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terça-feira, 3 de março de 2026

Governo prorroga regras para trabalho em feriados e amplia prazo para negociação no comércio

Dr. Márcio Coelho, advogado previdenciário e trabalhista, analisa os impactos jurídicos e econômicos da decisão e os desafios para sindicatos e empregadores chegarem a um consenso que garanta segurança às empresas, proteção aos trabalhadores e previsibilidade ao consumidor



O Governo Federal decidiu adiar por mais 90 dias a entrada em vigor da Portaria 3.665/23, que estabelece novas regras para o trabalho em feriados no setor do comércio. A medida, adotada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, será oficializada por meio de publicação no Diário Oficial da União na última semana.


Com a prorrogação, o governo amplia o prazo para que representantes de trabalhadores e empregadores avancem nas negociações sobre a regulamentação do tema. A iniciativa prevê ainda a criação de uma comissão bipartite, formada por dez representantes de cada lado, que terão cinco dias para indicar ao ministério os nomes que irão compor o colegiado.


Na prática, a decisão mantém temporariamente as regras atuais enquanto sindicatos e entidades patronais tentam chegar a um entendimento sobre as condições de trabalho em feriados, especialmente em setores que tradicionalmente funcionam nesses dias, como shopping centers, farmácias e restaurantes.


Para o advogado previdenciário e trabalhista, Dr. Márcio Coelho, o adiamento é uma tentativa de evitar impasses maiores. “Diante da inexistência de acordo em relação ao trabalho em feriados, o Governo resolveu conceder mais 90 dias para que sindicatos de empregados e patronais cheguem a um consenso sobre a jornada nesses dias. Estamos falando de trabalhadores de estabelecimentos que tradicionalmente abrem aos domingos e feriados, como shoppings, farmácias e restaurantes. É um tema sensível, porque desses acordos pode surgir a obrigação de pagamento de horas extras, o que aumenta os encargos trabalhistas para os empregadores”, explica.


Segundo ele, a controvérsia envolve não apenas custos, mas também a organização das escalas e a previsibilidade para empresas e funcionários. “O ideal é que prevaleça o bom senso entre as partes, para que se encontre um denominador comum. Uma solução equilibrada evita insegurança jurídica, protege os trabalhadores e também não prejudica o consumidor, que depende desses serviços em datas específicas”, completa.


A expectativa agora recai sobre o andamento das negociações nos próximos três meses. Caso haja consenso, as novas regras poderão entrar em vigor com maior respaldo das categorias envolvidas. Caso contrário, o impasse poderá voltar à mesa do governo, mantendo o tema no centro das discussões trabalhistas do país.

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