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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O rombo do déficit da Previdência e o tripé macroeconômico satânico

Ontem, o brasileiro foi bombardeado por toda a mídia seja jornais ou televisão sobre o rombo da Previdência dos setores público e privado no que se refere a magnitude de R$ 266 bilhões em 2017.
A imagem pode conter: 1 pessoaAssim, não é surpresa para nenhum analista econômico este elevado déficit em razão da dinâmica do crescimento da despesa da Previdência nos últimos anos. Não obstante, e que é surpreendente é não saber a raiz do problema, ou seja, flertamos com essa bomba há 35 anos conforme a análise do economista, Fábio Giambiangi, e que foi ignorada totalmente pelos políticos e que resultou hoje no sistema de previdência mais generoso do mundo, principalmente do setor público no que se refere aos altos salários. quando se avalia a dinâmica explosiva do incremento do déficit atuarial para os próximos anos.
Neste contexto, avaliando a trajetória explosiva do déficit da Previdência é que temos que analisar o outro fator que foi a implementação do tripé macroeconômico (metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário) em um contexto de abertura econômica e financeira e com excessiva insustentabilidade da política fiscal.
Portanto, ao invés do tripé macroeconômico atuar de forma eficiente para manter a inflação baixa o seu efeito foi devastador no que se refere a destruição do PIB e da base tributária dos impostos vinculados a renda, consumo, produção, lucros, serviços e faturamento. Ou seja, foi mantido por muito tempo a inflação baixa para padrões históricos brasileiros, mas a inflação só teve uma queda colossal para 2,95% em 2017 efeito da queda da massa salarial e, principalmente do elevado pagamento do serviço da dívida interna e externa do setor privado no montante de R$ 833 bilhões em 2017.
Assim, quando for analisar o déficit da Previdência avalie também quanto foi o impacto da destruição da base tributária da Contribuição Social do Lucro Líquido (CSLL) nos últimos anos relacionado ao efeito da despesa de variação cambial de dólar médio de R$ 2,20 em 2014 para R$ 3,30 de 2015 a 2017.
Não se brinca com tripé satânico, pois este é resultado do aumento da receita corrente apropriada pelo setor público consolidado em % do PIB, câmbio valorizado ou sobre apreciado excessivamente efeito da alta taxa de juro real. Assim, o resultado foi a destruição do PIB relacionado ao tripé satânico e destruição da base tributária dos impostos vinculados a renda, consumo, produção, lucros, serviços e faturamento. E o pior sem aprovação da reforma da Previdência o efeito do tripé satânico poderá se transformar em um tsunami associado a forte depreciação do real ante ao dólar e, portanto, elevaria significativamente a sangria do lucro das empresas efeito variação da despesa cambial.
Quando terminou, no início do século 21, o ciclo de implantação das principais medidas de políticas sociais compensatórias embutidas na falácia da Constituição de 1988, ficou a impressão de o Brasil tinha encontrado a mágica gasto pró cíclico eternamente para reduzir a desigualdade extrema, bem como tinha dotado a economia brasileira de um conjunto de estabilizadores automáticos que poderiam blindá-la de eventuais recessões futuras. Assim, estabilizadores automáticos são mecanismos institucionais (seguro-desemprego, Previdência Social, tributação progressiva sobre rendimentos, etc.) que dão sustentação à renda nacional em conjunturas econômicas adversas, mas não em um país sob condições de tripé satânico por 20 anos.
Ou seja, os políticos corruptos ao promulgarem a Constituição de 88 criaram uma dinâmica explosiva do crescimento do gasto público em % do PIB em razão do efeito pró cíclico e que resultou na seguinte dualidade uma alta concentração de renda associada ao sistema de financiamento de corrupção da dívida pública e um sistema previdenciário público e privado totalmente falidos e que agrava ano após ano o cenário de abismo fiscal, convulsão social e depressão econômica.

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