"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 8 de outubro de 2016

Perfil: António Guterres

Ex-primeiro ministro de Portugal foi descrito pelo atual presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa, como "o mais brilhante de todos nós" ao citar políticos de sua própria geração; já o secretário-geral da ONU diz que Guterres é "inteligente e tem experiência" para lidar com os desafios atuais.
António Guterres. Foto: ONU
Monica Grayley, da Rádio ONU.
António Manuel de Oliveira Guterres nasceu em 30 de abril de 1949.  As raízes familiares do filho de Ilda Candida e Virgílio remontam à aldeia pequena de Donas, no Fundão, a cerca de 200 km de Lisboa, capital de Portugal. Os mais antigos no local lembram que Guterres era simpático e gostava, desde pequeno, de cumprimentar todas as pessoas se lembrando do nome delas.
Ainda bem cedo, o aluno dedicado chamou a atenção dos professores. Segundo alguns mestres daquela época e os que vieram depois, Guterres sempre se  mostrou sensível às causas sociais, ao combate à pobreza e a construção de um mundo melhor.
Cheias
Em 1967, quando cheias inesperadas atingiram Lisboa matando pelo menos 300 pessoas e deixando milhares de desalojados, o jovem com então 18 anos mobilizou-se rapidamente para ajudar a socorrer as vítimas.
Sua vida acadêmica foi marcada por boas notas e um aguçado intelecto que o ajudaram a concluir com louvor o curso de engenharia eletrotécnica como o melhor aluno da turma de 1971 do Instituto Superior Técnico.
A caminhada do jovem engenheiro desde uma rotina de ativismo social ao comando do Partido Socialista (PS), nos anos 90, foi construída com coerência e compaixão, de acordo com a lembrança de alguns de seus contemporâneos.
Capacidade analítica
Um outro atributo mencionado por aqueles que conhecem António Guterres de perto é a capacidade analítica de enxergar soluções para desafios complexos considerando diferentes pontos de vista.
Um desses contemporâneos e amigos de longa data é o atual presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.
Nesta entrevista à Rádio ONU, o presidente afirmou que o homem indicado para suceder o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon tem uma virtude admirada por muitos: a humildade.
“Ele pertenceu e pertence à minha geração e foi sempre o melhor de todos nós na sua inteligência, no seu brilho, na sua humildade, na sua capacidade de serviço, no seu sentido social, na sua abertura à humanidade e essas qualidades e a forma como desempenhou brilhantemente o Alto Comissariado para os Refugiados explicam esta aclamação, este consenso, esta convergência na comunidade internacional.”
Primeiro-ministro
Já para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, António Guterres fez um excelente trabalho à frente do Acnur.
Ban Ki-moon. Foto: ONU/Mark Garten
Ban acredita que a “experiência de Guterres como primeiro-ministro de Portugal, seu amplo conhecimento de assuntos globais" e a inteligência dele "vão ser úteis na liderança das Nações Unidas em um período crucial”.
Antes de assumir a Agência da ONU para Refugiados, em 2005, António Guterres construiu uma carreira sólida em casa.
Foi deputado da Assembleia da República, presidente da Assembleia Municipal do Fundão, atuou em política europeia, e em 1995 tornou-se primeiro-ministro de Portugal.
Timor-Leste
Neste posto, teve voz ativa e decisiva em assuntos importantes como a intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte nos Bálcãs e o início do processo que levou à restauração da independência do Timor-Leste, no sudeste da Ásia.
Ao chegar ao Acnur, Guterres arrumou a casa, tornou a agência mais eficiente e voltada ao terreno. Reuniu-se com chefes de Estado e Governo para pedir apoio para a tarefa.
Ele mesmo viajou a dezenas de países, pernoitou em acampamentos de refugiados, ouviu vítimas de conflitos em várias partes do mundo para entender como melhor responder ao drama e à urgência daqueles que se viam obrigados a fugir de suas casas por causa da violência, da perseguição e outros motivos.
Síria
Um destes conflitos eclodiu em 2011 na Síria. Sobre o tema, António Guterres falou ao Conselho de Segurança, várias vezes, explicando que a solução só poderia vir por meios diplomáticos, como ele mesmo lembrou nesta entrevista à Rádio ONU, em agosto de 2012.
"Há que reconhecer com humildade que nós humanitários não resolvemos o problema. Nós mitigamos o problema. O problema só tem uma solução que é política. E essa solução só o Conselho de Segurança pode criar as condições para que ela se concretize."
E a clareza de António Guterres em propor soluções foi uma das características que chamaram a atenção justamente do Conselho de Segurança quando o nome dele voltou ao órgão, desta vez, como candidato a chefiar a ONU.
"Diz o que pensa"
Foi o que  comentou o presidente rotativo do Conselho, o embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, ao destacar que Guterres é um político de alto nível.
Segundo Churkin, "ele fala com todos, ouve todos, diz o que pensa e é uma pessoa muito aberta".
Já o embaixador de Angola junto à ONU, Ismael Martins, acredita que a experiência de Guterres será fundamental para definir o futuro da organização.
“António Guterres traz a experiência do terreno, traz a experiência governativa, traz o carisma e uma visão própria para o mundo que nós queremos construir. É um  momento histórico.”
Marcelo Rebelo de Sousa fala à Rádio ONU durante Assembleia Geral
Universalidade
E Guterres jamais esqueceu da visão própria que tem do mundo, do vínculo de seu país com a universalidade, com a tradição de entendimento entre os povos e a tolerância e adaptação ao que é diferente.  Com uma das redes diplomáticas mais respeitadas no mundo, Portugal deu origem a pelo menos oito países espalhados por quatro continentes.
Representantes de nações lusófonas citaram que a chegada do ex-primeiro-ministro português à ONU é motivo de satisfação para esses países onde alguns dirigentes foram contemporâneos do ex-primeiro-ministro Guterres.
Ao ser perguntado sobre a importância para a lusofonia da escolha de Guterres pelo Conselho de Segurança, o presidente e amigo Marcelo Rebelo de Sousa respondeu:
Lusofonia
“Para o mundo da lusofonia foi este o momento de grande convergência porque o engenheiro Guterres conhece todos os países, todas as comunidades da lusofonia espalhadas pelo mundo. Esteve em todas elas. Contactou com os seus responsáveis mas também com os seus povos ao longo de décadas. E para o mundo da lusofonia, essa é uma grande oportunidade. Esse é também um momento histórico porque é a possibilidade singular de ter alguém que é uma emanação desse mundo e dessa comunidade numa posição-chave nas Nações Unidas e no mundo. Não podemos esquecer que comunidade da lusofonia é uma comunidade com peso linguístico, com peso cultural, com peso económico, com peso financeiro e com peso humano. À sua maneira, a vitória do engenheiro Guterres é também a vitória da lusofonia.”
A partir de agora, a vitória no Conselho de Segurança terá de ser confirmada pela eleição na Assembleia Geral, o órgão que pode levar o menino que gostava de saudar os vizinhos dos avós na pequena aldeia de Donas, para o topo da diplomacia internacional como o nono secretário-geral das Nações Unidas.

Vaquejada, STF, tradição


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Na última quinta-feira (06) o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4983 apresentada em 2013 pela Procuradoria Geral da República (PGR). A ADI pedia a inconstitucionalidade da Lei Estadual 15.299/2013, do Ceará, que deu uma regulamentação desportiva para a prática da vaquejada.

A vaquejada que o STF decidiu pela inconstitucionalidade, tendo por referência essa lei cearense, não é tão cultural, no sentido de antiguidade, como se tem argumentado, tanto assim que o dispositivo questionado busca dar uma conotação desportiva à prática, que é justamente no quê acabara se tornando a vaquejada.

A vaquejada tradicional nordestina, e que tem um sentido econômico-cultural, era a festa de apartação, depois festa de gado ou vaquejada, onde em determinada época do ano se fazia a apartação do gado criado solto na caatinga (uma festa que reunia toda a comunidade). O vaqueiro era o responsável por fazer a "pega do boi".

A vaquejada que conhecemos atualmente, patrocinada por cervejarias, ocorre em um "parque" em que o gado fica preso em um curral anterior à arena de areia e quando se abre uma portinhola dois cavaleiros correm para derrubar o boi entre duas faixas.

Esse tipo de prática objeto da decisão do STF, inegavelmente, tem origem na atividade econômica da pecuária praticada no sertão nordestino, mas acaba sendo um síntese mais recente, definida mesmo no século XX, embora Luís da Câmara Cascudo já identificasse a derrubada do boi pelo rabo no Seridó do Rio Grande do Norte no início o século XIX. 

A vaquejada, nesse formato mais recente, faz parte de uma grande, talvez, não tenho dados catalogados, ao lado do turismo das maiores indústrias do Nordeste, a do forró eletrônico, que fora capaz de colocar no ar a primeira emissora de rádio de alcance nacional sediada em uma cidade nordestina, a SomZoon Sat de Fortaleza.

Muitas cidades do Nordeste realizam "vaquejadas urbanas" com shows grandiosos. Faz parte do circuito imparável do forró eletrônico. A proibição da prática, sem dúvidas, trará um prejuízo enorme para esses setores.

O  argumento da tradição é o cerna da questão; no voto de Minerva a Ministra presidente da Corte Suprema, Carmén Lúcia, se posiciona no sentido de contestar uma tradição por um tempo diverso, ou seja, não é por ser tradição que não possa ser deixado no passado. O voto do Ministro relator, Marco Aurélio, sobrepõe o direito ambiental ao argumento contido na lei de aproveitara prática como desportiva, sempre intrínseco a questão da tradição.

No livro A Invenção das Tradições o historiador Eric Hobsbawn demonstra como tradições consideradas de origem distante no tempo não passam de "tradição inventada" em período bem recente:


A "tradição inventada" implica um conjunto de práticas, normalmente regido por regras aceitas aberta ou tacitamente e de natureza simbólica ou ritual, que visam inculcar certos valores ou normas de comportamento através da repetição, o que implica automaticamente continuidade com o passado (HOBSBAWN,  2002)

A vaquejada na forma como foi alvo de decisão do STF é uma "tradição" aperfeiçoada a partir da atividade econômica da pecuária praticada no sertão nordestino desde a chegada do colonizador. De atividade inerente ao sistema de criação do gado passa a ser qualificada na lei cearense como desporto, com enorme potencial lucrativo, como exposto cima, e acaba sendo julgada por ditames da época presente.




Referências:

HOBSBAWN, Eric. La invención de la tradición. Barcelona: Crítica, 2002.

CASCUDO, Luís da Câmara. Vaqueiros e cantadores: folclore poético do sertão de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Rio de Janeiro, RJ: Ediouro, 2000.

CASCUDO, Luís da Câmara. A vaquejada nordestina e sua origem. Natal: Fundação José Augusto, 1976.

MPF. Lei do Ceará que regulamenta a vaquejada é inconstitucional, decide STF. Disponível em: http://www.mpf.mp.br/pgr/noticias-pgr/lei-do-ceara-que-regulamenta-a-vaquejada-e-inconstitucional-decide-stf

CEARÁ. Lei nº 15.299, DE 08.01.13 (D.O. 15.01.13). Disponível em: http://www.al.ce.gov.br/legislativo/legislacao5/leis2013/15299.htm

STF: Voto do Ministro relator da ADI 4983 CE, Marco Aurélio. Disponível em: http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/ADI4983relator.pdf




O pico do petróleo e o crescimento das energias renováveis

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

‘Você não pode mudar o vento, mas pode ajustar
as velas do barco para chegar onde quer’
Confúcio (551 a.C. – 479 a.C)

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O pico global do petróleo pode ser atingindo na próxima década. A partir de 2030 a oferta global de combustíveis fósseis deve diminuir, como mostra Dennis Coyne, no artigo The Energy Transition, publicado no site Peak Oil Barrel.
Mas a demanda mundial de energia deve continuar crescendo, pois, a população mundial deve aumentar até cerca de 11 bilhões de habitantes em 2100 e, segundo as projeções atuais, o crescimento econômico per capita, mesmo que em menor ritmo, deve se manter positivo no restante do século.
A grande questão então será: como atender o hiato entre a demanda de energia mundial e a queda da oferta global de combustíveis fósseis? Será que este hiato poderá ser preenchido pelas energias renováveis?
Evidentemente, é difícil prever o futuro. Mas segundo dados da International Renewable Energy Agency (IRENA), a capacidade instalada de energia eólica no mundo que era de 6,1 Gigawatts (GW) em 1996, atingiu 435 GW em 2015. Houve um crescimento de quase 71 vezes em 20 anos. Porém, a base de comparação era muito pequena e dificilmente este ritmo espetacular das duas últimas décadas não se repetirá no futuro.
A capacidade de geração de energia eólica mundial era pouco maior do que uma usina de Belo Monte em 1996 e passou para o equivalente a quase 100 usinas de Belo Monte no ano passado. Somente em 2015, foram instalados aerogeradores eólicos com capacidade de 54 GW, o que equivale a 12 usinas de Belo Monte, em um único ano.

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O relatório da ONU, Tendências globais em investimento em energia renovável 2016, mostra que os investimentos em energias renováveis bateram todos os recordes em 2015 e o montante investido em energia solar superou o recurso aplicado em energia eólica. De fato, o crescimento da capacidade instalada de energia fotovoltaica, no mundo, passou de 0,7 Gigawatts (GW) em 1996, para 228 GW em 2015, um crescimento de 326 vezes em 20 anos. A energia solar fotovoltaica é a fonte energética com a maior taxa de crescimento global, superando inclusive o desempenho da energia eólica, que é uma outra fonte muito promissora.

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A China avança rapidamente na produção de energia eólica e solar e também na produção de veículos elétricos, o que vai estimular o avanço das energias renováveis. Artigo de Loveless, no USA Today, mostra que em 2015 a indústria solar estabeleceu um recorde nos EUA para novas instalações de 7,3 Gigawatts e espera-se para 2016 que esse número chegue quase o dobro, isto é, 14 Gigawatts. Porém, o mesmo autor mostra que as energias renováveis ainda têm um longo caminho pela frente para ter um peso significativo na matriz elétrica total.
Pois, apesar de todo este crescimento fantástico das energias eólica e solar, estas duas fontes respondem por menos de 1,4% do consumo global de energia. Os combustíveis fósseis continuam dominando a matriz energética mundial e não devem perder muito espaço até 2030.

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Assim, o desafio está colocado. O mundo precisa superar a Era dos combustíveis fósseis para contornar o Pico do Petróleo e para descarbonizar a economia e evitar uma catástrofe ambiental decorrente do aquecimento global. A alternativa mais viável é o crescimento das energias eólica e solar. Seria necessário um grande plano nacional e internacional para promover o crescimento das energias renováveis e de baixo carbono.
Mas como mostrou Jeremy Leggett (04/08/2016), a queda dos investimentos em energias renováveis em 2016 está indicando que a transição da matriz energética não deverá ocorrer na velocidade requerida e dificilmente o Acordo de Paris (da COP-21) será alcançado em sua plenitude. Portanto, o mundo corre um sério risco em manter o metabolismo entrópico que sustenta o atual modelo marrom de desenvolvimento.
Para Jason Hickel (20/07/2016), a energia renovável não é capaz de salvar o atual sistema de produção e consumo e não é uma panaceia para todos os males contemporâneos. Somente uma mudança de sistema pode salvar o Planeta. Artigo de Jason Deign (28/09/2016) mostra que as tecnologias de baterias de Íons de Lítio e as células fotovoltaicas já estão atingindo os limites máximos de eficiência e atingindo o ponto dos retornos decrescentes.
Diante do crescimento das baterias elétricas já se fala no Pico do Lítio. O artigo de Tam Hunt, considera que mesmo com o avanço de possíveis substitutos do Lítio e a descoberta de novas reservas, não haverá Lítio para sustentar a produção mundial de carros elétricos e outros dispositivos. Ele conclui dizendo que temos de fazer o nosso melhor para ficar longe de carros elétricos individuais de passageiros e investir mais no design inteligente das cidades, nas caminhadas, no ciclismo, nos trens, nos ônibus espaciais e no compartilhamento dos veículos.
Artigo de Gail Tverberg (31/08/2016) mostra que muitas pessoas estão esperando que o vento e o sol possam transformar a matriz energética de uma forma favorável. Mas ela questiona se é realmente viável as energias renováveis intermitentes forneceram grande parte da eletricidade na rede elétrica. Ela dá uma resposta negativa e considera que Os custos são muito grandes, e o retorno sobre o investimento muito baixo. O mais difícil seria substituir os combustíveis líquidos. Ela diz ainda: Se continuarmos a adicionar grandes quantidades de eletricidade intermitente à rede elétrica sem prestar atenção aos problemas gerados, corremos o risco de trazer todo o sistema para baixo.
Acima de tudo, como alertou o ambientalista Ted Trainer (2008), as energias renováveis não são suficientes para manter a ambição das pessoas por um alto padrão de consumo conspícuo. O sol e o vento são recursos naturais abundantes e renováveis, mas não podem fazer milagres e nem evitar a continuidade do metabolismo entrópico. Trainer prega um mundo mais frugal, com decrescimento demoeconômico, onde as pessoas adotem um estilo de vida com base nos princípios da Simplicidade Voluntária.
Referências:
ALVES, J. E. D. 100% energia renovável, Rio de Janeiro, Cidadania & Meio Ambiente, n. 54, v. X, p. 6-10, 2015. (2177-630X) http://pdf.ecodebate.com.br/rcman54.pdf
ALVES, JED. Energia renovável com baixa emissão de carbono, RJ, Cadernos Adenauer 3, 2014

Dennis Coyne. The Energy Transition, Peak Oil Barrel, 30/07/2016

REN21. Renewables 2016 Global Status Report, 2016

Elena Verdolini, Francesco Vona, David Popp. Do Fast Reacting Fossil Technologies Facilitate Renewable Energy Diffusion?, NBER, Working Paper 22454

Jeremy Leggett. State of The Transition, July 2016: Might the fossil fuel industries implode faster than the clean energy industries can grow to replace them? Resilience, 04/08/2016

TRAINER, Ted. Renewable Energy Cannot Sustain a Consumer Society, University of NSW, 2008https://bravenewclimate.files.wordpress.com/2008/12/trainer_renewable_sustainable_society.pdf
Loveless, Bill: Solar power’s future bright but has a way to go, USA TODAY, September 12, 2016

Jason Hickel. Clean energy won?t save us, only a new economic system can, The Guardian, 20/07/2016https://www.theguardian.com/global-development-professionals-network/2016/jul/15/clean-energy-wont-save-us-economic-system-can
Jason Deign. Are Lithium-Ion Batteries Reaching the Point of Diminishing Returns? Green Tech Media, 28/09/2016

Tam Hunt. Is There Enough Lithium to Maintain the Growth of the Lithium-Ion Battery Market? June 02, 2015

Gail Tverberg. Intermittent Renewables Can?t Favorably Transform Grid Electricity, 31/08/2016


José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 07/10/2016

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Investimento estrangeiro direto deve cair entre 10% e 15% este ano

Estimativa é da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad; cálculos são em comparação a 2015.
Nos últimos anos o fluxo de investimento estrangeiro direto tem sido volátil. Foto: Unctad
Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.
O fluxos de investimento estrangeiro direto, IED, devem cair para entre US$ 1,5 trilhão e US$ 1,6 trilhão esse ano, uma queda de 10% a 15% em relação a 2015, antes de uma recuperação planejada para 2017 e 2018.
As estimativas estão num documento da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad.
Preocupação 
Segundo a agência, o fluxo de investimento estrangeiro direto tem sido volátil nos últimos anos. Analistas alertam que esta incerteza terá aspectos negativos nas cadeias de valor global e de comércio.
Ao mesmo tempo, o chefe da Unctad, Mukhisa Kituyi, afirmou que o caminho para a recuperação dos IEDs parece difícil.
Para Kituyi, esta queda é preocupante porque a economia global precisa "urgentemente" da recuperação dos investimentos.
Ele declarou que a agência prevê uma recuperação dos investimentos estrangeiros diretos em 2017, que chegariam a US$ 1,8 trilhão em 2018, "mas devem permanecer abaixo do pico pré-crise".
Regiões
O Unctad ressalta diversidades entre regiões. Na África, por exemplo, a entrada de IEDs deve voltar a crescer em 2016 e após profundas quedas nos últimos três anos, os fluxos para economias em transição também devem ter crescimento modesto.
No entanto, nos países em desenvolvimento da Ásia e na América Latina e Caribe, deve haver um declínio nos investimentos estrangeiros diretos.
Em economias desenvolvidas, os IEDs tiveram crescimento acentuado em 2015, mas isto não deve durar este ano.

Economia norte-americana - nem tão grande

por Michael Roberts

A economia dos EUA é a maior e mais importante economia capitalista. É geralmente considerada como tendo o melhor desempenho entre as sete maiores maiores economias desde o fim da Grande Recessão em 2009. Mas isso é realmente verdade?
Se tomarmos a média de crescimento do PIB real desde 2009, descobrimos que o crescimento dos EUA tem sido menor em pouco menos de 2,2% do que o Canadá, reconhecidamente uma economia muito menor.
crescimento do PIB
Da mesma forma, se olharmos para o crescimento real médio do PIB por pessoa (per capita), a economia dos EUA tem média de crescimento de apenas 1,4% ao ano, muito mais baixa do que a da Alemanha em mais de 1,9% ao ano - embora todas as economias do G7 estejam com um mau desempenho. Em particular, note o terrível desempenho da Itália, com uma contração média de PIB e PIB per capita.
PIB-per-cap-crescimento
A história do gigante econômico dos EUA desde a Grande Recessão é não apenas de estagnação, mas de desaparecer o crescimento econômico no mais fraco de recuperação econômica após uma queda desde os anos 1930.
longo prazo PIB-per-tampão
Em sua mais recente perspectiva econômica, o FMI está prevendo apenas 1,6% de crescimento anual do PIB real para baixo das economias avançadas 'de 2,1% em 2015 e para baixo de sua previsão de julho de 1,8%. E a principal razão para esta previsão rebaixamento é que o FMI espera agora que a economia dos EUA a expandir-se apenas 1,6% este ano, de uma previsão anterior de 2,2%. Este abrandamento é para ser espelhado no Reino Unido (previsão de 1,8% de 2,2% em 2015) e na Zona Euro (1,7% a partir de 2% em 2015). Quanto ao Japão, espera-se para expandir em termos reais, apenas 0,5%.
Maurice Obstfeld, economista-chefe do FMI, disse que a economia global possui riscos significativos alimentados por um "cocktail de interagir legados" da crise financeira global de 2008 ainda. Estas saliências de alta dívida incluída, maus empréstimos sobre os livros dos bancos e investimentos moribundo, que foram continuados para deprimir o produto potencial da economia global. Crescimento "tem sido muito baixo por muito tempo, e, em muitos países os seus benefícios chegaram muito poucos - com repercussões políticas que possam vir a deprimir o crescimento global ainda mais", disse Obstfeld.
A esperança era de que a economia dos EUA iria pegar no segundo semestre de 2016 - mais um surto de otimismo que está perdendo força. A previsão Atlanta Fed Agora PIB é geralmente bastante preciso para o crescimento do PIB dos EUA. No início do trimestre a partir de julho e terminando em setembro, ele previu uma taxa de crescimento anual de 3,7%. Agora está prevendo apenas 2,2%. Espere-o a cair ainda mais baixa antes de se chegar aos números oficiais. Da mesma forma a previsão do Fed de Nova York é de 2,2% no terceiro trimestre e apenas 1,2% no quarto trimestre.
Atlanta-alimentado
Para o longo prazo, os economistas do Banco Federal Reserve dos EUA estão agora prevendo apenas 1,8% de expansão ano para a economia dos EUA em comparação com 2,6% no final da Grande Recessão. E tudo isso não assume qualquer nova recessão econômica. A corrente de 'recuperação' já é uma das mais longas desde 1945, tendo sido apoiada por injeções monetárias maciças por parte dos bancos centrais a nível mundial. Mas injeção monetária não tem funcionado.
recuperação de duração
A probabilidade de uma nova crise econômica é alta para 2017, como já argumentei em posts anteriores. Mas mesmo sem isso, o desempenho econômico do capitalismo norte-americano é pobre e só salvou pelos resultados lamentáveis alcançados por outras economias capitalistas de topo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Retomada do crescimento da AL e Caribe tem que fortalecer comércio exterior

Recomendação consta do novo relatóriodo Banco Mundial; órgão diz que apesar de contração de 1,1% este ano, economia deverá crescer a partir de 2017; já a economia brasileira deve encolher 3,2%.
América Latina e Caribe é uma das regiões em desenvolvimento com maior percentual de mulheres em cargos de gerência. Foto: Banco Mundial
Mariana Ceratti, de Brasília, para a Rádio ONU.*
O Banco Mundial divulgou nesta quarta-feira, em Washington, que a economia da América Latina e Caribe terá retração de 1,1% em 2016, enquanto a do Brasil encolherá 3,2%.
Em compensação, depois de cinco anos seguidos de queda, deve expandir 1,8% em 2017, puxada pela retomada econômica dos dois maiores países sul-americanos. Para o ano que vem, projeta-se crescimento de 1,1% para o Brasil e 3,2% para a Argentina.
Dois caminhos
Os anúncios foram feitos pelo economista-chefe para a América Latina e Caribe, Augusto de La Torre, que lançou o relatório durante as reuniões anuais do Banco com o Fundo Monetário Internacional, FMI.
Esse estudo discute dois caminhos para a região entrar em um rumo de crescimento sustentável depois da desaceleração causada pela baixa nos preços globais das matérias-primas.
O primeiro deles é o ajuste das contas públicas, processo que está em estágios diferentes de evolução a depender do país. Já o segundo tem a ver com a diversificação do comércio latino-americano e a busca de novos espaços no mercado internacional.
Recursos
Isso promete ser um desafio para a região porque exige recursos e políticas públicas para adaptar a infraestrutura e capacitar os trabalhadores para produzir itens capazes de competir globalmente.
Falando em espanhol, Augusto de La Torre, explica que hoje a estrutura produtiva da região está mais organizada para atender o mercado doméstico, que tem exigências diferentes.
"Este não é um tema fácil. É uma verdadeira transformação estrutural porque a estrutura produtiva agora, do ponto de vista da produção, está encaminhada a produtos e serviços que vendem para o mercado doméstico, para satisfazer uma demanda interna. "
De La Torre acrescentou duas questões relevantes a serem enfrentadas pela América Latina nos próximos anos: a queda no ritmo do comércio internacional, impulsionada pela China, e a expansão de ideias contrárias à abertura dos mercados.
A boa notícia para a região é que os avanços sociais da última década não se perderam, apesar da retração econômica. A pobreza está estagnada.

Já a desigualdade de renda segue diminuindo, embora em ritmo mais lento do que no começo dos anos 2000. Finalmente, a classe média latino-americana continua crescendo.
*Reportagem do Banco Mundial Brasil

Porque o comércio global está tão fraco?


por Frances Coppola

O comércio mundial está terrível. Realmente, está. Durante os últimos cinco anos, o volume de comércio têm vindo a crescer a sua taxa sustentada mais lento desde o início de 1980. Aqui está um gráfico horrível da última previsão da Organização Mundial do Comércio: 


E no ano passado, as coisas pioraram: 
A demanda de importação das economias em desenvolvimento caiu 3,2% no Q1, antes de encenar uma recuperação parcial de 1,5% no Q2. Enquanto isso, as economias desenvolvidas registraram crescimento de importação positiva de 0,8% no 1º trimestre e um crescimento negativo de -0,8% no Q2. No geral, as importações mundiais estagnaram no primeiro semestre de 2016, queda de 1,0% no 1º trimestre e aumento de 0,2% no Q2. Isso se traduziu em fraca demanda por exportações de ambas as economias desenvolvidas e em desenvolvimento. Para a data de ano para o comércio mundial foi essencialmente plana, com a média das exportações e importações em Q1 e Q2 declínio de 0,3% em relação ao ano passado.

O gráfico da OMC mostra que o comércio plano, eventualmente, se traduz em um crescimento nulo. E, como este gráfico do Banco Mundial, o crescimento é realmente plano: 





Agora, ok, as coisas eram piores no início de 1990, e muito pior no início de 1980. De fato, se voltamos ainda mais, nós também iríamos encontrar coisas piores em 1973-5. As recessões do mundo desenvolvido são ruins para o crescimento global. 



Mas não temos uma recessão mundial desenvolvida agora, não é? O mundo desenvolvido está lutando para obter a inflação do chão, é claro: as taxas de juros são extremamente baixas - em alguns lugares negativas - e três grandes bancos centrais estão fazendo QE. Na Europa, o crescimento permanece indefinida e o desemprego muito alto. Os EUA estão fazendo melhor, mas recuou de aumentos de taxas de juros planejados. O Japão está agora em sua terceira década de estagnação. E o Reino Unido, que foi olhando muito bom, deu um tiro no próprio pé. Em julho, o FMI reduziu sua previsão de crescimento global de 0,1%, devido ao impacto da decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia. Sua previsão de outubro será lançado em breve, e sinalização antes do lançamento é que como todos os outros, eles estão preocupados com a desaceleração do comércio global. 



Seria, no entanto, ser um erro para ver os últimos quatro anos de desaceleração do comércio global como um evento. Na verdade, existem duas fases distintas, como esses gráficos do show da OMC: 




Em 2012, a história foi um dos países desenvolvidos em uma queda: os volumes de exportação efetivamente caíram globalmente, mas a força das importações para países em desenvolvimento e emergentes evitou o colapso desastroso. O mundo provavelmente deve agradecer a China e seus satélites por evitar que a crise da Zona Euro causando uma segunda recessão global. 


Mas a desaceleração atual não é uma história de um país desenvolvido. Não, ela é causada por uma queda considerável nas importações para países em desenvolvimento e emergentes, começando no início de 2015. 



E antes que algum demônio inteligente ressalte que este é apenas volumes e valores poderia olhar muito melhor - eles não. Eles são muito piores: 






(Este gráfico e um abaixo são a partir deste documento de trabalho do FMI ) 



As exportações mundiais têm vindo a diminuir em termos de valor desde 2014. Isto é em parte causado pelo fim do superciclo das commodities e do preço do petróleo, que tem derrotado o valor em dólares das exportações de matérias-primas e do petróleo de países em desenvolvimento e países de mercados emergentes. Mas é também uma história da China. Como Este gráfico mostra, a China é o maior contribuinte para a desaceleração do comércio dos últimos dois anos: 




Claro, a contribuição da China para a desaceleração do comércio atual é insignificante em comparação com o desastre da área do euro em 2008-9. Em 2010, o então Presidente da Comissão Europeia, José Manual de Barroso declarou que o euro foi "um escudo de protecção contra a crise". Mas isso não é o que este gráfico diz - e não é o que eu encontrei quando eu olhei para os efeitos da crise sobre países como a Eslovênia e Letônia, que sofreram terríveis "paradas súbitas" em 2008-9, muito antes que é hoje conhecido como a "crise da Zona Euro". Longe de proteger, o euro parece ter amplificado os efeitos adversos do que era, afinal, originalmente um desastre EUA. 


No entanto, o reequilíbrio da China tem efeitos drásticos sobre seus satélites. Tornou-se um centro de comércio na Ásia, a importação de bens de outros países na região, como insumos para o processamento final de itens para exportação para o Ocidente. Então, uma desaceleração de importação na China ondulações de volta para outros países na região da Ásia-Pacífico através das cadeias de abastecimento sul-sul . 



Então porque é que o comércio global está tão fraco? A maioria das análises do atual abrandamento que eu já vi foca sobre o efeito dos fundamentos econômicos na demanda de importação. Alguns também discutem mudanças nas cadeias de fornecimento internacionais. Poucos parecem  discutir finanças, e se o fizerem, eles se concentram estreitamente em financiamento ao comércio exterior, e não sobre as correntes financeiras globais que orientam toda a atividade econômica. 



Mas esta é a macroeconomia, e se há uma coisa que aprendemos com o GFC, é que o financiamento é fundamental para a macroeconomia. Documentos que omitem qualquer discussão sobre o papel dos fluxos financeiros globais - como, por exemplo, o documento de trabalho do FMI a partir do qual eu tirei os gráficos acima - são certamente incapaz de explicar adequadamente o que está realmente causando a desaceleração do comércio atual. 



Então, vamos olhar para o que está acontecendo no mercado financeiro internacional. Este par de cartas é do Banco de Compensações Internacionais (BIS) da última revisão : 






Bem agora. Transfronteiriça de empréstimos (empréstimos e títulos) tem sido estável nos últimos seis anos. Em 2012-13, houve uma queda acentuada em ambos os empréstimos e títulos de emissão pelos bancos. E lá agora parece ser uma outra forte contração do crédito bancário (quadro 1) e uma cauda-off da emissão de títulos por ambos os bancos e não-bancos (quadro 2). 



De fato, há uma notável semelhança entre queda de importações em mercados emergentes (ver Gráfico 2 acima), e encolhimento das finanças transfronteiriças para os mercados emergentes: 






Por favor, não me diga que esta notável semelhança é mera coincidência. Agora que sabemos como finanças são fundamentais na macroeconomia, que certamente deve admitir que mudanças no financiamento transfronteiras deve ser uma parte fundamental da história da desaceleração mundial do comércio. Na verdade, embora eu, normalmente, seria o primeiro a dizer que correlação não indica causalidade, neste caso eu arrisco meu pescoço e dizer a contração na concessão de empréstimos transfronteiras é a principal causa do estado doente do comércio global. A razão pela qual o empréstimo queda transfronteiriça precede a queda do comércio é porque as empresas e as famílias podem ser executados em reservas para um tempo quando o seu financiamento é puxado, e porque, assim como aumento do investimento leva tempo para fluir através no aumento do comércio, de modo que a queda dos investimentos pode demorar um pouco para aparecer como o comércio em declínio. 



Quão fraco financiamento transfronteiras tornou-se desde 2010 é evidente neste conjunto de gráficos a partir BIS mostram empréstimos a instituições financeiras não bancárias em três principais moedas de financiamento do mundo - o dólar americano, o euro eo iene japonês: 






Um ponto brilhante neste conjunto sombrio é o Euro emissão de títulos de dívida. Mas, infelizmente, isso não é o que parece. O BIS explica que isso é devido à emissão "yankee reversa" por corporações norte-americanos que descobriram que é mais barato para financiar em euros e de swap em dólares do que para financiar diretamente em dólares. Acompanhando esta explicação, o BIS tem um artigo interessantesobre o porquê de "paridade de juros cobertos" parece ter falhado. É uma história de mais de entusiasmo regulação destruindo progressivamente os mecanismos que fazem os mercados funcionarem de forma eficiente. 



Mas se encolhendo financiamento transfronteiras é uma grande parte da resposta à pergunta "porque é que o comércio global tão fraco?", Então a próxima pergunta é, sem dúvida "porque é que o financiamento transfronteiras encolhimento"?