"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Estagnação secular: o paradigma perdido

por Alejandro Nadal


Na cosmogonia dos economistas não há nada mais assustador do que a perspectiva da crise e da estagnação secular. Ambos são acompanhados pela perda do paradigma da estabilização e do crescimento que durante décadas norteou o trabalho dos economistas.

Hoje, como órfãos desorientados, os economistas próximos da teoria macroeconômica dominante continuam a procurar sinais de que seu paradigma não está morto. Lembre-se as passagens do Paraíso Perdido de John Milton em que um Adam impotente implora perdão, mas a sua expulsão do paraíso é promulgada. Assim, os principais economistas vagam sem rumo, tentando resgatar o paradigma perdido.

No poema de Milton, o Arcanjo Miguel leva Adão para uma colina de onde contempla o futuro que aguarda a humanidade. Hoje de uma colina semelhante, os economistas consternados observam o quadro sombrio de estagnação secular. Ante suas vistas se sucedem desemprego, pobreza, desigualdade, finanças públicas desequilibradas e política monetária atolada em confusão.

O velho paradigma desses economistas neoclássicos baseia-se na crença de que a política macroeconômica pode controlar os caprichos dos ciclos econômicos e volatilidade dos mercados financeiros. Sem dúvida, a crise de 2008 quebrou esse sonho e fantasia de estabilidade macroeconômica. Mas poucos economistas eram capazes de ler os sinais antes da crise sobre a grande inundação de estagnação secular.

E, no entanto, estes sinais foram bastante claros. Nos últimos 30 anos, a taxa de crescimento da economia mundial diminuiu de forma constante. Entre 1973 e 2015 a taxa de crescimento do PIB mundial aumentou 6,4-2,4 por cento. Ou seja, antes de sofrer a desaceleração que sofre a taxa de crescimento do PIB mundial pela crise de 2008 já se observava uma tendência decrescente durante mais de três décadas.

Outro indicador é o comportamento da taxa de juros real. Durante o período 1975-2015 a taxa de juros real para ativos livres de risco estava em declínio brutal e passou de um nível próximo de 4 por cento para perto de níveis negativos -1,2 por cento. Os cálculos podem variar um pouco, mas quando uma tendência dessa magnitude é observada durante um período de 30 ou 40 anos não pode deixar de pensar que estão em jogo aqui algumas muito poderosas forças econômicas seculares.

O problema é que frente essas forças de largo tempo os economistas convencionais não podem oferecer um remédio em matéria de política macroeconômica. Por exemplo, os modelos macroeconômicos utilizados pelos bancos centrais na maioria dos países são incapazes de sugerir medidas para combater a estagnação secular problema como prolixo. Estes modelos dinâmicos estocásticos de equilíbrio geral (DSGE por sua sigla em Inglês) só permitem o melhor pensamento sobre os problemas delimitadas no curto espaço de tempo e, em algum episódio cíclico ou um incidente de volatilidade nos mercados. Mas o quadro analítico desses modelos e suas metas para a inflação não tornam possível conceber problemas como um fornecimento constante na oferta ou uma deficiência crônica da demanda agregada. Isso é, além de possuir todas as deficiências no tratamento de problemas de curto prazo (agentes representativos e condições artificiais de estabilidade) estes modelos são incapazes de acomodar o tratamento de problemas estruturais de longa duração.

Diante de um cenário de estagnação de longo prazo a política macroeconômica convencional permanece muda. É que durante décadas o seu objeto não foi controlar o nível geral da produção agregada. E, além disso, os principais economistas hoje não sabem como articular uma política fiscal expansiva com uma monetária não convencional de taxas de juro muito baixas ou mesmo em território negativo. Tampouco têm algo a oferecer para o problema da desigualdade na distribuição de renda que desencadeia muitos problemas macroeconômicos.

A teoria e política macroeconômica convencional têm graves deficiências, incluindo suas suposições anacrônicas sobre o papel do setor bancário (agente) e a presença de agentes representativos (teoricamente desacreditados desde 1974). Então, com pedir-lhes para dar o salto conceitual que lhes permita incorporar coisas como a evolução da taxa de lucro, o nível geral dos salários e a evolução da dívida? Estas são as questões centrais em uma discussão sobre as tendências futuras do capitalismo, mas eles têm a ver com a espinhosa questão da distribuição de renda e isso é algo que a teoria convencional prefere ignorar.

A hipótese de estagnação secular nos convida a pensar em novas formas de política macroeconômica. Ele também impõe a necessidade de refletir sobre a necessidade de transformação econômica radical, porque o paradigma perdido dos neoclássicos nunca será recuperado.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Nordeste Brasileiro Vive Quinto Ano De Seca E Se Não Chover Nos Próximos Dias, Não Há Plano B

Nordeste brasileiro vive quinto ano de seca e se não chover nos próximos dias, não há plano B. Entrevista especial com João Suassuna
setentrional nordestino, que há cinco anos vem enfrentando situações de seca, está em “estado de emergência” e muitos dos municípios da região, como o de Campina Grande, na Paraíba, que tem aproximadamente 355 mil habitantes, e Caruaru, em Pernambuco, com quase 300 mil habitantes, enfrentam problemas de abastecimento de água para o consumo, informa João Suassuna à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por telefone.
Na avaliação do pesquisador, “o maior problema da seca é que não há gestão dos recursos hídricos”, e em muitos municípios, frisa, se não chover o percentual esperado para este mês, “não há um plano B”. “Para se ter uma ideia, represas de porte, como é o caso da Represa de Boqueirão, na Paraíba, que abastece uma cidade como Campina Grande, que tem 450 mil habitantes, está atuando com 6% da sua capacidade. Represas enormes no interior da Paraíba, como Coremas e Mãe D’Água, que juntas acumulam um bilhão e 300 milhões de metros cúbicos de água, hoje atuam, respectivamente, com 2% e 10% de sua capacidade. Uma delas já está em colapso, e a tendência é que até o final do ano essas represas venham a secar”, diz. A represa de Sobradinho, na Bahia, que tem capacidade de armazenar 34,1 bilhões de metros cúbicos de água, e que há quatro meses atuava com 25% da sua capacidade, hoje atua com 7% e “já há uma previsão dos hidrólogos de que a represa entrará em volume morto no final de dezembro”, pontua.
Segundo Suassuna, o abastecimento de água na região está sendo feito pelos caminhões-pipa, mas não se sabe qual é a origem da água que tem sido utilizada para o consumo humano. “Temos que nos perguntar de onde essas águas estão sendo retiradas, já que o Nordeste inteiro está tendo um problema sério de volume métrico em suas represas. Temos que questionar a origem dessa água que está sendo trazida pelos caminhões. Essas águas são realmente imprestáveis para o consumo, mas são as únicas de que dispomos. Certamente teremos problemas sérios de saúde pública, porque populações inteiras estão bebendo essa água. Provavelmente elas serão acometidas por hepatites, esquistossomoses, schistosomose [barriga d’água], isto é, doenças veiculadas pela água”, adverte.
João Suassuna | Foto: Fundaj
João Suassuna é engenheiro agrônomo, pesquisador da fundação Joaquim Nabuco, no Recife, e especialista em convivência com o semiárido.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Qual é a situação da seca neste momento no semiárido? Qual é o nível dos principais reservatórios de água da região neste momento?
João Suassuna – A seca no Nordeste se dá de forma lenta e gradual, mas a seca atual agravou-se porque houve secas consecutivas nos últimos anos. Desde 2012 as chuvas estão ocorrendo abaixo da média, e quando isso acontece os açudes secam e a agricultura sofre um impacto muito grande: colheitas de milho e feijão são perdidas e a pecuária também sofre um impacto. A seca de 2013, por exemplo, diminuiu em 70% a pecuária da Paraíba.
Atualmente o maior problema da seca é que não há gestão dos recursos hídricos no Nordeste. Para se ter uma ideia, represas de porte, como é o caso da Represa de Boqueirão, na Paraíba, que abastece uma cidade como Campina Grande, que tem 355 mil habitantes, está atuando com 6% da sua capacidade. Represas enormes no interior da Paraíba, como Coremas e Mãe D’Água, que juntas acumulam um bilhão e 300 milhões de metros cúbicos de água, hoje atuam, respectivamente, com 2% e 10% de sua capacidade. Uma delas já está em colapso, e a tendência é que, até o final do ano, essas represas venham a secar.
Represas como a de Jucazinho, que abastece a cidade de Caruaru, em Pernambuco, que tem 300 mil habitantes, entraram em exaustão. Mas por que isso acontece? Por falta de gestão dos recursos hídricos. Quando uma represa é construída, ela pereniza o rio numa determinada vazão, que chamamos de vazão de regularização, e essa vazão não pode ser utilizada em volume maior do que o que se retira da represa. Se isso for feito, as represas secam, como já secaram essas represas que mencionei, e como já secaram osaçudes de Itans Gargalheiras, no RN, por falta de gestão. O problema é que os volumes de regularização das represas estão sendo superutilizados na irrigação e no próprio abastecimento de água.
IHU On-Line – Em julho deste ano, o senhor mencionou que a represa de Sobradinho estava funcionando com apenas 25% da sua capacidade. Qual é a situação da represa neste momento?
Estamos vivendo um momento crítico em que estamos dependendo da providência divina para resolver essa situação
João Suassuna – Hoje a represa de Sobradinho está atuando com 7% da sua capacidade, e já há uma previsão dos hidrólogos de que a represa entrará em volume morto no final de dezembro. A Companhia Hidrelétrica do São Francisco – Chesf e a Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig, que gerenciam os volumes de regularização do São Francisco na região de Sobradinho, estão fazendo de tudo para que a represa não entre em volume morto. Estão liberando um volume expressivo de água dahidrelétrica de Três Marias, prejudicando a capacidade de armazenamento da própria hidrelétrica, para salvar a represa de Sobradinho. Os técnicos estão com muita esperança de que, adotando essa manobra arriscada, na entrada da nova quadra chuvosa, as chuvas irão salvar não só a hidrelétrica de Três Marias, mas também a represa de Sobradinho. Então, estamos vivendo um momento crítico em que estamos dependendo da providência divina para resolver essa situação.
Rio São Francisco tem aquíferos importantes, sendo o mais importante deles o Urucuia, localizado noOeste da Bahia. Esses aquíferos desempenham uma importância enorme no regime volumétrico do São Francisco, porque eles têm uma geologia sedimentária, têm solos porosos, e quando chove há uma grande infiltração de água, que forma os lençóis freáticos no subsolo desses aquíferos. Com isso, há também um fluxo de bases, que são fluxos de água que saem dos subsolos dos aquíferos em direção à calha dos rios. Oaquífero Urucuia é responsável por mais da metade da vazão regularizada em Sobradinho. No entanto, a água do aquífero está sendo utilizada para produzir soja e milho irrigados através de equipamentos de irrigação, os chamados pivôs centrais, que consomem uma quantidade enorme de água do aquífero. Só na região Oeste da Bahia existem mais de cem pivôs centrais, que chegam a retirar do subsolo 2600 metros cúbicos de água por hora. Multiplique isso por 100, que é a quantidade de pivôs que existem na região, e veremos que quantidade de água é destinada para esse tipo de plantio.
Quando Sobradinho foi construída, em 1979, a represa e regularizou o rio São Francisco numa vazão média de 2060 m3/s. Se for feita uma mensuração na foz do Rio São Francisco, veremos que essas vazões são de 1850. E essa vazão vai diminuir mais ainda por conta do uso descontrolado da água devido a essas irrigações. É isso que está matando o São Francisco, porque não se está obedecendo à gestão dos recursos hídricos, o que é fundamental em regiões onde ocorrem secas.
Tabela: Angência Nacional das Águas
IHU On-Line – Quais são os estados e municípios do Nordeste mais atingidos pela seca deste ano?
Hoje, praticamente todos os municípios do Miolão da Seca estão em estado de emergência
João Suassuna – No Nordeste existem áreas em que a seca ocorre com menor intensidade, mas existe uma área, que chamamos de Miolão da Seca, em que as situações de seca são mais constantes: 80% das secas do Nordeste ocorrem nessa área do setentrional nordestino, onde foi planejada a transposição do Rio São Francisco. Hoje, praticamente todos os municípios do Miolão da Seca estão em estado de emergência, por conta dos últimos cinco anos de seca consecutivos na região. O pior é que nessas cidades que enfrentam problema de abastecimento, como Campina Grande e Caruaru, não existe um plano B. O abastecimento de água está sendo feito com frotas de caminhões-pipa. Mas como é possível abastecer cidades com mais de 300 mil habitantes, como Campina Grande e Caruaru, com frotas de caminhões-pipa? O povo deixou de pensar, porque isso tem uma implicação imediata no trânsito da cidade. Já imaginou uma frota de cinco mil caminhões abastecendo um município.
Além disso, temos que nos perguntar de onde essas águas estão sendo retiradas, já que o Nordeste inteiro está tendo um problema sério de volume métrico em suas represas. Temos que questionar a origem dessa água que está sendo trazida pelos caminhões. Essas águas são realmente imprestáveis para o consumo, mas são as únicas de que dispomos. Certamente teremos problemas sérios de saúde pública, porque populações inteiras estão bebendo essa água. Provavelmente elas serão acometidas por hepatites, esquistossomoses [barriga d’água], isto é, doenças veiculadas pela água.
IHU On-Line – Quais alternativas seriam necessárias para garantir o abastecimento de água, visto que esse é um problema constante no Nordeste?
João Suassuna – A saída mais honrosa seria iniciar um programa de gestão adequada da água. Mas estamos em uma situação em que não existe um volume de água suficiente para começar a produzir e promover uma gestão adequada. Com isso não vejo outra saída a não ser esperar a quadra chuvosa que terá início no mês de novembro – já está começando a chover no alto e no médio São Francisco. Temos que apostar que essas chuvas vão ocorrer com intensidade tal que irá resolver a situação.
Agora, se essas chuvas vierem abaixo da média esperada, teremos um desastre muito grande no Nordeste, porque não temos outra alternativa para fornecer água para o povo, já que as represas estão em estado crítico. Também não existe água de subsolo, porque temos uma geologia cristalina, ou seja, a rocha que dá origem ao solo está praticamente aflorando em alguns pontos da superfície e isso dificulta a existência de água no subsolo. Normalmente essas fontes de água têm baixa vazão e, se não bastasse isso, as águas são extremamente salinizadas, tanto que às vezes nem o gado consegue tomar essa água.
IHU On-Line – Nesses cinco anos em que a seca se intensificou, alguma outra medida poderia ter sido adotada?
João Suassuna – Eu tenho apostado em um trabalho que a Articulação Semiárido Brasileiro, a ASA Brasil, está fazendo no Nordeste. A ASA Brasil é uma instituição não governamental, que trabalha congregando as ações de 600 outras ONGs no Nordeste que trabalham voltadas para a convivência no Semiárido. A ASA trabalha com cerca de 40 tecnologias hídricas, como cisternas rurais, barragens subterrâneas, mandalas. Agora, para que essas tecnologias funcionem, é preciso usar água de forma racional.
ASA Brasil trabalha com cisternas rurais de placa com capacidade de 16 mil litros. Essa cisterna capta água do telhado da casa para fornecer uma água de boa qualidade para uma família de cinco pessoas, durante os oito meses que ficamos sem chuvas na região. Essa é uma tecnologia extremamente viável. Em outros momentos de seca, era muito comum, no Nordeste, ter saques em supermercados e feiras livres, porque o povo não tinha o que comer e o que beber. Mas hoje em dia esse cenário mudou e acho que isso tem a ver com o uso e a implementação dessas tecnologias que estão dando certo no Sertão.
Se nós tivermos um sexto ano de seca no Nordeste, não sei em que situação vamos parar
Antigamente se produziam 50 toneladas de palma-forrageira por hectare; hoje, na forma adensada, que é uma tecnologia que veio do México e dos Estados Unidos, estão sendo produzidas 400 toneladas por hectare dessa espécie de palma. Ou seja, está se conseguindo plantar 10 vezes mais. A palma é um excelente alimento para os animais e ajuda a manter a atividade de pecuária em uma região seca como é o Nordeste. A nossa saída é juntar tudo isso que está dando certo e começar a trabalhar de forma planejada. O planejamento é a saída. Agora, temos que rezar – esse é o termo certo – para que essa quadra chuvosa, que está iniciando agora, venha com um volume satisfatório de chuva para, a partir daí, começarmos a usar essa água de forma racional. Insisto, mais uma vez: se nós tivermos um sexto ano de seca no Nordeste, não sei em que situação vamos parar.
IHU On-Line – Houve algum avanço nas negociações em torno do programa de revitalização do Rio São Francisco, chamado de Novo Chico?
João Suassuna – O programa está parado. Tenho a impressão de que primeiro o governo Temer está arrumando a casa para, a partir daí, ajustar os recursos e alocá-los. Então, houve aquela pretensão inicial de se começar um trabalho de revitalização do São Francisco, mas ficou somente nas pretensões; não vi nada evoluir desde o anúncio da intenção do governo de revitalizar o São Francisco. Então, a informação que tenho é a mesma que recebemos no início do governo Temer: que o governo está negociando 10 milhões de reais para investir em um trabalho de revitalização.

(EcoDebate, 09/11/2016) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Donald Trump e o cálice envenenado da economia dos EUA

por Michael Roberts

Donald Trump, candidato republicano, durante el debate frente a Hillary Clinton.

O irônico sobre a vitória (estreita) de Donald Trump na eleição presidencial dos EUA é que seu candidato 'seguro' perdeu para os democratas, Wall Street e os estrategistas do capital. Agora eles estão pesadamente com um canhão solto que eles devem tentar conter.
Trump ganhou porque um (apenas) número suficiente de pessoas estão fartas do status quo atual. Aparentemente, 60% dos eleitores formularam nas cabines de votação que o país "está no caminho errado" e dois terços foram fartos e irritados com o governo de Washington - algo que Clinton personifica.
Como o voto dos britânicos para o Brexit, contra todas as expectativas, um número suficiente de eleitores na América (principalmente brancos, mais velhos e em pequenas empresas ou que trabalham em indústrias em pequenos estados centrais dos EUA) têm superado o voto da juventude, mais educados e em melhor situação nas grandes cidades. Mas lembre-se que pouco mais ou menos do que 50% dos eleitores foram às urnas. A enorme extensão das pessoas nunca votam nas eleições americanas e constituem uma parte considerável da classe operária.
O mais significativo, a questão mais importante (52%) dos eleitores, quando perguntado nas cabines, era o estado da economia dos EUA, seguido pelo o terrorismo (mas bem abaixo de 18%) e da imigração (o cartão de Trump) ainda menor. Trump ganhou porque ele alegou que poderia melhorar as condições daqueles "que foram deixados para trás' pela globalização, falhando indústrias nacionais e esmagando pequenas empresas. Claro, Trump é um bilionário e não tem interesse real ou ideia sobre como melhorar o lote da maioria. Mas a raiva no estabelecimento foi suficiente (apenas) para este egoísta, misógino, predador sexual, filho do homem rico ganhar.
Mas ainda é a economia, estúpido! Trump recebeu um cálice envenenado que ele terá de beber:. O estado da economia dos Estados Unidos. A economia dos EUA é a maior e mais importante economia capitalista. Tem se apresentado como a melhor das maiores economias desde o fim da Grande Recessão em 2009. Mas o seu desempenho econômico tem sido ainda sombrio. O crescimento do PIB real per capita foi de apenas 1,4% ao ano, bem abaixo dos níveis antes da crise financeira global em 2008. É uma história da mais fraca recuperação econômica após uma queda desde os anos 1930.
O FMI espera agora que a economia dos EUA expanda apenas 1,6% este ano. E os economistas do Banco Federal Reserve dos EUA estão agora prevendo apenas 1,8% de expansão ao ano para o futuro previsível. E tudo isso não assume qualquer nova recessão econômica.
A visão da maioria dos economistas é que uma recessão nos EUA é improvável e que a economia vai pegar novamente no próximo ano. Na verdade, o presidente do Federal Reserve Janet Yellen (cujo trabalho está agora em perigo), avalia que a economia dos EUA "está em um caminho de melhoria sustentável." O argumento é de que o custo dos empréstimos é próximo de zero, o consumidor americano ainda está a gastar robustamente, o mercado imobiliário está a acelerar e as vendas no varejo ainda estão no trilhos.
Mas o que é importante para a saúde de uma economia capitalista moderna não é a facilidade ou custo dos empréstimos, é o nível e a direção da rentabilidade do capital, os lucros das empresas no total e o impacto no investimento empresarial. Quando quedas de rentabilidade, eventualmente, total de queda lucros das empresas e, em seguida, algum tempo depois, o investimento das empresas vai contratar. Quando isso acontece, uma recessão econômica segue logo. No período pós-guerra, uma queda sustentada no investimento das empresas levou a economia em queda em todas as ocasiões, enquanto o consumo pessoal permanece mais ou menos estável, esta última apenas caindo uma vez que a queda está em andamento.
E os lucros corporativos americanos estão caindo. De acordo com economistas do banco de investimentos JP Morgan, os lucros das empresas norte-americanas caíram 7% em relação aos níveis do ano anterior. Com base nisso, eles acham que, "a probabilidade de uma recessão a partir dentro de três anos em um surpreendente 92%, e a probabilidade dentro de dois anos em 67%". Além disso, a Reserva Federal está planejando para caminhar a sua taxa de juro logo após a eleição, porque ele afirma que a economia está voltando ao 'normal', aumentando o risco de desencadear uma recessão - embora uma vitória de Trump coloque isso fora de cogitação como os mercados de ações mergulhando.
Qual é a solução de Trump para tudo isso? Suas propostas econômicas resumem-se a redução de impostos, reduzindo os gastos do governo e tributação das importações para "proteger" os empregos americanos. Os principais beneficiários de seus cortes de impostos seriam os muito ricos. Sob Trump, a maioria das pessoas iria ver a sua fatura de imposto de renda reduzido em cerca de 7%, mas a economia para o top 1% seria de 19% de sua renda. Para equilibrar o orçamento federal, os gastos do governo teriam que ser cortados em cerca de 20%, atingindo o bem-estar, educação e saúde. Aumento das tarifas sobre bens estrangeiros e impor sanções punitivas sobre a China e o México, os dois maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos, elevaria os preços e provocaria retaliação.
De certa forma, o próximo presidente dos EUA enfrenta uma situação pior do que Obama fez em 2009 com a profundidade da crise financeira global. Desta vez não há nenhuma maneira de evitar uma queda imprimindo dinheiro ou cortar as taxas de juros; ou aumentando os gastos do governo, quando a dívida do setor público já dobrou para 100% do PIB. Esses instrumentos de política econômica têm sido utilizados. O cálice terá de ser degustado.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Unctad: robôs ameaçam empregos, mas podem trazer oportunidades

Em publicação sobre as máquinas e a industrialização de países em desenvolvimento, agência da ONU aposta que a China deve ultrapassar o Japão como o maior operador mundial de robôs.
Foto: Unctad
Monica Grayley, da Rádio ONU.
A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, afirma que o aumento no número de robôs está ameaçando milhões de empregos nos países em desenvolvimento.
Mas para a agência da ONU, isto também pode significar oportunidades no mercado de trabalho.
Vantagem
Numa publicação, divulgada nesta terça-feira, a Unctad revela que os robôs facilitam a chamada "recolocação" de indústrias nos países industrializados. As máquinas de produção também minam a tradicional vantagem dos baixos salários, presente em países pobres, de acordo com os especialistas.
Mas segundo o estudo "Robôs e industrialização em países em desenvolvimento", este retorno às nações avançadas está ocorrendo de forma lenta e limitada a alguns setores.
A Unctad recomenda que os países abracem a revolução digital para construir mercados locais e regionais preparados para evitar este deslocamento de empresas.
Estimativa
O aumento do uso de robôs em países desenvolvidos pode levar à eliminação da chamada vantagem dos custos de mão-de-obra.
Uma pesquisa do Banco Mundial revela que o número de postos de trabalho que podem ser afetados pelos robôs é mais alto nos países pobres que em avançados, onde muitos destes empregos já desapareceram. A estimativa é que a taxa seja de dois terços de todos os postos.
Apesar de muitas indústrias já terem saído de alguns países, os efeitos para a economia não foram tão traumáticos, aposta o Banco Mundial.
Já os economistas da Unctad acreditam que o ritmo lento da realocação das empresas para os países ricos pode ser explicado por baixos investimentos e um desaquecimento da demanda da economia global.
México e nações asiáticas
A publicação ressalta que os robôs industriais foram utilizados primeiro nos setores automotivo, elétrico e de eletrônicos.
Em países em desenvolvimento, como o México e nações asiáticas, as empresas envolvidas em atividades de exportação são as mais expostas à realocação.
Para a Unctad, os países em desenvolvimento têm que evitar o aumento de desigualdade causado pela perda de empregos menos qualificados. Uma das sugestões é cobrar impostos sobre a atividades com robôs industriais.
China e Japão
A agência da ONU recomenda que os países utilizem a revolução digital e os robôs para criar novas oportunidades no mercado.
Um exemplo é a combinação da impressão tri-dimensional e o uso de robôs, uma atividade facilmente executada por pequenas empresas e que pode levar a manufatura em grande escala.
No caso da China, desde 2013, o país está comprando mais robôs industriais do que qualquer outra nação. A expectativa é que até o fim deste ano, a China ultrapasse o Japão como o maior operador deste tipo de máquina no mundo.

Os desafios econômicos dos EUA e a crise da democracia americana

Artigo De José Eustáquio Diniz Alves

“O princípio moral das revoluções é instruir, não destruir”
Thomas Paine (1737-1809)

crescimento anual do PIB dos EUA e média móvel de 10 anos 1948-2016

Os Estados Unidos da América surgiram como uma potência mundial depois da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e se tornaram líderes da economia internacional depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Nos chamados 30 anos gloriosos (1946-1974) a economia dos EUA crescia acima de 4% ao ano e manteve este crescimento até 1973. Com a crise do petróleo, o desempenho médio caiu para a casa dos 3% ao ano até o início da crise de 2008. Na recuperação recente, o crescimento do PIB tem ficado abaixo de 2% ao ano. A reta de tendência do gráfico abaixo mostra que o ritmo de crescimento da economia americana se reduziu pela metade e tende a continuar caindo.
Um dos motivos que explica o bom desempenho da economia americana na segunda metade do século XX e o pior desempenho no século XXI é o comportamento do emprego. A taxa de atividade da força de trabalho (PEA) subiu entre 1950 e o final da década de 1970, chegando a mais de 67% no final do século passado. A grande inserção das mulheres no mercado de trabalho gerou um aumento na taxa de atividade geral e aumentou a renda das famílias. Houve um bônus demográfico feminino.
Mas a taxa de atividade caiu para 66% em 2008 e teve um declínio acentuado depois da crise iniciada com a quebra do banco Lehman Brothers. A geração de emprego nos anos 2000 tem sido muito lenta e há uma crescente parte da população em idade de trabalhar (PIA) que continua fora do mercado, enquanto outra parte está subempregada. A perspectiva é que a percentagem da população empregada diminua em função do envelhecimento populacional (fim do bônus demográfico) e do grande número de pessoas da geração baby-boom que chega em idade de aposentadoria.

labor force participation rate

O quadro fica mais dramático quando se considera que o nível de emprego e a taxa de atividade vem caindo, mas a produtividade não sobe. Ao contrário, a produtividade nunca foi tão baixa como mostra o gráfico abaixo publicado na Bloomberg (09/08/2016). No segundo trimestre de 2016, o crescimento da produtividade, trimestre a trimestre, uma medida da mudança na produção por hora trabalhada, apresentou uma média de apenas 0,7% nos últimos quatro períodos, desempenho bem tímido se comparado com a média de longo prazo de 2,2%. Cabe a pergunta: onde estão os ganhos da 4ª Revolução Industrial?
Entre 1947 e 1973, a produção por hora (a medida padrão de produtividade do trabalho) cresceu a uma taxa anual de cerca de 3%, segundo dados do Bureau of Labor Statistics. Entre 1974 e 1995, a taxa de crescimento caiu pela metade, para 1,5% iniciando um período em que o crescimento dos salários começou a estagnar. Mas com o fim da Guerra Fria e o surgimento da Internet a produtividade voltou para o patamar de 3% e muita gente boa previu um futuro brilhante, mas que não se concretizou. Desde 2007, a taxa anual de crescimento da produtividade aumentou em média de cerca de 1,3%. Desde 2010, tem sido ainda menor, cerca de 0,5%. De acordo com os novos números, nos doze meses encerrados em junho de 2016, a taxa de crescimento da produtividade por hora foi negativa em 0,5%. Nos três meses encerrados em junho, a taxa de crescimento anualizada foi negativa em 0,4%.

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productivity, perishing

Assim, o crescimento do PIB só poderia ocorrer com o aumento do número de trabalhadores e o aumento das horas trabalhadas. Porém, o envelhecimento da população dos EUA está colocando um freio sobre a taxa de crescimento do fator trabalho. Assim, na ausência de crescimento da PEA e da produtividade, a economia deve entrar em um longo período de estagnação secular.
Sem surpresas, a diminuição da taxa de atividade e a queda da produtividade geram um aumento da pobreza. O gráfico abaixo mostra que do número de pobres passou de cerca de 32 milhões de pessoas, em 2000, para cerca de 47 milhões em 2014.

poverty jump

No modelo dominante, o baixo crescimento econômico, além de não gerar renda e os postos de trabalho na rapidez e na quantidade requerida, também não gera as receitas que o governo necessita para pagar suas despesas.
O gráfico abaixo mostra que o déficit público previsto para 2016 é de 2,9% do PIB, sendo que as despesas com rolagem da dívida são muito baixas, devido às taxas de juros quase negativas. Porém, a projeção é que o déficit público suba para 8,8% do PIB em 2046 pois as despesas com os programas de saúde, com a seguridade social e com a rolagem da dívida vão crescer consideravelmente.
Quanto pior forem as taxas de crescimento do PIB maiores serão as despesas do governo e menores serão as receitas. Isto vai exigir cortar gastos e aumentar impostos, mas nenhum candidato à presidência tem propostas concretas para enfrentar esta situação.

orçamento federal dos EUA, 2016-2046

Os contínuos déficits públicos anuais têm acumulado em forma de dívida pública. A dívida pública dos EUA chegou a 30% do PIB no início da Independência devido às despesas com a guerra contra a Inglaterra, mas foi praticamente zerada em 1830. Voltou a subir na época da Guerra Civil, mas também foi praticamente zerada antes da Primeira Guerra Mundial. A dívida voltou a subir com as despesas da Primeira Guerra e deu um grande salto durante a Segunda Guerra Mundial, ultrapassando 100% do PIB.

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dívida pública em poder do público, EUA: 1790-2046

Contudo, a dívida pública foi reduzida durante as “3 décadas gloriosas” (período de maior crescimento econômico do país entre 1946 e 1974) e ficou em torno de 30% do PIB. Mas a dívida voltou a subir na época do governo Reagan, devido às despesas com a Guerra Fria e com o corte de impostos para os ricos. Na década de 1990, com o boom das empresas de tecnologia e o fim da Guerra Fria, a dívida caiu com o aumento do PIB na época do governo Bill Clinton. No governo Bush filho e depois do 11 de setembro de 2001, a dívida subiu para financiar as guerras do Afeganistão, Iraque, etc. Depois da recessão de 2009, a dívida disparou no governo Obama visando manter os gastos de guerra e para vencer a recessão.
Atualmente, a dívida em poder do público, está em torno de 80% do PIB. Mas como o déficit público é crescente e o desempenho da economia está fraco, a tendência é que o crescimento da dívida possa chegar a 141% do PIB em 2046. Na verdade, a CBO (Congressional Budget Office) tem projeções que apontam para uma dívida que pode variar entre 93% e 196% do PIB, dependendo dos fatores demográficos (envelhecimento), do crescimento da força de trabalho, da produtividade, da taxa de juros, etc. A CBO alerta aos políticos e aos partidos para levar a sério estes números e para que sejam feitas propostas para evitar a falência da economia americana.
Os últimos dados mostram que a renda das famílias dos EUA apresentou uma melhora 2015, rompendo com um padrão de estagnação que perdurou desde 2007, e avançou 5,2%. Mas a recuperação econômica continua incompleta. A renda domiciliar mediana está 1,6% abaixo do valor que atingiu em 2007, antes da recessão, e permanece 2,4% abaixo do pico atingido no boom econômico do fim dos anos 1990. Enquanto a renda das famílias fica estagnada ou cai, o custo do ensino superior dobrou nas últimas 3 décadas e a dívida estudantil disparou. Estimada em mais de US$ 1 trilhão, ela ultrapassa o volume das compras por cartão de crédito. Muitos estudantes não conseguem pagar os empréstimos contraídos. A taxa de inadimplência dos estudantes – que não podem recorrer ao procedimento que alega falência individual – passou de 5% a 15% entre 2008 e 2015.
A democracia americana não é mais aquela dos fundadores do século XVIII e sonhada por Thomas Paine. Dois terços da população consideram que o país está na direção errada (wrong track). As eleições presidenciais de 2016 mostram que nenhum dos dois candidatos empolgam o eleitorado e deve vencer aquele/a candidato/a que tiver menor índice de rejeição.

RCP poll average - direction of country

O sistema político está se mostrando incapaz de traçar e colocar um plano para gerar emprego e aumentar a renda, além de evitar uma grande crise ambiental. Está ficando claro que o “American way of life” não se sustenta e não existe um Plano B. Trump diz que vai fazer a “América grande novamente” e Hillary diz que a América (EUA) sempre foi grande. Na realidade o Império Americano está em declínio e a questão colocada pelos políticos deveria ser como administrar este declínio para evitar um grande sofrimento da população.
Porém, nem o partido Republicano e nem o Democrata tem propostas viáveis para enfrentar os desafios atuais. Os impasses políticos são cada vez maiores e nem a nomeação de um juiz para a Suprema Corte consegue ser efetivada.
A média das pesquisas do site RealClearPolitics indica que o resultado está indeterminado, com uma ligeira vantagem para Hillary Clinton, dois dias antes das eleições. Hillary tem
44,9% das intenções de voto, Trump com 42,9%, Gary Johnson caiu para 4,8% e Jill Stein com 2,1%.


general election - Trump vs Clinton vs Johnson vs Stein

Mas o que vale nos Estados Unidos não é o voto direto e sim o voto do colégio eleitoral. Cada Estado tem um número de votos proporcional à população. Quem ganha leva todos os delegados. As últimas pesquisas indicam que Hillary Clinton tem consolidado o número de 216 delegados contra 164 de Donald Trump. Mas existem 158 delegados em disputa e que vão decidir as eleições.

Cinton/Kaine vs. Trump/Pence

Qualquer que seja o resultado das eleições de 8 de novembro, o cenário econômico deve se agravar, pois uma vitória de Donald Trump terá um impacto negativo em todo o mundo e uma vitória de Hillary será a continuidade de uma alternativa pouco dinâmica para os EUA. As bolsas de valores caíram na semana anterior às eleições e o FED (Banco Central) deve aumentar as taxas de juros em dezembro. A possibilidade de uma recessão em 2017 é grande. Tudo isto tem gerado muita ansiedade e stress nos EUA e no mundo.
Nesse cenário, uma vitória apertada de qualquer uma das duas principais candidaturas deve acirrar o questionamento político e gerar ações judiciais. Uma paralisia política pode representar uma espécie de “americalatinização” dos EUA. A democracia americana está em crise. Depois do Brexit e de outros “cisnes negros”, o que o mundo menos precisa é de uma instabilidade política e econômica nos Estados Unidos.
Referência:
CBO, The 2016 long-term budget outllok in 22 slides, Congressional Budget Office, july 2016
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Labor Statistics http://www.bls.gov/
Real Clear Politics: http://www.realclearpolitics.com/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 07/11/2016