrados nos mínimos detalhes no indispensável de Michael Weiss e Hassan Hassan ISIS: Inside the Army of Terror. Além da história, o livro apresenta uma análise granular da organização, ideologia, do financiamento e do recrutamento doEI. O livro explica a lógica estratégica de crueldade espetacular do grupo, dando aos leitores um vislumbre da mentalidade por meio de uma série de entrevistas com seus quadros. Ele também descreve as experiências comuns que definem seus líderes no caminho da jihad (Zarqawi foi radicalizado em uma prisão da Jordânia; Baghdadi no acampamento americano Bucca). Ele também mostra como o IS garantiu a lealdade das tribos sob seu domínio através da compra ou concussão, usando coerção ou cooptação. 
Por outro lado,  Patrick Cockburn em The Rise of Islamic State: ISIS and the New Sunni Revolution é uma polêmica de alta altitude que culpa a ascensão do IS por nossa conta e do apoio saudita para a rebelião anti-Assad. Ele tem pouco ou nada a dizer sobre a ideologia ou a composição. Agindo mais como um defensor do que um observador, Cockburn defende a aproximação com o regime de Assad.
Mas, para tornar o seu caso, Cockburn dispensa proporção e distinção. Embora em sucessivos relatórios da ONU, Anistia Internacional e Human Rights Watch acusou o regime de Assad como de longe o principal perpetrador de violência no conflito, o relato de Cockburn é dedicado quase inteiramente às atrocidades da oposição. (Ele se reporta exclusivamente a partir de áreas controladas pelos regime.). A repressão do regime não recebe menção superficial, mas analogias nazistas são reservados para a oposição.
Cockburn não faz nenhuma menção dos interesses divergentes e rivalidades entre ativos do IS e da oposição nacionalista síria. Para ele, ajudar a oposição é ajudar o IS.
Para fundamentar essa afirmação, ele cita "um oficial de inteligência de um país do Oriente Médio vizinho da Síria",  lhe disse que "membros do ISIS dizem que eles estão sempre satisfeitos quando as armas sofisticadas são enviadas para grupos anti-Assad de qualquer tipo, porque eles podem sempre obter  ameaças de força ou de caixa de pagamentos." (Cockburn cita muitos funcionários da inteligência anônimos no livro, mas em nenhuma outra ocasião ele concede o anônimo país. Poderia ser porque o "país vizinho da Síria" é o Iraque, um aliado chave de Assad?)
No entanto, esta tendência é o menor dos problemas na apresentação dos relatórios de Cockburn em que ele também embeleza. Na página 76 de seu livro, ele escreve sobre Adra: "Eu via forças JAN invadir um complexo habitacional, avançando através de um tubo de drenagem, que saiu atrás das linhas do governo, onde passaram a matar alauítas e cristãos." Este seria a primeiro verificação independente de uma história que veio brevemente à tona antes de desaparecer em um redemoinho de afirmações contraditórias. A emissora russa RT tinha usado até mesmo imagens falsas no seu relatório sobre o incidente.
No entanto, Cockburn estava longe de Adra. Isto é confirmado por uma fonte segura: Patrick Cockburn. Ele primeiro informou sobre o incidente em 28 de janeiro de 2014 na sua coluna no The Independent. Mas, em vez de estar pessoalmente presente, a história sobre os rebeldes que avançam através de um tubo de drenagem é atribuída a "um soldado sírio, que deu seu nome como Abu Ali". Cockburn parece ter puxado a Brian Williams.
insistência de paz de Cockburn entre o regime de Assad e os curdos são as únicas forças capazes de derrotar o IS, Weiss e Hassan apresentam provas de que o regime tenha deliberadamente evitado confronto com o IS. Os autores citam um estudo do Centro Carter, que confirma que o regime não mirou o  IS em 90 por cento de seus ataques. Um estudo do Centro de Terrorismo e insurgência da IHS Jane (JTIC) é ainda mais condenável. Ele revela que, em 2014, apenas 13 por cento dos ataques eram dirigidas ao regime; por sua vez, o regime tinha como alvo o IS em apenas 6% de seus ataques. O peso da fúria dos dois grupos tem sido direcionada para o povo sírio.
Nada disto é reconhecido na análise de Cockburn. No início de fevereiro, quando o regime lançou uma série particularmente selvagem de bombardeios contra a cidade síria de Douma, matando até 250 civis, Cockburn reprisou suas críticas ao Ocidente por "tentar derrubar o presidente Bashar al-Assad, cujo exército é o principal adversário militar  do ISIS. "O IS pode ser derrotado, Cockburn argumentou, se as potências ocidentais se unirem com o regime de Assad. Mas, se o fator crítico é o poder ocidental, ele não diz por que ele não se respaldar os rebeldes sírios, que realmente têm um registro de combate e derrotar o IS.
As prescrições de Cockburn não obstante, são  o que os EUA parece estar fazendo agora. No seu assalto ao IS, tem atuado em coordenação com o regime de Assad, com efeito, como sua força no ar,  o regime, não fazia distinção entre vários grupos rebeldes, visando o IS, bem como seus adversários islâmicos janeiro e AS.
Para o regime de Assad, o IS provou ser uma dádiva de Deus.
Desde o início, o regime tentou pintar a revolta como uma revolta extremista contra um governo secular. O IS confirma esse estereótipo. A crueldade é fundamental para a sua lógica operacional. O IS pratica uma doutrina exposta em um texto chamado Gestão da selvageria por um ideólogo jihadista com o nome de guerra Abu Bakr Naji. O sistema estabelece uma forma de guerra para a qual "a violência, crueza, terrorismo, [dissuasão] e massacre" são centrais.
O IS elevou o revanchismo sectário em um projeto político. E isso permitiu a Assad que, deliberadamente, usou uma estratégia sectária para dividir uma revolta - para jogar desonestamente de vítima: o incendiário que aparece como um bombeiro.
Cockburn ecoa e amplifica essa linha. Essa inversão de causa e efeito levou a uma situação em que as potências ocidentais estão agora a inflamar os mesmos fatores que levaram ao aumento do IS. No Iraque, os EUA estão armando milícias xiitas apoiados pelo Irã, cujos excessos engendraram o IS com folga; na Síria os EUA estão coordenando ataques aéreos com o regime, e mesmo contando com a sua inteligência. (A única exceção foi Kobane, onde o poder aéreo ajudou os curdos e a FSA repelir uma  ofensiva)
Mas em um determinado dia um tem que fazer mais do que o levantamento de acontecimentos da semana anterior para a perspectiva. Em 19 de fevereiro, a BBC informou que o YPG curdo e três grupos de rebeldes sírios que Cockburn insiste em não existentes avançaram para a fortaleza do IS de Raqqa para capturar 19 aldeias.
O "adversário militar principal do ISIS" foi entretanto ocupado em outro lugar. Em 17 de fevereiro, durante a sua breve ocupação da cidade de Retian em Aleppo, as forças do regime executou pelo menos 21 civis, de acordo com o Centro de Violações de Documentação. (O Observatório Sírio para os Direitos Humanos coloca o número em 49) Quatro dias mais tarde, no primeiro aniversário da resolução da ONU 2139, que exigiu o fim do bombardeamento indiscriminado de civis, trabalhadores da Defesa Civil da Síria registraram 15 bombas  em Aleppo. Nada disto registra no retrato ideológico invertido de Cockburn.
A virtude do livro de Weiss e Hassan é que eles colocam as pessoas da Síria à frente e no centro ; Cockburn, por outro lado, vê tudo pelo prisma da rivalidade do estado. Raciocínio dedutivo ideológico lhe permite tratar o abate de seu próprio povo por Assad como um ato de resistência ao imperialismo. As prescrições de Cockburn visam remediar os sintomas sem tratar a causa; eles garantem a guerra perpétua. Atendendo Weiss e Hassan iria colocar os EUA no lado da maioria da Síria e, potencialmente, trazer estabilidade para o Iraque.

Chomsky: A invasão do Iraque está na origem de grupos como o Estado Islâmico

Nesta entrevista ao Jacobin, Noam Chomsky explica as raízes do EI e por que os Estados Unidos e os seus aliados são responsáveis pelo surgimento do grupo. Em particular, argumenta que a invasão do Iraque de 2003 provocou as divisões sectárias que provocaram a desestabilização da sociedade iraquiana. O resultado foi um clima onde os radicais apoiados pelos sauditas prosperaram. Entrevista de David Barsamian.

Pode-se ter a certeza de que à medida que o conflito se desenvolva, eles vão ficar mais extremistas. Os mais brutais, mais duros grupos vão ganhar predominância. É o que acontece quando a violência se torna no meio de interação. É quase automático. Foto de Jacobin
Pode-se ter a certeza de que à medida que o conflito se desenvolva, eles vão ficar mais extremistas. Os mais brutais, mais duros grupos vão ganhar predominância. É o que acontece quando a violência se torna no meio de interação. É quase automático. Foto de Jacobin

O Oriente Médio está em chamas, da Líbia ao Iraque. Há novos grupos jihadistas. As atenções focam-se no Estado Islâmico. Que pensa deste grupo e das suas origens?
Há uma entrevista interessante a Graham Fuller, publicada há dias. Trata-se de um ex-agente da CIA, um dos principais analistas do Oriente Médio. O título é “Os Estados Unidos criaram o Estado Islâmico”. Esta é uma das teorias da conspiração, das milhares que há no Oriente Médio.
Mas esta vem de outra fonte: do coração do establishment dos EUA. Fuller apressa-se a esclarecer que não quer dizer que os EUA decidiram dar existência ao EI e depois financiá-lo. O que ele sustenta – e eu acho uma opinião correta – é que os EUA criaram o ambiente do qual nasceu e se desenvolveu o EI. Em parte, a abordagem foi o padrão martelado: esmaga-se aquilo de que não se gosta.
Em 2003, o Reino Unido e os EUA invadiram o Iraque, um grande crime. Ainda esta noite, o Parlamento britânico concedeu ao governo a autoridade para bombardear o Iraque de novo. A invasão foi devastadora. O Iraque já tinha sido virtualmente destruído, em primeiro lugar pela guerra de dez anos contra o Irã, na qual, diga-se de passagem, o Iraque foi apoiado pelos EUA; e logo em seguida, pela década de sanções econômicas.
Estas foram descritas como “genocidas” pelos respeitados diplomatas internacionais que as administraram, e ambos se demitiram em protesto. As sanções devastaram a sociedade civil, reforçaram o ditador, forçando a população a depender dele para sobreviver. Esse é provavelmente o motivo de não ter seguido o mesmo caminho de todo um grupo de ditadores que foram derrubados.
Finalmente, os EUA decidiram atacar o país em 2003. O  ataque é comparado por muitos iraquianos à invasão mongol ocorrida mil anos antes.Terrivelmente destrutiva. Centenas de milhares de pessoas mortas, milhões de refugiados, milhões de outras pessoas deslocadas, destruição de riquezas arqueológicas do país dos tempos da Suméria.
Um dos efeitos da invasão foi imediatamente instituir divisões sectárias. Parte do fulgor da força de invasão e do seu diretor civil, Paul Bremer, foi separar as seitas, sunitas, xiitas, curdos e provocar os conflitos entre elas. Num par de anos, havia um enorme, brutal conflito sectário incitado pela invasão.
Para comprovar isto basta olhar para Bagdá. Se virmos um mapa de, digamos, 2002, trata-se de uma cidade misturada: sunitas e xiitas vivem nos mesmos bairros, por vezes nem se sabe quem é sunita ou xiita. É como saber se os seus amigos são de um grupo protestante ou de outro. Havia diferenças, mas não hostilidade.
De fato, durante alguns anos ambos os lados diziam: nunca haverá conflitos sunitas-xiitas. Estamos demasiado misturados na natureza das nossas vidas. Mas em 2006 já havia uma guerra enraivecida. Esse conflito espalhou-se a toda a região. Hoje, toda ela está dividida pelos conflitos sunitas-xiitas.
A dinâmica natural de um conflito como esse é que os elementos mais extremistas começam a ser predominantes. Tinham raízes. As raízes vêm do maior aliado dos EUA, a Arábia Saudita, que tem sido o principal aliado dos EUA na região desde que Washington se envolveu seriamente, de fato desde a fundação do estado saudita. É uma espécie de ditadura familiar. O motivo é ter uma quantidade enorme de petróleo.
O Reino Unido, antes dos EUA, preferia habitualmente o islamismo radical ao nacionalismo laico. E quando os EUA assumiram o seu papel, na essência seguiram o mesmo padrão. O islamismo radical tem o centro na Arábia Saudita. É o mais extremista, radical estado islâmico do mundo. Faz o Irã parecer um país tolerante e moderno por comparação e, evidentemente, as partes laicas do Oriente Médio árabe ainda mais.
Não só é orientado por uma versão extremista do Islã, a versão salafista wahabista, como também é um estado missionário. Usa os seus enormes recursos do petróleo para promulgar estas doutrinas por toda a região. Cria escolas, mesquitas, clérigos por toda a parte, do Paquistão ao Norte de África.
A doutrina abraçada pelo Estado Islâmico é uma versão extremista do extremismo saudita. Cresceu ideologicamente da mais extremista forma do Islã, a versão saudita, e os conflitos que foram engendrados pelo martelo dos EUA que esmagou o Iraque espalhou-se agora para todo o lado. É o que Fuller quer dizer.
A Arábia Saudita não só fornece o núcleo ideológico que levou ao extremismo radical do EI, como também o financia. Não o governo saudita, mas os ricos sauditas e kuwaitianos e outros dão fundos e apoio ideológico a estes grupos jihadistas que florescem por todo o lado. O ataque à região levado a cabo por britânicos e os EUA é a fonte onde tudo isto tem origem. Foi o que Fuller quis dizer ao afirmar que os EUA criaram o EI.
Pode-se ter a certeza de que à medida que o conflito se desenvolva, eles vão ficar mais extremistas. Os mais brutais, mais duros grupos vão ganhar predominância. É o que acontece quando a violência se torna no meio de interação. É quase automático. Isto é assim tanto nos bairros quanto nos assuntos internacionais. As dinâmicas são perfeitamente evidentes. É o que está a acontecer. É de onde vem o EI. Se conseguirem destruir o EI, terão de lidar com algo mais extremista.
E a mídia é obediente. No discurso de 10 de setembro, Obama citou dois países como histórias de sucesso da estratégia de contra-insurgência dos EUA. Que países são esses? Somália e Iêmen. Toda a gente devia estar de queixo caído, mas no dia seguinte o silêncio era total, não havia comentários sobre isto.
O caso da Somália é particularmente horrendo. O Iêmen é mau demais. A Somália é um país extremamente pobre. Não vou falar da história toda. Mas um dos grandes sucessos da política de contraterror da administração Bush foi que conseguiram fechar uma instituição de caridade, a Barakat, que abastecia o terrorismo na Somália. Grande excitação na imprensa. Grande triunfo.
Uns meses depois, os fatos começaram a ganhar a luz do dia. A instituição de caridade não tinha absolutamente nada a ver com o terrorismo na Somália. Tinha a ver sim com a banca, o comércio, os hospitais. Mantinha de certa forma viva a economia somali, profundamente empobrecida e abalada. Ao fechar a instituição, a administração Bush acabou com isto. Foi a contribuição para a contra-insurgência. Foram-lhe dedicadas umas poucas linhas, que podem ser lidas em livros sobre finanças internacionais. É o que foi feito à Somália.
Houve um momento em que os chamados Tribunais Islâmicos, uma organização islâmica, tinha conseguido uma espécie de paz na Somália. Não era um regime bonito, mas pelo menos era pacífico e o povo estava mais ou menos a aceitá-lo. Os EUA não o toleraram, e apoiaram uma invasão etíope para destruí-lo e fazer toda a região numa enorme confusão. Grande sucesso.
O Iêmen tem também a sua história de terror.
Esta é a tradução de uma parte da entrevista publicada no site informativo Jacobin.
Traduzido por Luis Leiria para o Esquerda.net

Juliana Machado Ferreira: A luta para acabar com o tráfico de animais no Brasil

A bióloga brasileira Juliana Machado Ferreira fala sobre a importância de combater o tráfico de animais.

Começam os ensaios no LHC para o reinício dos experimentos

Por Cian O'Luanaigh
Um "evento splash" no detector LHCb, gravado durante um teste de injeção em 2009 (Image: LHCb)
Devido o retorno ao funcionamento do Large Hadron Collider (LHC), , no final deste mês, a equipe do Centro de Controle do LHC estão ocupados em testar os sistemas que fornecem as vigas.
No CERN, uma série de aceleradores aumenta as energias de prótons ou íons sucessivamente mais altas até que sejam injetados no LHC. O LHC acelera ainda mais as partículas antes de entregar as colisões com os quatro detectores ALICE , ATLAS , CMS e LHCb . O acelerador penúltimo na cadeia é o Super Proton Synchrotron (SPS), uma máquina de cerca de 7 km de circunferência, que recebe partículas do Proton Synchrotron a 26 GeV, e estimula-as para os 450 GeV necessários para injecção ao LHC.
Agora, a equipe de controle do LHC está testando os sistemas de injeção para garantir que a próxima inicialização do acelerador corra da melhor maneira possível. Apesar de partículas serem injetadas em partes do LHC neste fim de semana, não haverá vigas totalmente circulando até o startup planejado para o fim deste mês.
"Faremos dois testes", diz Ronaldus Suykerbuyk da equipe de operação do LHC. "O feixe 1 vai passar pelo detector ALICE até o ponto 3, onde vamos despejar o feixe sobre uma mira, e o feixe 2 vamos passar pelo detector LHCb até o despejo feixe no ponto 6."Uma tela colocada no tubo de feixe irá registrar uma passagem bem sucedida como um ponto brilhante. A equipe também irá gravar outros parâmetros, incluindo os horários dos kickers de injeção - pulsando rápido os ímãs bipolares que "chutam" o feixe no acelerador - e da trajetória do feixe nas linhas de injeção e tubo de feixe do LHC.
Vigas não irão circular por todo o caminho em torno do LHC, mas sim alcançar o ponto 3 e ponto 6 durante os ensaios (Image: Leonard Rimensberger / CERN)
"Este teste é realmente um exercício de depuração maciça", diz Mike Lamont, chefe da equipe de operações. "Nós já pré-testamos todos os sistemas de controle sem viga. Se o feixe passa ao redor nós vamos ser felizes!"
Os experimento Alice e LHCb estão preparando seus detectores para receber os pulsos de partículas. "ALICE receberá múons provenientes do despejo feixe SPS", diz o físico do ALICE Despina Hatzifotiadou, "Eles serão usados ​​para estudos de cronometragem gatilho e para alinhar o espectrômetro de múons".
LHCb também fará a tomada de dados. "Estes testes criam uma excelente oportunidade para comissionar o sistema detector LHCb e de aquisição de dados. Os dados coletados também são de valor inestimável para os estudos de detectores e fins de alinhamento, ou seja, determinar os locais geométricos relativos dos diferentes sub-detectores com relação a uns aos outros ", diz Patrick Robbe de LHCb. "É emocionante porque os testes mostram que estamos chegando mais perto e mais perto do reinício!"
Mas ainda há muito trabalho a fazer antes de vigas que circulam primeiro, diz Suykerbuyk. "Temos que terminar todas as provas através de alimentação e treinamento ímã, bem como teste de todos os outros sistemas de hardware e feixe-diagnóstico." Vaiser uma movimentada  semana para todos os interessados.

Do site do CERN

A dívida de 200 trilhões de dólares e a próxima crise financeira mundial

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

dívida global 2000-2014

A consultoria Mackinsey publicou em fevereiro de 2015 um relatório (Debt and, not much, deleveraging, McKinsey Global Institute – MGI) mostrando que as dívidas dos domicílios (famílias), governos, empresas e setor financeiro passou de US$ 87 trilhões no quarto trimestre de 2000 para US$ 142 trilhões no quarto trimestre de 2007 e para US$ 199 trilhões no segundo trimestre de 2014.
Em proporção do PIB a divida total passou de 246% em 2000, para 269% em 2007 e atingiu 286% em 2014.
Isto quer dizer que a economia internacional está sendo sustentada por uma bolha de crédito que vem crescendo de forma exponencial, chegando a praticamente a 200 trilhões de dólares em meados de 2014, ou cerca de 3 vezes o valor do PIB mundial. Evidentemente esta dívida terá que ser paga em algum momento do futuro pelas atuais ou posteriores gerações.
Grande parte desta dívida é controlada pelo sistema financeiro e alimenta o processo de financeirização da economia mundial. Já os setores de criação de riqueza real da economia não estão empregando no ritmo adequado os trabalhadores em relação à população total. A concentração de riqueza no setor financeiro aumenta a desigualdade social e agrava as perspectivas do crescimento econômico, pois grande parte da riqueza é baseada no crédito, sem bases reais na produção.
Porém, promessas de pagamentos futuros, por exemplo, pensões e de seguridade social, se apoiam em recursos que na verdade não existem, enquanto a riqueza que existe é cada vez mais concentrada nas mãos de uma parcela pequena e muito rica da sociedade. O processo de globalização tem potencializado a dívida mundial e a maioria dos países estão perdendo o controle sobre as dívidas nacionais.
O documento da McKinsey analisa 47 países e elabora um ranking baseado no nível de endividamento. O Brasil ficou em 34º lugar do ranking, com uma dívida que representa 128% do PIB, sendo 65% advindo da dívida pública, 25% das dívidas dos domicílios e 38% das dívidas de empresas e setor financeiro. Mas o destaque coube à China que apresentou rapidíssimo grau de endividamento. A dívida da segunda maior economia do mundo quadruplicou, passando de US$ 7 trilhões em 2007 para US$ 28 trilhões em meados de 2014, representando 282% do PIB.
Todavia, os 10 países mais endividados em termos de proporção do PIB são: 1) Japão 400%, 2) Irlanda 390%, 3) Cingapura 382%, 4) Bélgica 327%, 5) Holanda 325%, 6) Grécia 317%, 7) Espanha 313%, 8) Dinamarca 302%, 9) Suécia 290% e 10) Itália 259%.

dívida mundial

Alguns economistas, como o prêmio Nobel Paul Krugman, consideram que este endividamento é necessário para tirar a economia internacional da recessão (ou do baixo crescimento desde a crise de 2008/09) e alcançar o nível de pleno emprego. Outros economistas, criticam a ameaça de inflação decorrente das políticas monetárias muito frouxas e expansionistas e o sinal equivocado que projeta no sistema de preços.
O fato é que a dívida mundial crescente não tem sido suficiente para o retorno das altas taxas de crescimento econômico dos tempos pré-crise do Lehman Brothers. Há sinais claros que vivemos uma bolha de crédito que tem provocado excesso de investimentos em algumas áreas, com uma financeirização descontrolada a serviço dos ricos.
O sociólogo Wolfgang Streeck, professor do Instituto Max Planck, acredita que o sistema capitalista democrático do pós-guerra caminha para o seu fim. Para ele o casamento do capitalismo com a democracia está praticamente encerrado e há uma tendência de baixo crescimento, sufocamento da esfera pública, avanço da oligarquia financeira, da corrupção e da anarquia internacional.
A baixa taxa de juros praticadas pelos bancos centrais dos países desenvolvidos e as políticas de afrouxamento monetário para prover o mercado com liquidez, como as chamadas “quantitative easing”, devem causar bolhas financeiras. Esse processo gera também grande especulação nas bolsas de valores, o que pode levar a uma grande queda (crash), como em 1929, 1987 e 2008. Há muitos sinais de uma próxima crise financeira e de um novo colapso da economia internacional.
Referências:
McKinsey Global Institute. Debt and (not much) deleveraging, February 2015

ROSCOE, Mike. What Does $200 Trillion of Debt Really Mean for the Global Economy? Resilience, 05/02/2015 http://www.resilience.org/stories/2015-02-05/what-does-200-trillion-of-debt-really-mean-for-the-global-economy
Paul B. Farrell. Stock-market crash of 2016: The countdown begins, Market Watch, Feb 25, 2015


José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Publicado no Portal EcoDebate, 13/03/2015

sexta-feira, 13 de março de 2015

O estado do mercado de trabalho, de acordo com a Confederação Sindical Internacional

Artigo de Onésimo Alvarez-Moro - El Blog S almóm
A Confederação Sindical Internacional (CSI), em setembro de 2014 trouxe o seu levantamento sobre a situação do mercado de trabalho. A pesquisa foi realizada entre 18 de abril e 01 de maio de 2013 e a amostra foi de 1.000 entrevistados por país. Eles trazem suas críticas às ações dos governos durante a crise, ações que têm prejudicado a situação dos trabalhadores. Embora o levantamento seja de um tempo, as medidas que nos dão e o que os entrevistados pensam sobre o que deve melhorar ainda seguem válidas.
Quando se trata de combater o desemprego e defender os interesses dos trabalhadores e das famílias, os cidadãos se sentem abandonados por seus governos. Entre essas ações, criticam os governos por seus fracassos, incluindo o seguinte:
  • 80% dos entrevistados dizem que seus governos não têm dado atenção ao desemprego ou não tem reduzido o desemprego de forma eficaz.
  • Os governos têm dado prioridade aos interesses de empresas, investidores e instituições financeiras sobre os interesses dos trabalhadores. Apenas 13% acreditam que seu governo é mais focado nos interesses de famílias trabalhadoras.
  • Os entrevistados manifestam sérias dúvidas sobre a eficácia da legislação laboral existente e duvidam que as leis trabalhistas em vigor preveem:
    • um trabalho adequado e seguro (63%)
    • salários justos (65%)
    • garantir razoáveis ​​horas de trabalho (38%)
  • Mulheres são menos otimistas do que os homens sobre a direção do seu país, com 54% a pensar que o seu país está na direção errada.
Também nos dá uma maneira de avançar com um plano para melhorar a redução da incerteza e da desigualdade em:
  • empregos
  • salários decentes
  • proteção social
No âmbito deste plano incluem-se os seguintes elementos:
  • Emprego: investimento em infraestrutura, em novas tecnologias verdes e em indústria. Há um grande apoio para o investimento público em educação, pesquisa e novas tecnologias (92%) e do investimento público, energia limpa e relacionado com o meio-ambiente (88%).
  • Salários justos: garantir salários razoáveis ​​através de preços justos. Quando perguntados se eles estariam dispostos a pagar mais por nossos produtos se os empregadores recebem um salário razoável, mais da metade dos entrevistados o fariam.
  • Leis trabalhistas fortes: normas trabalhistas nacionais e internacionais adotados e reforçadas. Os entrevistados continuam a expressar um forte apoio para uma ampla gama de leis trabalhistas nacionais e as normas internacionais, incluindo o seguinte:
    • O direito de greve por melhores salários e melhores condições de saúde e segurança no local de trabalho (99%, com 75% fortemente a favor).
    • Definir e manter um salário mínimo decente. (89%, 68% favorecem fortemente).
    • Todas as empresas e empregadores devem pagar aos trabalhadores um salário justo, independentemente de onde eles trabalham (95%, 55% favorecem fortemente).
    • Dê aos trabalhadores o direito de negociação coletiva (91%, 47% muito a favor).
    • As empresas internacionais devem estar sujeitas a normas internacionais sobre as condições de trabalho de seus empregados, independentemente de que país os trabalhadores estão localizados (91%, 46% muito a favor).
    • Dar aos trabalhadores o direito de aderir a um sindicato (89%, com 44% fortemente a favor).
  • A base mínima de proteção social:  Os governos devem passo em frente para proteger os interesses dos trabalhadores e suas famílias e para reduzir a desigualdade. Há um forte apoio público para uma base mínima de proteção social com medidas ativas da receita e incluindo o seguinte:
    • O acesso fácil e acessível aos serviços de saúde. (97%, 76% favorecem fortemente).
    • O acesso fácil e acessível para a educação. (97%, 72% favorecem fortemente).
    • Renda de aposentadoria decente. (96%, com 74% fortemente a favor).
    • O acesso fácil e acessível para cuidado de crianças. (92%, 58% favorecem fortemente).
    • Prestações de desemprego decente. (88%, 49% favorecem fortemente).
  • Fazer com que as empresas  multinacionais paguem a sua parte justa de impostos :
    • os entrevistados querem ver um fim à evasão fiscal (86%)
    • 80% estão abertos para o aumento dos impostos para as grandes empresas
    • exigem uma maior igualdade.
Talvez as medidas preconizadas no levantamento deem ideia sobre o que os nossos governos devem melhorar agora que estamos tão convencidos de que estamos a sair da crise.