Bradley Manning condenado a 35 anos de prisão

O responsável pela maior fuga de informação de sempre nos EUA, que ajudou a expor crimes de guerra e de várias ditaduras no mundo, passando os documentos à Wikileaks, acabou condenado a 35 anos. Os responsáveis dos crimes que ele denunciou nem sequer foram julgados.

Esquerda.net 

Bradley Manning foi condenado a 35 anos de prisão e deve agora recorrer da decisão.
Bradley Manning foi o soldado que passou ao Wikileaks os ficheiros com os telegramas das embaixadas dos EUA e outras informações sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão. Foi por causa dele que o mundo assistiu ao vídeo dos soldados norte-americanos a alvejarem jornalistas e civis iraquianos a partir de um helicóptero, ou que a juventude tunisina tomou conhecimento das provas da cleptocracia que governava o país. Os EUA quiseram fazer dele um exemplo e mantiveram-no mais de três anos preso em condições degradantes e sujeito a um tratamento que foi repetidamente condenado pelas organizações de defesa dos Direitos Humanos. Desde a sua prisão, várias personalidades e organizações têm proposto Bradley Manning para receber o Prémio Nobel da Paz. 

Na primeira sentença lida há semanas, os juízes descartaram a acusação mais grave que pendia sobre ele, a de "ajuda ao inimigo" que daria prisão perpétua. A sentença final foi conhecida esta quarta-feira e condena-o a 35 anos de prisão, aos quais será descontado o tempo que já esteve preso. Manning poderá pedir a liberdade condicional em 2021 e caso a cumprisse por inteiro sairia da prisão aos 56 anos. Trata-se em todo o caso da pena mais pesada alguma vez decidida na justiça dos EUA para casos de fuga de informação. 

"Estou muito desapontada porque ninguém foi responsabilizado pelos crimes expostos nos documentos que trouxeram Manning a tribunal - exceto ele. Isto mostra-nos claramente que os nossos sistemas judiciais não funcionam como deviam para proteger as pessoas", afirmou a deputada islandesa Birgitta Jónsdóttir, que faz parte da campanha internacional pela libertação de Bradley Manning.

A reação da Associação de Defesa dos Direitos Civis (ACLU) foi também no sentido de assinalar o "erro grave" da justiça norte-americana ao condenar o soldado "com muito maior dureza do que outros que torturaram prisioneiros e mataram civis". Já a Amnistia Internacional apelou a Barack Obama para comutar a pena. "Devia ser mostrada clemência para Bradley Manning, como reconhecimento dos seus motivos para ter agido assim, do tratamento que ele sofreu quando foi preso e das falhas no processo durante o julgamento", defendeu Widney Brown, concluindo que "o presidente não deve esperar pelo recurso desta sentença para a comutar. Ele pode e deve fazê-lo desde já". 

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