Chegou a cidadania?

Foto: BBC

A cidadania no Brasil é amplamente estudada pelos científicos sociais; visualiza-se até mesmo uma duplicidade de avaliações: quando estudado pelo "lado" cultural somos idolatrados por escritores, dentre eles destacam-se Luis Da Camara Cascudo e Gilberto Freyre; já pelo lado político há quase a unanimidade em se descrever vícios de todas as matizes, eleitorais, de consciência (falta), enfim, prevalecem críticas.

O fato é que de 2013 para cá, ou até mesmo antes, desde  a primeira década do presente século começaram a se organizar movimentos contra a corrupção, geralmente operacionalizados pela internet, o Brasil tem se tornado um dos países mais cívicos do mundo; não há um só ano que não hajam manifestações, sejam contra corrupção, contra a violência, contra destruição de parques florestais urbanas, contra fechamento de escolas, contra poluição de rios, contra programas de televisão, contra salários de vereadores, contra o jeitinho brasileiro (vejam só), lembrem  do carro estacionado em vaga de deficiente que fora completamente  "empapelado", etc...

Para uns, os manifestos políticos especificamente, podem desestabilizar a república, provocar conflitos civis, ou até produzir uma nova ditadura; a presença de líderes políticos da oposição reforça a tese de usar o povo como "massa de manobra", segundo Bobbio os movimentos sociais sempre são derrotados politicamente, restando apenas o exemplo, de fato os palácios são traiçoeiros, mas inegavelmente a internet casou bem demais com a cidadania brasileira.

Neste domingo os protestos ocorrem de forma multifacetada: canto do hino, querendo-se demonstrar patriotismo, usando brincadeiras tipicamente carnavalescas, outros que preferem que os militares "intervenham" (o fracasso pode ensinar muito); mas o ato é que não há como não se regozijar com tanta gente se manifestando politicamente nas ruas brasileiras, recusando lideranças, vale lembrar que o maior de todos os manifestos, os de 2013, foram contra toda a "classe política".

Tudo isso vai gerando uma noção mais decente de coisa pública, cidadania, política republicana... Creio que há mais aspectos positivos do que negativos. Não se tratam de manifestações com causas específicas, embora para alguns grupos, às vezes interessados em se passarem como os donos daquela massa todo, creiam que detêm toda aquela confiança, mas pode ser que um dia sejam os encurralados...

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