"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

quinta-feira, 29 de março de 2018

O grande crescimento global da energia solar em 2017

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves


evolução global anual da capacidade instalada de energia solar fotovoltaica: 2000-2017

O mundo adicionou quase 100 GW de energia solar fotovoltaica (PV) em 2017. O que foi adicionado em 2017 corresponde a toda a capacidade acumulada global até 2012. Isto equivale a mais de 7 usinas hidrelétricas de Itaipu construídas em um só ano.
O crescimento da energia solar PV tem ocorrido acima de todas as expectativas e já coloca esta fonte de energia renovável como a de maior crescimento e aquela que deve apresentar os maiores avanços nos próximos anos, em função da redução do preço de produção e devido à capacidade de atender a demanda do mercado, especialmente na produção e distribuição decentralizada.
Enquanto a energia solar PV aumentou a capacidade anual em 98,9 GW a energia eólica aumentou sua capacidade anual em 52,6 GW em 2017. O predomínio solar é evidente e esta fonte de energia renovável tem um futuro brilhante pela frente.
Em 2016, os três maiores produtores foram China, que adicionou 34,5 GW (representando 45% do total mundial), Estados Unidos, que adicionou 14,8 GW (representando 19% do total global) e Japão, que adicionou 8,6 GW (representando 11% do total). Em 2017, a liderança da China foi ainda maior, pois o gigante asiático adicionou 52,8 GW (representando mais da metade da capacidade instalada global), seguida dos EUA com apenas 11,8 GW (representado 12% do total) e a Índia vindo em terceiro lugar com 9,6 GW (representando 10% do total).
Nota-se que no ano passado a China e a Índia (Chíndia) foram responsáveis por quase dois terços na nova capacidade instalada de energia solar fotovoltaica. Tudo indica que estes dois países vão continuar na dianteira em 2018.

os três maiores produtores de energia solar

Como já destaquei em outras ocasiões, o mundo baseado na energia renovável é inevitável. Como se diz: “O futuro será renovável ou não haverá futuro”. Contudo, mesmo que o mundo consiga chegar a 100% de energia renovável em 2050, a concentração de CO2 na atmosfera (que neste mês de abril de 2018 deve ultrapassar 410 ppm) pode ir além de 500 ppm até 2050 e tornar o aquecimento global incontrolável nos limites necessários para evitar uma tragédia.
Além do mais, existem muitas dúvidas se o aumento da capacidade instalada de energias renováveis será capaz de funcionar em uma rede inteligente global. Gail Tverberg considera que existe muita ilusão sendo vendida em nome das energias “limpas” (ver artigo de 30/01/2017). Todavia, sem dúvida, o avanço da transição energética é melhor do que a dependência dos combustíveis fósseis.
O sol é um recurso natural abundante e renovável, mas, certamente, não pode fazer milagres e nem evitar o imperativo do metabolismo entrópico, como ensina a escola da economia ecológica. A humanidade já ultrapassou a capacidade de carga do Planeta. Como alertou o ambientalista Ted Trainer (2007), as energias renováveis não são suficientes para manter a expectativa das pessoas por um alto padrão de consumo conspícuo. Trainer prega um mundo mais frugal, com decrescimento demoeconômico, onde as pessoas adotem um estilo de vida com base nos princípios da Simplicidade Voluntária.
O futuro da Terra pode ser brilhante, mas apenas se houver uma mudança radical do modelo de produção e consumo hegemônico e se a Era dos Combustíveis Fósseis for superada pela Era do Sol (do Vento e da água), com redução das atividades antrópicas. O mundo precisa urgentemente descarbonizar a economia e recuperar os ecossistemas, além de ampliar as áreas anecúmenas e promover o bem-estar de todas as espécies vivas do Planeta.
A revolução necessária vai muito além das energias renováveis e requer o decrescimento demoeconômico para equilibrar a Pegada Ecológica com a Biocapacidade da Terra.
Referências:
ALVES, JED. Energia renovável: um salto na evolução? , Ecodebate, 29/01/2010

ALVES, JED. Ascensão e queda da civilização dos combustíveis fósseis, Ecodebate, 02/04/2014

Ted Trainer. Renewable Energy Cannot Sustain a Consumer Society, Springer, 2007

Gail Tverberg. The “Wind and Solar Will Save Us” Delusion, Our Finite World, 30/01/2017

Joshua S Hill. Global Solar Market Installed 98.9 Gigawatts In 2017, Cleantechnica, 19/03/2017


José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/03/2018