A escritora paraibana Jadna Alana conquistou o primeiro lugar na 10ª edição do Prêmio Kindle de Literatura, uma das mais importantes premiações voltadas à literatura independente no Brasil. A autora venceu com o romance Barquinho de papel, obra que combina lirismo, memória e elementos do chamado regionalismo fantástico, consolidando sua trajetória no cenário literário nacional.
O prêmio reconhece obras publicadas de forma independente na plataforma Kindle Direct Publishing e tem revelado novos nomes da literatura contemporânea brasileira. Como vencedora, Jadna Alana receberá R$ 50 mil entre premiação e adiantamento de royalties, além da publicação do livro pelo Grupo Editorial Record, edição especial enviada aos assinantes da TAG Experiências Literárias, adaptação para audiolivro pela Audible e participação como jurada na próxima edição do concurso.
Uma história feita de memórias e palavras esquecidas
O romance vencedor acompanha a trajetória de Jurema, menina que vive na orla de Cruz-credo, um vilarejo baiano esquecido pelo tempo, onde os sonhos parecem ser descartados junto aos restos do cotidiano. Irreverente e inquieta, ela encontra diversão em provocar padre Cícero, responsável pela capela azul que simboliza a fé da comunidade.
Enquanto o religioso tenta catequizá-la — já que a jovem não foi batizada, fato que muitos moradores associam à sua personalidade indomável —, Jurema alimenta um desejo maior: atravessar o além-mar e conhecer o mundo em um barquinho construído com palavras esquecidas.
Filha “da terra e da falta”, a protagonista cresce recolhendo fragmentos da vida alheia — cartas abandonadas, papéis marcados pelo tempo e histórias descartadas. Com esses retalhos de memória, passa a construir um pequeno barco de papel, transformando cada narrativa ouvida em parte da embarcação. Assim, lembranças ganham novo destino e o imaginário se torna ferramenta de resistência e esperança.
A obra se destaca pela linguagem poética e pela valorização das experiências populares, explorando afetos, religiosidade e pertencimento a partir de uma estética que mistura realismo regional e fantasia simbólica.
Trajetória literária e acadêmica
Natural da Paraíba, Jadna Alana é formada em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e mestre em Linguagem pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Atua como profissional de texto por meio da ALCE, sua marca editorial.
A autora já vinha acumulando reconhecimento antes da vitória. Seu livro Se tu me quisesse foi finalista do Prêmio Kindle de Literatura em 2022 e do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica em 2023. Também venceu o Prêmio Marília Arnaud com o conto O menino de Imburana e foi contemplada pelo edital Carolina Maria de Jesus com Barquinho de papel.
Além da produção literária, Jadna Alana é considerada precursora nos estudos sobre o Regionalismo Fantástico no Brasil, campo que investiga academicamente e que atravessa sua criação artística.




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