"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 11 de março de 2017

O paradoxo das baixas taxas de desemprego em 2013 e 2014

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
taxa de ocupação (PO/PIA) e taxa de desocupação
A economia brasileira, que havia apresentado um crescimento econômico relativamente elevado entre 2004 e 2010 (com forte redução do desemprego), entrou em uma fase de desaceleração do PIB nos anos de 2013 e 2014, em função do fim do superciclo das commodities e do insucesso da “Nova matriz econômica”, do primeiro governo Dilma Rousseff.
Na fase de expansão do Produto Interno Bruto, a taxa de ocupação (PO/PIA), nas seis maiores regiões metropolitanas do país, passou de 49,5% em dezembro de 2002 para 55,2% em dezembro de 2012 e a taxa de desocupação caiu de 10,5% para 4,6%, no mesmo período. Portanto, a taxa de ocupação subiu cerca de 6% e a taxa de desocupação caiu cerca de 6%. Estes números são coerentes com a teoria econômica, que estabelece uma relação inversa entre o crescimento da economia e do emprego com a redução do desemprego.
Porém, como mostra o gráfico abaixo, houve uma forte desaceleração do PIB entre 2012 e 2014 – com uma recessão econômica moderada nos 3 últimos trimestres de 2014. Em consequência, houve redução da taxa de ocupação, que passou de 55,2% em dezembro de 2012 para 53,3% em dezembro de 2014. Estes números são coerentes, pois o baixo desempenho do PIB significa redução das oportunidades de ocupação.
Todavia, a teoria econômica diz que a desaceleração do PIB e a queda da taxa de ocupação tem uma forte correlação com o aumento do desemprego. Mas não foi o que aconteceu em 2013 e 2014 no Brasil (especificamente nas 6 regiões metropolitanas mais dinâmicas). Mesmo com a falta de dinamismo da produção econômica e a redução da taxa de ocupação, o desemprego não aumentou. Ao contrário, a taxa de desocupação continuou caindo e passou de 4,6% em dezembro de 2012 para 4,3% em dezembro de 2014, segundo a PME do IBGE.

taxa trimestral de variação do PIB

Este fenômeno é conhecido como “Paradoxo do baixo desemprego”. Geralmente ele acontece quando uma parcela da população em idade ativa (PIA) deixa de procurar trabalho em função da baixa geração de emprego e do desalento com a economia. Nesta situação, as taxas de desemprego aberto deixam de refletir a crise do mercado de trabalho.
Durante a campanha eleitoral de 2014, as forças governistas apontavam as baixas taxas de desemprego aberto como prova do sucesso das políticas públicas e, em particular, do sucesso da “Nova matriz econômica”.
Porém, já havia outros indicadores apontando que as coisas não estavam andando bem no país. O fato político mais importante deste período foram as chamadas “jornadas de junho de 2013”, quando a juventude brasileira (especialmente das grandes cidades) foram para as ruas protestar contra o preço do transporte, contra a qualidade da educação, por mais oportunidades de ascensão social, etc. De maneira surpreendente, e quase espontânea, os jovens do país ocuparam os espaços públicos para dizer, como o Barão de Itararé, que “existia alguma coisa no ar, além dos aviões de carreira”.
As forças de esquerda do país não entenderam o clamor daquelas jornadas. A esquerda, em geral, acredita que tem o monopólio da mobilização das massas. Se o povo vai para a rua contra um governo de esquerda, então, é porque essa “massa de manobra” está sendo manipulada pela direita e pelos fascistas. As forças governistas – que se vangloriavam de “ter reduzido a pobreza, acabado com a fome e promovido uma grande inclusão social, de gênero e racial” – não podiam aceitar que o povo (uma parcela significativa da juventude) fosse às ruas exigir mais direitos e mais oportunidades.
Em artigo para o site Outras Palavras (07/02/2017), Tony Negri, faz uma análise crítica da posição do PT e do governo Dilma sobre as mobilizações de junho de 2013: “Primeira pergunta: por que o PT reprimiu as lutas modelo Occupy de 2013-2014 a ponto de desvirtuar o seu significado e permitir que a direita tivesse hegemonia sobre elas? A resposta que recebi dos expoentes do PT foi unívoca e terrivelmente decepcionante. Por parte de todos – este é um ponto realmente grave, por parte de todos sem nenhuma hesitação, sem qualquer arrependimento (ainda que muitas vezes com o embaraço da mentira) – obtive uma só resposta: esses movimentos ameaçavam desde o início a manutenção da nossa governabilidade. Não vou nem considerar comentários sem sentido, como quando alguém disse que as lutas de 2013 haviam sido inspiradas pela CIA, e isso não somente no Brasil, mas também no mesmo ciclo de Istambul e do Cairo… É claro que, a partir dessa declaração, evidentemente insensata, dá para concluir que o PT já tinha uma relação ruim com as populações metropolitanas, que, envolvidas na crise econômica do país e tocadas pela inflexão neoliberal das políticas de Dilma, pediam desde 2013 ao governo e ao município uma mudança de linha”.
De fato, o paradoxo do baixo desemprego terminou em 2015, quando a recessão se aprofundou e tanto o desemprego aberto como o desalento dispararam. Toda a expectativa gerada sobre o “Brasil 4ª Potencial Mundial” começou a se desfazer com o fim do superciclo das commodities, o que provocou desaceleração econômica, baixo crescimento do emprego e frustração da esperança de um futuro melhor. O governo Dilma e o PT começaram a perde legitimidade exatamente nas jornadas de junho de 2013 e entraram em crise derradeira com o alto desemprego de 2015 e 2016.
Segundo a PNAD Continua do IBGE, o desemprego aberto ultrapassou a taxa de 12% no final de 2016 e início de 2017 (12 milhões de pessoas procurando trabalho) e a “Taxa Composta da Subutilização da Força de Trabalho” ultrapassou a impressionante cifra de 22%, significando quase 25 milhões de pessoas desempregadas, desalentadas ou subutilizadas.
Estas questões foram tema central do artigo “Transformações e tendências do mercado de trabalho no Brasil entre 2001 e 2015: paradoxo do baixo desemprego?” de SIMÕES, ALVES e Silva (2016), publicado na Revista Brasileira de Estudos de População (REBEP). O artigo diz:
Os jovens têm sido proporcionalmente mais prejudicados no contexto da atual crise, e a desocupação tem hoje um perfil etário ainda mais desfavorável aos mais jovens do que no passado. Isso levanta preocupações do ponto de vista social e econômico, pois estes jovens excluídos do mercado de trabalho adquirem menos habilidades que podem impulsionar sua produtividade no futuro. Justificam-se, dessa maneira, os temores de que esta possa ser uma “geração perdida”, mais educada do que qualquer outra na história do país, mas que corre sérios riscos de não alcançar o máximo de suas possibilidades, tanto em termos de contribuição para o crescimento econômico quanto de realizações pessoais e projetos de vida” (p.561).
Para entender o paradoxo do baixo desemprego e a crise recente no mercado de trabalho vale a pena ler o artigo (Simões, Alves, Silva, 2016), disponível no link abaixo:
Referência:
SIMÕES, PHC. ALVES, JED. SILVA, PLN. Transformações e tendências do mercado de trabalho no Brasil entre 2001 e 2015: paradoxo do baixo desemprego? R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, v.33, n.3, p.541-566, set./dez. 2016 DOI: http://dx.doi.org/10.20947/S0102-30982016c0005

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 10/03/2017

sexta-feira, 10 de março de 2017

Aprendendo com a Grande Depressão

por Michael Roberts

Recentemente, o editor de economia do jornal The Guardian, no Reino Unido, Larry Elliott, apresentou-nos com uma comparação da Grande Depressão da década de 1930 e a de agora. Com efeito, Elliott argumentou que a economia mundial está em uma depressão semelhante à de 1930. A depressão dos anos 1930 começou com um crash da bolsa em 1929, seguido por um acidente bancário global e, em seguida, uma enorme queda na produção, do emprego e do investimento. Nesta ordem. O número de falências bancárias aumentou de uma média anual de cerca de 600 durante a década de 1920, para 1.350 em 1930 e, em seguida, atingiu o pico em 1933, quando 4.000 bancos quebraram. Durante todo o período 1930-1933, um terço de todos os bancos dos EUA faliram. Mas foi o crash da bolsa que foi o primeiro.
A Grande Depressão, como eu gosto de chamar a atual, começou com uma crise da habitação nos EUA, só então seguida por um acidente bancário global e, em seguida, uma enorme queda na produção, investimento e emprego. O rescaldo em ambas as depressões foi uma recuperação econômica a longo prazo, lenta e fraca, com muitas economias nacionais ainda não retornando aos níveis pré-colisão de produção, investimento ou rentabilidade.
Falando nisso, se alguém duvida que as principais economias (G20) não estão no que eu chamo de Longa Depressão, definido como o crescimento abaixo da tendência da produção, do investimento, da produtividade e do emprego, então considere este bom resumo por Wells Fargo economista da Banca dos indicadores-chave desde o fim da Grande Recessão em 2009 para os EUA, a economia que mais se recuperou.
Ele conclui que, durante o período 2008-2015, a redução média anual do nível do PIB real a partir da tendência foi de 9,9 por cento, 9,8 por cento no consumo pessoal e 10,7 por cento do rendimento pessoal disponível real. Durante o mesmo período, a perda média anual de investimento fixo das empresas foi de 20,1 por cento, 7,8 por cento no emprego e 6,9 ​​por cento na produtividade total dos fatores. A redução média na força de trabalho foi de 2,2 por cento, 7,9 por cento na produtividade do trabalho e 6,4 por cento em serviços de capital durante o período de 2008-2015.
"E não tem sido danos duradouros da Grande Recessão como o nível (tendência) do potencial de série (para todas as variáveis) deslocando-se para baixo. Estes resultados são consistentes com o ambiente econômico global desde a Grande Recessão. Ou seja, uma recuperação econômica dolorosamente lenta, juntamente com um crescimento mais lento nos pessoais de renda, emprego, salários e investimento fixo das empresas. "
Elliott ressalta que muito poucos economistas ou analistas previram o crash de 1929, no auge do boom enorme alimentado pelo crédito nos mercados de ações e expansão econômica. Da mesma forma, muito poucos previram a crise imobiliária dos EUA e a subsequente crise financeira global. Mas alguns fizeram.
A parte mais interessante do relato de Elliott são as razões dadas para a Grande Depressão da década de 1930 e se são as mesmas razões para a corrente Longa Depressão. Elliott cita o biógrafo de Keynes, Senhor Skidelsky, que a causa principal foi o endividamento excessivo. "Temos na Grande Depressão, pela mesma razão que em 2008: houve uma grande pilha de dívidas, não estava jogando na margem no mercado de ações, houve excesso de inflação de ativos, e as taxas de juros eram altas demais para suportar um nível de emprego cheio de investimento. "
Esta explicação é quase o convencional entre os economistas de esquerda e heterodoxos. Skidelsky combina os pontos de vista pós-keynesianos (Steve KeenAnn Pettifor) e alguns economistas (Mian e sufi) que destacam os níveis de endividamento do setor privado (em particular a dívida das famílias) - "grande pilha de dívida" - com a visão de Keynes que "as taxas de juros eram demasiado elevadas para suportar o pleno emprego".
Com efeito, no próximo mês, Steve Keen, levando pós-keynesiano e Minskyite, publica um novo livro no qual ele argumenta que "sempre crescentes níveis de dívida privada fazem uma outra crise financeira quase inevitável, a menos que os políticos enfrentem a dinâmica real causando instabilidade financeira." Ironicamente, Anne Pettifor acaba de publicar um novo livro que procura argumentar que a impressão de dinheiro (mais dívida?) poderia ajudar a levar a economia capitalista fora da sua depressão.
Agora há um monte de verdade no argumento de que o endividamento excessivo (ou crédito, que é apenas o outro lado do balanço) é um excelente indicador da iminente crashe financeiro. A dívida foi elevada em 1920 antes do acidente. Isto foi documentado por muitos estudos, incluindo o trabalho seminal de Rogoff e Reinhart. E Claudio Borio no Banco de Pagamentos Internacionais também construiu-se um peso de evidência para mostrar que é o nível e a taxa de aumento ou diminuição do crédito (com efeito, um ciclo de dívida) que é muito melhor indicador de falhas financeiras prováveis que a ideia neo-keynesiana de alguma estagnação secular de crescimento e um colapso na "demanda agregada" (a la Paul Krugman ou Larry Summers).
E não é por acaso que Steve Keen foi um dos poucos economistas a prever a queda iminente de 2008. Em meu livro, The Long Depression, dedico um capítulo inteiro a esta questão da dívida - o que Marx chamou de capital fictício. O crédito permite que a acumulação de capital seja estendido para além da criação de valor real, por um tempo. Mas isso também significa que, quando a eventual contração do investimento vem porque a rentabilidade em setores produtivos cai, então a queda é muito maior que a dívida deve ser amortizada com a desvalorização dos valores do capital. atos de crédito como um ioiô, sair e, em seguida, encaixar de volta. Por isso, "a dívida excessiva" é, sem dúvida, uma "causa" de acidentes, nesse sentido. A questão é o que faz com que seja "excessiva" - excessiva em que? Borio diz excessiva ao crescimento do PIB, mas, em seguida, o que determina?
O outro argumento que está ligado à causa "dívida excessiva" é a crescente desigualdade como a causa dos acidentes de 1929 e 2008. Como Elliott coloca: "enquanto os empregados viram a sua fatia do bolo econômico ficar menor, para os ricos e poderosos, os loucos anos vinte foram o melhor dos tempos. Nos EUA, a redução para metade da taxa máxima do imposto sobre o rendimento para 32% significa mais dinheiro para a especulação nos mercados de ações e de propriedade. Os preços das ações subiram seis vezes em Wall Street na década que antecedeu o crash de Wall Street. A desigualdade era alta e crescente, e a demanda só fora mantida através de uma bolha de crédito. "Sim, semelhante ao período até 2008.
Agora eu não acho que o aumento da desigualdade foi a causa da crise da década de 1930 ou em 2008 e eu tenho detalhado os meus argumentos contra a visão em vários lugares. A evidência empírica não suporta uma conexão causal da desigualdade para a colisão. De fato, um novo estudo por JW Mason apresentado no Assa 2017 em Chicago acrescenta ainda mais peso ao argumento de que o aumento da desigualdade e da consequente (?) subida da dívida das famílias não foi a causa do colapso financeiro de 1929 ou 2008. "A ideia é que a dívida crescente é o resultado do aumento da desigualdade de famílias de baixa renda emprestando para manter a elevar os padrões de consumo em face dos rendimentos estagnados, o consumo financiado por dívida foi fundamental para apoiar a demanda agregada no período anterior a 2008. esta história é frequentemente associada com Ragnuram Rajan e Mian e Sufi, mas também é amplamente adotado na esquerda; tornou-se a sabedoria convencional entre os economistas pós-keynesianos e marxistas. Em meu artigo, sugiro algumas das razões para o ceticismo. ".
A essência do meu ponto de vista é que a desigualdade é sempre parte do capitalismo (e para que as sociedades de classes, por definição) e o aumento da desigualdade da década de 1980, no período neo-liberal continuou por décadas antes que houvesse o acidente. É mais convincente que o aumento da rentabilidade e uma parcela crescente indo para o capital do trabalho na acumulação foi a causa do aumento da desigualdade, e não vice-versa. Portanto, a causa subjacente da eventual queda deve ser encontrada no processo de acumulação capitalista em si e algumas alterações na máquina de fazer lucro.
A terceira causa ou razão oferecida por Elliott para a Grande Depressão da década de 1930 e da Grande Depressão agora é que não há poder hegemônico em posição de agir como um "emprestador de última instância" para salvar os bancos e as economias nacionais com crédito e também definir as regras para a recuperação econômica global. Entre as duas guerras mundiais, o Reino Unido já não era hegemônico como tinha sido em meados de Século XIX e os EUA era incapaz ou não queria tomar o seu lugar. Portanto, não havia, com efeito, nenhum banco global e, portanto, a anarquia e protecionismo na economia mundial.
Este foi o principal argumento do grande historiador econômico Charles Kindleberger, com a sua "teoria hegemônica da estabilidade" em seu livro, O Mundo em Depressão, 1929-1939. Esta teoria de crise internacional tem sido seguida em por esses historiadores econômicos como Barry Eichengreen e o economista do HSBC, Stephen King, citado por Elliott dizendo, "Há semelhanças entre a depressão de agora e a de 1930, no sentido de que você tem uma superpotência em declínio". Assim, o argumento de que os EUA já não é hegemônico e não pode impor regras internacionais de comércio, como o fez a partir de 1945 com o FMI, o Banco Mundial e o GATT. Agora, existem potências econômicas rivais como a China e mesmo a União Europeia que já não se dobram vontade dos EUA. E o FMI há posição para atuar como emprestador de última instância para socorrer economias como a Grécia etc.
Este ponto de vista também vem de economistas marxistas como Leo Panitch e Sam Gindin, que (pelo contrário) argumentam que os EUA ainda é um poder hegemônico e, portanto, ainda decidem tudo em um "império informal norte-americano" e isso explica a grande recuperação econômica após a década de 1980 em o período neo-liberal. Yanis Varoufakis argumenta algo semelhante em seu livro, The Minotaur global. Skidelsky também gosta do argumento de que a "recuperação" neoliberal foi alcançada pela globalização sob controle imperial dos EUA. "A globalização permite capital para escapar do controle nacional e da União." Ele considera essa explicação marxista: "Estou muito mais simpático desde o início da crise à maneira marxista de analisar as coisas"
Mas é a crise do 2008 o resultado do poder imperial dos EUA fraco ou muito poder dos Estados Unidos? De qualquer maneira, eu duvido que a teoria da estabilidade hegemônica é uma explicação suficiente da Grande Depressão ou a Longa Depressão. Claramente, os EUA tem estado em declínio (relativo) como a potência imperialista líder economicamente, embora continue a ser a primeira potência financeira e esmagadoramente dominante como uma potência militar - semelhante ao império romano em seu período de declínio.
Sem dúvida que este tem tido algum efeito sobre a capacidade de todas as principais economias capitalistas para sair desta depressão e aumentou o movimento no sentido de nacionalismo, do protecionismo e isolacionismo que agora vemos em muitos países e na própria América do Trump. Mas o fim da "globalização" não foi o resultado do enfraquecimento do poder americano, mas o resultado da desaceleração global, investimento, comércio e, acima de tudo, na rentabilidade do capital que a evidência empírica tem revelado desde o final da década de 1990. A "morte" da globalização foi acelerada pela crise financeira global e o colapso dos fluxos comerciais e da dívida mundial desde 2008.
O longa depressão continuou não por causa da alta desigualdade ou do enfraquecimento da hegemonia dos Estados Unidos ou por causa do movimento ao protecionismo (que dificilmente começou). Ela continuou, por causa do fracasso da rentabilidade em aumentar o suficiente para reavivar o investimento produtivo e o crescimento da produtividade; e a ressaca do capital fictício e da dívida continuou. Na verdade, eu tenho mostrado que estas são as mesmas razões que estenderam a Grande Depressão da década de 1930: baixa rentabilidade, elevados níveis de endividamento e comércio fraco.
No artigo de Elliott também são oferecidas algumas diferenças entre os anos 1930 e agora. A primeira é que, ao contrário de 1930, agora os bancos centrais agiram para aumentar a oferta de moeda e socorrer os bancos com cortes de juros para zero e flexibilização quantitativa. Na década de 1930, de acordo com Adam Tooze em seu livro O Dilúvio, as políticas deflacionárias foram perseguidas em toda parte. "A pergunta que os críticos têm se feito desde então é por isso que o mundo estava tão ansioso para se comprometer com essa austeridade coletiva. Se os economistas keynesianos e monetaristas podem concordar em uma coisa, é as consequências desastrosas deste consenso deflacionário." (Tooze).
E eles estavam de acordo sobre isso na atual depressão. Como já demonstrado em vários lugares, o ex-chefe do Fed Ben Bernanke foi um especialista dominante sobre as causas da Grande Depressão e uma vez disse em uma reunião do mainstream para comemorar seu mentor, o grande monetarista, Milton Friedman, que o erro da 1930 em não expandir a oferta de dinheiro não seria repetido. Mas QE e dinheiro fácil pode ter socorrido os bancos e restaurado o 'business as usual',mas não terminou a corrente Longa Depressão. Na verdade, esse argumento de que dinheiro fácil e política monetária não convencional terminaria a Grande Depressão foi pensado possivelmente por Keynes em 1931. Mas em 1936, quando escreveu sua famosa Teoria Geral, ele percebeu que era inadequado. E, de fato, a ideia de que as coisas seriam diferentes este tempo em comparação com a década de 1930 por causa da política monetária fácil acabou por ser falso.
Os keynesianos, tendo em muitos casos defendido dinheiro fácil como o caminho para sair da depressão atual, agora empurram estímulo fiscal como a solução, assim como Keynes, finalmente, recorreu em 1936. keynesianos como Skidelsky afirmam que o Reino Unido tinha "estabilizadores automáticos" fiscais que estavam fazendo efeito para melhorar a crise da década de 1930, mas os governos do dia esmagaram aqueles e impôs austeridade o que causou a extensão da recessão em depressão.
A maioria dos governos agora não adotaram os gastos do governo em massa ou grandes déficits orçamentários executados para impulsionar o investimento e o crescimento - principalmente porque temem um aumento maciço da dívida pública e a carga que vai colocar em financiá-la a partir do setor capitalista. Assim que ouvimos a partir da bateria de economistas de esquerda e keynesianas que a aplicação da 'austeridade' é a causa da continuidade da Grande Depressão agora. É difícil provar uma maneira ou outra, mas de uma série de posts e artigos que ponho dúvidas consideráveis sobre a explicação keynesiana da Longa Depressão.
O New Deal não acabou com a Grande Depressão. Na verdade, o regime de Roosevelt correu déficits orçamentais consistentes de cerca de 5% do PIB de 1931 em diante, gastando o dobro da receita fiscal. E o governo assumiu muito mais trabalhadores em programas - mas todos com pouco efeito.
Sair do padrão-ouro e desvalorizando moedas não impediu a Grande Depressão. Com efeito, recorrer a desvalorizações competitivas e as tarifas protecionistas e restrições ao comércio internacional provavelmente pioraram as coisas.
E a flexibilização monetária não funcionou desta vez e nem tem estímulo fiscal (como Abenomics no Japão tem mostrado), que veremos novamente se Trump já não conseguir executar déficits orçamentais de impostos corporativos mais baixos e aumentar os gastos com infraestrutura.
Agora parece que o protecionismo e as desvalorizações estão se tornando mais prováveis neste período pós-Trump e pós-Brexit da Longa Depressão. Na verdade, o mais recente documento de política para a cúpula do G20 próximo na Alemanha na próxima semana tem realmente mostrado a sua condenação de políticas protecionistas. Como Elliott resume: "Até agora, os mercados financeiros têm tido uma visão positiva de Trump. Eles têm-se concentrado no potencial de crescimento dos seus planos de cortes de impostos e aumento dos gastos de infra-estrutura, em vez de sua ameaça de construir um muro ao longo do Rio Grande e dar um tapa tarifas sobre importações mexicanas e chinesas. Há, porém, uma visão mais escura do futuro, onde cada país tenta fazer o que Trump está fazendo. Neste cenário, uma economia global encolhendo leva ao encolhimento do comércio global, e deflação significa que as dívidas pessoais tornam-se mais onerosas."
A Grande Depressão só terminou quando os EUA se prepararam para entrar na guerra mundial em 1941. Em seguida, o governo assumiu a partir do setor privado na direção do investimento e do emprego e usando a poupança e consumo das pessoas para o esforço de guerra. A rentabilidade do capital subiu rapidamente e continuou após o fim da guerra. Olhando para trás, a depressão dos anos 1880 e 1890 nas principais economias só terminou após uma série de quedas finalmente conseguiu aumentar a rentabilidade de capitais nos setores mais eficientes e as as economias nacionais assim entregaram o investimento mais sustentado - embora, eventualmente, que levou à rivalidade imperialista sobre a exploração do mundo e a primeira guerra mundial.
Como vai acabar a Longa Depressão?

quinta-feira, 9 de março de 2017

Neomalthusianismo anarquista, feminista e de esquerda


Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
“Amem-se mais uns aos outros e não se multipliquem tanto”
Maria Lacerda de Moura (1887-1945) 
“Aquí y ahora declaro la guerra a este sistema y no descansaré hasta que sea
liberado el camino para una libre maternidad y una saludable, alegre y feliz niñez”
(Emma Goldman, 1916).

la greve des ventres

Existe uma corrente do neomalthusianismo que é pouco conhecida pelas ciências humanas e que nada tem a ver com o controle populacional autoritário e elitista. É um neomalthusianismo que surgiu no final do século XIX na Europa como um movimento de baixo para cima e não como uma imposição de cima para baixo. Mas antes de descrever este movimento original, vamos distinguir as diferenças entre malthusianismo e neomalthusianismo.
Thomas Robert Malthus (1766-1834) escreveu o “Ensaio sobre a população”, em 1798, para rebater as ideias progressistas dos iluministas Marquês de Condorcet (1743-1794) e William Godwin (1756-1836) que defendiam os ideais da Revolução Francesa e consideravam que a racionalidade e a “perfectibilidade humana” poderiam superar a pobreza, reduzir as altas taxas de mortalidade e garantir o bem-estar da humanidade.
Malthus era um ideólogo que defendia os interesses dos proprietários de terra, da nobreza e do clero e considerava que a pobreza é uma “providência divina” para manter o crescimento populacional sobre controle de acordo com o “princípio de população”, formulado da seguinte maneira: “A população, quando não controlada, cresce numa progressão geométrica, e os meios de subsistência numa progressão aritmética”.
No modelo de Malthus, a população tendia a crescer em progressão geométrica em função de uma suposta relação direta entre fecundidade e renda. Na visão malthusiana, se a pobreza fosse reduzida, as pessoas teriam mais filhos sobreviventes e o crescimento dos meios de subsistência não acompanharia a “explosão populacional”. O controle da população deveria ocorrer via aumento das taxas de mortalidade, o que ele chamou de “freios positivos”, isto é, miséria, fome, epidemias e guerras.
Para Malthus, os salários deveriam ser mantidos ao nível de subsistência, capazes de sustentar apenas um casal com dois filhos sobreviventes. Portanto, o “princípio de população” de Malthus serviu para fundamentar a “lei de bronze” dos salários, além de fornecer elementos contra a “lei dos pobres”, um tipo de programa de transferência de renda, tipo o Bolsa Família, que existia na Inglaterra no século XIX.
Mas, caberia uma pergunta: por que não reduzir as taxas de fecundidade para impedir o crescimento geométrico da população? Esta seria a solução mais adequada para combinar a erradicação da pobreza sem pressionar os recursos naturais. Porém, Malthus – que era pastor da Igreja Anglicana – era contra qualquer método contraceptivo e contra o aborto seguro. Ele considerava que os casais deveriam fazer sexo com a finalidade generativa de acordo com o princípio bíblico “crescei e multiplicai-vos”. Desta forma, Malthus considerava que as altas taxas de mortalidade seriam um meio necessário de controlar a população.
Evidentemente, o malthusianismo é uma ideologia insustentável em uma sociedade democrática, pois é impossível para um governo, eleito pelo povo, propor o aumento da mortalidade (via aumento da miséria, fome, epidemias e guerras) para controlar o aumento populacional. Numa sociedade democrática é preciso ter propostas para diminuir as taxas de mortalidade e aumentar o bem-estar da população.
A ideia de reduzir as taxas de natalidade – em vez de aumentar as taxas de mortalidade – é a base do pensamento chamado neomalthusianismo. Os neomalthusianos, ao contrário de Malthus, consideram que existe uma relação inversa entre pobreza (renda) e fecundidade. Desta forma, são socialmente muito mais avançados, pois consideram que a pobreza pode ser eliminada, mas para tanto, seria preciso controlar o crescimento exponencial da população. Em termos econômicos, os neomalthusianos consideravam que um rápido crescimento da população poderia ser um entrave ao desenvolvimento, pois canalizaria a maior parte dos recursos econômicos para as grandes e jovens gerações. Neste sentido, o controle da população (via planejamento familiar) seria um pré-requisito para a decolagem (take off) do desenvolvimento. Portanto, os pensadores neomalthusianos são aqueles que defendem que o controle da natalidade seja uma prioridade das políticas públicas, nos países que estão no início da transição demográfica.
Existem dois tipos de neomalthusianos: 1) os que defendem um amplo controle da natalidade, se necessário de forma autoritária; e 2) os que defendem incentivos ao controle da natalidade de forma democrática e sem recorrer a meios autoritários.
O primeiro foi tentado em vários países populosos do Terceiro Mundo e é o tipo que pode ser encontrado na China continental que adotou, a partir de 1979, a política de filho único e obrigou os casais a utilizar os métodos contraceptivos reversíveis, a esterilização ou o aborto como forma de atingir o objetivo de um filho por casal. A política populacional da China (prevalecente de 1970 a 2015) foi a experiência neomalthusiana autoritária mais draconiana da história.
O segundo tipo de neomalthusianismo é aquele que busca incentivos para o controle da natalidade, buscando reduzir o preço dos meios contraceptivos, aumentar o acesso dos pobres aos métodos de regulação da fecundidade ou até mesmo dar prêmios para a adoção voluntária do controle da natalidade.
Evidentemente, este segundo tipo de neomalthusianismo está muito mais próximo dos ideais aprovados na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), realizada no Cairo em 1994. Como disse Hodgson e Watkins (1999), o “neomalthusianismo democrático” está mais próximo do feminismo e das forças progressistas e pode ser até considerado um aliado contra os malthusianismos ainda existentes nos setores conservadores e no fundamentalismo religioso.
Tanto nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), quanto nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foi estabelecida a meta: “Universalizar os serviços de saúde sexual e reprodutiva”. Esta meta foi colocada com base em princípios democráticos e na perspectiva dos direitos humanos.
O artigo “Neo-Malthusianism in the Early 20th Century” (MARTINEZ-ALIER, e MASJUAN, 2004) mostra que houve um movimento neomalthusiana há cem anos na Europa e América. Em contraste com o pessimismo de Malthus, este neomalthusianismo acreditava que o crescimento populacional poderia ser favorável às classes pobres e se implementado por decisões voluntárias. As mulheres poderiam escolher o número de crianças que elas (e os casais) queriam ter. O movimento não apelou ao Estado para impor restrições ao crescimento populacional. Ao contrário, baseou-se em um ativismo “de baixo para cima” contra os governos e a Igreja Católica.
Pode-se definir como um neomalthusianismo anarquista, feminista e de esquerda. O grande nome internacional deste movimento foi Emma Goldman que antecipou a noção de direitos sexuais e reprodutivos e defendeu a autodeterminação na regulação da fecundidade. No Brasil, destacou-se a anarquista e feminista Maria Lacerda de Moura (1887-1945) que recomendava o amor livre e o uso de métodos contraceptivos: “Amem-se mais uns aos outros e não se multipliquem tanto”.
Infelizmente a filosofia da “procriação consciente” defendida pelo neomalthusianismo anarquista, feminista e de esquerda do final do século XIX e início do século XX é pouco conhecida. Neste sentido, o artigo de MARTINEZ-ALIER e MASJUAN (2004) é uma importante contribuição para se recuperar as origens das bandeiras dos direitos sexuais e reprodutivos.
É também uma forma de se evitar o antineomalthusianismo que tenta restringir os direitos sexuais e reprodutivos (como tem feito Donald Trump) e é incentivado pelo fundamentalismo religioso e pelo conservadorismo moral.
Referências:
ALVES, J. E. D. A polêmica Malthus versus Condorcet reavaliada à luz da transição demográfica. Textos para Discussão. Escola Nacional de Ciências Estatísticas, Rio de Janeiro, v. 4, p. 1-56, 2002.
HODGSON, D.; WATKINS, S. C. Feminists and neo-malthusians: past and present alliances. Population and Development Review, New York, v.23, n.3, p.469-523, Sept., 1999
Emma Goldman. Capítulo XI. Los Aspectos Sociales del Control de Natalidad, Mother Earth, Vol. XI, abril 1916, In: La palabra como arma. – 1a ed. – Buenos Aires : Libros de Anarres; La Plata: Terramar, 2010, pp: 137-144
MARTINEZ-ALIER, Joan, MASJUAN, Eduard. Neo-Malthusianism in the Early 20th Century, Universitat Autònoma de Barcelona, International Society for Ecological Economics, Montréal 11-15 July 2004

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/03/2017

quarta-feira, 8 de março de 2017

Fecam e Sebrae firmam parceria para levar empreendedorismo aos municípios do RN


A Federação das Câmaras Municipais do Rio Grande do Norte (Fecam-RN), juntamente com a Câmara Municipal de Natal (CMN) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), levará o empreendedorismo para os municípios potiguares. A parceria foi firmada na manhã desta terça-feira (07), durante reunião do presidente da Fecam-RN e da CMN, Raniere Barbosa (PDT), com o superintendente do Sebrae, Zeca Melo, e o diretor técnico, João Hélio, na sede do órgão.

“Nosso objetivo é aproximar nossas ações ao Sebrae, sempre incentivando o empreendedorismo, a geração de emprego e renda. Com esta parceria, poderemos promover o desenvolvimento econômico dos nossos municípios, oferecendo capacitação e qualificação para os potiguares”, disse Raniere Barbosa. Por meio da Fecam, o vereador espera pode retomar o projeto de telecentros nas cidades e, nestes locais, oferecer cursos do Sebrae voltados para as diversas regiões do Estado.

"Serão cursos online e presenciais, quando necessários. Já realizamos com municípios esse tipo de capacitação na rede do Simples, que simplifica a abertura de empresas, além de participação em feiras sempre trabalhando a melhoria no ambiente de negócios", conta João Hélio. No encontro estavam presentes diretores do Sebrae e equipe técnica da Câmara de Natal e da FECAM.


Assessoria de Comunicação Fecam-RN

Piketty: A desigualdade na China


por Thomas Piketty em piketty.blog.lemonde.fr
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Com Trump e o Brexit o modelo democrático ocidental está na linha de tiro. A mídia chinesa está em êxtase. Global Times (jornal oficial) condena o cocktail explosivo do nacionalismo, de xenofobia, do separatismo, da TV realidade, a vulgaridade e o dinheiro que reina supremo, o resultado das chamadas eleições livres e as instituições políticas maravilhosas que o Ocidente quer impor ao mundo. Acabou, as lições!
As autoridades chinesas recentemente organizaram um simpósio internacional sobre "o papel dos partidos políticos na governação econômica global." A mensagem enviada para a ocasião pelo Partido Comunista Chinês (PCC) é perfeitamente clara: ele é baseado em organismos intermédios sólidos, de tal forma que o PCC tem 90 milhões de membros (cerca de 10% da população adulta, mesma proporção da participação no ensino primário americano ou francês), é possível organizar deliberação e tomada de decisões e projetar um modelo de desenvolvimento estável, harmonioso e pensativo, a salvo de impulsos de identidades e forças centrífugas do supermercado eleitoral.
Ao fazê-lo, o regime chinês provavelmente erra por excesso de confiança. As limitações do modelo são bem conhecidas, começando com a absoluta falta de transparência e a repressão feroz sobre todos aqueles que denunciam a opacidade do regime.
De acordo com estatísticas oficiais, a China ainda é um país razoavelmente igualitário, onde os benefícios do crescimento são distribuídos de forma equitativa. Nada é menos certo, como ilustrado pelos resultados de um estudo recente de Li Yang e Gabriel Zucman (disponível on-line no WID.WORD). Através da combinação de fontes inéditas, em particular, confrontando os dados fiscais e legados para as contas nacionais e pesquisas, que mostram que os dados oficiais subestimam muito o nível de desigualdade na China e seu desenvolvimento.
Pluto-comunismo
Entre 1978 e 2015, o crescimento da China, sem dúvida, ajudou o país a sair da pobreza. A participação do país no PIB mundial passou de apenas 4% em 1978 para 18% em 2015 (enquanto sua participação na população mundial diminuiu ligeiramente de 22% para 19%). Expressa em paridade de poder aquisitivo em Euros em 2015, a renda nacional per capita subiu de apenas 150 euros por mês em 1978 para cerca de 1000 por mês em 2015. Se a renda média do país permanece entre 3 e 4 vezes mais baixa do que na Europa ou na América do Norte, 10% dos mais ricos chineses - ou 130 milhões de pessoas - têm, eles próprios, um rendimento médio equivalente ao dos países ricos.
O problema é que 50% dos chineses mais pobres se beneficiaram com o crescimento duas vezes menos do que a média. De acordo com nossas estimativas, que devem ser consideradas como um limite inferior de desigualdade na China, a participação dos 50% mais pobres na renda nacional chinesa caiu de 28% para 15% entre 1978 e 2015, enquanto os 10% mais ricos aumentou de 26% para 41%. A dimensão do fenômeno é impressionante: os níveis de desigualdade social chineses foram bem acima dos níveis europeus, e está se aproximando rapidamente aos observados  nos Estados Unidos.
Encontramos a mesma evolução, ainda mais dramaticamente, na concentração da propriedade privada. Entre 1995 e 2015, a parcela de riqueza privada detida por 10% mais ricos aumentou de 41% para 67%. Em vinte anos, a China passou de um nível mais baixo do que o observado na Suécia a um nível próximo ao dos Estados Unidos. Isso reflete uma forte desigualdade no acesso à riqueza em habitação (quase totalmente privatizado durante este período) e uma privatização parcial de empresas reservadas para pequenos grupos de pessoas, em condições de alta opacidade. A este ritmo, o risco é que a China está a desenvolver um tipo de pluto-comunismo, com uma concentração da propriedade privada maior do quê nos países capitalistas, todos de propriedade de um único partido comunista.
O capital público substancial
Ressalte-se, no entanto, uma diferença essencial. A participação do Estado chinês no capital nacional da China (imóveis, empresas, terra, infra-estrutura e equipamento) diminuiu drasticamente, mas ainda é muito substancial. De acordo com nossas estimativas, a parcela de capital público foi de 70% do capital nacional em 1978, e se estabilizou em torno de 30% desde 2006, com até mesmo um ligeiro aumento desde a eclosão da crise com a aquisição de empresas públicas.
Nos países capitalistas, a parcela de capital público foi de cerca de 20% a 30% durante o grande período de economia mista (1950-1980), mas esta participação entrou em colapso desde 1980, como a privatização de bens públicos e o deslizamento da dívida. Em 2007, apenas a Itália tinha um capital público negativo (com ativos superiores aos passivos). Em 2015, era o caso dos Estados Unidos, o Reino Unido e o Japão (França e Alemanha têm um pequeno capital público positivo). Em outras palavras, os proprietários privados detêm não só todo o capital nacional, mas também têm o direito de recorrer a receitas fiscais futuras. Este é um sério entrave à capacidade reguladora das autoridades públicas.
A posição do Estado chinês é mais promissora, desde que, no entanto, as autoridades demonstrem que esse potencial pode ser colocado para o maior número. Os chineses não querem ter aulas do Ocidente. Mas não é certo que eles suportem muito tempo os dos seus principais líderes.

terça-feira, 7 de março de 2017

Obtendo a igualdade de condições

por Michael Roberts
Os mercados financeiros podem estar crescendo na expectativa de que a economia dos EUA vai crescer mais rápido sob a presidência de Trump. Mas eles esquecem que a principal ênfase do programa de Trump, na medida em que seja coerente, é fazer a América grande outra vez através da imposição de tarifas e outros controles sobre as importações e forçando as empresas dos EUA a produzir em casa - em outras palavras, o protecionismo comercial. Isso é para ser aplicado por novas leis.
Isto leva-me a discutir o papel da lei na tentativa de fazer a economia capitalista funcionar melhor para os interesses do capital. É uma área que tem sido gravemente negligenciada. Como é a lei usada para proteger os interesses do capital contra o trabalho; interesses de capitais nacionais contra rivais estrangeiros; e o setor capitalista como um todo contra interesses monopolistas?
No ano passado, houve uma série de livros publicados que ajudaram a nos iluminar teórica e empiricamente sobre as leis de movimento do capitalismo. Mas eu acho que eu perdi um. É  The Great Leveller (O Grande nivelador por Brett Christophers). Christophers é um Professor em Geografia Humana na Universidade de Uppsala, na Suécia. Seu livro tem um refrescante novo ângulo sobre a natureza das crises no capitalismo. Ele diz que nós precisamos olhar para como o capitalismo está continuamente diante de uma tensão dinâmica entre as forças subjacentes da concorrência e monopólio. Christopher argumenta que nesta dinâmica, leis e medidas legais têm um papel subvalorizado na tentativa de preservar um "delicado equilíbrio entre a concorrência e o monopólio", o que é necessário para "regular os ritmos da acumulação capitalista".
Christophers avalia que esse desequilíbrio monopólio/competição é uma importante contradição do capitalismo que tem sido negligenciado ou não suficientemente desenvolvido. Pode não ser a única contradição, mas é um passo importante que a lei (imperfeitamente) trabalha. Na verdade, o desenvolvimento desigual e combinado é uma característica inerente do capitalismo.
Christophers argumenta que as leis corporativas oscilam de um objetivo para outro, dependendo das necessidades do capital em qualquer período particular. Assim, em certos períodos, a legislação anti-trust (quebra de monopólios) domina o pensamento econômico legal; em outros, é patentear e proteger "propriedade intelectual" (direitos de monopólio). A lei é um "grande nivelador", com o objetivo de manter um equilíbrio entre demasiada concorrência e demais monopólio.
Lembro-me do período recente, antes da crise financeira global e da Grande Recessão. O tom do dia foi a "desregulamentação", particularmente no setor financeiro, para permitir que novos produtos financeiros (derivativos) expandissem a "diversificação financeira" (competição). Os perigos desta 'assunção de riscos excessivos" e "competição" descontrolada foram levados ao conhecimento dos "poderes que foram" na reunião anual de banqueiros centrais do Federal Reserve em Jackson Hole em 2005 por Raghuram Rajam, em seguida, um professor de Harvard e mais tarde presidente do Banco Central da Índia. Ele apresentou um documento que questionava os controles bancários reduzidos introduzidas por assessores de Clinton, Robert Rubin e Larry Summers no final de 1990. Imediatamente ele foi atacado por Summers como um 'ludita', atrasando o progresso e competição. Claro que, depois da Grande Recessão, Summers tornou-se um dos principais apoiantes da regulamentação bancária e das leis de regulação bancária Dodd-Frank.
O equilíbrio entre a concorrência e o monopólio é o tema principal do livro de Christophers. Em minha opinião, contrariamente à opinião da escola Monthly Review, que seguem a caracterização do capital moderno como "capitalismo monopolista" de Paul Sweezy, o monopólio não é a ordem dominante do capitalismo: a concorrência que é - pelo menos o que Shaikh chama de "verdadeira concorrência", em seu grande capitalismo. A batalha contínua para aumentar o lucro e a quota de mercado significa que os monopólios estão continuamente sob a ameaça de novos concorrentes, novas tecnologias e concorrentes internacionais. A história do capitalismo é aquela em que a concentração e centralização de aumentos de capital, mas a concorrência continua a trazer o movimento de mais-valia entre as capitais (dentro de uma economia nacional e global).
Brett Christophers entende bem essa dinâmica dialética do capitalismo. Em seu excelente capítulo teórico 1 na competição, ele rejeita a teoria do capital monopolista. "Monopólio produz a concorrência, a competição produz monopólio" (Marx). A lei desempenha um papel fundamental na tentativa de alcançar um equilíbrio entre as forças inerentemente instáveis ​​e precárias de centralização e descentralização que Marx prognosticou.
No entanto, Christopher parece um pouco ambíguo ou "suave" nas explicações teóricas oferecidas para a natureza inerentemente instável do capitalismo. Ele parece aceitar a visão de que (subjacentes) causas da instabilidade capitalista não podem ser encontradas no modo de produção capitalista, mas, como o marxista David Harvey argumentou, deve realmente ser encontrada em todo o circuito do capital (produção, distribuição e circulação). Para enfatizar, como Marx fez a si mesmo, a produção de mais-valia no centro de crises e desequilíbrios deve ser "produtivista" (Jim Kincaid) e para excluir as "singularidades caóticas de consumo" (Harvey). A "anarquia do capitalismo" encontra-se na competição e troca, e não na exploração do trabalho na produção (Bob Jessop).
Bem, talvez, mas isso deixa Christophers aberto para a massagem da teoria do valor de Marx de modo que não há marcas à esquerda. Primeiro, ele parece aceitar a visão de Harvey esse valor pode ser criado em troca ou até mesmo no consumo (p74). Em segundo lugar, ele parece seguir o ponto de vista pós-keynesiano de Michal Kalecki de que os lucros são o resultado do grau de monopólio ou de 'rent-seeking', dispensando, assim, a visão clara de Marx de que novo valor só vem a partir da exploração do trabalho, não do poder de monopólio. Depois, há a referência ao trabalho da teoria da concorrência imperfeita da corrente principal do economista Edward Chamberlin, uma extensão da teoria do equilíbrio marginal neoclássico. A teoria do valor de Marx como a base das leis da acumulação de capital e concorrência entre capitais tem sido ignorada o afastada por estes autores.
Mas este é talvez um outro debate. O tema que Christophers destaca é o papel da lei na noite fora os balanços anárquicos entre monopólio excessivo e concorrência ruinosa em diferentes períodos do capitalismo. Este é um novo discernimento. Como diz Christophers, esta é uma "obra de nivelamento não ligar" para alcançar "um crescimento contínuo - de uma forma relativamente estável". Mesmo que parece uma concessão generosa para a eficácia do direito da concorrência entre os capitais na manutenção da expansão estável e acumulação sob o capitalismo. Será que não observe mais de 50 quedas ou recessões nos últimos 200 anos e três depressões enormes sob o modo de produção capitalista, onde a legislação sobre a banca, monopólios corporativos, patentes e propriedade intelectual não funcionam na preservação da "harmonia"?
Em uma série de capítulos bem pesquisados, Christophers descreve o detalhe nas oscilações entre o monopólio e a concorrência de acordo com as condições de desenvolvimento capitalista. Ele faz um caso convincente para argumentar que o primeiro caso de 'nivelamento legal' começou no início do século XX após um período de concorrência excessiva que ameace conduzir o capitalismo em uma espiral deflacionária. O suporte legal para poderes de monopólio para proteger os lucros dominaram entre as guerras mundiais. Após a segunda guerra mundial, a competição veio à tona, a fim de contribuir para a inovação e novas indústrias. Por sua vez, o período neo-liberal da década de 1980, as leis de patente e propriedade intelectual cada vez mais substituídas pela legislação anti-trust da Idade de Ouro dos anos 1960 e 1970.
Esta é uma narrativa poderosa, mas também levanta questões de causalidade. Não devemos ver as leis da empresa e da concorrência como reações às mudanças na saúde da acumulação de capital, em vez de algo que (com êxito?) equilibra os períodos de recuperação e downswings da expansão capitalista? Christophers avalia que a rentabilidade do capital foi "notavelmente consistente" desde 1945, com uma média de lucros das empresas em relação ao PIB de 10% nos últimos 70 anos, o que "raramente se desviou muito longe desta média"(p2). Mas os lucros em relação ao PIB não são a medida da rentabilidade do capital (pelo menos em termos marxistas) e, mesmo assim, tem havido uma grande divergência (6-14%). Todas as medidas adequadas de mostrar a rentabilidade americana num declínio secular desde 1945, não estabilidade; e, em particular, uma queda de 1960 a 1980, seguido por um aumento durante o período neo-liberal 1980-1900 - e um pequeno declínio, posteriormente à data (ver meu livro, A Longa Depressão ).
Isto sugere-me que a legislação societária e da concorrência é mais como um outro fator de compensação desenhado para reagir à saúde e rentabilidade do capital da mesma forma como a globalização, os ataques contra os sindicatos e privatizações que vimos a partir da década de 1980 - em uma tentativa (parcialmente bem-sucedida) para aumentar a rentabilidade do capital como um todo. Afinal de contas, é o nível de rentabilidade para o capital como um todo, que é fundamental para o grau e frequência de crises, em vez de à partilha de lucros entre as capitais.
Marx argumentou que, como o capital se acumula, ele vai experimentar crises regulares e recorrentes de produção e troca, despenca podemos chamá-los. Eles ocorrem porque a acumulação leva, ao longo do tempo, a uma queda na rentabilidade e lucros, forçando capitalistas em um investimento "greve". No entanto, Marx também delineou vários fatores contraditórios a esta lei da tendência da taxa de lucro a cair: uma maior exploração, tecnologia mais barata, a expansão do comércio exterior; especulação nos ativos financeiros. Lei pode ser visto como mais um fator de compensação, introduzida para reduzir tanto os excessos da "concorrência ruinosa' em derrubando os preços e rentabilidade (isto é, ajudando a proteger super-lucros da inovação ou de poder de monopólio); ou para quebrar demais "controle monopolista" que poderia dificultar a rentabilidade para os mais eficientes capitais menores ou a partir de novas tecnologias.
Na verdade, uma área do direito que está faltando a Christophers "de outra forma abrangente análise é direito do trabalho. Uma grande área do direito capitalista é projetado para assegurar o domínio do capital no local de trabalho e sobre a produção e controle de mais-valia. Estes são ainda mais importantes para o capital do que as leis destinadas a nivelar o campo de jogo entre capitalistas.
Quando nos aproximamos do 150° aniversário da publicação do primeiro volume de O Capital de Marx, podemos lembrar que Marx passou muito tempo contando o papel da lei e regulamentação (relatórios inspetor) na luta para proteger e melhorar as condições e horas de trabalhadores em Victorian fábricas e locais de trabalho. A batalha para o dia de 10 horas e tirar as crianças de moinhos satânicos escuros e minas etc.
Não é por acaso que a administração Trump está olhando para desregulamentar o sistema bancário e reduzir as regulamentações ambientais, não para ajudar as pequenas empresas contra os monopólios, mas em vez de negócios em geral contra o trabalho e os custos da saúde das pessoas. Tome-se o direito de trabalhar as leis dos últimos 30 anos ou mais. Após décadas de adesão em declínio, os sindicatos enfrentam uma crise existencial, como direito ao trabalho leis que estão sendo empurradas em níveis estadual e federal iria proibir a sua capacidade de cobrar taxas obrigatórias dos trabalhadores que representam, uma importante fonte de receitas para o trabalho organizado. Em suas primeiras semanas no cargo, ele e novos governadores republicanos de Kentucky e Missouri já assinaram leis de direito do trabalho, tornando-os os estados 27 e 28, respectivamente, para proibir taxas sindicais obrigatórias.
Na primeira página de seu livro, Christophers justamente destaca os comentários que o guru keinesiano Paul Krugman fezs em seu blog  em 2012. Desigualdade de renda havia aumentado acentuadamente no período neoliberal e os salários médios dos trabalhadores não-supervisionados haviam estagnado. A parte do valor que vai para o capital estava aumentado. "Assim, a história foi totalmente deslocada; Se você quer entender o que está acontecendo com a distribuição de renda na economia do século XXI, você precisa parar de falar tanto sobre habilidades e  começar a falar muito mais sobre os lucros que possui o capital. Mea culpa: eu mesmo não entendia isso até recentemente. Mas é realmente crucial. "(Krugman) O amiseration da classe trabalhadora, como Marx chamou isso de pobreza relativa, apareceu a ser confirmada. Como Krugman disse, "não é que um tipo antiquado de marxista discussão?"
Como Christophers explica, Krugman ofereceu duas razões possíveis para esta amiseration: ou crescentes lucros do monopólio de "barões ladrões" (o argumento Kalecki) ou de trabalho deslocando a tecnologia com os meios de produção (o argumento marxista de poupar trabalho e 'viés de capital »). As últimas pesquisas sobre as causas da queda de longo prazo do emprego industrial americano ao lado da nascente saída mostra que a explicação marxista é mais convincente do que  a Kalecki das "rendas de monopólio".
Não é o poder de monopólio ou aumento dos aluguéis que vão para os 'barões ladrões "dos monopólios que forçaram para baixo a parte do trabalho, é apenas (" concorrência real') capitalismo. participação do Trabalho do sector capitalista em os EUA e outras grandes economias capitalistas é baixo devido ao aumento da tecnologia e "viés de capital ', da globalização e mão de obra barata no exterior; da destruição dos sindicatos; desde a criação de um exército de reserva maior de trabalho (desempregados e subempregados); e de fim de benefícios de trabalho e contratos de posse de seguro etc (Leis do Trabalho). As empresas que não são monopólios em seus mercados provavelmente fez mais deste do que as grandes empresas.
Christophers trata apenas de direito do comércio internacional de passagem, como a sua análise perceptiva concentra-se na concentração e centralização das economias nacionais. Mas "The Donald" está concentrando suas habilidades invejáveis ​​e se concentrar no direito internacional para revogar os acordos comerciais; controlar a circulação dos trabalhadores através das fronteiras e impor tarifas e restrições sobre as exportações de potências rivais etc. A ironia é que isso vai fazer nada para restaurar a fabricação de emprego e renda em os EUA - muito pelo contrário. Nenhum grande nivelamento lá.
Talvez o verdadeiro grande nivelador sob o capitalismo não é tanto leis destinadas a nivelar o campo de jogo entre as capitais concorrentes -Importante como Christophers tem mostrado que é. O verdadeiro nivelador são as próprias crises capitalistas. Em outro novo livro, também coincidentemente chamado O Grande Leveller, Walter Scheidel, um historiador da Universidade de Stanford, argumenta que o que realmente reduz a desigualdade é uma catástrofe - ou epidemias, guerras ou depressões econômicas maciças. É uma ideia simples e talvez bruto. Mas é certamente verdade que a Grande Depressão da década de 1930 limpou o capitalismo de suas capitais improdutivas e ineficientes e trabalho maciçamente enfraquecido para criar condições para novos níveis de rentabilidade. E a guerra próprio mundo destruído valores de capital (e capital físico) e introduziu novas tecnologias induzida militares para explorar novas camadas da classe trabalhadora global do boom do pós-guerra.Isso foi um grande nivelador da paisagem capitalista (em um sentido diferente) - para lançar as bases para a renovação da máquina de fazer lucro a partir da década de 1940 até a Idade de Ouro da década de 1960.
Até agora, o atual Longa Depressão não conseguiu um "nivelamento" similar. Como diz Christophers, não está claro se a lei será aplicada para reduzir o poder de monopólio como foi depois de 1945. Embora a depressão não está resolvido, eu duvido. De fato, como Christophers confirma, o equilíbrio entre a concorrência e monopólio mudou-se para o plano internacional, com a probabilidade de uma nova luta imperialista que vimos no início do século 20.