"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sexta-feira, 25 de março de 2016

4 bilhões de pessoas sofrem severa escassez de água

Em artigo publicado na revista Science Advances, os pesquisadores Mesfin Mekonnen e Arjen Hoekstra mostram a grave situação da escassez de água no planeta. 

Por Tomi Mori.

Os cientistas concluem que a questão da água é uma das principais neste século. Foto de Global Water Partnership - a water secure world.Segundo o estudo, 4.3 bilhões de pessoas, 71% da população global, sofrem de moderada ou severa falta de água pelo menos durante um mês no ano. Desse total, 4 bilhões, ou seja, 66% da população, vive severa falta de água em, pelo menos, um mês ao ano. Na Índia correspondem a 1 bilhão e na China a 900 milhões desse total de 4 bilhões de pessoas.

A lista de países com populações significativas a viver severa falta de água durante parte do ano inclui o Bangladesh, com 130 milhões; os Estados Unidos, também com 130 milhões, particularmente nos estados da Califórnia, Texas e Flórida; o Paquistão com 120 milhões; a Nigéria, com 110 milhões e o México, com 90 milhões.

O estudo esclarece também que uma parte significativa da população mundial, que varia entre 1.8 a 2.9 bilhões sofre falta de água de quatro a seis meses ao ano.

Quinhentos milhões sofrem severa falta de água durante o ano inteiro, como na Índia, com 180 milhões; Paquistão, com 73 milhões; Egito, com 27 milhões; México, com 20 milhões; Arábia Saudita, também com 20 milhões e o Iémen, com 18 milhões.

Outros países, também, sofrem de severa escassez de água durante todo o ano, como a Líbia e a Somália, com 80 e 90% da população; Paquistão, Marrocos, Nigéria e Jordão com 50 a 55% da população.

Esses resultados, segundo os pesquisadores, mostram que a situação é mais grave do que se sugeria em estudos anteriores, cujas estimativas giravam em torno de 1.7 a 3.1 bilhões.

Os cientistas concluem que a questão da água é uma das principais neste século.

Não faz parte do estudo, mas sabemos que essa situação deriva do aumento da população mundial. Devido ao consumo direto originado pelas necessidades básicas e, inclusive, extravagâncias, que já não correspondem à nossa época, como a proliferação de piscinas residenciais. Da manutenção de animais domésticos, seja para consumo em forma de bifes, presuntos e derivados; como também dos nossos adorados bichinhos de estimação, como gatos, cachorros e papagaios. Da agricultura e atividades como a mineração e a indústria com sua sede insaciável.

E recentemente, a criação humana das alterações climáticas, que também tem contribuído com o agravamento do problema.

Ocupação e desocupação entre os jovens e a geração perdida

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

No Brasil, a Geração Y, ou geração do milênio, ou geração da Internet está vivendo momentos difíceis. A esperança de uma geração jovem com bom nível educacional e com boas perspectivas de emprego está se desfazendo diante da crise que começou em 2013 e se aprofundou em 2015 e 2016.
O desemprego de jovens vinha caindo desde 2003 e atingiu o ponto mais baixo em dezembro de 2012, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. A PME produz indicadores mensais sobre a força de trabalho que permitem avaliar as flutuações e a tendência, a médio e a longo prazo, do mercado de trabalho. A nova série da PME começa em março de 2002 e terá finalização em fevereiro de 2016. A periodicidade é mensal e a abrangência geográfica cobre as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Ela é uma excelente pesquisa para se avaliar o desempenho do mercado de trabalho nas regiões metropolitanas mais dinâmicas do país entre 2002 e 2016.
A taxa de desemprego, em dezembro de 2012, atingiu o nível mais baixo, sendo 19,1% entre os jovens de 15 a 17 anos e de 10,6% entre os jovens de 18 a 24 anos. Mas estas taxas começaram a subir a partir de janeiro de 2013. As jornadas dos jovens em junho de 2013 já foram reflexo da piora no mercado de trabalho e da falta de esperança de uma boa educação e um bom emprego.

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O que estava ruim piorou. Em fevereiro de 2016, a taxa de desemprego dos jovens de 15 a 17 anos atingiu a cifra astronômica de 39,1% e dos jovens de 18 a 24 anos ficou em 20,8%. Isto se refere ao desemprego aberto. Mas há também o desemprego oculto e o desalento. O problema, portanto, é muito mais grave. Além do mais, a situação vai piorar nos próximos meses devido à estagflação de 2016.
Na verdade o número de jovens vem caindo no Brasil devido à transição demográfica. Segundo o demógrafo americano Richard Easterlin, “os jovens de coortes menores tendem a ter melhores oportunidades no mercado de trabalho e na educação”. Portanto, o Brasil, que vive a fase do bônus demográfico, teria uma chance única de avançar com a inclusão social de seus adolescentes e jovens.
Todavia, não é isto que vem ocorrendo desde dezembro de 2012, pois o número e o percentual de jovens ocupados vem diminuindo. O gráfico abaixo mostra que o número de adolescentes de 15 a 17 anos vem caindo, mas o número de adolescentes ocupados ficou estável até 2012 e começou a cair rapidamente em 2013. A taxa de ocupação (PO/PIA) caiu durante a recessão de 2009, voltou a subir em seguida e despencou a partir de 2013, com um grande colapso em 2015 e início de 2016. Em junho de 2002 havia 378 mil adolescentes de 15-17 anos na PO, representando uma taxa de ocupação (PO/PIA) de 15,8%. Em dezembro de 2012, havia 372 mil adolescentes na PO, com taxa de ocupação de 15,7%. Porém, em dezembro de 2014 o número de adolescentes na PO tinha caído para 265 mil e a taxa de ocupação abaixou para 11,7%. Mas tudo piorou com a estagflação de 2015, sendo que o número de adolescentes na PO caiu para 170 mil em fevereiro de 2016, representando uma taxa de ocupação de 7,9%. Nunca, na série da PME em questão, a taxa de ocupação de jovens de 15-17 anos foi tão baixa.

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O gráfico abaixo mostra que o número de jovens de 18 a 24 anos ocupado subiu de 3 milhões em março de 2002 (taxa de 52,4%) para 3,3 milhões (taxa de 62,5%) em dezembro de 2012, embora a PIA de 18 a 24 anos estivesse diminuindo. Porém, em dezembro de 2014 o número de jovens na PO tinha caído para 2,9 milhões e a taxa de ocupação abaixou para 58,5%. Mas a situação piorou muito com a estagflação de 2015, sendo que o número de jovens na PO caiu para 2,4 milhões em fevereiro de 2016, representando uma taxa de ocupação de 49,6%. Nunca, na série da PME, a taxa de ocupação de jovens de 18-24 anos foi tão baixa e nunca tinha ficado abaixo de 50%

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Ou seja, o número e o percentual de adolescentes e jovens no mercado de trabalho neste início de 2016 está abaixo do que ocorria no início de 2002. Todos os ganhos obtidos na primeira década do século XXI estão sendo perdidos na segunda década. O bônus demográfico dos jovens está sendo jogado fora.
Além do desemprego aberto existe o problema da “geração nem-nem-nem” (nem estuda, nem trabalha e nem procura emprego). O gráfico abaixo, com base no último censo demográfico, mostra que o percentual de jovens que nem estudam e nem trabalham e nem procuram emprego – de 15 a 29 anos – é muito elevado, em especial, nas Unidades da Federação com menores níveis de desenvolvimento e IDH. Santa Catarina foi a única UF com percentual da geração nem-nem-nem abaixo de 10%. A maioria das UFs do Nordeste e Norte tinha taxas acima de 20%. Ou seja, não se trata de criminalizar os jovens por serem nem-nem-nem, mas avaliar como as políticas públicas não estão dando conta de incorporar a juventude no mercado de trabalho e na escola de qualidade, especialmente os jovens das camadas mais pobres da população. Além disto, muitas mulheres jovens das camadas pobres não possuem acesso aos serviços de saúde reprodutiva e ficam grávidas em um momento não planejado e não possuem apoio de creches para conciliar as tarefas dos cuidados familiares com a inserção produtiva.
Percentagem de jovens de 15 a 29 anos que nem estudam e nem trabalham
(geração nem-nem). Unidades da República Federativa do Brasil, 2010

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Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2010

Assim, evidencia-se que a maior parte dos jovens nem-nem-nem são de mulheres. Muitas delas engravidaram e saem da escola e não entram no mercado de trabalho. Isto acontece por não terem alternativas de progresso social e por não terem acesso aos métodos de regulação da fecundidade. Estas mulheres sofrem com o círculo cumulativo da falta de direitos: no trabalho, na educação e na falta de acesso aos direitos sexuais e reprodutivos.
O crescimento do número de jovens que não estudam , nem trabalham e nem procuram emprego é preocupante, pois além de ser um desperdício do potencial humano, em termos macroeconômico, reflete a falta de oportunidade de trabalho decente, que é um direito humano básico.
O grande número de jovens “nem-nem-nem” é um fato não previsto, especialmente considerando que o ano 2010 foi de crescimento econômico e deveria ter aberto oportunidades para os jovens na escola e no mercado de trabalho.
O número absoluto de jovens está diminuindo no Brasil. Este seria o momento para se investir nos direitos da juventude, permitindo que façam a transição para a vida adulta de maneira tranquila, saudável e produtiva. O futuro do país depende da inserção social e da boa qualidade de vida das novas gerações. O progresso de qualquer nação depende da mobilidade intergeracional ascendente. Todavia, a crise brasileira atual está parindo uma geração perdida!
O colapso do mercado de trabalho formal no Brasil
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED (LEI 4.923/65), que apresenta uma síntese do comportamento do mercado de trabalho formal no Brasil, apontam para um colapso do emprego com carteira assinada no Brasil. Depois das eleições de 2014, o saldo entre admitidos e desligados foi negativo em 2,4 milhões de empregos formais entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2016. Na média mensal foram fechados 159 mil empregos por mês no período, o que dá uma peda de 5.300 empregos com carteira de trabalho assinada por dia. Somente nos últimos 3 meses a perda de vagas foi superior a 800 mil postos.

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Em fevereiro de 2016 houve no Brasil 1,27 milhão de pessoas admitidas e 1,38 pessoas desligadas. Alguns estados tiveram saldo positivo, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Goias, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Os demais tiveram saldo negativo, sendo que o Rio de Janeiro foi a Unidade da Federação que apresentou o maior déficit entre admitidos e desligados, com um saldo negativo de 22.287 empregos formais perdidos.

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O emprego formal cresceu bastante entre 2002 e 2014, reduzindo o grau de informalidade. Havia 22,8 milhões de empregos com carteira assinada em 2002 e aumentou para 41,2 milhões em 2014. Mas houve uma queda de 1,5 milhão em 2015 e talvez haja uma queda de no mínimo 2 milhões em 2016. Isto quer dizer que o Brasil está longe da meta da OIT de pleno emprego e trabalho decente. Se não houver uma reversão desta queda, toda a população brasileira vai sofrer como nunca.

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Esta é a realidade brasileira: uma crise geral no mercado de trabalho e uma crescente juventude com elevados níveis educacionais mas sem perspectiva de emprego, enquanto se aprofunda a estagflação e a utopia vira distopia.
Referências:


José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 24/03/2016

quinta-feira, 24 de março de 2016

A doutrina da carnificina do Estado Islâmico

Uma nova geração de recrutas está a ser treinada no “califado” do Estado Islâmico (EI) doutrinadas com conceitos religiosos desde o nascimento e vistos pelos combatentes como melhores e mais puros do que eles próprios. 

Por Mark Townsend.
Os meninos aprendem um rígido currículo do EI, do qual foram removidos o desenho, filosofia e estudos sociais, descritos como “metodologia do ateísmo”.
Pesquisadores do Quilliam, centro de peritos que estudam o fenômeno relacionado como extremismo em Londres, investigaram o modo como o EI recruta crianças e as treina para a jihad. O relatório, intitulado Crianças do Estado Islâmico, foi endossado pela ONU e compilado num estudo da propaganda do grupo que mostra menores e ligado a fontes de confiança no califado. Percebe-se que é um movimento terrorista ávido em atrair jovens para assim se perpetuar. Muitos são treinados como espiões, pregadores, soldados, “executores” e bombas humanas.

Segundo os autores, “a organização dedica grande parte de seus esforços a doutrinar crianças através de um currículo educacional baseado no extremismo preparando-os, desta forma, para serem futuros terroristas. A geração atual de combatentes vê as crianças como guerreiros melhores e mais letais que eles próprios, pois, em vez de convertidas a ideologias radicais, elas foram doutrinadas nesses valores desde o nascimento ou desde uma idade muito precoce”.

Sem terem sido corrompidos pela vida nos padrões seculares, os menores são considerados mais puros do que os combatentes adultos. “Estas crianças são salvas da corrupção”, declara o estudo, tornando-as mais fortes que os atuais mujaheddin pelo facto de terem uma compreensão superior do Islão desde a juventude e pelo currículo escolar, e são lutadores melhores e mais brutais, treinados na violência desde tenra idade.
Recrutamento forçado
Os recrutas estrangeiros representam um reforço potencialmente importante para o grupo de cerca de 80 mil militantes (50 mil na Síria e 30 mil no Iraque). Estima-se que 6 milhões de homens, mulheres e crianças vivam atualmente no autoproclamado Califado. “O objetivo é preparar uma nova geração, mais forte, de mujaheddin, condicionados e ensinados para ser um futuro recurso para o grupo”, acrescenta o relatório.
O enfoque nos jovens tem semelhanças, segundo o estudo, com o recrutamento forçado de crianças-soldados na Libéria nos anos 1990, quando Charles Taylor tomou o poder, em 1997, secundado por um exército rebelde repleto de crianças.
Os autores concluem que o EI também parece ter estudado o regime nazi, que criou a Juventude Hitleriana. A ONU recebeu relatos verossímeis, mas não verificados, sobre uma ala jovem do EI chamada Fityan al-Islam (Meninos do Islão). Os autores lembram ainda o precedente do regime baathista de Saddam Hussein no Iraque, que no fim dos anos 1970 fundou o movimento Futuwah (Vanguarda Jovem) com as principais unidades de crianças-soldados iraquianas conhecidas como Ashbal Saddam, ou Filhotes de Leão de Saddam, formadas por meninos de 10 a 15 anos.
Os pesquisadores do Quilliam descobriram que os menores são usados amplamente na propaganda do EI para dar a impressão de “construção de um Estado”. Entre 1 de agosto de 2015 e 9 de fevereiro passado, eles identificaram ao todo 254 eventos ou declarações que apresentam imagens de crianças.
O EI utiliza os jovens para tentar banalizar a brutalidade. O grupo incentiva-os a segurar cabeças decapitadas ou jogar futebol com elas. Nos últimos seis meses, a propaganda do Estado Islâmico mostrou 12 crianças assassinas. Um vídeo macabro recente exibe um menino britânico de 4 anos que aparentemente detona um carro-bomba e mata quatro supostos espiões presos no veículo.
O recrutamento de crianças com frequência envolve coerção, segundo o relatório. O rapto seria o método preferido. A missão de assistência da ONU para o Iraque estima que o EI sequestrou entre 800 e 900 crianças de 9 a 15 anos. De agosto de 2014 a junho de 2015, centenas de meninos, incluídos yazidis e turcomenos, foram arrancados à força das suas famílias em Nínive e enviados para centros de treino, onde crianças de apenas 8 anos aprendem o Alcorão, o uso de armas de fogo e táticas de combate.
A organização também recorre ao medo para recrutar. Canais de média do Califado emitem declarações em que advertem as crianças para não se  recusarem a  obedecer às ordens do EI porque se o fizerem serão açoitadas, torturadas ou violadas.
Canais de mídia do Califado emitem declarações em que advertem as crianças para não se recusarem a obedecer às ordens do EI, porque se o fizerem serão açoitadas, torturadas ou violadas.

Controle do sistema educacional
O grupo extremista tomou rapidamente o controle do sistema educacional na Síria e no Iraque, e a doutrinação começa nas escolas e intensifica-se nos campos de treino. Nestes, crianças entre 10 e 15 anos são instruídas na sharia, a lei islâmica, expostas à violência e treinadas em técnicas específicas para servir o Estado e assumir a jihad.
Os meninos aprendem um rígido currículo do EI, do qual foram removidos o desenho, filosofia e estudos sociais, descritos como “metodologia do ateísmo”. As crianças decoram versículos do Alcorão e frequentam treinos para a jihad, que inclui tiro, manuseio de armas e artes marciais. As meninas, chamadas de “pérolas do califado”, usam véus, são escondidas e obrigadas a ficar em casa a cuidar dos homens.
Os autores do relatório recomendam a criação de uma comissão para proteger as futuras gerações da violência radical e monitorizar e reintegrar as crianças que correm risco na União Europeia.
Segundo Roméo Dallaire, porta-voz da Iniciativa de Soldados-Crianças que coescreveu o relatório, a vida sob o Estado Islâmico é uma das mais graves situações para menores no planeta. “Espera-se que esse relatório ofereça uma perspectiva crítica sobre a sina desses jovens”, afirma. “Talvez suscite reflexões essenciais para os políticos, órgãos de proteção à infância, governos, organizações multilaterais e os envolvidos para encerrar o conflito no Iraque e na Síria.”

CEPAL: Pobreza teria aumentado na América Latina, atingindo 175 milhões de pessoas em 2015

Desse contingente, 75 milhões seriam indivíduos vivendo em situação de indigência. Estimativas da CEPAL foram feitas com base em dados de anos anteriores. Brasil é um dos poucos Estados que registrou redução da pobreza de 2013 para 2014; no período de 2009 até o ano retrasado, queda da pobreza foi estimada em 7,9% no país.
Aumento da pobreza e da indigência na América Latina preocupa a CEPAL. Foto: Foto: ONU-Habitat / Luis Brito
Aumento da pobreza e da indigência na América Latina preocupa a CEPAL. Foto: Foto: ONU-Habitat / Luis Brito
Estimativas da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) publicadas nesta terça-feira (22) indicam que a pobreza teria aumentado entre os latino-americanos, atingindo possivelmente 175 milhões de pessoas – 29,2% da população total da região. Desse contingente, 75 milhões seriam indivíduos vivendo em situação de indigência.
Para o organismo internacional, as projeções negativas exigem que países protejam avanços sociais e estejam atentos a retrocessos. Em seu Panorama Social da América Latina 2015, a CEPAL analisou dados de anos anteriores para estimar as taxas de pobreza e indigência do ano passado.
No biênio 2013-2014, a população de pobres na América Latina aumentou em cerca de 2 milhões, alcançando 168 milhões de habitantes da região, entre eles, 70 milhões de indigentes.
O Brasil, no entanto, foi uma das poucas nações latino-americanas que apresentou uma tendência contrária entre um ano e outro. No país, no Equador e na Colômbia, um total de 5 milhões de pessoas saíram da pobreza.
De acordo com os dados da CEPAL, as conquistas do Brasil datam também do período anterior ao biênio 2013-2014. De 2009 a 2014, a taxa de pobreza do país registrou uma queda de 7,9%. Na América Latina, entre 2002 e 2012, a pobreza diminuiu 15,7%.
“É urgente explorar novas fontes e mecanismos fiscais de financiamento que tornem sustentável a política social e os avanços alcançados na última década”, destacou a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, a respeito da conjuntura atual da região.
“Se queremos alcançar o primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, que é buscar o fim da pobreza em todas as suas formas, a América Latina deve gerar mais empregos de qualidade, com direitos e proteção social, preservar o salário mínimo e proteger o gasto social, que mostra uma diminuição em seu ritmo de crescimento”, ressaltou a dirigente.

Gasto público em investimentos sociais aumentou, mas desigualdades perduram e afetam população negra e indígena

O Panorama da CEPAL chamou atenção para o aumento regional dos investimentos públicos em áreas de desenvolvimento social.
No início dos anos noventa (1991-1992), o gasto social se situava em 12,6% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina – em média ponderada – aumentando para 19,5% do PIB no biênio 2013-2014. O crescimento dos investimentos deve-se em primeiro lugar à expansão dos gastos com previdência e assistência social (3,5%), seguido de educação (1,9%) e saúde (1,5%).
No Brasil, a fatia do PIB dedicada aos gastos públicos sociais ultrapassou os 25% de 2013 para 2014. Índice é um dos maiores da América Latina, ficando atrás apenas das taxas registradas em Cuba.
Apesar dos avanços em políticas sociais, as sociedades latino-americanas ainda são afetadas por desigualdades significativas.
Em 2014, a renda per capita dos habitantes da América Latina pertencentes aos 10% da população com maiores rendimentos foi 14 vezes superior à das pessoas que integram os 40% da população com menores rendimentos.
Segundo o levantamento, as disparidades socioeconômicas se refletem na educação. Enquanto 80% dos jovens de 20 a 24 anos dos 20% mais ricos teriam concluído a educação secundária em 2013, somente 34% das pessoas da mesma idade dos 20% mais pobres chegaram ao final dessa etapa da aprendizagem formal.
Diferentes variáveis consideradas pela CEPAL revelam ainda que a pobreza, a distribuição injusta de renda e a precariedade afetam determinadas parcelas da população.
De acordo com a Comissão, os rendimentos médios do trabalho dos homens não indígenas nem afrodescendentes são quatro vezes maiores daqueles recebidos pelas mulheres indígenas e duas vezes maiores em relação aos das mulheres afrodescendentes.
No Brasil, a proporção de negros assalariados é 4,5% menor do que a taxa de pessoas não afrodescendentes empregadas nesse tipo de regime, segundo dados de 2013.
Já o trabalho autônomo é 4,4% mais alto entre negros do que entre a população considerada não afrodescendente. Índice de mulheres negras que trabalham como empregadas domésticas chega a 18,6%, um percentual oito pontos acima da taxa para o público feminino branco empregado nessa ocupação.

Decrescimento econômico e aumento da pobreza na América Latina


Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
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Existia um otimismo com a meta 1 dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que previa a redução pela metade da pobreza no mundo entre 1990 e 2015. No caso da América Latina e Caribe (ALC) a pobreza extrema (ou indigência) caiu de 22,6% em 1990 para 11,3% em 2012. Houve uma justa comemoração com estes números já que a meta 1 dos ODM foi atingida antes do prazo. Parecia que o continente sem miséria seria uma realidade, pois os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) incorporaram a meta de erradicar a pobreza extrema até 2030.
Porém, a situação é mais complexa e a luta pela erradicação da pobreza e da indigência parece mais difícil do que se imaginava, conforme mostra o Panorama Social da América Latina 2015, da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Em termos absolutos, a pobreza extrema diminui de 95 milhões de indigentes em 1990 para 66 milhões em 2012. Portanto, não houve redução pela metade. No quesito pobreza o número absoluto de pobres era de 204 milhões em 1990 e caiu para 164 milhões em 2012 e, em termos relativos, houve uma queda de 48,4% em 1990 para 28,2% em 2012.
Porém, estas conquistas parciais entre 1990 e 2012 foram interrompidas e a pobreza e a indigência voltou a subir na ALC. O número de pessoas indigentes subiu de 66 milhões em 2012 para 75 milhões em 2015 e o número de pobres subiu de 164 milhões em 2012 para 175 milhões em 2015. Ou seja, a curva descendente foi revertida para uma curva ascendente da pobreza e da indigência.
A reversão das conquistas recentes está estreitamente relacionada ao desempenho macroeconômico da região e a crise que atinge, principalmente, Venezuela e Brasil. A queda do preço das commodities prejudica as exportações latinoamericanas. Ou seja, os números apresentados pelo Panorama Social da América Latina 2015, da CEPAL, são bastante preocupantes em termos da inclusão social no presente e no futuro. Os últimos dados indicam que a ALC terá anos difíceis pela frente.
De fato, toda a região da América Latina e Caribe (ALC) viveu um momento de grande crescimento econômico entre 2002 e 2008. Em 2009 houve recessão em função do impacto da crise internacional, mas a região se recuperou entre 2010 e 2013. Os primeiros 13 anos do século XXI pareciam deixar para trás o fantasma da “década perdida”. Neste período, marcado pela melhoria dos termos de intercâmbio internacionais, houve um processo de valorização cambial e de recuperação da renda. A maioria dos governos – com alguma orientação de esquerda – aumentou os gastos sociais, possibilitando uma redução da pobreza e avanços no sistema de proteção social.
Mas a taxa de crescimento econômico veio caindo entre 2010 e 2014 e o PIB entrou em recessão em 2015, segundo as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). O Brasil, como o maior país da região, contribuiu para puxar o PIB latinoamericano para baixo. O declínio de 3,8% do PIB brasileiro em 2015 contribuiu para jogar a ALC em recessão de 0,3%. Evidentemente, esta recessão provocou uma queda ainda maior da renda per capita, influindo decisivamente para o aumento da pobreza e da indigência.

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Assim, os dados do Brasil e da ALC mostram uma tendência de queda que pode desaguar em uma segunda década perdida, embora alguns países, como o Chile, mantenham taxas positivas de crescimento econômico e melhoria das condições de vida. O relatório da Cepal mostra que a região poderia colher o seu bônus demográfico até 2030. Porém, a crise econômica ameaça antecipar o fim do bônus demográfico, inviabilizando novas conquistas sociais.
O decrescimento econômico e a atual recessão tem prejudicado sobremaneira a população pobre. Este não é o processo defendido pelos teóricos do “decrescimento”. Ou seja: “Su recesión no es nuestro decrecimiento”. Para os teóricos do “decrescimento” a redução das atividades econômicas deveria ocorrer pela diminuição do consumo conspícuo, pela redução da poluição e das atividades mais degradadoras do meio ambiente. A redução das atividades antrópicas deveria vir acompanhada de uma melhor distribuição da renda e redução da pobreza. Não é o que está acontecendo na prática da ALC.
O atual ciclo recessivo – liderado por Brasil e Venezuela – pode comprometer o processo de desenvolvimento econômico da ALC e provocar uma regressão social, além de agravar a situação ambiental. A América Latina está em uma encruzilhada e, mesmo a contragosto, está optando pelo caminho do retrocesso.
Referência:
CEPAL. Panorama Social de América Latina, Santiago do Chile, 22/03/2016

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 23/03/2016

quarta-feira, 23 de março de 2016

Emissão de CO2 é a maior desde a era dos dinossauros

A velocidade do efeito estufa é dez vezes superior à do fenômeno natural ocorrido há 56 milhões de anos que aqueceu o planeta em 5 graus, sugere estudo. Para os autores da investigação, estamos numa “era sem precedentes”. Artigo do Observatório do Clima/Envolverde.

Bom trabalho, humanidade: um novo estudo acaba de indicar que a atual taxa de emissão de gases de efeito estufa é a maior da história do planeta nos últimos 66 milhões de anos. Ou seja, para encontrar algum momento no passado do planeta em que existiu tanto carbono expelido no ar, seria preciso recuar até à era em que os tiranossauros caminhavam sobre a Terra.
O estudo, publicado na segunda-feira, afirma que a velocidade de emissão de carbono em 2014 é pelo menos dez vezes maior do que a de um pico natural de aquecimento global ocorrido há 56 milhões de anos – e que fez as temperaturas médias subirem 5 graus no mundo inteiro.
Até agora, os cientistas achavam que esse fenómeno, conhecido como PETM (sigla em inglês para “máximo termal do Paleoceno-Eoceno”) fosse o fenómeno mais parecido com o efeito estufa provocado pela humanidade nos últimos 200 anos, pela quantidade gases-estufa lançados no ar – algo entre 2 biliões e 4,5 biliões de toneladas de carbono, mais ou menos o equivalente às nossas reservas restantes de combustíveis fósseis.
novo estudo, liderado por Richard Zeebe, da Universidade do Havai em Manoa, concluiu que não é o caso: as taxas de emissão durante o PETM foram muito mais modestas: algo entre 0,6 mil milhões e 1000 milhões de toneladas de carbono (o equivalente a 2,1 mil milhões a 3,6 mil milhões de toneladas de CO2) por ano, contra 10 mil milhões de toneladas de carbono (36 mil milhões de toneladas de CO2) emitidas apenas pela queima de combustíveis fósseis em 2014.
“Entrámos efetivamente numa era sem precedentes”, escreveram Zeebe e os seus colegas no artigo científico que descreve os seus resultados, publicado no site do periódico Nature Geoscience. Segundo os cientistas, a velocidade das emissões hoje poderá significar “amplas extinções de espécies no futuro”, em especial nos oceanos.
Os cientistas já sabiam que o pulso de carbono do PETM tinha sido grande, disparado talvez por mudanças no leito oceânico que libertaram grandes quantidades de metano, um poderoso gás de efeito estufa. Até agora, no entanto, ninguém conseguia calcular corretamente as taxas anuais de emissão e a duração precisa do evento. Isso porque os registos geológicos usados para esse tipo de datação são “míopes”: trata-se de colunas de sedimentos depositados no fundo do mar muito lentamente, que não permitem estimar a variação anual do carbono.
Zeebe e os seus colegas resolveram o problema analisando uma coluna de sedimentos extraída há muito tempo do fundo do mar em Nova Jersey, nos EUA. Reanalisaram quimicamente os sedimentos, prestando atenção a dois indicadores: a proporção de oxigénio pesado (18O, um indicador de temperatura) e a de carbono pesado (13C, um indicador de gases-estufa).
Caso o pulso de metano do PETM tivesse sido cataclísmico, os sedimentos mostrariam primeiro uma enorme variação no teor de carbono das amostras e, depois, um aumento de temperatura. Mas o sedimento de Nova Jersey mostrava a temperatura a subir em sincronia com a libertação de carbono, o que denota uma taxa de emissão mais lenta – calculada em até 1000 milhões de toneladas de carbono por ano ao longo de 4 milénios.
No PETM, o pulso de carbono causou enormes mudanças ecológicas, com a extinção em massa de microrganismos do fundo do mar e a sua substituição por outras espécies. Segundo o estudo, porém, essas mudanças foram lentas o suficiente para permitir que a maior parte dos ecossistemas se adaptasse.
Não deverá ser o caso com emissões anuais que ocorrem dez vezes mais rápido, nas quais as espécies marinhas sofrerão com o aumento de temperatura e com a acidificação do oceano. “[É] possível que as taxas atuais de mudança excedam a capacidade de adaptação dos ecossistemas marinhos e dos seus constituintes”, escreveu em comentário na mesma edição da Nature Geoscience o geólogo Peter Stassen, da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica.
O alerta veio no mesmo dia em que a OMM (Organização Meteorológica Mundial) divulgou o seu balanço Estado do Clima Global em 2015, confirmando que o ano passado – o mais quente da história – foi de facto excepcional, com recordes quebrados de seca, calor, chuvas intensas, ciclones e redução de gelo marinho.
“O futuro está a acontecer agora”, sintetizou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas. “Hoje, a Terra já está 1°C mais quente do que no início do século XX. Ou seja, estamos na metade do limite crítico de 2°C. E os planos nacionais sobre alterações climáticas adotados até agora podem não ser suficientes para evitar um aumento de temperatura da ordem de 3°C. Mas podemos evitar os piores cenários com medidas urgentes e de longo alcance para reduzir as emissões de dióxido de carbono”, prosseguiu Taalas. Os autores do novo estudo são menos otimistas: para eles, rápidas reduções nas emissões antropogénicas de gases-estufa são “cada vez menos prováveis no futuro próximo”.
* Publicado originalmente no site Observatório do Clima

terça-feira, 22 de março de 2016

Metade da população mundial poderá ter dificuldades para obter água em 2030

Painel internacional cita atuais níveis de consumo de água e de poluição como problemas; se a tendência continuar, a demanda por água poderá crescer 40%, exigindo gastos de US$ 200 bilhões por ano.
Redução do desperdício ea 120 bilhões de metros cúbicos de água. Foto: Banco Mundial
Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 
Se os atuais níveis de consumo e de poluição da água continuarem, é possível que metade da população mundial enfrente dificuldades para obter o recurso natural em 2030.
O alerta é do Painel Internacional de Pesquisa, ligado ao Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma. Vários fatores poderão aumentar de forma dramática a demanda por água: aumento da urbanização e da população, mudança climática e consumo de alimentos.
Custos
Se a tendência atual continuar, a demanda por água será 40% maior daqui a 15 anos. Com isso, o relatório indica que os governos serão forçados a gastar US$ 200 bilhões por ano com o abastecimento de água, sendo que a média histórica alcançada é entre US$ 40 bi a US$ 45 bilhões.
O diretor-executivo do Pnuma comentou os dados divulgados esta segunda-feira e lembrou que o "acesso à água limpa é a base do desenvolvimento sustentável".
Segundo Achim Steiner, quando as pessoas mais pobres não têm acesso à água potável, elas acabam gastando boa parte da renda comprando água ou passam muito tempo transportando o bem natural.
África
O Painel Internacional de Pesquisa do Pnuma é um grupo formado por 27 cientistas renomados, 33 governos nacionais e outros grupos. Os pesquisadores revelam que na África Subsaariana, a demanda por água pode aumentar 283% em 2030, se for feita a comparação com os níveis de 2005.
O estudo mostra ser possível separar o uso de água do crescimento econômico. Na Austrália, por exemplo, o consumo de água caiu 40% entre 2001 e 2009, enquanto a economia cresceu 30%.
O relatório traz uma lista de fatores que irão levar ao aumento da demanda por água. O setor agrícola, por exemplo, é responsável por 70% da retirada de água fresca. Com o aumento da população, aumentará a demanda por comida e consequentemente, a pressão sobre o recurso natural.
Mas na Índia, é possível reduzir a lacuna entre estoque de água e demanda em até 80%, se forem utilizadas técnicas específicas na produção agrícola, como o uso de fertilizantes orgânicos.
Possível Economia
Na África do Sul, a lacuna entre estoque e demanda é de 2,9 bilhões de metros cúbicos. Se o país melhorar a produtividade da água, será possível economizar US$ 150 milhões por ano até 2030.
Nos centros urbanos, será possível economizar entre 100 bilhões a 120 bilhões de metros cúbicos de água se forem reduzidos os vazamentos em residências e prédios públicos ou comerciais.
Os especialistas observam que os governos investem de forma pesada em mega projetos como canais, aquedutos, reservatórios de água e sistemas de encanamento. Para o painel, na maioria das vezes essas soluções são ineficazes e muitas não são amigas do ambiente.
A recomendação vai para a criação de planos de manejo de água que levem em conta a fonte, a distribuição do recurso, o uso econômico, o tratamento, a reciclagem, o reuso da água e seu retorno para o meio ambiente.

Monitor de Secas do Nordeste do Brasil será lançado esta terça-feira, Dia Mundial da Água.

Sistema vai ajudar técnicos no acompanhamento das estiagens; mecanismo vai criar mapas mensais para indicar a gravidade da seca e os impactos causados na região.
Banco Mundial apoia criação de Monitor de Secas do Nordeste. Foto: Banco Mundial
Mariana Ceratti, do Banco Mundial em Brasília, para a Rádio ONU.
O Banco Mundial é parceiro do Monitor de Secas do Nordeste do Brasil, que será lançado esta terça-feira, Dia Mundial da Água, pela Agência Nacional de Águas (ANA), o Ministério da Integração Nacional (MI), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e os governos estaduais da região.
Por meio desse mecanismo, técnicos acompanham a evolução das estiagens na região e publicam mapas mensais indicando a gravidade da seca e seus impactos. Os mapas estão disponíveis gratuitamente no portal do monitor.
Mapas
A ferramenta une e integra instituições que antes estavam trabalhando separadamente no enfrentamento às secas. O monitor consolida dados estaduais e federais e analisa indicadores meteorológicos, hidrológicos e agrícolas. Os mapas gerados com tais informações dividem a seca em cinco categorias, de fraca a excepcional.
Com isso, o Brasil poderá lidar com o fenômeno de forma planejada e permanente, ao invés de somente agir quando a situação for grave. É o que explica Marcelo Asfora, diretor-presidente da Agência Pernambucana de Águas e Clima, uma das entidades parceiras do monitor.
"A seca sempre foi vista como uma fatalidade. Ninguém tratava de forma preventiva. O Monitor de Secas representa uma mudança de paradigma".
Desde 2012, o Nordeste vem sofrendo a seca mais grave dos últimos 100 anos. Francisco Teixeira, secretário de Recursos Hídricos do Ceará e ex-ministro da Integração Nacional, destaca o poder do monitor para a consolidação de políticas públicas.
Políticas Públicas
"Você consegue integrar melhor as diversas políticas públicas, antes de mais nada, e consegue consolidar num portal todas as informações necessárias tanto para se preparar melhor para as secas futuras como para se trabalhar no âmbito de uma seca que está acontecendo".
A criação do Monitor de Secas começou no fim de 2013. As instituições participantes se basearam em metodologias já usadas nos Estados Unidos e no México e que foram adaptadas ao Brasil. Em agosto de 2014, o monitor passou a operar de forma experimental.
Além do Banco Mundial, que atuou no desenho e na implementação experimental, a criação do Monitor de Secas contou com apoio de parceiros internacionais. Entre eles, o Centro Nacional de Mitigação de Secas, dos Estados Unidos, e a Comissão Nacional da Água, do México.

Banco Mundial dá impulso à produção de mel no sertão pernambucano

Programa vai beneficiar 4 mil famílias; associação de apicultores vai modernizar produção de mel e derivados.
Apicultores de Carnaiba, Pernambuco. Foto: Banco Mundial
Mariana Ceratti, do Banco Mundial em Brasília para a Rádio ONU
O Banco Mundial e o Governo de Pernambuco apoiam a apicultura em uma das zonas mais secas do estado: Carnaíba, a 410 quilômetros do Recife.
Por meio do Programa Prorural, que beneficia 4 mil famílias, a Associação de Apicultores de Carnaíba e Região conseguirá modernizar a produção de mel e derivados. E, com isso, se tornará apta a conseguir o Selo de Inspeção Federal, SIF, que permitirá ao grupo vender em todo o país.
Seca
Formado em 2007, o grupo reúne 50 sócios, que cuidam de mil colmeias. Cada uma apresenta de 60 mil a 120 mil abelhas nativas e africanas e mesmo depois de cinco anos de seca, as abelhas seguem trabalhando. Quando não há flores suficientes para as abelhas polinizarem, os apicultores instalam nas árvores garrafinhas com uma mistura de mel e água limpa.
O presidente da associação, Luiz Alves Siqueira, conta que foram produzidas 8,5 toneladas de mel em 2015. Para ele, o apoio do Prorural foi importante na aquisição de uma série de equipamentos.
"Tipo a seladora, a balança, o compressor para a máquina de sachê, uma grande quantidade de equipamentos de que ainda estamos carentes. Então, a gente vai ficar no ponto para mandar mel para o estado todo e, se Deus quiser, para o Brasil e para o mundo."
Meio Ambiente
Além de cuidar das abelhas e produzir mel, cera e própolis, o grupo de Carnaíba se dedica a estudar e entender cada vez melhor o meio ambiente. No centro de formação de apicultores da sede da associação, os jovens aprendem não só as etapas da produção do mel, mas também a importância de preservar a caatinga.
"Se você for analisar direitinho o que é a abelha, não só a africana, não só a italiana, mas principalmente a abelha nativa, a gente está ligado diretamente a elas porque, se não fossem elas, não haveria alimento".
De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, dos 100 cultivos que proveem 90% dos alimentos no mundo, 71 são polinizados por abelhas. Também segundo a FAO e outras entidades, os insetos estão entre as espécies mais ameaçadas pelo aquecimento global.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Moro e Robespierre: A contradição no Brasil entre o direito liberal e o jacobinismo




Para justificar a divulgação de áudios com conversas envolvendo Lula o juiz federal  Sérgio Moro afirma:
"A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras.”
Isto envolve algumas interpretações sob o conceito de sujeito político e até mesmo de pessoa; pessoa deriva do latim persona remetendo à máscara usada no teatro grego, ou mais sofisticadamente, de acordo com Hannah Arendt, a uma parte da máscara por onde os atores falavam. Daí decorre, como descreve Richard Senett no seu livro O Declínio do Homem Público, uma das interpretações mais antigas acerca da vida humana em sociedade, a de que o mundo é um teatro, aqui somos atores nas relações públicas, ou seja, há um eu privado no oikos (lar) e um ser usando a persona como sujeito público.

A desculpa de Moro não tem qualquer valor, apenas fora usado pelo fato de o juiz ter tomado uma decisão, a própria existência no mundo, para ele envolvente de uma finalidade, a sua ação apenas justificada; pois, se tratava de uma conversa ao telefone, o que é defeso pela carta que rege a atuação dele (magistrado), a conversa do telefone seria, supostamente, a sombra de que fala, para se esconder e não um objeto da vida privada, os seres políticos teriam assim de poderem ser monitorados inteiramente, a supressão, pasmem, do direito de conspirar, o fim da política...

Diferente da tese do auditório, onde existe a dicotomia entre o privado e o público do homem público, para os jacobinos o homem público é uno, é o incorruptível por si mesmo, é Robespierre, esse sujeito sabe conduzir a humanidade, ele não precisa de controle institucional, o controle é si mesmo. O herdeiro político do jacobinismo é o marxismo, conforme dito pela prócer desse pensamento Rosa Luxemburg, portanto, em tese isso no Brasil atual se aproximaria de ser defendido pelo Partido dos Trabalhadores.

Toda instituição que não suponha que o povo es bom e o magistrado corruptível, é viciosa (Roespierre).
Contradiz tudo o que disse, é assim mesmo...

Mas está sendo defendido por um representando do judiciário liberal, o Brasil é ótimo em confusões, que, pelo contrário, somente acredita no controle institucional e no governo das leis, ou seja, para  as doutrinas que baseiam o direito liberal não há incorruptível, não há Robespierres, há somente a lei; a lei para proteger a privacidade e para controlar a gestão pública naquilo que for público, aqui pode-se argumentar a presença da presidente da República, mesmo assim ela não pode ser publicizada por ser agente público, isso ocorre apenas no exercício de suas funções públicas do cargo. De certa maneira é indispensável a conceituação de um homem público dividido em dois, mas aqui, nas doutrinas liberais da Constituição, sem a mística do ser  "completo".

Haveria um Robespierre institucional, talvez menos expansivo do que um deste modelo sendo político?, a lei se faz objeto de uso e não molde condutivo na magistratura; um Robespierre calcula o chão onde pisa, sabe dos riscos, mas já se antecipa para saná-los e impedir-lhes a manifestação; sem embargo a história não é feita de cálculos...

Isso é o jacobinismo, atrasado em mais de 200 anos aqui no Brasil, e agora José, e agora Luiz...

domingo, 20 de março de 2016

Da política monetária para a política fiscal e a lei das conseqüências não intencionais


por Michael Roberts

O Comitê de Política Monetária do Federal Reserve os EUA (FOMC) decidiu manter a sua taxa de juro de política inalterada. O FOMC avaliou que o crescimento econômico global está desacelerando e seria arriscado para o Fed aumentar as taxas neste momento porque sua taxa define o piso para todas as taxas de juros sobre títulos e hipotecas e muitos daqueles no exterior. O Fed havia começado o processo de caminhadas na sua taxa diretora em Dezembro passado, pela primeira vez em nove anos. Isso porque o presidente do Fed Janet Yellen estava convencido de que a economia dos EUA estava se recuperando em uma base sustentada. O desemprego nos EUA caiu de volta quase ao nível de antes da Grande Recessão e a inflação começou a subir. Em outras palavras, ele pensou que a economia dos EUA estava voltando ao 'normal' (finalmente, depois de oito anos!) E o Fed também poderia agir "normalmente" com a sua política de juros.
Em seguida, em janeiro, os dados econômicos de todo o mundo mostraram uma séria queda e havia temores de que a China iria implodir. Que chocou o comitê do Fed. Agora, parece dividido entre aqueles que, como o Vice-Presidente Stanley Fischer estão preocupados que a inflação está voltando e que o Fed deve agir, e outros no comitê que se preocupam com o fato de se as elevações do Fed muito cedo e rapidamente poderia causar um crash do mercado de ações e uma nova recessão a nível mundial (veja meu post sobre esse risco). Os 'pombas' venceram desta vez e apenas um membro do FOMC votou para uma caminhada. O FOMC agora projeta um crescimento econômico mais lento em 2016 do que antes (apenas 2%, semelhante às últimas projeções do governo do Reino Unido da Grã-Bretanha). Ele agora aguarda para melhor notícia econômica, mas com viés para mais caminhadas no final do ano.
Esta perspectiva pessimista pelo Fed está sendo adotada em sequência pelos outros bancos centrais principais, tais como o BCE e o Banco do Japão. Na verdade, ambos são envolvidos no processo oposto do Fed, ou seja, de cortar as taxas de juros, mesmo em território negativo, o chamado NIRP. Isso porque as economias da zona euro e do Japão mantêm-se próximo à estagnação e é a deflação, que é o espectro que assombra esses economias, e não a inflação.
Como expliquei em vários posts anteriores, a flexibilização da política monetária pelos bancos centrais tem sido praticamente a única política adotada pelos governos ao redor do mundo para tentar sair da atual Longa Depressão. Primeiro, foi taxas de juro zero, depois veio a flexibilização quantitativa (impressão de dinheiro) e agora é o NIRP (política de juros negativa). E todos têm fracassado. De fato, as ações do Banco do Japão em janeiro e o BCE em Março de introduzir taxas negativas para os bancos detentores de reservas de dinheiro com eles (projetado para tornar os bancos emprestam e as famílias passam os depósitos de poupança) não produziram qualquer resultado positivo. Pelo contrário, em vez de o euro e o iene caírem em valor, as pessoas estão acumulando todo o seu dinheiro e estas moedas têm se fortalecido! Além disso, cobrar os bancos para colocar dinheiro nos bancos centrais, mas não permitindo-lhes cortar as taxas de depósito para os seus clientes (como o BCE e Banco do Japão estão fazendo) está destruindo a rentabilidade dos bancos. Foi chamado a lei das conseqüências não intencionais.
A próxima medida desesperada sobre a política monetária é a ideia de 'dinheiro de helicóptero", ou seja, colocar algum dinheiro em contas bancárias de todos, para que possam gastá-lo e obter a "procura" em marcha. Na verdade, tais impressão de dinheiro para passar diretamente às as pessoas é semelhante a um corte de impostos de renda. É realmente estímulo fiscal, mas financiadas não através da emissão de títulos do governo, mas diretamente pela impressão de dinheiro pelos bancos centrais.
Esta última medida extraordinária é resistida pelos formuladores de políticas governamentais. Isso é em parte porque eles não tem certeza de que ela vai trabalhar para impulsionar a demanda agregada, uma vez que nunca foi tentada antes. Ela pode ter consequências inesperadas. E é, em parte, que os formuladores de política de banco central como Yellen, Draghi e Kuroda estão esperando que as principais economias ainda estejam indo para se recuperarem sem medidas adicionais. E é em parte porque o estímulo fiscal (gastos do governo) ainda é desaprovado pelos governos, porque isso significa 'acumular mais dívidas". Agora os keynesianos dizem que não há nada de errado com mais dívida. Se ela estimula o crescimento e os rendimentos, então os custos da dívida podem ser financiados e os da dívida, eventualmente pagos de volta. Assim, o crescimento através de dívida não deve ser resistido.
Os keynesianos têm defendido a flexibilização monetária durante os últimos oito anos, com entusiasmo, mas falhou. Na realidade, como já assinalei antes, o próprio Keynes poderia ter dito a seus seguidores que a política monetária, mesmo as medidas "não convencionais" como QE, não iriam funcionar em uma depressão. Voltar no início da depressão dos anos 1930, Keynes pensava que iria funcionar. Mas em 1936, quando escreveu seu seminal Teoria Geral do emprego, dinheiro e interesse, ele reconheceu que apenas imprimir mais dinheiro para os bancos, famílias e empresas a gastar não estava fazendo o truque. Foi necessário que os governos gastassem em vez disso, os déficits orçamentários executados (mais gastos do que a tributação) e emprestar o dinheiro extra, a fim de empregar trabalhadores diretamente e investir em infra-estruturas como pontes, estradas, etc, para a economia capitalista 'de alto risco'.
E este é o grito de keynesianos modernos agora: mais gastos do governo, os déficits orçamentais e de investimento de infra-estrutura para acabar com a "estagnação secular". Esta é a resposta. Agora os keynesianos modernos estão exigindo que o "bicho-papão fiscal' seja confrontado. Barry Eichengreen quer ação porque "A economia mundial está visivelmente afundando, e os formuladores de políticas que deveriam ser seus guardiões estão se amarrando em nós". Mas "o problema é que a política monetária está se aproximando da exaustão. Não é claro que as taxas de juros podem ser pressionadas por muito mais tempo". Para Eichengreen, a "solução é simples. Trata-se de resolver o problema da demanda deficiente não tentando afrouxar ainda mais as condições monetárias, mas por aumentar os gastos públicos. Os governos devem pedir dinheiro emprestado para investir em pesquisa, educação e infra-estrutura. Atualmente, esses investimentos custam pouco, dadas as taxas de juro baixas. O investimento público produtivo iria também aumentar o retorno sobre o investimento privado, incentivando as empresas a empreender projetos adicionais ".
O FMI e a OCDE se juntaram ao coro para a ação fiscal. Mas, até agora, apenas um governo está a ouvir esta chamada. Depois de sua recente vitória eleitoral e enfrentando uma recessão, o Canadá, do novo PM Justin Trudeau decidiu executar um déficit orçamentário do governo, a fim de sair da crise que o Canadá tem estado. Trudeau destacou a importância das despesas em infra-estrutura e medidas para reforçar a renda."Minha mensagem a outros líderes do governo é não cair na armadilha para equilibrar os livros" é um fim em si, disse ele. "é um meio para um fim." Então, o governo canadense planeja executar um déficit de quase C $ 30 bilhões ($ 22.3 milhões de dólares) a ser anunciado no orçamento na próxima semana. Mas, como diz Trudeau, não será muito: "Há um limite de quanto você pode fluir dólares de infra-estrutura em um curto período de tempo a partir de um início de pé." A C $ 30 bilhões de déficit seria apenas 1,5 por cento do produto interno bruto. Isso é um balanço de 1,4 pontos percentuais, passando de um déficit esperado de 0,1 por cento do PIB no ano em curso. Dificilmente um grande negócio.
Mas, para além do Canadá, nenhum outro governo do G7 pretende ampliar seu déficit orçamentário e passar mais (ver gráfico abaixo). Japão tem executado um enorme déficit durante os últimos sete anos, mas também está tentando cortá-lo de volta. Além disso, em seu último orçamento, o governo do Reino Unido reafirmou o seu compromisso de reduzir o elevado déficit alcançado em 2009 e transformando-o em um excedente em 2019, com mais uma rodada de cortes de gastos.
gastos do governo
Na década de 1930, Keynes encontrou para seu desgosto que nenhum governo iria adotar sua política de estímulo fiscal, nem mesmo o presidente americano Roosevelt com o "New Deal". O secretário do Tesouro de Roosevelt, Morgenthau casou com 'orçamentos equilibrados'. Então Keynes deu-se em desgosto. É uma ironia da dominação pós-1945 da economia keynesiana até a década de 1970, que o principal prancha política de Keynes "nunca foi aplicada pelos governos na Grande Depressão, mas apenas por economias de guerra (e, em seguida, através do controle direto do setor capitalista ). Eichengreen diz que os governos não vão agir, e Keynes disse o mesmo em 1930, porque eles estão presos a ideologia do passado e preconceitos profundamente enraizados na história. Estes devem ser superados "para acabar com a atual estagnação". Mas é a recusa a adotar medidas de estímulo fiscal um produto da ideologia ultrapassada, em outras palavras, a estupidez por parte dos gostos de George Osborne no Reino Unido ou Wolfgang Schäuble na Alemanha? Ou existe um argumento racional para evitar correndo grande quantidade de déficits e da dívida pelo governo na tentativa de obter uma economia indo?
Bem, sim. Há conseqüências não intencionais de gastos fiscais por parte dos governos. Supõe-se para impulsionar a demanda e a produção. Tem havido muita conversa e discussão sobre até que ponto os gastos do governo deveriam ser "multiplicados" de saída. As opiniões divergem, mas a evidência empírica não é convincente. A experiência do Japão também mostra que a execução de déficits orçamentais e aumentando os gastos do governo tem feito pouco para restaurar o crescimento econômico. Na década de 1990, houve consideráveis gastos extra dos governos e aumento dos déficits orçamentais (gráfico abaixo), mas essas prescrições keynesianas não conseguiram reanimar a economia japonesa.
os gastos do governo Japão
Como argumentei em posts anteriores, a chave para restaurar o crescimento econômico é o investimento e que depende da rentabilidade. Em uma economia predominantemente capitalista, aumentar a rentabilidade do capital tem um impacto muito maior sobre o crescimento (o multiplicador marxista) do que os gastos do governo (o multiplicador keynesiano). http://gesd.free.fr/carch12.pdf. Na verdade, mais os gastos do governo com base em mais dívida ou a tributação pode ameaçar a rentabilidade do capital. A economia de guerra remove o problema da rentabilidade. Durante a Segunda Guerra Mundial, a dívida disparou, mas a "socialização do investimento" pelos governos garantido a produção foi em frente enquanto o consumo dos trabalhadores foi restringido através de poupança forçada para o "esforço de guerra". Esta é a consequência não intencional extrema de guerra do keynesianismo.
Mesmo se os governos ouvissem os conselhos dos keynesianos e do FMI, com falta de guerra, estímulo fiscal não terão sucesso em restaurar o crescimento. A maioria dos decisores políticos no governo podem estar resistindo as chamadas dos keynesianos por "razões ideológicas", mas os keynesianos estão errados de qualquer maneira. A lei das conseqüências não intencionais opera com a política fiscal, bem como monetária.