O que é um "bandido"?

Talvez uma das tarefas mais complexas e que provoca discussões quando nos debruçamos no estudo da violência de elevados números de homicídios e assaltos na realidade atual do Brasil, seja tentar explicar o que é o que se espalha como "bandido".

Não se trata de mera violência resultado da pulsão agressiva do Homo, e sim uma "Violência Social", em um grande "sistema" de delinquência, degradação, exclusão, e um uso mal racionalizado dessa capacidade agressiva.

Quem vem a ser o "bandido" que figura nos noticiários policiais. Há os que dizem que são vagabundos desocupados, não querem trabalhar e por isso se tornam marginais, ligação entre não trabalho e marginalidade, hipótese de há muito discutida na sociologia.  Há outros, mas próximos de "explicações" metafísico-religiosas que tratam como encarnação do mal concreto e, para um terceiro grupo a questão da criminalidade em escala endêmica seria fruto somente de exclusão social e baixa ou nenhuma escolaridade.
A primeira hipótese levantada tem por seu inverso o trabalho, se trabalhar seguirá os "ditames ou a cartilha do jogo da boa conduta social, já que segundo os defensores desta perspectiva, roubam aqueles que não trabalham, esses são favoráveis a repressão violenta do delinquente, pena de morte, tortura etc; quem ouvir um programa policial no Brasil logo verá isto sendo dito e gesticulado na TV.

A questão do trabalho como disciplinador já fora intensamente discutido pelas ciências sociais, Michel Foucault, verifica como a sociedade burguesa usa a prisão para absorver uma "mão-de-obra não disciplinada e, Bauman, mais recentemente na obra Trabalho, consumismo e novos pobres volta a esta mesma discussão para dizer que há  uma "ética" do trabalho, em resumo, o trabalho passa a ter um caráter moralístico na sociedade industrial e pós-industrial.

"A ética do trabalho afirmava a superioridade moral de qualquer tipo de vida (Sem importar o quão miserável que fosse), contanto que se sustentasse com o  salário do próprio trabalho". (Bauman)

O segundo ponto, se direciona para a existência de um mal ou de pessoas essencialmente más, seriam pessoas inatamente inaptas para o convívio social. Argumento não aceito pela ciência, já que é apenas retórico, não se pode dizer o que seria um mal absoluto.

Por fim, o último argumento, vai para o lado econômico-político da sociedade, sem acreditar a completa eliminação do crime, já que isso seria utópico, mas apenas tratando da uma grande violência, como dito, endêmica. Fala-se muito do uso da educação para retirar da sociedade essas mazelas, mas o conceito de educação é relativo, até poucas décadas atrás o número de pessoas iletradas ficava em torno dos 70% mas talvez fosse melhor educadas do que agora, quando se diz, números do IBGE, que o número de analfabetos é de 8% apenas. Até 1970 os números de homicídios eram incomparáveis com o que ocorre agora, e a miséria era muito maior.

O que mudara? Não queremos idealizar um passado, mas é que a própria sociedade, evidentemente, mudou. Os números dos homicídios se elevam junto com a urbanização, lembre-se de que até a segunda metade do século XX a maioria da população brasileira era rural. O viver urbano, globalizado, consumista, é diverso, e ele é responsável pela criação dessa forma de marginalização.

Sobre educação, o Instituto Avante Brasil desconsidera os números do IBGE e eleva para 75% a população analfabeta do país, ou seja, muda de saber  usar palavras para escrever, por exemplo, o nome, e requer uma condição de escrever textos mais elaborados e compreender informações escritas, muitos chamam de analfabetismo funcional.

De todas as três hipóteses a última tem maior fundamento, precisamos refletir bastante sobre o que é educação, sua a função além de números; Rousseau escreveu sobre educação sem falar de ciência ou filosofia; precisamos falar de democracia, não a vertical Estado-povo, mas sim a Democracia Horizontal Cidadãos-Cidadãos-Estado.

Por fim, claro que não respondemos a pergunta do título deste artigo, mas é esta a finalidade, não deixemos que nos enfiem na cabeça falsas ideias grosseiras, que só atrapalham que discutamos questões sérias que envolvem pessoas.

Autor

Luiz Rodrigues Junior

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