"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 22 de junho de 2019

A revisão 2019 da ONU para as projeções populacionais do Brasil

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

A Divisão de População da ONU divulgou, no dia 17 de junho de 2019, as novas projeções populacionais para todos os países, para as regiões e para o total mundial. A população brasileira foi estimada em 211 milhões em 2019 e 212,6 milhões de habitantes em 2020. A novidade é que o Brasil perdeu o posto de 5º maior país do mundo, em termos demográfico, lugar agora ocupado pelo Paquistão que tinha 207,9 milhões de habitantes em 2017 (contra 207,8 milhões do Brasil) e 220 milhões de habitantes em 2020.
Normalmente, a ONU apresenta as projeções em três cenários, conforme mostra o gráfico abaixo para o Brasil. A revisão 2019 indica, no cenário de projeção alta, uma população de 272,7 milhões de brasileiros em 2100 (a revisão 2017 projetava um número de 301,4 milhões). No cenário de projeção média, a população brasileira seria de 180,7 milhões de habitantes em 2100 (a revisão 2017 projetava um número de 190,4 milhões). E no cenário de projeção baixa, o número ficaria em 114,4 milhões de habitantes em 2100 (a revisão 2017 projetava 113,6 milhões). Na projeção média – a mais provável – o número da revisão 2019 é cerca de 10 milhões menor do que o da projeção anterior, divulgada em 2017.
Três cenários de projeções populacionais do Brasil: 2020-2100
UN/Pop Division: World Population Prospects 2019 https://population.un.org/wpp2019/
A dinâmica demográfica brasileira no século XXI é, basicamente, determinada pela transição demográfica que ocorreu, em sua maior parte, no século XX. A transição demográfica é o maior fenômeno social de transformação do comportamento de massa da história da humanidade. Desde o surgimento do Homo sapiens, a humanidade busca a sobrevivência tentando equilibrar as taxas brutas de natalidade ao padrão pré-existente de altas taxas de mortalidade. Porém, com os avanços na produção de alimentos, o aumento do bem-estar e os avanços da medicina, da higiene e do saneamento básico o percentual de mortes precoces foi diminuindo e a esperança de vida foi aumentando. Um certo lapso de tempo após o início do declínio das taxas brutas de mortalidade (TBM), as taxas brutas de natalidade (TBN) também começam a cair.
Este processo pode ser visto no gráfico abaixo, que mostra a transição demográfica no Brasil entre 1950 e 2100, de acordo com as estimativas e projeções da ONU. As taxas brutas de mortalidade, no Brasil, começaram a cair no final do século XIX, mas ainda estavam muito altas no quinquênio 1950-55, com um valor de 15,5 mortes para cada mil habitantes. A TBM diminuiu até o mínimo de 6 mortes por mil no quinquênio 2005-10 e passaram a subir, em decorrência da mudança da estrutura etária e do maior percentual de idosos na população total. As taxas brutas de natalidade se mantiveram altas durante toda a história brasileira e começaram a cair exatamente na década de 1960. A TBN era de 43,9 nascimentos por cada mil habitantes em 1950-55, caiu para 18,7 nascimentos por mil em 2000-05, deve ficar aproximadamente empatada com a TBM no quinquênio 2045-50 e vai bater o recorde de baixa, com 8,3 nascimentos por mil, nas últimas décadas do século XXI.
O máximo populacional vai ser atingido em 2045, com uma população de 229,6 milhões de habitantes. Neste ano a TBM será igual a TBN. A partir de 2046 as duas curvas se invertem e a população brasileira iniciará uma trajetória de decrescimento, devendo perder cerca de 50 milhões de habitantes entre 2045 e 2100. A reversão das taxas de crescimento da população brasileira está representada na linha pontilhada do gráfico. A taxa de crescimento natural estava próxima de 30 por mil (3%) entre 1950 e 1964, começou a cair a partir de 1965, ficou em 0,77% ao ano no quinquênio 2015-20, vai chegar a zero em 2045, torna-se negativa a partir de 2046 e deve decrescer -0,6% ao ano na última década do século.
Transição demográfica: TBN, TBM e Taxa de crescimento natural: Brasil: 1950-2100
UN/Pop Division: World Population Prospects 2019 https://population.un.org/wpp2019/
Todo país que passa pela transição demográfica, deterministicamente, passa também pela transição da estrutura etária. Na medida em que as taxas de mortalidade e natalidade diminuem, a base da pirâmide etária também diminui e o país inicia um processo de envelhecimento populacional. Isto está ilustrado no gráfico abaixo que apresenta a idade mediana da população brasileira. Verifica-se que no período 1950 a 1975 a idade mediana estava próxima de 20 anos, o que significa que metade da população tinha menos de 20 anos e havia somente 5% de pessoas idosas acima de 60 anos no país. O Brasil tinha uma estrutura etária extremamente jovem.
Contudo, o cenário será completamente diferente no final do século XXI, quando a idade mediana estará acima de 50 anos, significando que metade da população terá mais de 50 anos e a proporção de idosos de 60 anos e mais estará na casa de 40%. O Brasil terá uma estrutura etária extremamente envelhecida.
Mudança da estrutura etária do Brasil: Idade mediana (em anos), 1950-2100
UN/Pop Division: World Population Prospects 2019 https://population.un.org/wpp2019/
Todos os dados acima mostram que o Brasil terá uma mudança completa no seu perfil demográfico entre 1950 e 2100. Em meados do século XX, o Brasil tinha altas taxas de mortalidade e natalidade, uma estrutura etária muito rejuvenescida e altas taxas de crescimento natural. No final do século XXI, o Brasil terá baixas taxas de mortalidade e natalidade, uma estrutura etária muito envelhecida e decrescimento populacional. Esta nova configuração demográfica vai requerer que as políticas econômicas e sociais se adaptem à nova realidade populacional.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/06/2019

terça-feira, 18 de junho de 2019

A revisão 2019 das projeções populacionais da ONU para o século XXI

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

A Divisão de População da ONU disponibilizou, no dia 17 de junho de 2019, as novas projeções populacionais para todos os países, para as regiões e para o total mundial. A população mundial para 2019 foi estimada em 7,70 bilhões, devendo chegar a 7,79 bilhões em 2020 e a 8 bilhões de habitantes em 2023.
Em decorrência das incertezas sobre o futuro, as projeções são apresentadas em três cenários, conforme mostra o gráfico abaixo. A revisão 2019 indica, no cenário de projeção alta, uma população de 15,6 bilhões de habitantes no mundo em 2100 (a revisão 2017 projetava um número de 16,52 bilhões). No cenário de projeção média, a população global seria de 10,87 bilhões de habitantes em 2100 (a revisão 2017 projetava um número de 11,18 bilhões). E no cenário de projeção baixa, o número ficaria em 7,32 bilhões de habitantes em 2100 (a revisão 2017 projetava 7,28 bilhões). Na projeção média – a mais provável de ocorrer – o número da revisão 2019 é 300 milhões menor do que o da projeção da revisão anterior, divulgada em 2017.
O crescimento populacional anual que está em 1,1% ao ano, no quinquênio 2015-20 vai se desacelerar ao longo do século e, na projeção média, deve ficar em 0,4% ao ano no quinquênio 2095-2100. Ou seja, a estabilização da população mundial só deve ocorrer no século XXII.
três cenários de projeções populacionais do mundo

A tabela abaixo apresenta as estimativas da população mundial em 1950, 2000 e 2020 e a projeção média para 2050 e 2100 para o mundo e para os continentes, além da comparação com os dados da projeção média da revisão 2017 para o ano de 2100. Nota-se que a população mundial, mesmo com uma estimativa 300 milhões de habitantes mais baixa, deve crescer 4,3 vezes entre 1950 e 2100 (de 2,5 bilhões em 1950 para 10,9 bilhões em 2100).
A redução do total populacional – na projeção média atual (2019) em relação à projeção anterior (2017) – ocorreu em todos os continentes, com exceção da Oceania que apresentou um ligeiro aumento. Para a África a projeção atual para 2100 é de 4,28 bilhões de habitantes (era de 4,48 na revisão 2017). Para a África Subsaariana a projeção atual é de 3,76 bilhões em 2100 (era de 4 bilhões na projeção anterior). Para a Ásia a projeção atual é de 4,72 bilhões em 2100 (era de 4,78 anteriormente). Para a Europa o número para 2100 é de 629 milhões (era de 653 milhões). Para a América Latina e Caribe (ALC) a projeção da revisão 2019 indica um número de 680 milhões de habitantes em 2100 (contra 712 milhões na projeção 2017). Para a América do Norte o novo número é de 491 milhões em 2100 (contra 499 milhões anteriormente). E por fim, a nova projeção indica 74,9 milhões de habitantes na Oceania em 2100 (era de 71,8 milhões na projeção 2017).
Portanto, a maior queda entre a projeção 2019 e a projeção 2017 ocorreu na África Subsaariana, com uma redução de 225 milhões de habitantes na estimativa de 2100. Mesmo assim, o crescimento da população da África Subsaariana passou de 179 milhões, em 1950, para 640 milhões em 2000 e deve crescer 6 vezes durante o século XXI. A Ásia deve continuar sendo o continente mais populoso. A ALC deve ficar com população abaixo de 700 milhões, mas superior à população europeia em 2100.
população do mundo e dos continentes, revisão 2019 ONU

A tabela abaixo apresenta os 20 países mais populosos do mundo em 2020 e os 20 mais populosos em 2100, além de comparar as projeções para 2100 das duas últimas projeções da Divisão de População da ONU. Nota-se, que os dois países mais populosos do mundo continuarão a ser a China e a Índia, mas com uma inversão, pois a população indiana deve ultrapassar a população chinesa em 2027. Porém, a projeção da população da China em 2100, na revisão 2019 (de 1,06 bilhão) é maior do que na revisão 2017 (de 1,02 bilhão), enquanto da Índia a revisão 2019 indica 1,45 bilhão contra 1,52 bilhão da revisão 2017.
O terceiro país mais populoso em 2020 é aquele que se destaca na economia mundial (EUA) com 331 milhões de habitantes, mas será superado pela Nigéria ao longo do século XXI. Segundo a revisão 2019, os EUA terão 434 milhões de habitantes em 2100 (contra 447 milhões na revisão 2017) e a Nigéria terá 733 milhões de habitantes em 2100 (contra 794 milhões na revisão 2017).
A Indonésia é o quarto país mais populoso em 2020, mas deve cair para o sétimo lugar em 2100, embora terá a população aumentada de 274 milhões em 2020 para 321 milhões em 2100. O Brasil que era o 5º país mais populoso desde o fim da Segunda Guerra, foi ultrapassado pelo Paquistão em 2017 e deve ficar em 12º lugar no final do século. Em 2020, o Paquistão terá 221 milhões de deve atingir 403 milhões em 2100 (na revisão 2017 a estimativa era de 379 milhões). O Brasil terá 213 milhões de habitantes em 2020 e 181 milhões em 2100 (era de 190 milhões na revisão 2017).
Entre aqueles que vão perder maiores posições entre os 20 maiores países em termos demográficos, estão Rússia (de 9º para 19º lugar), México (10º para 17º lugar) e Vietnã, Turquia, Irã, Alemanha e Tailândia que vão sair do grupo dos países mais populosos. Entre os países que vão dar o maior salto demográfico estão República Demográfica do Congo (do 16º lugar para 6º lugar), Egito (do 14º lugar para 10º lugar) e a Etiópia (do 12º para 8º lugar).
Angola que tinha apenas 4,5 milhões de habitantes em 1950 e que atingiu 16,4 milhões no ano 2000, deve alcançar 188 milhões de habitantes em 2100, ficando em 11º lugar, na frente do Brasil no final do século. Outros países que vão aparecer na lista dos mais populosos são Níger, Sudão, Uganda e Quênia.
população dos 20 maiores países do mundo em 2020 e 2100, revisão 2019 ONU

A Divisão de População da ONU tem feito, desde 2012, projeções periódicas da população mundial com cenários até 2100. Evidentemente, as projeções variam segundo os parâmetros que vão sendo atualizados em cada país. A tabela abaixo mostra a projeção da população mundial para o final do século XXI, segundo as últimas quatro revisões. Nota-se que a diferença entre a maior projeção e a menor é de apenas 360 milhões de pessoas, ou 3% do total estimado.
projeções da população mundial para 20100

Recentemente, dois jornalistas canadenses Darrell Bricker e John Ibbitson lançaram o livro “Empty Planet: The Shock of Global Population Decline” (2019), contestando as previsões da Divisão de População da ONU. Os dois autores, que não são demógrafos, apostam em um cenário de projeção com um pico populacional abaixo dos 9 bilhões de habitantes em meados do atual século e um rápido declínio nas décadas seguintes.
O fato é que as novas projeções da Divisão de População da ONU reafirmam, com os indicadores atuais, que a população mundial deve ficar próxima de 11 bilhões de habitantes no final do século XXI. Como afirmei em outro artigo, “o livro Empty Planet faz um terrorismo com a possibilidade de um decrescimento da população e assume uma postura pronatalista antropocêntrica e ecocida. Os autores reforçam o mito sobre a possibilidade de um crescimento populacional e econômico ilimitado (“Growthism”). Todavia, mais crescimento quantitativo tem gerado menos qualidade de vida ambiental e pode levar a um colapso ecológico”.
Também Aidar Turner, no texto “Two Cheers for Population Decline”, publicado no Project Syndicate (29/01/2019), critica o alarmismo do livro “Empty Planet” e diz: “Um eventual declínio gradual da população, desde que resulte da livre escolha, deve ser bem-vindo. Por outro lado, líderes autoritários e chauvinistas, como o presidente russo, Vladimir Putin, o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, ou o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, veem o crescimento da população como um imperativo nacional e a alta fecundidade como dever feminino. E mesmo muitos comentaristas não-chauvinistas assumem que há algo não natural ou insustentável no declínio da população, que sociedades envelhecidas devem inevitavelmente ser menos dinâmicas e que a imigração em grande escala é a resposta essencial ao declínio demográfico”.
Indubitavelmente, o futuro está aberto e as próprias projeções da Divisão de População da ONU apresentam 3 cenários para a população mundial em 2100: 15,6 bilhões de habitantes na variante alta, 10,9 bilhões na variante média e 7,32 bilhões de pessoas na variante baixa. Pelos conhecimentos atuais o mais provável é a variante média. Ou seja, o mundo deve acrescentar 3 bilhões de habitantes nos próximos 80 anos. Garantir qualidade de vida para todo este montante de pessoas é um grande desafio.
Mas o desafio maior será garantir a sustentabilidade ambiental e evitar que a Pegada Ecológica global continue aumentando e a biocapacidade continue diminuindo. Principalmente, no quadro do crescimento demoeconômico internacional, a grande tarefa é evitar a aceleração do aquecimento global e a 6ª extinção em massa das espécies, as duas fronteiras planetárias que podem levar a vida no Sistema Terra ao colapso.

Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/06/2019

segunda-feira, 17 de junho de 2019

População mundial deve ter mais 2 bilhões de pessoas nos próximos 30 anos

Segundo novo relatório, habitantes do planeta devem chegar a 9,7 bilhões de pessoas em 2050 e cerca de 11 bilhões em 2100; crescimento desacelerou e taxa de fertilidade deve continuar caindo; em 2018, pela primeira vez, mais pessoas tinham 65 anos ou mais do que menos de cinco anos.

A população mundial deve aumentar em 2 bilhões de pessoas nos próximos 30 anos, afirma um relatório das Nações Unidas lançado esta segunda-feira. O total de habitantes do planeta deve passar dos atuais 7,7 bilhões para 9,7 bilhões em 2050.
A pesquisa, publicada pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa, afirma que a população mundial pode atingir o seu pico no final do século, com perto de 11 bilhões de pessoas.

Crescimento

Comunidade tribal Pardhi, na Índia, que deve ultrapassar a China como país mais populoso, Unicef/Sri Kolari
















Segundo o relatório, a população mundial está envelhecendo devido ao aumento da expectativa de vida e à queda dos níveis de fertilidade. Mais países estão tendo reduções de população.
As taxas de crescimento variam muito entre regiões. Entre 2019 e 2050, nove países representarão mais da metade do crescimento projetado da população mundial: Índia, Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia, Indonésia, Egito e Estados Unidos.
Por volta de 2027, a Índia deve superar a China como o país mais populoso do mundo. A população da África Subsaariana deve dobrar até 2050.
A taxa global de fertilidade caiu de 3,2 nascimentos por mulher em 1990 para 2,5 em 2019. A tendência de queda de natalidade deve continuar para 2,2 nascimentos por mulher em 2050. É necessário um nível de fecundidade de 2,1 nascimentos por mulher para evitar o declínio da população.
Em nota, o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, Liu Zhenmin, disse que “muitas das populações que mais crescem estão nos países mais pobres, onde o crescimento populacional traz mais desafios.”

Economia

Na maior parte da África Subsaariana e em partes da Ásia, América Latina e Caribe, reduções na fertilidade fizeram com que a população em idade de trabalho crescesse mais rápido do que em outras idades. Essa situação criou uma oportunidade para acelerar crescimento econômico.
Segundo a pesquisa, os governos devem investir em educação e saúde para se beneficiarem deste “dividendo demográfico”.

Esperança de vida

A expectativa de vida global aumentou de 64,2 anos em 1990 para 72,6 anos em 2019 e deve aumentar para 77,1 anos em 2050. Apesar dos progressos, permanecem grandes lacunas entre os países.
Nos Estados de baixa renda, as pessoas ainda vivem menos 7,4 anos do que a média global. Em grande parte, essa situação deve-se aos níveis persistentemente elevados de mortalidade infantil e materna, bem como à violência, aos conflitos e ao impacto contínuo da epidemia do HIV.
Novos dados devem ajudar a cumprir Agenda 2030, Unfpa Vietnam/Nguyen Thi Hong T

















Envelhecimento

A população mundial está envelhecendo, com a faixa etária de 65 anos ou mais crescendo mais rapidamente. Em 2018, pela primeira vez na história, pessoas com 65 anos ou mais superaram em número as crianças menores de cinco anos no mundo.
Até 2050, uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 65 anos, cerca de 16%. Em 2019, esse valor é de 9%. No Norte da África e a Ásia Ocidental, Ásia Central e do Sul, Leste e Sudeste da Ásia e América Latina e Caribe, a proporção da população com 65 anos ou mais deve dobrar até 2050.
No mesmo período, uma em cada quatro pessoas que vivem na Europa e na América do Norte pode ter 65 anos ou mais. Prevê-se que o número de pessoas com 80 anos ou mais triplicará, subindo de 143 milhões para 426 milhões.

Proteção social

Segundo a pesquisa, a descida da população em idade ativa está pressionando os sistemas de proteção social. A taxa de apoio potencial, uma medida que compara o número de pessoas em idade de trabalho com aqueles com mais de 65 anos, está em queda em todo o mundo.
No Japão esse índice é de 1,8, o menor do mundo. Outros 29 países, a maioria na Europa e no Caribe, já têm índices abaixo de três. Até 2050, espera-se que 48 países, principalmente na Europa, na América do Norte e no leste e sudeste da Ásia, apresentem índices abaixo de dois.
Segundo a pesquisa, esses valores destacam o impacto potencial do envelhecimento da população no mercado de trabalho e no desempenho econômico, bem como as pressões fiscais que muitos países enfrentarão nas próximas décadas.

Redução

Desde 2010, 27 países tiveram uma redução de um por cento ou mais no tamanho de suas populações. Esta queda é causada por baixos níveis sustentados de fertilidade e, em alguns locais, reforçado pelas altas taxas de emigração.
Esta tendência deve continuar, com pelo menos 55 países com uma descida prevista entre de pelo menos 1% até 2050. Cerca de 26 países devem ter uma redução de pelo menos 10%. Na China, por exemplo, prevê-se que a população diminua em 31,4 milhões, ou cerca de 2,2%.

Migração

Entre 2010 e 2020, 14 países devem registar a entrada de mais de 1 milhão de migrantes. Por outro lado, 10 países verão uma saída de pessoas em escala semelhante.
Alguns dos maiores movimentos são motivados pela necessidade de trabalhadores, como acontece no Bangladesh, no Nepal e nas Filipinas. As outras razões são a violência, a insegurança e o conflito armado, como acontece em Mianmar, na Síria e na Venezuela.
Em nota, o diretor da Divisão de População do Desa, John Wilmoth, disse que “estes dados são uma parte importante da base de informação necessária para verificar o progresso rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.”

ONU NEWS