"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Filosofia da música

Peter Kivy

Tradução de Vítor Guerreiro - Crítica na Rede

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Desde o autêntico renascimento da estética e da filosofia da arte na década de 1960, tem havido uma clara tendência para tratar as artes individuais na medida em que apresentam problemas filosóficos que lhes são peculiares. Isto não equivale a afirmar que não se tem desenvolvido também a filosofia da arte em geral. As teorias ambiciosas da arte, procurando abranger todas as belas artes em definições sinópticas, ocuparam algumas dos melhores espíritos filosóficos deste período e trouxeram à disciplina uma clareza e um rigor muito necessários. Mas lateralmente a este projecto socrático, mais tradicional, floresceu uma comunidade inquieta de filósofos que aplicam as suas aptidões analíticas a problemas individuais de artes como a literatura, a pintura, a dança, a fotografia, o cinema, o teatro, a arquitectura e, evidentemente, a música, o tópico que abordamos.

A música e as emoções

A questão filosófica mais antiga e mais persistentemente examinada a respeito da música é a do seu carácter emocional. Platão exprimiu a perspectiva de que a música tem o poder de produzir estados emocionais no ouvinte. Aristóteles fez a sugestão intrigante, embora desconcertante, de que a música “imita” ou representa as emoções. Mas pouco sabemos, se é que sabemos alguma coisa, acerca de como soava a música do seu tempo. E sem esse conhecimento não temos como saber acerca de que falam estes filósofos e, por conseguinte, o que realmente afirmam acerca deste assunto.

A especulação moderna nesta matéria começou no início do século XVII, quando os inventores da ópera começaram a especular acerca da música como fonte da expressão emocional na forma dramática recentemente criada. Mas o problema só assumiu a forma sob a qual a estética contemporânea o trata quando, no final do século XVIII, a música instrumental emergiu como um género musical de grande importância e como o principal género musical na filosofia da música.

Nos últimos setenta anos, a questão adquiriu uma forma esquemática: o que afirmamos quando afirmamos: “a música é triste”? Algumas respostas têm sido que a música nos deixa tristes; que a música exprime a tristeza do compositor; que a música de alguma maneira simboliza ou representa a tristeza; que a música tem a tristeza como uma qualidade perceptiva, tal como uma maçã tem a vermelhidão; alguma combinação de tudo isto; finalmente, que a música simplesmente não é triste e que é absurdo afirmar que o é. A perspectiva maioritária, no virar do século, é que as propriedades emocionais da música são propriedades percepcionadas da mesma, embora as opiniões se dividam quanto à música também evocar ou não as emoções que exprime. Os que contestam a evocação (Peter Kivy, por exemplo) argumentam que na vida quotidiana as emoções são evocadas por crenças que formamos acerca de estados de coisas, crenças que se tornam então nos objectos intencionais das emoções apropriadas, e que a música não pode proporcionar as condições necessárias para tal evocação, nem há indícios de que os ouvintes tenham experiência deste tipo de evocação. Por contraste, os que argumentam a favor da evocação (Stephen Davies e Jerrold Levinson) sustentam que porque as emoções evocadas pela música não são emoções vívidas, mas suficientemente próximas para serem tomadas por elas, a música tem de facto o poder de evocar emoções embora não dêem lugar às respostas comportamentais normais das emoções da vida real.

Formalismo

O tópico da música e das emoções foi talvez o mais discutido na estética musical desde tempos imemoriais, mas é plausível que o centro vital da filosofia da música tem sido, desde o fim do século XVIII, o debate sobre o formalismo musical. Immanuel Kant parece não ter tido quaisquer dúvidas de que a música instrumental pura, a “música absoluta”, como se passou a designá-la, era uma arte puramente formal (embora reconhecesse o seu aspecto emocional) e, porque não tinha conteúdo conceptual, Kant hesitava em considerá-la sequer uma das belas-artes.

Arthur Schopenhauer praticamente resolveu a questão a favor da música absoluta como uma das belas-artes. Fê-lo considerando a música uma forma de arte representacional e assim uma forma de arte conforme ao dogma setecentista da mimesis (imitação). Mas o custo foi elevado, pois os embaraçosos alicerces metafísicos desta teoria dificilmente seriam sancionados por filósofos com sensibilidades filosóficas modernas.

A primeira explicação genuína da música absoluta, a de Eduard Hanslick (1825-1904), seguiu-se não muito depois. Na estética musical, o formalismo, como Hanslick o interpretou e como continuou a ser interpretado até à década de 1980, é a doutrina de que tem de se considerar a música absoluta, enquanto objecto artístico, como uma estrutura sonora puramente formal, sem qualquer significado emocional de todo em todo. Mas quando alguns autores perceberam que as próprias propriedades emocionais da música podiam ser interpretadas como propriedades perceptivas da música, viram que um formalismo com propriedades emocionais enquanto parte da estrutura formal também é, em espírito, um formalismo. Esta perspectiva tornou-se conhecida como “formalismo aperfeiçoado”.

No ponto em que estão as coisas, no início do século XXI, há quem considere, em particular na musicologia histórica, que mesmo o formalismo aperfeiçoado é demasiado anémico, e surgem abundantemente perspectivas sobre a música absoluta como “narrativas sem palavras”. O que a muitos parecera uma questão firmemente decidida a favor do formalismo tornou-se agora uma questão cheia de incertezas.

Compreensão musical

O conceito de “forma musical” está intimamente relacionado com o de “compreensão musical”. Sendo ou não formalista, tem de se pressupor que compreender a pura estrutura musical é um pré-requisito para compreender seja o que for além da pura estrutura — o conteúdo narrativo, por exemplo. Por outras palavras, tem de se escutar aquilo que se ouve como música antes de o escutar como uma história em música.

É letra comum que compreender a música é uma questão de a ouvir como uma série articulada de acontecimentos que faz musicalmente sentido para o ouvinte. Como se deve reconhecer e interpretar esta compreensão musical básica são questões conflituosas. Além disso, há um desacordo substancial sobre se a compreensão musical exige ou não que se conheça, prestando-lhes atenção, os grandes elementos estruturais das composições musicais e as técnicas musicais que podem reger as conexões entre os acontecimentos. Este desacordo abrange a questão de o conhecimento daquilo a que neste campo se chama “teoria musical” ter ou não alguma relevância para a apreciação e fruição da música absoluta. Estas questões foram calorosamente debatidas na década de 1990. Em Music in the Moment, Jerrold Levinson defendeu que a audição normal exige que se atente apenas nas conexões entre segmentos breves de textura musical que se apresentam à percepção imediata, naquilo a que Levinson chama “quasi-audição”. No campo oposto, Peter Kivy, em Music Alone e noutras obras, argumentou que o conhecimento da teoria musical, embora não sendo essencial à compreensão musical mínima, alarga o objecto intencional da compreensão musical, aumentando assim exponencialmente o prazer da experiência musical.

Representação

A questão de a música instrumental ser ou não capaz de algo como a representação pictórica não está no topo da lista de questões com as quais os filósofos da música no início do século XXI se preocupem, embora no auge do romantismo oitocentista fosse muito discutida como uma questão de estética musical “prática”, estando intimamente associada à questão da oposição entre música absoluta e música programática. Há quem afirme que a música em princípio não pode representar pictoricamente, podendo apenas imitar sons, o que é obviamente uma coisa muito diferente. Outros sustentam que há exemplos de representação pictórica em música, embora de um tipo muito mínimo. Os que estão comprometidos com interpretações narrativas mais ou menos elaboradas do cânone da música absoluta estão comprometidos, pelo menos implicitamente, com uma perspectiva mais liberal das capacidades representacionais da música, embora dessa parte pouca luz filosófica nos tenha chegado sobre o assunto.

Palavras e música

Como as questões na prática musical, o modo como se ajusta as palavras à música e o papel que desempenham as palavras e a música neste empreendimento de concessão mútua foram vigorosamente discutidas, por vezes asperamente, desde a última metade do século XVI, tendo por principal força motivadora a ópera. É discutível se estas são ou não questões filosóficas. Não obstante, na bibliografia posterior a 1990, aqueles que de facto se vêem como filósofos mostraram maior interesse na ópera como forma de arte digna de um escrutínio distinto. Entre as questões que se tem levantado constam a de a ópera ser ou não basicamente uma forma musical ou uma forma literária com música, como devemos compreender racionalmente um drama com personagens que cantam em vez de falarem, como pode o drama ajustar-se em si à forma musical, como compreenderemos, numa base racional, a presença ubíqua da orquestra no drama cantado e que capacidade tem a música na ópera de “dizer” coisas, para além da capacidade que o libreto tem de o fazer. Estes debates esbateram, de uma maneira filosoficamente saudável, as fronteiras entre a filosofia e diversas disciplinas musicais. Ao mesmo tempo, os que estão fora das comunidades académicas filosóficas e das musicais deram contribuições substanciais para o discurso filosófico.

Talvez a questão filosófica central no debate acerca da relação entre a música e as palavras se revele melhor pelo título que Joseph Kerman, musicólogo de profissão, deu ao seu inovador e muito admirado livro Opera as Drama. Na perspectiva de Kerman, deve-se encarar a ópera, no seu melhor, como principalmente uma forma de teatro, dramma per musica, na venerável expressão latina. Adoptando a perspectiva oposta, Peter Kivy, em Osmin's Rage, colocou a ênfase, não na ópera como teatro, mas antes na ópera como música, denominando-a “música para o teatro.”

A obra

Pense-se o que se pensar acerca das credenciais filosóficas de algumas das questões que interessam aos filósofos da música, a questão do estatuto ontológico da obra musical parece inequivocamente filosófica. Quem mais se não um filósofo, pode-se muito bem perguntar, poderia levantar tal questão, ou estar interessado na resposta?

A ontologia musical emergiu na década de 1960, na forma de duas respostas opostas, para a mesma questão: O que é uma obra musical? O termo “objecto artístico” sugere claramente o tipo de obra de arte que pode, pelo menos à primeira vista, identificar-se com um objecto físico, localizável no espaço e no tempo. Mas se o “objecto” em questão é uma obra musical, parece claro que não está localizado seja onde for. A Mona Lisa está no Louvre. Onde está a Quinta Sinfonia de Beethoven?

Não obstante, há objectos físicos, de uma maneira geral, associados às obras musicais, nomeadamente as suas execuções. Uma das direcções seguidas pela ontologia musical foi a platónica, considerando as obras musicais como universais ou tipos e as execuções como os seus exemplos ou espécimes. A outra direcção, esquivando-se ao espectro das entidades platónicas intemporais, infísicas, identifica a obra musical com a classe das suas execuções. Ambas as direcções têm problemas, mas o modelo platónico, algo surpreendentemente, tem sido o mais explorado.

O principal problema do platonismo musical tem sido o aparente conflito entre duas intuições básicas. As entidades platónicas são intemporais e portanto não podem começar a existir, ao passo que as obras musicais começam de facto a existir, são criadas, através do trabalho e inspiração dos seus compositores. Os platonistas do tipo mais imprático tentaram argumentar que podemos preservar a nossa noção dos compositores como artistas “criativos” inspirados, num sentido ou noutro, engolindo ao mesmo tempo o sapo platónico e afirmando que as obras musicais são descobertas em vez de alguém as fazer existir. Outros platonistas mais moderados optaram por um género de universal ou tipo que começa a existir no acto criativo do compositor mas que, noutros aspectos, preserva o carácter de um universal ou tipo platónico de modo a tornar a distinção universal/particular ou tipo/espécime adequada ao que pretendem afirmar acerca da relação entre as obras e as suas execuções. A última abordagem parece mais popular no início do século XXI ao passo que a tentativa de identificar as obras com classes das suas execuções aparentemente ficou em águas de bacalhau.

A execução

Visto que as análises mais populares da obra musical a interpretam como um género de universal, com as execuções no lugar de particulares, seria de esperar uma bibliografia substancial sobre a execução musical. Mas até o final da década de 1990 isto não foi assim, tendo-se pressuposto que os executantes e as execuções são filosoficamente transparentes, não se pressentindo aí quaisquer quebra-cabeças conceptuais. Então, na década de 1990, um movimento no mundo prático do executante e da execução, o movimento a favor das chamadas “execuções historicamente genuínas”, começou a gerar um interesse considerável entre os filósofos pela relação entre a execução e a obra, o executante e o compositor. O projecto historicista em musicologia, durante tanto tempo direccionado para estabelecer os textos musicais que são historicamente genuínos, direccionou-se, na década de 1990, também para a autenticidade histórica da execução musical do texto autenticado, com o resultado prático de cada vez mais execuções de música composta antes do século XIX se tornarem tentativas de reproduzir, tanto física como interpretativamente, o tipo de execução que o próprio compositor tinha em mente quando a compôs.

Após o virar do século, os filósofos começaram a lançar um olhar analítico sobre o conceito de “execução historicamente genuína” e sobre o imperativo estético que supostamente o move. O que é uma execução historicamente genuína? Será a que reproduz um objecto físico ou um objecto intencional? Será que a integridade do texto musical exige uma execução historicamente genuína, ou será que o texto sobrevive a uma execução ousadamente moderna? Será o executante um artista por si, segundo a tradição, ou será este a máquina do compositor? Haverá uma execução ideal de uma obra e será esta a historicamente genuína? Estas questões começaram a gerar artigos e livros interessantes não apenas para a comunidade filosófica mas também para a comunidade musical. Além disso, o que a comunidade musical escreveu acerca da execução é agora sujeito ao escrutínio filosófico. Os resultados ainda não chegaram.

As recompensas da audição

Por fim, que contribuição de valor dá a arte da música absoluta à experiência humana? Que tipo de satisfação proporciona? Schopenhauer argumentou que, como a música absoluta satisfaz da mesma maneira que as outras belas-artes, que são inquestionavelmente artes representacionais, também a música absoluta tem de ser uma arte representacional. Procurou então arduamente um objecto que a música absoluta pudesse representar, fixando-se na vontade metafísica — um resultado que poucos hoje considerariam plausível. Seja como for, os que interpretam o cânone da música absoluta em termos narrativos estão implicitamente comprometidos com o argumento geral de Schopenhauer, se não com a sua conclusão acerca da relação entre a música e a vontade. Pois a procura de histórias nas sinfonias pressupõe que a satisfação proporcionada por tal música exige uma explicação e como a satisfação das formas de arte temporais reside na sua capacidade narrativa, o mesmo tem de se aplicar à arte temporal da música absoluta. (O próprio Schopenhauer, todavia, não leva o seu argumento até este extremo.)

Os formalistas, evidentemente, têm de encontrar outras fontes para o valor e satisfação da música absoluta. Uma resposta claramente ao espírito schopenhauriano é que a música absoluta proporciona um tipo de fuga, uma libertação a partir do mundo, a partir deste vale de lágrimas, para um mundo de puras formas sonoras. As artes representacionais e narrativas, ancoradas como estão a este mundo, não podem proporcionar esta libertação. Outra resposta consiste simplesmente em rejeitar a questão. Não há qualquer mistério acerca dos prazeres da música absoluta. Estes residem simplesmente em todas as componentes da música absoluta de que falam os críticos musicais, os analistas e os teorizadores. É óbvio por que estas componentes nos agradam. Nenhuma resposta suplementar, afirma-se, é precisa ou está sequer disponível.

Será o prazer da música absoluta um mistério ou um pseudomistério? Seja qual for a resposta, a música absoluta, desde meados da década de 1950, tornou-se um tópico de enorme interesse na filosofia da arte e a filosofia da música tornou-se uma subdisciplina reconhecida do campo. O interesse não dá sinais de diminuir.

Peter Kivy

Retirado de Encyclopedia of Philosophy, 2.ª ed., org. Donald M. Borchert (Macmillan Library Reference, 2005)


Bibliografia

A música e as emoções

Aristóteles. Politics. In The Complete Works of Aristotle: The Revised Oxford Translation, org. Jonathan Barnes. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1984. Livro 8, Capítulo 5.
Davies, Stephen. Musical Meaning and Expression. Ithaca, NY: Cornell University Press, 1994. Capítulos 4-6.
Hanslick, Eduard. On the Musically Beautiful. Trad. Geoffrey Payzant. Indianapolis, IN: Hackett, 1986. Capítulos 1, 2, and 4.
Kivy, Peter. The Corded Shell: Reflections on Musical Expression. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1980.
Langer, Susanne K. Philosophy in a New Key. New York: Mentor Books, 1959. Capítulo 8.
Levinson, Jerrold. Music, Art, and Metaphysics. Ithaca, NY: Cornell University Press, 1990. Capítulo 13.
Levinson, Jerrold. The Pleasures of Aesthetics. Ithaca, NY: Cornell University Press, 1996. Capítulo 6.
Plato. Republic. In The Collected Dialogues of Plato. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1963. Livros 3 e 10.
Pratt, Carroll C. The Meaning of Music. New York: McGraw-Hill, 1932.
Strunk, Oliver, org. Source Readings in Music History: From Classical Antiquity through the Romantic Era. New York: Norton, 1950. Secção 8.
Formalismo

Gurney, Edmund. The Power of Sound. London: Smith, Elder, 1880.
Hanslick, Eduard. On the Musically Beautiful. Trad. Geoffrey Payzant. Indianapolis, IN: Hackett, 1986. Capítulos 3.
Kivy, Peter. The Fine Art of Repetition. Cambridge, U.K.: Cambridge University Press, 1993. Capítulos 18 e 19.
Kivy, Peter. Music Alone: Philosophical Reflections on the Purely Musical Experience. Ithaca, NY: Cornell University Press, 1990.
McClary, Susan. Feminine Endings: Music, Gender, and Sexuality. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1991. Capítulo 3.
Meyer, Leonard. Emotion and Meaning in Music. Chicago: University of Chicago Press, 1956.
Newcomb, Anthony. “Once More 'Between Absolute and Program Music': Schumann's Second Symphony.” Nineteenth-Century Music 7 (1984): 233-250.
Compreensão musical

Kivy, Peter. Music Alone: Philosophical Reflections on the Purely Musical Experience. Ithaca, NY: Cornell University Press, 1990. Capítulo 6.
Levinson, Jerrold. Music in the Moment. Ithaca, NY: Cornell University Press, 1997.
Tanner, Michael. “Understanding Music.” Proceedings of the Aristotelian Society, supp. vol. 59.
Representação

Kivy, Peter. Sound and Semblance: Reflections on Musical Representation. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1984.
Robinson, Jenefer. “Music as a Representational Art.” In What Is Music? edited by Philip Alperson. University Park: Pennsylvania State University Press, 1994. Capítulo 6.
Scruton, Roger. “Representation in Music.” Philosophy 51 (1976).
Palavras e música

Kerman, Joseph. Opera as Drama. New York: Vintage Books, 1956.
Kivy, Peter. Osmin's Rage: Philosophical Reflections on Opera, Drama, and Text. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1988.
Levinson, Jerrold. The Pleasures of Aesthetics. Ithaca, NY: Cornell University Press, 1996. Capítulo 4.
Robinson, Paul. Opera and Ideas from Mozart to Strauss. New York: Harper and Row, 1985.
A obra

Goodman, Nelson. Linguagens da Arte: Uma Abordagem a uma Teoria dos Símbolos. Trad. Desidério Murcho e Vítor Moura. Lisboa: Gradiva, 2006 (original de 1968). Capítulos 4 e 5.
Ingarden, Roman. The Work of Music and the Problem of Its Identity. Translated by Adam Czerniawski. Berkeley: University of California Press, 1986.
Kivy, Peter. The Fine Art of Repetition. Cambridge, U.K.: Cambridge University Press, 1993. Capítulos 2-4.
Levinson, Jerrold. Music, Art, and Metaphysics. Ithaca, NY: Cornell University Press, 1990. Capítulos 4 e 10.
Wollheim, Richard. Art and Its Objects: An Introduction to Aesthetics. New York: Harper and Row, 1968. Secções 1-39.
Wolterstorff, Nicholas.Works and Worlds of Art. Oxford: Clarendon Press, 1980. Parte 2.
A execução

Davies, Stephen. Musical Works and Performances: A Philosophical Exploration. Oxford: Clarendon Press, 2001.
Dipert, Randall R. “The Composer's Intentions: An Evaluation of Their Relevance for Performance.”Musical Quarterly 66 (1980).
Godlovitch, Stan. Musical Performance: A Philosophical Study. London: Routledge, 1998.
Kivy, Peter. Authenticities: Philosophical Reflections on Musical Performance. Ithaca: Cornell University Press, 1995.
As recompensas da audição

Budd,Malcolm. Values of Art: Pictures, Poetry, and Music. London: Penguin Books, 1995.
Kivy, Peter. Philosophies of Arts: An Essay in Differences. Cambridge, U.K.: Cambridge University Press, 1997. Capítulo 7.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Estas são as teorias econômicas predominantes no mundo

por Aurelio Jiménez - El Blog Salmón
Ao longo da história cada sociedade teve de decidir quais os mecanismos que deveria adotar para enfrentar o caminho certo para os seus problemas econômicos e buscar soluções aceites pela população. Por esta razão, surgiram os denominados sistemas econômicos - que não são mais do que diferentes formas de organizar uma sociedade, a fim de resolver os seus problemas econômicos básicos: o de produzir? Como produzir? Para quem a produzir?
Como poderá-se imaginar, tem havido muitas teorias que se tem sucedido sobre qual sistema econômico é mais eficaz ou qual a forma de organização é melhor para a sociedade. Este debate está ainda hoje e podemos encontrar economistas que defendem uma posição e economistas que defendem o contrário.
Para evitar ficar perdido, vamos rever as principais doutrinas econômicas que têm existido ao longo da história: a escola clássica, o marxismo, escola neoclássica e a escola keyneasiana.

A escola clássica

Esta corrente do pensamento econômico começou em 1776 com a publicação do livro "A Riqueza das Nações" por Adam Smith e ainda hoje é defendido com unhas e dentes por um número de economistas. Além de Adam Smith, outros grandes escritores desta escola foram David Ricardo, Thomas Malthus, Jean-Baptiste Say e John Stuart Mill.
Adam Smith 2
A ideia principal desta doutrina é que a economia tende a equilibrar-se sem regulamentação por parte do Estado. Ou seja, a livre competição define a produção, atendendo às necessidades e distribuição de renda. Entre os economistas clássicos é expressão popular "laissez faire, laissez passer" (deixar fazer, deixar passar), convencido de que o melhor governo é o menos envolvido na economia. Esses economistas são precursores do liberalismo econômico e do capitalismo.
Os economistas clássicos argumentam que são os agentes privados que buscando seus próprios interesses conseguem incrementar o bem comum, sem pretendê-lo. Eles fazem isso guiados pela "mão invisível" do mercado, famosa expressão cunhada pelo pai do liberalismo, Adam Smith.
A escola clássica respeita a ideia de que a principal fonte de riqueza vem do comércio. Em adição, eles forneceram importantes métodos de análise para estudar a economia como um todo. Adam Smith, por exemplo, contribuiu para a ciência econômica com o princípio de que a divisão do trabalho e especialização são fatores-chave para o crescimento econômico.

O marxismo

Ao longo dos anos, dentro da escola clássica surgiu uma corrente crítica com os paradigmas do liberalismo econômico: o marxismo. Esta teoria centra-se na figura de Karl Marx (1818-1883) e sua obra mais famosa: "O Capital". Para Marx, todos os períodos históricos são o resultado da estrutura produtiva da sociedade e argumenta que a história não é senão uma fase contínua de luta de classes entre exploradores e explorados.
Marx
Uma das contribuições mais importantes de Marx em seu trabalho foi a teoria do valor-trabalho. De acordo com isto, o valor dos produtos é determinado pela quantidade de trabalho que é incorporado na produção, de modo que apenas uma parte desse valor atinge trabalhadores em salários, enquanto a maior parte se destina a remuneração os proprietários de fábricas e capital.
Para Marx, a forte concorrência entre capitalistas leva a formas de produção de bens e serviços cada vez mais intensivos de capital, a fim de expandir a produção em detrimento dos concorrentes, levando a uma concentração progressiva do capital em umas poucas mãos. Por sua vez, há uma diminuição dos salários de funcionários e piora das condições de vida da população.
Como um resultado desses fatores, os recursos, mercados, incapazes de absorver a oferta dos produtores estão esgotados, e grandes crises cíclicas que exigem a intervenção do Estado para regular a atividade econômica em que ocorrem. Esta dinâmica iria levar a uma revolução social que acabaria com o sistema capitalista e conduziria ao estabelecimento de um sistema comunista.

A escola neoclássica

Ele surgiu em meados do século XIX a partir do desenvolvimento da teoria marginal de valor, de modo que a sua contribuição fundamental e revolucionária do pensamento econômico clássico é o denominado marginalismo, que introduz na ciência econômica novos métodos e abordagens, a saber o microeconômico.
marechalAlfred Marshall
O pensamento neoclássico centra-se em quatro pontos básicos:
  • Os fenômenos econômicos são explicados pela medição do momento último ou"margem", já que a valorização do mesmo é a base para a tomada de decisões.
  • Seu campo de ação são as unidades econômicas individuais, ou seja, a microeconomia .
  • Seu método de análise é muito semelhante ao usado por economistas clássicos: abstrato e dedutivo. Parte do que é considerado um estado ideal da economia, a livre concorrência, e a partir daí se estuda os demais como variantes.
  • Levam em conta os aspectos subjetivos na tomada de decisões econômicas.
A difusão, a extensão e o auge do pensamento neoclássico se devem, em adição à força de suas idéias e manifestações, suas contribuições vêm de autores que realizaram seus estudos de forma independente e em vários países simultaneamente. O mais relevante foram William Stanley Jevons, Carl Menger, Leon Walras e Alfred Marshall .

A escola keynesiana

Os principais ideólogos da escola keynesiana são baseados no trabalho de John Maynard Keynes chamada "Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda", que foi publicado em 1936. Keynes recua neste trabalho dos tópicos do pensamento econômico atual até então, influenciando decisivamente as políticas econômicas nos países industrializados após a Segunda Guerra Mundial.
KeynesJohn Maynard Keynes
A escola keynesiana reconhece que o mercado não é perfeito e que este tem defeitos, de modo que a intervenção do Estado na atividade econômica é necessária e essencial para lidar com eles. Keynes é o principal precursor de economia mista e do Estado social, tal como o conhecemos hoje.
As contribuições de Keynes deram origem a um novo liberalismo que, embora mantendo o sistema de livre empresa, deu ao Estado um papel que tinha sido negado por economistas clássicos e neoclássicos. O problema é que ao longo do tempo a despesa pública dos governos individuais que optaram por esta fórmula tem aumentado e os diferentes estados de bem-estar estão se tornando economicamente inviável.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Estados Unidos vira as costas para o livre comércio: Trump cancela o TPP

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Em uma reviravolta dramática da política comercial que os governos americanos têm seguido ao longo de décadas, o novo presidente Donald Trump decidiu (como prometido em campanha) que o Estados Unidos abandonaria o TPP (Parceria Trans-Pacífico). Este acordo foi destinado para unir comercialmente doze nações em ambos os lados do Pacífico, principalmente Estados Unidos e Japão, primeira e terceira economias do mundo.
Trump lança um sinal protecionista claro. Acordos de livre comércio garantem aos americanos a preeminência sobre muitos mercados mundiais, mas em contrapartida inundam o país de produtos estrangeiros produzidos de forma mais barata em lugares como México. Trump ganhou as graças de eleição com a sua inesperada vitória no estados do 'cinturão da ferrugem', zonas industriais em declínio, onde as classes trabalhadoras temem que novos acordos de livre comércio envolvendo produtos estrangeiros mais baratos e, portanto, menos incentivo para fabricar nos Estados Unidos.

O que é exatamente o TPP?

É uma proposta de acordo de comércio formalizado em 2016, depois de sete anos de negociações entre Estados Unidos, Japão, Canadá, México, Peru, Chile, Austrália, Nova Zelândia, Malásia, Cingapura, Vietnã e Brunei (países que representam 40% da economia em todo o mundo). Ele propõe cortar a 18.000 tipos de tarifas e simplificação dos procedimentos aduaneiros, entre todos os países envolvidos.
Dentro de sua extensa regulamentação, o TPP contém importantes medidas de protecção do ambiente (por exemplo, contra a pesca insustentável, exploração madeireira ilegal e tráfico de espécies protegidas). Ele também obriga todos os Estados signatários a aderir à Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. Um aspecto particularmente importante do Tratado é a regulação da propriedade intelectual, um dos principais pontos de desacordo entre o Estados Unidos e países do Sudeste Asiático.
Ele também inclui mecanismos de arbitragem que têm sido uma das principais fontes de críticas, ao reconhecer o direito das empresas privadas de processar os governos dos países participantes que violem os termos da aliança.
mapa TPPFonte: Departamento de Estado dos EUA

Que mal poderia significar o TPP para a América?

O maior medo dos trabalhadores industriais no TPP é que isso iria servir para empresas que produzem atualmente na América mudarem-se para fazê-lo em países como a Malásia e Vietnã, como aconteceu com o México, quando o Nafta foi assinado. O acordo também acabaria com os atuais produtos agrícolas protecionistas americanos, removendo as tarifas completamente.
A possível perda de empregos industriais e agrícolas no curto prazo é a principal razão pela qual Trump tem veementemente sido contra o pacto. Muitos acadêmicos pouco suspeitos de simpatizar com Trump, como o ganhador do prêmio Nobel Joseph Stiglitz, também criticaram a perda de emprego que poderia significar o tratado em troca de um benefício econômico futuro e incerto.
Há outras questões colaterais que são criticadas a partir dos Estados Unidos desde que o TPP vai além de um mero acordo de comércio e regula muitos outros aspectos das economias envolvidas. Tem-se dito, por exemplo, que as propostas contra a manipulação de divisas do pacto limitam a política monetária americana. Desde os sindicatos e os movimentos civis se critica que o TPP teve em conta as necessidades das grandes empresas americanas, mas não as dos seus trabalhadores .

Que oportunidades são perdidas com o seu abandono?

Fundamentalmente, se perde a oportunidade de criar um mercado de 800 milhões de pessoas, que abrange 40% da economia mundial, aumentar as oportunidades comerciais para todos os estados participantes (como aconteceu no seu dia, por exemplo, com o mercado comum europeu ). Para o Estados Unidos, o TPP suposto para tornar-se o maior parceiro comercial da região do Pacífico, o reforço de uma posição dominante na área antes da expansão China. A retirada dos EUA deixa o caminho aberto para a China assinar tratados semelhantes, de modo que as empresas chinesas irão substituir grande parte dos investimentos norte-americanos que já não vão realizar.
Para os países menos desenvolvidos envolvidas no acordo, o TPP envolveu a redução de barreiras para vender em mercados desenvolvidos, como Estados Unidos, Japão e Austrália, com possibilidades econômicas óbvias que isso implica. No longo prazo, ademais, a adesão ao TPP (com suas medidas anti-corrupção, ambientais, etc.) iria ser uma melhoria estrutural das instituições e condições de trabalho.
Para o Japão, o único país com data para assinar o pacto, talvez a implosão do TPP represente a última oportunidade de lidar com a China como a primeira potência econômica asiática. O Japão já anunciou que o TPP não tem sentido sem o Estados Unidos .

Quais são os próximos passos na política comercial Trump?

Trump já anunciou a sua intenção de rever o NAFTA - o acordo de livre comércio que agrupa Estados Unidos, Canadá e México, visto por muitos como responsável pela deslocalização de milhares de empregos nos EUA para o país latino-americano. Este anúncio, de acordo com suas promessas eleitorais, pode ter graves consequências para a economia mexicana, cuja moeda já desvalorizou acentuadamente desde a eleição do novo presidente.
A outra grande vítima da política comercial Trump vai com toda a probabilidade o Acordo de Livre Comércio Transatlântico (TTIP) , um acordo de comércio semelhante ao TPP entre o Estados Unidos e a União Europeia. Este tratado está em um estágio menos avançado do que o TPP, e também está encontrando forte oposição na Europa, tanto à esquerda, tradicionalmente protecionista, como na agora poderosa direita nacionalista. Considerando a situação em ambos os lados do Atlântico é susceptível de ser dado arquivado até pelo menos dentro de quatro anos.
Mais informações | O texto completo do TPP

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O que os professores estão escrevendo... Ninguém está lendo

A maioria dos acadêmicos ocidentais de hoje estão usando seu capital intelectual para responder a perguntas que ninguém está fazendo em páginas que ninguém está lendo...

por  - The Imaginative Conservative


Daniel lattier professorProfessores geralmente gastam cerca de três a seis meses (por vezes mais tempo) pesquisando e escrevendo, a fim de enviar um artigo de vinte e cinco páginas para um jornal acadêmico. E a maioria experimentam uma pontada de emoção quando, meses depois, eles abrem uma carta informando-os de que seu artigo foi aceito para publicação e, portanto, será lido por ...
... uma média de dez pessoas.
Sim, você leu corretamente. Os números relatados por estudos recentes são bastante sombrios:

Oitenta e dois por cento dos artigos publicados nas humanidades nem sequer são citados uma vez.
Dos artigos que são citados, apenas vinte por cento foram realmente lidos.
Metade dos trabalhos acadêmicos nunca são lidos por ninguém além de seus autores, revisores de pares e editores de periódicos.
Então, qual é a razão para essa loucura? Por que o mundo continua a ser submetido a pouco menos de dois milhões de artigos de periódicos acadêmicos a cada ano?
Bem, a principal razão é dinheiro e segurança no trabalho. O objetivo de todos os professores é obter posse, e agora, a permanência continua a ser concedido com base em parte sobre o número de publicações revistas pelos pares que eles têm. Comitês de posse tratam essas publicações como prova de que o professor é capaz de realizar pesquisas maduras.
Infelizmente, no entanto, muitos artigos acadêmicos hoje são meramente exercícios em um professor que eu conhecia chamado de "plágio criativo": rearranjos de pesquisa anterior com uma nova tese anexada a eles.
Outra razão é o aumento da especialização na era moderna, que é em parte devida à divisão das universidades em várias disciplinas e departamentos onde cada um persegue sua própria lógica.
Um efeito lamentável dessa especialização é que o assunto da maioria dos artigos os torna inacessíveis ao público e até mesmo à esmagadora maioria dos professores. (Confie em mim: A maioria dos acadêmicos não querem nem ler jornais dos seus pares.) Alguns dos títulos nas mais recentes edições do Journal of the American Academy of religion - que se proclama como "o jornal acadêmico superior no campo da Estudos religiosos "- servem como prova:
  • “Dona Benta’s Rosary: Managing Ambiguity in a Brazilian Women’s Prayer Group”
  • “Death and Demonization of a Bodhisattva: Guanyin’s Reformulation within Chinese Religion”
  • “Brides and Blemishes: Queering Women’s Disability in Rabbinic Marriage Law”
Assim, o aumento da especialização levou ao aumento da alienação não só entre os professores e o público em geral, mas também entre os próprios professores.
Tudo isso é muito lamentável. Idealmente, as grandes mentes acadêmicas de uma sociedade devem ser postas em ação para construir essa sociedade e resolver seus problemas. Em vez disso, a maioria dos acadêmicos ocidentais de hoje estão usando seu capital intelectual para responder a perguntas que ninguém está perguntando, em páginas que ninguém está lendo.
Que desperdício.

Educação liberal: experiência em coisas bonitas

por Leo Strauss

biblioteca

A educação liberal, que consiste na interação constante com as maiores mentes, é um treinamento na mais alta forma de modéstia, para não dizer de humildade. É ao mesmo tempo um treinamento em audácia: exige-nos a ruptura total com o ruído, a pressa, a irreflexão, a barateza da Feira da Vaidade dos intelectuais, bem como dos seus inimigos. Exige de nós a audácia implícita na determinação de considerar os pontos de vista aceitos como mera opinião, ou de considerar as opiniões médias como opiniões extremas que são pelo menos tão susceptíveis de serem erradas quanto as opiniões mais estranhas ou menos populares. A educação liberal é a libertação da vulgaridade. Os gregos tinham uma bela palavra para "vulgaridade"; chamaram-lhe apeirokalia, a falta de experiência em coisas bonitas. Educação liberal fornece-nos com experiência em coisas bonitas. 

(Leo Strauss,  liberalismo antigo e moderno)

Trumpnizando o capitalismo

A Presidência Trump, como as revoltas anti-establishment na Europa e em outros lugares, forçará o mundo inteiro a começar a fazer perguntas fundamentais sobre como a relação entre mercados e governos na próxima fase do capitalismo global deve evoluir. Sob Trump, as políticas econômicas dos EUA nos próximos quatro anos são muito improváveis ​​de fornecer a resposta certa; Mas sua administração pode pelo menos mostrar ao mundo o que não fazer.
A inauguração de Donald Trump como o 45º presidente dos Estados Unidos é amplamente visto com o início do fim da ordem capitalista pós-1945 que se tornou globalmente dominante após o fim da Guerra Fria. Mas é possível que o Trumpismo seja realmente começo do fim? Poderia a vitória de Trump marcar o fim de um período de confusão pós-crise, quando o modelo econômico que falhou em 2008 foi finalmente reconhecido como irremediavelmente quebrado, e o início de uma nova fase do capitalismo global, quando uma nova abordagem de gestão econômica evolui gradualmente?
Anatole KaletskySe a história é um guia, o quase colapso do sistema financeiro global em 2008 sempre foi susceptível de se refletir - após um período de cinco anos ou mais - em desafios para as instituições políticas existentes e ideologia econômica dominante. Como já  expliquei recentemente  - e descrito em maior detalhe no meu livro de 2010  Capitalismo 4.0 - esta foi a sequência de eventos que se seguiram a crises sistêmicas anteriores do capitalismo global: ao imperialismo liberal segui-se as revoluções 1840; o keynesianismo seguiu-se à Grande Depressão dos anos 1930; e o fundamentalismo de mercado de Thatcher-Reagan seguiu a Grande Inflação da década de 1970. Poderia o Trumpismo - entendido como uma resposta defasada à crise de 2008 - anunciar o surgimento de um novo regime capitalista?
Esta questão pode ser dividida em três partes: as políticas econômicas da Trump podem funcionar? O programa econômico de seu governo será politicamente sustentável? E que impacto o Trumpismo pode ter sobre o pensamento econômico e as atitudes em relação ao capitalismo em todo o mundo?

Trickle-Down Redux

Na primeira dessas questões, alguns  comentarista do Project Syndicate veem alguns motivos para a esperança, mas a maioria são profundamente pessimistas, uma postura simbolizada pelo Prêmio Nobel  Joseph Stiglitz"Na verdade, não há nenhum revestimento prateado para a nuvem que agora paira sobre os EUA e o mundo", argumenta. "A única coisa que sai Trump das promessas de maior infra-estrutura e gastos de defesa com grandes cortes de impostos e redução do déficit é uma dose pesada do que costumava ser chamado de economia voodoo." Para Stiglitz, Trump representa uma re-promulgação da era Reagan socialmente economia regressivas trickle-down, mas com a adição de mais dois ingredientes letais  -  uma  guerra comercial com a China e uma perda de acesso aos cuidados de saúde  para milhões de pessoas.
As consequências políticas, segundo Stiglitz, serão desastrosas. A experiência mostra que essa história "não termina bem para os eleitores irritados e deslocados de Trump", que serão tentados a buscar ainda mais agressivamente bodes expiatórios quando perceberem quão profundamente Trump traiu seus interesses.
Simon Johnson , do MIT Sloan e do Instituto Peterson de Economia Internacional chega a uma conclusão similar. As prioridades de política econômica de Trump são refletidas em seu gabinete proposto, que representa uma mudança dramática para a "oligarquia direta": controle direto do Estado por pessoas com substancial poder econômico privado", diz Johnson. "Trump parece determinado a reduzir os impostos sobre a renda para os americanos de alta renda, bem como a reduzir o imposto sobre os ganhos de capital (principalmente pagos pelos ricos) e quase eliminar os impostos corporativos (novamente, beneficiando desproporcionalmente os mais ricos)".
Johnson, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, observa que Trump lidera "uma coalizão de empresários que erroneamente acreditam que o protecionismo é uma boa maneira de ajudar a economia" e "fundamentalistas de mercado" que são Determinados a cortar impostos. Para consolidar essa coalizão, os fundamentalistas de mercado estão adotando o protecionismo, justificando as tarifas de importação propostas pela Trump como uma maneira de pagar pela redução dos impostos corporativos. As tarifas, no entanto, são equivalentes ao aumento do imposto sobre vendas. Assim, o resultado será "desviar a atenção do essencial de sua política: impostos mais baixos para os oligarcas", pagos por "impostos mais altos - para não mencionar perdas significativas de empregos altamente remunerados" (como resultado do protecionismo) "Para quase todos os outros."
Ao contrário de Johnson, da Universidade de Harvard  Martin Feldstein, que serviu como presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente Ronald Reagan, congratula-se com a perspectiva de uma redução nas taxas marginais de imposto. Feldstein argumenta que as políticas do presidente Barack Obama continuaram uma "mudança na carga tributária insalubre para aqueles com os maiores níveis de renda" desde a era Reagan.
Mas enquanto Feldstein favorece a ampliação da base tributária dos americanos mais ricos de uma "forma neutra de receita", ele é cético sobre a assinatura das promessas de Trump de salários mais altos, mais empregos de "classe média" e maior crescimento econômico. "A economia tem essencialmente atingido o pleno emprego, com a taxa de desemprego em 4,9% em outubro", observa. O mercado de trabalho mais apertado, por sua vez, levou os preços ao consumidor a "subir 2,2% no ano passado, ante 1,9% no ano anterior", enquanto "os salários dos trabalhadores da produção aumentaram 2,4%". "Nenhuma razão para procurar um aumento na demanda agregada neste momento."

Esperanças Estranhas

Como o ceticismo de Feldstein demonstra,  os pontos de vista dos comentadores do Project Syndicate da Trumponomics não caem ordenadamente ao longo de linhas ideológicas. Na verdade, o economista do desenvolvimento de Harvard  Dani Rodrik, certamente nenhum fundamentalista de mercado, encontra razão para ter esperança na oposição de Trump de "livre comércio" ofertas carregadas de provisões que não têm nada a ver com o comércio. Como ele  diz, "Adam Smith e David Ricardo iriam virar em seus túmulos se lerem a Parceria Trans-Pacífico", com as preferências especiais que oferece indústrias específicas e interesses particulares, e outros acordos comerciais que mais recente Trump denunciou. Todos eles "incorporam regras sobre propriedade intelectual, fluxos de capital e proteções de investimento que são projetadas principalmente para gerar e preservar lucros para instituições financeiras e empresas multinacionais em detrimento de outros objetivos de política legítimos".
Assim, enquanto Rodrik deplora a política demagógica de Trump e suas afirmações "absurdas" sobre muitas de suas políticas, ele espera que a eleição de Trump prenda uma tendência de hiper-globalização que tem se movido mais rápido do que pode ser economicamente justificado. "Os economistas sabem há muito tempo que as falhas de mercado - incluindo mercados de trabalho mal-funcionando, imperfeições do mercado de crédito, externalidades ambientais e monopólios - podem interferir com os lucros do comércio", ele ressalta. No entanto, eles "minimizaram consistentemente" a capacidade da globalização de "aprofundar clivagens sociais, exacerbar problemas de distribuição e minar os acordos sociais domésticos" - todos os resultados que "afetaram diretamente as comunidades nos Estados Unidos".
O historiador econômico keynesiano Robert Skidelsky vê outras características positivas nas ideias políticas de Trump - e até mesmo em sua filosofia econômica. "O protecionismo de Trump remete a uma tradição norte-americana mais antiga de uma indústria manufatureira rica em salários e salariais que se afundaram com a globalização", diz Skidelsky, e até mesmo "o isolacionismo de Trump é uma maneira populista de dizer que os EUA precisam se retirar de compromissos que não tem nem o poder nem a vontade de honrar".
O mais importante de tudo é que, segundo Skidelsky, a proposta de Trump de um programa de investimentos de infra-estrutura de US$ 800 bilhões a US$ 1 trilhão, um corte maciço de impostos corporativos e uma promessa de manutenção de benefícios sociais somam-se a uma forma moderna de Política fiscal keynesiana". Como tal, o Trumpismo equivale a um" desafio direto à obsessão neoliberal com déficits e redução da dívida e à dependência da flexibilização quantitativa como a única e agora esgotada ferramenta de gestão da demanda ".
Skidelsky conclui: "O trumpismo poderia ser uma solução para a crise do liberalismo, não um sinal de sua desintegração." Se assim for, "os liberais não devem se afastar com nojo e desespero, mas sim envolver-se com o potencial positivo de Trumpismo. "As propostas de "Trump" precisam ser interrogadas e refinadas", segundo Skidelsky, "não descartadas como delírios ignorantes".
Na mesma linha, Kenneth Rogoff adverte contra deixar a desaprovação da política de Trump sobrecarregar uma apreciação econômica. O estímulo fiscal de Trump e a ênfase na desregulamentação impulsionarão a demanda na maneira keynesiana clássica e já estão fazendo alguns líderes empresariais "extáticos". Embora a desregulamentação não necessariamente "melhore o bem-estar do americano médio" e suas propostas fiscais "beneficiarão desproporcionalmente os ricos, "Eles poderiam fazer a economia dos EUA" mover significativamente mais rápido, pelo menos por um tempo. "É por isso que" é sábio lembrar que você não tem que ser um cara legal para começar a fazer andar a economia", conclui Rogoff. "Em muitos aspectos, a Alemanha teve tanto êxito quanto a América ao usar o estímulo para tirar a economia da Grande Depressão".
Na minha própria reação inicial à vitória de Trump, eu identifiquei cinco possíveis benefícios econômicos que poderiam compensar parcialmente os riscos óbvios de taxas mais elevadas de juros, guerras comerciais, um dólar mais valorizado, e os efeitos distributivos regressivos justificadamente criticado por Stiglitz, Johnson, e Rogoff. Os mais importantes são a promessa de um forte estímulo keynesiano ao crescimento, uma flexibilização dos regulamentos financeiros excessivamente zelosos que bloquearam muitos domicílios fora dos mercados hipotecários e algumas reformas tributárias sensatas, particularmente as que visam encorajar a repatriação de lucros pelas empresas dos EUA e ampliar o imposto base.

Nascido para perder

O sucesso ou o fracasso de Trump como presidente pode depender menos da evolução de variáveis ​​macroeconômicas como crescimento, emprego, salários e taxas de impostos do que das forças socioeconômicas subjacentes que impulsionaram sua campanha. Ao considerar tais forças, alguns  comentaristas de Project Syndicate focam a desigualdade de renda, enquanto outros enfatizam fatores culturais e demográficos. Mas todos concluem que, como um programa político, o Trumpismo é improvável que seja uma criação viável.
Se o aumento da desigualdade e o declínio dos rendimentos das classes médias fossem as principais causas da revolta populista americana, o Trumpismo acabaria por agravar, e não melhorar, essas queixas. "Salários (ajustados pela inflação) reais na parte inferior da distribuição de renda estão mais ou menos onde eles estavam há 60 anos", Stiglitz  observou  pouco antes da eleição. "Portanto, não é nenhuma surpresa que Trump encontre uma grande audiência receptiva quando ele diz que o estado da economia está podre".
No entanto, durante duas gerações, tanto os democratas quanto os republicanos insistiram que "a liberalização comercial e financeira" - as principais reformas subjacentes à globalização - "garantiria a prosperidade para todos". Não é de admirar, então, que os eleitores "cujo padrão de vida tenha Estagnado ou recusado ", concluiu que" os líderes políticos americanos não sabiam do que estavam falando ou estavam mentindo (ou ambos) ".
O dilema para Trump, Stiglitz sustenta, é que, embora claramente tenha se beneficiado da "raiva generalizada decorrente dessa perda de confiança no governo", suas políticas não a amenizarão. "Certamente, outra dose de economia trickle-down do tipo que ele promete, com  cortes de impostos  destinada quase totalmente nas corporações e americanos ricos, produziria resultados não melhores do que a última vez que foram julgados."
Robert Johnson, presidente do Instituto do novo pensamento econômico, oferece uma outra razão para que os eleitores de Trump sejam lesados pelos alargamento das desigualdades de riqueza e poder estão em um despertar rude. Não foi por acaso, observa Johnson, que durante as primárias do partido, apenas Trump e o senador Bernie Sanders, do lado democrata, "fixaram suas vistas no que mais importava aos eleitores: uma economia política na qual os eleitos promoveram fortemente uma prosperidade ampla que inclua-os. "
Os outros candidatos, "constrangidos por um sistema que torna extremamente difícil financiar uma campanha política credível sem se vender servilmente para a faixa mais rica da sociedade americana", simplesmente não poderia ir até lá. "Esse sistema convidou a rebelião", argumenta Johnson, "e Trump e Sanders - por autofinanciamento e captação de recursos da base, respectivamente - estavam em posição ideal para liderar um".
Agora Trump "precisará encontrar remédios para os problemas sociais, econômicos e políticos que ele descreveu", continua Johnson. "Mas para fazer isso, ele terá que trabalhar dentro do mesmo sistema" fraudado "que ele correu contra, e ele terá que elaborar políticas que são realmente viáveis ​​e terá um efeito positivo sobre a vida dos americanos." E, porque a expansão fiscal de Trump "novamente desproporcionalmente beneficiará os ricos, sem gotejar para baixo para o resto dos americanos", desilusão vai definir.
Mas e se a desigualdade de renda não for a principal razão pela qual turmas de eleitores de classe média rejeitaram a política partidária tradicional e voltaram-se para Trump? E se, como  Michael Sandel, o filósofo político de Harvard, argumenta, as queixas dos eleitores "são sobre a estima social, não só sobre salários e empregos"?
Edmund Phelps, outro laureado com o prêmio Nobel de Economia, cita dados que suportam a hipótese de Sandel. "De fato, desde 1970, a remuneração agregada do trabalho (salários e benefícios marginais) cresceu um pouco mais lentamente do que os lucros agregados", observa Phelps, enquanto "o crescimento salarial médio na base da escala de renda não desacelerou em relação à "classe média". Por outro lado, "a remuneração média por hora dos trabalhadores do setor privado (funcionários de produção e não supervisores) cresceu muito mais lentamente do que a de todos os outros". Homens brancos de classe média, operários Em empregos de produção não-supervisores têm sofrido as maiores perdas.
Estes são também os trabalhadores que deixaram a força de trabalho mais rapidamente e são mais propensos a sucumbir à saúde precária, ao suicídio e à dependência de drogas. "Esses homens", como diz Phelps, "perderam a oportunidade de fazer um trabalho significativo e sentir um sentimento de agência; E eles foram privados de um espaço onde eles podem prosperar, ganhando a satisfação de ter sucesso em alguma coisa, e crescer em uma auto-realização vocação ".
Este é, naturalmente, precisamente o grupo demográfico que garantiu a vitória de Trump nos estados industriais do campo de batalha de Iowa, Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. Phelps acredita que as oportunidades econômicas para trabalhadores manuais nessas regiões só podem ser restauradas se o crescimento da produtividade for impulsionado nas indústrias manufatureiras "abrindo a concorrência, não apenas cortando regulamentos". Ele observa, no entanto, que as políticas de Trump de protecionismo comercial, Bullying "para preservar o emprego existente, e reduções de impostos voltadas para as grandes corporações são mais propensos a sufocar a inovação do que para promovê-lo.
O economista francês  Jean Pisani-Ferry  chega a uma conclusão semelhante a partir de uma perspectiva diferente. Pisani-Ferry propõe quatro explicações: o crescimento econômico fraco, a ampliação do crescimento econômico, o crescimento econômico e o crescimento econômico Desigualdade de renda, mudança tecnológica que elimina o emprego manual, mais um quarto fator menos familiar:
A nova desigualdade tem uma dimensão espacial politicamente saliente. Pessoas educadas, profissionalmente bem-sucedidas, cada vez mais se casam e vivem próximas umas das outras, principalmente em áreas metropolitanas grandes e prósperas. Os excluídos também se casam e vivem próximos uns dos outros, principalmente em áreas deprimidas ou pequenas cidades. [Como resultado], os condados dos EUA ganhos por Trump representam apenas 36% do PIB, enquanto os ganhos por Hillary Clinton representam 64%. A desigualdade espacial maciça cria grandes comunidades de pessoas sem futuro, onde a aspiração predominante só pode ser voltar o relógio.
Face a esses problemas socioeconômicos multifacetados, Pisani-Ferry acredita que "uma agenda sensata deve abordar simultaneamente suas dimensões macroeconômicas, educacionais, distributivas e espaciais". Não há evidência de que as propostas de política de Trump possam conseguir algo desse tipo. Pelo contrário, enquanto Skidelsky cita a promessa de Trump de não cortar direitos de bem-estar, os republicanos do Congresso têm a intenção de fazer exatamente isso. Com o apoio e incentivo de Trump, eles já começaram a desmantelar a reforma dos cuidados de saúde a assinatura de Obama, o Affordable Care Act, sem nada para substituí-lo - um movimento que o Escritório de Orçamento do Congresso  estimou recentemente  fará com que o número de sem um aumento de 18 milhões em O primeiro ano sozinho.

Capitalismo 4.1?

Tudo isso leva, finalmente, à questão de como a presidência de Trump provavelmente moldará o pensamento econômico global e o futuro do capitalismo. Phelps oferece um sombrio prognóstico. "A inovação americana começou a diminuir ou  diminui desde o final da década de 1960", observa ele, devido a "uma ideologia corporativista que permeia todos os níveis do governo". É verdade que "o Vale do Silício criou novas indústrias e melhorou o ritmo da inovação para um tempo curto"; Mas agora "ele, também, tem de encontro a retornos decrescentes."
Phelps vê a solução em uma restauração da "ideologia individualista sobre a qual o capitalismo prospera" e um renascimento do "espírito inovador da América - o amor de imaginar, explorar, experimentar e criar". Mas isso, ele acredita, não é a agenda de Trump. Trump "raramente mencionou a inovação", observa Phelps, "e sua equipe está considerando uma abordagem perigosa que poderia miná-la": um aumento na intervenção do governo, barreiras ao comércio e à concorrência e "uma expansão da política corporativa, Não foram vistos desde as economias fascista alemã e italiana da década de 1930. "Mas qualquer política que serve para" proteger os operadores históricos e bloquear os recém-chegados "irá muito provavelmente" levar um pico de prata para o coração do processo de inovação ".
Estou mais otimista quanto à perspectiva, pelo menos a longo prazo. Como escrevi em março passado: "O capitalismo é um sistema evolutivo que responde a crises, transformando radicalmente tanto as relações econômicas e instituições políticas. A mensagem das revoltas populistas de hoje é que os políticos devem rasgar seus livros de regras pré-crise e encorajar uma revolução no pensamento econômico".
Trump representa uma rejeição abrangente do pensamento econômico que tem dominado o mundo por uma geração. Dar forma ao novo pensamento econômico será o desafio mais importante para economistas e políticos nos próximos anos. Em minha opinião, a característica definidora de cada transformação sucessiva do capitalismo global tem sido uma mudança na fronteira entre a economia e a política, e entre a fé nas forças de mercado e a confiança na intervenção governamental.
Yoon Young-kwan, um ex-ministro das Relações Exteriores sul-coreano, faz uma observação semelhante. "Estamos em um interregno", escreve Yoon. "O populismo, o nacionalismo e a xenofobia flutuam na superfície de uma grande mudança de mar: uma mudança fundamental na relação entre o Estado e o mercado". A reconciliação desses dois domínios de atividade "é a preocupação central da economia política hoje, assim como Foi para Adam Smith no século XVIII, Friedrich List e Karl Marx no século XIX, e John Maynard Keynes e Friedrich von Hayek em seu longo debate sobre o tema durante as décadas medianas do século XX ".
E, de fato, Trump é apenas o sintoma mais agudo de um fenômeno global. "O descontentamento social e político", observa Yoon com razão, "continuará a crescer em todo o mundo até que devolvamos a relação entre o estado e o mercado a um equilíbrio saudável".
A Presidência Trump, como as revoltas anti-establishment na Europa e em outros lugares, forçará o mundo inteiro a começar a fazer perguntas fundamentais sobre como a relação entre mercados e governos na próxima fase do capitalismo global deve evoluir. Sob Trump, as políticas econômicas dos EUA nos próximos quatro anos são muito improváveis ​​de fornecer a resposta certa; Mas sua administração pode pelo menos mostrar ao mundo o que não fazer.