"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 5 de agosto de 2017

América Latina e Caribe devem crescer em média 1,1% este ano

Relatório da Cepal destaca importância das políticas macroeconômicas para recuperar dinamismo da economia; Panamá contraria tendência e economia deve crescer 5,6%; Brasil deve registrar crescimento de 0,4%.
Alicia Bárcena. Foto: Cepal/Carlos Vera
Edgard Júnior, da ONU News em Nova Iorque.
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, prevê que a região terá um crescimento médio positivo neste ano. O documento analisa também o Brasil que deve crescer 0,4% em 2017 após uma retração de 3,6% em 2016.
A agência da ONU divulgou esta quinta-feira o Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2017. O documento mostra que o avanço médio da economia regional deve chegar a 1,1%, depois de dois anos consecutivos de retração.
Brasil
O diretor do escritório da Cepal no Brasil, Carlos Mussi, falou à ONU News, de Brasília, sobre as expectativas para o país, que deve registrar um leve crescimento este ano depois da queda de mais de 3,5% em 2016.
"O Brasil estamos estimando um crescimento de 0,4% em 2017. É certamente um resultado melhor do que os -3,6% do ano passado, mas ainda longe de colocar o país numa forte aceleração de crescimento".
As maiores previsões de crescimento para este ano, acima de 5%, ficaram com Antígua e Barbuda, República Dominicana e Panamá. A Argentina, saiu de uma retração de -2,2% no ano passado para um crescimento de 2% em 2017.
O desempenho do México se manteve praticamente inalterado, com um avanço de 2,3% e 2,2% para 2016 e 2017, respectivamente.
Riscos
O estudo diz que o crescimento na região deve ser alcançado graças a um contexto internacional que apesar dos riscos geopolíticos, apresenta melhores expectativas de crescimento e melhora nos preços das matérias-primas exportadas pelo bloco.
Os especialistas da Cepal destacam a importância da implementação de políticas macroeconômicas para dinamizar o progresso de longo prazo e avançar no processo de reformas econômicas para a região.
O relatório mostra previsões de crescimento econômico diferentes para os países da região.
No geral, o Produto Interno Bruto, o PIB, da América do Sul, deve crescer 0,6%, já os PIBs da América Central e do México devem expandir 2,5% graças ao aumento das remessas e às perspectivas de avanço dos Estados Unidos.
Em comparação ao ano passado, quando houve uma retração econômica mais acentuada, em 2017 todos os países da região apresentarão índices positivos de crescimento, com exceção da Venezuela, do Suriname e de Santa Lúcia.
Desemprego
Entre os motivos para o avanço econômico estão a moderada recuperação da economia mundial, leve aumento do volume do comércio mundial e maior nível dos preços dos produtos básicos.
Em relação aos gastos, a perspectiva é de uma melhora nos investimentos e maior dinamismo no consumo privado.
Apesar dos sinais de melhora econômica, a taxa de desemprego na região deve aumentar, passando dos 8,9% de 2016 para 9,4% neste ano.

Sr. Brasil | Luiz Melodia | 2011

Os mais belos choros de todos os tempos

O triste legado Olímpico

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

A realização da Copa do Mundo, das Olimpíadas e das Paraolimpíadas no Brasil foram vendidas como um sinal de prosperidade e de grandeza de um Brasil, potência emergente, que iria ensinar ao resto do mundo como fazer enormes megaeventos cheios de alegria e desconcentração, próprias de uma sociedade morena, tropical, cordial e em ascensão.
Mas a realidade é bem diferente e qualquer pessoa minimamente informada sabe que esses megaeventos são o sonho de ouro das megaempresas que buscam grandes lucros e dos políticos e cia que almejam o vil metal.
No caso da Copa do Mundo, os governos de plantão apelaram para a paixão brasileira pelo futebol e prometeram fazer a “Copa das Copas”. A FIFA – uma das entidades mais corruptas do mundo (como mostram as prisões já realizadas de alguns de seus dirigentes) – exigiu a remodelação de 8 estádios para as competições. O governo brasileiro, megalomaníaco, decidiu fazer 12 “arenas”, inclusive em Unidades da Federação, onde não existe nenhum time nem na série A ou B do campeonato nacional (como Manaus e Cuiabá).
O Maracanã que já recebeu um público de 140 mil pessoas no passado, ficou reduzido a cerca de 70 mil. Enquanto o espaço interno diminuiu o custo da reforma aumentou exponencialmente, pois a corrupção foi tão grande que é um dos motivos da prisão do ex-governador Sérgio Cabral e outros de seus asseclas. O legado é que o antigo “Maior estádio do mundo” está subutilizado e o custo de abertura para cada jogo de futebol é tão grande que os times do Rio preferem jogar em estádios menores, mas com maiores retornos financeiros. Recentemente, os ex-governadores José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz foram presos por corrupção pelas obras do estádio Mané Garrincha que foram orçadas em R$ 600 milhões e custaram R$ 1,5 bilhão. O escândalo é geral e atinge das as arenas.
A atual e as próximas gerações de brasileiros vão pagar os custos da Copa do Mundo de futebol. Os propalados resultados na conta turismo do Brasil foram, evidentemente, os piores possíveis. Em 2014, a conta da balança de turismo do Brasil com o resto do mundo foi deficitária em US$ 20 bilhões.
O mesmo espírito corrupto e a mesma manipulação da paixão popular pelos esportes prevaleceram na preparação da Rio 2016. A abertura da Olimpíada ocorreu na “Cidade Maravilhosa” no dia 05 de agosto de 2016. O evento contou com mais de 11 mil atletas de todo o mundo e o encerramento ocorreu no dia 21 de agosto de 2016.
A promessa do saneamento básico foi pro ralo. O rio Carioca – que define o gentílico da cidade – está poluído e é melhor caracterizado como uma “língua negra” que carrega o esgoto para o mar e acumula superbactérias. A baia da Guanabara, que foi muito cantada em prosa e verso, já teve vários projetos de saneamento, mas continua fétida, suja e se tornou um grande pinico, uma área de descarte da sujeira de toda a região metropolitana do Rio de Janeiro. A baia, recebe em média 10 mil litros por segundo de esgoto sem tratamento. A situação não é diferente nas lagoas de Jacarepaguá.
O dinheiro dos royalties das jazidas maravilhosas do pré-sal – que seriam a redenção nacional e local – nunca chegaram na quantidade prometida e o pouco que chegou caiu nas malhas da corrupção, sendo que alguns dos corruptos estão presos em Bangu. Um incêndio atingiu o Velódromo do Parque Olímpico do Rio, na Barra da Tijuca, na véspera do aniversário de um ano. O Rio está pegando fogo e ficando sem gás e sem energia.
Em artigo de 09/02/2017, na Folha de São Paulo, Juca Kfouri reconhece que os críticos da Copa do Mundo e da Olimpíada acertaram no alvo. Ele diz: “Na era do tucanato, os críticos eram chamados de “fracassomaníacos”, neologismo da lavra de FHC. Na era do petismo adotou-se a criação de Nelson Rodrigues e os críticos padeceriam do famoso “complexo de vira-latas”. Lula não chegou a inventar uma palavra, limitou-se a falar dos que têm “desejo de fracasso”, mas Aldo Rebelo, o polivalente ministro do PCdoB, hoje sumido provavelmente para não ser cobrado, gostava de citar Rodrigues para responder a quem previa exatamente o que está acontecendo com os escandalosos legados da Copa do Mundo e da Olimpíada no Brasil. Não fosse o fato de o povo parecer outra vez anestesiado – em baixo calão, de saco cheio -, ondas de indignação varreriam o país com o que se sabe a cada dia do estado dos equipamentos dos dois megaeventos e do abandono completo do esporte, a atividade que seria premiada pós-Olimpíada do Brasil poliesportivo”.
O primeiro aniversário da abertura das Olimpíadas do Rio será no dia 05 de agosto de 2017. As instalações olímpicas estão ociosas e se desmanchando. A mobilidade urbana continua precária. O Maracanã ocioso e caro. O centenário e tradicional carnaval está ameaçado. A situação financeira é falimentar. As dívidas e o desemprego são astronômicos. A violência é desesperadora. Existe um clima latente de guerra civil. O exército está nas ruas. Os turistas fugiram. Obviamente, não haverá festa ou qualquer comemoração. O clima é de velório.
Referências:
ALVES, JED. Futebol: esporte ou ópio do povo na sociedade do espetáculo? Ecodebate, 31/01/2014 http://www.ecodebate.com.br/2014/01/31/futebol-esporte-ou-opio-do-povo-na-sociedade-do-espetaculo-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. As Olim-piadas do Pinicão da Guanabara, Ecodebate, 25/04/2014
ALVES, JED. Cadê o legado esportivo da Olimpíada do Rio de Janeiro? Ecodebate, 16/03/2016

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/08/2017

Aberta consulta pública sobre estratégia para transformação digital

Aberta consulta pública sobre estratégia para transformação digital: Melhorar a conectividade de escolas e investir recursos públicos em startups de inovação são algumas das propostas que compõem a estratégia.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Sócrates ergue-se com Cristo





A conclusão de Platão reside na ressurreição, na realidade que não vê apenas a imortalidade da alma, mas a pessoa que age como a fonte de todas as razões...
SócratesExiste alguma maneira de trazer a filosofia política e a revelação, Atenas e Jerusalém, para uma relação coerente e não contraditória uma com a outra sem minar a integridade de qualquer uma? A questão é antiga, não menos que medieval e moderna. Precisamos de uma filosofia que apenas "busca" a sabedoria, mas não a constituiu. Precisamos de uma revelação aberta à razão, não baseada unicamente na proposição voluntarista de que cada coisa existente poderia ser diferente. Para considerar essa relação, pressupomos que a filosofia política e a revelação falam de coisas inteligíveis.
Se "acreditamos" ou não, podemos basicamente entender o que é proposto na revelação. A fonte imediata de sua inteligibilidade pode diferir, mas, quando reunidas, a razão e a revelação acabam por lidar com pelo menos algumas das mesmas questões. Essa convergência é impressionante e inesperada. Para que a filosofia seja filosofia, ela tem que estar aberta a tudo o que é. Uma filosofia que argumenta que nada existe, ou que não podemos saber nada, mesmo que exista, não será capaz de entrar nesta discussão. Tais instalações não nos permitem pensar de forma alguma.
A filosofia política é a cúpula das ciências "práticas", das coisas que "podem ser de outra forma". Se o homem fosse o ser mais elevado do universo, Aristóteles nos ensinou, a política seria a ciência mais alta. A política tornaria-se uma quase-metafísica. Tudo o que produziu, sem verificações transcendentes sobre si mesmo, seria "bom" para este ser mais elevado só porque ele o trouxe. As políticas clássicas foram, no entanto, moderadas. O homem não se fez homem. Ele não podia se responsabilizar em seus próprios termos. Ele já era um certo tipo de ser. Ele diferiu de outros seres. Quando foi perguntado: "Como ele diferiu?", A resposta foi que ele conseguiu pensar. E pensar não apenas para calcular, mas para conhecer as coisas. Ele tinha "primeiros princípios" que estavam simplesmente lá em seu próprio pensamento. Ele não podia sustentar que uma coisa era e não era ao mesmo tempo. Quando algo contradisse essa razão, algo estava errado com isso. Mas, quando não contradiz, ele teve que prestar atenção.
Esse poder de conhecimento que o homem encontrou em si era curioso. Não o deixou descer.Ele só queria saber coisas, coisas não ele mesmo. Na verdade, ele logo descobriu que ele não podia sequer conhecer a si mesmo sem saber primeiro algo que não era ele mesmo. Ele se descobriu, por assim dizer, confrontando algo que não era ele mesmo. Ao conhecer a casa ou a árvore, ele percebeu que era "eu" quem sabia o que não era realmente ele mesmo. No entanto, quanto mais ele conhecia coisas além de si mesmo, mais ele parecia conhecer a si mesmo, como se sua mente fosse, como Aristóteles colocou, capaz de conhecer todas as coisas.
Nessa descoberta de seus próprios poderes conhecedores, ele encontrou uma perplexidade.Por que era mais difícil conhecer outro ser do gênero do que saber qualquer outra coisa no universo? Ele notou também que, se alguém quisesse conhecê-lo melhor, ele tinha que convidá-los. Ele teve que revelar-se. Ele não se revelou a todos da mesma forma. Ocorreu uma diferença entre conhecedor e amigo. Ele soube que ele não poderia ser amigo de todos. Mas ele teve que lidar com muitas pessoas que ele não conhecia bem, se fosse de todo. Quando ele lidou com eles, ele não poderia fazê-lo de qualquer maneira antiga. Ele exigiu que fosse tratado justamente, com justiça. Outros exigiram o mesmo tratamento por sua vez. Ele teve que enfrentar a questão: "O que é justiça?"
O mundo é apenas um inferno da injustiça?
As questões de justiça pertenciam à relação do homem com outras pessoas do gênero. As reivindicações de serem tratadas injustamente tiveram que ser resolvidas. Para fazer isso, as instituições deveriam ser criadas por meio das quais as controvérsias foram resolvidas.Pessoas diferentes estabelecem essas instituições de diferentes maneiras. Alguns trabalharam melhor do que outros. Alguns quase não funcionaram. Por que eles não funcionaram perfeitamente? Isso acabou por ser um problema muito angustiante. A justiça parecia minimamente alcançável. Em todas as sociedades de homens existentes, muitas boas ações não foram recompensadas. Pior ainda, muitos crimes cometidos contra a justiça ficaram impunes.
Para o jovem Platão, essa situação parecia intolerável. Seu mentor, Sócrates, foi julgado de forma legal, mas condenado injustamente. A essa visão, sua alma estava inesgotável. Não havia uma cidade em que tais coisas não ocorressem? Platão pensou longamente sobre essa questão. Ele temia que o próprio mundo fosse criado na injustiça. E se isso fosse assim, então não importa o que fizemos. Nenhuma injustiça seria finalmente punida de maneira adequada, então por que se preocupar com isso?
Em desespero, Platão decidiu examinar as instalações. Onde encontraríamos uma cidade em que Sócrates, o filósofo, não seria morto? Sua resposta foi brilhante. O único lugar onde a justiça seria possível é em uma cidade na fala ou na mente. Esta conclusão nos leva de volta ao exercício da mente como a luz que possuímos, quando consideramos o que somos, como é o mundo. A lógica desse argumento levou a uma conclusão: o mundo não é criado na injustiça se, e somente se, a alma do homem, o primeiro ato de seu ser, é imortal. Esta conclusão não foi satisfatória, a menos que existissem argumentos que demonstraram que a alma de cada pessoa era de fato imortal. Então Platão fez esses argumentos.
O argumento sobre a imortalidade da alma surgiu de motivos políticos. Foi a experiência da cidade incapaz de lidar com a justiça que levou Plato a desesperar pela justiça no próprio universo. A partir do julgamento de Sócrates, encontramos um jovem cuja vida inteira se tornou absorvida em justificar a bondade da própria existência humana. Esta é a experiência filosófica que deve ser explicada.
Sócrates na cruz
O julgamento de Sócrates é replicado no julgamento de Cristo. Em ambos os casos, temos homens nobres e bons diante dos tribunais das melhores cidades do seu tempo. O governador / juiz no julgamento de Cristo queria mesmo saber o que era a "verdade", ou pelo menos ele perguntou sobre isso. Nas reflexões de Platão no julgamento de Sócrates, temos a mente humana em seu melhor conhecimento das questões que devem ser confrontadas com uma mente. No caso de Cristo, a história e a explicação de quem Ele era, que Ele afirmou ser, reside no que chamamos de "revelação". Essa revelação se estendeu por longos períodos de história hebraica.
Esta história também teve um relato de "o começo". Os céus e a Terra foram ditos ter sido criados por Deus "no início". É estranho, mas quando o Evangelho de João começou sua explicação de quem era Cristo, ele Também usou essas palavras "no início". Mas esse começo é um passo atrás do princípio em Gênesis. O mundo começa na Divindade, na atividade do Pai que envia a Palavra, Seu Filho, ao mundo.
O relato da própria revelação contém inteligibilidade. Pode ser entendido em seus contornos. O curioso sobre esta revelação é como aborda o motivo. Na verdade, a revelação cristã primeiro se apresentou não a outras religiões, mas aos gregos, a Atenas, à filosofia. Não poderia começar adequadamente, a menos que conhecesse o raciocínio humano no seu melhor.Revelação é a mente dirigida à mente como mente - na medida em que sabe o que pode saber, e o que não pode.
Assim, quando a revelação leu Platão, encontrou algo familiar. Sabia da morte de Cristo, o homem justo rejeitado e morto pelo estado. A experiência de Cristo seguiu a de Sócrates e, como eu argumento, completou. Platão estava certo. A justiça final não é encontrada completa em nenhuma cidade atual. Mas, no entanto, existe. Quando o jovem Platão perguntou se o mundo era criado com injustiça, ele procurou salvar a justiça. Aqui, a filosofia política e a revelação se encontram em seus próprios termos, mas os termos são inteligíveis um para o outro. A lógica da razão e a lógica da revelação se encontram e se complementam. No final, o mundo não é criado com injustiça.
A conclusão de Platão reside na ressurreição, na realidade que não vê apenas a imortalidade da alma, mas a pessoa que atua como fonte de todas as razões. Revelation completa a lógica do motivo porque responde uma pergunta que, por si só, é incapaz de responder. Suspeitamos dessa coincidência de que a razão e a revelação têm a mesma origem final. A filosofia política fornece o cenário em que a última lógica da justiça funciona. A razão no seu melhor e a revelação na sua mais pura pertencem à mesma realidade.

James V. Schall

Rev. James V. Schall, SJ, é professor, escritor e filósofo. Tendo servido como Professor de Filosofia Política no Departamento de Governo da Universidade de Georgetown

terça-feira, 1 de agosto de 2017

PDV não é alternativa para o ajuste fiscal

Júlio Miragaya*

O Programa de Desligamento Voluntário (PDV) para servidores federais de forma alguma representa alternativa para o ajuste fiscal das contas públicas. A projeção do governo federal de conseguir a adesão de 5 mil servidores federais, com economia para o governo de R$ 1 bilhão por ano com gastos da folha salarial, revela que é uma medida inócua, incapaz de mitigar o quadro de absoluto descontrole das contas públicas.

É oportuno lembrar que Temer assumiu o governo em maio de 2016 prometendo retomar o crescimento da economia brasileira e reduzir o déficit fiscal. Passados um ano e três meses, o resultado é uma economia estagnada e um aumento no déficit público, que passou de R$ 114,7 bilhões em 2015, com Dilma, para R$ 182,8 bilhões no acumulado dos últimos 12 meses. Não fossem algumas “pedaladas” ou receitas extraordinárias, como aumento do PIS/Cofins, uso de precatórios, Refis, entre outras, fatalmente o déficit fiscal superaria R$ 200 bilhões em 2017. O fato é que o PDV de Temer é uma medida desesperada de um governo impopular e acuado, tentando passar a imagem de um gestor preocupado com os gastos públicos e que prima pela austeridade fiscal, como se o povo fosse uma massa de alienados que não percebesse que a economia projetada de R$ 1 bilhão nada representa diante do aumento de R$ 27 bilhões na folha neste ano, da criação de milhares de novos cargos comissionados, e da liberação de alguns bilhões na forma de emendas parlamentares para os que se comprometeram a mantê-lo como presidente até dezembro de 2018, votando contra a denúncia apresentada pela PGR.

O ajuste das contas públicas não virá pelo PDV de Temer e tampouco pelas medidas que tem aprovado no Congresso Nacional, em particular a Lei que fixa teto para gastos não financeiros. É assim definida propositalmente para excluir limites aos gastos financeiros, que nos últimos anos tem oscilado entre R$ 400 e 500 bilhões, e que somados aos subsídios às grandes corporações e ao agronegócio e renúncias fiscais de toda sorte, totalizam mais de R$ 800 bilhões. Combater de fato o déficit público passa pelo fim das vultosas transferências de recursos públicos para a elite econômica que habita o topo da pirâmide social.

Júlio Miragaya* é presidente do Conselho Federal de Economia. Artigo publicado originalmente no jornal O Povo.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Bandidos cariocas S.A

Desde a época em que Leonel Brizola governou o Rio de Janeiro, quando estourara, a violência tem sido discutida através das supostas causas e não se tem ocorrido consequências positivas. O modelo carioca de bandidos urbanos se difundiu em duas décadas para o país inteiro e pode facilmente ser encontrado em qualquer cidade do país. O setor do crime se fez mais ágil do que qualquer serviço prometido e ofertado pelo Estado, até mesmo a polícias.

Resultado de imagem para Bandidos cariocas chargesEsse modelo de banditismo é lastreado no tráfico de drogas, drogas que alimentam as fantasias de uma geração de pessoas que se tornam tão vulgares e degradadas moralmente que somente são capazes de manter a vida na relação embriaguez-agressão. Os traficantes organizam facções que se sustentas nas favelas e produz uma malta de criminosos assaltantes e homicidas da pior espécie imaginável.

O país dividiu-se em duas "sociedades": a normal, onde as pessoas trabalham estudam e se divertem e, a dos bandidos onde se rouba e se mata, trafica e usa drogas. Só a primeira tem governo, a segunda tem chefes. O governo da primeira tem sido incapaz de dar cabo aos chefes da segunda,, encorajando os piores tipos na sociedade total e se tornaram assaltantes. Se rouba de tudo e em todo lugar. Os presídios estão abarrotados as fugas ocorrem com frequência e roubar vai se tornando ofício prático.

Num país onde o maior ofício é roubar, ser ladrão é uma arte. Não existe autoridade os poderes do Estado desconfiam-se mutuamente. A população não entende o funcionamento da República e desconhece a maior parte das leis. Falta disciplina às pessoas, que geralmente não ordenam as tarefas.. A produtividade da economia é baixíssima. As escolas são péssimas e sem autoridade os professores mal pagos e mal preparados.

O país é ambíguo se pode ver que tem tudo pra dar errado e ao mesmo tempo deparar-se com situações que fazem qualquer um ter enormes esperanças. Apesar de estar há décadas entre as dez maiores economias do mundo o Brasil não se tornou líder em nenhum setor de vanguarda, agora mesmo a ciência do país padece com cortes sem que haja investimentos privados. Os investimentos públicos são quase sempre mal aplicados e mal gastos.

Com tantos assaltantes nas cidades se encontra cenas de pontos comerciais ficarem protegidos por grades, os clientes não poder entrar nos estabelecimentos e visualizar os produtos. Os políticos além de ladrões ainda discursam simplificando todos os problemas do Brasil como se por simples gastos eles pudessem ser resolvidos e resolver tudo na propaganda das gestões. Os políticos brasileiros tratam as pessoas do país como imbecis, resolvem tudo com discurso simples, propaganda e emendas.