Rosa Luxemburg: Uma vida curta

1871-1919
Uma vida curta, rica em perseguições, perpetuamente vigiada, sempre de volta à clandestinidade, presa, posta em liberdade, encarcerada, vivendo à margem da sociedade: para se naturalizar alemã, um casamento "de fachada", e, por fim, sabendo exatamente o que se anunciava, a marca do martírio - aquela que queria morrer no "seu posto", em pleno combate, caiu, sem que ninguém de seu próprio grupo a tivesse podido acompanhar, vítima de assassinos de uniforme: Lá vem Rosinha puta velha", gritavam os soldados quando a prisioneira entrou no Hotel Éden, para ser maltratada e arrastada por todos os lados. Um dos participantes pôs à venda mais tarde, na cozinha do Hotel Éden, um sapato que ela, ao ser arrastada, havia perdido - numa horrível dança da morte que ela não podia imaginar.

Uma vida curta, mais uma vez rica em perseguições, executada por aqueles que na noite de 15 de janeiro de 1919 se mostraram tais como Rosa Luxemburg os havia descrito: desumanos e cruéis.

Uma vida curta, mas, como mostram as cartas, uma vida moldada também pelo entusiasmo e a inspiração, por grandes triunfos, batalhas ganhas nas fileiras da esquerda socialdemocrata, histórias de amor ousadas, entre êxtase, desavenças, novos entusiasmos, renúncias amargas, reatamentos, namoros com rapazes, e, o mais importante, no final das contas, amizades, que iam e vinham, com mulheres mais velhas - aventuras e escaladas nos limites entre o plano político e o pessoal-privado, entre os grandes amores e a objetividade das pequenas informações.

Walter Jens
Rosa Luxemburg - Nem poeta, nem pétroleuse.


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