"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 15 de agosto de 2015

O Trabalho e desigualdade como desafio da Revolução Digital: como os governos devem responder?



Henning Meyer
Henning Meyer
Depois de mais de meia década de debate dominado pela crise financeira global de 2014 vi uma partida deste foco singular. Thomas Piketty começou uma discussão global sobre padrões históricos de desigualdade e suas repercussões negativas. E olhando para o futuro, em vez de voltar no tempo, a idade da segunda máquina por Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts mostrou como a revolução digital está prestes a transformar nossas vidas econômicas e sociais. O problema fundamental para a formulação de políticas é que esses empreendimentos orientados para a tecnologia estão determinados a aumentar ainda mais as desigualdades existentes e criar novos num momento em que, como Piketty mostrou, já retornou a níveis historicamente elevados.
A Revolução Digital e o emprego
Os mercados de trabalho, em particular, olham expostos às forças do progresso porque muitos empregos "de classe média" serão vulneráveis, como resultado da mudança tecnológica, seja por meio da automação, ou como resultado de uma concorrência global mais polarizada. Uma proporção significativa de tarefas incorporado em empregos de colarinho branco pode e vai ser automatizado nos próximos anos. Se você pensa sobre o trabalho de secretariado, análise de texto ou trabalho ainda mais complexo, como o processamento de novas pesquisas (que Watson supercomputador da IBM já faz), há mudanças significativas no horizonte. Estudando a estrutura do trabalho nos EUA, Carl Benedikt Frey e Michael Osborne  chegaram à conclusão de que, tanto quanto 47 por cento do emprego total dos EUA está em risco, enquanto os valores equivalentes para países europeus, calculados pelo think tank com sede em Bruxelas Bruegel, variam de cerca de 47 por cento na Suécia e no Reino Unido para 62 por cento na Romênia.
O Centro de Pesquisas Pew nos EUA sondou quase 2.000 especialistas sobre as suas expectativas para a próxima década. Embora as previsões sobre o estado final variem, parece haver pouca discordância sobre caminho que estão em:
Metade desses especialistas (48%) imaginam um futuro em que os robôs e agentes digitais têm deslocado números significativos de ambos os trabalhadores azul-e de colarinho branco - com muitos expressando preocupação de que isso vai levar a grandes aumentos na desigualdade de renda, massas de pessoas que são efetivamente incapaz, e avarias na ordem social. A outra metade dos peritos que responderam a este inquérito (52%) espera que a tecnologia não irá deslocar mais empregos do que ele cria em 2025. Com certeza, este grupo antecipa que muitos postos de trabalho actualmente desempenhadas por humanos serão amplamente retomado por robôs ou agentes digitais em 2025. Mas eles têm fé que o engenho humano vai criar novos postos de trabalho, indústrias e maneiras de ganhar a vida, tal como tem vindo a fazer desde o início da Revolução Industrial.
A variação nas respostas não é baixo para desacordos sobre os efeitos de curto prazo da revolução digital. Em vez disso, ele está enraizado na questão de saber se as economias podem repetir padrões históricos e criar mais postos de trabalho no final do que são destruídos por mudanças tecnológicas ao longo do caminho. De qualquer maneira, resta um papel significativo para a política pública para moldar o processo para que o cenário sombrio de "ruptura social" não venha a passar - e, mesmo que o cenário positivo se torne realidade, para gerenciar o risco de enormes quantidades de desemprego de transição.
Há grandes problemas políticos no horizonte. Quando grande parte das classes médias estão ameaçados de desemprego, não por culpa própria, a pressão política vai aumentar. Numa altura em que o processo político é cada vez mais focado no curto prazo, é uma omissão perigosa se pensar a política a longo prazo negligenciada. Aqui eu gostaria de fazer três sugestões quanto ao que uma estrutura para este tipo de (mal necessário) um novo pensamento pode parecer.
Um quadro de respostas políticas
Em primeiro lugar, quando os trabalhos são substituídos, descrições de trabalho se alteram além do reconhecimento e completamente novas formas de trabalho pode surgir uma política pró-ativa de educação é essencial. Este é o senso comum e deve conduzir a uma reconsideração imediata do que hoje passa política educacional como adequado. Grande parte da educação padrão de hoje ainda depende fortemente de cometer fatos na memória, em vez de sobre a construção de capacidades analíticas e criativas. Isso era compreensível em tempos passados, quando o acesso à informação não era necessariamente um dado adquirido, mas a informação hoje está sempre disponível. Em vez disso, tornou-se muito mais importante saber o que fazer com ele. Capacidades analíticas e criativas serão os ingredientes do núcleo de carreiras de sucesso no futuro, como eles são transferíveis e pode ser aplicada a novos contextos. No mínimo, a revolução digital irá exigir que os trabalhadores são mais flexíveis e adaptáveis, e os nossos sistemas educacionais precisam refletir isso muito mais do que eles fazem atualmente.
A segunda sugestão diz respeito à distribuição do trabalho. Em certo sentido, estamos de volta em 1930, quando John Maynard Keynes escreveu sobre as possibilidades econômicas para os nossos netos. Em seu ensaio seminal, ele previu que o progresso econômico significaria que, pela primeira vez, as gerações futuras seriam libertados de cuidar de pressionar necessidades económicas. Ele estava certo sobre o grau de desenvolvimento económico, mas errado sobre a semana de trabalho de 15 horas que ele previu. Keynes acreditava que com a maioria das necessidades económicas cumprido, as pessoas optariam por mais tempo de lazer em vez dos retornos decrescentes de aumentar a renda.
Um objectivo político deve, portanto, estar criando as pré-condições econômicas para incentivar e a realocação de trabalho. O co-fundador da Google (ou devo dizer alfabeto?), Larry Page, parecia pensar ao longo das mesmas linhas quando ele sugeriu que todos nós devemos trabalhar menos ou trabalhos dividem entre mais pessoas. Neste, Página junta-se aos gostos de fundador Virgin Sir Richard Branson, que há muito argumentou que o horário de trabalho mais flexíveis permitiria uma melhor distribuição do trabalho. Nossas vidas estão se tornando mais complexo e da divisão entre trabalho e lazer é cada vez mais difícil de desenhar. Criação de um quadro em que o trabalho é distribuído de forma mais eficiente seria, portanto, muito bem-vindo.
Minha terceira sugestão diz respeito a pessoas que não podem beneficiar de uma melhor educação ou uma realocação do trabalho e ainda se encontram desempregados. Na segunda máquina Idade, Brynjolfsson e McAfee alertar sobre a demanda agregada com defeito na economia como resultado da elevada taxa de desemprego, mas eles param de fazer uma recomendação política directa. Em vez disso, eles sugerem que a idéia de uma renda básica deve ser revisitada embora reconhecendo o fato de que o trabalho também tem efeitos sociais importantes além de simplesmente ganhar a vida.
Sem entrar mais profundamente no debate sobre o renda básica, há pelo menos dois grandes inconvenientes para essa solução. O primeiro é o reconhecido por Brynjolfsson e McAfee: o trabalho não apenas gerar renda, mas também é uma fonte de realização e auto-estima e uma parte importante de nossas interações sociais cotidianas. Esta função importante não pode ser substituído em uma mudança para "dar dinheiro" para que as pessoas podem permanecer funcionais consumidores.
O segundo aspecto é que, pela sua definição usual, uma renda básica é paga a todos, incluindo os "vencedores" do novo mundo digital corajoso, e, portanto, representa uma utilização ineficaz dos recursos públicos escassos. Costuma-se dizer que o dinheiro pago para os ricos podem ser recuperados através do sistema fiscal. Isto é mais fácil dizer do que fazer. Se experiências recentes com tributar os ricos são um guia pode-se esperar grandes dificuldades em reivindicar a renda básica de volta, especialmente tendo em conta que o sistema fiscal já terá que lidar com novos desafios como a desigualdade torna-se ainda mais pronunciada.
Uma maneira muito mais concentrado do combate ao desemprego seria a de tomar a ideia básica de garantia para a juventude da União Europeia e aplicar seus princípios ao mercado de trabalho em geral. A garantia juventude faz uma oferta concreta de um emprego, aprendizagem ou estágio para jovens desempregados em toda a UE, e, assim, procura erradicar o desemprego persistentemente elevado de jovens. Não há nenhuma razão aparente para que este princípio e as várias lições de implementação atualmente a ser aprendidas em toda a Europa - boas e más - não pode ser transferida para o mercado de trabalho em geral.
A garantia de emprego público poderia ser introduzido, pagar pelo menos um salário ao nível de renda básica, de modo que todos os que procurem um emprego poderiam encontrar um. Este seria concentrar os recursos públicos nas pessoas mais necessitadas, preservar as funções sociais do trabalho, e garantir que as pessoas não estão apenas protegidos pela pobreza econômica, mas também de vidas socialmente mais pobres. Haveria outro benefício de políticas públicas, bem como: dado que os governos garantiriam o emprego, eles poderiam criar incentivos, de tal forma que até então mal servidas áreas receberiam a injeção de trabalho de que necessitam. Perante o cenário de envelhecimento das sociedades, toda a área de velhice e os cuidados de saúde, por exemplo, é provável que exigem mais trabalhadores no futuro, e uma garantia de emprego público poderia ter certeza de que a oferta de trabalhadores mantém-se com o aumento da demanda. Finalmente, há a consideração de acrescentar que cuidados e outros serviços pessoais, bem como o trabalho de acordo com o capital social, são áreas que são menos propensas a ser significativamente afetadas pela revolução digital, e assim representam uma oportunidade de emprego sustentável e crescimento do emprego.
O desafio para os governos
Estamos apenas no início da "segunda era da máquina" e todas as implicações da revolução digital ainda estão para se tornar claras. É, contudo, importante olhar para as mudanças que possam acontecer a partir da situação em que nos encontramos. A perspectiva de novas desigualdades se alargando rapidamente é particularmente preocupante quando visto de nossa posição inicial atual, com os mais altos níveis de desigualdade na memória viva. Ninguém pode prever com precisão como as coisas vão jogar fora, mas se apenas uma pequena parte das previsões bem fundamentadas se tornarem realidade, então estamos diante da perspectiva de grandes convulsões políticas e sociais.
Portanto, é imperativo se pensar em soluções sustentáveis ​​de política agora, a fim de estarmos preparados para minimizar os efeitos adversos e tirar pleno partido das oportunidades extraordinárias da revolução digital. Nada disto é gravado na pedra e o debate político está apenas começando. Mas é importante começar por algum lado e ao longo do tempo para colocar estas questões no discurso da política em geral. Por enquanto, porém, o que, muitas vezes, passa como uma 'agenda digital' governamental parece totalmente inadequado à luz dos grandes desafios que temos pela frente. Nós não estamos falando de acesso em banda larga ou cabos de fibra óptica no chão. Estamos a falar de uma transformação fundamental das nossas sociedades.
Uma versão desta coluna também foi publicada pelo Instituto de Pesquisa de Política Pública (IPPR). Também dê uma olhada em nossos outros artigos sobre a revolução digital.
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Engrandecimento e apequenamento da economia brasileira: 1820-2020

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves


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O 7 de setembro é uma data cívica. Neste dia, no ano 2022, o Brasil vai comemorar os 200 anos da independência de Portugal. Como mostrado em artigo anterior, desde 1820, houve um grande progresso demográfico e econômico no país. Em dois séculos, a população brasileira deve apresentar um crescimento de cerca de 47 vezes (4,5 milhões de habitantes para 212 milhões entre 1820 e 2020) e um crescimento econômico em torno de 912 vezes.
A renda per capita cresceu quase 20 vezes no período. Houve melhorias significativas na infraestrutura de estradas, portos, aeroportos, de telecomunicações, avanços nas condições de moradia, na educação, na saúde, etc. A esperança de vida ao nascer estava em torno de 25 anos em 1822 e já se encontra em 75 anos, um crescimento espetacular na sobrevivência, consequentemente, no período produtivo do ciclo de vida das pessoas. Atualmente vivemos o mais longo e profundo período democrático (1985-2015) da história da República brasileira. Nestes dois séculos, o progresso humano foi bastante significativo, embora as condições ambientais tenham seguido na direção contrária (mas não vamos tratar deste assunto neste artigo).
Em duzentos anos houve um crescimento excepcional do Brasil. Mas a maioria das conquistas brasileiras não foram exclusivas do país, pois fazem parte dos avanços civilizacionais que ocorreram na modernidade. Houve um avanço global nos últimos dois séculos. Neste sentido, para avaliar o progresso relativo do Brasil é importante considerar quanto o país avançou em relação ao resto do mundo.
O gráfico acima mostra que a economia brasileira cresceu pouco acima da economia mundial no período da “Brasil Império”. Segundo dados de Angus Maddison (em poder de paridade de compra) a economia brasileira representava 0,43% da economia mundial em 1822 e passou para 0,69% em 1889. Nos primeiros 5 anos da República houve uma grande crise econômica e a participação brasileira no PIB mundial caiu para 0,55% em 1894, só retomando ao nível pré-República Velha, em 1910. Houve um avanço na década de 1920 com a participação chegando a 1% em 1929. Mas com a República Nova e a crise nacional e internacional a participação brasileira caiu para 0,92% em 1932. A partir daí houve um grande crescimento relativo do Brasil que chegou a ter 2,1% do PIB mundial em 1962. Mas a crise provocada pela renúncia de Jânio Quadros fez o Brasil cair para 1,9% em 1967.
No período do chamado “milagre econômico”, durante o auge dos governos militares, o Brasil apresentou os maiores ganhos econômicos em relação ao resto do mundo e chegou a ter uma participação de 3,2% do PIB mundial em 1980 (maior nível da história). A crise de 1981 a 1983 fez a economia brasileira encolher para 2,8% em 1983. Houve pequena recuperação durante o Plano Cruzado e a participação brasileira no PIB global chegou a 3,1% em 1987. A partir daí a queda foi se aprofundando, chegando a 2,67% em 1992, depois das crises dos governos Sarney e Collor. Houve pequena recuperação no Plano Real (2,8% em 1995), mas a economia nacional continuou perdendo terreno e caiu até 2,43% em 2007. Com as medidas keynesianas do segundo governo Lula o Brasil ganhou um pouco de espaço na economia internacional e chegou a 2,53% em 2010. No governo Dilma a perda continuou e se acelerou, estando em 2,3% em 2015 e, na melhor das hipóteses, ficará em 2,18% em 2019. Em termos relativos a participação relativa da economia brasileira no PIB mundial em 1822 deve ficar próxima daquela que tinha em 1962. Ou seja, em termos relativos o Brasil, desde 1980, tem retrocedido para um tamanho relativo que tinha sido atingido há 60 anos.
Considerando apenas os dados do FMI, o declínio brasileiro é marcante desde 1980-87. Com a crise econômica da “década perdida” e os desastres dos governos José Sarney e Collor de Mello a participação brasileira no PIB mundial caiu e nunca mais se recuperou . Se o Brasil mantivesse os 4,3% do PIB mundial que tinha em 1980 teria um PIB de US$ 4,9 trilhões de dólares (em ppp) no ano de 2015, conforme o gráfico abaixo. Ou seja, a diferença que ocorreu nestes 35 anos foi de US$ 1,7 trilhões de dólares (em ppp). A renda per capita brasileira que está calculada em torno de US$ 15 mil (em ppp) no ano 2015, poderia estar em US$ 23 mil, cerca de US$ 8 mil (em ppp) mais elevada do que a atual.
Isto mostra que mesmo o Brasil avançando em termos absolutos nos últimos 35 anos, houve um recuo em termos relativos. Isto é, o resto do mundo avançou mais que o Brasil desde o início da “década perdida”. Nos últimos 35 anos (por coincidência, o período de maior fortalecimento da democracia) o Brasil cresce a passos de tartaruga. E o pior, o Brasil se desindustrializou e reprimarizou sua economia, pois as atividades mineradoras e o agronegócio foram o destaque do crescimento nos últimos tempos, sendo também grandes responsáveis pela degradação ambiental.
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A perda de produtividade da economia brasileira é evidente. O Brasil perde espaço nas exportações mundiais como mostra o gráfico abaixo. Entre 1950 e 1986 o Brasil exportava mais do que a China e mais do que Cingapura. Mas desde 1987 o Brasil tem perdido participação relativa no mercado global e em 2014 Cingapura (que tem uma população de 6 milhões de habitantes) exportou quase o dobro do Brasil, enquanto a China exportou mais de 10 vezes.
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Tudo isto reflete na renda média real dos brasileiros. O gráfico abaixo, com dados de Angus Maddison e atualizados com dados do FMI, mostra que a renda per capita brasileira representava (em poder de paridade de compra) cerca de 80% da renda per capita mundial nas décadas de 1950 e 1960. Com o início do “milagre brasileiro” a renda per capita brasileira cresceu rapidamente, embora de maneira desigual e com uma concentração extremamente injusta. Entre 1975 e 1989 a renda per capita brasileira ficou acima da renda per capita média mundial. Porém, desde o final dos anos 80 o brasileiro médio vem assistindo a uma deterioração da sua renda per capita em relação ao resto do mundo. Houve pequenas oscilações para cima no período do Plano Real e no segundo governo Lula, mas sem reverter a tendência geral de queda. Desde 2011, início do governo Dilma Roussefff, a renda relativa não para de cair e não apresenta perspectivas de melhora.
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Todos estes dados mostram que não é o mundo que está empurrando o Brasil para baixo, mas é o Brasil que está se apequenando e contribuindo para a desaceleração do crescimento mundial.
De fato, existe uma desaceleração do crescimento dos países desenvolvidos, fenômeno que foi definido por Larry Summers como “estagnação secular”, que ocorre devido ao baixo crescimento da força de trabalho em uma situação de baixa inovação tecnológica e baixa produtividade do trabalho. Ao mesmo tempo os países em desenvolvimento também reduziram suas taxas de crescimento em função da desaceleração da economia chinesa, do fim do boom dos preços das commodities e de um endividamento crescente.
A situação do Brasil é mais grave pois os últimos dois governos promoveram um grande desajuste nas condições macroeconômicas do país, ao mesmo tempo que existe estagnação da produtividade do trabalho e um processo de antecipação do fim do bônus demográfico. A taxa de atividade está estagnada desde o período 2008-2012, o desemprego está em crescimento e a taxa de investimento é insuficiente para dinamizar a economia. Para agravar, há a crise da Petrobras e da cadeia produtiva do pré-sal e uma crise hídrica e ambiental que aumentam os custos de produção, elevando os riscos para os agentes produtivos. O economista Reinaldo Gonçalves (2010) já tinha mostrado a tendência ao baixo crescimento no Brasil. Agora a situação se agravou.
Nos 30 anos entre 1950 e 1980 a taxa de crescimento do PIB brasileiro só não foi maior do que a taxa de crescimento mundial em 4 anos, todos eles de crise política. Em 1956, após o suicídio de Getulio Vargas e das dificuldades da eleição de Juscelino Kubitschek o PIB brasileiro cresceu 2,9%. Nos anos de 1963, 1964 e 1965, após a renúncia de Jânio Quadros e da crise que se seguiu, o PIB brasileiro cresceu 0,6%, 3,4% e 2,4% respectivamente. Em nenhum ano entre 1950 e 1980 houve decréscimo do PIB. Porém, entre 1987 e 2016 o Brasil só cresceu mais que a economia internacional em 8 anos (1993, 1994, 1995, 2002, 2004, 2007 e 2010). O Brasil cresceu menos do que o mundo em 22 anos entre 1987 e 2016.
Ou seja, as perspectivas são de menor crescimento para a economia mundial. Isto significa que o Brasil vai crescer menos ainda, em função dos desequilíbrios internos, da crise ambiental, da perda de competitividade internacional, do processo de reprimarização e de desindustrialização precoce e de aumento da dependência externa em relação à China. Na próxima década haverá aumento da razão de dependência demográfica o que, dado os desequilíbrios das contas da previdência social, deve dificultar ainda mais o crescimento nacional.
Nesta conjuntura, as perspectivas são do fim do crescimento e até fim do desenvolvimento. O Brasil caiu em um círculo vicioso conjuntural que pode levar a uma estagnação de longo prazo e significar um mergulho na “armadilha da renda média”. Não é impossível também, na pior das hipóteses, entrar em retrocesso. Seremos não só o país do futuro que nunca chega, mas o país que, provavelmene, deve trocar o progresso pelo regresso?
Referências:
ALVES, JED. O fim do crescimento econômico e a década perdida 2.0, Ecodebate, RJ, 28/11/2014
ALVES, JED. O pior quinquênio (2011-15) da economia brasileira em 115 anos?, Ecodebate, RJ, 17/04/2015
ALVES, JED. O fim do bônus demográfico e o processo de envelhecimento no Brasil. São Paulo, Revista Portal de Divulgação, n. 45, Ano V. Jun/jul/ago 2015, pp: 6-17
ALVES, JED. A roça e a mina. O mito do pré sal está afundando o Brasil, IHU, 14/04/2015
ALVES, JED. A redução da pobreza no longo prazo no Brasil e sua possível reversão, Ecodebate, RJ, 22/05/2015
ALVES, JED. A crise brasileira em números, Ecodebate, RJ, 12/06/2015
ALVES, JED. Negócio da China: Brasil embarca em uma nova dependência com sérios danos ambientais, Ecodebate, RJ, 19/06/2015
ALVES, JED. O ajuste fiscal não resolve os desequilíbrios estruturais da economia brasileira, Ecodebate, RJ, 01/07/2015
ALVES, JED. A crise no mercado de trabalho e a desindustrialização precoce do Brasil, Ecodebate, RJ, 08/07/2015
ALVES, JED. Brasil: país submergente, Ecodebate, RJ, 15/07/2015
ALVES, JED. Grécia hoje, Brasil amanhã, Ecodebate, RJ, 22/07/2015
ALVES, JED. Desperdício da força de trabalho no Brasil: longe do pleno emprego e do trabalho decente, Ecodebate, RJ, 24/07/2015
ALVES, JED. O ajuste do ajuste fiscal e a inadimplência do Brasil, Ecodebate, RJ, 29/07/2015
GONÇALVES, R. Evolução da renda no Brasil segundo o mandato presidencial: 1890-2009, RJ, IE, UFRJ, 2010http://www.ie.ufrj.br/oldroot/hpp/intranet/pdfs/reinaldo_goncalves_crescimento_1890_2009.pdf

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 14/08/2015

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Dois séculos de crescimento da economia e da população no Brasil: 1820-2020

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

crescimento do PIB e da população brasileira

O Brasil apresentou um grande crescimento demoeconômico entre 1820 e 2020 (considerando as projeções entre 2015 e 2020). A população brasileira era de 4,5 milhões de habitantes em 1820 e passou para 9,9 milhões em 1872, para 17,4 milhões em 1900, para 51,9 milhões em 1950, chegou a 191 milhões em 2010 e deve atingir 212 milhões em 2020, segundo dados e projeções do IBGE.
Mas o crescimento econômico foi ainda maior. Em duzentos anos houve um crescimento de 47 vezes da população e de 912 vezes no PIB. Como resultado a renda per capita cresceu quase 20 vezes nos dois séculos entre 1820 e 2020
A população brasileira cresceu em torno de 1,5% ao ano entre 1820 e 1870, aumentou para 2% ao ano entre 1870 e 1900, chegou a 2,8% entre 1900 e 1920, reduziu um pouco no período entre guerras, apresentou as maiores taxas anuais, de quase 3%, entre 1940 e 1970 e a partir desta data vem crescendo a taxas declinantes, devendo chegar à estabilidade na década de 2030 e depois deve decrescer. O PIB cresceu pouco acima do ritmo demográfico entre 1820 e 1920, mas aumentou o ritmo nos 60 anos seguintes. Depois de 1980 as taxas de crescimento econômico voltaram a apresentar baixo desempenho. Há quem diga que o Brasil vai entrar em um processo de estagnação econômica. Mas a PwC consultoria, coloca o Brasil como a sétima economia do mundo em 2014, a sexta em 2030 e a quinta economia do mundo em 2050, conforme a tabela abaixo.

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O otimismo da PwC não é compartilhado por outras instituições que consideram que a desvalorização cambial e a crise de 2015 estão puxando o Brasil para um valor abaixo da França e do Reino Unido e pode até ser ultrapassado pela Indonésia se não conseguir retomar taxas de crescimento mais elevadas. Para muitos analistas será muito difícil o Brasil ficar entre as 5 maiores economias do mundo. O mais provável é que fique entre as 10 maiores economias, caso caia na “armadilha da renda média”. Como veremos em um próximo artigo, as tendências atuais apontam para uma situação diferente dos últimos dois séculos. O futuro aponta para um apequenamento da economia brasileira, com uma tendência para a submergência.
No ritmo da primeira metade da segunda década do século XXI, será difícil para o Brasil manter as conquistas sociais. Os próximos 200 anos não serão iguais aos últimos 200 anos. E as mudanças poderão vir para pior.
Referências:
GONÇALVES, R. Evolução da renda no Brasil segundo o mandato presidencial: 1890-2009, RJ, IE, UFRJ, 2010http://www.ie.ufrj.br/oldroot/hpp/intranet/pdfs/reinaldo_goncalves_crescimento_1890_2009.pdf
PWC. The World in 2050 Will the shift in global economic power continue?, February 2015


José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 12/08/2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

China afunda os mercados e sai em defesa de sua indústria exportadora


Por Marco Antonio Moreno
Ibex 35 20150812

O banco central da China nesta quarta-feira enviou novamente os mercados de ações globais em queda livre depois de uma nova e desesperada desvalorização. Apesar de afirmar que a desvalorização de terça-feira seria única, o o Banco Popular da China sucumbiu à realidade de sua fraqueza econômica e desvalorizou novamente, infringindo um duro golpe para ativos de risco e os mercados emergentes na região. Ao mesmo tempo,  deu um aviso claro para os Estados Unidos e a Europa de que não terá misericórdia para desvalorizar a sua moeda e vêm estimulando temores de uma guerra cambial se as decisões forem tomadas com um impacto negativo sobre a China. 

No primeiro semestre de 2015 máquina de exportação chinesa entrou em colapso pela primeira vez desde 2009, em um revés que ameaça continuar em 2016. Enquanto uma das razões para este crescimento lento é a queda na demanda em seus principais mercados: Europa, América, Japão, outra razão é a perda de competitividade dos preços que se tornaram relativamente "caros" à medida que seus principais concorrentes, como o Japão, Coreia, Taiwan, Malásia, Tailândia e Indonésia têm desvalorizado significativamente suas moedas em relação ao dólar 

A guerra cambial iniciada em 2010 com os movimentos do Brasil, Japão, Coreia do Sul, Peru, Tailândia e Malásia, que está agora na sua mais sangrenta batalha com o declínio do yuan chinês. A China fará valer os interesses de suas indústrias de exportação e não terá nenhuma misericórdia para substituir as "políticas de estabilização" da Europa e dos Estados Unidos. Goste ou não,  tem a moeda que está em que estásendo negociado 22 por cento do comércio mundial. A queda no preço relativo do yuan contra as outras moedas poderia ajudar a China a recuperar a sua indústria, mas também pode criar um caos devastador na indústria ocidental.
Moeda refúgio contra o dólar e o euro
Embora o Fundo Monetário Internacional, na rigidez do seu esquema, não permitiu que o yuan seja considerado moedas de reserva, assim fizeram os bancos centrais em mais de 50 países, para os quais o yuan tem sido um porto seguro contra a volatilidade do euro e do dólar. Estas são moedas fiduciárias sem lastro artificialmente mantidas à tona pela "fé" no mercado. Apenas o mercado começa a sentir o tremor nos alicerces destas moedas, a economia global pode sofrer um crash como o colapso do Lehman Brothers. Precisamente a queda deste banco ajuda a entender exatamente o que está por vir: ninguém prestou atenção aos desequilíbrios financeiros que se espalhou após o colapso de Bretton Woods, em 1971 e se potencializaram com a livre mobilidade de capital dos anos 80 e a desregulamentação financeira dos 90. Todas estas ações subscritas pelo "mercado livre" tornou-se o combustível da crise financeira.
Ninguém levou em conta a importância do gigante asiático na economia mundial e o mercado fez tudo para tornar a China o maior fabricante do mundo. Agora, a China é a única que fornece o músculo produtivo e o Ocidente sofrerá novas ondas de desemprego. O da China é um duro golpe para todos os países. Para os países asiáticos como a Malásia, Tailândia, Indonésia, Cingapura, Vietnã, Coréia e o Japão, essa desvalorização implicará uma queda nas exportações que vai reduzir o emprego e a procura. Países emergentes e produtores de commodities como Brasil, África do Sul, Rússia, México, Venezuela e Argentina vão sofrer uma nova onda na queda das exportações e o colapso dos preços, o que afetará o crescimento e o emprego. Mas o golpe mais difícil será a Europa e os Estados Unidos, com taxas de juros em zero por cento estão sem margem de manobra. Nos países desenvolvidos, um efeito quase imediato com o colapso do valor dos ativos, o que significará mais reduções no comércio e no emprego.
Não há necessidade de pisar com cuidado para detectar que o efeito da desvalorização chinesa terá um impacto global. Desta vez, a China não será um colapso da economia global por meio do estímulo à demanda e os preços das commodities nos mercados emergentes. Agora, a China é um dos protagonistas da crise na sua própria derrota com o seu modelo econômico baseado nas exportações e mercados financeiros em expansão. Após o fraco desempenho da economia chinesa nos últimos quatro anos, o que inverteu a tendência de rápido crescimento nas últimas três décadas, a China está enfrentando a realidade de um longo e íngreme declínio. Por isso que o necessário e imperioso ajuste desvalorizante para controlar a hemorragia e a queda nos preços das ações, será uma bomba de fragmentação para o mundo.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Relatora da ONU preocupada com expulsão dos Guarani Kaiowá

Especialista em direitos humanos dos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz pede ao governo para garantir que comunidades não sejam retiradas de suas terras; ela fala sobre a situação no Mato Grosso do Sul, onde 6 mil indígenas sofrem ameaça.
Victoria Tauli-Corpuz. Foto: ONU/JC McIlwaine
Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 
A especialista independente da ONU sobre o direito dos povos indígenas está fazendo um apelo ao governo do Brasil, para que garanta a proteção dos povos Guarani Kaiowá.
Nesta terça-feira, Victoria Tauli-Corpuz divulgou um comunicado onde ressalta sua "profunda preocupação com relatos de que a polícia estaria prestes a despejar" os indígenas das Tekohas, como são conhecidas as terras tradicionais.
Resistência
O caso está ocorrendo no estado do Mato Grosso do Sul. Segundo a relatora, 6 mil indígenas se recusam a abandonar suas terras e teriam alertado que planejam "resistir até a morte".
A especialista da ONU cita que no sábado, policiais foram a várias comunidades indígenas carregando uma ordem de despejo, emitida pela Justiça Federal. Nenhuma expulsão ocorreu, mas a relatora nota que os indígenas temem perder suas terras.
Declaração da ONU
Victoria Tauli-Corpuz lembra que "os indígenas não podem ser forçados a sair de seus territórios", como previsto na Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas.
A relatora explica que a realocação não pode ocorrer sem o livre consenso dos indígenas, que também devem ser informados com antecedência de qualquer mudança. Tauli-Corpuz explica ainda ser obrigação garantir uma compensação justa e quando possível, a opção de retorno à terra.
Ela está preocupada com a segurança dos Guarani Kaiowá, porque na sua avaliação, existe uma "situação de desconfiança no Mato Grosso do Sul", relacionada a casos de violência e disputa por terras tradicionais, reivindicadas por fazendeiros e outros grupos com interesses comerciais agrícolas na região.
Mortes
A especialista independente da ONU cita relatos de que milícias estão intimidando as comunidades, numa "campanha para espalhar o terror psicológico".
Victoria Tauli-Corpuz calcula que desde 2003, pelo menos 290 indígenas Guarani Kaiowá foram mortos. Ela lembra que esses povos vivem há séculos no Mato Grosso do Sul, mas que desde 1920, são forçados a sair de suas terras.
A relatora lamenta também que muitos indígenas brasileiros enfrentem crises humanitárias relacionadas ao fraco acesso à alimentação, à água limpa e aos serviços de saúde.

De um só golpe China assusta a Ásia, o FED e o BCE: desvaloriza o yuan

por Marco Antonio Moreno
China Devalues

Os dados econômicos são ruins para a economia chinesa e a meta de crescimento estimada pelo governo está em perigo. A economia chinesa está a abrandar, o mercado de ações entra em colapso e as exportações despencam para os níveis mais baixos em seis anos. Por que o banco central chinês inesperadamente tem reagido por desvalorizar o yuan em cerca de 2 por cento e dando um golpe no os países asiáticos, o Federal Reserve e o Banco Central Europeu. A taxa de câmbio média do yuan frente ao dólar caiu 1,9 por cento na terça-feira, marcando a maior redução para a moeda chinesa em um único dia e o maior desde que a China introduziu o moderno sistema de taxas de câmbio em 1994. Em um comunicado, o Banco Popular da China, explicou as razões da sua decisão, afirmando que era uma "desvalorização única"


Atualmente, as condições econômicas e financeiras internacionais são muito complexas. A economia dos EUA está se recuperando e os mercados estão aguardando a subida das taxas de juro pela política monetária. Como tal, o dólar está se fortalecendo, enquanto o euro e o iene japonês estão enfraquecendo. As moedas dos mercados emergentes e as matérias-primas estão sob pressão, e nós estamos vendo o aumento da volatilidade dos fluxos de capitais internacionais. Esta situação complexa está a levantar novos desafios. Como a China tem um superávit comercial relativamente grande, a taxa do Renminbi (RMB) de câmbio real é relativamente forte, o que não é totalmente coerente com as expectativas do mercado. Portanto, é um bom momento para melhorar o preço da paridade central do RMB para torná-lo mais de acordo com as necessidades de desenvolvimento do mercado.
Em outras palavras, a China entra na guerra cambial, encerrando uma vinculação de fato com o dólar e confirmando a fraqueza econômica mais profunda do gigante asiático desde 1990. Essa desvalorização abrupta é o sinal mais claro da crescente preocupação em Pequim que o país poderia cair abaixo de sua meta de crescimento de 7 por cento ao ano. O crescimento vacila, apesar da pressão do governo sobre os bancos estatais para emprestar dinheiro facilmente e empresas dispostas a investir em novas fábricas e equipamentos.
A intervenção do banco central chinês ocorre após uma queda acentuada e prolongada nos mercados de Xangai e Shenzhen desde o final de Junho, após o estouro da sua bolha imobiliária. Esta queda de 30 por cento afetou a demanda doméstica da China provocando a queda em cadeia nos mercados mundiais que enfrentam uma nova turbulência em um ambiente de grande fraqueza. Os esforços do governo chinês para sustentar os preços das ações entrou em colapso e o banco central foi deixado sem nenhuma escolha do que a desvalorização do renminbi. A entrada da China na "guerra cambial" é um dilema difícil para o Federal Reserve, o Banco Central Europeu e os países asiáticos liderados pelo Japão, que praticamente esgotaram seu arsenal de instrumentos de política monetária.
Desde 2009, a moeda chinesa tem se internacionalizado e o comércio em yuanes ( ourenminbi) teve uma grande promoção que a tornou uma dos cinco principais moedas do mundo, depois do dólar, o euro, a libra e iene. O comércio de yuan aumentou de zero por cento em 2009 para 22 por cento em 2014. Os bancos centrais dos 50 países fizeram o yuan uma moeda de reserva e o Fundo Monetário Internacional considera a incluir entre  sua cesta de moedas. No entanto, o yuan tem um longo caminho a percorrer se quer quebrar a hegemonia do dólar. Enquanto os investidores estrangeiros investiram cerca de 200 bilhões de dólares em ações chinesas, a China tem 16 bilhões de dólares em títulos norte-americanos, a maioria do PIB dos EUA.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Consumo privado na China movimenta quase US$ 3,5 trilhões por ano

Dado é do Banco Mundial; país promove a Semana do Consumo Sustentável para tentar mudar padrões de consumo; objetivo é que dinheiro seja gasto em produtos e serviços que usem menos recursos energéticos.
Evento é em Pequim. Foto: Cepal/ Zhou Haijun/Xinhua
Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 
Segundo o Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, a China é o maior consumidor mundial de produtos primários, como combustíveis fósseis e metais.
Mas com o rápido crescimento da classe média, o país já é o segundo maior mercado consumidor privado, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
Valores
Dados do Banco Mundial revelam que no ano passado, o consumo na China movimentou US$ 3,4 trilhões. No ano 2000, o total foi pouco mais do que US$ 500 bilhões.
Na tentativa de treinar os consumidores sobre a importância das decisões conscientes na hora de fazer uma compra, está sendo promovida pelo Pnuma a Semana do Consumo Sustentável, em Pequim.
Outra proposta do evento é criar políticas para o consumo responsável e mudar os padrões de consumo dos chineses, para que os trilhões de dólares sejam gastos em bens e serviços que utilizam menores recursos e menor intensidade energética.
Meio Ambiente
O Pnuma explica que se a China adotar práticas sustentáveis de consumo e de estilo de vida, o impacto positivo no meio ambiente será alcançado numa escala global.
Várias empresas internacionais participam da Semana do Consumo Sustentável na China, incluindo Wal-Mart, Ikea e H&M. Segundo o Pnuma, mais de 600 redes participam do projeto.
Durante toda a semana, será destacada a importância de fontes de alimentação sustentáveis, de produtos com eficiência energética e com rotulagem "ecológica".
O Pnuma preparou várias atrações para os participantes, como jogos educacionais sobre consumo sustentável e um festival "sustentável" de frutos do mar. A agência da ONU explica que ao envolver consumidores e empresários, a semana poderá inspirar mais comerciantes a integrar práticas de consumo sustentável nas suas estratégias de negócios.