"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 5 de janeiro de 2019

O envelhecimento populacional no Brasil

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

envelhecimento populacional no Brasil

O Brasil está passando por um forte e rápido processo de envelhecimento populacional. A estrutura etária brasileira rompeu com séculos de estabilidade após o início da queda da taxa de fecundidade, no final da década de 1970. A cada ano, diminui a base da pirâmide e aumenta o número absoluto e a proporção de idosos na população.
No dia 22 de novembro de 2018, fiz uma exposição sobre “O envelhecimento populacional no Brasil”, no II Congresso Nacional de Envelhecimento Humano, em Curitiba. A apresentação pode ser acessada no link disponível abaixo, na referência deste artigo.
O gráfico resume os valores absolutos e relativos do envelhecimento populacional brasileiro. Nota-se que, em 1950, havia 2,6 milhões de idosos (com 60 anos e mais), representando 4,9% da população total. Este número deu um salto para 29,8 milhões em 2020 (representando 14% do total populacional). O número absoluto de idosos vai dobrar nas próximas duas décadas e deve alcançar 60 milhões de idosos entre 2040 e 2045.
A população brasileira vai atingir o pico populacional em 2047, com 233 milhões de habitantes, iniciando uma fase de decrescimento no restante do século. Mas a quantidade de idosos vai continuar crescendo até 2075, quando atingirá o pico de 82 milhões de idosos de 60 anos e mais. Segundo as projeções da ONU (que são muito parecidas com as projeções do IBGE), o número de idosos no Brasil será em torno de 75 milhões em 2100.
Para garantir qualidade de vida para a população brasileira envelhecida é preciso aproveitar o 1º bônus demográfico (que vai até 2037) e, especialmente, garantir o 2º bônus demográfico, que não tem prazo de validade, mas depende do aumento das taxas de poupança e investimento e do aumento geral da produtividade da economia.
As políticas públicas não podem focar apenas os idosos, pois seria impossível manter uma boa qualidade de vida para a Terceira Idade, sem grandes investimentos também nas crianças, nos jovens e nos adultos em idade de trabalhar. O investimento em saúde, educação e no “Pleno emprego e trabalho decente” é fundamental para garantir a solidariedade intergeracional.
Mais informações na apresentação abaixo:
Referência:
ALVES, JED. O envelhecimento populacional no Brasil, II Congresso Nacional de Envelhecimento Humano (CNEH), em Curitiba, 22 a 24 de novembro de 2018


José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/01/2019

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

FESTAS JESUÍNAS (de 24 de Dezembro a 6 de Janeiro): O REISADO



O Reisado chegou ao Brasil através dos portugueses, que ainda conservam a tradição em suas pequenas aldeias, celebrando o nascimento do Menino Jesus. Em Portugal é conhecido como Reisada ou Reseiro.

"O Reisado é uma das pantomimas folclóricas mais ricas e mais apreciadas, principalmente no Nordeste. Faz parte do repertório das Festas Jesuínas, e é apresentado de 24 de Dezembro a 6 de Janeiro, isto é, pelo Natal, Ano Bom e Reis. O Reisado é formado por um grupo de foliões, de pastores e pastoras que se reúnem numa espécie de rancho, com o fim de visitar as casas das pessoas mais gradas e hospitaleiras da região, a cantar e a dançar. O reisado apresenta diversas modalidades e compõe-se de várias partes: a) abrição da porta; b) entrada; c) louvação ao Divino; d) chamadas do rei; e) peças de sala; f) danças; g) a guerra; h) as sortes; i) encerramento da função. Tem como principais personagens: o rei, o mestre, o contramestre, Mateus, Catarina, figuras e moleques.

INDUMENTÁRIA:

Rei

– culote até os joelhos, terminado por franjas, blusa de cetim de cor diferente com mangas compridas; no peito, espelhinhos; manto de cetim dourado que cai até os joelhos; coroa de ouro, cetro.
Mestre

– chapéu de palha, forrado de cetim, de aba dobrada na testa (como usam os cangaceiros) adornado com muitos espelhinhos, bordados dourados e flores artificiais; da parte não dobrada da aba pendem fitas compridas de cores variadas, saiote de cetineta até a altura dos joelhos, de cores vivas, com grega de galões largos; por baixo saia branca, com dois ou três babados; blusa, peitoral e capa. Contramestre – idêntica à do Mestre, porém menos pomposa.
Mateus

– paletó e calça de brim com placas de remendos, alpercatas de couro cru, chapéu de palha enfeitado com espelhinhos e franjas, penduricalhos ao peito, como se fossem medalhas, cantil e bornal a tiracolo; pandeiro, espingarda de bambu.

Catarina/Catirina (palhaça) 

– roupa de tecido xadrez, de maneira a lembrar um palhaço.
Figuras –

trajes idênticos ao do mestre, porém mais pobres e mais simples. 
Inicia-se o folguedo com o rei seguido do mestre e do contramestre e acompanhado de meninos que trazem grandes candeias de querosene, conduzindo o reisado. Atrás seguem os dançadores de entremeios, com baús cheios de máscaras e trajes. Entoam marchas ao som de violas, harmônicas, maracás, rabeca, pandeiros e vão em demanda das casas onde celebram sua função.

Abrição da porta:

O mestre dirige a evolução do episódio por meio de apitos. Canta-se e dança-se com volteios altivos e elegantes. O reluzir dos espelhos e das lantejoulas produz grande efeito pictórico. Mateus vai aboiando dando uma nota de comicidade à função. Terminam pedindo licença para entrar.

Entrada:

Entram os tocadores, criando animação, seguidos do rei, do mestre, do contra-mestre e das figuras, portando-se todos com garbo e imponência. Cantam a peça da entrada e fazem elogios ao dono da casa. Executam marchas e contramarchas em ritmo ligeiro e com passos arrastados.

Louvação ao Divino: 

O reisado dirige-se ao presépio ou à capela da casa visitada. Ajoelham.

Cantam em louvação ao Divino, ao som da música, mas os maracás são abafados com as mãos para produzir um som surdo. Voltam à sala. O rei ocupa o trono. As figuras colocam-se em duas filas. Realizam-se, então, os entremeios, os episódios de guerra e as embaixadas. O mestre dirige a peça.

Chamadas do rei: 

Ao fim de uma peça, ou de um entremeio, o rei levanta-se do trono, chama o mestre e com ele cruza sua espada, em ressoantes entrechoques, enquanto estabelece com ele uma série de embaixadas.

Peças de sala: 

Antes e depois das embaixadas, são cantadas e dançadas as peças de sala. Estas são críticas, comentários, sátiras sobre fatos ou acontecimentos ligados à vida de pessoas ou do povo da região.

Danças: 

As danças são numerosas e variadas, como, por exemplo, a dança do gingá com o entremeio da mamãe velha.

A Guerra: 

O mestre apita e o primeiro embaixador atende. Cruza espadas e inicia embaixadas de guerra, primeiro com o mestre, depois com o rei. Quando chega a vez do segundo embaixador, as embaixadas já se tornam cansativas, repetindo-se as batidas de espadas. Por fim, todos os figurantes, inclusive o rei e o mestre se empenham na luta e o combate se torna geral.

As sortes: 

Todos os figurantes, até o próprio rei, atiram seus lenços aos donos da casa e à assistência. Estes os devolvem com dinheiro dentro. Recolhidas as sortes, o mestre apita e as filas de dançarinos se afastam para os lados. Então começam os entremeios. Estes são composições teatrais, jocosas, burlescas, como o bumba-meu-boi, o cavalo-marinho, etc.

Encerrados os entremeios, voltam as danças e cantorias de peças, sucedem-se as embaixadas até que sejam apresentados novos entremeios. Note-se, de passagem, que os personagens dos entremeios não tomam parte nas danças das embaixadas.

São os entremeios que dão maior brilho a esta dança dramática e são tão apreciados que alguns são apresentados mesmo fora de sua época como, por exemplo, (o famoso bumba-meu-boi, o boi simboliza o do presépio) que, inicialmente, era o principal entremeio do reisado e é levado agora também nas Festas Juninas.
Muitos destes entremeios, deliciosos quadros independentes, revelam um espirito chistoso, outros se inspiram em motivos míticos ou totêmicos, como o Zabelê.

Folharal: 

Nesta dança, o personagem oculta a cabeça sob uma cabaça donde pendem longas folhas de samambaia, traja um camisolão coberto de folhas e capim. Aumenta seu fantástico aspecto quando os longos cabelos de samambaia esvoaçam nos continues rodopios dados pelo bailarino.

Zabelê: O dançarino, disfarçado num saco pintado, usando máscara com bico, dança e assobia, imitando o pássaro jacu.

Curiabá: 

O dançarino imita o macaco, se coça dançando e faz mil trejeitos engraçados.

Sapo Cururu:

Agachado no chão, o dançarino coaxa e dá estranhos pulos.
Alma, Diabo e Miguel:

É um entremeio que deixa a assistência suspensa e trêmula de medo. A alma, envolta em lençol branco, desfiando um rosário, gemendo, aparece. Foge do Diabo que, todo vestido de vermelho com rabo e garras afiadas, a persegue. Agarra-a mas quando já a arrasta para o inferno, interpõe-se no seu caminho o anjo São Miguel, geralmente representado por uma moça, de asas brancas e espada em riste. Trava-se uma luta entre ele e o Diabo que é vencido. Há um forte estouro de pólvora na sala e o Diabo aproveita a oportunidade para desaparecer da cena. Suspiros de alívio na assistência.

Entre inúmeros outros, podem-se ainda citar o Lobisomem, o Matuto e o Fantasma, o Capitão de Campo, o Pescador e a Sereia.
E assim, os artistas que representam os entremeios aproveitam cada embaixada para correrem aos baús por eles trazidos no cortejo, de onde tiram febrilmente suas fantasias inesgotáveis.

Data de registro: meados do século XX (~1950)"

Fonte: Geledes. Disponível em: https://www.geledes.org.br/reisado/

Imagem: Reisado, 1952. Fotografia Marcel Gautherot. Maceió, AL /Acervo IMS

O DISCURSO DE POSSE DE ERNESTO ARAÚJO

por Loryel Rocha

São 32 minutos pautados em cima dos conceitos de GNOSE, ALETHEIA e LIBERDADE, tratando-os de modo claramente ideológico (usando e abusando do perenialismo gnóstico) e distorcendo-os de tal modo que a mim pareceu impossível que um diplomata o pudesse fazer com tamanha desenvoltura e de modo tão desabrido. Inexiste orientação de como ele conduzirá o Itamaraty em termos de política externa, ou antes, o papel que parece lhe reservar é meramente ideológico. É bom que se diga que o Chanceler preconiza um Estado Teocrático para o Brasil-idéia-cerne do projeto do globalismo internacional- mas, afiança que combate o globalismo.

O coroamento do discurso foi a equiparação de Jair Bolsonaro com El-Rei D. Sebastião. O mito messiânico que apontei por diversas vezes antes e ao longo da campanha iniciar-se é, de fato, assumidamente, um "projeto de nação". No entanto, não se trata - e é preciso que se diga- do messianismo português autêntico, mas do messianismo inventado pelo poder maçônico-militar que alçou Jair Bolsonaro ao poder. Somente este trecho basta para ver o rumo catastrófico que o Brasil assumiu para si e levará à cabo.
Mas, como aqui ninguém sabe o que é messianismo político, o discurso deverá soar bem à malta da "direita" ou servir de pretexto para críticas ignóbeis da esquerda nacional, ambas se recusando a mergulhar na profundidade que a temática exige e demanda, por razões óbvias: historicamente, tanto a direita quanto a esquerda foram e são os maiores fomentadores do messianismo político em escala mundial.
Araújo terminou seu discurso com um hibridismo “Anuê Jaci” que seria “Ave, Maria”, chamando Nossa Senhora pelo nome da Lua, mas invocando também a saudação integralista, como se Integralista de verdade fosse como foi António Sardinha ou como se jesuíta fosse do calibre de um José de Anchieta. Esqueceu-se somente de dizer que sua "visão de Brasil" é a antítese da praticada por Sardinha e/ou pelo padre Anchieta à serviço da Coroa Portuguesa.

O Brasil é o país das MENTIRAS, das INVENÇÕES políticas, agora rebatizadas de ALETHEIA.
Como ele citou Renato Russo como "autoridade" em GNOSE eu invoco o "cristianismo" de Eduardo Cunha: "Que Deus se apiede do Brasil".

BRASIL: “O TEMPO RUGE E A SAPUCAÍ É GRANDE...”

Resultado de imagem para A SAPUCAÍ É GRANDE..

por Carlos Fino

A frase cómica de um dos personagens da novela “A Senhora do Destino” (2004) – o bicheiro Giovanni Improta, interpretado pelo saudoso José Wilker - sintetiza à perfeição o novo momento político do Brasil que hoje se inicia com a investidura de Jair Bolsonaro na presidência da república.

Quem a lembrou, em declarações à imprensa, foi o próprio vice-presidente, general Hamilton Mourão, que não se tem inibido de expressar pontos de vista divergentes com os de Bolsonaro, apressando-se a deitar água na fervura sempre que o capitão na reserva, agora na chefia do Estado, cede aos impulsos populistas que o caracterizam e solta o verbo mais do que o necessário.

O militar – um dos oito de alta patente dos diferentes ramos das Forças Armadas que Jair trouxe para o núcleo duro do Planalto como uma espécie de rede de segurança para o que der e vier – tem toda a razão: os problemas do Brasil são da dimensão do país e o tempo é escasso.

Uma das maiores dificuldades pode aliás vir a ser o próprio Bolsonaro, que parece não se ter ainda dado inteiramente conta de que a sua eleição, embora naturalmente legitimada pelo voto da maioria que foi às urnas, está longe de significar que o país inteiro comunga em pleno das suas atitudes e pontos de vista de extrema-direita.

Como lembra hoje o jornal “Estado de São Paulo”, “dos 147,3 milhões de eleitores, 57,7 milhões (39,2%) votaram no novo presidente e 89,3 milhões (60,8%), não. Entre estes, 42,5 milhões, quase um terço, não votaram nem em Bolsonaro nem em seu adversário do segundo turno, Fernando Haddad, do PT.”

É certo que, segundo as sondagens mais recentes, 65% “botam fé” no novo governo. Mas essa expectativa positiva sempre se verifica no começo de um novo mandato e é, em todo o caso, menor do que aquelas que tiveram FHC, Lula e Dilma.

Por outras palavras – a eleição de Bolsonaro não significa que o país lhe tenha dado um cheque em branco. Além disso, o regime democrático instituído pela Constituição de 1988 (a “Constituição Cidadã”) está em pleno vigor e muitas das propostas do novo presidente, além de precisarem de ser negociadas com o Congresso, estarão também sob escrutínio do Supremo Tribunal Federal.

Bolsonaro dá indícios de que seguirá o exemplo de Trump, procurando comunicar-se com o país prioritariamente através das redes sociais – onde ganhou as eleições em processo que poderá ter sido ilegal e está sob investigação - evitando os media tradicionais. Essa tentativa de estabelecer um canal direto com a massa do povo é própria dos líderes populistas e Bolsonaro já mostrou que domina o género. De alguma forma ele é até, pelo uso das expressões vernáculas – o contraponto de Lula, agora à (extrema)-direita. Dessa forma tentará obter apoio para exercer pressão política sobre o Parlamento. Mas não é garantido que a tática resulte, podendo inclusive – aqui como nos EUA – criar mais anticorpos à sua governação.

De qualquer forma, liberal na economia e conservador nos costumes, Bolsonaro inaugura uma nítida viragem à direita no Brasil, pondo termo a 22 anos de hegemonia partilhada entre a esquerda e o centro-esquerda (governos FHC e Lula/Dilma). E isso, só por si, já é uma enorme mudança – fazendo cair preconceitos e resistências ideológicas que pareciam consolidadas contra as privatizações e em favor da retração do Estado na economia.

Resta saber se a viragem se irá consolidar. Para tal, o novo governo terá, entre outras coisas, de criar incentivos que estimulem rapidamente a atividade económica por forma a diminuir o desemprego, que hoje abrange mais de 12 milhões de pessoas e é uma das principais preocupações da população, a par da segurança, saúde, educação, defesa do meio ambiente, luta contra a corrupção e o crime organizado.

Para atender a todos esses fogos, seriam necessárias mais verbas, mas as contas públicas estão no vermelho e para as sanear o governo terá de fazer a curto prazo uma reforma da Previdência (a que terá de seguir-se uma reforma fiscal) – assunto sempre muito sensível que pode rapidamente gerar amplo descontentamento. Sobretudo se a(s) reforma(s) que for(em) apresentada(s) poupar(em) setores privilegiados como são, entre outros, os militares, que Bolsonaro representa e tanto defende.

Enfim, como diria o famoso Giovanni Improta lembrado pelo general Mourão, “O tempo ruge e a Sapucaí é grande...”