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| Reprodução Instagram |
Após muitas polêmicas por cobrar cachês acima de 1 milhão de reais de prefeituras do interior, o cantor Gusttavo Lima anunciou que não faria mais shows custeados por dinheiro público. De fato, ao analisar sua agenda para 2026, percebe-se que todos os seus shows são privados. Diante disso, a Prefeitura de Caicó anunciou o referido artista como atração da Festa de Sant’Ana. Se o show for custeado com recursos públicos, isso significaria que a prefeitura teria enganado o cantor — ou que ele teria voltado atrás em sua palavra empenhada?
Em Caicó, a prefeitura realiza uma licitação para que uma empresa privada organize os shows em um espaço público chamado Ilha de Santana. No entanto, todos os anos, quem de fato custeia os cachês é a própria prefeitura através de "patrocínios", por meio de um contrato artificial que apenas simula que o evento não é pago com dinheiro público.
Foi justamente por causa dos escandalosos cachês pagos a Gusttavo Lima que se consolidou no Brasil uma jurisprudência contrária a shows caros em cidades com carências sociais graves e outras demandas prioritárias. O cantor chegou a ter a prisão preventiva decretada em 23 de setembro de 2024 pela Justiça de Pernambuco, no âmbito da Operação Integration, que investigaou um suposto esquema de lavagem de dinheiro e jogos ilegais.
Antes disso, em junho de 2022, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proibiu a realização de um show do artista na cidade de Teolândia (BA), onde o cachê previsto era de R$ 700 mil, poucos meses após o município ser devastado por fortes enchentes. O caso tornou-se símbolo do debate sobre proporcionalidade nos gastos públicos com entretenimento.
Levantamento publicado pelo portal UOL, em março de 2026, apontou que pequenas e médias prefeituras brasileiras gastaram mais de R$ 2 bilhões com apresentações de artistas famosos nos últimos anos, mesmo em cidades com fragilidade fiscal.
Como reação ao cenário, prefeitos de Pernambuco, articulados pela Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), estabeleceram para 2026 um teto orientativo de R$ 350 mil para cachês pagos em eventos públicos como Carnaval e São João. A medida conta com apoio de 96% dos gestores consultados e acompanhamento do Ministério Público estadual, buscando reduzir excessos e prevenir questionamentos jurídicos.



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