Polícia militar do Camboja dispara sobre trabalhadores durante protesto por melhores salários

Pelo menos 4 pessoas morreram esta sexta feira no parque industrial Canadia, onde estão instaladas várias fábricas que fornecem produtos para marcas como Adidas, Puma e H&M. Os trabalhadores lutam pelo aumento do salário mínimo nas fábricas de 58,7€/mês para 117,4€/mês.
Segundo avançou a agência Reuters, a polícia militar do Camboja, após ter tentado impedir a manifestação, abriu fogo contra os trabalhadores na zona industrial de Phnom Penh, durante o segundo dia de mobilizações dos cerca de 350 mil trabalhadores fabris, que combinam uma paralisação com várias iniciativas de protesto contra os baixos salários praticados na indústria têxtil, que fatura perto de 4 mil milhões de euros por ano no país.
A investida policial terá causado pelo menos quatro mortes e vinte e um feridos, segundo avançam organizações não governamentais.
No início da semana já tinha sido registado outro episódio de violência policial numa fábrica que produz roupa para os grupos norte-americanos GAP e Walmart. Perto de vinte pessoas foram agredidas com bastonadas.
O Ministério do Trabalho do Camboja já veio adiantar que não irá atender às reivindicações dos grevistas e que apenas está disposto a aumentar o salário para 73,35€/mês. “Não haverá mais negociação, uma vez que o ministério decidiu aumentar o salário mínimo para 100 dólares [73,35€] por mês”, afirmou um porta-voz do ministério.
O movimento de oposição Partido Nacional da Salvação do Camboja, que acusa o governo de Hun Sen de ser autoritário e exige a repetição das eleições de julho, e que tem participado nos protestos, já prestou a sua solidariedade e apoio aos trabalhadores. Para este sábado está marcada uma vigília pelos mortos pelas forças armadas.
Várias marcas de roupa ocidentais produzem os seus artigos em fábricas cambojanas, na medida em que o trabalho é mais barato neste país do que na China, Vietname ou Tailândia.

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