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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Justiça suspende assembleia para criação de sindicato nacional dos trabalhadores “multimídia”

FENAJ e SJSP atuaram na ALESP para barrar a criação do chamado “sindicato multimídia”.



A tentativa de criação de um sindicato nacional voltado aos chamados trabalhadores “multimídia” foi suspensa nesta terça-feira (31), após decisão judicial que impediu a realização de assembleia prevista para ocorrer na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A medida foi adotada no âmbito da ação civil coletiva nº 1.51014/2026.5020063, em tramitação no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), proposta por federações representativas dos radialistas.


A suspensão também ocorreu em meio à mobilização de entidades sindicais da comunicação, entre elas a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), que se posicionaram contra a iniciativa. Segundo as entidades, a criação do novo sindicato poderia gerar conflitos de representação e afetar categorias profissionais já regulamentadas.


De acordo com Thiago Tanji, presidente do SJSP e segundo vice-presidente da FENAJ, a proposta representa riscos à organização sindical existente. “Não vamos aceitar a criação de um sindicato que, na prática, fragiliza categorias já organizadas e regulamentadas. Essa proposta representa um ataque aos direitos dos trabalhadores da comunicação e à própria estrutura sindical construída historicamente”, afirmou.


Debate sobre representação profissional


A proposta de criação do chamado “Sindicato Nacional do Multimídia” tem sido alvo de críticas por parte de entidades representativas do jornalismo e da radiodifusão. Para a FENAJ, a iniciativa pode provocar sobreposição de bases sindicais e comprometer a representação de profissionais já vinculados a categorias reconhecidas legalmente.


Além da atuação judicial, a federação apresentou manifestação administrativa ao Ministério do Trabalho, apontando risco de conflito de representação sindical. No documento, a entidade sustenta que as atividades atribuídas aos profissionais classificados como “multimídia” coincidem com funções já exercidas por jornalistas, especialmente na produção, edição e difusão de conteúdos em plataformas digitais.


Preocupações com direitos trabalhistas


As entidades sindicais argumentam que o termo “multimídia” descreve uma característica do trabalho contemporâneo na comunicação, e não uma profissão autônoma. Segundo a presidenta da FENAJ, Samira de Castro, a criação de uma nova categoria poderia abrir espaço para flexibilização de direitos trabalhistas.


“O termo ‘multimídia’ não pode ser usado como pretexto para desmontar profissões regulamentadas e retirar direitos históricos dos trabalhadores da comunicação. O jornalista já é, por natureza, um profissional multimídia”, declarou.


Outro ponto levantado pelas entidades é a composição da assembleia convocada para fundar o sindicato, que, segundo elas, reuniria perfis distintos, incluindo trabalhadores, prestadores de serviços e agentes econômicos, o que poderia contrariar critérios do sistema sindical brasileiro para definição de categoria profissional.



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