"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 19 de dezembro de 2015

O envelhecimento brasileiro até 2085 na hipótese de fecundidade muito baixa


Artigo de José Eustáquio Diniz AlvesA


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Até 1985, a pirâmide populacional brasileira tinha cada grupo etário quinquenal maior do que o grupo imediatamente superior. A estrutura etária jovem fazia com que as políticas públicas se preocupassem fundamentalmente com a expansão das suas metas quantitativas, pois todos os grupos etários estavam crescendo ao mesmo tempo.
Porém, desde que as taxas de fecundidade (número médio de filhos por mulher) começaram a cair, a estrutura etária da população começou a sofrer uma transformação, com a redução da sua base, seguida de um crescimento da população adulta (15-59 anos) e um crescimento de longo prazo da população idosa (60 anos e +).
Como foi mostrado em outro artigo, a pirâmide de 1985 foi a última a manter o formato egípcio e foi naquele ano que a coorte etária 0-4 anos apresentou o maior número absoluto de crianças de toda a história brasileira. Havia 18,5 milhões de crianças, representando 13,6% da população total, sendo 9,4 milhões de meninos e 9,1 milhões de meninas. A população brasileira era de 136 milhões de habitantes em 1985 e a partir desta data o número de crianças brasileiras começou a diminuir em termos absoluto e relativo.
Em 1985, o índice de envelhecimento (IE) mostrava uma estrutura etária jovem. Havia 50,4 milhões de crianças e jovens de 0 a 14 anos (representando 37% da população total) e 8,7 milhões de idosos de 60 anos e mais (representando 6,4% do total). Desta forma, o IE era de 17,2 idosos para cada 100 pessoas de 0-14 anos.
Todavia, nas décadas seguintes a base da pirâmide foi se reduzindo e o topo foi se alargando, em um processo que vai continuar no século XXI, mas dependerá do comportamento das taxas de fecundidade. Na projeção média das tendências da fecundidade (Taxa de Fecundidade Total de 1,8 filho por mulher em 2085), a pirâmide populacional deve ter uma forma parecida com um retângulo no final do século.
Mas na hipótese baixa de projeção da fecundidade (Taxa de Fecundidade Total de 1,3 filho por mulher em 2085) as transformações seriam dramáticas. As projeções demográficas da Divisão de População da ONU, na hipótese baixa, apontam um pico de 209 milhões de habitantes em 2035 e uma população total de somente 137 milhões de habitantes em 2085, sendo que a população de 0-4 anos deverá ficar em 3,3 milhões (mais de cinco vezes abaixo do número de crianças de 1985), sendo apenas 1,7 milhão de meninos e 1,6 milhão de meninas.
O índice de envelhecimento passaria para impressionantes 647 idosos para cada 100 jovens (70,2 milhões de pessoas de 60 anos e + para 10,8 milhões de crianças e jovens de 0 a 14 anos de idade). Neste caso, os idosos representariam 51% da população total no ano de 2085. Ou seja, mesmo mantendo constante as hipóteses de esperança de vida, uma queda mais rápida da taxa de fecundidade, ao reduzir a base da pirâmide, afeta sobremaneira o envelhecimento populacional. Nesta hipótese, haveria necessidade de um grande aproveitamento do segundo bônus demográfico.
Esta situação de uma pirâmide populacional totalmente invertida é pouco provável que aconteça. Mas se acontecer, teremos um Brasil virado de cabeça para baixo e com um processo de envelhecimento tão grande que fica até difícil de se imaginar todos os desafios desta hipotética possibilidade.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 18/12/2015

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

OIT afirma que trabalhadores migrantes passam de 150 milhões no mundo


Estudo mostra "migração de trabalho" incluindo regiões e indústrias onde essas pessoas estão estabelecidas; agência da ONU diz que os homens representam a maioria da força de trabalho dos migrantes.
Trabalhadores migrantes representam 150,3 milhões da população geral de migrantes internacionais. Foto: Acnur/Olivier Laban-Mattei
Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.
Um novo estudo lançado esta quarta-feira pela Organização Internacional do Trabalho, OIT, mostra que os trabalhadores migrantes representam 150,3 milhões da população geral de migrantes internacionais, que é de aproximadamente 232 milhões.
A "Estimativa Global sobre Trabalhadores Migrantes" revela que desse total, 206 milhões de migrantes estão aptos a trabalhar, quer dizer, com idade acima de 15 anos. O documento diz que mais de 72% desse grupo têm algum tipo de trabalho.
Agenda 2030
Segundo a OIT, os homens representam a maioria, com 83,7 milhões. As mulheres somam 66,6 milhões.
O diretor-geral da agência da ONU, Guy Ryder, disse que a análise representa uma contribuição da organização para que os Estados-membros possam alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Ryder citou especificamente os objetivos 8 e 10 que tratam da proteção de todos os trabalhadores, incluindo os migrantes, e da implementação de políticas migratórias.
O chefe da OIT disse que agora as autoridades têm todos os dados concretos para usarem como base em suas políticas e leis para o setor.
Fenômeno Global
O estudo da agência deixa claro que a migração de trabalho é um fenômeno global, mas praticamente metade dela está resumida a duas regiões: América do Norte e parte da Europa.
O documento diz ainda que os Estados Árabes têm a maior proporção de trabalhadores migrantes em relação aos trabalhadores em geral: 35,6%.
Além disso, a vasta maioria dos migrantes trabalha nos setores de serviço, seguidos pela indústria e construção. O trabalho doméstico aparece em último lugar nessa lista, com 7,7% dos migrantes.
O estudo deu atenção especial aos trabalhadores domésticos porque este é o setor menos regulado da economia.
Devido a grande quantidade de migrantes e a baixa visibilidade da força de trabalho neste setor, a agência da ONU menciona a ocorrência de diversas formas de discriminação.
A OIT calcula que dos 67,1 milhões de trabalhadores domésticos no mundo, 11,5 milhões são migrantes internacionais. A maioria é de mulheres, sendo que a região Ásia-Pacífico abriga a maior parte desse grupo seguida pela Europa e Oriente Médio.

2015 teve o mês de novembro mais quente da história


Temperatura média nas superfícies terrestre e do oceano foi 0.97°C acima da média do século 20, recorde desde 1880; período entre janeiro e novembro também foi o mais quente, segundo agência meteorológica americana.
Levantamento foi feito pela agência americana Noaa
Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 
O período de janeiro a novembro de 2015 foi o mais quente já registrado desde 1880, de acordo com a Administração Nacional Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos, Noaa. A temperatura nas superfícies da terra e do mar nos primeiros 11 meses do ano foi 0.87° Celsius acima da média do século 20.
Os dados foram apresentados esta sexta-feira, em Genebra, pela porta-voz da Organização Meteorológica Mundial, OMM.
Novembro
Clare Nullis afirmou que a agência da ONU acredita que 2015 será o ano mais quente da história, especialmente porque o El Niño está aumentando as temperaturas em vários países.
O mês de novembro também foi o mais quente desde 1880: a temperatura na superfície terrestre e na superfície dos oceanos foi 0.97°C acima da média para o século 20.
Gelo 
Assim, o recorde global de temperatura foi quebrado pelo sétimo mês consecutivo. Ainda segundo a agência americana que fez o levantamento, a extensão do gelo do mar Ártico foi 8.3% menor do que a média registrada no período de 1981 a 2010. Já a extensão do gelo na Antártida subiu 1.2%, sendo a 14ª maior para o mês de novembro no período.
Sobre os Estados Unidos em particular, a OMM explica os fatores que estão gerando temperaturas fora do normal para o mês de dezembro. A poucos dias do início oficial do inverno, a costa leste americana está mais quente devido aos impactos da mudança climática e os efeitos do El Niño.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A Garantia de Renda Básica: o que está em seu caminho?


por Frances Coppola

A Renda Básica de Garantia (BIG) está de volta nas notícias. Os finlandeses estão a considerar a sua aplicação, assim como a Suíça, substituindo todos os outros benefícios testados com um subsídio simples de todos os cidadãos, dando a todos o dinheiro suficiente para sobreviver. Diferentemente da maioria dos programas de benefícios atuais, não está dependente de ser digno ou merecimento ou mesmo pobre. Todo mundo recebe-o, você, eu, Rupert Murdoch, o homem sem-teto dormindo debaixo de uma ponte. última proposta séria de Richard Nixon em 1969, mais e mais economistas e blogueiros estão sugerindo que a garantia básica do rendimento pode vir a ser a salvação do capitalismo. O BIG vai eliminar a pobreza, reduzir a desigualdade e melhorar muito a vida dos mais vulneráveis ​​entre nós. Mas não é por isso que nós precisamos dele. Pode parecer pouco prático, até mesmo utópico: mas estou convencida de que o BIG vai ser instituído nas próximas décadas porque resolve o problema mais fundamental do capitalismo moderno, a falta de demanda.

A tecnologia e o capitalismo em grande parte resolveram o problema de abastecimento. Somos capazes de fazer mais coisas, com menos insumos de trabalho e capital, que nunca antes. Nós temos o know-how, temos os recursos, temos a mão de obra treinada, temos o dinheiro. A única coisa que falta é as empresas clientes. Fazer coisas tornou-se fácil. Está-se vendendo o que mantém empresários (e banqueiros centrais) acordados durante a noite. Salários estagnados nos dizem que a oferta de trabalho excede a demanda. As taxas de juros microscópicas nos dizem que temos mais capital do que precisamos. Desde a Grande Depressão a maioria dos economistas têm reconhecido que a demanda é o calcanhar de Aquiles da economia moderna.

Nos últimos 80 anos, temos resolvido o problema da demanda de três maneiras muito diferentes. A primeira é a guerra. Em 1938, o desemprego nos EUA foi de quase 20%. Em 1944 ele foi apenas 1%. Todo mundo sabe que a Segunda Guerra Mundial terminou a Grande Depressão, mas vale lembrar que não foi o massacre de civis ou a destruição das cidades que revigorou a economia global, mas sim o estímulo fiscal maciço de empréstimos do governo. Se tivéssemos emprestado tanto na construção de escolas, casas e estradas, como fizemos em derrotar as potências do Eixo, o efeito econômico teria sido ainda maior. A vantagem do keynesianismo militar é político: conservadores que detestam os gastos do governo são capazes de superar sua aversão quando se trata de guerra.

A segunda Idade de ouro, durante o pós-guerra, foi o aumento dos salários. Entre 1950 e 1970, o trabalhador médio americano viu os seus salários reais duplicarem: desde então, mal tem subido em tudo. Naquela época, as melhorias de produtividade quase que imediatamente traduziram-se em ganhos salariais. Como os salários dos trabalhadores subiu, assim fizeram os gastos dos consumidores. Aumentos de produtividade significou cada trabalhador foi capaz de fazer mais coisas. Os aumentos salariais significava que ele era capaz de dar ao luxo de comprá-lo. Publicidade luxos transformado em necessidades. Os ganhos de produtividade combinadas com aumentos do salário deu a Idade de Ouro o maior crescimento do PIB que o mundo já viu.

Em nossa época mais recente, de 1982 até a crise financeira, o motor da expansão econômica foi sempre aumentando os níveis de dívida privada. Depois de Reagan e Thatcher, os salários médios pararam de subir, assim como a produtividade manteve sua ascensão inexorável. Com salários estagnados, apenas assumindo mais dívidas eram os consumidores capazes de manter os gastos o suficiente para comprar tudo produzido. Enquanto os bancos foram felizes para emprestar, a economia conseguiu crescer (embora muito mais lentamente do que durante a Idade de Ouro) e o partido poderia continuar. Mas após a crise financeira, tanto a vontade das famílias de incorrer em mais dívidas e vontade banco a emprestar contratado, deixando-nos com a economia estagnada a que estamos presos hoje.

Estes três métodos antigos de estimular a procura têm passado a sua venda por datas. A Guerra mundial iria revigorar a economia, mas a um custo insuportável. O aumento dos salários, infelizmente, é improvável, com mais e mais de nós substituíveis por robôs, softwares ou trabalhadores estrangeiros mais baratos. E níveis mais elevados de dívida não só aumentam a desigualdade, eles também geram instabilidade financeira. O que é para ser feito?

Todos os anos, o progresso tecnológico nos permite fazer mais produtos e serviços com menos insumos de trabalho e capital. Como consumidores, isso é maravilhoso. Nós podemos comprar produtos melhores e mais baratos do que nunca. Como os trabalhadores, no entanto, aumentos de produtividade ameaçam nossos empregos. Como precisamos de menos trabalhadores para fazer a mesma quantidade de material, mais de nós tornam-se redundantes. E é provável que piore. A ascensão dos robôs pode eliminar 47% dos postos de trabalho existentes dentro das próximas duas décadas. Infelizmente, mesmo que um robô pode fazer um iPhone, não pode comprar um. Se estamos empurrando-os para um futuro pós escassez, apenas uma garantia básica do rendimento pode garantir demanda suficiente para manter a economia global mais típico.

Não se trata apenas dos pobres que se beneficiam. Os ricos ficam exatamente com o mesmo pagamento, sob a forma de um corte de impostos. As corporações também ganham. Com mais dinheiro no bolso dos consumidores, aumenta as vendas, aumentando os lucros. E uma vez que as empresas já não precisam fornecer um salário mínimo, os custos trabalhistas poderiam ir para baixo, o que daria aos empregadores razão para contratar. Enquanto isso, os trabalhadores, com um rendimento garantido, não importa o que, terá a liberdade de dizer um chefe razoável "tome este trabalho e fica com ele." Estes benefícios sugerem que uma garantia básica do rendimento poderia comandar considerável apoio de diversos setores. Mas estes são todos os benefícios meramente lado dos grandes.

Se o progresso tecnológico continua a eliminar postos de trabalho, a garantia básica do rendimento pode muito bem ser apenas uma forma, seremos capazes de manter a demanda em um futuro pós-trabalho. Ao dar a cada cidadão um cheque mensal, a garantia básica do rendimento será tão estimulante como fiscalmente a II Guerra Mundial sem exigir o assassinato de milhões. A Garantia de Renda Básica é economicamente razoável e politicamente prática. O que então está em seu caminho?

O primeiro problema com a Garantia de Renda Básica é que parece bom demais para ser verdade. Foi-nos dito para desconfiar de ninguém prometendo um almoço grátis, e dar dinheiro às pessoas para não fazer nada, certamente parece ser um presente sem preço algum. O medo da escassez é construído em nosso DNA. Para a Garantia de Renda Básica a parecer viável para a maioria das pessoas, eles precisam aprender que a demanda, não a oferta, é o gargalo do crescimento. Precisamos reconhecer que o dinheiro é algo que os humanos criam, e não algo com oferta fixa e limitada. Com Quantitative Easing, os bancos centrais criou o dinheiro e deu para o setor financeiro, esperando que ele iria estimular o crédito. Hoje, até mesmo figuras tradicionais, como Lord Adair Turner, Martin Wolf e até mesmo Ben Bernanke reconhecem que o "helicóptero de dinheiro cair" nas contas bancárias das pessoas poderia ter sido mais eficaz. Tecnocratas estão começando a reconhecer a praticidade de Renda Básica. Nós na blogosfera econômica precisa levar esta mensagem aos olhos do público. A ascensão dos robôs, nunca declina os preços de bens e serviços e os empregos que desaparecem podem vir a ensinar esta lição mais eficaz do que qualquer número de bem-intencionados ensaios.

O segundo problema é sociológico. A maioria de nós ainda estamos em emprego. Nós sentimos, de alguma forma fundamental, que o nosso trabalho nos torna mais digno do que vagabundos preguiçosos sobre os benefícios. Isso faz com que simultaneamente nos inclinamos a elevar benefícios para os outros (ou aumentar o número de pessoas em benefício) e igualmente nos inclinamos a pensar em nós mesmos como o tipo de pessoas que recebem dinheiro do Estado. Adam Smith, em A Teoria dos Sentimentos Morais (o livro que ele considera sua obra-prima), disse que os seres humanos são motivados principalmente pelo respeito dos outros. Queremos que as pessoas pensem bem de nós, e nós queremos pensar bem de nós mesmos. O prazer psicológico de nos considerarmos melhores do que os beneficiários da previdência social pode superar um genuíno benefício econômico. Para superar essa objeção, temos de reconhecer que a definição de nós mesmos, nossos empregos é muito do século 20. Se o progresso tecnológico continua a matar empregos tradicionais, essa objeção também acabará por se dissipar. Como empregos a tempo inteiro torna-se mais difícil de encontrar, mais de nós irá reconhecer a necessidade de uma garantia básica do rendimento.

O terceiro problema é talvez o mais central. Ao estimular a economia e empurrando-a para a sua fronteira de possibilidades de produção, a Garantia de Renda Básica irá reforçar o crescimento, mas é inegável que ela também será redistributiva. A torta será maior, mas vai ser cortada de maneira diferente. Durante os últimos 30 anos, temos estimulado a economia, derramando dinheiro para as pessoas ricas. A pás de dinheiro da Garantia de Renda para as pessoas pobres. E para muitos no topo 1%, que é um anátema.

Os conservadores geralmente favorecem as reduções fiscais como forma de estimular a economia. Embora eles não gostem de admitir isso, este é o livro keynesianismo. Enquanto o governo não cortar gastos, mais dinheiro no bolso dos consumidores, inevitavelmente, aumentará a demanda. Infelizmente, os cortes de impostos geralmente favorecem os mais ricos entre nós, e eles, ao contrário dos pobres, são susceptíveis de poupar do que gastar a sua colheita. Estimular a poupança é um desperdício de um corte de impostos. Hoje, temos um excesso de abundância de poupança e um déficit de investimento e do consumo. A garantia básica do rendimento pode ser pensada como um corte de impostos direcionados para aqueles com maior probabilidade de gastá-lo, que é o que a economia precisa.

A Garantia de Renda Básica resolve o problema de demanda, estimula a economia, aumenta os lucros das empresas, dá aos trabalhadores mais liberdade, e fornece uma rede de segurança para os mais vulneráveis. É economicamente viável e politicamente esclarecida. Mas os muito ricos não temem o desemprego, temem a redistribuição e eles serão a força mais significativa contra a aplicação da Garantia de Renda Básica.

O Fed "no caminho da melhoria sustentável"

por Michael Roberts


Assim que o Fed finalmente decidiu elevar a sua taxa diretora de 0,25% para 0,50%. Ele também sugeriu que iria continuar a aumentar a sua taxa por um outro ponto do 1% em 2016 e, ainda outro o ponto de 1% em 2017 para atingir 3,5% até o final da década.
A taxa de política do Fed define o piso para todas as taxas devedoras na economia dos EUA e além do crédito em dólares para muitas economias. Portanto, este é um importante movimento político. Ao que parece, a era do dinheiro barato, QE e de política monetária 'não convencional" acabou - pelo menos para os EUA. O Fed agora espera que inflação anual americana suba de quase zero agora paraa 2% (em sua medida dos gastos dos consumidores) até 2019. Isso significa que as taxas de juros reais (após a dedução da inflação) aumentará de zero a 1,5%, se estas projeções estiverem corretas. Isso é claramente uma política de dinheiro apertado.
Que a política mais rigorosa mostrou seus efeitos imediatamente quando os bancos americanos começaram a caminhar suas taxas de empréstimo enquanto pressiona o que pagam os aforradores para os seus depósitos - por isso um impulso imediato para os lucros dos bancos.
Os mercados de ações subiram no noticiário da caminhada Fed. Isso foi porque os investidores ficaram aliviados que a incerteza acabou e agora eles sabiam o que estava por vir e não parecia muito ruim. Eles foram incentivados pelos comentários de chefe do Fed, Janet Yellen, que afirmou que a economia dos EUA "está em um caminho de melhoria sustentável." E "estamos confiantes na economia dos EUA",mesmo que as taxas de empréstimo subam.
Este foi irônico, porque pouco antes do Fed aumentar a taxa de juros, os números para a produção industrial americana em novembro veio e eles mostraram a pior queda desde dezembro de 2009, no final da Grande Recessão. A produção industrial e produção industrial estão agora a contrair em 1% a taxa de ano.
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Isto é em parte devido ao colapso na produção de emergia como os preços do petróleo a cair, mas não inteiramente. Parece que a fabricação de bens nos EUA está enfraquecendo, dado um dólar forte tornando as exportações difíceis, e por causa da baixa rentabilidade dos setores produtivos. É verdade que a fabricação é apenas 15% da economia dos EUA, mas o crescimento neste setor produtivo importante tem repercussões na economia mais ampla, como muitos 'serviços' dependem de indústrias transformadoras. Assim, uma forte desaceleração neste setor produtivo vai doer.
O Fed avalia que o crescimento do PIB real americano irá aumentar ao longo sem qualquer queda na velocidade 'vertiginosa' de 2% ao ano a partir de agora. Isso é cerca de 40% abaixo da taxa média de crescimento do pós-guerra e até mesmo um pouco menor do que o ritmo lento dos últimos cinco anos. Yellen ainda chama isso de "melhoria sustentável"!
Assim, apesar dos últimos dados débeis de fabricação e vendas no varejo, próximo de inflação zero e crescimento real do PIB preso em torno de 2% ao ano, o Fed está começando a elevar os juros. Por quê? É uma mistura de coisas.
Em primeiro lugar, o desemprego nos EUA é agora relativamente baixo (embora ainda acima dos níveis pré-crise) e  o Fed teme os trabalhadores ganhar poder de barganha e pode ser capaz de conduzir os salários como um resultado e causar inflação. Mas há poucos sinais de que, dado que a maioria dos novos postos de trabalho estão em setores de baixa remuneração, a tempo parcial ou contratos temporários.
Em segundo lugar, o banco central gostaria de "recuperar o controle" da política monetária e as coisas "normalizar". Quando as taxas de juros são zero, o Fed não tem controle sobre as taxas de juros em geral. Com taxas positivas, pode exercer algum controle. Ele ainda diz que, se as coisas correrem mal, pode cortar as taxas de quando elas são positivas o que ele não pode fazer quando são zero. Este é um argumento estranho. É como dizer que é melhor se eu cortar meus pulsos agora para que possam começar a cura mais cedo, em vez de prender fora como eu vou ter que fazer isso algum tempo.
Finalmente, há uma (vã) convicção de que a economia dos EUA está atingindo a plena capacidade e está pronta para investir e crescer de forma constante para o futuro previsível.
Bem, nem todo mundo concorda. Os mercados de ações podem ser felizes por agora com o movimento do Fed, mas muitos economistas não são, especialmente os keynesianos. Paul Krugman considera um grande erro e o jornal britânico de influência keynesiana, The Guardian, o chamou de "prematuro e arriscado".
Pouco antes da reunião do Fed, economista keynesiano de liderança e ex-secretário do Tesouro dos EUA, Larry Summers escreveu no FT que seria bobagem aumentar as taxas porque não eram fatores de longo prazo na economia global que iriam manter as taxas de juros reais baixas; a saber o baixo crescimento, a desaceleração do crescimento da população, o aumento das taxas de poupança, falta de crescimento da produtividade e um teto para a melhoria das habilidades do capital humano. Esta é a base do que alguns economistas como Summers e Robert J Gordon têm chamado "estagnação secular". Para aumentar as taxas em um ambiente de estagnação permanente foi um erro.

Em seu artigo no FT, Summers refere-se a um artigo de dois esconomistas do Banco da Inglaterra como aprovação para sua tese de estagnação secular. Taxas de juros globais e crescimento secular - O artigo do Banco da Inglaterra apresenta o argumento para esperar taxas de juros reais para ficar baixo ou até mesmo cair ainda mais porque: a economia mundial vai desacelerar; a desigualdade de renda dentro das principais economias vão subir dirigindo-se a poupança e reduzindo o crescimento do consumo; a educação e as competências da força de trabalho global deixarão de melhorar; e a grande revolução tecnológica dos robôs e AI vai deixar de oferecer maior crescimento da produtividade. "Embora haja uma grande quantidade de incerteza, se somarmos todos os fatores analisados ​​acima, pensamos que podemos chegar a um caso razoável de por que o crescimento mundial pode desacelerar em até 1 pp ao longo da próxima década. "
O texto do Banco da Inglaterra considera que o crescimento da oferta de trabalho global está no meio de uma forte desaceleração. O crescimento da oferta do Trabalho já desacelerou por entre 0,5 pp e 1 pp desde meados da década de 1980 e tende a abrandar ainda mais. No curto prazo, outras dinâmicas do mercado de trabalho poderiam compensar esta tendência. Um aumento sustentado da participação da força de trabalho impulsionado por: aumento da participação feminina; uma melhor educação (reduzir as disparidades de competências); ou melhores cuidados de saúde (para reduzir a doença a longo prazo); tudo poderia atenuar a queda "Mas esses fatores só podem adiar o declínio no crescimento da força de trabalho -. não evitar que ele ocorra".
O estudo observa que o principal motor do crescimento da economia mundial nas últimas décadas tem sido a produtividade nas chamadas economias emergentes. Como os países acumulam mais capital e melhoram a eficiência, adotando as mais recentes tecnologias do exterior, a produtividade por trabalhador aumenta. Mas os economistas mostram que isso é um pouco de uma ilusão: "A história revela um padrão que não é nada suave sobre o passado. Entre 1980 e 2010, o crescimento do PIB per capita nos EUA era realmente mais rápido do que a média em todo o resto do mundo em 15 dos 30 anos - por isso o resto do mundo gastou apenas contanto ficando para trás da fronteira como recuperar o atraso. "
O artigo do Banco da Inglaterra descarta a visão otimista de um avanço tecnológico proporcionado pela da robótica e assume a visão pessimista de Robert J Gordon em futuros baixos ganhos de produtividade de um boom de TIC: "No geral, nossa leitura dos argumentos acima, é que a caracterização de Gordon da recente história e um futuro próximo é o mais convincente. Crescimento da produtividade dos EUA tem sido fraco desde 1970, foi levantado temporariamente pelo boom das TIC, mas desde então caiu para trás. Na ausência de claros avanços na tecnologia, parece razoável assumir que esta tendência continuará no futuro - especialmente dada a recente fraqueza da produtividade a nível mundial ".
Surpreendentemente, o artigo, junto com Summers, avalia que a regulação dos bancos e os novos requisitos de capital desde o crash financeiro global estão muito apertadas e não permitir que os bancos para ajudar a economia real. "No passado, em face da mais apertada prudência política, a política monetária poderia ter sido solta para manter o crescimento. Mas, no futuro, se a política monetária é mais restrita, em seguida, esta mistura de política prudencial mais rigorosa e uma política monetária mais frouxa pode não estar disponível - por isso as mudanças na política prudencial poderia ter impactos mais significativos sobre o crescimento" .Então, a regulamentação de operações bancárias, se 'luz. 'ou' rigorosa 'não funciona para obter recursos financeiros em uma economia. É outro argumento para a propriedade pública e controle do sistema bancário.
Este é realmente um quadro sombrio do futuro capitalista para o próximo par de décadas. Summers conclui que as principais economias capitalistas, assim, apenas tropeçam tentando impulsionar a economia com bolhas de crédito, em seguida, sofre bustos financeiros e cai para trás novamente.
Assim, o Fed pode pensar que a economia dos EUA está se dirigindo para 'melhoria sustentável ", mas alguns economistas do Banco da Inglaterra não. E nenhuma dessas previsões levam em conta a alta probabilidade de uma nova recessão ou depressão econômica antes desta década. Eu já sopesei esta probabilidade em posts anteriores.
Basta dizer que o crescimento econômico mais rápido depende do investimento produtivo superior e "sustentável" mas isso não está ocorrendo porque a rentabilidade nas principais economias ainda é muito baixo (na verdade, é perto dos pontos baixos de pós-1945), enquanto a dívida, a dívida particularmente corporativa é demasiada elevada. E agora é provável que fique mais cara o serviço como o Fed eleva as taxas de empréstimo de dólar.
custo de capital
Como o ex-presidente do Fed, Ben Bernanke explicou recentemente em um momento de clareza, as baixas taxas de juros reais que Summers salienta é um produto de baixa rentabilidade. "O estado da economia, e não o Fed, é o determinante final do nível sustentável de rendimentos reais. Isso ajuda a explicar por que as taxas reais de juros são baixos em todo o mundo industrializado, e não apenas nos Estados Unidos ".
No estudo do Banco da Inglaterra, os dois economistas apontam que a taxa de retorno sobre o capital tem caído desde o início de 1990, mas não tanto como a "taxa de juros livre de risco" - de modo que o custo dos empréstimos para investimento de risco aumentou em torno de 100bps. Em outras palavras, o custo dos empréstimos para investir manteve-se para cima, enquanto a rentabilidade sobre o investimento caiu, apertando a "rentabilidade da empresa" e reduzindo o incentivo para investir. O estudo refere-se ao World Economic Outlook abril 2014, onde o FMI constata que "a rentabilidade do investimento tem diminuído acentuadamente na sequência da crise financeira global, particularmente na área do euro, Japão e Reino Unido."
Rendibilidade do investimento
Já em 1937, o Fed dos EUA concluiu que a economia dos EUA tinha se recuperado suficientemente, em seguida, para habilitá-la para começar a elevar as taxas de juros. Dentro de um ano, a economia estava de volta em uma recessão severa de que  não se recuperou até a América entrar na guerra mundial em 1941. O Fed, em seguida, não tomou em conta a fraca rentabilidade do capital norte-americano e sua falta de vontade de investir para o crescimento. É um argumento que eu apresentava mais de um ano atrás, mas ainda é relevante agora. Será que a história se repita?

Luta de classes reacionária


por Luiz Carlos Bresser-Pereira

As grandes manifestações de ontem contra o impeachment assim como o manifesto dos intelectuais que assinei e participei do ato público na Faculdade de Direito da USP são uma indicação clara que os brasileiros estão dispostos a defender a democracia. É claro que os defensores do impeachment negam que se trata de um golpe, mas seus argumentos são vazios. Na verdade o que estamos vendo no Brasil é uma crise econômica e política que marca definitivamente o fim de um amplo e generoso pacto político - o Pacto Democrático Popular das Diretas Já, que nos deu a democracia e uma razoável diminuição das desigualdades econômicas. Foi um momento em que as classes sociais se juntaram, que pobres e ricos, democratas e liberais se associaram. Infelizmente, esse pacto começou a desmoronar com as manifestações de junho de 2013 e neste ano de 2015 entrou definitivamente em colapso. Foram muitas as causas. Há uma causa moral, a corrupção envolvendo políticos e empresários; uma causa econômica, a queda violenta dos preços das commodities em 2014; uma causa política, a inabilidade política do governo Dilma. Mas a principal causa é a grande guinada para a direita das classes médias tradicionais, em boa parte rentistas (cujos rendimentos são em boa parte de juros, dividendos e aluguéis). Essa classe relativamente rica sentiu-se esquecida, encheu-se de ressentimento e de indignação moral, e embarcou no projeto autoritário-liberal do impeachment. O que transformou esse processo em uma manifestação da luta de classes - não da luta dos trabalhadores para conquistar mais renda e poder (não há nada nessa direção), mas a luta de capitalistas rentistas que querem limitar os ganhos dos trabalhadores. Uma luta de classes profundamente reacionária, que não oferece qualquer solução real para os dois grandes problemas brasileiros: o do desenvolvimento econômico e o da diminuição das desigualdades.

Após quase uma década o Fed começa a elevar taxas de juros



Por Marco Antonio Moreno


O Federal Reserve anunciou na quarta-feira o aumento da taxa de juros de curto prazo pela primeira vez em quase uma década de 0% para 0,25% variando de 0,25% a 0,5%. Esta é uma das decisões mais esperadas dos últimos tempos depois de quase sete anos mantendo a taxa dos fundos federais em zero por cento para apoiar a recuperação econômica após a pior crise financeira sofrida pelos Estados Unidos desde a Grande Depressão da 30. A decisão foi anunciada por Janet Yellen neste comunicado do Fed.

Mesmo sendo a subida das taxas muito pequena, o aumento de 0,25 pontos percentuais é importante porque marca o início do fim do dinheiro fácil. O Fed precisa voltar ao normal depois de sete anos de luta com a estagnação econômica. Sua decisão afetará milhões de investidores e poupadores em todo o mundo, especialmente aqueles que têm emprestado muito nos últimos sete anos desde que o custo do crédito terá sua primeira subida. A decisão do Fed era amplamente esperada em um sinal de que a economia dos EUA precisa desprender-se dos estímulo monetários. É um sinal dando um voto de confiança na economia, dada a recuperação que tomou o emprego nos Estados Unidos. No entanto, o valor do dinheiro permanece em níveis historicamente baixos, como mostrado neste gráfico:




De acordo com o Fed, a economia americana não está mais em crise e passou com sucesso os tremores da recessão e da crise global. Na verdade, ele diz que o país é muito mais saudável hoje do que há sete anos: o desemprego está em 5%, metade da taxa de 10% alcançado em 2009. Desde o fim da recessão os Estados Unidos têm adicionado mais de 12 milhões de empregos, embora os salários tenham subido apenas durante a recuperação.

O comitê do Fed observou que houve melhorias claras na perspectiva econômica em comparação com a sua última previsão em setembro: o Fed elevou suas expectativas de crescimento para o próximo ano para 2,4%, acima dos 2,3% da estimativa anterior. Ele também reduziu sua previsão de desemprego em 2016 para 4,7%, abaixo dos 4,8%. A inflação permanece bem dentro da faixa aceita pelo Fed.

Daí a Reserva Federal quebrar sua imobilidade e acionar o aumento das taxas de juro. Este tem sido o mais badalado aumento da taxa de história e os mercados vinham esperando este movimento desde setembro. Espera-se também que, o de hoje, seja apenas o primeiro de movimentos ascendentes, embora isso vá depender da resposta da economia mundial a esta mudança na política monetária. A última vez que o Fed elevou os juros foi em junho de 2006, um ano antes da eclosão da crise do subprime e falências bancárias que abalaram o mundo.

Congresso aprova Plano Plurianual 2016–2019

O documento prevê ampliação de 50% nos investimentos federais no quadriênio, com prioridade para a educação, crescimento do PIB de até 2,5% ao ano e inflação no centro da meta

O Congresso aprovou ontem o Plano Plurianual (PPA) 2016–2019, que orientará a elaboração orçamentária federal nos próximos quatro anos. O texto destina R$ 8,2 trilhões para serem aplicados no quadriênio. 

Mesmo diante de um cená- rio de retração da economia, o PPA prevê um aumento de 51% dos investimentos federais em relação ao PPA 2011–2015. Cerca de R$ 3,7 trilhões serão destinados aos programas sociais e à segurança pública. O segundo setor mais beneficiado é o de infraestrutura, com R$ 1,4 trilhão. 

Em relação aos indicadores econômicos, o PPA antevê um pequeno aumento do PIB nacional em 2016 (0,2%) seguido de crescimentos mais expressivos a partir do ano seguinte: 1,7% em 2017, 2% em 2018 e 2,5% em 2019. 

A inflação, atualmente próxima dos 10%, tem previsão de queda para 5,4% em 2016. Nos três anos seguintes, segundo a previsão do PPA, o índice ficará em 4,5%, correspondente ao centro da meta do governo. 

Os programas da área educacional tiveram prioridade. É a primeira vez que o Plano Plurianual é elaborado em consonância com o Plano Nacional de Educação (PNE), promulgado em 2014 e que, entre outras determinações, exige investimento mínimo de 7% do PIB no setor até 2019 — justamente o último ano de vigência do PPA. 

Alfabetização 

Dentro desse contexto, o plano prevê a construção de 4 mil escolas de educação básica até 2019 e, dentro do mesmo prazo, pretende alcançar o índice de 95% de alfabetização entre os cidadãos a partir dos 15 anos de idade. 

O Programa Educação para Todos, um compromisso firmado em 2000 pelo Brasil com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), ganha mais corpo no novo PPA. 

O texto estabelece como metas o apoio à construção de 3 mil unidades de educação básica e a ampliação da oferta de matrículas na educação em tempo integral (5 milhões de vagas), no Pronatec (5 milhões de vagas) e em cursos de graduação presencial em instituições federais de ensino (1,4 milhão de vagas). 

Fiscalização 

Depois da área social, a mais beneficiada é a de infraestrutura, com cerca de 21% dos recursos dos programas temáticos. Entre as metas de maior destaque, estão as relacionadas a habitação: disponibilizar 3 milhões de moradias pelo Programa Minha Casa, Minha Vida e ampliar o número de domicílios urbanos atendidos por fornecimento de água (de 54,8 milhões para 57,8 milhões) e saneamento básico (de 46,8 milhões para 49,6 milhões). 

O relator do plano, deputado Zeca Dirceu (PT-PR), destacou que o PPA traz mais mecanismos de fiscalização das ações de governo. O Executivo deverá informar periodicamente a relação entre o plano e a execução dos Programas de Aceleração do Crescimento (PAC) e de Investimento em Logística (PIL). Além disso, o relatório anual de avaliação do PPA deverá conter análises do cenário macroeconômico. 

— Esse PPA aperfeiçoa a capacidade de o Brasil não só planejar e estabelecer grandes metas, mas cumpri-las — disse. 

A costura política do texto também foi destacada. Segundo Dirceu, apenas 42 emendas parlamentares ao projeto foram rejeitadas, em oposição a mais de 1.000 intervenções de deputados e senadores que ficaram de fora do PPA anterior. 

— Tive o cuidado de entender e valorizar a intervenção dos parlamentares, que trouxeram o sentimento das suas regiões e dos setores em que atuam. 

Jornal do Senado Com Agência Câmara e EBC


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Fracassos eleitorais


por Immanuel Walerstein

Este tem sido um ano ruim para partidos no poder que enfrentam eleições. Eles têm vindo a perder-las, se não for absolutamente então relativamente. A atenção se tem centrado em uma série de eleições, onde os chamados partidos de direita têm tido um melhor desempenho, por vezes, muito melhor, do que os partidos no poder que se considerou ser de esquerda. Exemplos notáveis ​​são Argentina, Venezuela, Brasil e Dinamarca. E poderíamos acrescentar os Estados Unidos.

O que tem sido menos comentado foi a situação inversa - partidos no poder que são "de direita" perdem para forças à esquerda, ou pelo menos perdem em percentagem e em número de assentos que tenham obtido a nível nacional e/ou níveis provinciais. Isto tem sido verdade, muitas vezes de forma bastante diferentes, do Canadá, Austrália, Espanha, Portugal, Holanda, Itália e Índia.

Talvez o problema não seja os programas que estão sendo apresentados pelos partidos, mas simplesmente o fato de que os partidos no poder estão sendo responsabilizados por situações econômicas desfavoráveis. Uma reação, o que temos visto em quase toda parte, é de direita, o populismo xenófobo. E outra reação é exigir mais, e não menos, as medidas de Estado de bem-estar, que é chamado sendo "contra a austeridade." É claro que é perfeitamente possível ser xenófobo e anti-austeridade, ao mesmo tempo.

Mas se um partido alcança poder e tem de governar, espera-se para fazer a diferença nas vidas de todos aqueles que votaram no poder. E se eles não podem fazer isso eles podem enfrentar uma reação severa nas eleições no futuro, muitas vezes bastante rapidamente. Isto é o que o primeiro-ministro Modi na Índia aprendeu quando menos de um ano após uma eleição nacional arrebatadora, o seu partido foi mal nas eleições provinciais em Delhi e Bihar, onde seu partido tinha ido muito bem, pouco antes.

Eu não acho que essa volatilidade vai cessar tão cedo. A razão, penso eu, é bastante simples. Os mantras neoliberais de crescimento e de competitividade não são capazes de reduzir significativamente a taxa de desemprego real. Como resultado, eles podem forçar principalmente a transferência de riqueza dos estratos mais baixos para os estratos mais ricos. Isso é muito visível e é o que leva à denúncia de programas de austeridade.

A reação xenófoba responde a uma necessidade psíquica, mas de fato não leva a um maior emprego e, portanto, a uma maior renda real. Esses eleitores podem se retirar depois de política eleitoral, como podem aqueles que perseguem objetivos de esquerda, como o aumento dos impostos sobre os ricos. Por sua vez, os governos - esquerda, centro ou direita - têm menos dinheiro para as medidas de proteção social.

A combinação destes elementos não só é muito negativa para aqueles na parte inferior da escada de rendimento. Significa, também, o chamado declínio da classe média - ou seja, a transferência de muitas famílias para as fileiras dos estratos mais baixos. No entanto, o modelo de dois partidos convencionais das eleições parlamentares foi baseada na existência de um numericamente grande estrato de classe média que estavam prontos para mudar seus votos um pouco e calmamente entre dois partidos centristas bastante semelhante. Sem esse modelo, em função, o sistema político é caótico, que é o que estamos vendo agora.

Tenho vindo a descrever a cena intrastatal. Mas há também a cena interestadual - o poder global relativo de diferentes estados. Assim como as taxas de emprego reais são o que assistir, dentro de cada estado, por isso as taxas de câmbio são uma chave para poder interestadual. O dólar norte-americano tem mantido o seu estatuto de cão superior, principalmente porque não há nenhuma boa alternativa de curto prazo. No entanto, o dólar norte-americano não é estável, mas também sujeito a mudanças bruscas, voláteis, bem como relativo declínio a longo prazo.

As taxas de câmbio caóticas significa que ainda há uma última, e altamente perigosa, solução para reforçar o poder interestadual relativo - guerra. A guerra é tanto intimidante e remunera a curto prazo, mesmo que seja humanamente devastadora e desgastante no longo prazo. Então, quando nos Estados Unidos se debate como perseguir os seus interesses na Síria ou no Afeganistão, a atração para o aumento, em vez de menor, o envolvimento militar é muito forte.

Tudo em tudo, não é uma imagem bonita. O ponto para os partidos políticos é este não é um bom momento para realizar eleições. Alguns partidos no poder estão começando a decidir que eles não devem mantê-los, ou pelo menos não segure mesmo marginalmente mais competitivos.

Novos Territórios da taxa de juros


Alejandro Nadal, La Jornada


A Federal Reserve americana (Fed) anuncia hoje, quarta-feira,  um aumento da taxa de juros. Há nove anos que o Fed cortou as taxas de juros para perto de zero em resposta à crise financeira. Como afetará a economia esta medida e que repercussões se pode esperar a nível mundial? 

No Fed pesa muito o espectro de uma recaída da economia, causada por um aumento prematuro de taxas de juros. Os sinais de recuperação permanecem erráticos, portanto, por que o aumento previsto é pequeno e não seria superior a um quarto de ponto percentual. 

O Fed interpreta positivamente sinais vitais da economia dos EUA. Ou o crescimento é espetacular e este ano vai chegar a quase 2,5 por cento, mas isso é muito melhor do que a média de 0,3 por cento para o período 2007-2011. Isso se compara favoravelmente com o desempenho de outras economias desenvolvidas. Mas o aumento das taxas de juros poderia retardar o crescimento medíocre da economia dos EUA.

Talvez o indicador mais importante para o Fed é a taxa de desemprego. O nível de desemprego foi reduzido de 10 para 5 por cento entre 2009 e 2015, mas as coisas mudam, se forem tidas em conta as medidas mais amplas de desemprego (disponível em www.bls.gov). Por exemplo, considere as pessoas que trabalham a tempo parcial mas gostariam de fazê-lo em tempo integral, o desemprego sobe para mais de 10 por cento. 

Um dos sinais ruins que o Fed está considerando tem a ver com a estagnação salários. Em 2006, a taxa de crescimento dos salários reais em atividades produtivas foi de 4 por cento, mas a partir desse ano os aumentos salariais caíram hoje e estão crescendo a uma taxa média de 2 por cento, bem abaixo dos aumentos de produtividade. 

No domínio da deflação a situação é delicada. O sobre-endividamento não foi removido e se pode esperar que um pouco de inflação ajude os devedores a liquidar as suas dívidas melhor. Assim, o Fed tem uma meta de inflação de 2 por cento. Esta meta não está sendo cumprida e agora a taxa de inflação situou-se em 1,25 por cento. Na verdade, e este é um ponto em que há desacordo dentro do Fed, os sintomas da deflação não desapareceram. A coexistência desses sinais com o curso bem em matéria de trabalho são o tema de um acalorado debate. 

Um dos efeitos mais importantes do aumento da taxa de juros será o fortalecimento do dólar. A valorização da moeda americana já foi sentida com a simples perspectiva de um aumento moderado da taxa de juros. Mas um dólar mais forte terá um impacto negativo sobre as exportações norte-americanas. No meio do ano passado até agora, as exportações caíram em cerca de 20 bilhões de dólares. Os rendimentos das maiores empresas nos Estados Unidos dependem fortemente das exportações e um dólar forte vai afetá-las negativamente. 

Uma redução nas exportações de manufaturados poderia ter graves repercussões. Em contraste com os sinais positivos que para o Fed justificam o aumento da taxa de juros, todos os indicadores mostram que a produção está em recessão (desde Outubro de 2014). O dólar forte certamente irá piorar a situação e poderão intensificar as distorções setoriais setoriais que já sofre  a economia dos EUA. 

A nível internacional a decisão do Fed terá consequências significativas. Um dólar forte contribui para a queda dos preços de quase toda a gama de produtos e mercadorias básicas, começando com o preço do petróleo (cujo preço seja denominado em dólares). Isto tem implicações desagradáveis ​​para os exportadores de matérias-primas. As moedas das chamadas economias emergentes já foram agredidas pela valorização do dólar. No México a desvalorização já acumula 15 por cento este ano e, no caso do Brasil, o efeito foi devastador (como ele é combinado com a queda do seu principal mercado na China). O impacto sobre as empresas que têm emprestado em dólares poderiam ser devastadores. 

Japão, China, Europa e os Estados Unidos estão a implementar políticas monetárias em direções opostas. Enquanto o Fed anuncia seu modesto aumento nas taxas de juros, o Banco Central Europeu anunciou que vai estender a sua política de compra de ativos (60 bilhões de euros por mês em 2017) e manter uma taxa zero ou até mesmo negativa. Existem grandes distorções de espera na economia global e uma intensificação da volatilidade no setor financeiro. Afinal o impacto internacional poderia impactar negativamente sobre a economia dos EUA. Definitivamente  o capitalismo mundial entra em um novo território.

O envelhecimento brasileiro até 2085 na projeção média de fecundidade


Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

151216

Durante 200 mil anos, desde o surgimento do homo sapiens, houve crescimento do número de habitantes do mundo. Pode ter havido recuos em certos momento e lugares ou até civilizações locais podem ter desaparecido, mas nas contas globais, o crescimento foi contínuo e passou a ser exponencial nos últimos 250 anos. Por conta disto, a demografia é uma ciência que se acostumou com o crescimento e com uma estrutura etária jovem.
A pirâmide populacional tinha os grupos etários quinquenais inferiores maiores do que os imediatamente superiores. A estrutura etária jovem fazia com que as políticas públicas se preocupassem fundamentalmente com a expansão das suas metas quantitativas. Vale dizer: maior número de maternidades e pediatrias, mais escolas, mais moradias, mais empregos, mais estradas, mais consumo, etc.
Porém, desde que as taxas de fecundidade (número médio de filhos por mulher) começaram a cair, a estrutura etária da população começou a sofrer uma transformação, com a redução da sua base, um crescimento da população adulta (15-59 anos), num segundo momento, e um crescimento da população idosa (60 anos e mais), num momento posterior.
A pirâmide populacional brasileira de 1985 foi a última a manter o formato egípcio e foi neste ano que a coorte etária 0-4 anos apresentou o maior número absoluto de crianças de toda a história brasileira (passada e futura). Havia 18,5 milhões de crianças, representando 13,6% da população total, sendo 9,4 milhões de meninos e 9,1 milhões de meninas. A população brasileira era de 136 milhões de habitantes em 1985 e a partir desta data o número de crianças brasileiras começou a diminuir em termos absoluto e relativo.
O índice de envelhecimento (IE) mostrava uma estrutura etária jovem. Havia 50,4 milhões de crianças e jovens de 0 a 14 anos (representando 37% da população total) e 8,7 milhões de idosos de 60 anos e mais (representando 6,4% do total). Desta forma, o IE era de 17,2 idosos para cada 100 pessoas de 0-14 anos.
Todavia, nas décadas seguintes a base da pirâmide foi se reduzindo e o topo foi se alargando, em um processo que vai continuar no século XXI. As projeções demográficas da Divisão de População da ONU, na hipótese média das tendências da fecundidade, apontam um pico de 231 milhões de habitantes em 2055 e uma população total de 208 milhões de habitantes em 2085, sendo que a população de 0-4 anos deve ficar em 9,4 milhões (cerca da metade do número de crianças de 1985), sendo 4,8 milhões de meninos e 4,6 milhões de meninas.
O índice de envelhecimento deve passar para 272 idosos (78,6 milhões de pessoas de 60 anos e +) para cada 100 crianças e jovens de 0 a 14 anos de idade (28,9 milhões de pessoas). Os idosos vão representar 37,7% da população total no ano de 2085. A população brasileira de 0 a 60 anos de idade vai começar a declinar a partir de 2025 e o crescimento, no restante do século, vai ocorrer apenas na população idosa.
Desta forma, em vez de planejar cada vez mais maternidades, escolas e empregos deverá haver o planejamento de uma situação com menos nascimentos, menos estudantes e menos trabalhadores entrando na força de trabalho. O estado de São Paulo já está vivendo a falta de crianças nas escolas e se busca, talvez não da melhor forma, uma maneira de se adaptar à nova dinâmica demográfica e à nova estrutura etária.
Mas uma das tarefas mais difíceis será lidar com o sistema de repartição simples da previdência social, pois este sistema pressupõe que haja um fluxo crescente de pessoas em idade de trabalhar para sustentar o fluxo crescente de pessoas idosas e em condições de inatividade econômica (não contribuintes da previdência). O ano de 2015 já é um marco, pois mesmo com baixo IE, a estagflação e o desemprego está diminuindo o número de contribuintes da previdência, enquanto continua crescendo o número de aposentados.
Para manter o mesmo padrão de vida, o grupo de idoso precisa ser sustentado pelo grupo de adultos produtivos. Se estes últimos diminuírem, a única forma de manter o padrão de vida dos idosos é promovendo um grande aumento da produtividade do trabalho da população economicamente ativa e um bom aproveitamento do segundo bônus demográfico.
Todavia, a produtividade, em geral, depende da expansão da educação e da economia e da disponibilidade de recursos naturais, especialmente de energia extrassomática. O Brasil já tem vários problemas de produtividade e tem crescido graças ao aumento do emprego no período do boom das commodities. Produzir mais com menos pode ficar cada vez mais difícil quando há uma população em declínio, uma carga maior de dependência provocada pelo envelhecimento da estrutura etária, uma escassez relativa de combustíveis fósseis e crescentes problemas ambientais.
Desta forma, a sociedade brasileira, na fase do envelhecimento e do decrescimento populacional, vai ter um grande desafio prático e teórico pela frente, pois terá que lidar com uma pirâmide populacional mais parecida com um retângulo. Isto vai dar o que pensar, especialmente nos métodos e objetivos das políticas públicas.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 16/12/2015

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Quando o mundo fica escuro


por Frances Coppola



O mundo gira em torno de seu lado escuro ...... é inverno
A Child of Our Time, Michael Tippett

"O homem mediu os céus com um telescópio, impulsando os deuses de seus tronos", proclama o contralto no início da guerra de Michael Tippett em A Child Of Our Time. Tal como os nossos homólogos antes da hora escura de que Tippett escreve, nós também acreditamos que a ciência não deixa lugar para a religião. Mas a religião resiste, e quando o mundo gira, ela volta na sua forma mais violenta, rasgando comunidades de peças e afiançando a divisão sectária e até mesmo o racismo abertamente. 

Nosso mundo está girando. Como a memória da crise financeira se desvanece, os movimentos financeiros mundiais "da guerra para a paz", restaurando gradualmente as taxas de juro, restrições apertadas um pouco relaxantes sobre os bancos, imaginando como as instituições financeiras devem ser reguladas para evitar crises no futuro. Mas fora do mundo rarefeito das finanças, o movimento é na direção oposta. É apenas uma pequena distância de uma paz inquieta, à semelhança de guerra. O mundo gira em torno de seu lado escuro. O inverno está chegando. 

Os primeiros sinais de um frio no ar tornou-se evidente, não muito tempo após a crise financeira, como as pessoas que anteriormente se regozijaram na capacidade dos governos para resgatar bancos quebrados e danificados e restaurar as economias de repente ficaram com medo das conseqüências. País após país se afastou de generosidade para com aspereza, impondo medidas de austeridade que prejudicam os pobres, os doentes, os deficientes e - extraordinariamente - o jovem, o que justifica estas medidas por razões que tinham cada vez mais pouco a ver com a economia e mais e mais a ver com o ressurgimento de uma moralidade torcida visto pela última vez no século XIX. Chora a criança de nosso tempo, 
Eu não tenho dinheiro para o meu pão, eu não tenho nenhum presente para meu amor .... Como posso crescer à estatura de um homem?
Os reformadores Lei dos Pobres da década de 1830 acreditavam que o trabalho duro é uma virtude em si, independentemente da utilidade para a sociedade ou benefício financeiro para aqueles que o faz: os sem trabalho são "deficientes morais" que devem ser forçados a trabalhar, a fim de corrigir o defeitos de suas personalidades. Thomas Malthus acreditava que a despesa pública que suporta os pobres incentiva-os a procriar: os pobres devem ser condenados a uma vida de pobreza e privação para desencorajá-los a escolher a ter filhos às custas do estado. Os filhos de pais sem emprego devem ser protegidos contra a sua influência maligna. O lamento da mãe ressoa com todos os das mães de hoje:
Como devo alimentar os meus filhos com tão pequeno salário? Como posso confortá-los quando estiver morta?
Este é o credo da mesquinhez e do egoísmo, satirizado por Dickens em "Um Conto de Natal". É o credo dos falsos deuses do trabalho duro e da poupança. Mas nós, encapsulados pela crença de que somos melhores do que os nossos antepassados, invocamos esses falsos deuses e publicaamos o credo novo. A moralidade da casa de trabalho tornou-se a moralidade do Daily Mail.

Contralto de Tippett continua:

Mas a alma, olhando o espelho caótico, sabe que os deuses voltam.....

Trazendo de volta a "antiga religião", temos que definir os pobres e vulneráveis ​​contra a outra. Solidariedade desintegra; os pobres lutam entre si por uma parte de um pote de dinheiro que é deliberadamente mantido pequeno demais para atender todas as necessidades, e exigir que outras pessoas que possam precisar de uma parte também sejam mantidos fora. "Fechar as fronteiras". "Pare a imigração AGORA". "Nós não podemos ter recursos para refugiados". Estes são os gritos daqueles que temem que a chegada de outros vão dizer que eles perdem ainda mais.

Na Europa, a mesma dureza é evidente, mas em uma escala ainda maior. Aqui, não são apenas os pobres dentro dos países que estão lutando por restos: os próprios países estão em gargantas uns com os outros, como dureza é imposta pelos países mais fortes em mais fraco em apoio da mesma moralidade torcida. Os países que lutam para competir por mercados de exportação são moralmente defeituoso: eles devem ser forçados a competir com o tratamento áspero. Os países que tentam dar aos cidadãos uma vida em vez de pagar os credores decente deve ser forçado a pobreza e privação para desencorajar outros a partir do mesmo caminho. Os governos devem ser supervisionadas por tecnocratas para se certificar de que eles obedecem a regras fiscais, mesmo à custa de recessão e alto desemprego. Oprimido gritar:

Quando serão cidade do usurário cessar? E a fome afastar-se da terra frutífera?

Adorando os falsos deuses de trabalho árduo e poupança tem um preço terrível. Os sacrifícios esses deuses demanda são as vidas daqueles que não o fazem - ou não pode - viver como eles ditam. Mas por enquanto, não há desafio generalizado à sua autoridade. As pessoas continuam a acreditar na mentira que eles dizem: "Não existe mais dinheiro".

As pessoas costumavam acreditar na promessa dos deuses de empréstimos e gastos, "O dinheiro nunca vai acabar". Mas sua crença foi abalada no acidente de 2008, quando o edifício da dívida abruptamente desmoronou, causando destruição financeira generalizada. As pessoas não só parou de acreditar que a promessa, eles também deixaram de acreditar em si mesmos. A terrível recessão e consequente queda longa criaram um fosso enorme confiança. Dentro deste buraco pisou os velhos deuses e sua nova mentira.

Mas a nova mentira é perigoso além da medida. Sociedades sob tal estirpe são frágeis. Os laços sociais são esticados ao ponto de ruptura: as pessoas têm medo de perda, medo do futuro, e irritado com aqueles que pensam estão recebendo "algo para nada". Eles lançar-se para aqueles que negam o seu próprio direito de queda de apoio do Estado. E, como os parafusos lentamente apertar, eles chicotear para fora em outros também - especialmente estranhos, aqueles que não são "um de nós", e aqueles em relação a quem eles se sentem animosidade histórica.

Nassim Taleb, em "Antifragil: Coisas que se beneficiam com o caos", fala de uma mudança repentina no Líbano, quando as pessoas que tinham sido amigos e vizinhos durante toda a vida de repente se transformou em outro. Num piscar de olhos, a paz tornou-se a guerra, a tolerância evaporado, velhas feridas reabertas e hostilidades tribais reafirmou a si mesmos; violência irrompeu e os mais fracos fugiram do mais forte por medo de suas vidas.

Temos visto isso acontecer muitas vezes, não apenas no Líbano. Algo empurra a sociedade além de um ponto de inflexão, laços sociais quebrar como vidro, e os estilhaços voadores causar feridas profundas e duradouras. Entra em erupção de guerra, atrocidades são cometidas por todos, cidades e locais históricos são bombardeadas a escombros, comunidades inteiras - às vezes inteiras até mesmo grupos étnicos ou religiosos - são assassinados.
Fora com eles! Amaldiçoá-los, matá-los! Eles infectam o Estado.
Quando a violência, eventualmente, morre para baixo, as valas comuns são encontradas e lamentou, autores capturados e levados à justiça (ou, mais provavelmente, assassinado por sua vez), e os trabalhos de reconstrução começa, olhamos para trás na conflagração e admiração ", Como na terra é que isso aconteceu? " A aprendizagem é uma coisa maravilhosa: estudar a seqüência de eventos, vemos as cepas aparecendo, os incidentes aparentemente aleatórios que juntos formam um padrão que conduz inexoravelmente ao desastre, as decisões de política que parecia sensata no momento, mas, na verdade, feitas sociedade ainda mais instável.
Verdade, em verdade o Deus vivo consome dentro, e transforma a carne ao câncer ....
A instabilidade crescente na Europa é evidente na ascensão do nacionalismo, impulsionado por um xenofobia desagradável e uma crença generalizada de que "não pode pagar" para apoiar as pessoas de outras nações. Isto é, é claro, os velhos deuses no trabalho, convencendo as pessoas de que "não há dinheiro" e devem apertar os cintos. Temerosos de que os serviços locais será incapaz de lidar - embora a fragilidade destes serviços é inteiramente devido ao corte de custos do governo - países se recusam a aceitar os imigrantes, mesmo os verdadeiros refugiados; enquanto há um apoio crescente aos partidos políticos marginais que propõem saída de instituições supranacionais eo fim da ajuda externa.

Creeping instabilidade também é evidente a partir de crescente intolerância de pontos de vista minoritários, tanto políticos como religiosos. Está se tornando inaceitável para expressar opiniões contrárias: é provável que ser silenciada, ridicularizado, denunciou e abusado. Quando eu recentementese recusou a apoiar uma campanha por um grupo de mulheres prejudicadas, eles responderam com um fluxo de ataques pessoais ao longo de três dias, através de vários meios diferentes: enquanto a minha recusa em participar da difamação dos muçulmanos, na sequência da Paris ataques resultaram em uma tempestade de insultos. Outros foram ainda recusado o direito de falar. A campanha "espaços seguros" nas universidades não é senão negação de liberdade de expressão.

Não há qualquer justificação para isso. Vistas contrários não são necessariamente aqueles com intolerância: Katie Hopkins, agressivamente anti-imigração, a ponto de racismo, é mais "mainstream" do que a pró-imigração liberal Jonathan Portes. Mas as pessoas têm o direito de expressar pontos de vista muito intolerantes até mesmo, desde que ao fazê-lo quebrar nenhuma lei.

Então, as pessoas com pontos de vista contrários, mas legais são silenciados. Por outro lado, algumas pessoas com muito mais extrema pontos de vista não são silenciados. Estou preocupado com a quantidade de incitação ao ódio racial e religioso que vejo na mídia social e convencional. Este não é um sinal de uma sociedade saudável. Quando as pessoas discutem seriamente proibir certas religiões,impedindo adeptos dessas religiões de entrar no país e internar os que já existem; quando as pessoasseqüestrar estatísticas sobre temas emotivos, como estupro para espalhar o ódio de determinados grupos raciais ou religiosos; quando as pessoas culpam determinados grupos raciais ou religiosos para atrocidades sem qualquer evidência real de seu envolvimento, e abusar aqueles que tentam definir o recorde reta; então já estamos na ladeira escorregadia para divisão sectária eo conflito. Fomentar ódio religioso não impede o terrorismo. Pelo contrário, aumenta-lo.

Nós não sabemos exatamente o que empurra as sociedades sobre a borda em conflito, atrocidade e genocídio: muitas vezes, parece haver algum tipo de choque aplicado a uma sociedade já fez frágil por decisões políticas ruins e crescentes divisões sociais. No caso do Líbano, Taleb descreve como políticas do partido Ba'ath configurar a guerra civil inevitável:
Mas enquanto o Líbano tinha todas as qualidades certas, o estado era muito solto, e permitindo que as diversas facções palestinas e as milícias cristãs de possuir armas, causou uma corrida armamentista entre as comunidades enquanto placidamente assistindo todo o acúmulo. Houve também um desequilíbrio entre as comunidades, com os cristãos tentando impor a sua identidade na place.Disorganized é revigorante, mas o Estado libanês foi um passo muito desorganizado. Seria como permitir que cada um dos chefes da máfia Estado de Nova Iorque para ter um exército maior do que as Joint Chiefs of Staff (imaginem John Gotti com mísseis). Então, em 1975, uma guerra civil feroz começou no Líbano.
Aqueles que pensam que "isso nunca poderia acontecer aqui" deve estudar a sua própria história. As nações ocidentais não são de forma imune a conflitos. A UE não tem experimentado um grande conflito desde a sua formação após a Segunda Guerra Mundial, mas a Europa é mais do que a UE e muitos países ao longo da fronteira oriental da UE sofreram guerras, colapsos econômicos e, em alguns partição casos, desde a queda de a URSS. Os EUA é, talvez, menos propensos a sofrer um conflito interno, mas que é porque ele tem historicamente desativou tensão em casa, iniciando uma guerra em outro lugar no mundo, muitas vezes, no Oriente Médio. É de nenhuma maneira o único país a fazer isso. Entre outros, a Rússia ea China têm forma de exportação de agitação interna para pontos críticos favoritas.

"Os aprofunda frios ..... o mundo desce nas águas geladas"

A maré da humanidade desesperada está lavando-se nas margens da Europa. A maioria dos que tentam esta viagem perigosa são verdadeiros refugiados que procuram fugir da guerra, perseguição e tortura nos lugares devastados pela guerra do Oriente Médio. Muitos estão esperando por uma vida melhor para suas famílias. Mas uma pequena minoria, talvez, ter outros motivos.

Um dos terrorista de Paris tinha chegado na Europa através de uma das principais rotas de refugiados. Ele usou um passaporte falso. Polícia sérvia, que identificaram a falsificação, disse que os muçulmanos bósnios foram envolvidos na produção de passaportes falsos para os refugiados. Se isso é verdade ou não, nós podemos nunca saber. Mas muçulmanos bósnios foram vítimas de alguma da pior onda de violênciano colapso da ex-Jugoslávia, que sofrem estupros em massa (20,000-50,000 mulheres são estimados para ter sido estuprada), massacres e genocídios, na sua maioria nas mãos dos sérvios. Diante disso, o quão confiável é o testemunho de polícia sérvio sobre a origem dos passaportes falsos? Nós realmente queremos que o conflito bósnio para voltar à vida com a desculpa de cumplicidade no contrabando de refugiados?

O " terrorista refugiado" em Paris é considerado por autoridades um cidadão da UE que usou um passaporte falso, porque ele já estava em uma lista de terrorismo internacional. Isto não significa, no entanto, nem totalmente explica, por que ele usou uma rota de refugiado perigosa. Talvez ele usou a rota de refugiado, a fim de convencer o mundo de que os refugiados estavam envolvidos no atentado. ISIS está desesperado para parar de refugiados que abandonam as zonas que controla, uma vez que este lança ISIS em uma luz muito ruim. Nada agradaria ISIS melhor do que as nações ocidentais batendo o fechamento das fronteiras, resultando em refugiados de congelamento ou a morrer à fome. Grandes quantidades Afinal, ele já produziu de propaganda destinada a convencer pretensos refugiados que serão mal tratados pelo Ocidente.

Se forçar o Ocidente para fechar as fronteiras foi a razão para a rota do bombardeiro Paris, conseguiu muito bem. Agora, o mundo tem pavor de "sírios" e "muçulmanos". Nem todos os refugiados são sírios, e nem todos os refugiados são muçulmanos. Mas ninguém se importa. Eles só querem as fronteiras fechadas. Assim como em 1930, aos refugiados aos judeus foi negado asilo por país após país, agora a refugiados do Oriente Médio é negado asilo. Muitos ainda estão se afogando no mar Egeu. Muitos mais irão morrer de fome e frio como o inverno vem. "Nós não temos nenhum refúgio," chorar o Perseguida no oratório de Tippett.

A UE tem lidado com a situação terrivelmente; mas para mim ainda pior é o comportamento dos candidatos presidenciais americanos que se recusam a reconhecer a origem da crise de refugiados na política externa inepta e prostituída dos EUA, negar que os EUA têm qualquer responsabilidade por garantir a segurança e o bem-estar das pessoas deslocadas por suas guerras, e exigir a abolição de refugiados do Oriente Médio na América.
Nós não podemos tê-los em nosso Império. Eles não devem trabalhar, nem desenhar uma esmola. Deixá-los morrer de fome na Terra de Ninguém!
Enquanto o mundo gira em torno de seu lado escuro, nós ainda aguardamos o choque que vai empurrar os países frágeis da Europa sobre a borda. Mas um choque não tem de ser grande. No oratório de Tippett, foi o assassinato de um oficial alemão por um menino judeu desesperado para salvar sua mãe moribunda. "Eles pegaram uma terrível vingança ...."
Queime suas casas. Bata em suas cabeças. Quebrá-oss em pedaços no volante!
Os muçulmanos não são estranhos. Eles são nossos vizinhos e nossos amigos. E os refugiados não são terroristas. Eles estão fugindo do terror. Nós podemos e devemos fazer melhor do que fizemos no passado. Oferecendo asilo a perseguidos, e garantindo a liberdade de praticar qualquer religião ou nenhuma, sem perseguição, são marcas de uma sociedade civilizada. Se abandonarmos esses, cedemos à escuridão. 

Nosso mundo se transforma, na escuridão e no perigo. Mas, de longe, o maior perigo é o nosso próprio medo irracional. Não nos esqueçamos de Líbano e da Bósnia. E o menino estranhamente profético do nosso tempo.