"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 26 de janeiro de 2019

A pecha de "isentões" e os rebanhos que se retroalimentam

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O Bolsonarismo, ou verde-amarelismo, como queiram, em virtude da insignificância do referenciado, é um petismo invertido. Agora no poder é muito fácil de se constatar isso, e, para incrementar o apocalipse da presidência brasileira, as bestas se sucedem, até nas denúncias o comportamento é igualzinho: ao se acusar pela lei um aliado de um ou outro rebanho os seguidores correspondentes usam como argumentos as sujeiras de membros do rebanho opositor.

Como havia dito Vargas Llosa sobre ter que escolher entre o PT e Bolsonaro, "optar entre a AIDS e o câncer terminal", até a retórica "dilmesca" fora sucedida por Bolsonaro, ambos são incapazes de argumentar a respeito de qualquer tema, o que sai são besteiras, lugares comuns, palavras inexistentes e nada fica dito, temos presidentes incapazes de falar à nação.

A prosperidade da conflagração entre os bolsonaristas e os petistas na cena política será a desgraça definitiva do Brasil. Por isso criaram o termo "isentões"; é que esses rebanhos sabem que não viverão mais um sem o outro. O Brasil somente se salva do apocalipse da burrice com a formação de um centro pragmático e conectado com a realidade do país e do nosso tempo sem as idiotices que permeiam os devaneios dos rebanhos que ora enlameiam a vida nacional.

A Índia deve ultrapassar a população da China até 2024

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

A China e a Índia são os dois países mais populosos do mundo, mas vão alternar a posição e experimentar mudanças significativas nas próximas décadas. Em 1950, a China tinha uma população de 554,4 milhões de habitantes, cerca de 50% superior aos 376,3 milhões de habitantes da Índia. Em 1981 a China atingiu 1 bilhão de habitantes e tinha uma população cerca de 40% superior aos 713 milhões da Índia. Em 1998, a Índia atingiu 1 bilhão de habitantes e a China chegou a 1,27 bilhão (25% a mais). Em 2017, a China ultrapassou os 1,40 bilhão de pessoas e tinha uma população 5% superior aos 1,34 bilhão da Índia, conforme mostra o gráfico abaixo com dados da Divisão de População da ONU.

população da China e da Índia

Portanto, os dois países apresentaram grande crescimento populacional, mas com a China crescendo em ritmo mais lento do que a Índia, sendo que a ultrapassagem vai ocorrer em 2024, quando a China terá 1,436 bilhão de habitantes e a Índia terá 1,438 bilhão de pessoas. O pico populacional da China vai ocorrer em 2029, com um volume de 1,44 bilhão de habitantes. O pico populacional da Índia deve ocorrer em 2061, com um volume de 1,68 bilhão de habitantes. A estimativa da Divisão de População da ONU para 2100 é de 1 bilhão de pessoas na China e de 1,52 bilhão de pessoas na Índia.
Embora a queda da taxa de fecundidade tenha começado no início da década de 1970 nos dois países, o ritmo da redução do número de filhos por mulher foi bem mais rápido na China, que apresentou TFT abaixo do nível de reposição no quinquênio 1990-95, enquanto a Índia só deve atingir níveis de fecundidade abaixo do nível de reposição no quinquênio 2030-35. A rápida queda da taxa de fecundidade na China se reflete no formato da pirâmide populacional, que já tinha uma base muito estreita em 2017 e vai apresentar uma redução ainda maior em 2050 e um grande envelhecimento populacional.

distribuição por sexo e idade da população da China

Na Índia, como mostram as pirâmides abaixo, a redução da base se deu de forma mais lenta e, consequentemente, o processo de envelhecimento populacional o ocorre de forma mais branda. Em ambos os países se nota um superávit de homens na população até o grupo etário 60-65 anos. O excedente de homens na China e na Índia é tão grande que faz o mundo possuir mais homens do que mulheres, embora a maioria dos países do globo tenham um excedente feminino.

distribuição por sexo e idade da população da Índia

Uma forma mais detalhada de avaliar as mudanças demográficas é observar o comportamento dos três grandes grupos etários: crianças (0-14 anos), adultos em idade de trabalhar (15-64 anos) e idosos (65 anos e mais). Nota-se que na China a população em idade ativa (PIA) chegou no pico de 1 bilhão de pessoas em 2015 e já apresenta uma tendência de redução, devendo cair aproximadamente pela metade até 2100. A redução da oferta de força de trabalho vai forçar a China a investir em tecnologias poupadoras de trabalho, para manter a produção e a renda per capita em crescimento, num cenário de elevado envelhecimento populacional.
Já no caso da Índia, o pico da PIA deve ocorrer em torno de 2050, quando haverá 1,1 bilhão de pessoas em idade ativa. Portanto, o desafio da Índia é aumentar a geração de emprego para absorver o incremento demográfico das próximas décadas. A população indiana de 0-14 anos já está diminuindo e o envelhecimento populacional vai ocorrer de forma mais lenta do que na China. A Índia é um país de renda baixa e terá um grande desafio de expandir quantitativamente e qualitativamente o nível de emprego e a produtividade geral dos fatores de produção.

população por idade - China e Índia

Mas o maior desafio dos dois países ocorre pelo lado ambiental. Segundo a Global Footprint Network, a China tem o maior déficit ecológico do mundo e a Índia tem o terceiro maior (os EUA apresentam o 2º maior déficit). Os dois gigantes asiáticos já enfrentam problemas como a falta de água potável para o consumo humano direto e para a produção de alimentos, a poluição generalizada das águas e do solo, a poluição do ar, etc. Também são grandes emissores de gases de efeito estufa que aceleram o aquecimento global e ameaçam desestabilizar o clima planetário.
De certa forma, os desafios da China e da Índia são desafios compartilhados com a comunidade internacional e é impossível que o resto do mundo possa ignorar o que acontece nestas duas nações, que deram grandes contribuições para o mundo, mas também que contribuem enormemente para a possibilidade de um colapso ambiental global.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/01/2019

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Uma agenda centrada no ser humano para o futuro do trabalho

Muita discussão sobre o futuro do trabalho sugere que ele pode ser apenas um mundo robótico distópico. Mas o relatório de uma comissão da OIT mostra como os humanos, e não os algoritmos, podem estar no comando.

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por Thorben Albrecht 


Quando a Organização Internacional do Trabalho (OIT) foi fundada, 100 anos atrás, após a primeira guerra mundial, governos, empregadores e trabalhadores se reuniram, convencidos de que a paz e a estabilidade duradouras dependiam da justiça social. Isso ainda é verdade e, dadas as mudanças dramáticas que estamos vendo, deve nos encorajar a tomar medidas corajosas e oportunas. A constituição da OIT de 1919, reforçada pela Declaração de Filadélfia de 1944, continua sendo o contrato social global mais ambicioso da história. É hora de revitalizá-lo para enfrentar os desafios de hoje.

Neste contexto, a Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho apresentou um relatório à OIT, oferecendo respostas às mudanças fundamentais e disruptivas na vida profissional que estão ocorrendo em todo o mundo. Estamos convencidos de que tais avanços tecnológicos, como inteligência artificial e robótica, criarão novos empregos. Mas aqueles que perdem seus empregos nessa transição precisam de apoio, se quisermos garantir que ninguém seja deixado para trás e evitar o crescimento da desigualdade.

Em nosso relatório, pedimos uma agenda centrada no ser humano para o futuro do trabalho. Esse é o Leitmotiv do nosso modelo de desenvolvimento para regular o uso da inteligência artificial. Assumimos uma abordagem de "humanos em comando", que garantiria que as decisões finais que afetam o trabalho sejam tomadas por seres humanos, e não por algoritmos.

Oportunidades e desafios

Tecnologia, incluindo inteligência artificial, robótica e sensores, envolve inúmeras oportunidades para melhorar o trabalho. A extração de conhecimento através da mineração de dados pode auxiliar as administrações do trabalho a identificar setores de alto risco e melhorar os sistemas de inspeção do trabalho. A tecnologia Blockchain poderia tornar mais fácil para as empresas e os parceiros sociais monitorar as condições de trabalho e o cumprimento da legislação trabalhista nas cadeias de fornecimento.

Mas a tecnologia digital também cria novos desafios para o trabalho decente. As plataformas de mão-de-obra digital fornecem novas fontes de receita a muitos trabalhadores em diferentes partes do mundo, mas a natureza dispersa do trabalho em jurisdições internacionais dificulta o estabelecimento dos direitos dos trabalhadores. O trabalho em plataformas às vezes é mal remunerado - mesmo abaixo dos salários mínimos vigentes - e não existem mecanismos oficiais para lidar com o tratamento injusto. Assim, introduzi na comissão a ideia de um sistema de governança internacional para plataformas de trabalho digital, que exigiria que as plataformas (e seus clientes) respeitassem certos direitos e proteções mínimos. (Eu irei detalhar como este regulamento poderia ser estabelecido em outro artigo sobre a Europa Social.)

Independentemente da forma de trabalho, estamos convencidos de que existem certos direitos que devem ser garantidos a todos os trabalhadores, independentemente de seu acordo contratual ou status de emprego. Assim, o nosso relatório apela para uma "garantia laboral universal", que incluiria direitos fundamentais dos trabalhadores e um conjunto de condições básicas de trabalho. A liberdade de associação e o direito efetivo à negociação coletiva devem ser garantidos para todas as formas de trabalho - assim como a ausência de trabalho forçado, trabalho infantil e discriminação. Para todos os trabalhadores, as condições de trabalho garantidas devem incluir um salário digno adequado, limites de horas de trabalho e locais de trabalho seguros e saudáveis.

Para colocar a Garantia Universal de Trabalho em prática, como um padrão mínimo, exigiria que os governos se inscrevessem nela e em associações de empregadores e sindicatos para aplicá-la. O diálogo social ainda é a melhor ferramenta para gerenciar mudanças e garantir um mundo de trabalho centrado no homem na transformação que estamos enfrentando. Mas, para conseguir isso, as organizações de parceiros sociais também precisam se desenvolver. As organizações de empregadores precisam se adaptar às novas necessidades e reforçar sua capacidade de atender a um conjunto cada vez mais diversificado de interesses comerciais. E as organizações de trabalhadores precisam adotar técnicas inovadoras de organização - incluindo o uso de tecnologia digital para organizar a mão de obra em diversos locais de trabalho e através das fronteiras.

Ponto focal

A própria OIT precisa fortalecer seu papel para revigorar o contrato social global. Tem de se tornar o ponto focal internacional para o desenvolvimento e análise comparativa das estratégias nacionais para o futuro do trabalho. Também recomendamos que a organização crie um grupo de monitoramento especializado para rastrear as tecnologias que afetam o mundo do trabalho e aconselhe sobre como os desafios políticos resultantes devem ser abordados. A OIT precisa avaliar seus padrões e garantir que estejam atualizados, relevantes e sujeitos a supervisão adequada.

Recomendamos ainda que a OIT promova a coordenação entre todas as organizações relevantes da ONU, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio na elaboração e implementação da agenda centrada no ser humano, apresentada em nosso relatório - há elos fortes, complexos e cruciais entre comércio, finanças e políticas econômicas e sociais. O sucesso da agenda de crescimento e desenvolvimento centrada no ser humano que propomos depende muito da coerência entre essas áreas políticas.


O mundo do trabalho está mudando dramaticamente e enfrentamos sérios desafios. Mas se tomarmos medidas corajosas, poderemos fazer uma mudança para melhor.



Thorben Albrecht é o gerente federal do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) desde 2018. De janeiro de 2014 a março de 2018, foi secretário de Estado no Ministério Federal do Trabalho e Assuntos Sociais. Entre seus projetos legislativos mais importantes estava a introdução de um salário mínimo legal na Alemanha e o lançamento do diálogo "Trabalho 4.0".


Cresce a pobreza na América Latina e Caribe

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

taxa de pobreza e pobreza extrema na América Latina

A pobreza voltou a subir na América Latina e Caribe, depois de duas décadas de queda

A redução foi modesta na década de 1990, mas foi mais significativa entre 2002 a 2014, período muito influenciado pelo superciclo das commodities e que possibilitou o aumento da renda e a valorização do câmbio, aumentando o poder aquisitivo da população.
No início de janeiro de 2019, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) lançou o relatório Panorama Social 2018, que inclui novas revisões da metodologia utilizada pelo organismo para a estimativa da pobreza monetária na região.
O gráfico acima mostra que a taxa de pobreza estava em 44,5% em 2002 e caiu para 27,8% em 2014. Nos anos seguintes a taxa subiu e chegou a 30,2% em 2017 e está projetada para 29,6% em 2018. Mas últimos dados do gráfico não incluem as informações da Venezuela (por problemas de confiabilidade). Caso a realidade da Venezuela fosse incorporada as taxas de pobreza seriam maiores.
A Pobreza extrema caiu de 11,2% em 2002 para 7,8% em 2014, mas voltou a subir e deve ficar em 10,2% tanto em 2017, quanto em 2018. Ou seja, em todo o período considerado, 2002 a 2018, a pobreza extrema foi reduzida em apenas um ponto percentual, de 11,2% para 10,2%, muito abaixo da meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que pretendia reduzir a pobreza pela metade (em relação à 1990).
O gráfico abaixo mostra o número absoluto de pessoas na pobreza e na pobreza extrema na ALC. Em 2002 havia 226 milhões de latino-americanos em situação de pobreza, caindo para 164 milhões em 2014. Mas este número voltou a subir para ficar acima de 180 milhões nos últimos anos (2016-2018).
Na pobreza extrema havia 57 milhões de latino-americanos em 2002, caindo para 46 milhões em 2014, mas voltou a ficar acima de 60 milhões nos últimos 3 anos. Os novos cálculos da Cepal mostram que a redução da pobreza extrema no período do superciclo das commodities foi muito menor do que o calculado na metodologia anterior.

população em situação de pobreza e pobreza extrema na América Latina

De fato, a ALC passa por um período de crise econômica ou de baixo crescimento que tem dificultado o combate à pobreza. O gráfico abaixo, com dados do FMI, mostra que tanto a ALC, quanto o Brasil (maior país da região) cresceram abaixo da média mundial nas últimas 4 décadas. E o mais grave é que a diferença, em relação à média mundial, nunca foi tão grande como no momento atual, o que quer dizer que, pelo modelo hegemônico, será difícil manter a tendência de redução da pobreza.
Considerando a década 2010-19, o crescimento médio do mundo deve ficar em 3,85% ao ano, da ALC em 2,34% aa e do Brasil em 1,53% aa. Desta forma, a ALC deve crescer apenas 60,7% do que cresce o mundo e o Brasil cresce apenas 40%.

crescimento anual do PIB, América Latina e Brasil

Desta forma, fica claro que a ALC e o Brasil vão ter dificuldades para cumprir o Objetivo 1, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que diz: “Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares até 2030”. Só com grandes transformações, a ALC poderá romper com o ritmo de marcha lenta na economia e avançar em um modelo inclusivo de desenvolvimento sustentado e sustentável.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Referência:
CEPAL. Panorama Social de América Latina 2018. Santiago de Chile, Enero 2019


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/01/2019

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Crescimento da economia global deve permanecer estável em 3% em 2019-2020


Perspectivas econômicas da ONU apontam o Brasil como um dos exportadores com recuperação moderada, 2,1% este ano; mesma tendência acontece Angola, Moçambique e Cabo Verde; taxa de crescimento desce em Portugal este ano e recupera em 2020.

Dominic Sansoni/ Banco Mundial
O crescimento do comércio desacelerou em 2018 e enfrenta vários riscos.


ONU News

O crescimento da economia global atingiu um pico, mas deve continuar crescendo a um ritmo constante de cerca de 3% em 2019 e em 2020.
As conclusões são do relatório Situação Econômica Mundial e Perspectivas, apresentado esta segunda-feira pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa.


Desa
Economia Global deverá crescer

Lusófonos

Quanto aos países lusófonos, a pesquisa diz que o Brasil deve ter uma recuperação moderada, crescendo 2,1% este ano e 2,5% em 2020. 
Em entrevista à ONU News, a especialista em assuntos econômicos do Desa Helena afonso explicou os motivos desta previsão e os principais riscos.
“Esta recuperação será sustentada por um maior investimento privado, maior consumo das famílias e continuação de uma política monetária acomodativa e inflação moderada. Os riscos estão equilibrados, mas dependem muito de o novo governo ser capaz de implementar reformas macroeconômicas favoráveis ao mercado e conseguir restaurar a confiança. Do ponto de vista do desenvolvimento sustentável, seria importante se os planos para o governo liberalizar, desregular e privatizar tivessem em conta, também, as consequências sociais, por exemplo nos povos indígenas, nos mais pobres e nas consequências ambientais.”



O aceleramento do crescimento também deve acontecer em África, com a economia angolana crescendo 2,4% em 2019 e 3% no ano seguinte, e o mesmo deve acontecer em Moçambique, com taxas de crescimento de 3,4% e 4,1% nos próximos dois anos. 
Cabo Verde deve ter uma taxa maior este ano, 4,1%, do que em 2020, 3,5%. Quanto a São Tomé e Príncipe, deve crescer 5,4% em 2019 e 5% no ano seguinte.
Para Portugal, está previsto um aumento de 1,3% este ano e 1,9% em 2020. Timor-Leste deve crescer 4,5% este ano e 4,0% no ano seguinte.
Helena Afonso explicou à ONU News que os riscos que a economia global enfrenta podem ter consequências nos países lusófonos.
“O efeito das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, caso afetem o crescimento na China de uma forma maior do que esperamos, pode afetar os países produtores de petróleo. O estado da economia global afeta em muito a economia destes países.”

Combinação

Apesar das previsões, a pesquisa diz que “uma preocupante combinação de desafios de desenvolvimento pode prejudicar ainda mais o crescimento.”
Em nota, o secretário-geral da ONU, António Guterres, explica que "os indicadores econômicos globais permanecem amplamente favoráveis, mas não contam toda a história". Segundo ele, existem “preocupações sobre a sustentabilidade do crescimento econômico global devido ao aumento de desafios financeiros, sociais e ambientais.”

Mundo

O crescimento nos Estados Unidos deve baixar para 2,5% em 2019 e 2% em 2020, devido à diminuição do impacto do estímulo fiscal de 2018. Para a União Europeia, espera-se um crescimento estável de 2%, mas com alguns riscos, como a saída do Reino Unido do bloco europeu.
Espera-se que o crescimento na China diminua de 6,6% em 2018 para 6,3% em 2019. Outros grandes países exportadores, como o Brasil, a Nigéria e a Rússia, devem ter uma recuperação moderada.

Desa
Crescimento econômico na África insuficiente

Desigualdade

O relatório afirma que o “crescimento econômico é desigual e muitas vezes não chega onde é mais necessário.”
O rendimento por pessoa deve estagnar ou crescer de forma marginal em 2019 em várias partes da África, Ásia Ocidental, América Latina e Caribe. Mesmo nos países onde esse crescimento é forte, é muitas vezes concentrado nas regiões industriais e urbanas, deixando as áreas periféricas e rurais para trás.
Segundo o relatório, para eliminar a pobreza até 2030 é necessário um crescimento de dois dígitos em África e reduções acentuadas na desigualdade de rendimentos.

Riscos

A pesquisa indica um conjunto de riscos, incluindo o declínio das abordagens multilaterais, o aumento de disputas de política comercial, instabilidades financeiras ligadas a níveis elevados de dívida e riscos climáticos crescentes.
Estes desafios também colocam em risco os esforços para alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Em nota, o economista-chefe da ONU e subsecretário-geral para o Desenvolvimento Econômico, Elliott Harris, disse que “existe uma urgência crescente de lidar com problemas muito mais fundamentais.”
Segundo ele, “desafios de longo prazo, como as mudanças climáticas, se tornaram riscos imediatos de curto prazo.”

Multilateralismo

O relatório destaca que o fortalecimento da cooperação global é fundamental para o avanço do desenvolvimento sustentável, mas enfrenta grandes desafios, incluindo uma tendência para mais ações unilaterais.
Essas pressões têm resultados nas áreas de comércio, financiamento do desenvolvimento e combate às mudanças climáticas.
O documento também afirma que “o enfraquecimento do apoio ao multilateralismo levanta questões em torno da capacidade de ação política colaborativa no caso de um amplo choque global.”

Desa
Crescimento econômico na África insuficiente

Comércio

Com o aumento das tensões internacionais, o crescimento do comércio global baixou de 5,3% em 2017 para 3,8% em 2018.
Embora as tensões tenham afetado alguns setores específicos, medidas de estímulo e subsídios diretos compensaram, até ao momento, grande parte dos impactos sobre a China e os Estados Unidos.
Apesar disso, uma escalada prolongada das tensões comerciais pode afetar seriamente a economia global. Alguns setores já testemunharam o aumento dos preços e atrasaram as decisões de investimento. O crescimento mais lento na China e nos Estados Unidos também pode reduzir a procura, afetando exportadores da África e da América Latina.

Finanças

À medida que as condições financeiras globais se tornam mais tensas, um aumento rápido e inesperado das taxas de juros ou um fortalecimento significativo do dólar americano pode aumentar as fragilidades dos mercados emergentes e o risco de endividamento exagerado.
Esse risco também pode ser agravado pelas tensões do comércio global, pelo ajuste da política monetária nas economias desenvolvidas, pelos choques nos preços de mercadorias ou por perturbações políticas ou econômicas internas.
Muitos países de baixa renda já enfrentam um aumento substancial nas despesas com juros de dívida.

Clima

Por fim, o relatório afirma que “é imperativa uma mudança fundamental na forma como o mundo impulsiona o crescimento econômico.”
O estudo propõe medidas como mercados de carbono, regulamentações de eficiência energética e redução de subsídios aos combustíveis fósseis.
Os governos também podem promover políticas para estimular novas tecnologias, como subsídios para pesquisa e desenvolvimento.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Postes, invenções e instabilidade no Brasil

Resultado de imagem para bolsonaro recua charge

Na política brasileira até bem pouco tempo os políticos tinham certeza de ao serem envolvidos por escândalos bastava esperar a poeira baixar para que conseguissem voltar tudo à normalidade, o país vivia uma falsa instabilidade. Depois de 2014 a instabilidade virou regra. Iniciou Dilma Rousseff seu segundo mandato em 2015 com um governo destruído, sacudiu por mais de um ano até cair em 2016, dando vaga a Michel Temer, que fora mais impopular ainda, um governo sem moral e sem autoridade.

A frouxidão e a perda do centro político deram vazão a uma rebelião de imbecis na internet entregando a presidência ao que talvez seja o grupo político a assumir o comando de um país ocidental mais esculhambado jamais visto. Um paiol de mulas. Começa o governo dos recuos e, para o banquete dos opositores, que talvez até o mais otimista deles não acreditasse, começou envolvido num escândalo de corrupção baixo clero que tem feito o governo virar uma piada mal passada em três semanas.

As ruas haviam desestabilizado o executivo e contado com o apoio do legislativo para destituir o governo petista; muito do que foi usado para derrubar o petismo serviu para elevar Bolsonaro à chefia da nação, só que o governo das Galinhas Verdes agora precisa do Congresso e, para ter o Congresso terá que enfrentar as ruas, meteu-se na encruzilhada do cão. Governar é muito mais difícil do quê Twittar, que o diga o Trump, agora com um impeachment em cogitação lá nos USA.

A instabilidade virou regra. O Vice já deve estar preparando a transição.