"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

O bônus demográfico: população total e população em idade ativa no Brasil

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

população total e população em idade ativa (PIA), Brasil

O IBGE divulgou as novas projeções da população brasileira, no dia 25 de julho de 2018, confirmando as tendências da transição demográfica e do envelhecimento populacional, mas com algumas ligeiras modificações que tem incentivado o debate sobre a dinâmica populacional brasileira e, em especial, sobre a mensuração do importante período em que a estrutura etária favorece o desenvolvimento humano e a qualidade de vida da população.
A transição demográfica (passagem de altas para baixas taxas de mortalidade e natalidade) leva necessariamente a uma mudança da estrutura etária que, por sua vez, cria uma janela de oportunidade demográfica, que se constitui em uma oportunidade única na história para garantir um salto no padrão de vida dos habitantes de cada país. Esta janela, também é denominada bônus ou dividendo demográfico.
O gráfico acima, com os dados da projeção 2018 do IBGE, mostra alguns marcos da dinâmica demográfica brasileira. Entre 2010 e 2017, a População em Idade Ativa (PIA) passou de 132,5 milhões de pessoas para 143,6 milhões, enquanto, no mesmo período, a população total passou de 194,9 milhões para 206,8 milhões. Em 2010, a PIA representava 68% da população total, passando para 69,5% em 2017. Isto quer dizer que a PIA (quantidade de pessoas em idade ativa) crescia mais rápido do que a população total do país, melhorando a relação potencial entre “produtores efetivos” e “consumidores efetivos”. Ou seja, a janela de oportunidade estava se abrindo.
A PIA (15-64 anos) vai continuar crescendo até o ano de 2037, quando deve alcançar o seu pico de 152,9 milhões de pessoas. Neste ano, a PIA representará 66,3% da população total. Ou seja, a PIA continua crescendo, mas em ritmo inferior ao conjunto da população. Isto quer dizer que a janela de oportunidade começar a se fechar, saindo da situação de maior abertura, em 2017, para o fechamento total em 2037. Esta data marcará o fim do bônus demográfico, pois, a partir de 2038, a PIA vai ter decrescimento não só relativo, mas também absoluto. A PIA passará de 152,9 milhões de pessoas (representando 66,3% da população), em 2037, para 136,5 milhões de pessoas (representando 59,8% da população), em 2060. O número de brasileiros atingirá o pico populacional em 2047, com 233,2 milhões, decrescendo para 228,3 milhões de habitantes em 2060.
Todos estes números mostram que a janela de oportunidade demográfica começou a se abrir no início da década de 1970, chegou em sua abertura máxima em 2017 (considerando a PIA 15-64 anos), iniciando o fechamento a partir de 2018 e cerrando totalmente em 2037, quando a PIA inicia uma queda em termos absolutos, embora a população total continuará crescendo até 2047.
Em síntese, o bônus demográfico no Brasil (considerando a relação entre a PIA e a população total) teve início em 1970, apresentou uma contribuição crescente para o desenvolvimento brasileiro até 2017, terá uma contribuição decrescente até 2037 e chegará ao fim em 2038.
Portanto, o país tem menos de 20 anos para aproveitar os efeitos positivos da estrutura etária e avançar com as condições de saúde, educação e mercado de trabalho para dar um salto na qualidade de vida da população. Um país só consegue enriquecer antes de envelhecer. O Brasil tem pouco tempo para mostrar que pode ter um futuro de prosperidade.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Referências:
ALVES, J. E. D. . A polêmica Malthus versus Condorcet reavaliada à luz da transição demográfica. Textos para Discussão. Escola Nacional de Ciências Estatísticas, Rio de Janeiro, v. 4, p. 1-56, 2002.http://www.ence.ibge.gov.br/images/ence/doc/publicacoes/textos_para_discussao/texto_4.pdf
ALVES , J. E. D. O Bônus Demográfico e o crescimento econômico no Brasil. Rio de Janeiro, Aparte, Inclusão Social em Debate, IE-UFRJ, 06/12/2004. Disponível em:
ALVES, J. E. D., BRUNO, M. A. P. População e crescimento econômico de longo prazo no Brasil: como aproveitar a janela de oportunidade demográfica? In: XV Encontro Nacional de Estudos Populacionais, 2006, Caxambu. Anais do XV Encontro Nacional de Estudos Populacionais. Campinas: ABEP, 2006.http://www.abep.nepo.unicamp.br/encontro2006/docspdf/ABEP2006_302.pdf
ALVES , J. E. D. A transição demográfica e a janela de oportunidade. Braudel Papers. São Paulo, v.1, p.1 – 13, 2008.http://fernandonogueiracosta.files.wordpress.com/2010/08/transicao_demografica.pdf
ALVES, José Eustáquio Diniz. Como medir o tempo de duração do Bônus Demográfico?
Instituto Fernand Braudel de Economia Internacional, São Paulo, p.1-4, maio 2008.
ALVES, J. E. D., VASCONCELOS, D. CARVALHO, A.A., Estrutura etária, bônus demográfico e população economicamente ativa: cenários de longo prazo e suas implicações para o mercado de trabalho. Texto para Discussão, 10, Cepal/IPEA, Brasília, pp. 1-38, 2010. Disponível em:
ALVES, JED, A janela de oportunidade demográfica do Brasil, Recife, Revista Coletiva, FJN, No14, mai/ago, 2014 http://www.coletiva.org/site/index.php?option=com_k2&view=item&layout=item&id=198&Itemid=76
ALVES, JED. O fim do bônus demográfico e o processo de envelhecimento no Brasil. São Paulo, Revista Portal de Divulgação, n. 45, Ano V. Jun/jul/ago, pp: 6-17, 2015
IBGE: Projeção da População (revisão 2018), Rio de Janeiro, 25/07/2018

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/11/2018

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Autoritarismo Eleitoral, Ditadura Eletiva

por Javier López


Jair Bolsonaro será presidente do Brasil. Um soldado homofóbico com excessos autoritários, que desprezou os mecanismos democráticos e ameaçou seus rivais políticos, liderará a maior potência regional da América Latina, que é agora uma gigante global. De fato, seu perfil, uma caricatura de um ditador de terceira categoria, seria cômico se não fosse pelo fato de ter acumulado mais de 50 milhões de votos. Sua eleição, com consequências incalculáveis, é a última de uma longa linha destacando a fragilidade da democracia. O que está acontecendo com nossas sociedades quando os eleitores decidem colocar seu destino nas mãos de autoritários excêntricos, enquanto a influência da extrema direita multiplica as eleições após as eleições em todo o planeta?


As democracias são como as famílias tolstoianas: as felizes se assemelham, mas cada uma é infeliz à sua maneira. No Brasil, não foram os perdedores da globalização ou do campo contra as elites urbanas que deram a vitória a Bolsonaro. Foi a classe média branca e as grandes cidades que apoiaram esse personagem obscuro. Este extremo de direita construiu uma aliança eleitoral que deu respostas a diversos setores do país. Ele prometeu valores familiares aos evangelistas, táticas de linha dura aos militares e policiais, ortodoxia econômica aos mercados e ao establishment, uma ruptura com a política tradicional para aqueles que estão fartos de corrupção e rios de ódio contra o Partido dos Trabalhadores (PT). que Fernando Haddad não pôde conter. Que o impulso do "anti-PT-ism" tenha cimentado a vitória eleitoral faz sua ascensão ao poder ainda mais sangrenta. O PT, referência da esquerda, força capaz de tirar da pobreza dezenas de milhões de trabalhadores, liderados por um ícone global, o carismático Lula da Silva: espancado por um candidato que defende a ditadura militar anterior.

Mas o Brasil tem sido apenas o último compromisso com essas características. De Donald Trump nos EUA a Narendra Modi na Índia ou Rodrigo Duterte nas Filipinas, o verdadeiro alter-ego de Bolsanaro, eles formam um mosaico de um novo autoritarismo eleitoral. Homens fortes que se tornaram veículos de ressentimento, raiva e cansaço generalizados. A resposta que muitos eleitores estão buscando para mudanças, aos olhos deles, mudanças desconcertantes, enfrentando suas sociedades: digitalização da economia e da comunicação, ascensão da diversidade, desaparecimento dos espaços tradicionais de socialização ou a transformação igualitária dos papéis de gênero. Estamos lidando com mudanças abruptas e profundas que estão por trás de uma ansiedade que impulsiona o comportamento eleitoral em pessoas que se aproximam de boletins de voto como aqueles que aplicam o freio de mão.



Um fim ao pensamento racional


Estamos experimentando um apagão emergente do pensamento racional. A incerteza provoca uma busca por uma ancoragem forte que atua como uma miragem. Diante da modernidade líquida, as pessoas clamam por referências sólidas e, diante da vulnerabilidade em uma sociedade de risco, há uma demanda por segurança. É um tipo de pêndulo reativo do qual charlatões e feiticeiros de extrema-direita envoltos no manto da nação aproveitam ao máximo. Porque é precisamente a nação que é o único andaime que parece estar de pé. Depois da morte de Deus no século XIX, ideologias no final do século XX e progresso no final do século XXI, é a velha e sempre sedutora idéia de nação que parece pronta para agir como nossa bússola coletiva. Um nacionalismo que tira proveito do nosso instinto de raízes, que protege a comunidade em um mundo acelerado e globalizado. Essa é a reação à globalização: um grito, um apelo a mais instintos animais, um apelo à recuperação do controle e à denúncia do abandono econômico. Um grito desesperado e prejudicial com causas que merecem ser respondidas, apresentando um horizonte de esperança e soluções concretas.



É nesta encruzilhada, entre a democracia nacional e um sistema global, onde o autoritarismo eleitoral encontra uma rica veia de contradições para explorar. As dificuldades de digestão que as democracias nacionais têm com a globalização são óbvias: a dissociação territorial do poder político do econômico, a falta de instrumentos para lidar com os desafios globais ou os limites impostos pela interdependência. Aqueles que se sentem livres sem poder, sob um sistema de liberdades fundamentais, mas com direito a voto que parece inútil, parecem dispostos a sacrificar a liberdade para recuperar a sensação de controle; Para conseguir isso, quem melhor para recuperar o poder do que aquele que é a própria encarnação da vontade do povo? É assim que esse jogo de espelhos funciona. Fartos do que percebem como uma deliberação impotente, decidiram votar na personificação dessa decisão.


Ao mesmo tempo, essas encarnações de “determinação nacional” se deliciam nesta era de nostalgia. A fadiga do otimismo deu lugar a uma busca pelo passado como uma narrativa positiva, gerando uma relação tóxica com o futuro que parou amanhã de ser um destino desejável para muitas pessoas e, assim, alterando um dos filhos favoritos da modernidade: o progresso. Existem muitas causas por trás deste fenómeno, mas podemos encontrar nos actuais níveis intoleráveis ​​de desigualdade as razões para a ruptura de múltiplos elementos de confiança nas nossas sociedades: confiança nas instituições, confiança nos nossos concidadãos ou confiança no futuro.
Desconstrução de mídia social

Para encontrar outras razões para o surgimento da extrema-direita, devemos olhar para profundas mudanças comportamentais na esfera das comunicações. As redes sociais tornaram-se um fator na desconstrução do debate público. Sem dúvida, eles permitiram o empoderamento individual, mas também modificaram a forma como a opinião pública é gradualmente construída. Trabalhando como câmaras de eco tribal auto-referenciais, eles são uma ferramenta gigantesca a serviço do viés de confirmação e alimentam a polarização, contornando o controle editorial e a hierarquia dos intermediários de informação. São máquinas que, mal utilizadas, podem se tornar armas de grande distração; eles nos capacitam e nos facilitam a manipulação: uma contradição que ainda não sabemos como resolver.

Mas não é apenas algo a ver com as redes sociais em si. Vivemos em uma época de grande consumo de áudio-visual e saturação de mensagens, um fenômeno alimentado por dispositivos móveis, causando estragos em nossa atenção. Bem, esta linguagem e seus códigos também colonizaram a política. O tempo de narração de “histórias”, como se estivéssemos lidando com uma série da HBO. E é uma época em que o histrionismo político e o comportamento agressivo são mais eficientes em chamar nossa atenção, como se estivéssemos assistindo a um reality show. Os homens fortes aproveitam a atração irresistível do vilão em uma boa história. Este é também o efeito da política como espetáculo. Em uma competição ilimitada para capturar nossa atenção, submetida a um constante bombardeio de insumos, mensagens e sinais, a ruptura tem sua recompensa. O prêmio é a cobertura da mídia, atenção e votos. Nada é verdade e tudo é possível: não é surpresa que tenha sido um produtor de TV, Peter Pomerantsev, que percebeu essa lógica referindo-se ao absurdo coração da nova Rússia. Entretenimento e autoritarismo: os dois lados da nova direita radical.

A Europa deve aprender a enfrentar o futuro sob este novo cenário político internacional. Um cenário em que a democracia não é mais uma fonte de autoridade universal, mas é vista como uma fraqueza estratégica. Nosso continente é perseguido pelos mesmos monstros que vagam pelo planeta que agora têm reinado livre em Roma, Budapeste e Varsóvia. Considerando que os ideais da União Européia representam a quintessência de tudo que este novo autoritarismo deseja destruir: um espaço de cooperação cosmopolita baseado em deliberações e regras.

A Europa deveria aprender com os seus erros e tomar conhecimento desta inquietação popular se não quiser ser devorada pelos seus eleitores. Para tanto, medidas devem ser tomadas, especialmente através de uma verdadeira agenda de reequilíbrio social na forma de redistribuição, para ser vista como uma armadura protetora de segurança para os cidadãos. E precisará tornar suas instituições mais robustas, pois seus pesos e contrapesos são o que nos protege dos apelos da sereia que podem acabar colocando em risco nossas democracias. Esta será a batalha política do século: a defesa da democracia. E poderia ter a Europa como seu último grande bastião.

Este artigo foi originalmente publicado (em espanhol) pela CTXT em 29 de outubro de 2018 e editado pela Social Europe.



Javier López é um deputado espanhol do Parlamento Europeu desde 2014. É o titular da delegação socialista espanhola na Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais, membro da Comissão dos Assuntos Externos e da Delegação à Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana. do Parlamento Europeu.

Festival e capacitação em YouTube para sertanejos de Recife


O Festival Bonança - o Sertão na Capital tem o propósito de reunir e integrar a comunidade sertaneja na capital pernambucana em torno de suas manifestações culturais em sentido amplo. Em sua programação, a iniciativa aposta em muita música e poesia, além da culinária típica e do trabalho dos artesãos do couro.

Os artistas presentes nesta primeira edição do Festival, além de terem a oportunidade de apresentar os seus trabalhos mais recentes, também receberão capacitação em Mídias Digitais com enfoque no YouTube para artistas populares, através da facilitadora Luciana Madureira. A iniciativa acontece neste próximo sábado (17/11), no Clube AABB, a partir do meio dia.

Atrações confirmadas:

º Chico Pedrosa: Mestre da Arte Popular reconhecido pelo Ministério da Cultura,
poeta, escritor, declamador e músico, de Guarariba, Paraíba
º Leda Dias: cantora, escritora e poetisa, de Recife, Pernambuco
º Marcos Passos: poeta e produtor cultural, de São José do Egito,
Pajeú/Pernambuco.
º Nerilson Buscapé: cantor, compositor e radialista, de Caruaru, Pernambuco
º Paulo Matricó: poeta, cantador e violeiro, de Tabira, Pernambuco
º Reinivaldo Pinheiro: músico, cantor e compositor, de Ouricuri, Pernambuco
º Luizinho de Serra: sanfoneiro, cantor e compositor, de Serra Talhada, Pernambuco

Uma das capitais do Nordeste – denominação, claro, extraoficial, mas pertinente –, o Recife concentra grande contingente de habitantes de origem sertaneja, quer os naturais do Sertão, quer os descendentes, que cresceram em contato com o modo de vida dos ascendentes. Integram essa população não só indivíduos oriundos de Pernambuco, mas também da Paraíba, do Ceará, do Piauí e de outros estados nordestinos. Acresça-se o fato de que pessoas da capital, por suas relações com os sertanejos, acabaram fortalecendo seu apreço pela tradição interiorana.

Embora não haja estatística oficial e pública que quantifique o número de sertanejos e seus herdeiros na capital de Pernambuco, a sua concentração pode ser empiricamente notada no cotidiano da cidade. Basta ver quantas pessoas originárias das terras sertanejas integram, em diversos níveis, os quadros de órgãos públicos do Estado e de empresas privadas ou exercem as ditas profissões liberais. São magistrados, vendedores, professores, médicos, taxistas, professores, servidores públicos de variadas carreiras. Distintos em suas ocupações, integrados pelos mesmos vínculos históricos e culturais. 

Como basta também uma olhadela nas universidades para conferir o número de estudantes egressos do interior. Sem contar com a reunião de grupos dessa população em espaços permanentes da capital, como os mercados públicos, ou em espaços episódicos, como as casas de show que promovem a música de raiz nordestina.

Assim, a comunidade oriunda dos sertões no Nordeste que vive no Recife, apegada às suas raízes, constitui um público em potencial para ações culturais que possibilitem sua integração. A partir de tal perspectiva, revela-se viável uma iniciativa cultural que ofereça a essa população a oportunidade de reencontrar a autêntica lírica sertaneja, com seus poetas, contadores de casos, cantadores, cantores, bem como de reencontrar sua cultura em dimensão mais ampla, o que inclui culinária e indumentária.

SERVIÇO:
1º Festival Bonança – O Sertão no Recife
Local: Clube AABB (Av. Dr. Malaquias, 204, Graças, Recife/PE)
Data: 17 de novembro
Horário: Das 12h às 17h
Ingresso: Meia – entrada: R$ 20,00 (vinte reais)
Inteira: R$ 40,00 (quarenta reais)