Pesquisa inédita da Hibou, em parceria com a Score, revela que 73,2% dos brasileiros pretendem passar o feriado em casa, enquanto apenas 7,3% planejam ir a blocos de rua e 4,6% viajarão para a praia. O dado não é trivial: ele indica que o Carnaval, como experiência pública e urbana, já não é acessível — nem desejável — para a maioria da população.
A festa da Idade Média europeia trazida pelos portugueses e depois tornada propaganda política pela direita do começo do Século XX como alternativa ao marxismo e como estratégia de anestesiar a população, começa a dar sinais de esgotamento, como ocorreu na Europa. Apesar disso, em São Paulo centenas de "bloquinhos" desgraçam a cidade durante semanas.
Quase metade dos entrevistados (48%) pretende maratonar filmes e séries, com a Netflix liderando as preferências. Dormir, “não fazer nada”, limpar a casa ou ler um livro aparecem como opções mais frequentes do que assistir aos desfiles ou sair para a rua. O Carnaval, antes ruptura da rotina, passa a funcionar como um intervalo terapêutico em uma sociedade exausta.
Não deixa de ser simbólico que esse comportamento seja ainda mais forte entre os jovens de até 34 anos — grupo que, em tese, deveria protagonizar a folia. O dado revela não apatia cultural, mas fadiga social: jornadas longas, baixa renda, insegurança urbana e um cotidiano cada vez mais hostil à convivência coletiva.
Outro mito cultural começa a ruir: apenas 40,2% ainda acreditam que o país “só funciona depois do Carnaval”. O dado sugere um Brasil mais pragmático, pressionado por demandas econômicas e pela informalidade permanente. O feriado deixa de ser pausa coletiva e passa a ser apenas mais um rearranjo individual da sobrevivência.



Nenhum comentário:
Postar um comentário