"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 28 de julho de 2018

Brasil e África do Sul são coadjuvantes no grupo B-RIC-S e na nova ordem mundial

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

participação do PIB dos membros do BRICS no PIB mundial

A 10ª Cúpula do BRICS, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, acontecerá entre os dias 25 e 27 de julho de 2018, no Centro de Convenções de Joanesburgo, na África do Sul, com a presença dos cinco chefes de Estado do bloco. Foram convidados também para a reunião, os governantes de nove nações africanas e chefes de Estado e de governo de países de outras regiões.
A primeira reunião formal do grupo BRICS aconteceu em 2009, na Cúpula de Ecaterimburgo, na Rússia. Mas o termo BRIC foi inventado, em 2001, pelo economista Jim O’ Neill, do banco de investimento Goldman Sachs, com o objetivo de orientar as empresas e os investidores mundiais como ganhar dinheiro com os grandes países “emergentes” do mundo: Brasil, Rússia, Índia, China. O termo fez grande sucesso, mas no acrônimo original não havia nenhum país da África, o que foi corrigido incluindo a maior economia do continente que é a África do Sul (South África). Assim, o termo BRIC ganhou uma letra a mais, se transformando em BRICS.
O gráfico acima mostra que havia certa proximidade na participação do PIB de cada país do BRICS no PIB mundial, na virada do milênio. Em 2001, o PIB da China representava 7,8% do PIB global, o da Índia representava 4,3%, da Rússia 3,4%, Brasil 3,1% e África do Sul 0,7%, segundo dados do FMI, de abril de 2018, em poder de paridade de compra (ppp, na sigla em inglês). Mas as diferenças aumentaram nos anos seguintes. Em 2018, O PIB da China passou para 18,7% do PIB mundial, a Índia passou para 7,7%, a Rússia caiu para 3,1%, o Brasil caiu para 2,5% e a África do Sul caiu para 0,6%. O PIB conjunto do BRICS subiu de 19,3% do PIB global em 2001 para 32,6% em 2018, sendo que o PIB do RIC passou de 15,5% para 29,5%, no mesmo período. Ou seja, enquanto o RIC quase dobrou de tamanho, a soma de Brasil e África do Sul caiu de 3,8% em 2001, para 3,1% em 2018.
Em termos de renda per capita (em ppp), a Rússia sempre apresentou os maiores valores, em segundo lugar vinha o Brasil, depois a África do Sul, seguido da Índia e a China com a menor renda per capita durante toda a década de 1980. Em 2018, a Rússia continuava com a maior renda per capita, mas a China assumiu o segundo lugar, deixando Brasil e África do Sul para o terceiro e quarto lugar. A Índia está em quinto lugar, mas apresenta o crescimento mais acelerado da renda per capita em todo o período e pode ultrapassar o Brasil e a África do Sul na década de 2020.

renda per capita dos cinco países do grupo BRICS

Portanto, pelo tamanho do PIB e pelo desempenho econômico dos últimos anos, o Brasil e a África do Sul são coadjuvantes no BRICS, pois o protagonismo tem sido assumido pelo RIC (Rússia, Índia e China). Este subgrupo central do BRICS forma o que se convencionou chamar de “Triângulo estratégico”, que busca unificar a Eurásia em um grande bloco econômico e político que pode deslocar a hegemonia global do Ocidente para o Oriente.
O Brasil e a África do Sul também são coadjuvantes no G20 que inclui o G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) e mais 12 países ditos “emergentes”: China, Índia, Rússia, Indonésia, Brasil, México, Turquia, Coréia do Sul, Arábia Saudita, Austrália, Argentina e África do Sul (além da União Europeia). A próxima reunião do G20 será na Argentina, entre 30 de novembro e 01 de dezembro de 2018.
Em reunião ministerial do G20, em Buenos Aires, dia 21/07, Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, alertou para a possibilidade de uma redução do crescimento ou recessão global, no máximo em 2020, devido ao crescente protecionismo, com efeitos mais drásticos nos chamados países frágeis, que inclui Brasil e África do Sul. Na reunião, os ministros das Finanças do G-20 evitaram palavras mais fortes, mas ficou clara a tensão entre EUA, China e União Europeia. O secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, disse que seu país espera “que a China avance no sentido de um comércio mais equilibrado”. Realmente o alto endividamento público e privado e os desequilíbrios comerciais ameaçam a estabilidade internacional e o próximo encontro do G20, daqui 4 meses, não será nada fácil.
Neste contexto global, se destaca o grupo RIC – o triângulo estratégico – que faz parte do BRICS e do G20. Mas o RIC também é o núcleo central da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), composta por oito membros plenos, que são China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Uzbequistão, Índia e Paquistão. Do ponto de vista global e de influência na Eurásia, a OCX é maior e mais dinâmica do que o BRICS. Na 18ª cúpula da OCX, ocorrida nos dias 9 e 10 de junho de 2018, na cidade de Qingdao, o presidente Xi Jinping disse: “A cúpula de Qingdao é um novo ponto de partida para nós. Juntos, vamos içar a vela do Espírito de Xangai, quebrar ondas e iniciar uma nova viagem para nossa organização”.
No mês de julho de 2018, a Rússia deu dois passos para aumentar a sua influência internacional. O primeiro foi a realização da Copa do Mundo de Futebol que foi bem organizada e atraiu a atenção global para as riquezas das culturas russa e eslava. O segundo passo foi a realização da Cúpula entre Vladimir Putin e Donald Trump, em Helsinque, no dia 16 de julho. Se os finalistas da Copa do Mundo tivessem sido Rússia e Estados Unidos, Putin teria não só vencido a disputa, mas teria sido escolhido a revelação do torneio, o craque da Copa e o goleador do campeonato mundial. Enquanto Putin saia do isolamento ocidental e era reconhecido como estadista pela maior “Potência Ocidental” e pelo “País líder do mundo livre”, Trump chegou na Finlândia depois ter feito críticas duras à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e ter deixado perplexo seus aliados históricos e líderes da Ocidentalização.
Evidentemente, a Rússia sozinha não tem tanto poder de fogo na economia internacional. Mas junto com a China, o país mais extenso do mundo se torna uma grande potência e a China não está mais escondendo o seu jogo. Por exemplo, o presidente chinês, antes da reunião do BRICS em Joanesburgo, realizou um giro pela África para consolidar o papel da China como um dos aliados econômicos e diplomáticos mais próximos do continente. Depois de uma breve parada no Golfo Pérsico, o itinerário de Xi – sua primeira viagem ao exterior desde o início de seu segundo mandato como líder máximo – abarca o Senegal, Ruanda, África do Sul e Maurício, abrangendo quase todos os cantos da África Subsaariana, mostrando que a influência econômica chinesa e as suas ambições estratégicas estão crescendo a cada ano.
O valor das transações bilaterais entre China e África somam mais de US$ 250 bilhões, valor superior a toda a pauta de exportações brasileiras com o mundo. A nova visão estratégica da China passa pela crescente presença mundial por meio do investimento em infraestrutura, compra de empresas e terras nos diversos países, conquista no acesso às matérias-primas, exportação de capitais e exportação de mercadorias, com fortalecimento de políticas mercantilistas.
Reportagem da rede CNN, em 21 de julho de 2018, repercute o pensamento de Michael Collins, oficial da CIA, que em fala no Fórum de Segurança de Aspen, durante uma sessão sobre a ascensão da China, disse que o presidente chinês Xi Jinping e seu regime estão travando uma “guerra fria” contra os EUA e que o objetivo das operações de influência da China em todo o mundo é substituir os Estados Unidos como a principal superpotência do mundo.
Estas afirmações de um diretor da CIA, que, sem dúvida, são reais, são também preocupantes, pois reforçam a guerra comercial que já avança de vento em popa entre EUA e China e, ao mesmo tempo, caminham no sentido de aumentar as possibilidades de um conflito bélico entre as duas grandes potências, como formulado na abordagem da “Armadilha de Tucídides”.
Desta forma, não só no BRICS, mas também neste novo cenário geopolítico global, a China se torna a nação protagonista e a Rússia e a Índia se tornam aliados do protagonismo triangular do grupo RIC. Consequentemente, Brasil e África do Sul são apenas coadjuvantes, o que não quer dizer que serão necessariamente fantoches e que não possam ter papel importante para defender uma ordem global justa, democrática, pacífica e com prosperidade social e ambiental.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/07/2018

A nova projeção da população brasileira do IBGE

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves


diferentes projeções para a população brasileira: 2010-2100

População / Demografia

O IBGE divulgou as novas projeções da população brasileira, na última quarta-feira, dia 25 de julho, com a população estimada em 208,5 milhões de habitantes em 2018. A grande novidade, em relação à projeção anterior, é que o pico populacional acontecerá em 2047, quando o número de brasileiros chegará a 233,2 milhões de pessoas. Nos anos seguintes, haverá um decrescimento demográfico e a população brasileira deverá ficar com 228,3 milhões de habitantes em 2060.
Projeções demográficas não são exercícios de tiro ao alvo, pois é muito difícil acertar na mosca com décadas de antecedência. Traçar o caminho provável é mais importante do que supor o ponto exato da chegada. O que as projeções fazem é computar um cenário populacional de médio e longo prazo, a partir de técnicas demográficas sofisticadas, considerando a estrutura por idade e sexo (em um dado momento), o histórico da dinâmica das taxas de mortalidade, fecundidade e migração, no passado recente, e as suposições sobre as tendências futuras das três taxas, que constituem os três componentes básicos da demografia. Estimar o volume e a composição dos indicadores demográficos do futuro é fundamental para o bom planejamento das políticas públicas e para a correta tomada de decisão dos investimentos do setor privado. Quando se alteram as condições socioeconômicas, que afetam os componentes demográficos, os números projetados também se modificam. Por isto, as projeções demográficas precisam ser atualizadas periodicamente.
Nas projeções divulgadas cinco anos atrás (revisão de 2013), o IBGE previa uma população de 209,2 milhões de habitantes em 2018, um pico populacional de 228,4 milhões em 2042 e uma população de 218,2 milhões em 2060. Portanto, o que mais mudou não foram os números de 2018, mas sim a data do máximo populacional e a população projetada para 2060. Na projeção divulgada essa semana, a população de 2018 é menor do que a prevista na revisão 2013, mas a população das décadas seguintes é maior. O que aconteceu foi uma mudança na população de partida (2010), usando a estrutura etária do censo de 2010 com calibração para melhorar a cobertura para a população em idade mais jovem e também uma revisão das taxas de fecundidade para o futuro, que, neste momento, não indicam uma queda tão rápida como na revisão anterior
Para efeito de comparação, o gráfico acima apresenta o resultado do volume populacional entre 2010 e 2060, segundo as duas últimas projeções do IBGE e a projeção média realizada pela Divisão de População da ONU, revisão 2017. Nota-se que a projeção da ONU, entre 2010 e 2060 está muito próxima da revisão 2018, do IBGE, com o pico populacional ocorrendo também em 2047 e a população de 2060 em 229,3 milhões contra 228,3 milhões. A projeção da ONU se estende até o final do século e estima uma população de 190,4 milhões de habitantes em 2100.
Observa-se que até 2030 as três projeções apresentadas no gráfico são muito semelhantes. As diferenças ocorrem nas décadas seguintes e decorrem de hipóteses diferenciadas, fundamentalmente, sobre o comportamento futuro da taxa de fecundidade. Indubitavelmente, o censo de 2020 vai trazer elementos mais precisos sobre a dinâmica demográfica brasileira atual e fornecerá elementos mais precisos para subsidiar um nova projeção populacional a ser realizada no início da década de 2020.
O que temos de incerteza e de certeza sobre as projeções sobre o futuro da população brasileira no século XXI?
Não há certeza sobre o número exato da população nas próximas décadas e nem a data precisa do momento em que a população vai fazer a transição do crescimento para o decrescimento demográfico (pico populacional). Mas há uma certeza muito grande que a população brasileira vai continuar crescendo nas duas próximas décadas, deve passar por um ponto de inflexão em algum momento da década de 2040 e deve apresentar decrescimento populacional na segunda metade do atual século. É difícil saber qual será o volume exato da população brasileira em 2100, mas se não for os 190 milhões previstos na projeção da ONU, existe uma alta probabilidade que seja um valor menor do que o atual.
Outra certeza é que a sociedade brasileira vai passar por um rápido processo de envelhecimento populacional e a proporção de idosos vai superar a proporção de jovens de 0 a 14 anos. Mas isto é assunto para um outro artigo.
Referências:
IBGE: Projeção da População das Unidades da Federação por sexo e idade: 2000-2030, revisão 2013http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_populacao/2013/default.shtm
IBGE: Projeção da População (revisão 2018), Rio de Janeiro, 25/07/2018

UN/DESA, World Population Prospects: The 2017 Revision.


José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/07/2018

terça-feira, 24 de julho de 2018

A crise mais prolongada e profunda do emprego formal no Brasil

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

“Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições
justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego”
Artigo 23 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (10/12/1948)

comportamento do emprego formal no Brasil: dez/2014 a jun/2018

O Brasil continua decepcionando na geração de emprego, especialmente no mercado formal. O desemprego e o subemprego continuam afetando milhões de brasileiros que desejam trabalhar mas não encontram vagas no mercado. O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) ficou negativo em 661 vagas no mês passado, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Trabalho na última sexta-feira. O mês de Junho apresentou o primeiro corte de vagas formais do ano. No total de 2018, o saldo é positivo em pouco menos de 400 mil vagas. Mas considerando os últimos 3 anos e meio o dados são desastrosos e desanimadores.
Considerando os números desde as últimas eleições presidenciais, o desempenho do mercado formal de trabalho, do Caged, no conjunto, está no vermelho há 43 meses, pois as demissões superaram as contratações em mais de 3 milhões de postos entre dezembro de 2014 e junho de 2018. Os números são assustadores, pois, na média, a perda é de cerca de 75 mil vagas por mês ou 2,5 mil vagas por dia.
A crise econômica brasileira fechou um grande número de postos de trabalho com carteira assinada em dezembro de 2014 (ainda no primeiro mandato de Dilma-Temer) e em 2015 e 2016, os piores momentos da recessão. Em 2017, houve saldo positivo na geração de emprego durante 8 meses, mas no conjunto do ano o saldo foi negativo. No primeiro semestre de 2018, o saldo na geração de emprego é positivo, mas está longe de recuperar o que foi perdido desde dezembro de 2014. O nível do emprego formal em junho de 2018 estava, aproximadamente, no mesmo nível do emprego do final de 2010. O Brasil teve um octênio perdido no mercado de trabalho formal.
Segundo dados da PNAD Continua do IBGE, o desemprego aberto está em torno de 13% (representando cerca de 13 milhões de pessoas) e a taxa de subutilização da força de trabalho chegou à impressionante taxa de 25%, no 1º trimestre de 2018, o que representa cerca de 27 milhões de trabalhadores “jogados na rua da amargura do desemprego”.
Este desperdício do potencial de trabalho humano acontece no instante em que o Brasil vive o seu melhor momento demográfico da história, quando a razão de dependência demográfica (que mede o percentual de pessoas em idade ativa em relação as pessoas dependentes) está em seu menor valor. No passado, a razão de dependência era alta por conta de uma estrutura etária jovem e, no futuro, a razão de dependência voltará a subir por conta do envelhecimento populacional.
O desperdício do bônus demográfico equivale a jogar fora uma oportunidade única para dar um salto na qualidade de vida da população. Todo país com alto IDH passou pelo bônus demográfico e soube aproveitar esta chance singular. Mas a crise brasileira (com queda do PIB e do emprego) e a lenta recuperação (com baixo crescimento do PIB e do emprego) estão fazendo o Brasil ter a sua segunda década perdida e não haverá condições demográficas tão propícias jamais nos séculos vindouros.
A crise do mercado de trabalho na presente década significa a perda do futuro do país e do futuro não só da juventude atual (que sofre mais que proporcionalmente com a escassez de oportunidades de trabalho) mas do futuro das gerações que ainda vão nascer e que vão herdar mais problemas do que soluções.
O Brasil está emparedado e o passo fundamental para mudar esta triste página da história é possibilitar que cada cidadã e cidadão brasileiro possa ter orgulho de trabalhar para si sustentar e para garantir a sustentabilidade econômica e ambiental da nação. O trabalho é a base da riqueza das nações e o pleno emprego e o trabalho decente devem ser a prioridade número 1, pois é o direito humano mais desrespeitado atualmente no Brasil.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/07/2018