"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 28 de outubro de 2017

PIB: Países em desenvolvimento ultrapassam os países ricos por larga margem

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

“Qualquer pessoa é capaz de ficar alegre e de bom humor quando está bem vestida”
Charles Dickens

“Cuidado com todas as atividades que requeiram roupas novas”
Henry Thoreau

norte econômico e sul econômico na economia global

Os dados do FMI mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) dos países em desenvolvimento (‘Sul econômico”) ultrapassou o PIB dos países desenvolvidos (“Norte econômico”), em poder de paridade de compra (ppp), desde 2008 e a diferença tem aumentado em favor dos emergentes.
O PIB mundial em 1980 era de US$ 13,2 trilhões (em ppp), sendo US$ 8,4 trilhões para os países “ricos” e US$ 4,8 trilhões para os países “pobres”. Os primeiros representavam 64% da economia global e os segundos 36%. Mas estas percentagens foram se aproximando até 2007 e se inverteram depois de 2008. No ano de 2016 o PIB dos países desenvolvidos foi de US$ 50 trilhões (representando 42% do PIB mundial) e o dos países em desenvolvimento de 70 trilhões (58% do PIB mundial). Para 2022, as estimativas do FMI apontam um PIB mundial de 168 trilhões, sendo US$ 63 trilhões (37,7% do PIB mundial) para os países ricos e US$ 105 trilhões (62,3% do PIB mundial) para os países pobres ou ditos em desenvolvimento ou emergentes.
Ou seja, os países desenvolvidos (economias avançadas) representavam quase dois terços da economia internacional em 1980 e os países em desenvolvimento (economias emergentes) representavam apenas um terço da economia internacional. Em 2016 os números foram, 42% e 58%, respectivamente. Mas em meados da próxima década a correlação de forças vai se inverter e os países em desenvolvimento devem representar dois terços da economia mundial.
Mas esse avanço das economias em desenvolvimento não foi generalizado, mas localizado em poucos países, em especial, na Ásia. Evidentemente, o grande destaque foi a China. Depois a Índia. E mesmo a Indonésia (o quarto maior país do mundo em termos populacionais) dobrou sua participação no PIB mundial. O gráfico abaixo mostra que a participação da União Europeia (EU) e dos Estados Unidos (EUA) caíram continuamente entre 1980 e 2016 e devem continuar caindo até 2022. Já a China passou a ser a maior economia do mundo (em ppp), a Índia caminha para superar os EUA e a UE e a Indonésia tem aumentado persistentemente sua presença na economia internacional.

participação da UE, CHINA, ÍNDIA E INDONÉSIA na economia mundial

O gráfico abaixo mostra que enquanto a soma do PIB da União Europeia e dos Estados Unidos tem declinado permanentemente no PIB mundial, os três grandes países asiáticos, China, Índia e Indonésia, aumentaram continuamente suas participações. A previsão é que as potências orientais ultrapassem as potências ocidentais em 2020.

participação da UE+EUA e da China+Índia+Indonésia na economia mundial

Evidentemente, o peso dos países em desenvolvimento no PIB mundial é bastante influenciado pelo tamanho da população. Em 1980, os países desenvolvidos tinham uma população de cerca de 1 bilhão de habitantes e os países em desenvolvimento tinham 3,3 bilhões de habitantes. Em 2016, os números eram 1,2 bilhão de habitantes para os primeiros e 6,3 bilhões de habitantes para os segundos.
O gráfico abaixo mostra que a renda per capita dos países desenvolvidos, em 1980, era de US$ 11 mil (em ppp), e dos países em desenvolvimento de US$ 1,5 mil. Ou seja, os “pobres” tinham apenas 14% da renda dos “ricos”. Em 2016, os primeiros tinham renda de US$ 49 mil e os segundos de US$ 11,2 mil, representando 23%. A estimativa para 2022 é de renda per capita de US$ 60 mil para os países desenvolvidos e de US$ 15,5 mil para os países em desenvolvimento, representando 26%. A despeito da enorme desigualdade de renda, as diferenças estão diminuindo e há uma tendência, lenta mas constante, de convergência entre os dois blocos.

renda per capita dos países desenvolvidos e em desenvolvimento: 1980-2022

O alto crescimento econômico dos países em desenvolvimento pode ser considerado uma boa notícia do ponto de vista da redução das desigualdades de renda e da redução da pobreza. Contudo, o grande crescimento populacional e econômico dos países em desenvolvimento já tem um enorme impacto negativo sobre o meio ambiente. E para agravar a situação, diversos países – como a China – estão transformando suas tradicionais economias agrárias e rurais (de baixo consumo) em economias urbano-industriais altamente dependentes de carros e energia fóssil, com alto consumo conspícuo e elevada emissão de gases de efeito estufa.
A revolução energética e a descarbonização da economia pode amenizar um pouco os danos causados aos ecossistemas. Mas o mundo deveria investir mais na redução das desigualdades internacionais e na mudança radical no modelo “Extrai-Produz-Descarta” para evitar um colapso ambiental. É impossível continuar aumentando as atividades antrópicas em um quadro onde prevalece o fluxo metabólico natural entrópico.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/10/2017

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

CLARA NUNES - SECA DO NORDESTE

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Economistas: Demasiada Ideologia, Muito Pouca Arte

por Simon Wren-Lewis 

Paul Krugman argumentou outro dia que a crença na necessidade de um novo pensamento econômico após a crise financeira era incorreta, mas levou a algumas idéias loucas, mas influentes, que se adequavam ao dinheiro e ao direito político. Embora eu concorde com muito do que Paul diz, gostaria de acrescentar algo. Esses pensamentos são fortemente influenciados pelo fato de eu estar no meio da leitura do novo livro de Dani Rodrik, chamado Straight Talk on Trade.
No prefácio desse livro, ele conta a história de como há 20 anos atrás ele pediu a um economista para endossar um livro anterior chamado Has Globalization Gone Too Far? O economista disse que não podia, não porque ele discordasse de nada no livro, mas porque achava que o livro "forneceria munições aos bárbaros". Dani Rodrik argumenta que essa atitude ainda é comum. Essa atitude é, é claro, muito política e muito não científica.
Eu suspeito que algo parecido poderia ter ocorrido antes da crise financeira entre os economistas que trabalham em finanças. Paul Krugman certamente está certo de que a economia geral continha modelos que poderiam explicar muito por que a Crise Financeira Global (GFC) aconteceu, então pouco pensamento era necessário nesse sentido. Mas uma razão pela qual tão poucos economistas convencionais usaram esses modelos antes que o evento devesse, pelo menos, algo a uma aversão ideológica à regulação, e talvez também não desejando morder a mão que o alimenta.
Uma das características da economia atual hoje é a enorme diversidade de modelos que estão por aí. O prestígio acadêmico tende a vir para aqueles que se somam a esse número. Mas como você decide qual modelo usar quando investigar um problema específico? A resposta é analisar evidências sobre aplicabilidade. Essa não é uma tarefa trivial por causa da natureza probabilística e diversa da evidência econômica, e Dani Rodrik descreve esse processo como mais um ofício do que uma ciência.
Então, no caso do GFC, uma boa arte foi ao ver que novos métodos de propagação de riscos eram vulneráveis ​​a eventos de todo o sistema. Um bom ofício era ver, se você tivesse acesso aos dados, que os rápidos aumentos na alavancagem bancária deveriam ser sempre uma preocupação. E, mais geralmente, os argumentos que começam com "desta vez era diferente" geralmente não terminam bem.
Na minha própria disciplina, posso pensar pelo menos uma área que não deveria sair do chão se a maquinação da seleção do modelo tivesse sido bem aplicada. Os modelos de RBC nunca descreveram os ciclos econômicos porque sabemos que o aumento do desemprego em uma recessão é involuntário. Se você não aplicar o ofício bem, então o que pode substituí-lo é ideologia, política ou pensamento coletivo simples. Este não é apenas um problema para alguns economistas individuais, mas às vezes pode ser uma preocupação para a maioria.

domingo, 22 de outubro de 2017

Os Melhores Choros de Todos os Tempos