"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Qual é a diferença entre criptomoeda, moeda virtual e dinheiro digital?

Cuál es la diferencia entre criptomoneda, moneda virtual y dinero digital

ALEJANDRO NIETO

A febre Bitcoin está criando alguma confusão na terminologia que é usada para se referir a essas moedas. Às vezes, esse tipo de moeda é chamado de criptomoeda, outras vezes moeda virtual e às vezes dinheiro digital. No entanto, os três termos não são intercambiáveis.

Isso pode gerar confusão bastante séria, como quando um meio de comunicação disse que o Banco da Inglaterra estava preparando uma criptomoeda, quando na realidade é uma moeda virtual. Em outras ocasiões, não estamos errados, já que a Venezuela realmente prepara sua criptomoeda. Vamos ver as diferenças.

Digital é (praticamente) tudo

O dinheiro digital é, em geral, qualquer meio de troca monetária feito por meios eletrônicos. Quando uma transferência de dinheiro é feita de uma conta bancária para outra, o dinheiro digital está sendo usado. Ao pagar com um cartão em uma loja também.

Ou seja, quando um pagamento ou envio de dinheiro é feito sem trocas físicas de moedas ou contas, dinheiro digital está sendo usado. Praticamente todo o dinheiro no mundo é digital, já que o dinheiro representa apenas aproximadamente 8% do dinheiro em circulação.

Portanto, quando alguém se refere ao dinheiro digital deve estar falando, simplesmente, dinheiro. O dinheiro do dia a dia é digital. A grande maioria dos assalariados do mundo cobra e paga em dinheiro digital. O dinheiro digital é dinheiro.

Virtual, há alguns

Agora, às vezes falamos sobre moeda virtual. O dinheiro virtual é dinheiro que só existe no formato digital. Por exemplo, em muitos jogos de vídeo existe internamente uma moeda com a qual você pode comprar objetos. Esse dinheiro que é usado dentro do jogo é virtual.

Também pode haver dinheiro virtual que não é o protagonista de um videogame, por exemplo, uma moeda criada por empresas ou fãs que pretendia substituir o dinheiro físico atual por uma nova moeda fora do controle dos bancos centrais. Um exemplo poderia ser E-gold, que acabou por fechar devido a problemas legais.

Por definição, as moedas virtuais são todas digitais. Como eles não existem fisicamente, não há dinheiro de papel deles, eles precisam ser 100% digitais. Portanto, todas as moedas virtuais são digitais, mas nem todas as moedas digitais são virtuais (um exemplo é uma conta bancária em euros, é digital, mas não virtual).

Criptomoedas, um subgrupo das anteriores

Dinheiro digital e virtual vem conosco há décadas, mas as criptomoedas são mais recentes. Criptomoedas, como o Bitcoin, são um tipo de moeda virtual que não tem um emissor específico, protegido pela criptografia e que, em princípio, sua coerência pode ser protegida por uma verificação massiva e distribuída dos usuários.

Portanto, as criptomoeda são dinheiro virtual e digital. Mas ao contrário de outras moedas virtuais, eles não têm controle centralizado, mas são distribuídos e baseados em criptografia para evitar a manipulação de qualquer um dos seus membros.

Pode-se concluir que todas as criptomoedas são moeda virtual e dinheiro digital, mas não vice-versa. Ao falar sobre dinheiro digital, você pode estar falando sobre qualquer moeda no mundo (o Euro e o Dólar também), e quando você fala sobre moeda virtual, pode não ser uma criptomoeda, mas uma moeda com um emissor específico. Esperamos que os termos sejam usados ​​corretamente no futuro e não haja mal-entendidos.

O Frankenstein de Mary Shelley na Sapucaí

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Frankenstein de Mary Shelley na Sapucaí
Imagem: Twitter – @luizzffilipe


A Escola de Samba Beija-flor de Nilópolis trouxe para a Sapucaí, no carnaval 2018, uma justa homenagem ao livro “Frankenstein, ou o moderno Prometeu”, de Mary Shelley, que foi publicado originalmente no dia 01 de janeiro de 1818 e que, portanto, acabou de completar 200 anos.
O samba-enredo, comandado por Neguinho da Beija-flor e acompanhado pelo público na Avenida, teve como título “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”.
A ideia do enredo foi do coreografo Marcelo Misailidis, que aproveitou o mote do livro de Mary Shelley de apresentar um monstro criado pelo próprio ser humano e não como uma aberração da natureza. Um monstro que ameaça a ordem social e institucional não por sua maldade intrínseca, mas por ser o resultado de uma estrutura injusta, preconceituosa e excludente, que renega e não cuida das consequências não antecipadas e indesejáveis do modelo que prega ordem e progresso.
A Beija-flor apresentou um Brasil monstruoso e deformado pela corrupção, pela desigualdade, pela violência e pelas intolerâncias de gênero, racial, religiosa, esportiva, etc. As alegorias lembraram muito o icônico desfile “Ratos e Urubus”, de Joãozinho Trinta, de 1989.
A crítica social foi forte. Teve a ala dos roedores dos cofres públicos, a ala dos lobos em pele de cordeiro, a alegoria das transações ocorridas no prédio da Petrobras entre os políticos brasileiros e os empreiteiros. O carro encenando a violência cotidiana do Rio de Janeiro, mostrou crianças morrendo na escola, mães enterrando seus filhos, policiais baleados, caixões, ocorrências de assaltos e vidas devastadas. Vítimas da guerra ao tráfico de drogas e um destaque representou o encarceramento em massa nas prisões do Brasil. Aliás, os tiroteios, os assaltos e os arrastões proliferaram durante a folia de carnaval na Cidade Maravilhosa (cada vez mais monstruosa).
A ala “Imposto dos Infernos” trouxe a crítica às altas taxas cobradas desde o ciclo do ouro (Derrama) e relembrou o Brasil como o país que tem maior carga tributária. A “Corte da Mamata – Quadrilha” no poder trouxe os passistas como ratos e abutres para mostrar os interesses dos líderes políticos, satirizada com colarinhos brancos e caixas de pizza. Na festa pagã, também apareceu a “guerra santa brasileira”, representando a religião na política e o fundamentalismo religioso.
As baianas se vestiram de “santas do pau oco”, prática no Brasil colônia de esconder ouro dentro de imagens de santos. A ala “Ali Babá e os bobos”, mostrou o lucro excessivo dos vendedores de especiarias na era colonial. Mais atual, a ala “Vampiros sanguessugas exercem seus podres poderes”, representa os políticos como “morcegos-vampiros” que sugam o sangue do povo. Não faltou lobo em pele de cordeiro e suas malas de dinheiro.
A Beija-Flor também levou para a avenida a “farra dos guardanapos”, como ficou conhecido o jantar luxuoso que o ex-governador Sergio Cabral promoveu em Paris, no qual políticos e empresários do Rio, bêbados, foram fotografados com guardanapos na cabeça e hoje, a maioria está presa ou sob investigação.

Frankenstein de Mary Shelley na Sapucaí
Foto: G.R.E.S Beija-Flor de Nilópolis – Facebook

Evitando qualquer ufanismo, contornou a narrativa apologética do Brasil como uma “Terra adorada” e uma amada “Mãe gentil”, para mostrar “Os filhos abandonados da pátria que os pariu”.
Sem dúvida, há uma coincidência entre o fim da onda revolucionária que varreu a Europa no final do século XVIII e a crise lamentável e permanente da Nova República brasileira. O monstro criado por Mary Shelley é também uma metáfora sobre os filhos abandonados da Revolução Francesa e da corrupção dos ideais de “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.
Mary Shelley (1797-1851) era filha de dois grandes expoentes do iluminismo, William Godwin – filósofo e político revolucionário que defendia as ideias libertárias da Revolução Francesa, escrevendo, dentre outros, o famoso livro “Inquérito acerca da justiça política” (1793) – e Mary Wollstonecraft – pioneira do feminismo moderno que escreveu o seminal livro “Reivindicação dos Direitos da Mulher” (1792).
Com seu marido – o famoso poeta romântico Percy Shelley (1792-1822) – o casal lutou contra a monarquia, a tirania, o militarismo, o preconceito religioso, a escravidão, a ignorância, as injustiças e as desigualdades de todos os tipos. Eles eram a favor da democracia, da liberdade de expressão, do anarquismo, do ateísmo, do vegetarianismo, do amor livre e de uma sociedade melhor e mais justa.
Percy Shelley, com sua ideologia social-libertária, defendeu o direito das pessoas se levantarem contra os governos, mas por meio da não-violência, o que influenciou a filosofia da “Desobediência civil” de Henry Thoreau e a “Satyagraha” de Mahatma Gandhi.
O escritor esloveno Slavoj Zizek, no livro “Em defesa das causas perdidas” (2011) diz: “É fácil mostrar que o verdadeiro foco de Frankenstein é a ‘monstruosidade’ da Revolução Francesa, sua degeneração em terror e ditadura. Mary e Percy Shelley eram estudiosos ardentes da literatura e das polêmicas relativas à Revolução Francesa. Victor cria seu monstro em Ingolstadt, a mesma cidade que Barruel – historiador conservador da Revolução cujo livro Mary leu repetidas vezes – cita como fonte da Revolução Francesa (foi em Ingolstadt que a sociedade secreta dos Illuminati planejou a revolução)”.
O livro “Frankenstein, ou o moderno Prometeu” é realmente uma grande referência para o século XXI. Se no passado foi uma metáfora sobre as promessas da ciência e da tecnologia dos primórdios do capitalismo que, ao destruir a ordem do Antigo Regime, gerou inúmeras injustiças e grandes desigualdades sociais, na contemporaneidade, o livro serve de alerta contra os desenvolvimentos científicos e tecnológicos que podem criar desastres nucleares como em Chernobyl e Fukushima, ou novos monstros, como a Inteligência Artificial desregrada, os transumanos imortais e os robôs assassinos. Viva Mary Shelley!

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/02/2018