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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Fim da recessão no Brasil

por Lauro Chaves Neto* na Página do Cofecon

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A economia brasileira está vivendo uma alternância entre a divulgação na melhora de alguns dos seus indicadores e a persistência da incerteza diante da instabilidade do quadro político. A questão dominante é se o Brasil já iniciou a retomada da sua Economia.

Agora, em 2017, persistem inúmeras dúvidas sobre o quadro recessivo no país, muitos querem saber se já o deixamos para trás; do mesmo modo, no ano eleitoral de 2014, havia dúvidas a respeito da recessão no Brasil, se ela existia e qual sua gravidade. Naquela época, o debate girava em torno da queda no Produto Interno Bruto como consequência da Nova Matriz Econômica do Governo Dilma/Mantega.

Existia um quadro de estagnação sem uma piora aguda, mesmo o desemprego mantinha-se em níveis considerados baixos. Apenas em agosto de 2015, o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE) da FGV, que tem como objetivo analisar os ciclos econômicos brasileiros, diagnosticou o ciclo recessivo com a intensidade da queda do PIB e com as demissões em massa em todos os setores.

Dependendo do risco de o Brasil permanecer em recessão e dos critérios de comparação, o quadro recessivo atual é um dos piores, senão o pior, da História Nacional.

Os dados referentes ao primeiro trimestre de 2017 mostram uma leve melhora, com um pequeno crescimento da produção industrial. O comércio e a atividade de serviços também apresentaram tímida reação. 

Nada suficiente para caracterizar uma saída consistente da recessão, já que o resultado positivo se deve, principalmente, ao comportamento excepcional da agricultura e ao crescimento das exportações. As elevações também ocorreram sobre uma base deprimida, após meses seguidos de deterioração econômica. Existe ainda o agravante de que esse quadro ocorreu antes da delação da JBS e da divulgação dos seus áudios e vídeos.

As incertezas quanto ao andamento das reformas e à sustentação do governo foram um duro golpe no leve otimismo que se iniciava entre investidores e empresários. A mudança nas expectativas já se materializou com revisões para baixo nas já reduzidas projeções do mercado para o crescimento econômico de 2017 e 2018. Não há ainda a perspectiva de novo encolhimento no PIB, porém a já lenta retomada pode seguir o ritmo de uma tartaruga grávida. 



*Lauro Chaves Neto – Presidente do Conselho Regional de Economia, Consultor, Professor da UECE e Doutor em Desenvolvimento Regional.

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